A RVORE DA VIDA, UM ESTUDO SOBRE MAGIA
 ISRAEL REGARDIE 


Dedicado  com  pungente memria do  que  poderia  ter  sido
a  MARSYAS 
	"Deves compreender, portanto, que esse  o primeiro caminho para a felicidade, concedendo s almas uma plenitude intelectual de unio divina. Mas a ddiva sacerdotal e tergica de felicidade  chamada, realmente, de portal para o Demiurgo das  totalidades, ou a sede, ou o palcio, do bem. Em primeiro lugar, outrossim, possui  um poder de purificao da alma. . . posteriormente provoca uma coaptao do poder da razo com a participao e viso do bem e uma liberao de toda coisa de natureza oposta, e em ltimo lugar produz uma unio com os deuses, que so os doadores de todo bem" 
                                                                                                                                               JMBLICO


INTRODUO 
	Em virtude da bastante difundida ignorncia a respeito da soberana natureza da Teurgia Divina e a despeito de freqentes referncias quase em toda parte ao assunto magia, permitiu-se que ao longo dos sculos se desenvolvesse uma total incompreenso. So poucos  hoje os que parecem ter sequer a mais vaga idia do que constituiu o elevado objetivo de um sistema considerado pelos sbios da Antigidadea Arte Real e a Alta Magia. E por ter existido quantitativamente ainda menos pessoas  preparadas para defender at o fim a filosofia da magia e disseminar seus verdadeiros princpios entre aqueles julgados dignos de receb-los, o campo de batalha tomado pelas reputaes destroadas de seus Magos foi cedido aos charlates. Esses, ai de ns, fizeram bom uso de sua oportunidade de esbulho indiscriminadamente, a tal ponto que a prpria palavra magia se tornou agora sinnimo de tudo que  desprezvel, sendo concebida como algo repulsivo. 
	Durante muitos sculos  na Europa autorizou-se esse incorreto estado de coisas, que se manteve at em torno de meados do sculo passado, quando liphas Lvi, um escritor dotado de certa facilidade de expresso e talento para a sntese e a exposio, se empenhou em devolver  magia sua antiga reputao grandiosa. At que ponto teriam seus esforos obtido xito ou no caso no tivessem sido sucedidos e estimulados pelo advento do movimento teosfico em 1875 em associao com a discusso aberta do oculto e de temas msticos que a partir de ento se seguiram,  extremamente difcil dizer. E mesmo assim, no foram coroados de muito xito, pois apesar de quase oitenta longos anos de ateno e discusso aberta da filosofia e prtica esotricas em vrios de seus ramos, no  possvel descobrir no Catlogo da Sala de Leitura do Museu britnico uma nica obra de magia que tente apresentar uma exegese lcida, clara e precisa, desembaraada do emprego exagerado de smbolos e figuras de linguagem. Oitenta anos de estudo do oculto e nem sequer uma obra sria sobre magia! 
	Por algum tempo tornou-se conhecido em vrios lugares que este escritor era um estudioso de magia. Conseqentemente indagaes acerca da natureza da magia seriam amide endereadas a ele. Com o passar do tempo tais indagaes tornaram-se to numerosas e to abismal a ignorncia involuntria sobre o assunto contida em todas elas que parece ser a hora exata para tornar disponvel a esse pblico uma exposio sinttica e definitiva. Visto que nenhuma outra pessoa tentou executar essa tarefa de tremenda importncia, recai sobre este escritor essa difcil tarefa. Ele no se prope limitar-se mediante observaes plausveis acerca da incomunicabilidade de segredos ocultos. Tampouco mencionar a impossibilidade de transmitir a vera natureza dos mistrios da Antigidade, como alguns autores recentes fizeram. Embora tudo isso seja verdadeiro, no obstante h de comunicvel na magia o suficiente. A despeito de centenas de pginas com o fito de elucidar,  preciso  tambm dirigir a esses escritores a severa acusao de terem realizado muito para confirmar a opinio pblica na j firme crena de que a magia era ambgua, obscura e uma tolice. Dificilmente poder-se-ia sustentar uma concepo mais errnea do que essa, pois a magia, que me permitam insistir,  lcida.  definida e precisa. No h frmulas vagas ou dubiedades compreendidas dentro da esfera de sua exatido; tudo  claro e concebido para o experimento prtico. O sistema da magia  absolutamente cientfico, e cada uma de suas partes  passvel de verificao e prova  sob demonstrao. A rvore da vida  publicado, admito, com uma certa hesitao, com o nico objetivo de preencher essa lacuna existente. Este escritor deseja tornar inteligvel e compreensvel para o indivduo leigo, inteligente e comum, para o aprendiz dos  Mistrios e aqueles versados  no saber de outros sistemas msticos e filosofias os  princpios radicais a partir dos quais a formidvel estrutura imponente da magia  construda. Com uma exceo, no conhecida ou adequada ao pblico em geral,  infelizmente, essa tarefa necessria jamais foi realizada anteriormente.    
	A freqncia de longas citaes provenientes de escritos de autoridades em magia que o autor aqui inseriu se explica de modo bastante simples, devendo-se apenas ao desejo de demonstrar que os mais amplos pontos essenciais desta exposio no so o resultado de qualquer invencionice do autor, estando, pelo contrrio, firmemente enraizados na sabedoria da Antigidade.  desnecessrio que se apontem para o autor expresses rudes, possveis interpretaes equivocadas de fatos ou teorias e pecados de omisso e cometimento. Em razo disso ele se desculpa humildemente, devendo ser perdoado em funo de sua juventude e inexperincia. Que seus esforos incitem outra pessoa mais sbia, dotada de melhores recursos para escrever e detentora de um conhecimento mais profundo da matria e seus correlatos de modo a produzir uma melhor formulao da magia. Este escritor estar dentre os primeiros que aclamaro essa realizao com boas-vindas e louvores. 
	 tambm necessrio registrar a atitude corts dos senhores Methuen  & Co. que deram a permisso para reproduzir as ilustraes dos quatro deuses egpcios de Os deuses dos egpcios, de Sir  E. A.  Wallis Budge. 
Israel Regardie
                                                                                                                                       Londres, agosto de 1932.





INTRODUO  SEGUNDA EDIO

	 possvel que um pai tenha um filho favorito? Existir um entre todos os demais que secretamente ele sinta ser a menina de seus olhos? Com maior freqncia que o caso negativo, a despeito de todos os protestos em contrrio,  certamente existe. 
	Pois  isso que ocorre comigo. Ao me pedirem que escrevesse uma introduo para esta nova edio de A rvore da vida, senti um entusiasmo interior que combina muitas emoes bem distintas. Este livro tem um significado especial para mim que nenhum dos meus outros escritos jamais teve. Primeiramente, h o fato elementar de ele ter sido o primeiro livro que emergiu de meu esprito em boto. A garden of pomegranates [Jardim das roms], publicao anterior, simplesmente se desenvolveu a partir de um conjunto de notas cabalsticas que eu guardara por vrios anos - e isto  tudo o que sempre foi. 
	Comentou-se ser  A rvore da vida  a mais abrangente introduo disponvel aos numerosos, complexos e por vezes obscuros escritos msticos de Aleister Crowley. Ambos os livros mencionados foram a ele dedicados, para quem trabalhei como secretrio durante muitos anos. Simbolicamente, esses dois livros vieram a representar a minha independncia dele. 
	A rvore da vida gerou tambm uma correspondncia pelo mundo todo que resultou em vrias amizades profundas e duradouras,  pelas quais me sinto sumamente grato. 
	Embora este livro apresente muitos erros tipogrficosde menor importncia - devidos, sobretudo,  pressa e o descuido da juventude - tem sido considerado til como um guia para o extenso, complicado e maravilhoso sistema de iniciao Golden Dawn [Aurora Dourada], cuja gratido que sinto por ele precisa ser aqui registrada. Alguns aprendizesalegam que os dois volumes de The Golden Dawn (Llewellyn Publications, St. Paul, Minn. 1970) contm uma tal massa diversificada de informaes que um guia dotado de clareza constitui pr-requisito para abrir uma senda inteligvel atravs de seus documentos, rituais e instrues. Esta nova edio deve vir a servir a tal finalidade. 
	Escrevendo A rvore da vida aprendi muito. Este livro combinou muitos fragmentos isolados de conhecimento e experincia desconexos. A correspondncia indicou que serviu a outros igualmente bem. 
	A despeito de sua extravagncia e pendor para o emprego excessivo de adjetivos, que foram as marcas de minha juventude - trinta e cinco anos transcorreram desde que foi escrito - afirmou-se como um guia sincero e simples para uma arte intricada e, em outros aspectos, obscura. Um psiquiatra britnico foi amvel a ponto de admitir um sentimento de espanto e real admirao pelo fato de algum de vinte e poucos anos de idade ter sido capaz de demonstrar a compreenso espiritual e capacidade para sntese evidenciadas neste livro. Se essa avaliao for vlida, dever-se- muito a Aleister Crowley, a quem muito devo.  sua derradeira defesa da estupidez de bigrafos e jornalistas sensacionalistas devotei muitos anos de minha vida. Sua obra jamais perecer, permanecendo como uma inspirao aos aprendizesde um futuro remoto, como o foi  para mim. 
	Crdito  devido tambm ao meu Gnio superior e divino - para usar a bela linguagem da Golden Dawn - pois sem essa diretriz interna nenhuma literatura, mesmo profunda, atraente e arrebatadora, significaria muita coisa. Visto que a orientao obtida posteriormente da Hermetic order of the Golden Dawn resultou da publicao de A rvore da vida, sua redao no foi influenciada pela Ordem. Mais tarde, todavia, a Ordem desempenhou efetivamente um papel preponderante no meu desenvolvimento ntimo e na redao de livros mais posteriores. 
	Rememorando, este testemunho de minha independncia de Crowley resultou numa carta do chefe de uma seo da Golden Dawn condenando tanto a mim quanto ao livro em termos nada indefinidos. Por outro lado, resultou num convite, que partiu de um chefe de outra unidade da Ordem, para que eu me tornasse membro dela. Aceitei esse convite, embora os anos posteriores tenham produzido uma separao da Ordem, hoje eu lamento minha presuno e arrogncia juvenis. Contudo, o destino deve ter interferido, resultando numa reedio dos ensinamentos secretos da Ordem, a primeira exposio de tal reedio tendo sido ensaiada logo antes da Primeira Guerra Mundial por Crowley  no Equinox. 
	Com o devido respeito ao imenso gnio de Crowley, foi dito que minha apresentao fez mais justia  Ordem do que a sua. Vale a pena reiterar pela segunda vez que esta nova edio de A rvore da vida propiciar ao aprendizuma viso geral da tradio mgica ocidental. Nesse sentido, a despeito de desvios doutrinais e ritualsticos menores, Crowley se enquadra  numa linhagem direta de descendncia dos  Adeptos da Golden Dawn; nada que ele tenha escrito pode ser compreendido sem referncia aos ensinamentos da Ordem. Tanto a Golden Dawn quanto Aleister Crowley ganham em estatura e profundidade se o principiante nesses estudos lograr primeiramente uma viso sinptica de A rvore da vida. 
	Finalmente, uma antiga observao se faz ainda essencial. H muito compreendi que a anlise psicolgica moderna deveria ser associada aos mtodos da Grande Obra - uma tarefa ainda a ser plenamente realizada. Recomenda-se incisivamente que o aprendizsrio se submeta a um processo de alguma modalidade de tratamento psicoteraputico antes de aprofundar-se nessas prticas. No mnimo, ter com isso conquistado autoconscincia e eliminado algumas tenses corporais e emocionais exacerbadas pela arte mgica. 
	Assim, para esta nova edio de A rvore da vida, s me resta dizer com humildade, sinceridade e convico: v em frente e propague a palavra. Ela expe um bom ensino, uma nobre filosofia e um sistema arcaico porm prtico de se atingir alturas embebidas de sol  para as quais toda a espcie humana finalmente ter de se elevar e repousar. Que possam todos os leitores obter toda a satisfao, ajuda e conforto espirituais e esclarecimento que eu obtive na redao inicial deste livro e nos anos que se seguiram.
                                                                                                                                                                      Adeus!
Israel Regardie
12 de maio de 1968.
Studio City, Califrnia, 91604













PRIMEIRA PARTE


	"A MAGIA  A CINCIA TRADICIONAL DOS SEGREDOS DA NATUREZA QUE A NS FOI TRANSMITIDA  PELOS  MAGOS."
                                                                                                                                                     liphas Lvi
CAPTULO  I
	 expresso comum  nos lbios de muitos a reiterao de que a espcie humana hoje, com todas suas enfermidades e aberraes, chafurda s cegas num terrvel pntano. Mensageiro da morte e munido de tentculos de destruio, esse pntano colhe a espcie humana com crescente firmeza para seu seio, ainda que com grande sutileza e furtivamente. Civilizao, por mais curioso que seja, civilizao moderna  o seu nome. Os tentculos, que so os instrumentos inconscientes de seus golpes catastrficos, partem da estrutura enferma, falsa e repugnante do sistema social decadente e do conjunto de valores em que estamos envolvidos. E agora, toda a textura do mundo social parece estar em processo de desintegrao. Pareceria que a estrutura da ordem nacional est mudando da runa econmica para aquele abandono derradeiro e insano que pode contemplar a extino dessa estrutura num precipcio escancarado rumo  completa destruio. Enraizados firmemente na plenitude da vida individual, os at aqui robustos basties de nossa vida esto sendo ameaados como jamais o foram. Parece cada vez mais impossvel diante do poente de cada sol para qualquer um reter mesmo a mais ligeira poro de seu legado divino e individualidade e exercer aquilo que faz de ns homens. Apesar de terem nascido em nossa poca e tempo, aqueles  poucos indivduos que esto cientes mediante uma certeza isenta da dvida de um destino que os impulsiona imperiosamente rumo  realizao de suas naturezas ideais, constituem, talvez, as nicas excees. Estes, a minoria, so os msticos de nascimento, os artistas e os poetas, os que contemplam alm do vu e trazem de volta a luz do alm. Encerrada dentro da massa, contudo, existe ainda uma outra minoria que, embora  no plenamente consciente de um destino imperioso, nem da natureza de seu eu mais profundo, aspira ser diferente das massas complacentes. Presa de uma ansiedade ntima, mantm-se inquieta na obteno de uma integridade espiritual duradoura.  impiedosamente oprimida pelo sistema social do qual constitui parte e cruelmente condenada ao ostracismo pela massa de seus camaradas. As verdades e possibilidades de um contato reintegrador com a realidade que pudesse ser estimulado aqui e agora, durante a vida e no necessariamente por ocasio da morte do corpo, so cegamente ignoradas. A atitude singularmente tola adotada pela maior parte da moderna humanidade europia "inteligente" para com essa aspirao constitui um grave perigo para a raa, a qual se permitiu com demasiada impacincia o esquecimento daquilo de que realmente depende, e de que  continuamente nutrida e sustentada tanto em sua vida interior quanto exterior. Agarrando-se avidamente  evanescncia flutuante da precipitada existncia exterior, sua negligncia com relao aos assuntos espirituais somada  sua impacincia para com seus semelhantes mais perspicazes constitui um marca de fadiga e nostalgia extrema. 
	Embora desgastado, o adgio  "onde no h viso as pessoas perecem"  no deixa de ser verdadeiro e digno de ser repetido porquanto expressa de maneira peculiar a situao hoje preponderante. A humanidade como um todo, ou mais particularmente o elemento ocidental, perdeu de algum modo incompreensvel sua viso espiritual. Uma barreira hertica foi erigida separando a si mesma daquela corrente de vida e vitalidade que, mesmo atualmente, a despeito de impedimentos e obstculos propositais, pulsa e vibra ardentemente no sangue, invadindo a totalidade da estrutura e forma universais. As anomalias que se nos apresentam hoje se devem a esse rematado absurdo. A espcie humana est lentamente cometendo seu prprio suicdio. Um auto-estrangulamento est sendo efetivado mediante uma supresso de toda a individualidade, no sentido espiritual, e de tudo que a tornou humana. Prossegue sonegando a atmosfera espiritual de seus pulmes, por assim dizer. E tendo se separado das eternas e incessantes fontes de luz e vida e inspirao, eclipsou-se deliberadamente diante do fato - com o qual nenhum outro pode comparar-se em importncia - de que existe um princpio dinmico tanto dentro quanto fora do qual se divorciou. O resultado  letargia interior, caos e desintegrao de tudo o que anteriormente era tido como ideal e sagrado. 
	Formulada h sculos, a doutrina ensinada por Buda  vista por mim como aquela que apresenta uma possvel razo para esse divrcio, esse caos e essa decadncia. Para a maioria das pessoas, a existncia est inevitavelmente associada ao sofrimento,  tristeza e  dor. Mas embora Buda tenha, com efeito, ensinado que a vida era repleta de dor e misria, estou inclinado a crer, ao lembrar a psicologia do misticismo e dos msticos, dos quais era ele indubitavelmente um par, que esse ponto de vista foi por ele adotado to-somente para impulsionar os homens fora do caos rumo a obteno de uma modalidade de vida superior. Uma vez superado o ponto de vista do ego pessoal, resultado de eras de evoluo, o homem pde ver os grilhes da ignorncia carem por terra revelando uma paisagem desimpedida de suprema beleza, o mundo como uma coisa viva e jbilo infindvel. No ser visvel para todos a beleza do sol e da lua, o esplendor das estaes alternando-se ao longo do ano, a doce msica do romper do dia e o fascnio das noites sob o cu aberto? E o que dizer da chuva escorrendo pelas folhas das rvores que se elevam aos  portais do cu, e o orvalho na madrugada insinuando-se sobre a relva, inclinando-a com pontas de lana  prateadas? A maioria dos leitores ter ouvido falar da experincia do grande mstico alemo Jacob Boehme, que, aps sua viso beatfica, penetrou os campos verdejantes prximos de seu povoado contemplando toda a natureza flamejante de luz to gloriosa que at as tenras folhinhas de grama resplandeciam com uma graa e beleza divinas que ele jamais vira antes. Considerando que Buda tenha sido um grande mstico - superior, talvez, a qualquer outro de que o leitor mdio tem conhecimento - e que detinha uma grande compreenso da atuao da mente humana, -nos impossvel aceitar em seu valor aparente o enunciado de que a vida e o viver constituem uma maldio. Prefiro sentir que essa postura filosfica foi por ele adotada  na esperana de que mais uma vez  pudesse a humanidade ser induzida a buscar a inimitvel sabedoria que perdera a fim de restaurar o equilbrio interior e a harmonia da alma, cumprindo assim seu destino desimpedida pelos sentidos e pela mente. Obstando este gozo esttico da vida e tudo o que o sacramento da vida pode conceder, existe uma causa radical da dor. Em uma palavra, ignorncia. Por ignorar o que em si  realmente, por ignorar seu verdadeiro caminho na vida, o homem , como ensinou Buda, to acossado pela tristeza e to duramente afligido pelo infortnio. 
	De acordo com a filosofia tradicional dos magos, cada homem  um centro autnomo nico de conscincia, energia e vontade individuais - numa palavra, uma alma - como uma estrela que brilha e existe graas  sua prpria luz interior,  percorrendo seu caminho nos cus reluzentes de estrelas, solitria, sem sofrer qualquer interferncia, exceto na medida em que seu curso celeste seja gravitacionalmente alterado pela presena, prxima ou distante, de outras estrelas. Visto que nos vastos espaos estelares raramente ocorrem conflitos entre os corpos celestes, a menos que algum se extravie de sua rota estabelecida - acontecimento bastante espordico -, nos domnios da espcie humana  no haveria caos,  haveria pouco conflito e nenhuma perturbao mtua  se cada indivduo se contentasse em estar firmado na realidade de sua prpria conscincia superior, ciente de sua natureza ideal e de seu verdadeiro propsito na vida, e ansioso para trilhar a estrada que tem de seguir. Por terem os homens se desviado das fontes dinmicas a eles e ao universo inerentes, por terem abandonado suas verdadeiras vontades espirituais, e por terem ainda se divorciado das essncias celestiais, trados  por  um prato de guisado mais repugnante que qualquer  um que Jac tenha vendido a Esa, o povo que o mundo hoje nos apresenta exibe aspecto to desesperanado e uma  humanidade vincada na sua aparncia pelo desalento. A ignorncia do curso da rbita celeste e do seu significado inscrito nos cus perenemente constitui a raiz que se encontra no fundo da insatisfao, infelicidade e nostalgia da raa, as quais so universais. E por  isso a alma viva brada por socorro aos mortos, e a criatura a um Deus silente. De todos esses brados geralmente nada resulta. As mos erguidas em splica no trazem qualquer sinal de salvao. O frentico ranger de dentes resulta to-somente em desespero mudo e perda de energia vital. S existe redeno a partir de nosso interior, e ela  lavrada pela prpria alma mediante sofrimento e no decorrer do tempo graas a muito empenho e esforo do esprito. 
	Como, ento, poderemos retornar a essa identidade esttica com nossos eus mais profundos? De que modo pode ser realizada essa necessria unio entre a alma individual e as Essncias da realidade universal? Onde o caminho que conduziria finalmente ao aprimoramento e melhoramento do indivduo e conseqentemente  soluo dos desconcertantes problemas do mundo dos homens? 
                                                                       ---
	O aparecimento do gnio, independentemente dos vrios aspectos e campos de sua manifestao,  marcado pela ocorrncia de um curioso fenmeno acompanhado quase sempre por viso e xtase supremos. Essa experincia a que fao aluso  indubitavelmente a indicao de qualidade e legitimidade e a marca essencial de realizao genuna. Essa experincia apocalptica no  concedida  mediocridade.  pessoa ordinria, carregada como se acha com o dogma e a tradio fatigada raramente ocorre esse lampejo de luz espiritual que faz sua descida em esplndidas lnguas de chama como o Esprito Santo de Pentecostes, radiante de alegria e da mais elevada sabedoria, prenhe de inspirao espontnea. Os sofisticados, os saturados pelos prazeres, os diletantes - esses esto excludos por barreiras intransponveis dos mritos de sua bno. Para os que tm talento to-somente essa revelao no acontece, embora o talento possa ser um ponto de partida para o gnio. O gnio no  e nunca foi no passado simplesmente o resultado de zelo e pacincia infinitos. Mas penso que pouca importncia necessite ser dada  definio reiterada freqentemente relativa a uma certa alta percentagem de transpirao associada a um reduzidssimo restante de inspirao. Por maior que seja o valor da transpirao, ele no pode produzir os efeitos magnficos do gnio. Em todo campo do empreendimento na vida cotidiana, em toda parte vemos realizada uma imensa quantidade de excelente labor, indispensvel como tal, em que se vertem literalmente litros de suor sem que se evoque, de fato, uma frao de uma idia criativa ou de uma exaltao. Essas expresses exteriorizantes do gnio - zelo, pacincia, transpirao - so simplesmente as manifestaes de uma superabundncia de energia procedente de um centro oculto de conscincia. No passam de meios pelos quais o gnio se distingue, esforando-se para tornar conhecidos aquelas idias e aqueles pensamentos que foram arremessados para dentro da conscincia e penetraram aquela linha divisria que logra demarcar e separar o profano daquilo que  divino. O gnio em si  produzido ou ocorre concomitantemente com uma experincia espiritual da mais elevada ordem intuicional.  uma experincia que, trovejando do empreo como um raio gneo proveniente do trono de Jpiter, traz consigo uma inspirao instantnea e uma retido duradoura, com uma realizao de todos os anseios da mente e da constituio emocional. 
	No pretendo investigar a causa primordial dessa experincia, familiar queles raros indivduos cujas vidas foram assim abenoadas desde a sua tenra infncia at os seus derradeiros dias. Uma tal investigao me levaria longe demais, conduzindo ao domnio de impalpabilidades metafsicas e filosficas, no qual de momento no desejo ingressar. A reflexo, contudo, produz um fato bastante significativo. Aqueles indivduos que receberam o ttulo de "gnio" e foram chamados de grandes pela espcie humana foram os receptores de uma tal inimitvel experincia que mencionei. Embora possa muito bem ser uma generalizao, trata-se, no obstante, de uma generalizao que traz consigo a marca da verdade. Muitas outras pessoas inferiores cujas vidas receberam alegria e brilho de maneira similar foram capacitadas conseqentemente a realizar uma certa obra na vida, artstica ou secular, que, de outra forma, teria sido impossvel. 
	Agora constitui um postulado mais ou menos lgico aquele que se conclui como uma direta conseqncia da premissa  precedente, a saber: supondo que fosse possvel atravs de uma espcie detentora de treinamento psicolgico e espiritual induzir essa experincia ao interior da conscincia de vrios homens e mulheres dos dias de hoje, a humanidade como um todo poderia ser elevada alm das aspiraes mais sublimes, e surgiria uma poderosa nova raa de super-homens. Na realidade,  para essa meta que a evoluo tende e o que  encarado por todos os reinos da natureza. Desde os primrdios, quando o homem inteligente surgiu pela primeira vez no palco da evoluo, devem ter existido mtodos tcnicos de realizao espiritual por meio dos quais a verdadeira natureza humana poderia ser averiguada, e por meio dos quais, ademais, o gnio da mais alta ordem desenvolveu-se. Este ltimo, poderia acrescentar, foi concebido como sendo apenas o subproduto e a eflorescncia terrestre da descoberta da rbita do Eu estrelado, e em tempo algum, pelas autoridades desta Grande Obra, foi em si considerado um objeto digno de aspirao. O "Conhece-te a ti mesmo" foi a suprema injuno impulsionando o elevado esforo deles. Se a criatividade do gnio se seguia como um resultado da descoberta do eu interior e da abertura das fontes da energia universal, se a inspirao das Musas resultava ou de um estmulo na direo de alguma arte ou filosofia ou da ocupao de leigo, tanto melhor. No comeo do treinamento, todavia, esses msticos - pois foi com esse nome que essas autoridades passaram a ser conhecidas - eram completamente indiferentes a qualquer outro resultado alm do espiritual. O conhecimento do eu e a descoberta do eu  - a palavra "eu" sendo usada num sentido grandioso, notico e transcendental - eram os objetivos primordiais. 
	Se as artes tm sua origem na expresso da alma que escuta e v onde para a mente exterior existem meramente silncio e trevas, ento evidentemente o misticismo  uma e talvez a maior das artes, a apoteose da expresso e do esforo artsticos. O misticismo, graas a algum suave decreto da natureza, tem sido sempre e em todos os tempos a mais sagradas das artes. O mstico realmente abriga em seu peito aquela tranqilidade que com freqncia se registra no rosto sereno do sacerdote exaltado ao altar. Ele  um reconhecido intermedirio e porta-voz, as duas chaves sendo colocadas em suas mos. Ele , tanto as eras quanto seus colegas nas outras artes o admitem, mais diretamente introduzido ao interior do Santurio e mais imediatamente controlado pela psique.  por essa razo que seus sucessos so o sucesso de toda a humanidade em todos os tempos. Mas seus fracassos bastante freqentes, quase como uma nova runa de Lcifer, so amargamente reprovados. Um mau poeta ou um mau msico  apenas alvo da  censura daqueles de sua arte em particular, e seus nomes logo se apagam da memria de seu povo. Uma charlato ou um falso mago, entretanto, pem em perigo o mundo inteiro, arrojando um pesado vu sobre a luz translcida do esprito, a qual era sua principal tarefa trazer aos filhos dos homens.  por essa razo, tambm, que ele  em toda poca somente para os muito poucos; mas, do mesmo modo, ele  para todos os poucos em todas as pocas. Glorificado com as beatitudes de todos os artistas e profetas de todas as pocas, sofre ignominiosamente com o vilipndio deles, pois eles, como ele prprio, so msticos. Ele  solitrio. Afastou-se para o seio das solides subjetivas. Para onde ele foi - aonde poucos podem segui-lo a no ser que tambm tenham as chaves - ele  elogiosamente aclamado com canes e ditirambos. 
	No  um conhecimento terico do eu  que o mstico busca, uma filosofia puramente intelectual sobre o universo - embora isso, inclusive, tenha seu lugar. O mstico procura um nvel mais profundo de compreenso. A despeito da retrica sobre a poder absoluto da razo, os lgicos e os filsofos de todos os tempos estavam intimamente convencidos da impropriedade e impotncia fundamentais da faculdade do raciocnio. Dentro dela, acreditavam eles, existia um elemento de autocontradio que anulava seu uso na busca da realidade suprema. Como prova disso toda a histria da filosofia se apresenta como eloqente testemunho. Acreditaram os msticos, e a experincia o confirmou reiteradamente, que apenas transcendendo a mente, ou com a mente esvaziada de qualquer contedo e tranqilizada como uma lagoa de serenas guas azuis, um relance da Eternidade podia ser refletido. Uma vez acalmadas ou  transcendidas as alteraes do princpio pensante, uma vez subjugado o turbilho contnuo que  uma caracterstica normal da mente normal, substitudos por uma serena quietude, podia ento, e agora somente, ocorrer aquela viso de espiritualidade, aquela experincia sublime das pocas, que ilumina todo o ser com o calor da inspirao e da profundidade, e uma profundidade  de imagens do tipo mais elevado e que tudo abarca. 
	A tcnica do misticismo se subdivide naturalmente em duas grandes classes. Uma  a magia, da qual  nos ocuparemos neste tratado, e a outra  a ioga. E aqui  necessrio registrar um veemente protesto contra os crticos que, em oposio ao misticismo - por cujo termo se compreende um tal processo como a ioga ou contemplao -, posicionam a magia como algo completamente  parte, no-espiritual, mundano e grosseiro. Julgo essa classificao contrria s implicaes de ambos os sistemas e inteiramente incorreta, como tentarei mostrar daqui para a frente. Ioga e magia, os mtodos de reflexo e de exaltao, respectivamente, so ambos fases distintas compreendidas no nico termo misticismo. Apesar de freqentemente empregado de maneira indevida e errnea, o termo misticismo  utilizado ao longo de todo este livro porque  o termo correto para designar aquela relao mstica ou esttica do eu com o universo. Expressa a relao do indivduo com uma conscincia mais ampla ou no interior ou exterior de si mesmo quando, indo alm de suas prprias necessidade pessoais, ele descobre sua predisposi a finalidades mais abrangentes e mais harmoniosas. Se essa definio estiver em consonncia com nossos pontos de vista, ento ser bvio que a magia, igualmente concebida para executar essa mesma necessria relao, porquanto mediante diferentes mtodos, no pode satisfatoriamente ser colocada em oposio ao misticismo e s vantagens de um sistema laudatoriamente celebradas em oposio s impropriedades do outro, pois os melhores aspectos da magia constituem uma parte, tal como o melhor da ioga constitui tambm uma parte daquele sistema completo, o misticismo. 
	Tem-se escrito muito sobre ioga, de tolices e algo digno de nota. Mas todo o segredo do Caminho da Unio Real est contido no segundo aforismo dos Sutras de Ioga de Patanjali. A ioga busca atingir a realidade solapando as bases da conscincia ordinria, de maneira que no mar tranqilo da mente que sucede a cessao de todo pensamento, o eterno sol interior de esplendor espiritual possa brilhar para derramar raios de luz e vida, e imortalidade, intensificando todo o significado humano. Todas as prticas e exerccios nos sistemas de ioga so estgios cientficos com o objetivo comum de suspender completamente todo pensamento sob vontade. A mente precisa estar inteiramente esvaziada  sob vontade de seu contedo. A magia, por outro lado,  um sistema mnemnico de psicologia no qual as mincias cerimoniais quase interminveis, as circumambulaes, conjuraes e sufumigaes visam deliberadamente a exaltar a imaginao e a alma, com a plena transcendncia do plano normal do pensamento. No primeiro caso, o machado espiritual  aplicado  raiz da rvore, e o esforo  feito conscientemente para minar toda a estrutura da conscincia com o fito de revelar a alma abaixo. O mtodo mgico, ao contrrio, consiste no empenho de ascender completamente alm do plano de existncia de rvores, razes e machados. O resultado em ambos os casos  - xtase e um maravilhoso transbordamento de alegria, furiosamente arrebatador e incomparavelmente santo -  idntico. Pode-se compreender facilmente ento que o meio ideal de encontrar a prola perfeita, a jia sem preo, atravs da qual pode-se ver a cidade santa de Deus,  uma judiciosa combinao de ambas as tcnicas. Em todos os casos, a magia se revela mais eficiente e poderosa quando combinada ao controle da mente, que  o objetivo a ser atingido na ioga. E, da mesma forma, os xtases da ioga adquirem um certo matiz rosado de romantismo e significado inspiracional quando so associados  arte da magia. 
	Desnecessrio dizer, portanto, que quando falo de  magia aqui  fao referncia  teurgia divina louvada e reverenciada pela Antigidade.  sobre uma busca espiritual e divina que escrevo; uma tarefa de autocriao e reintegrao, a conduo  vida humana de algo eterno e duradouro. A magia no  aquela prtica popularmente concebida que  filha da alucinao gerada pela  ignorncia selvagem, e que serve de instrumento s luxrias de uma humanidade depravada. Devido a ignorante duplicidade dos charlates e a reticncia de seus prprios escribas e autoridades, a magia durante sculos foi indevidamente confundida com a feitiaria e a demonolatria. Salvo algumas obras que foram ou demasiado especializadas em sua abordagem ou distintamente inadequadas para o pblico em geral, nada foi at agora  publicado para estabelecer em definitivo o que a magia  realmente. Neste trabalho no se pretende tratar de maneira alguma de encantamentos de amor, filtros e poes, nem de amuletos que impeam que a vaca do vizinho produza leite, ou que lhe roubem a esposa, ou da determinao da localizao de ouro e tesouros ocultos. Tais prticas vis e estpidas bem merecem ser designadas por aquela expresso to abusivamente empregada, a saber,  "magia negra". Este estudo no tem nada a ver com essas coisas, pelo que no se deve concluir que nego a realidade ou eficcia de tais mtodos. Mas se qualquer homem estiver ansioso para descobrir a fonte de onde brota a chama da divindade, caso haja algum que esteja desejoso de despertar em si mesmo uma conscincia mais nobre e sublime do esprito, e em cujo corao arda o desejo de devotar sua vida ao servio da espcie humana, que essa pessoa se volte zelosamente para a magia. Na tcnica mgica talvez possa ser encontrado o meio para a realizao dos mais grandiosos sonhos da alma. 
	Do ponto de vista acadmico, a magia  definida como a "arte de empregar causas naturais para produzir efeitos surpreendentes". Com essa definio - e tambm com a opinio de um escritor como Havelock Ellis, que  um nome dado a todo o fluxo da ao humana individual - estamos de pleno acordo, visto que todo ato concebvel no perodo inteiro que dura a vida  um ato mgico. Que efeito sobrenatural poderia ser mais espantoso ou miraculoso do que um Cristo, um Plato ou um Shakespeare que foi o produto natural do casamento de dois camponeses? O que haveria de mais maravilhoso e surpreendente que o crescimento de um minsculo beb que atinge a completa maturidade de um ser humano? Todo e qualquer exerccio da vontade - o erguer de um brao, o proferir de uma palavra, o germinar silente de um pensamento - todos so por definio atos mgicos. Entretanto, os efeitos "surpreendentes" que a magia procura abarcar ocupam um plano de ao um tanto diferente daqueles que foram indicados, embora estes, apesar de to comuns, sejam, no obstante, surpreendentes e taumatrgicos. O resultado que o mago, acima de tudo, deseja concretizar  uma reconstruo espiritual de seu prprio universo consciente e secundariamente aquela de toda a humanidade, a maior de todas as transformaes concebveis. Mediante a tcnica da magia, a alma voa, reta como uma flecha impelida por um arco tenso, rumo  serenidade, a um repouso profundo e impenetrvel. 
	Mas  apenas o prprio homem quem pode esticar a corda do arco; ningum alm dele mesmo pode realizar essa tarefa para ele.  logicamente nesta clusula de qualificao que o temporal fica  espreita. A "salvao" tem que ser auto-induzida e auto-inventada. As essncias universais e os centros csmicos esto sempre presentes, mas  o homem quem tem que dar o primeiro passo na sua direo e ento, como disse Zoroastro nos Orculos Caldeus, "os abenoados imortais chegam rapidamente". Quem causa e faz a sorte e o destino  o prprio homem. O curso de sua existncia vindoura resulta necessariamente de seu modo de agir. E no apenas isso, pois na palma de sua mo reside a sorte de toda a espcie humana. Poucos indivduos se sentiro aptos a despertar a coragem latente e a rgida determinao que comanda o universo, para que assim por uma estrada direta e isenta de obstculos a espcie humana pudesse ser conduzida a um ideal mais nobre e a um modo de vida mais pleno e mais harmonioso. Houvessem to-somente alguns homens se empenhando para descobrir o que realmente so, e apurando sem qualquer sofisma a refulgncia cintilante de glria e sabedoria que arde no mais ntimo do corao, e descobrindo os vnculos que as ligam ao universo, e penso que no teriam apenas realizado seus propsitos individuais na vida e cumprido seus prprios destinos, como tambm o que  infinitamente mais importante, teriam cumprido o destino do universo considerado como um vasto organismo vivo de conscincia. 
	O que significa acender uma vela? Nesse processo somente a poro mais superior da vela mantm a chama, mas, embora apenas a mecha esteja acesa,  hbito dizer que a prpria vela est acesa, difundindo a luz que elimina as trevas  sua volta. Nisso podemos encontrar uma sugestiva referncia que se aplica significativamente ao mundo em geral. Se apenas algumas pessoas em cada pas, cada raa e cada povo pelo mundo afora encontrarem a si mesmas e entrarem em comunho sagrada com a prpria Fonte da Vida, graas  sua iluminao, elas se tornaro a mecha da humanidade e lanaro uma resplandecente e gloriosa aurola de ouro sobre o universo. Nesses indivduos que constituem uma minoria minscula, quase microscpica da populao do globo, desejosa e ansiosa de se devotar a uma causa espiritual, reside a nica esperana para a suprema redeno da espcie humana. liphas Lvi, o celebrado mgico francs, arrisca uma opinio nova que acho pode ter alguma relao com esse problema e projeta um raio de luz sobre essa proposta. "Deus cria eternamente...", escreve ele, "o grande Ado, o homem universal e perfeito, que contm num nico esprito todos os espritos e todas as almas. As inteligncias vivem, portanto, duas vidas imediatamente, uma geral, que  comum a todas elas, e outra especial e individual".
	Esse Ado protoplstico  chamado nessa obra qabalstica intitulada O livro dos esplendores*, de Homem Celestial e compreende em um ser, como observa o erudito mago, as almas de todos os homens e criaturas, e foras dinmicas que pulsam atravs de toda poro do espao estelar. No  meu desejo tratar de metafsica neste momento, discutindo se esse ser universal primordial  criado por Deus ou se simplesmente se desenvolveu do espao infinito. Tudo o que quero considerar agora  que a totalidade da  vida no universo, vasta e difundida,  esse ser celestial, a Super-Alma como alguns outros filsofos o conheceram, criado para sempre nos cus. Nesse corpo csmico ns, indivduos, bestas e deuses, somos as minsculas clulas e molculas, cada uma com sua funo independente a ser cumprida na constituio e no bem-estar sociais dessa Alma. Essa teoria filosfica admiravelmente sugere que como no homem da terra h uma inteligncia que governa suas aes e seus pensamentos, da mesma maneira, em sentido figurado, h no Homem Celestial uma alma que  sua inteligncia central e sua faculdade mais importante. "Tudo o que existe na superfcie da Terra possui sua duplicata espiritual no alto, e no existe nada neste mundo que no esteja associado a algo e que no dependa desse algo." Assim escrevem os doutores da  Qabalah. Tal como no homem a substncia cerebral cinzenta  a mais sensvel, nervosa e refinada do corpo, do mesmo modo os seres mais sensveis, desenvolvidos e espiritualmente avanados no universo compreendem o corao, a alma e a inteligncia do Homem Celestial.  nesse sentido, em suma, que os poucos que empreendem a realizao da Grande Obra, isto , encontrar a si mesmos de um ponto de vista espiritual e identificar sua conscincia integral com as Essncias Universais, como Jmblico as chama, ou os deuses, que constituem o corao e a alma do Homem Celestial - esses poucos so os servos da espcie humana. Executam a obra da redeno e cumprem o destino da Terra. 
* Publicado no Brasil com o ttulo As origens da cabala, pela. Ed. Pensamento, traduo de Mrcio Pugliesi e Norberto de Paulo Lima.   (N. T.) 
	O misticismo - magia e ioga -  o veculo, portanto, para uma nova vida universal, mais rica, mais grandiosa e mais plena de recursos do que jamais o foi, to livre como a luz do sol, to graciosa quanto o desabrochar de um boto de rosa. Ela  para ser tomada pelo homem. 

CAPTULO  II
	 bastante provvel que de maneira tonitruante seja emitida de certas fontes a condenao de que o sistema indicado nesta obra como magia faz somente referncia ao princpio da constituio humana  pertinente exclusivamente  natureza inferior. Em decorrncia dessa classificao, no  difcil antecipar que toda a tcnica tergica venha a ser inteiramente condenada como "psiquismo", por exemplo, nos crculos teosficos.  Na verdade, como poucas consideraes bastariam para demonstrar, tal condenao  mal colocada e injustificada. A fim de retificar esse ponto de vista de uma vez por todas, apresentamos A rvore da vida ao pblico leitor. Abomino essa loquacidade teosfica. Permitam que registre aqui minha repugnncia por suas classificaes demasiado simplistas, sua contnua disposio de aplicar rtulos de mordaz oprbrio a coisas parcialmente compreendidas. No fosse o caso de sentir-me to profundamente envolvido com a magia - sustentando que nela possa ser encontrado o meio de tomar o reino dos cus de assalto - esse abuso e propositada censura dos tesofos seria merecidamente ignorado e relegado quela esfera de desprezo a que com justia pertencem. Tem havido em geral excessiva incompreenso quanto ao que  a magia e qual a ao por ela orientada.  tempo de esclarecer de uma vez por todas essa fonte contnua de confuso por meio da formulao dos princpios elementares de sua arte. 
	Em sua renomada obra Estncias de Dzyan, em torno da qual toda a A doutrina secreta* se acha organizada como um comentrio, Madame Blavatsky nos informa que cada homem  uma sombra ou centelha de uma divindade de sabedoria, poder e espiritualidade superlativos. Esses seres sensveis so chamados de deuses ou Essncias universais por uma das autoridades em teurgia. Uma autoridade em teosofia da atualidade, o dr. Gottfried de Purucker escreve o seguinte: "A parte mais refinada da constituio do ser humano , em cada caso, um filho da parte espiritual de um ou outro dos gloriosos sis espalhados pelo espao sem fronteiras. Vs sois deuses em vossas partes mais interiores, tomos de algum sol espiritual..." A definio conferida a um deus em A doutrina secreta  a de um ser hierrquico que nas pocas mais remotas do empenho evolutivo, h muitssimo tempo, era um ser humano tal como o somos agora. Por meio de esforo e progresso consciente uniu-se quela Realidade Espiritual difundida atravs das ramificaes e fundaes do universo. Por ocasio dessa unio, entretanto, a individualidade essencial da experincia foi retida. Mas transcendida a personalidade, o ser retomou seu papel natural de dirigente, por assim dizer, ou Regente do universo, ou de alguma poro ou aspecto particular do universo. Visto que, baseado nessa definio, o homem  a centelha de uma to grandiosa conscincia, um filho dos deuses csmicos, o curso de sua vida s poder se orientar para o aspirar pela unio com seus progenitores espirituais. Tanto a origem da magia quanto sua  raison d'tre se encontram na efetivao dessa unio.
* Publicao da Ed. Pensamento.  (N. T.)
	Espero mostrar nestas pginas que a tcnica da magia est em estreito acordo com as tradies da mais remota Antigidade, e que conta com a sano, explcita ou implcita, das mais excelentes autoridades. Jmblico, o divino teurgo, tem muito a dizer em seus vrios escritos sobre a magia; do mesmo modo em Proclo e Porfrio, e mesmo na moderna literatura teosfica oficial, h obscuras referncias, embora inexplicadas e jamais desenvolvidas,  magia divina. Diversas boas invocaes procedentes dos registros gnsticos e as vrias recenses  do Livro dos Mortos sero apresentadas prximo  concluso deste livro, e pesquisas baseadas nas concepes mgicas egpcia e qabalstica nos demais captulos deste livro. 
	Resumir, portanto,  a magia de maneira vaga com a nica palavra "psiquismo"  um completo absurdo, para dizer o mnimo. Conheo tesofos, todavia, e percebo a necessidade de antecipar suas objees com ampla contraposio. O mago tem que estar no controle de toda sua natureza; todo elemento constituinte em seu ser precisa ser desenvolvido sob a vontade ao auge da perfeio. Princpio algum deve ser  reprimido, j que cada um  um aspecto do esprito supremo, tendo que cumprir seu prprio propsito e natureza. Se o teurgo se envolve, por exemplo, com viagem astral - parte da Grande Obra  qual as objees da teosofia sero mormente dirigidas - assim ser por trs razes principais. Primeira, na chamada luz astral ele pode perceber um exato reflexo de si mesmo em todas as suas vrias partes, qualidades e atribuies, sendo que um exame desse reflexo tende naturalmente para uma espcie de autoconhecimento. Segunda, a definio da luz astral do ponto de vista mgico  extremamente lata, incluindo todos os planos sutis acima ou no interior do fsico, o objetivo do mago sendo ascender constantemente aos domnios mais fervorosos e mais lcidos do mundo espiritual. Os elementos mais grosseiros da esfera de Azoth, com suas imagens sensrias e vises opacas obscurecidas, precisa ser sempre transcendido e deixado bem atrs. liphas Lvi chega a estabelecer, por razes de ordem prtica, apenas duas grandes classes de planos no universo: o mundo fsico e o mundo espiritual. Terceira, antes que essa poro particular do mundo invisvel possa ser transcendida,  necessrio que seja conquistada e dominada em cada um de seus aspectos. Todos os habitantes dessa esfera tm que ser submetidos ao mago, aos seus smbolos mgicos e obedecer inequivocamente  realidade da Vontade Real que esses ltimos simbolizam. No nosso plano e em nosso domnio de viglia da experincia ordinria, os smbolos so meramente representaes arbitrrias de uma significao inteligvel interior. So as assinaturas visveis de uma dignidade metafsica ou espiritual, por assim dizer. Na luz astral, entretanto, esses smbolos assumem existncia independente revelando sua realidade tangvel, e conseqentemente so de mxima importncia. As evocaes so empreendidas pelo mago no por curiosidade ou para satisfazer a uma sede pelo poder, mas sim com a finalidade nica de trazer essas facetas ocultas de sua prpria conscincia para o mbito de sua vontade, submetendo-as ento ao seu domnio. 
	Pode-se, talvez, definir como objeto do psiquismo o estmulo e a preservao do eu inferior s expensas ou na ignorncia do eu superior. Trata-se de uma abominao merecedora da mais severa censura. Na magia no se fazem tentativas para aquisio de poderes em proveito prprio, ou com qualquer propsito abjeto ou nefando. Qualquer poder adquirido deve instantaneamente ser subordinado  vontade, e mantido em seu prprio lugar e adequada perspectiva. Essa questo de poderes  bastante curiosa, tendo obtido, devo acrescentar, maior destaque em meio ao pblico somente a partir do advento do culto ao espiritualismo e da formao das organizaes teosficas. Por que os indivduos - particularmente alguns tesofos - cobiam ou encaram como encaram os poderes astrais ou outros poderes ocultos para sua prpria vantagem e uma morbidez patolgica que escapa a minha compreenso. No incio de sua carreira, o mago  compelido a compreender que sua exclusiva aspirao diz respeito ao seu eu superior, ao seu Santo Anjo Guardio, e que quaisquer faculdades que sejam obtidas precisam ser subordinadas a essa aspirao. Qualquer trabalho menor que seja realizado necessita ter um motivo espiritual definido. Uma aspirao por qualquer coisa que no seja o Santo Anjo Guardio* constitui  realmente, salvo raras excees, um ato de magia negra que , portanto, sumamente abominvel. Deve ficar, por conseguinte, bvio para todos que o psiquismo, entendido como o desejo de poderes psquicos anormais que sirvam como fim em si mesmos,  absolutamente estranho  inteno e meta dessa tcnica. 
* A respeito do Santo Anjo Guardio, consultar O livro da magia sagrada de Abramelin, o Mago, publicado por esta mesma editora.  (N. T.)
	Uma outra objeo a ser levantada provavelmente  que a magia pode levar  mediunidade. Esta  tambm uma crtica improcedente por vrias razes. Tem sido observado corretamente que tanto o mdium quanto o mago cultivam o transe. Mas a exatido da observao pra por a, pois entre os respectivos estados de conscincia do mdium e do mago h uma colossal diferena. Na linguagem popular encontramos a idia vulgar segundo a qual gnio e loucura esto associados. A distino efetiva  que num caso o equilbrio de gravidade est acima do centro normal da conscincia; no outro encontra-se abaixo, e a conscincia de viglia foi invadida por uma horda inicial de impulsos subconscientes descontrolados. Idia idntica se aplica ainda com maior fora  comparao do mdium com o mago, pois o mdium cultiva um transe passivo e negativo que arremessa seu centro de conscincia para baixo, para o interior do que podemos chamar de Nephesch. O mago, por outro lado,  intensamente ativo tanto de um ponto de vista mental quanto espiritual, e embora ele tambm se empenhe no transe notico para manter os processos de raciocnio em suspenso, seu mtodo consiste em elevar-se acima deles, abrir-se para os raios telsticos do eu superior de preferncia a descer a esmo ao limo relativo de Nephesch.  esta a nica diferena. O cultivo da vontade mgica e a conseqente exaltao da alma  a tcnica da magia. O transe esprita no  nada mais nada menos que uma descida no-natural  inrcia e  conscincia animal. Abdica-se de toda humanidade e divindade no transe passivo negativo a favor da vida animal e da obsesso demonaca. A abdicao do ego racional no caso do mago ocorre em favor de uma realizao espiritual notica, no do torpor da vida instintiva e vegetativa. Por conseguinte, a magia no est associada sob qualquer ponto de vista  mediunidade passiva. 
	Antes de passar  exposio dos princpios fundamentais da magia,  necessrio esclarecer minha posio no que concerne s fontes de filosofia terica que esto na base de minha interpretao pessoal da tcnica da magia. Ficar bastante bvio que estou em grande dbito com a teosofia. Muitas prticas mgicas encontram sua base na Qabalah Prtica dos filsofos hebreus e na teurgia sacerdotal dos egpcios. Fragmentos foram selecionados de vrias fontes e sou grande devedor de um grande nmero de pensadores anteriores a mim e tambm contemporneos, e a todos sou grato. 
	No que diz respeito a teosofia, acho uma questo de honestidade confessar - a despeito das observaes depreciativas aqui registradas contra a conduta de certos tesofos - que por Blavatsky s posso alimentar a maior admirao e o maior respeito. Muito da superestrutura filosfica exibida em A doutrina secreta s indica tcita aquiescncia e sincera concordncia com minhas idias. Minha prpria concepo da filosofia mgica deve o que h nela de concatenado e claro aos desenvolvimentos em religio e filosofia comparadas dos quais Blavatsky me muniu. Todavia, minha postura  ecltica, selecionando aqui, rejeitando ali, e formando a partir do todo uma sntese coerente e consistente que agrade ao intelecto e satisfaa  alma. Sinto que  no posso aceitar a totalidade do ensino de Blavatsky em vrias de suas comunicaes. H muito com o que simpatizo inteiramente, com o que se experimenta a um tempo orgulho e felicidade assimilando-se a prpria filosofia pessoal, e, ao mesmo tempo, h muito que desagrada e repugna o senso interior. 
	Tambm muito devo, e no em menor grau, s obras de Arthur Edward Waite, em particular a seus resumos do ensino qabalstico. H uma quantidade considervel de boa literatura escrita por esse agora idoso contemporneo que  sumamente encantadora, informativa e sublime, entoando cantos por vezes de incomparvel eloqncia. E  esse aspecto de excelente erudio e lirismo que acho no deve ser esquecido, embora algumas vezes parea arruinado pela freqncia de passagens em seus escritos que provocam justificvel reprovao. So de uma turgidez e pomposidade abismais, e exibem uma tendncia desnecessria  crtica destrutiva. Mas eu, no que diz respeito aos sentimentos pessoais, tenho um lugar clido no fundo de meu corao para o sr. Waite, e lhe devo bem mais do que meras palavras so capazes de expressar, e a ttulo de suplementao ao presente estudo recomendo enfaticamente a todos os leitores o seu  Doutrina secreta em Israel e  A Santa Cabala.
    	Embora nas obras do eminente mago francs cujo pseudnimo era liphas Lvi  Zahed  haja muita tagarelice sem sentido que no tem a menor conexo com a magia, percebe-se aqui e ali no Dogma e ritual da Alta Magia* e em suas outras obras, cintilando como estrelas  no bojo do firmamento, reluzentes pepitas do mais puro ouro no negro minrio da obscuridade e da trivialidade. Devo confessar, contudo, estar pouco impressionado em todos os aspectos com sua prpria ficha como mago prtico, visto que, ao que tudo indica, a sua chamada evocao da sombra de Apolnio de Tiana resultou em pouqussimo. Lvi constitui um problema difcil para a maioria dos leitores. Ademais, ele sobrecarregou a si mesmo com uma confuso, ou uma tola tentativa de reconciliar a magia com o catolicismo romano. Assim, sem uma slida compreenso dos princpios fundamentais da  Qabalah e da filosofia comparativa ficar sujeito a ser arremessado de cabea  nos  vrios fossos que ele supre para os incautos. 
* Publicado no Brasil pela Ed. Pensamento, traduo de Rosabis Camaysar, e pela Madras, traduo de Edson Bini.  (N. T.)
	S. L. McGregor Mathers e W. Wynn Westcott tambm me forneceram muito que servisse de fundamento nesta filosofia mgica, particularmente o primeiro, e muito material til pode ser reunido a partir das obras de ambos. O mundo ter de ser eternamente grato a Mathers por sua traduo de O livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago** e  A Introduo ao Estudo da Cabala, de Westcott  talvez um dos mais atraentes textos elementares a respeito desse assunto. Entretanto, a aceitao da totalidade das opinies desses escritores levaria a uma crise aguda de indigesto mental. Em cada um h vrios elementos da verdade - verdade, ao menos para cada aprendiz -  mas sondando o fundo observa-se um ligeiro resduo de exagero, mal-entendidos e erro. 
** Publicado no Brasil por esta editora, traduo de Norberto de Paula Lima, Mrcio Pugliesi e Edson Bini. (N. T.)
	Observar-se-, igualmente, que fao freqentes citaes de Aleister Crowley, e  imperioso que eu defina claramente minha posio relativamente a esse homem genial. Deixando de lado o oprbrio de magia negra que lhe foi dirigido violentamente por muitos indivduos completamente ignorantes do que ele ensinou, h muita coisa importante em Crowley, muita filosofia e pensamento original tanto sobre Qabalah quanto sobre magia belamente expressos em prosa e verso e de concepo profunda. Acho lamentvel que o pblico seja privado dessa novidade e originalidade superlativas que pertencem a Crowley e despojado daqueles aspectos de seus ensinamentos que so bons, enaltecedores e duradouros, simplesmente por causa de uma certa parte de sua produo literria que  certamente banal, insignificante, sem importncia e indubitavelmente repreensvel. 
	As personalidades e vidas particulares desses indivduos no me dizem respeito em absoluto, e no me sinto inclinado a discuti-las. Quase todos eles, numa ocasio ou outra,  foram atingidos pelas ferroadas e setas do mau juzo de uma multido maliciosa. Tambm no me dizem respeito nem esta multido nem a natureza das invectivas que lanam, pois a magia nada tem a ver com elas. 
	A cada aprendiz, portanto, cabe a tarefa de determinar para si mesmo o que deve ser verdadeiro e confivel e estabelecer por sua prpria conta um padro de referncia sem controvrsia. E esse padro deve ser experincia espiritual. Por isso, a rvore da Vida Qabalstica foi adotada como a estrutura da magia prtica, visto que est, em primeiro lugar, aberta  classificao sinttica e construtiva, e porque fornece aquilo que pode ser apropriadamente chamado de alfabeto mgico.  preciso notar que a palavra "alfabeto"  empregada, e empregada de preferncia  palavra linguagem e aos seus desdobramentos. A Qabalah no procura suprir uma completa linguagem mgica ou uma inteira filosofia. Essa ltima s pode ser conquistada mediante experincia espiritual. Mas a partir do alfabeto de idias, nmeros e smbolos e das sugestes apresentadas por ele, o aprendiz poder se achar capacitado, com o auxlio da pesquisa mgica, a construir um edifcio satisfatrio de elevada filosofia que o conduzir ao longo da vida.   


CAPTULO  III
	Insistem todos os teurgos do passado que a augusta filosofia que serve de base  teoria e tcnica da magia, sendo to importante quanto o trabalho prtico e uma necessidade radical que deve preceder esse trabalho, constitui um pr-requisito para qualquer discusso adicional. Na verdade, dificilmente teremos um efetivo entendimento da base racional da magia e certamente nenhuma compreenso das complexidades que ocorrem no interior e no exterior da constituio do mago se o fundamento filosfico no estiver firmemente assentado em sua mente. Se h perigo na busca da magia, esse perigo s surge quando o operador no dispe de conhecimento preciso do que est fazendo.  de uma compreenso inteligente do significado dos smbolos do oculto e das realidades que eles, em primeiro lugar, visam a comunicar que a eficcia dos ritos depende muito. Os smbolos e acessrios da magia nas mos profanas de algum no familiarizado com os fundamentos da  arte indubitavelmente no produziriam os corretos efeitos taumatrgicos. Contudo, o mero conhecimento intelectual desses princpios arcanos  de pouca valia se no houver experincia espiritual. Em contrapartida, a investigao mgica do universo e sua conseqente compreenso espiritual na conscincia assumem maior dignidade, e implicao e profundidade mais frteis se apoiadas numa compreenso terica. 
	Em sua recente obra, Os mistrios do Egito, Lewis Spence afirmou que o sistema filosfico da magia reuniu  "e tornou manifestos toda a sabedoria e conhecimento arcano do mundo antigo, que foram assim cristalizados e sistematizados  de tal maneira que tivessem sido eles  preservados de uma forma no adulterada, teriam certamente poupado pocas posteriores de muitas catstrofes religiosas e muito falso misticismo. Mas graas  indolncia e negligncia de seus preservadores e talvez atravs das cnicas influncias que lhes eram impingidas de fora, sua primitiva beleza divina foi gradualmente perdida at, finalmente, restar apenas o esqueleto de seus rituais e cerimnias". 
	Foi nas religies esotricas ortodoxas que alguns dos vrios fragmentos esparsos do esqueleto mgico foram retidos, em sua maior parte ineficazes e incompreensveis para a maioria devido   inescrupulosa adulterao. Mas a essncia da magia, sua "primitiva beleza divina", foi preservada por mos altrustas e cuidada zelosamente em mentes sublimes, e se houver muita aplicao, pode at ser compilada em publicaes. Nos trabalhos gnsticos, inclusive nos escritos neoplatnicos, nas propositais obscuridades dos alquimistas, em meio  literatura procedente dos rosacruzes - em tudo isso temos a possibilidade de encontrar vestgios luminosos da filosofia e prtica dessa magia da luz que, cuidadosamente reunidos sobre a base sinttica suprida pela  rvore da Vida, formam um sistema sublime e funcional que concede a luz da compreenso a todos aqueles que queiram contempl-la. Os principais ingredientes do sistema mgico so a rvore da Vida qabalstica, que  a fonte de referncia, e a religio hiertica da casta sacerdotal do Egito. Existe, devo mencionar - deixando a interpretao a critrio do leitor - a lenda segundo a qual a Qabalah foi recebida por Moiss como uma custdia sagrada no Sinai, que ele a entregou a Josu, o qual a entregou, por sua vez, aos juzes, e estes ao sindrio, at que finalmente os Tanaim e rabinos posteriores se apoderaram dela e a trabalharam. Outras pessoas sustentam com convico que se essa pessoa chamada Moiss existiu historicamente e se a  Qabalah  e seus corolrios se originaram dele, ele a obteve dos sacerdotes egpcios, em companhia dos quais ele sem dvida estudou nos templos do Nilo. Poucos pases no mundo, exceto a ndia, talvez, podem se gabar de uma crnica de tradio mstica e mgica to eloqente quanto o Egito, que com justia recebeu o ttulo de matriz da magia. Se a Qabalah  ou no realmente oriunda dos egpcios ou qualquer outro povo  um ponto discutvel, no havendo, apesar da lenda e da especulao extravagante, nenhuma evidncia histrica autntica nesse sentido. E contudo, a teurgia prtica dos egpcios se harmoniza notavelmente bem com as teorias filosficas da  Qabalah, e a experincia de uma multido de magos tende a nos fazer crer que dificilmente poderia haver uma combinao mais adequada ou mais satisfatria. 
	Conseqentemente, apresentaremos aqui uma exposio dos princpios subjacentes do universo tais como concebidos pelos magos e um estudo daquilo que forma necessariamente a base de todo o trabalho prtico. 
	Essa concepo do universo ser resumidamente enunciada  nos termos filosficos da Qabalah, e entremeada em torno da estrutura central da rvore da Vida. "Quem penetra no santurio da cabala  tomado de admirao  vista de um dogma to lgico, to simples e ao mesmo tempo to absoluto. A unio necessria das idias e dos signos, a consagrao das realidades mais fundamentais pelos caracteres primitivos, a trindade das palavras,  letras e nmeros; uma filosofia singela como o alfabeto, profunda e infinita como o Verbo; teoremas mais completos e luminosos que os de Pitgoras; uma teologia que se condensa contando pelos dedos; um infinito que pode caber na palma da mo de uma criana; dez algarismos e vinte e duas letras, um tringulo, um quadrado e um crculo: aqui est a totalidade dos elementos da cabala. So os princpios bsicos do Verbo escrito, reflexo desse Verbo discursante que criou o mundo!" - Assim pensava Lvi, e na verdade  preciso concordar sinceramente com ele, pois o admirvel fundamento da Qabalah  uma simples estrutura matemtica de smbolos, nmeros e nomes, que emprega dez nmeros e as letras do alfabeto dos anjos, como foi denominado o alfabeto hebraico. A matemtica sempre foi considerada uma cincia divina pelos discpulos da filosofia esotrica, particularmente entre os pitagricos, prefigurando, como o faz por meio do nmero os processos criativos tanto do universo quanto do desenvolvimento do ser humano. Diversos magos sustentaram que foi pelas idias expressas no nmero que a natureza foi concebida no seio do espao infinito. Dessas idias universais brotaram os elementos primordiais, os imensos ciclos do tempo, os corpos csmicos  e toda a gama de transformaes celestes. 
	Como os nmeros eram os meios ou os smbolos pelos quais o significado das  idias universais abstratas podia ser compreendido, ao longo do tempo acabaram sendo substitudos pelas prprias idias. Os filsofos do nmero eram ensinados no incio de seus estudos a  pensar em crescimento e desenvolvimento em termos do nmero, a considerar as realidades csmicas em seus estados progressivos como a seqncia da progresso numrica. Os nmeros se tornaram identificados com esses vrios estados. Conseqentemente, na filosofia mgica aludir ao zero, por exemplo, significa  sugerir em primeiro lugar a essncia imanifesta do universo antes mesmo do nascimento das palavras, o ilimitado e a imutabilidade do espao infinito no qual  no h  nem estrelas nem sis, nem planetas nem homens. O crculo, um zero (0) na sua forma, era assim considerado como sendo uma representao adequada daquela realidade primordial que proporcionara existncia a todas as coisas vivas e seres vivos em toda a vastido do espao. O ponto, metafsico e espiritual, que aparece num acordo estrito com a lei cclica, era representado por um trao ou uma linha estendendo-se do alto  base do crculo, uma figura ereta do um. O prprio nmero passou ento a indicar o processo de germinao dos mundos. Cada nmero, em virtude do processo evolutivo ao qual originalmente se aplicava, conseqentemente significava o prprio processo. Por conseguinte temos a base racional das figuras geomtricas, dos selos e dos smbolos empregados nas cerimnias mgicas.  medida que a filosofia da Qabalah for revelada, o leitor perceber quais so as implicaes fundamentais na raiz dos signos e smbolos usados pela teurgia. E ser percebido claramente que no se trata mais de signos arbitrrios de conotao dbia, mas sim de realidades rigorosas investidas de uma augusta verdade. Devo pedir insistentemente ao aprendiz, entretanto, que seja paciente comigo por enquanto neste e nos captulos subseqentes, visto que estou lidando com um assunto sumamente complexo e difcil. No importa quo bem se apresenta uma simplificao para o estudo geral, ela sempre exigir uma detida ateno e muita aplicao. 
	Acima de tudo a filosofia da Qabalah  uma filosofia da evoluo. O universo, com todos seus planetas, mundos e seres independentes, foi concebido como a emanao de um princpio-substncia primordial que alguns chamaram de Deus, de Absoluto, de Infinito, de Todo e assim por diante. Na Qabalah, esse princpio, que  a Realidade nica,  chamado de Ain Soph, o Infinito. O Sepher haZohar, talvez o mais importante dos textos qabalsticos, o concebe imutvel, incognoscvel para a mente, ilimitado, imanifesto e absoluto. Alm de toda compreenso intelectual em Si, visto que jamais poderia ser abarcado por uma mente que  apenas um segmento de Sua toda-inclusividade, afirma-se ser Ele  Ain - nada. Visto que ultrapassa efetivamente toda compreenso finita, sendo suas vastides imutveis e ilimitadas para a mente humana, cuja especulao mais profunda seria incapaz de aproximar-se do mais vago esboo do que Ele  em Si, foroso  que permanea sempre um vazio misterioso - nada, nenhuma coisa. Nesse sentido, a concepo grfica dos antigos egpcios mostra-se bastante expressiva, bem como pitoresca. O cu, ou espao anterior a toda manifestao, era concebido como o corpo nu  da deusa  Nuit, a rainha do espao infinito, de seus seios brotando o leite das estrelas, as guas primordiais da substncia. 
	Tudo o que pode ser dito de verdadeiro dessa Realidade Absoluta e Suprema  que ELA . Isto tem que bastar. Onipresente, eterno e auto-existente - essas so idias que transcendem mesmo os mais sublimes vos da imaginao treinada, abstraes alm da apreenso das mentes mortais. Um dos smbolos dessa potencialidade do Ain durante um perodo de repouso  um crculo, significando que tudo tendo sido recolhido  homogeneidade, o movimento retorna perpetuamente para si mesmo, como no glifo a cauda da serpente se recolhe e  tragada pela cabea. O crculo s  interrompido, por assim dizer, pela lei da periodicidade. Essa lei, que a tudo afeta e que  inerente  prpria natureza das coisas, governa o constante fluxo e refluxo, aparecimento e desaparecimento dos mundos. A potencialidade do Ain Soph  apenas refletida mediante a emanao de si mesmo do alento de criatividade, com o comeo de um ciclo quando a Vida Una  polarizada no esprito e matria. A ruptura do crculo de movimento incessante  realizada por uma contrao de sua Luz Infinita, por uma colocao de um ponto minsculo de refulgncia cintilante nos confins do espao. Como foi efetivada essa concentrao de luz num centro csmico, qual sua obscura origem, somos incapazes de diz-lo. H explicaes confusas quanto  Vontade do Ain Soph ou  lei dos ciclos, mas elas realmente no nos conduzem a uma satisfatria compreenso inteligente. Num caso,  inteiramente impossvel conceber uma condio espiritual to infinita e to abstrata como o Ain Soph possuindo uma Vontade que possa ser posta em operao, tanto quanto possuindo uma mente ou um corpo. Segundo a tradio filosfica,  Ain Soph no  nem Esprito nem Vontade, mas sim a causa subjacente de ambos; no  fora ou matria, mas aquilo que serve de base a elas, sua causa ltima. No segundo caso, o postulado da lei cclica que pretende dar conta do aparecimento do centro de luz  trata de algo independente do Ain Soph ou que impe necessidade sobre ele. Se a lei cclica  identificada com o Absoluto, o postulado se torna idntico  Vontade de manifestao. Em qualquer dos casos, desde que concordemos no domnio da teurgia que a razo no pode ser o rbitro final no que diz respeito a isso e questes metafsicas similares, a tradio filosfica ser simplesmente aceita como afirmao rida, sem a pretenso de esforar-se para suprir explicaes racionais para um centro csmico de esplendor surgido no espao. 
	Esse centro metafsico csmico  chamado de Kether, a coroa, e  a primeira manifestao do Desconhecido, uma concentrao de sua luz infinita. Kether , tambm, num certo sentido desconhecido, o Zohar o chamando de o Oculto. Blavatsky o considera como o primeiro Logos, imanifesto, pois a partir dele tanto o esprito quanto a raiz da matria csmica ainda nascero. Seu nmero  um, pois o ponto no crculo alongado e traado como um trao reto  esse nmero. 
	Como a coroa que est acima do sistema de emanao, como o pice da  rvore da Vida que tem sua razes nos cus, descendo em desenvolvimento rumo  terra, Kether  o sentido mais profundo da egocidade, constituindo o substrato da conscincia humana e a raiz ltima da substncia. Esse ponto central, sensvel e espiritual, este centro metafsico ou mnada metafsica de conscincia, preenche essas duas exigncias, existindo como a real individualidade e a diviso ltima da matria. Da mnada brota a dualidade, dois princpios distintos de atividade permanentes atravs de um perodo inteiro de manifestao, co-existente e co-eterno. Trata-se da conscincia e da base substantiva metafsica  sobre a qual a conscincia sempre atua, substncia da raiz csmica. Um  chamado de Chocmah - sabedoria, e ao outro atribui-se o ttulo de Binah - compreenso. Com o intuito de tornar coisas abstratas um pouco mais compreensveis s mentes que se esforavam para instruir nessa metafsica, uma das caractersticas dos filsofos cabalistas era explicar, na medida do possvel, seus complexos e difceis teoremas em termos de conduta humana, atividade humana e emoo humana. Assim notamos que  dado o ttulo de Pai a  Chocmah  e de Me a  Binah. Todas as Sephiroth, como so chamadas essas emanaes, abaixo daquela que  chamada de Coroa, recebem atribuies masculinas e femininas, e a atividade entre Sephiroth masculinas e femininas em reconciliao  um "filho", por assim dizer; uma Sephirah neutra atuando em equilbrio. Assim, a rvore da Vida, compreendendo essas dez emanaes, se desenvolve a partir da mais elevada abstrao at o mais concreto material em vrias trades de potncias e foras espirituais. Masculino, feminino e criana; positivo, negativo e sua resultante mescla num terceiro fator reconciliador. 
	Esses dois princpios ou  Sephiroth, ao serem intitulados o Pai e a Me, so tambm atribudos a letras do chamado Tetragrammaton, do qual as quatro letras so YHVH. Relativamente a essa doutrina do Tetragrammaton, devo lembrar o leitor que as atribuies desse nome e os modos de emprego exegtico so sumamente importantes, e quanto mais clara e precisa for a compreenso desses, mais claro e preciso ser o discernimento das frmulas prticas de magia a serem consideradas posteriormente. O Pai recebe a letra "Y" desse nome e o primeiro "H"  atribudo  Me. Da unio de Y e de  H flui o resto de todas as coisas criadas. Em outras palavras, da conscincia e seu veculo todas as coisas so formadas, e todo ser concebvel, deus ou homem, divino ou animal, tem sua base no Y e no H do nome divino. 
	Deve-se mencionar, de passagem, que a postura adotada  pelo que  conhecido como Cincia Crist ao negar a existncia da matria no  ratificado pela filosofia dos teurgos.  verdade que esta ltima afirma que o mundo fsico  uma iluso, a saber, no sentido de que suas formas externas esto em constante mutao, que se encontra num estado de fluxo perptuo. Desse ponto de vista, quando observado "de cima", acredita-se ser o universo uma iluso. Mas sua existncia est fundada numa realidade, a substncia-raiz de Binah, distinta e separada do aspecto conscincia de Chocmah. Nesse ponto apenas, deixando de lado vrias outras brechas para discusso, a magia no tem qualquer interesse pela Cincia Crist ou algo em comum com ela. Tanto o esprito quanto a matria so reais, quer dizer, reais durante um perodo de manifestao; em si mesmos so apenas modos passageiros da atividade, por assim dizer, do  Ain Soph.                      
	Expandindo atravs da totalidade do espao, usando Binah como um veculo imediato, as energias de Chocmah do origem s sete emanaes restantes que resultam no aparecimento do mundo fsico tangvel. Em Chocmah, o plano de mundo ideal ou imaginativo pelo Logos que est em Kether, as idias sobre as quais o "mundo que vir a ser" se basear. No Livro dos Mortos do Antigo Egito, o deus Tahuti ou Thoth*, a divindade atribuda a Chocmah, visto que as caractersticas essenciais de ambos so idnticas,  ali concebido como tendo sido a "lngua" do criador Ptah, e ele  sempre proclamou a Vontade do grande Deus, falando as palavras que ordenavam a todo ser e toda coisa no cu que adentrasse a existncia. Sir E. A. Wallis Budge, o eminente egiptologista, observa no folheto informativo do Museu Britnico que trata de O Livro dos Mortos que "Thoth concebeu as leis pelas quais o cu, a Terra e todos os corpos celestes so mantidos; ele ordenou os cursos do sol, da lua e das estrelas". Isso est em harmonia total com a natureza de Chocmah, a ideao ou imaginao do cosmos, em que todas as coisas foram primeiramente concebidas e ento realizadas e tornadas manifestas em substncia. 
* Tahuti ou Tehuti   egpcio, Thoth  copta.  (N. T.)
	A Me de todas as formas, esta  Binah, a terceira  Sephirah. De  acordo com o grande qabalista do sculo XVI, rabi Moiss Cordovero, esse nmero  a raiz das coisas. Substncia-raiz csmica e energia primordial so as expresses usadas por Blavatsky para designar essa manifestao particular, chamada na Qabalah de Grande Mar. O formato das letras da palavra hebraica para mar  um glifo eloqentemente indicativo da elevao e expanso das ondas no seio das guas. Os antigos simbolizaram muito sabiamente com o mar a substncia virgem intocada espalhada espao afora, pois a gua  plstica, de forma sempre cambiante, e assume a forma de qualquer recipiente em que  despejada. O mar  um smbolo sumamente adequado dessa substncia plstica a partir da qual todas as formas devem ser compostas e representa uma energia ininterrupta, a despeito de ser passiva. Diz-se que a cor de Binah  o preto, visto que o preto absorve todas as outras cores tal como todas as formas materiais aps inumerveis transformaes e mutaes retornam  substncia-raiz e por ela volta a ser absorvidas. 
	Essas trs emanaes so nicas de uma maneira especial. A Coroa, com seus dois derivados, o Pai e a Me,  concebida como Sephiroth suprema, no tendo relao com as emanaes que dela procedem. No diagrama da rvore da Vida, as supremas so vistas como existindo alm do Abismo, aquela grande voragem fixada entre o ideal e o real, separando-as das emanaes que so as inferiores, o acima do que est  abaixo. Tal como as ondas se alam e afundam abaixo do nvel normal das guas sem produzir qualquer efeito duradouro nas prprias guas, assim  considerada a relao do universo real com as Sephiroth supremas, pois elas repousam num plano completamente afastado de qualquer coisa que possamos compreender intelectualmente.  somente com o aparecimento da quarta emanao que temos algo que  realmente cognoscvel pela mente humana. 
	Por essa razo, h um segundo mtodo de numerao que se soma quele que j apresentamos. As Sephiroth supremas so consideradas inteiramente independentes das inferiores, e enquanto estas so geradas a partir de sua prpria essncia divina e no seu interior, o ser das supremas no  de maneira nenhuma afetado. Como a luz brilha na escurido e ilumina sem sofrer diminuio de sua prpria existncia, do mesmo modo as obras das supremas transbordam de seu ser central sem com isso diminuir em grau algum a realidade de sua fonte. Conseqentemente, elas existem sozinhas alm do Abismo, embora atravs do espao seja difundida sua essncia, sua  numerao se completando em Trs. Comeando com as inferiores abaixo do Abismo, o plano da existncia finita condicionada, a numerao comea mais uma vez com o nmero Um. Assim, cada  Sephirah, nesse sentido, possui dois nmeros, indicando um distinto desenvolvimento duplo da corrente de vida. Chesed  tanto o nmero Quatro quanto o nmero Um, porquanto  a primeira Sephirah no plano da causalidade abaixo do abismo. Jpiter, como o pai dos deuses,  s vezes atribudo a  Kether no alfabeto mgico. Mas tambm pertence a Chesed de uma outra maneira, visto que Chesed num plano inferior  o reflexo da Coroa. A numerao direta  conservada para evitar a confuso de duas sries numricas, continuando de um a dez sem interrupo.  apenas mencionada porque este fato por si s pode explicar os fragmentos isolados do sistema de numerao pitagrico que, quando aplicado  rvore da Vida sem lembrar-se da dupla numerao, pode levar  imensa confuso. 
	Da primeira trade, ento, uma  segunda trade de emanaes  refletida ou projetada abaixo do Abismo. Estas, do mesmo modo, so compostas de uma potncia masculina e feminina com uma terceira Sephirah produzida em reconciliao direta de maneira a harmonizar e equilibrar seus poderes. A quarta  chamada tanto de Chesed, que significa graa, quanto Gedulah, que significa grandeza, tendo os antigos filsofos lhe designado a qualidade astrolgica denominada Jpiter. Quatro  um nmero que significa sistema e ordem, qualidades atribudas pela tradio astrolgica ao planeta Jpiter. Segundo certas autoridades, esse  o primeiro nmero a mostrar a natureza da solidez, e como vimos acima que Chesed  a primeira Sephirah abaixo do Abismo, e  a primeira das Sephiroth "reais", essas observaes so justificadas. A Sephirah masculina Chesed simboliza as potencialidades da natureza objetivizada, e atravs da confirmao da atribuio astrolgica, incluindo a figura mitolgica da divindade tutelar com esse nome, os pitagricos chamavam o Quatro de "o maior prodgio, um deus segundo uma maneira diferente da trade".
	A quinta Sephirah  Geburah, poder, e apesar de ser uma emanao de qualidade feminina, sua natureza se afigura sumamente masculina. Alguns antigos afirmavam que o cinco era um smbolo do poder criativo e que nesse conceito de criatividade e poder se achava o carter de Geburah.  uma fora formativa, como o seu nome Poder e a atribuio planetria a Marte sugeririam, pela qual o plano formulado na imaginao csmica e projetado como uma imagem na substncia-raiz abaixo do Abismo em Chesed  impulsionado celeremente  atividade e manifestao. O cinco  composto de trs e dois, o primeiro representando a energia passiva da Me e o segundo, a sabedoria do Pai. No expressa tanto um estado de coisas mas um ato, uma passagem ulterior e uma transio da idealidade para a realidade.
	Seis  a Sephirah desenvolvida para proporcionar harmonia e equilbrio s foras anteriores, e seu nome  Tiphareth, uma palavra hebraica que significa beleza e harmonia. O nmero  um smbolo de tudo que  equilibrado, harmonioso e de boa proporo, e como  o dobro de trs, reflete novamente as idias variadas representadas por esse nmero. Considerando-se, portanto, que o trs representa os reais poderes motivadores da evoluo, o Macroprosopus ou o Logos, da mesma maneira em Tiphareth encontramos uma reflexo devida e uniforme num Logos menor, o Microprosopus. A essa Sephirah os qabalistas atriburam o sol, o senhor e centro do Sistema Solar. Ao consultar o diagrama da rvore da Vida, o leitor pode perceber que Tiphareth ocupa uma posio destacada no centro da estrutura da rvore da Vida como um todo. Os filsofos pitagricos asseveraram que seis era o smbolo da alma, e mais tarde descobriremos que no ser humano Tiphareth, a harmoniosa emanao do sol  a  Sephirah da alma do homem, o centro do sistema microcsmico e a luminosa intermediria entre o Esprito meditativo acima e o corpo com os instintos abaixo. Os doutores do Zohar da divina filosofia atribuam a terceira letra "V" do nome divino a Tiphareth, e visto que a Tiphareth  o filho do Pai e da Me Celestiais,  chamada de Filho. O selo de Salomo, os tringulos entrelaados, um verdadeiro smbolo de equilbrio,  o smbolo apropriado.
	Os processos de reflexo continuam, e a segunda trade composta dos nmeros quatro, cinco e seis - embora tenham sido eles mesmos projetados pelas Sephiroth supremas -, por sua vez, gera uma terceira trade reproduzindo a si mesma num plano ainda mais inferior. A primeira dessas Sephiroth  masculina - Netzach, que significa triunfo ou vitria. Concebe-se que o sete  um nmero inteiro que representa uma consumao das coisas, a concluso de um ciclo e seu retorno para si mesmo. Assim, na stima Sephirah, comeando uma nova trade e concluindo a segunda srie de Sephiroth, so resumidas novamente todas as potncias anteriores. Sua natureza  a do amor e da fora de atrao; o poder de coeso no universo, unindo uma coisa  outra e atuando como a inteligncia instintiva entre as criaturas vivas. O planeta Vnus, emblema do amor e da emoo,  atribudo pelos filsofos da magia a essa Sephirah; da mesma maneira, a cor verde, tradicionalmente pertencente a Afrodite, como as foras pertencentes a essa Sephirah esto peculiarmente ligadas ao cultivo,  colheita e  agricultura. 
	Em oposio a Netzach como segunda Sephirah da terceira trade est Hod, esplendor ou glria, que  uma qualidade feminina repetindo as caractersticas de Chocmah num plano menos exaltado e sublime. Representa essencialmente uma qualidade mercurial das coisas - sempre fluindo, em metamorfose constante e fluxo contnuo, tendo sido denominada, acredito, "mudana na estabilidade". Com ela, detentora de natureza bastante similar, esta a nona Sephirah, Yesod, o fundamento, que   "estabilidade em mudana". Tal como a tremenda velocidade das partculas eletrnicas assegura a estabilidade do tomo, do mesmo modo as formas fugazes e o movimento de Yesod  constituem a permanncia e a segurana do mundo fsico.  a nona Sephirah e por conseguinte o nono dgito, compreendendo em si todos os nmeros precedentes. Comumente chamada de plano astral ou alma do mundo, Yesod  aquele fundamento de sutil substncia eletromagntica no qual todas as foras mais elevadas esto focalizadas, constituindo a base ou o modelo final sobre o qual o mundo fsico  construdo. Yesod  tem natureza lunar, a lua sendo o luminar atribudo visto haver uma curiosa relao entre o satlite morto da Terra e a luz astral. Yesod completa as trs trades, cujo apndice  Malkuth, a dcima e ltima Sephirah, que representa em forma concreta, numa completa cristalizao visvel e tangvel aos sentidos, todas as qualidades dos planos precedentes. A prpria palavra significa reino, o reino do mundo fsico e o cenrio das atividades e encarnaes das almas exiladas de cima, a morada do Esprito Santo. No Zohar  dada a letra "H" do nome divino a Malkuth, que  chamada de Filha, sendo o reflexo mundano do  primeiro "H", que  a Me. Essa dcima Sephirah  chamada alhures de Noiva, de Filha e de Virgem do Mundo. 
	Reconhecidamente, esse esboo acima oferece somente uma vista resumida e geral do sistema numrico de evoluo e desenvolvimento csmico que tanto fez jus ao respeito de Lvi e dele teve uma admirao to grande e extremada. Nesse esboo elementar ser possvel perceber claramente que os nmeros se vinculam a processos criativos ou evolutivos, e que fundamentalmente compreendida, a natureza do nmero  o ritmo. Essa ltima afirmao  importante, j que propores e atividades harmoniosas realmente conduzem e marcam as primeiras manifestaes da Vida Una  nos elementos e substncias diversas presentes em toda parte. Essas diferenciaes so corretamente simbolizadas pelo nmero, que se concebe como sendo glifo precisamente dos processos de revelao. Representam o desenvolvimento de um universo tangvel explcito a partir de uma essncia intangvel implcita; de uma concepo ideal  consumao da forma construda na qual o ideal encontra sua morada terrestre. Assim, para o teurgo, os nmeros simbolizam o prprio ritmo do universo, e com seus signos apropriados eles representam poderes e entidades com os quais o teurgo procura comungar.
	H um outro aspecto da  rvore da Vida que eu gostaria de abordar. Diz respeito ao que  chamado de Quatro Mundos. Esses mundos so regies metafsicas tanto de conscincia quanto de matria, pois a teurgia sustenta que cada estado de conscincia possui seu prprio veculo, um estgio apropriado de substncia. Esses mundos podem ser encarados sob dois pontos distintos de anlise, sendo que o primeiro coloca uma rvore em cada um dos quatro mundos, oferecendo-nos assim quarenta Sephiroth no total. Os quatro mundos so chamados de Mundo Arquetpico, no qual os arqutipos ou emanaes primordiais so desenvolvidos sob a forma de uma rvore da Vida. Pode-se imaginar tambm essa rvore da Vida arquetpica representando uma forma humana que, no Livro dos Esplendores,  chamada de Adam Kadmon, o Homem Celestial, que contm em seu interior todas as almas, espritos e inteligncias em toda parte do cosmos.  a Alma Universal, me e progenitora divina de todas as outras. Essa Alma  o Homem Divino sobre o qual Lvi fala e ao qual nos referimos anteriormente; essa Alma de cuja grande vida cada ser individual e conscincia independente participam. Os desdobramentos que emergem desse postulado simples e as idias sugestivas que ele suscita so demasiado numerosos para deles tratarmos nesta oportunidade. Minha inteno primeira foi apresentar apenas um breve resumo da filosofia mgica, deixando ao leitor a tarefa de preencher por si mesmo muitas lacunas que foram deixadas em aberto.
	A totalidade das Sephiroth em Olam Atsiluth, o mundo arquetpico, ocupa o plano mais elevado de conscincia espiritual, o primeiro surgir de conscincia do Ain Soph.  medida que os processos de evoluo continuam, Adam Kadmon gradualmente projeta a si mesmo ainda mais na matria um tanto mais densa, sua unidade sendo aparentemente fragmentada, espelhada em muitas facetas e formando o Mundo Criativo, Olam Briah. Nesse mundo, o plano contido na imaginao criativa do Macroprosopus  ainda mais elaborado, as centelhas ou idias separadas sendo revestidas daquela condio de substncia sutil apropriada quela esfera. Aqui, tambm, uma completa rvore da Vida  desenvolvida atravs da reflexo. Do mundo criativo, a rvore  projetada para um terceiro plano, o Mundo Formativo, Olam Yetsirah, onde as idias imaginativas do Logos, as centelhas mondicas espirituais j revestidas na substncia mental sutil do mundo criativo se modelam em entidades consistentes definidas, os modelos astrais que do origem ou servem de fundamentos estveis ao mundo fsico. O mundo fsico, Olam Assiah,  o quarto e ltimo plano, e como projeo cristalizada do mundo formativo  a sntese e concreta representao de todos os mundos mais elevados. 
                                  ((entra aqui em pgina inteira o diagrama da rvore da Vida))
	Est encerrada nessa concepo a justificativa do axioma hermtico "Como  acima,  abaixo". Pois aquilo que existe abaixo possui sua duplicata arquetpica ideal nos mundos mais elevados. Em formas variadas, as idias arquetpicas encontram sua particular representao abaixo - pedras, jias, perfumes e formas geomtricas todas sendo peculiarmente indicativas na esfera mundana de uma idia celestial. Essa frmula metafsica tambm supre Lvi da devida razo para falar do "dogma nico da magia - que o visvel  para ns a medida proporcional do invisvel". O mago francs tambm observa alhures que "o visvel  a manifestao do invisvel, ou em outros termos, o perfeito Logos est, em coisas que so apreciveis e visveis, na exata proporo com aquelas que so inapreciveis para os nossos sentidos e invisveis para os nossos olhos... A forma  proporcional  idia... e sabemos que a virtude inata das coisas criou palavras, e que existe uma exata proporo entre idias e palavras, as quais so as primeiras formas e realizaes articuladas das idias".  essa afirmao filosfica da relao entre idias e coisas que proporciona a base lgica fundamental de muito que  verdadeiro em magia. Quanto a esse ponto, teremos que voltar a ele mais tarde, pois h ao longo do caminho algumas outras idias que exigem aprimoramento. 
	A frmula do Tetragrammaton  tambm aplicada aos Quatro Mundos e aos quatro elementos primordiais. A letra "Y"  atribuda ao mundo arquetpico, sendo conseqentemente o Pai, o gerador de tudo, o todo devorador dos mundos. O "Y" tambm representa, nesse caso, o elemento fogo, anunciando a natureza impetuosa, ativa e espiritual do Pai. O primeiro "H" do Tetragrammaton  atribudo ao mundo criativo, ao qual, receptivo e passivo, pertence o elemento gua. Esse plano representa a Me que, antes que o Filho possa ser gerado, aguarda a energia criativa e o influxo da vida divina proveniente do Pai. A letra "V" cabe ao mundo formativo, o Filho que, como o Pai,  ativo, masculino e energtico, da ser o elemento ar sua atribuio. Completando o nome divino temos um segundo "H", similar  Me, passivo e inativo, recebendo quaisquer influncias que sejam derramadas em seu interior. Em O Livro dos Esplendores, "H"  chamado de Palcio do Rei e de a Filha, representado o mundo fsico, que  a sntese de todos os mundos. 
	O segundo mtodo  ligeiramente diferente do que acabamos de esboar. Nesse caso, emprega-se uma nica rvore, sendo os quatro planos assim colocados sobre ela. Kether, a Coroa, ocupando sozinha um plano inteiro,  o mundo arquetpico, o domnio do Logos. A segunda e a terceira  Sephiroth, o Pai e Me supremos, constituem o mundo criativo, recebendo e executando a divina imaginao. O terceiro plano, ou mundo formativo, o plano astral propriamente - do qual falaremos mais no prximo captulo -  compreendido pelas seis Sephiroth seguintes, em cujo mundo tudo  preparado para a manifestao visvel. Malkuth, o reino,  o mundo fsico. Todas as atribuies relativas  primeira descrio dos quatro mundos so vlidas para este segundo mtodo, salvo o que j observei, a saber, que esto dispostas numa nica rvore. 
	Antes de encerrar este captulo,  preciso que seja mencionada mais uma srie de concepes. Do ponto de vista da teurgia, o universo todo  conscincia, vida e inteligncia corporificados sob forma visvel e invisvel. Atravs do cosmos palpita e vibra uma inteligncia, uma conscincia espiritual prefigurada em mirades de centelhas ou mnadas, permeando toda forma, e da qual nada nesse cosmos se acha, de maneira alguma, isento. Tal como h vrios graus de qualidade de vida mineral, animal e vegetal e inumerveis estgios de inteligncia entre os homens, de acordo com as tradies mgicas essa mesma escala hierrquica de inteligncia existe alm e acima do homem. No somente se pode dizer verdadeiramente no tocante ao nosso prprio universo, como tambm se pode afirmar que alhures nas infinitudes do espao existem outras hierarquias de sublimes seres espirituais e inteligncias divinas. Da Escurido ignota incompreensvel, que  Ain Soph, no h seno uma conscincia indivisvel, semelhante no mais baixo demnio de feies caninas bem como na mais elevada  hierarquia celestial. H hierarquias de conscincia celestiais e terrestres, algumas divinas, outras demonacas, e ainda outras que incluem os mais excelsos deuses e Essncias universais. Esse  o eixo da totalidade da filosofia mgica. Trata-se ao mesmo tempo de um monotesmo e de um politesmo num sistema filosfico nico. O universo todo  permeado por uma Vida Una, e essa Vida em manifestao  representada por hostes de deuses poderosos, seres divinos, espritos ou inteligncias csmicas, chame-se-os conforme se deseje. A condio e a diversidade espirituais atribuveis a eles so grandes e intensas; entre eles h aquelas foras deficas da aurora rosada da manifestao csmica da qual brotamos, centelhas espirituais arrojadas em sentido descendente a partir de sua essncia divina.
	Diante disso,  possvel ampliar a concepo da rvore da Vida e dos Quatro Mundos em termos de conscincia. As primeiras manifestaes so deuses ou seres da  mais excelsa conscincia que, brotando da Coroa, compreendem a Mente do Logos, ou os administradores imediatos do plano formulado. Esses seres so os deuses, Dhyan Chohans, Elohim, Teletarchae - seja qual for a designao escolhida, a idia fundamental deve ser firmemente apreendida, ou seja, que h vastas hierarquias de seres no espao, numa escala seqencial ordenada de descenso dos mais excelsos deuses nos mais elevados mundos s hierarquias menores de seres anglicos dos mundos inferiores. Conectada a cada  Sephirah e cada Mundo emanado de Ain Soph h uma certa hierarquia de deuses, cada um deles encarregado de uma tarefa especfica na evoluo e governo do universo, e detendo uma natureza caracterstica. Tal como Kether, a Coroa, produziu as outras Sephiroth, assim os mais excelsos deuses desenvolvem a partir de si mesmos outras divindades menos augustas e menos sublimes do que eles prprios. Porquanto os nmeros foram atribudos s Sephiroth a fim de simbolizar processos criativos no cosmos, e visto que os deuses so atribudos s Sephiroth, os deuses podem tambm ser simbolizados por nmeros e as idias associadas a um processo csmico particular podem aplicar-se igualmente bem  natureza de um dado deus. Pitgoras disse bem que "h uma conexo misteriosa entre os deuses e os nmeros".
	"Como  acima,  abaixo." Todas as coisas sobre a Terra tm seus prottipos eternos nos cus, e todos os seres so reflexos simples, tmidos e dbeis dos deuses. Quanto mais distante (metafisica e relativamente) estiver qualquer emanao de sua fonte, mais dbil e lnguida ser em relao quilo de que procedeu. Os deuses ou Essncias universais exprimem mais clara e brilhantemente a natureza espiritual inefvel de Ain, e nos eidolons* terrestres deles, os deuses menores, tal brilho lmpido se torna mais velado e plido, e sua expresso obstada. No homem, a sombra da imagem dos deuses, a irradiao do esplendor de Brahma, na maioria dos casos, aparece inteiramente reprimida. Tal como o calor  para o fogo, diminuindo mais e mais  medida que irradia sua influncia a partir da chama,  o homem para os deuses. Quanto mais se distancia deles, mais leva a cabo um processo de autodestruio. Essa relao entre a ordem da vida e as Sephiroth, entre os deuses, homens e nmeros explica a eficcia dos smbolos mgicos e dos papis que eles desempenham nos ritos tergicos. Os signos e selos so profundamente indicativos de realidades interiores, e cada smbolo particular representa algumas das hierarquias de deuses e inteligncias espirituais. Mediante essa doutrina de assinaturas, cada fenmeno**  indissoluvelmente conectado a um numeno***, a eficcia da teurgia sendo assim assegurada.
* Do grego, imagens, retratos, espectros, fantasmas, simulacros.  (N. T.)
** Do grego, aquilo que aparece, se mostra, se manifesta.  (N. T.)
*** Do grego, aquilo que permanece oculto, velado, imanifestado.  (N. T.) 
	O objeto da magia , ento, o retorno do homem aos deuses, o unir da conscincia individual durante a vida com o ser maior das Essncias universais, a mais abrangente conscincia dos deuses que so as fontes perenes de luz, vida e amor. Somente assim, para o ser humano,  possvel haver liberdade e iluminao, e o poder de ver a beleza e a majestade da vida tal como ela realmente . Mediante o retorno em esprito s fontes das quais proveio, apenas reabrindo a si mesmo a elas como uma flor dourada se abre e se volta ao sol para absorver ansiosa e avidamente seu sustento e luz, pode o homem atingir a iluminao e a suspenso das amarras e grilhes terrestres. Pela descoberta de seu prprio deus interior em primeiro lugar e formando uma relao indissolvel com os deuses da vida universal, ser encontrada a soluo dos problemas do homem e do mundo. Por meio dessa conscincia mais nobre de iluminao transmitida pela unio divina  possvel desenredar os emaranhados do caos mundial.  possvel assim romper as amarras que prendem o homem com uma fora superior a todas as cadeias e grilhes mortais. Nenhum rompimento desses ferros  possvel a no ser por meio do conhecimento mgico do prprio eu interior e dos deuses de toda existncia. 
	"Se a essncia e a perfeio de todo bem esto compreendidas  nos deuses, e o primeiro e antigo poder deles  detido por ns, sacerdotes (teurgos), e se por meio daqueles que similarmente se prendem a naturezas mais excelentes e genuinamente obtm uma unio com elas, o incio e o fim de  todo bem  seriamente ameaado - se esse for o caso -  aqui que a contemplao da verdade e a posse da cincia intelectual devem ser descobertas. E um conhecimento dos deuses  acompanhado do... conhecimento de ns mesmos." *
* Mistrios Egpcios, Jmblico. 


CAPTULO IV 
	"Existe um agente que  natural e divino, material e espiritual, um mediador plstico universal, um receptculo comum das vibraes cinticas e das imagens das formas, um fluido e uma fora, que podem ser chamados de certo modo de Imaginao da Natureza... A existncia dessa fora  o grande arcano da magia prtica."
	O agente mgico ao qual Lvi se refere aqui  a substncia do mundo formativo ou, mais particularmente, a esfera de Yesod - uma palavra hebraica que pode ser traduzida como o Fundamento ou a Base. O direto equivalente da Yesod qabalstica na filosofia teosfica tal como enunciado por Madame Blavatsky - e nesse ensejo seguirei o extenso esboo delineado em seu sistema e aquele formulado em Dogma e ritual de Alta Magia, de Lvi -  conhecido como luz astral. Definido em alguns lugares como um fluido ou meio onipresente que tudo permeia, constitudo por matria extremamente sutil, essa luz est difundida pelo espao, interpenetrando e penetrando todo objeto ou forma visveis. Se quisermos estabelecer tal idia diferentemente, trata-se de um plano quadridimensional composto de uma substncia etrea luminosa num estado sumamente tnue, substncia em sua natureza eltrica, magntica e radioativa. 
	"Esse fluido ambiente e que tudo penetra, esse raio destacado do esplendor do sol e fixado pelo peso da atmosfera e pelo poder de atrao central, esse corpo do Esprito Santo, que chamamos de luz astral e agente universal, esse ter eletromagntico, esse calrico vital e luminoso  representado nos antigos monumentos pelo cinto de sis que se enlaa num n cego ao redor de duas varas, pela serpente de cabea taurina, pela serpente de cabea de bode ou de co, nas antigas teogonias pela serpente que devora a prpria cauda, emblema da prudncia e de Saturno.  o drago alado de Media, a serpente dupla do caduceu e o tentador do Gnese; mas  tambm a cobra brnzea de Moiss que circunda o tao, isto , o lingam gerador;  a hyle dos gnsticos e a cauda dupla que forma as pernas do galo solar de Abraxos."
	 nesses termos simblicos, eloqentes e singularmente expressivos  sua maneira, embora com ressaibo de verbosidade para o leitor final, que o mago francs descreve a  luz astral. Trata-se de smbolos sumamente interessantes e significativos, e se bastante cuidado e ateno forem dispensados em sua interpretao, proporcionaro considervel instruo e podero servir para revelar muitas informaes valiosas, auxiliando na compreenso intelectual, ao menos, da natureza e das caractersticas desse plano sutil. Vibrando a um ndice cintico diferente da substncia grosseira do mundo fsico, e existindo assim num plano superior, a  luz astral contm o planejamento ou modelo do construtor, por assim dizer, projetado em sentido descendente pela ideao ou imaginao do Pai; o planejamento com base no qual o mundo exterior  construdo, e dentro de cuja essncia jaz latente o potencial de todo crescimento e desenvolvimento. Todas as foras e "idias" dos domnios criativo e arquetpico so representadas e focalizadas nesse agente plstico, o mundo formativo. Ele  de imediato substncia e deslocamento, sendo o movimento "simultneo e perptuo em linhas espirais de deslocamento em contrrio". Foi o falecido Lorde Salisbury, posso aqui intercalar, que definiu o ter como o nominativo do verbo "ondular". 
	Em muitos pontos, esse mundo formativo, o recipiente das foras criativas superiores,  comparvel em seus aspectos mais inferiores ao ter da cincia. H, contudo, uma ressalva. A luz astral foi no passado e poder no futuro ser verificada pela experincia direta visionria. A concepo cientfica do ter hoje difere radicalmente daquilo que o cientista de meio sculo atrs entendia por ter luminfero. Tanto assim que avaliado por seus padres e empregando sua linguagem, a moderna idia de ter e suas ondas de irradiao no so realidades em absoluto. E a despeito disso, o que  suficientemente estranho, observa  Sir James Jeans em Os mistrios do Universo, o ter  uma das coisas mais reais "de que temos qualquer conhecimento ou experincia, sendo, portanto, to real quanto qualquer coisa possivelmente possa ser para ns". A entidade que os fsicos experimentais hoje definiriam como ter teria que ser algo que reagisse qualitativa e quantitativamente aos instrumentos e equaes matemticas deles. Por outro lado, quando os teurgos se referem  substncia magntica e eltrica da luz astral, uma condio ou estado metafsico da substncia est implcito - uma condio ou estado que atualmente no pode ser mensurado ou observado com instrumentos fsicos, embora sua existncia seja corroborada nos mesmos termos  por uma srie de videntes treinados e magos. Reside, como j afirmamos, num plano existencial e consciencial completamente diferente, e suas partculas vibram de uma tal maneira e a uma tal taxa de movimento que so inteiramente invisveis e imperceptveis aos nossos sentidos comuns exteriores. 
	Recentemente assistiu-se no domnio da especulao cientfica ao desenvolvimento da teoria eletromagntica que, por motivos de ordem prtica da fsica, descarta como desnecessria a hiptese vitoriana de um ter luminfero ondulante que tudo penetra. No seu lugar, foi instalada como se num trono majestoso, coroada e venerada com devoo, uma concepo matemtica ainda mais abstrata: o mltiplo ou contnuo espao-tempo. Um grupo de cientistas  inteiramente a favor da manuteno da hiptese do ter, enquanto muitos outros, no menos famosos e de menor autoridade, esto igualmente convictos de que uma tal estrutura sutil como o ter inexiste e nem sequer  possvel. Admitem-na apenas como uma estrutura terica de referncia, caso em que assume o papel de uma hiptese de trabalho destituda de qualquer grau de realidade objetiva. Um exame das definies cientficas desses dois grupos de cientistas, entretanto, revela o fato de que pelas expresses ter e contnuo espao-tempo quadridimensional indicam um nico e mesmo conceito. Sir Arthur Eddington, em uma de suas recentes obras, ao fazer referncia a esses dois conceitos cientficos, expressou a opinio de que ambos os partidos querem dizer exatamente a mesma coisa, sua ciso estando somente nas palavras. Sir James Jeans, em sua obra anteriormente mencionada, observa cautelosamente com relao a essa obscura questo que parece apropriado descartar a palavra "ter" a favor dos termos mais modernos "mltiplo" ou  "contnuo", apesar de o princpio essencial permanecer quase totalmente inalterado. Em outra parte, nessa mesma obra de erudio, o sbio cientista assevera que todos os fenmenos do eletromagnetismo podem ser considerados como ocorrentes num contnuo de quatro dimenses - trs espaciais unidas a uma temporal - no qual  impossvel  separar o espao do tempo de qualquer maneira absoluta. Chamo ateno particularmente para essa observao porque se enquadra aproximadamente na natureza de uma exata confirmao daquilo que os mais eminentes magos de todos os tempos escreveram relativamente a  Anima Mundi ou o Azoth.  possvel indicar bem grosso modo as demais observaes de Jeans dizendo que se desejarmos visualizar a propagao de ondas luminosas e foras eletromagnticas tomando-as como distrbios  num ter, nosso ter poder ser considerado uma estrutura quadridimensional que preenche todo o contnuo, estendendo-se assim por todo o espao e todo o tempo, caso em que todos ns desfrutamos do mesmo ter. 
	Esse ter da cincia que todos podem desfrutar e que se estende ao longo do espao e do tempo, servindo como o meio das vibraes de todos os tipos, difere em poucos pontos essenciais da luz astral de Lvi. A definio em que insistem constantemente os teurgos relativamente a esse plano etreo  que se trata de um estgio de substncia plstica refinada, menos densa e grosseira que aquela que vemos normalmente em torno de ns, de natureza magntica e eltrica, servindo como o fundamento real sobre o qual as formas e acmulo de tomos do universo fsico se ordenam a si mesmos.  o plano que, em seu aspecto mais inferior, constitui a verdadeira cloaca do universo, compreendendo aquela faceta da conscincia que dirige os instintos e as energias dos animais; em suas ramificaes superiores, elevando-se alm dessa esfera mundana, realmente faz fronteira com o divino. Que assim  pode-se compreender por meio da referncia  rvore da Vida, na qual v-se que o Mundo Formativo no inclui apenas a esfera de Yesod, mas naquela classificao da rvore em Quatro Mundos, ela se estende bem alm de Yesod, de modo a incluir Tiphareth, a casa da Alma, mesmo at a beira do Abismo. A esfera do Fundamento  somente sua fase mais inferior. Como Yesod apenas,  aquela regio grosseira do cosmos metafsico que contm os restos astrais rejeitados das criaturas vivas, a sujeira bestial e mental descartada pelos seres  humanos  na sua ascenso aps a morte a esferas mais elevadas. Nos seus aspectos de Chesed e Geburah,  a mais pura expresso do cu, por assim dizer, a morada devachnica. Relativamente a essa maneira de consider-lo,  ocasionalmente chamado de divino Astral, e de Alma do Mundo. 
	" em si mesmo uma fora cega, mas pode ser dirigida  pelos lderes das almas, os quais so espritos da ao e da energia.  de imediato a teoria por inteiro dos prodgios e milagres. Como, de fato, poderiam tanto o bem quanto o mal constranger a natureza a expor suas foras excepcionais? Como poderia o esprito rprobo, desviado, perverso deter em alguns casos maior poder que o esprito da  justia, to poderoso em sua simplicidade e sabedoria, se no supormos a existncia de um instrumento do qual todos podem fazer uso, sob certas condies, de um lado para o maior dos bens, do outro para o maior dos males?" Quero insistir enfaticamente com relao a esta dupla interpretao do ter mgico que Lvi aqui apresenta, que nele esto includos um elemento inferior vil e um elemento superior nobre. O primeiro  a base da causa feita por si mesma de muitos dos males da espcie humana, o segundo  o fogo central e a  Alma do Mundo. O divino Astral  solar e celestial por natureza, enquanto que o grosseiro Astral  lunar, reflexivo e puramente automtico. Blavatsky confirma essa  hiptese da natureza dupla da luz astral nos seguintes termos: "A luz astral ou  Anima Mundi  dupla ou bissexual. Sua parte masculina (ideal)  puramente divina e espiritual,  a sabedoria,  Esprito ou Purusha; sua poro feminina  maculada num certo sentido pela matria,  efetivamente matria, e portanto  j o mal*." Desnecessrio afirmar que o teurgo diz respeito inteiramente s mais elevadas regies da luz astral, os fogos solares. 
* A doutrina secreta, v. I. 
	Do ponto de vista prtico, esse plano  o agente mgico ao qual a viso treinada  e acumulada dos teurgos atribuiu o poder de transmitir vibraes e impresses no somente de luz, calor e som fsicos, mas tambm aquelas vibraes mais sutis e menos tangveis, que no so, todavia,  menos reais por sua imperceptibilidade, que pertencem a correntes projetadas de Vontade, pensamento e sentimento. Lvi chama esse instrumento de imaginao da natureza, porquanto est sempre vivo de ricas formas, sonhos exticos, imagens luxuriantes, o veculo imediato das faculdades mentais e emocionais. O controle desse plano constitui de um certo ponto de vista a Grande Obra. Alguns magos, inclusive o ilustre Lvi, opinavam que o segredo mgico central  o da orientao sob vontade desse arcano. Sendo o veculo em que so registradas dinamicamente as paixes e impresses mentais de toda a espcie humana, a memria da natureza inferior, e estando presente na Terra todo o tempo, visto que tudo penetra e  um plano destacado do fsico, seu contedo deve influenciar muito as mentes de homens dbeis e sensveis. E no apenas esses ltimos, como a maioria das crianas da Terra  influenciada de alguma maneira pelas correntes que ondulam por sua substncia. Por conseguinte, postar-se isolado em relao s  suas cegas ondulaes e transcend-lo cabalmente a  ponto de se mover naquele estrato mais elevado que  sua alma no constitui realizao desprezvel, mas sim digna de todas as energias humanas. 
	Uma moderna autoridade em magia, aquela cujo pseudnimo   Therion, declara que nos estratos superiores da luz astral  "dois ou mais objetos podem ocupar o mesmo espao ao mesmo tempo sem interferncia entre si ou perda de seus contornos. Nessa luz, os objetos podem alterar sua aparncia completamente sem sofrer transformao de sua natureza. A mesma coisa  pode  revelar a si mesma num nmero infinito de aspectos distintos. Nessa luz  -se clere sem ps e voa-se sem asas; pode-se viajar sem se mover e se comunicar sem as formas convencionais de expresso*." No que diz respeito ao processo de viajar no  corpo de luz, a autoridade que citei acima acrescenta que ali somos insensveis ao calor, ao frio,  dor e a outras formas de percepo sensorial, que nessa  luz estamos presos pelo que superficialmente pode parecer uma srie inteiramente diferente de leis. Nesse plano, que  o agente mgico par excellence, smbolos, emblemas e selos no so convenes intelectuais e nem mesmo representaes arbitrrias de idias universais e foras naturais; so entidades vivas absolutas, possuindo nesse plano vida e existncia reais e independentes que lhes so prprias.  primeira vista, isso pode no parecer importante, mas tal afirmao  realmente de mxima importncia no trabalho mgico. Os smbolos representam no plano astral entidades reais e tangveis. No captulo anterior nos esforamos para demonstrar que os nmeros indicavam com profundidade os processos de evoluo e de desenvolvimento e expressavam sinteticamente tanto o ritmo csmico quanto certas foras e inteligncias ocultas a que damos os nomes de deuses, Dhyan Chohans e Essncias. A esses nmeros que representam foras imensamente poderosas so aplicveis vrios selos e pictogramas, os quais possuem nesse Mundo Formativo uma existncia que no  em absoluto simblica no sentido no qual entendemos normalmente esse termo, mas real, vital e viva. Na substncia plstica e malevel da luz astral esses smbolos podem ser galvanizados  atividade  por uma vontade e uma imaginao treinadas. Essa substncia  peculiarmente suscetvel  aos  vos e s obras da imaginao, esta ltima possuindo o poder de transformar seu fluxo perptuo e deformidade em moldes e matrizes que a vontade  capaz de estabilizar e energizar poderosamente numa dada direo. Entre numerosos exemplos est registrado aquele de uma mulher grvida que, tendo experimentado um choque nervoso, a impresso foi imediatamente transferida atravs do meio da imaginao atuante sobre a luz astral ao feto em formao gerado em seu tero. Historicamente, as deusas que presidiam entre os antigos ao nascimento eram deusas da lua e, conseqentemente, da luz astral. Considera-se entre essas raas que a lua  possui maior poder para acelerar o desenvolvimento da vida, das  plantas e de toda a vegetao que o prprio sol. Sempre foi tida como o astro da mudana, da gerao e da fertilidade.  Em A doutrina secreta h muita informao e especulao incomuns a respeito da relao oculta entre a lua e o nosso planeta, embora o mero saber que essa relao realmente exista seja suficiente para finalidades prticas  por parte do novio. A conexo da lua com a  luz astral , entretanto, inteiramente vlida, a maioria das autoridades nesse ponto estando de pleno acordo. Astrologicamente, a lua  o planeta que simboliza mudana e fluxo, e as contnuas alteraes das formas, a troca das condies. No plano astral, a viso treinada registrou que ali as configuraes mudam de forma, cor e tamanho da maneira mais extraordinria; e para o novio em  Skrying  constitui um fenmeno sumamente desconcertante e enigmtico ver um conjunto de percepes desvanecer-se sob seu prprio nariz para ser substitudo por um outro grupo de cenas que ter  muito brevemente o mesmo destino. Trata-se de um caleidoscpio oscilante de fenmenos, sendo que as figuras, formas e energias nunca esto imveis. Por conseguinte, estabelecer uma relao entre a lua e a luz astral  uma correspondncia perfeitamente bvia. Ademais, foi observado que a lua no brilha graas  sua prpria luz interna e autogerada, mas sim por refletir os raios do sol. Yesod, a esfera da lua  na  rvore da Vida, est colocada imediatamente abaixo de Tiphareth, a esfera do sol, refletindo assim as foras criativas de cima para baixo. H muitas outras razes altamente significativas, demasiado numerosas para aqui serem citadas, a favor dessa associao da lua com a luz astral, conquanto o estudo e o experincia mgica provam a validade e preciso da correspondncia. 
* Magick, Mestre Therion.
	Nas lendas de todos os povos, mesmo dos das mais primitivas tribos selvagens, est presente a concepo da luz astral como meio das vibraes do pensamento e dos atos mgicos. Sir J. G. Frazer, o eminente antroplogo e autoridade em  folclore, registra muitas delas em sua A rama dourada. Muitos outros autores tambm discutiram a natureza dessa fora hipottica reconhecida pelos primitivos, sem ter se aproximado de qualquer clara formulao de sua natureza como o grande agente mgico, o que dificilmente se poderia esperar, visto que seus estudos e pesquisas jamais deixam, por um nico momento, o plano acadmico. Os melansios das ilhas do mar do sul acreditam, segundo afirmao do professor Bronislaw Malinowsky em seu pequeno livro sobre mitos, num depsito ou reservatrio de fora sobrenatural ou mgica a que deram o nome de mana, o qual, como uma fora similar concebida como  Orenda pelos ndios norte-americanos, cr-se ter seu centro na lua. Essa ltima parece, por assim dizer,  encerrar um tanque gigantesco desse poder oculto que pareceria por eles ser associado com a fonte da vida e da  energia. No  difcil perceber que essa concepo - imperfeitamente registrada pelos antroplogos, ou imprecisamente descrita pelos primitivos,  difcil dizer, sendo provvel que a falha exista dos dois lados - seja uma formulao muito vaga daquela realidade que em magia chamamos de  luz astral. 
	Foi, contudo, com absoluta clareza reconhecida  pelos teurgos egpcios, sendo que em relao a isso no h o transtorno de teorias ou descries vagas, pois observamos que quase cada jarda dos chamados mundos superior e inferior, Amentet e Tuat, que so os dois aspectos, inferior e superior do plano astral,  cuidadosamente mapeada e suas qualidades observadas. E como se no o bastasse, em alguns dos captulos de O livro dos mortos, cada subdiviso  descrita com preciso em benefcio dos mortos - e, conseqentemente, em beneficio do teurgo - acrescendo-se os nomes dos guardies e vigias dos piles  atravs dos quais a alma defunta tinha que passar a fim de obter o ingresso em alguns outros sales do reino de Osris. Repetindo a viso egpcia, Budge menciona que o Tuat  no era considerado o subterrneo seja do cu, seja de seus limites; mas estava localizado nas fronteiras do mundo visvel; que no se tratava da um lugar particularmente feliz, percebe-se pela descrio de O livro dos mortos, quando o escriba Ani ali chegou, aparentemente desnorteado, "No h gua ou ar aqui, sua profundidade  insondvel,  to escuro quanto a mais escura das noites e os homens vagueiam sem esperana". Uma observao final do venervel  protetor das Antigidades egpcias do Museu Britnico  que o Tuat  era uma regio de destruio e morte, um lugar onde os mortos apodreciam e se deterioravam, um lugar de abominao e horror, terror e aniquilamento; que isto coincide perfeitamente com as esferas astrais inferiores de desintegrao ou  kama loka pode-se tomar por certo. 
	O divino astral era conhecido como o reino de Osris ou Amentet; tambm chamado de ilha da verdade onde nenhuma alma podia ser conduzida aps sua morte at que fosse declarada "de palavra verdadeira" pelos deuses na Grande Avaliao. Um canto dessa regio era especialmente reservado como morada das almas beatificadas, onde Osris, na qualidade de deus da verdade, era a esperana e consolo eterno daqueles de disposio espiritual. Teosoficamente,  Amentet poderia ser denominado  Devachan, a morada dos deuses, e de um ponto de vista tergico ocuparia aquela parte do Azoth  qual demos o nome de divino astral. De acordo com O livro dos mortos h sete grandes sales e vinte e um piles que do acesso a essa regio celestial, havendo para cada um dos vinte e um piles dois vigias ou guardies sagrados. Numa outra parte desse Livro so dados com certo detalhe os nomes dos arautos e guardies de portas mais as frmulas de magia prtica mediante a qual eles podem ser sobrepujados o ingresso  ilha da verdade realizado. To precisos eram os magos egpcios em seu pensamento que imaginavam correspondncias entre as vrias divises do Egito e os domnios metafsicos do Tuat e Amentet. Cada uma das vrias camadas ou regies do mundo astral, tanto grosseira quanto divina, era mapeada com uma preciso que mesmo hoje no encontra com que rivalizar ou se igualar. 
	H um outra analogia bastante significativa para a qual devemos dirigir nossa ateno. Entre psicanalistas oficiais encontramos o conceito de inconsciente. Esse termo implica uma corrente dinmica de pensamento, memria e tendncia que flui abaixo do nvel de nossa conscincia normal individual, servindo como o receptculo de instintos e memrias raciais e aqueles complexos que so com freqncia o resultado de conflito consciente. Como essa coleo de instintos e impulsos automticos possui uma origem na evoluo muito anterior  formao e desenvolvimento do intelecto no homem, , conseqentemente, mais poderosa e urgente dentro dele.  dessas camadas de hbito e conscincia racial herdada que se supe que os primitivos tenham extrado a elaborao de seus eloqentes mitos e lendas. Esses so, assim, no somente um registro de histria pr-histrica da raa, mas tambm uma expresso dinmica daquilo que esses psiclogos chamariam de inconsciente coletivo, visto que com respeito a toda raa e povo primitivos, independentemente de ter havido ou no relao e comunicao sociais, mitos e lendas so essencialmente idnticos. Considerando-se que aquilo que os analistas chamam de inconsciente  praticamente sinnimo num certo aspecto do que os cabalistas denominam Nephesch, e considerando-se que este ltimo se funda na luz astral do mesmo modo que o corpo fsico se funda e se forma a partir da matria grosseira, h entre a  luz astral e o conceito de inconsciente coletivo uma clara correspondncia. Tal como o inconsciente no caso de alguns indivduos  uma entidade vulcnica subterrnea que despedaa a integridade e unidade da conscincia, do mesmo modo a tradio mgica assevera que  ao aspecto inferior da luz astral, o depsito de memrias raciais, apetites predatrios, instintos e todos os impulsos animais, que uma grande parte da espcie humana deve seus problemas, enfermidades e lamentveis fontes de conflito.  sobre essa parte de Nephesch ou do inconsciente que o mago, afirma Lvi, tem que assentar seu p, de maneira que seja conquistada, controlada e mantida em seu lugar adequado. Ao mesmo tempo, entretanto, o chamado inconsciente com sua riqueza de material animado, sua fertilidade de idias e sugestes impressivas pode ser para algumas pessoas a fonte de inspirao potica e artstica. Esse aspecto do inconsciente, o aspecto mais elevado ou divino da luz astral, ou  Neschamah no homem,  o que o mago busca cultivar e expandir, visto que graas ao seu crescimento, desenvolvimento e facilidade de expresso ele opera tambm sua prpria integridade individual e a habilidade de superar a si mesmo. 
	No interior dessa luz astral que individualmente trazemos conosco em todas as ocasies e em todos os lugares, vivemos, nos movemos e somos. Cada pensamento que temos grava uma impresso indelvel  na substncia impressionvel daquele plano - na verdade a tradio sustenta que ele se funde com alguma das criaturas daquele plano e ento  transferido de nosso controle imediato para esse oceano pulsante de vitalidade e sentimento para influenciar outras mentes no bem ou no mal. Toda coisa viva respira e absorve essa  luz  livremente, no sendo exclusividade ou particularidade de nenhuma. De fato nela vivemos muito semelhantemente a um peixe na gua, circundados por todos os lados e em toda direo; e como um peixe ns constantemente a aspiramos e expiramos atravs de guelras astrais, por assim dizer, dela extraindo energia e para ela acrescentando uma variedade de impresses a cada momento. No s  este agente mgico a  imaginao da natureza, como tambm desempenha o papel de memria da natureza, pois cada ato que realizamos, cada pensamento que atravessa nosso crebro, cada emoo ao deixar nosso corao registram a si mesmos na matria astral, permanecendo a por todo o tempo como um registro eterno, de modo que aqueles que so capazes possam ver e ler. Quanto a isso, liphas Lvi observou de maneira significativa que  "O Livro das Conscincias, o qual, de acordo com a doutrina crist ser aberto no dia derradeiro, nada mais  do que a  luz astral na qual esto preservadas as impresses de todo  Logos, que  toda ao e toda forma. No h atos solitrios e no h atos secretos; tudo o que ns verdadeiramente queremos, ou seja, tudo o que confirmamos por nossas aes, est escrito na  luz astral". 
	Embora alguns possam pensar que para o teurgo dificilmente possa haver algo mais interessante e esclarecedor do que examinar a memria dessa  luz, no  esta a ao do teurgo, pois isso nem o interessa nem lhe  til na prtica. Como seu objetivo  a aquisio de autoconhecimento e a unio divina, seria uma certa perda de tempo precioso envolver-se na transliterao desse registro. A despeito de ser necessrio ao mago investigar a natureza dessa luz em seu corpo de luz e familiarizar-se com os aspectos variados de conscincia que esse plano continuamente apresenta, no que diz respeito ao seu prprio trabalho, ele sempre procura ascender aos domnios espirituais mais gneos. Seu interesse na  luz astral, sendo esta um plano magntico dinmico,  no sentido da mesma lhe servir mais pronta e adequadamente do que qualquer outra coisa para focalizar as foras e inteligncias com as quais ele aspira entrar em contato. Em segundo lugar, porque nessa  luz ou em suas camadas superiores ele pode perceber a si mesmo em reflexo, como os outros o vem, por assim dizer, e assim obter dados confiveis que o conduzam ao autoconhecimento. 
	Separando o bem do mal, o ter solar divino do ter lunar malfico, ocorre automaticamente uma diviso nessa luz. Nesse plano parece que os pensamentos impuros dos homens perduram por um perodo mais longo que os bons pensamentos, porque esses aparentemente sobem s camadas mais elevadas, s regies de harmonia e s partes superiores do mundo da  formao. O resultado  que a luz astral, cujo espao lunar  povoado pelos elementos mais grosseiros e maliciosos do ser, torna-se gradualmente cada vez mais contaminada, sua sujeira pairando sobre a espcie humana como uma mortalha txica mortfera. Nos livros da Cabala, os constituintes dessa mortalha venenosa so comparados aos Qliphoth ou casces excrementais dos estgios mais baixos de existncia. So os crtices adversos, "demnios de rosto canino" de acordo com os  orculos caldeus "nos quais no h trao de virtude, jamais mostrando aos mortais qualquer sinal de verdade".  esse aspecto da luz astral que  para cada ser humano a  serpente sedutora do mal do Gnese, e  aquele aspecto cego que tem que ser transcendido pelo teurgo, visto que sendo representado em sua prpria constituio  o que obsta a execuo da Grande Obra. Se esse processo de preenchimento do plano astral com os  Qliphoth continuasse indefinidamente, sem qualquer meio adequado de elimin-lo e proceder a uma purificao, resultaria no envenenamento total da espcie humana por suas prprias emanaes vis. A despeito de todos os esforos do modesto grupo de msticos e teurgos ao longo das eras, que transmutam atravs de suas prprias vidas e realizaes espirituais os  elementos baixos em bem duradouro e afvel, o mal se torna mais pesado em cima do que embaixo, por assim dizer. A excessiva fora malfica  ento precipitada de acordo com as leis naturais e cclicas. Essas precipitaes de impureza astral ocorrem realmente sob as formas de convulses desastrosas da  natureza. Terremotos, incndios e enchentes elementais, e crimes e doenas cataclsmicas so algumas de suas manifestaes. Escrevendo profundamente para confirmao desse parecer, liphas Lvi declara a convico de que a luz astral  "a fora misteriosa cujo equilbrio  a vida social,  progresso, civilizao e cujo distrbio  a anarquia, revoluo, barbrie, de cujo caos um novo equilbrio finalmente se desenvolve, o cosmos de uma nova ordem, quando uma outra pomba paira sobre as guas enegrecidas e turvas. Essa  a fora pela qual o mundo  transtornado, as estaes so mudadas, pela qual a noite da misria e desgoverno pode ser transfigurada no dia do Cristo... na era de uma nova civilizao, quando as estrelas da manh cantam em conjunto e todos os filhos de Deus proferem um brado de alegria". 
	Assim, ao mesmo tempo, a luz astral  um nimbo de mxima santidade e uma serpente vil de destruio, a mais excelsa concepo de um domnio celestial bem como do mais abjeto inferno de depravao. Se  atravs dos canais da luz astral que so executadas as calamidades universais, e se a anarquia e as catstrofes so o produto de seu desequilbrio e perturbao, segue-se que atravs desse meio, tambm, pode uma ordem nova e aprimorada de equilbrio e harmonia ser instituda sobre a Terra mesmo em nosso prprio tempo. Uma civilizao mais amvel pode, assim, ser o resultado da presente passagem a esmo pelo caos e a confuso ignbil. Eis aqui, ento, uma chave  nossa disposio. 
		Alguns tm acusado o teurgo de ser egosta no sentido de parecer primeiro empenhar-se a favor de sua prpria salvao. Na realidade, seu juramento diz respeito a essa grande realizao, essa transfigurao do mundo de desgoverno num  aeon mais claro; ele jurou ser o arauto invisvel e silente de um mundo novo e melhor. Superficialmente pode parecer que ele tenta lograr um grau de conscincia espiritual para si mesmo apenas, e que no se importa em absoluto com o bem-estar da humanidade. Mas seus esforos para alcanar a divindade finalmente redundam no sumo proveito do caminhar normal da espcie humana. "Eu ...", disse um sbio, "...se for erguido, erguerei toda a humanidade comigo." Assim  com o teurgo. Proclo observou que por meio das invocaes mgicas e a unio espiritual, as essncias divinas parecem de algum modo descer ao mundo e encarnar entre as fileiras dos homens. Quando o teurgo consumou a unio com a  Alma Universal  e se tornou uno com as grandes essncias que constituem a alma e inteligncia diretora de Ado Kadmon, o homem celestial, est  no domnio de seu  poder prestar realmente um servio incomparvel  espcie humana, pois esta ter sido sumamente exaltada pela descida dos deuses. Ser, ento, uma decisiva possibilidade executar as necessrias mudanas na substncia plstica e arqutipos do mundo da  formao, que atuaro eles mesmos conseqentemente no plano fsico e ajudaro a elevar as mentes dos homens e restaurar a harmonia e ordem eternas das esferas, fontes da vida e do ser. Mas enquanto o mago no tiver  ele prprio institudo harmonia no mbito de sua prpria conscincia, seu poder ser limitado. Enquanto a beleza e a iluminao no constiturem a ordem de sua prpria vida e enquanto ele no tiver equilibrado aquela esfera com as  Essncias Universais, os centros perenes da luz  e da  vida que sustentam o universo em todas as suas ramificaes, no ser capaz  de concretizar de maneira cabal esse sonho utpico da humanidade. 


CAPTULO  V
	Em relao  complexa controvrsia filosfica de sculos relativa  subjetividade ou  objetividade dos fenmenos, h alguns problemas sumamente abstrusos a serem resolvidos por cada teurgo. Cada um desses problemas clama imperiosamente por resposta. A Cabala deixa toda a questo aberta para ser respondida eventualmente sob a luz da experincia espiritual. Esse grande problema no  passvel de ser descurado, embora a prtica mgica no precise necessariamente ser afetada por uma opinio sustentada preferivelmente a uma outra. Muitos teurgos preferiram o bvio ponto de vista direto isento de todas as complexidades da metafsica. Considera todas as coisas individuais, os deuses e todas as foras da natureza como existindo independentemente entre si  e exteriores  conscincia individual; que o teurgo no passa de uma poro infinitesimal da grandeza majestosa da universalidade. Essa teoria pressupe que as hierarquias espirituais existem da maneira mais objetiva concebvel. Em algum lugar do universo em algum plano sutil invisvel  h uma inteligncia chamada  Taphthartharath, por exemplo, que  um ser to real em seu prprio modo como o alfaiate de algum o  no seu, e que como o alfaiate ele responde quando convocado atravs dos mtodos apropriados. Taphthartharath  assim to independente dos sentidos e conscincia do mago quanto este  independente dos sentidos de uma mosca domstica ordinria.  Ambos existem objetivamente cada um em seu prprio plano  sua prpria maneira. As mesmas observaes se aplicam aos vrios planos sutis da natureza com os quais o mago entra em contato. Embora sejam invisveis e compostos de uma substncia sutilssima e rarefeita, ainda assim, do mesmo modo, so objetivos para sua prpria mente. Assim, o progresso na teurgia implica uma unio real entre a conscincia menor do mago e a conscincia maior do deus. O primeiro  assimilado  prpria estrutura e natureza do segundo. 
	Um dos postulados fundamentais da magia  que o homem  uma imagem exata em miniatura do universo, ambos considerados objetivamente, e que aquilo que o homem percebe como existente externamente est tambm, de alguma maneira, representado internamente. Uma interpretao dessa idia fornecida por Blavatsky - e, na verdade, por todos os filsofos ocultistas, inclusive Steiner e Heindl -  que o homem foi formado pela ao de diversas hierarquias criadoras, sendo que cada uma delas no apenas contribuiu com alguma parte de si mesma, como tambm efetivamente desceu  Terra e se encarnou em natureza humana. Evidncias semelhantes existem no Livro dos Mortos, demonstrando que entre os egpcios no havia nenhuma parte do homem que no estivesse relacionada com as essncias universais; que cada membro e  parte de sua natureza era, na verdade, o membro de algum deus. Com base nessa teoria, os deuses e as essncias universais passam a ser apreendidos no domnio da constituio interior do homem, prestando-se  interpretao de que a arte tergica no envolve a convocao de entidades exteriores, que  o caso da teoria da objetividade, mas sim a revelao das faculdades inerentes ao prprio ser humano. Desse ponto de vista, a experincia mstica no se refere primariamente a qualquer assunto externo. Formulando esse elemento de um modo um pouco mais preciso, a transformao espiritual da unio  fundamentalmente um reajuste de elementos psquicos entre si, o que capacita a mquina inteira a funcionar harmoniosamente. No h necessariamente introduo atravs dos canais do ritual mgico de novas idias, ou deuses. Graas a esse meio ocorre uma expulso de idias decadentes que obstruram o processo vital com conseqncias desastrosas. A organizao psquica ou alma no estivera em harmonia consigo mesma, e atravs dos mecanismos da magia ela agora gira verdadeiramente em torno de seu prprio eixo, e ao faz-lo encontra simultaneamente sua verdadeira rbita no sistema csmico. Tornando-se una consigo mesma, efetuando este reajuste dinmico, esta retomada da integridade de sua conscincia, ela se torna una com o universo, ou com alguma poro do universo. O processo  anlogo ao que acontece no plano fsico com uma pessoa cuja mandbula, por exemplo,  deslocada. O infeliz com uma mandbula deslocada no est apenas em desarmonia consigo mesmo, como tambm com o universo; nem seus prprios esforos nem aqueles de seus amigos podem ajud-lo. Mas ento surge um cirurgio que, aplicando uma ligeira presso, coloca a mandbula no lugar; aquele homem  devolvido  harrmonia e -  claro - o universo  estaticamente transformado. Assim, a "unio com um deus" e o xtase que da advm so o resultado de harmonizar ou equilibrar por meio da magia as vrias at ento conflitantes ou separadas  pores da conscincia. Nada novo foi acrescentado  mente ou invadiu a esfera da conscincia a partir do exterior para que um homem devesse estar to iluminado e capacitado a perceber com fino arrebatamento a beleza da natureza e a glria esplndida no corao de todas as coisas. Certos centros de sua mente ou idias poderosas, at aqui latentes no interior dos departamentos de seu prprio ser, foram estimulados a tal ponto que uma sntese mais elevada e um mundo melhor so revelados. 
	Visto que  sua prpria conscincia que o mago deseja influenciar, expandir e elevar-lhe os limites,  preciso apresentar uma breve exposio dos mtodos pelos quais os teurgos concebem essa conscincia. Previamente, a rvore da Vida foi considerada como um smbolo numrico da progresso ordenada do universo a partir da idealidade; como um meio de classificao para referncia sistemtica das hierarquias espirituais; e, em terceiro lugar, como a estrutura de referncia para idias, smbolos e signos que esto presentes na magia prtica. As Sephiroth podem ser pensadas como foras csmicas, como emanaes cuja esfera principal de operao se acha no macrocosmo. Por analogia e j que o ser humano , por definio, o microcosmo, princpios similares tm preponderncia na economia humana. As hierarquias de deuses, sendo csmicas em suas atividades, so tambm, das mais grandiosas s mais modestas, representadas em alguma parte dos princpios que na sua totalidade compreendem o que conhecemos como homem, exatamente como elas em si mesmas, como a totalidade das foras csmicas, so includas na concepo unificadora do Homem celestial. O poeta celta  A. E. em seu mais recente trabalho, Song and its fountains [A cano e suas fontes], no qual ele se empenha para descobrir a fonte da criao lrica numa entidade espiritual interna alm da imaginao, percebe com suma beleza essa concepo. "Penso que poderamos descobrir se nossa imaginao  profunda fazendo os raios de nossa personalidade transbordarem para algum zodaco celeste. E, como em sonho, o ego  drasticamente dividido em  isto e aquilo e tu e eu, de sorte que na totalidade de nossa natureza esto todos os seres que os homens imaginaram, aeons, arcanjos, domnios e poderes, as hostes das trevas e as hostes da luz, e podemos trazer este ser mltiplo a uma unidade e ser herdeiros de sua sabedoria imensurvel."
	Dos grandes seres que surgiram na alvorada do tempo ao mais baixo elemental e eon, todos os deuses e foras celestes esto contidos no homem, que  o templo vivo do Esprito Santo. A Coroa, a primeira Sephira, representa o esprito auto-existente, eterno, supremo, que no nasce e no morre, e que persiste sublimemente ao longo das eras fugazes. Chamado pelos Zoharistas de Yechidah, o "nico",  por definio um ponto de conscincia metafsica e espiritualmente sensvel, indivisvel e supremo, o centro do qual flui a energia e fora do homem. O homem ntegro  um esprito, um centro eterno de conscincia, todos os outros princpios sendo variaes de suas atividades, invlucros de sua prpria substncia, espiritualidade e corporeidade sendo to-s duas facetas de uma e mesma essncia. A mnada  como um espelho e, embora imutvel em si mesma, reflete ao mesmo tempo a harmonia de todas as outras mnadas com as quais, no corpo de Ado Kadmon, est em conjuno indivisvel. Seus veculos diretos so os poderes de Chokmah e Binah - Sabedoria e Compreenso, os dois plos manifestos do instrumento criador que ela emprega. E, no entanto, no so apenas instrumentos, mas, na realidade, os mais elevados aspectos da atividade do ser espiritual cuja luz consagrada  infinita e eterna. No homem essas duas Sephiroth so representadas pelos princpios chamados Chiah e Neschamah, a vontade e a  alma espiritual cuja natureza   intuio. Existindo no plano da criao, refletindo as potncias que emanam do Eu divino no mundo arquetpico, a vontade e a alma constituem com a mnada o imperecvel  homem inaltervel. No a mnada sozinha, pois como princpio  demasiadamente abstrato e espiritualmente indiferente para ser concebido como homem, mas essa trindade de Sephiroth forma coletivamente uma unidade metafsica que  o deus interior, o criador na vida individual, o artista e o poeta, o gnio cujas criaes ideais so projetadas a partir de sua prpria essncia divina para dentro da conscincia  de despertar-de-um mundo de seu veculo imediato.  essa trade celestial, a mnada com seus veculos da vontade e intuio, a qual  efetivamente um deus, uma inteligncia divina na Terra para a obteno de experincia e autoconscincia. Quanto mais se entra em comunho com essa entidade e quanto mais firmemente est a conscincia pessoal  entrincheirada em sua conscincia mais terna e mais extensiva que tudo abarca, mais se compreende plenamente o sacramento da encarnao, atingindo o esplendor total daquele eterno milagre: a humanidade. No criador do universo individual realmente vivemos, nos movemos e somos. Contudo, to absurdos so os caminhos dos homens e a tal ponto nos desviamos do essencial, que poucos de ns conscientemente compreendem nossa divindade; que ns, como Cristo, como Buda, como Krishna somos filhos de Deus, deuses em verdade.
	Chiah  a vontade, o primeiro veculo criativo da mnada, e sua atividade  sabedoria e discernimento, bem como aquela fora misteriosa de criatividade chamada por Blavatsky de Icchashakti.  tambm como o aspecto ativo do buddhi da teosofia, normalmente o escrnio da mnada, peculiarmente conectada ao esplendor da serpente enrodilhada, a  Kundalini, simbolizada pela  Uraeus encontrada na fronte e cobertura de cabea de muitas divindades egpcias. Como Chiah  o poder criativo energtico ativo e visto que na magia prtica o basto  o instrumento cerimonial da criao, o basto  o smbolo verdadeiro da  vontade espiritual, aquele que ereto ascende aos cus, um poder de criao vigoroso e irresistvel.
	Estando Neschamah em oposio a Chiah  na  rvore,  feminina e passiva, representando a verdadeira viso espiritual da  intuio ou imaginao. Como o  clice no altar est sempre aberta para receber os ditames e comandos emitidos de cima. A ela tambm se refere a imaginao espiritualizada chamada Kriyasakti, que com a vontade constitui o poder por excelncia utilizado na magia. Esses trs princpios, como as Sephiroth superiores, existem alm do Abismo, se refletindo descendentemente no universo fenomnico da conscincia humana, no qual a alma humana provida da vontade inferior, memria e imaginao se agita. Mas enquanto essas existem abaixo do Abismo, seus numenos existem acima do Abismo sem a limitao e restrio que a mente inferior e as condies humanas geralmente impem a elas. Quanto mais algum se abre para a vontade divina e a imaginao divina do deus interior, maior se torna na manifestao da divindade de si mesmo, um orculo dos mais elevados, um veculo imaculado do mais puro fogo espiritual. Tal como um poeta ou um msico  to-somente assim e jamais diferentemente quando a inspirao apocalptica est sendo nele derramada de sua prpria fonte divina, fato que, entretanto, na maioria dos casos  sequer reconhecido e muito menos compreendido e encorajado, um homem existe como melhor mstico e maior mago na renncia em sacrifcio devoto  oblao de sua prpria vontade e ego humanos, de maneira que a Vontade de seu Pai no cu possa ser consumada na Terra. 
	Como as Sephiroth superiores e as Essncias csmicas se projetam em formas mais densas e em matria menos sutil, do mesmo modo atuam as Sephiroth  humanas em obedincia  lei do macrocosmo. Abaixo do Abismo, as cinco Sephiroth seguintes recebem o nome de Alma humana ou Ruach, um princpio composto de razo, vontade, imaginao, memria e emoo centradas na  Sephira da harmonia.  este Ruach que  o veculo criado do eu real, um mecanismo, por assim dizer, criado atravs de longos eons de evoluo, esforo e sofrimento como um recurso para obteno de contato com o mundo externo, de modo que pela experincia assim obtida o eu possa atingir uma compreenso autoconsciente de seus prprios poderes divinos e natureza elevada.  em Ruach que a autoconscincia  centrada, embora seja verdadeira a anomalia psicolgica de que esse mecanismo de percepo, desenvolvido somente como um instrumento, usurpa o poder daquele que lhe deu origem, colocando a si mesmo num pedestal como o ego, como aquele que possui poder real, discernimento, vontade e capacidade de resolver os problemas da vida. Este Ruach que chama a si mesmo de "eu", alterando-se momentaneamente com o passar do tempo, perturbado pelo fluxo e pela onda premente de pensamentos mutveis e emoes convulsivas,  precisamente a coisa que no   "eu". Simplesmente um veculo, ele assumiu - como um macaco simula as aes de seu dono - a  prerrogativa de uma existncia independente, divorciando a si mesmo de seu prprio senhor divino, a energia que exclusivamente lhe concede vida e sustento. Em magia  esse ego emprico, esse eu inferior que tem que ser oferecido em sacrifcio ao  Santo Anjo Guardio. Como o conceito de sacrifcio implica que aquilo a que se renuncia deva ser o melhor e maior sacrifcio, um Ruach bem desenvolvido, bem treinado em todos os processos da lgica e do pensamento, bem munido de conhecimento e observao, e perfeito na medida do possvel nas coisas de seu prprio domnio, constitui o maior sacrifcio que o mago pode depositar sobre o altar como uma oferenda ao Supremo. "Aquele que perder sua vida a encontrar."
	Normalmente, devido  natureza ilusria da mente em que est focalizado o centro da conscincia, e devido  sua prpria predileo por coisas inexpressivas e ilusrias, a nossa viso do eu superior est obscurecida, impedindo nosso contato mais estreito com a conscincia real, permanente e imortal que realmente nos pertence. , portanto, mediante o sacrifcio do falso ego que podemos atingir a conversao espiritual e o conhecimento do Santo Anjo Guardio. Somente atravs da renncia da mente e da completa destruio de sua natureza ilusria, o desenraizamento daquele elemento que concede egosmo a uma mera combinao de percepes, tendncias e memrias, pode o deus interior se manifestar e conferir a magnfica bno do xtase mstico  alma humana. Para que no haja uma interpretao errnea relativamente s palavras  destruio, renncia e sacrifcio do ego, entenda-se que o prprio princpio no  destrudo, o que constitui uma impossibilidade em todos os casos. Mas o falso valor do ego, sua complacncia, a iluso de que ele apenas  real e permanente, tudo o mais sendo suas criaes - isso  oferecido para a destruio.  Quando a afetao e o falso egosmo no  Ruach so desenraizados, ele  um instrumento da alma supervel por poucos. 
	A nona  Sephira  o fundamento do homem inferior.  chamada de Nephesch* e  aquele princpio lunar vegetativo e instintivo que concerne unicamente ao ato de viver. Essa alma animal  a um nico e mesmo tempo um princpio de energia e substncia plstica,  a totalidade das correntes de vitalidade bem como o molde astral invisvel na superfcie do qual os tomos grosseiros se arranjam como o corpo fsico. Como um princpio substantivo, ele  o corpo astral, o duplo plstico construdo de substncia astral  e que serve de base ou esboo do corpo fsico. Nutrido pela luz astral, precisamente como o corpo fsico  nutrido pelo produto e as energias da terra,  comparvel ao que  denominado subconsciente - a despeito de no possuir nem mente nem inteligncia prprias - de maneira que todo pensamento que temos, toda emoo que sentimos, toda ao que praticamos deixam uma impresso ou memria indelvel sobre aquela substncia, preservando assim no corpo astral o reflexo e registro automtico da vida passada. Todas, ou quase todas, as caractersticas atribudas pelos psicanalistas ao subconsciente so analogamente atribuveis a  Nephesch, ou ao menos quele aspecto de  Nephesch que diz respeito aos instintos e impulsos, e que atua como um depsito automtico de sensaes e impresses, tal como a expresso inconsciente coletivo pode muito bem ser aplicada ao nosso conceito de luz astral. Todos os instintos fundamentais de um homem, os impulsos radicais primrios que ele vivencia, pertencem  Sephira Yesod, o fundamento do qual toda a energia vital flui. 
* A nona  Sephira  Yesod. (N. T.)
	Todos esses princpios se mantm e operam como um organismo vivo no princpio do corpo fsico, Guph, atribudo  decima e ltima Sephira, o Reino**, a sede de toda fora e funo de todos os planos sutis da  natureza e de todo poder espiritual do homem; de toda verdade, e nesse sentido o corpo humano  o Templo do Esprito Santo. 
** Ou seja, Malkuth. (N. T.)
	 com respeito a  Ruach ou  Manas inferior que desejo, em particular,  me estender um pouco mais. Embora ele compreenda as cinco Sephiroth numeradas de quatro a oito inclusive, sua sede central  em Tiphareth, a esfera da harmonia e equilbrio. E embora, tambm, a vontade e a imaginao em seus aspectos vitais estejam colocadas acima do Abismo nas Sephiroth superiores na constituio imperecvel do homem interior, esto em Ruach os plidos reflexos daqueles dois poderes que so de particular interesse para os teurgos na busca de suas artes. Um outro problema que diz respeito ao mago  o fato de ser inerente a  Ruach um princpio de autocontradio que impede seu uso, independentemente de qualquer assistncia superior, para a busca da verdade e da luz. Alhures eu consegui ocupar-me um pouco dessa questo da incapacidade do homem racional de transcender o mundo fenomnico, e muito mais a respeito desse tema pode ser encontrado no esplndido tratamento de Kant das  quatro antinomias da razo no Prolegmenos, em  Aparncia e Realidade, de Bradley; e um resumo excelente se acha no Tertium Organum de P. D. Ouspensky. 
	Usando exclusivamente a razo, o ser humano jamais poder chegar a qualquer verdadeira compreenso do que ele  em si, quer dizer, nunca ser capaz de compreender apenas atravs da mente que ele  uma entidade espiritual eterna, uma estrela brilhante que resplandece pela luz de sua prpria essncia no interior do corpo brilhantemente adornado de Nuit, a rainha do espao infinito. Para conhecer realmente a si mesmo como um deus e ingressar na comunho com o criador pessoal, o homem precisa fazer uso de outros instrumentos e outras faculdades. Jmblico formula a lei com muita clareza em  Os Mistrios, que no  s pelo raciocnio discursivo ou pela  reflexo filosfica que se chega  comunho com os deuses.  por intermdio do despertar dos poderes espirituais mais elevados por meio dos ritos tergicos que se efetua a consumao das longas eras. "Pois uma concepo da mente no une os teurgos aos deuses,  visto que se este fosse o caso, o que impediria aqueles que filosofam teoricamente de celebrar uma unio tergica com os deuses?... Ora, na realidade esse no  o caso. Pois a perfeita eficcia das obras inefveis, que so divinamente executadas de uma maneira que ultrapassa toda inteligncia, e o poder de smbolos inexplicveis, que so conhecidos s dos deuses,  que concedem a unio da teurgia. Conseqentemente, ns no executamos essas coisas por meio da percepo intelectual."
	Observa-se comumente que o indivduo que  detentor apenas de escassa capacidade intelectual tem freqentemente um maior contato com uma presena espiritual e est mais aberto a intuies do que o seu irmo mais aquinhoado intelectualmente. Paracelso nos assegurou que os grandes Mistrios podem, amide, ser mais bem apreendidos por uma mulher simples na sua roca do que pela erudio mais profunda. E, se a memria no me falha, em alguma parte de seus escritos mgicos Lvi tambm observa que com freqncia os verdadeiros magos prticos so encontrados no campo, entre as pessoas incultas, os privados de intelectualidade e sofisticao, ou simples pastores. No  a falta de mentalidade ou intelecto que torna o campons superior. A ausncia de capacidade mental por parte do campons o tornaria realmente inferior, visto que  obviamente a mente que distingue o homem dos animais do campo. Mas quando essa capacidade mental  corrompida pela afetao, pelo convencimento de que ela  suprema, pelo sofisma egotstico, o que  mais freqente que o caso contrrio, ento a falta dela se torna relativamente uma grande virtude. Havelock Ellis cita um exemplo que corrobora tal afirmao. Ele narra que durante uma longa cavalgada pelo serto australiano na companhia de um tranqilo e simples fazendeiro, este subitamente lhe confessou que por vezes subia ao topo de uma colina e ficava perdido para si mesmo e para tudo enquanto permanecia contemplando o cenrio que o cercava. Aqueles momentos de xtase, de unio pelo esquecimento de si mesmo com a beleza divina da natureza circundante eram inteiramente compatveis, observa Ellis, com a perspectiva de um homem dedicado ao trabalho rduo e no sobrecarregado pela teologia, a tradio dogmtica e a sofisticao dos modos civilizados. 
	Ora,  bem verdade que os Mistrios eram e so mais facilmente compreendidos e as intuies mais freqentemente franqueadas entre os simples e no-intelectualizados (no digo destitudos de inteligncia) porque neles no existe qualquer barreira racional aos raios telsticos de Neschamah. Entretanto, visto que Ruach foi desenvolvido em virtude de uma longa evoluo, no deve ser completamente negligenciado, devendo-se, sim, encorajar seu desenvolvimento em seu prprio campo e no plano de aplicao que se coaduna com ele. E  aqui, num certo sentido, que se infiltra um certo perigo da  teurgia. No basta ao teurgo intoxicar-se de Deus e envolver-se no conhecimento e na conversao de seu Santo Anjo Guardio e das Essncias dos deuses. Por mais grandioso que isso seja, ainda no  suficiente; pois dentro dele, cuja mente est desordenada, ignorante e indisciplinada, os deuses vertem seu vinho em vo. Pelo fato de se ter renunciado  razo a fim de se alcanar uma sntese mais elevada e uma espcie mais nobre de conscincia, no h motivo para negligenciar a aplicao daquela faculdade s matrias pertinentes ao seu  prprio lugar na natureza. Essa  a razo porque no sistema de Pitgoras a gramtica, a retrica e a lgica eram ensinadas para cultivo e aprimoramento da mente, e tambm a matemtica porque os mtodos dessa cincia eram disciplinados e ordenados. A geometria, a msica e a astronomia tambm eram ministradas, sendo desenvolvido a partir da um sistema de smbolos. No incorrer em erro o moderno teurgo que seguir esse plano de treinamento intelectual. O cultivo do discernimento intelectual  uma tarefa essencial, mas feito isso, restar ainda uma passo a ser dado. "O rei-mago...", escreve Vaughan,  "...constri sua torre de especulao pelas mos de trabalhadores humanos at atingir o andar mais alto, e ento convoca seus gnios para confeccionarem as ameias adamantinas e as coroa com o fogo das estrelas."  pouco proveitoso contemplar as ameias da torre enquanto a prpria torre for uma possibilidade. Tampouco  particularmente aconselhvel construir o pice da pirmide antes de providenciar a base  na qual a pirmide possa se assentar. Mas uma vez esteja ali a base e a torre da razo tenha sido construda, as ameias e o pice da experincia espiritual passam a ser uma necessidade urgente. 
	Assim, o objetivo supremo de todo ritual mgico  a construo do pice da pirmide e a instalao das ameias na torre intelectual; em outras palavras, a comunho com o eu superior. Para todo homem  esse o mais importante passo e nenhum outro se compara a ele em importncia e validade at que essa unio tenha sido realizada. Traz consigo novos poderes, novas extenses da conscincia e uma nova viso da vida. Arroja um raio brilhante de luz nas fases at ento escuras da vida, removendo da mente as nuvens que inibem a glria da luz espiritual. Com o atingimento da  viso e do perfume percebe-se, como percebeu Jacob Boehme, o campo inteiro da existncia natural literalmente fulgurar com um esplendor divino incomparvel, de modo que mesmo as rvores erguem seus cimos para os cus e as relvas nos prados verdes gentilmente entoam cantos de louvor e ao de graas, oferecendo hinos de glria   luz suprema. 
	Na plenitude do Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio, o teurgo  capaz de prever mediante a extenso da luz da razo que outros passos tm que ser dados na grande busca que no findou com a iluminao do Anjo, mas que, ele percebe, apenas comeou. O universo todo  uma vasta gama de hierarquias espirituais, e o Santo Anjo Guardio se posta em apenas um degrau da escada que se estende acima e abaixo para o infinito. O teurgo percebe que ele  somente uma centelha emitida da essncia espiritual de um deus, e por mais estupendamente brilhante que seu prprio anjo seja, se, como os princpios de sua arte o ensinam, esse anjo seja apenas uma centelha, quo mais glorioso  o deus que lhe deu origem? Assim, sua aspirao sob a orientao de seu anjo  sempre dirigida para cima e para a frente, promovendo sua viso interior para a Vida una, para o Ain-Sof, a fonte inominvel de tudo. A natureza no procede por solavancos ou por desfiladeiros intransponveis ou saltos. Ela progride numa marcha gradual, e essa onda de progresso estvel para a frente o teurgo procura imitar. A unio com o  Ain-Sof  no pode ser efetivada imediatamente;  mister que ele suba a escada da vida  lentamente, unindo-se em cada degrau em amor e sabedoria com cada hierarquia superior, at que a  Luz eterna ilimitada seja alcanada. Jmblico concebe o mesmo procedimento nas seguintes palavras: "E quando a alma O recebeu como seu condutor, o  daimon  imediatamente preside  alma, concedendo completamento s suas vidas, e a prende ao corpo por ocasio de sua descida. De modo semelhante, ele governa o animal ordinrio da alma e dirige sua vida peculiar e nos proporciona os princpios de todo nosso pensamento e raciocnio. Igualmente executamos tais coisas conforme ele sugere ao nosso intelecto e ele prossegue nos governando at que atravs da teurgia sacerdotal, obtenhamos um deus para guardio supervisor e condutor da alma; pois ento o daimon cede ou entrega seu governo a uma natureza mais excelente, ou  submetido ao deus como colaborador na sua guarda, ou de alguma maneira  ministrante com ele como se fosse seu senhor. "
	No  bem que o Santo Anjo Guardio cede o governo da alma humana  presena do deus, e sim que a alma, j unida ao anjo e assim formando um ser completo, se une de maneira similar ao deus. Ou, talvez, que o anjo que tomou para si mesmo a vida da alma tenha, correspondentemente, assumido a vida ampla e superior  do deus, o qual para o anjo  como o anjo era primeiramente para a alma. Prosseguindo, Jmblico acrescenta: "Ademais, depois dela (quer dizer, a teurgia) ter unido a alma s diversas partes do universo e aos poderes divinos totais que por ela passam, ento guia a alma e a deposita no ntegro demiurgo, fazendo-a ser independente de toda matria e estar co-unida com a razo eterna somente. Mas o que quero dizer  que ela liga peculiarmente a alma com o deus autogerado e automovido e com os poderes intelectuais que tudo sustentam e tudo embelezam do deus, e igualmente com aquele poder dele que eleva  verdade, e com seus poderes de auto-aperfeioamento, de eficincia e outros poderes demirgicos, de maneira que a alma tergica se torna perfeitamente estabelecida nas energias e inteleces demirgicas desses poderes. E ento a teurgia tambm insere a alma no deus demirgico integral, findando aqui com os egpcios o assunto da elevao da alma  divindade pelo sacerdcio."
	Dificilmente se poderia descobrir uma viso mais grandiosa e mais completa. A teurgia se prope tomar um homem, despoj-lo gradualmente, por assim dizer, de tudo que no seja essencial e penetrar, finalmente, na alma interior. Ento essa alma interior  exaltada e guindada, sempre de maneira gradual, at que ela encontre seu  Senhor soberano, o  Amado. Guindando-a cada vez mais alto, embora ainda humano num corpo fsico de carne e sangue, o homem  elevado alm dos cus, ingressando na unio e comunho espirituais com os poderes que so o universo, as fontes que proporcionam vida e sustentao ao conjunto da existncia manifesta. Ultrapassando-os, a alma plana e ascende, transcendendo mesmo aos deuses que surgiram ao primeiro rubor da aurora dourada, at que com um xtase incomparvel de silncio, ela retorna  Grande Fonte de Tudo. 


CAPTULO  VI
	A magia superior, como foi demonstrado, tem como um dos seus objetivos uma comunho com o divino tanto aqui quanto no porvir, uma unio para ser obtida no por meio de uma mera doutrina e especulaes intelectuais estreis, mas sim pelo exerccio de outras faculdades e poderes mais espirituais em ritos e cerimnias. Por divino os teurgos reconheciam um princpio eterno espiritualmente dinmico, e sua manifestao refrata em  seres cuja conscincia, individual e separadamente, so de um grau de espiritualidade to grandioso e sublime a ponto de realmente merecerem o nome de  deuses. Essa , obviamente, a viso objetiva, e eu me referirei aos deuses neste captulo somente desse ponto de vista, deixando ao leitor a liberdade de interpret-los de modo diverso, se assim o quiserem. 
	Uma advertncia deve, entretanto, ser feita aqui. No se deve pensar que os teurgos e os filsofos divinos eram politestas em qualquer sentido comum. Uma tal concluso estaria, de fato, bem distante do que  realmente verdadeiro. Mesmo para os egpcios, que possuam um panteo repleto de hierarquias e deuses celestiais e que so acusados to freqentemente de serem primitiva e grosseiramente politestas, E. A. Wallis Budge profere uma defesa, pois embora os no-instrudos apreciassem uma pluralidade de deuses, "os sacerdotes e as classes instrudas que eram capazes de ler e compreender os livros adotaram a concepo do Deus nico, o criador de todos os seres no cu e na terra, os quais, por falta de uma palavra melhor, eram chamados de  deuses". 
	Essa  a posio do ponto de vista empregado na magia. Primariamente, h apenas uma Vida onipresente que penetra todo o cosmos. Permeia e vibra em todo canto e poro do espao, sustentando a vida individual de todo ser que existe em qualquer um dos mundos infinitos. Desconhecido em si mesmo, visto que  onipresente e ilimitado em toda direo e exaltado alm do alcance intelectual, jamais poderia ser compreendido pela mente humana. Mas  preciso que se compreenda que a partir Dele procedem todos os deuses, todas as almas humanas e espritos e toda coisa concebvel que . De um certo modo, incompreensvel ao nosso entendimento finito, a energia negativa e passiva homogeneamente espalhada atravs do espao se tornou  vivificada, formando ela mesma centros ativos primrios que, com o desenrolar de eons de tempo, expandiu-se e gradualmente evoluiu para o cosmos. Com esses centros, as primeiras manifestaes, brotou da  homogeneidade latente um grupo heterogneo de entidades divinas ou foras inteligentes csmicas que se tornaram os arquitetos e construtores do universo. Da prpria essncia espiritual individual deles, hierarquias menores nasceram, as quais, por sua vez, emanaram ou criaram a partir de si mesmas ainda outros grupos at que finalmente as almas humanas vieram a ser a descendncia refletida dos deuses abenoados. Essas foras inteligentes receberam nomes variados, deuses, daimons, essncias universais, dhyan chohans, eons, teletarchae e muitos outros. Todos implicam a mesma idia fundamental de centros conscientes (embora no necessariamente autoconscientes, intelectuais) de fora, sabedoria e inteligncia que emanam ou criam, de uma maneira ou de outra, a partir de si mesmos o universo finito manifesto.             
	Essas foras csmicas ou deuses eram estudados pelos teurgos egpcios com muito rigor, e seus atributos cuidadosamente observados e registrados sob a forma de parbolas, alegorias, mitos e lendas. Mesmo nos pictogramas convencionais de suas divindades, cada um dos emblemas tem uma importante significao que  ao mesmo tempo profunda nas suas implicaes e simplesmente eloqente na descrio das caractersticas de determinado deus. Por exemplo, uma pena azul  levada  mo de um dos deuses, ou encimando a cobertura de cabea, implicava a verdade, firmeza e retido, enquanto um cetro tinha a finalidade de transmitir a idia de que um certo deus era detentor de suprema autoridade e soberania. Cada smbolo e sigillum portados pelo deus em alguma parte de sua pessoa constituam uma pista para a natureza inerente a ele. Os mitos e as lendas relativos aos deuses passados  posteridade pelos sacerdotes egpcios no eram meras invenes ociosas produzidas por homens ignorantes, embora imaginativos, que no tinham coisa melhor para fazer, ocupando-se com a narrao de histrias e a urdidura de fices agradveis ou desagradveis baseadas em invencionice. Pelo contrrio, longe de puerilidade, em cada uma dessas lendas e descries pictricas dos deuses est oculto um patrimnio de conhecimento transcendental para todo aquele que for capaz de perceb-lo. Relativamente a um povo to perspicaz como o egpcio, um povo que desenvolveu uma civilizao resistente cujos restos permanecem como nobres monumentos at os dias de hoje, dificilmente se poderia acreditar que seus mitos no passem de contos interessantes, como se os deuses reconhecidos por eles no tivessem existido ou tenham sido, no mximo, fantasias infantis. Jamais se deve considerar que o panteo egpcio, particularmente os deuses associados aos cultos tergicos, era em qualquer grau mtico no sentido de que era o resultado do jogo divertido de uma frtil faculdade inventiva. O homem primitivo no "criou" os deuses, como pensam tantos aprendizes modernos de teologia comparativa, destitudos de toda simpatia e gnio religioso. O que ele realmente fez, talvez inconscientemente, foi aplicar nomes (e mesmo esses nomes eram carregados de significado) e faculdades quase humanas a esses "poderes" ou grandes foras da natureza que observava com tanta preciso, e que ele acreditava serem, com justeza suficiente, manifestaes ou smbolos do divino. Todos os pensamentos e idias, todo o grande saber e conhecimento dos egpcios encontraram sua expresso pictrica na alegoria, na parbola e nas pinturas. Assim ns os recebemos hoje. Descartar seu sistema bem desenvolvido de lenda e mitologia instrutivas como absurdo e infantil s indica a postura de uma inteligncia superficial e pueril. Pode-se demonstrar que basta um pouco de estudo para revelar uma profundidade de discernimento que nunca se compreendeu antes existir. Alm disso, as vinhetas e os smbolos pintados dos deuses com os quais os egpcios estavam habituados a decorar seus papiros, pelo mesmo motivo no so meramente desenhos infantis descritivos de vagas opinies intelectuais. Cada deus na mitologia egpcia tinha uma precisa e bem-definida funo a executar no cosmos - criadora, preservadora ou destruidora, de acordo com o caso - e tal funo fora confirmada com preciso pela observao, tanto secular quanto tergica, levada a cabo por um longo perodo de tempo, e as qualidades e natureza dos deuses eram expressas em gravuras. Que os egpcios concebiam que Ra, o deus-Sol, realmente existia naquela forma artstica convencional em que o pintavam, no estou disposto a acreditar; tampouco que achavam que o sol  meia-noite assumia  a forma de um escaravelho. Em que realmente acreditavam  que o escaravelho, como smbolo, exprimia de vrias maneiras sutis a natureza do sol aps o poente. A vaca, analogamente, era um smbolo de fertilidade exuberante, a bis, um smbolo de sabedoria e suprema inteligncia. O falco, devido  sua capacidade de permanecer equilibrado no firmamento, constitua um smbolo perfeito do eu divino que, desapegado de todas as coisas da terra e da forma, as observa com o olho da equanimidade. O assunto todo deve ser cuidadosamente estudado, e se a metade do zelo e ateno que o homem comum dedica ao seu jornal no dia-a-dia forem dedicados pelo leitor ao estudo dos deuses, muito conhecimento til de profunda importncia para a magia ser obtido. 
	A evoluo e o desenvolvimento do cosmos, espirituais e fsicos, foram primeiramente registrados pelos filsofos em mudanas geomtricas da forma. Toda cosmogonia esotrica usava um crculo, um ponto, um tringulo,  um cubo e assim por diante. Esses mais tarde foram incorporados numa forma geomtrica simples que  chamada na Cabala de  rvore da Vida. Aplicou-se a cada desenvolvimento csmico um nmero, e existindo como o significado especfico do nmero ou a fase particular de evoluo, havia a atividade de um deus ou de uma hierarquia de deuses. Assim, na Cabala temos dez emanaes principais. A cada uma dessas um nmero  atribudo e em cada nmero, portanto, est encerrado um deus. H dez sries de hierarquias de foras csmicas, espirituais, dinmicas e inteligentes, cujas operaes em concerto resultam na formao do universo fsico. A tradio dos teurgos as classifica numa escala descendente de pureza e espiritualidade, dos deuses aos arcanjos, inteligncias e espritos. 
	Considerando-se que em magia o objetivo  obter de uma maneira ou de outra uma unio espiritual estreita e duradoura com essas divindades csmicas, que so as realidades essenciais e as fontes de sustentao e vitalidade,  aconselhvel dar uma breve descrio delas tal como entendidas pelos egpcios. Na tabela que se segue elas so classificadas de acordo com suas hierarquias e escala de graduao, e a interpretao ser auxiliada se o leitor se recordar das afirmaes feitas num captulo anterior a respeito das  Sephiroth. 
	Com relao a cada um desses deuses, apresentarei uma curta descrio baseada em textos de egiptologia, deixando a critrio do leitor a interpretao que desejar. A natureza dos arcanjos, inteligncias e espritos cujos nomes so indicados na tabela, ser revelada pelos atributos da divindade regente. 
	Correspondendo ao desenvolvimento csmico representado entre os cabalistas  por Kether, a Coroa, temos a divindade egpcia Ptah, sendo que o significado de seu  nome  o franqueador. Para os egiptlogos isso parece ter sido um obstculo em suas classificaes, pois no caso de se supor que ele estava associado com a abertura do dia mediante o sol,  suficientemente singular o fato de nunca formar um dos importantes grupos dos deuses solares nos textos hierticos. Em O livro dos mortos seus atributos no guardam a menor relao com Ra, Khephra e Tum, os deuses ligados ao nascer do sol, ao  pr-do-sol e ao seu obscurecimento  meia-noite. Dentro do delineamento da filosofia mgica, contudo, no , em absoluto, difcil compreender em que sentido Ptah  chamado de O Franqueador. Visto que seu aparecimento inaugurou ou deu incio a um ciclo de manifestao csmica  ele  assim chamado, e  ele o Logos oculto, a essncia metafsica central da qual tudo se originou. Essa interpretao parece ser corroborada  por  vrias ilustraes nas quais ele  mostrado confeccionando o ovo do mundo num torno de oleiro. Budge, confirmando, tambm salienta que a raiz etimolgica de Ptah  cognata com o significado de uma outra palavra que significa esculpir ou talhar. Essa raiz cognata posiciona o deus de maneira excelente, como o faz a palavra artfice que aparece nos textos, pois no s abre Ptah o ciclo evolucionrio como  tambm ele quem, emergindo das trevas triplamente desconhecidas,  o Grande Arquiteto do Universo, dando, juntamente com Thoth e sis, nascimento s coisas manifestas. Dizia-se dele que era "o grandioso deus que veio a ser no tempo mais remoto"  e para indicar de modo conclusivo sua natureza ele tambm era considerado o  "pai dos princpios e criador do(s) ovo(s) do Sol e da Lua". 
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Nmero  Sephira     Planeta    Deus         Arcanjo    Coro de anjos    Inteligncia             Esprito do planeta
                                                                                                                    do planeta
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     	1        Kether              -        Ptah,           Metraton      Chayos                   -                                       -
                                                    Amon                              haQadosh
	 2         Chokmah        -       Tahuti          Ratziel         Ophanim                -                                       -
	3         Binah         Saturno    sis              Tsafkiel       Arilim                  Agiel                            Zaziel
	 4         Chesed       Jpiter     Maat            Tsadkiel      Chashmalim         Iophiel                         Hasmiel
	5         Geburah      Marte      Hrus           Kamael       Seraphim              Graphiel                     Bartzbael
	 6         Tiphareth     Sol         Ra,               Raphiel       Malachim              Nachiel                      Soras
                                                     Osris
	 7          Netzach    Vnus       Hathor         Haniel         Elohim                   Hagiel                       Kadmiel
	8          Hod        Mercrio    Anbis         Michael       Beni Elohim           Tiriel                       Taphthartharath
	 9           Yesod       Lua           Shu,             Gabriel        Querubim            Tarshishim ve-Ad      Hasmodai
                                                     Pasht                                                             		Ruach Shechalim
	10           Malkuth   -             Seb               Zaziel           Ishim                        -                                  -
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	Na mesma categoria que Ptah, como uma correspondncia da mesma srie de idias filosficas ligadas  Coroa, existe o deus Amon ou Amen. Ele era o poder criativo invisvel que era a fonte de toda a vida no cu, na terra e no mundo inferior, finalmente fazendo a si mesmo manifesto em Ra, o deus-Sol. O prprio nome indica aquele que  oculto ou dissimulado, e nos tempos de Ptolomeu essa expresso associou-se a uma palavra que significa  subsistir  e tambm ser permanente. Num dos documentos sacerdotais o deus  saudado em tais termos de modo a nos fornecer uma descrio narrativa de sua real natureza.  "A alma santa que veio a ser  no princpio... a primeira substncia divina que deu origem s duas outras substncias divinas; o ser atravs do qual todo outro deus existe."
	H, alm disso, uma considervel quantidade de evidncias que nos levam a crer que Osris poderia ser atribudo a essa mesma categoria. O prospecto do Museu Britnico do Livro dos mortos afirma que uma princesa egpcia podia saudar Amen-Ra e Osris no como dois deuses distintos, mas como dois aspectos do mesmo deus. Ela acreditava que o poder criador "oculto" de que era investido Amen era apenas uma outra forma do mesmo poder tipificado por Osris. Com toda certeza, entretanto, Osris tem que ser saudado como a encarnao humana do poder criador, a assuno em humanidade do deus mais supremo, um avatar, se assim se preferir, do Esprito supremo. Todas as razes levam a crer que seja este o ponto de vista acertado a respeito de Osris, pois ele tambm permaneceu para a renovao do nascimento e uma ressurreio espiritual, tipificando o Adepto iluminado, purificado pela provao e pelo sofrimento; algum que morreu e, depois de descer ao mundo inferior, miraculosamente ressuscitou glorificado para reinar eternamente nos cus. Na medida em que este  o caso, ele ser considerado como um tipo pertencente a  Tiphareth. H, contudo, um aspecto dele,  Asar-Un-Nefer, Osris feito beneficente ou perfeito em cuja forma defica ele  uma representao mas adequada daquela fase de Kether que  o aspecto mais real e mais profundo da individualidade. 
	A natureza de Thoth ou Tahuti e a descrio das caractersticas que os egpcios atribuam a ele no deixa o menor motivo para dvida quanto  sua imediata atribuio a  Chokmah. Ele  sabedoria e o deus da sabedoria, e como observado por Budge,  a personificao da inteligncia de todo o conjunto dos deuses. O nome Tahuti parece ser derivado  daquele que se supe ser o nome mais antigo da bis, que  uma ave que sugere pela sua prpria postura meditao e conseqentemente sabedoria. H uma excelente descrio dos atributos de Thoth no livro de Budge Os deuses dos egpcios que eu cito a seguir: "Em primeiro lugar, julgava-se ser ele tanto o corao quanto a lngua de Ra, quer dizer, ele era a razo e os poderes mentais do deus, e o meio pelo qual a vontade dele era traduzida em discurso; num certo aspecto ele era o prprio discurso e em tempos posteriores ele pode muito bem ter representado, como afirmou o dr. Birch, o Logos de Plato. Em toda lenda na qual Thoth desempenha um papel de destaque, percebemos que  ele quem profere a palavra que resulta na concretizao dos desejos de Ra, e  evidente que uma vez tivesse ele pronunciado a palavra de comando, esse comando no poderia deixar de ser cumprido por um meio ou outro. Ele proferiu as palavras que tiveram como resultado a criao dos cus e da Terra... Seu conhecimento e seus poderes de clculo mediram os cus e planejaram a Terra e tudo o que se acha neles; sua vontade e seu poder mantiveram as foras no cu e na Terra em equilbrio; foi sua habilidade na matemtica celeste que possibilitou o uso correto das leis sobre as quais os fundamentos e a manuteno do universo se apiam; foi ele quem dirigiu os movimentos dos corpos celestes e seus tempos e estaes". Ele era, em suma, a personificao da mente de Deus ou o Logos, e como o poder todo penetrante, governante e dirigente do cu, ele configura um aspecto da religio egpcia  "que  to sublime quanto a crena na ressurreio dos mortos num corpo espiritual, e quanto a doutrina da vida eterna".
	Palas Atena  a deusa grega da sabedoria que, segundo o mito, emergiu totalmente armada do crebro de seu poderoso pai, Zeus. Urano, o deus dos cus estrelados, poderia tambm ser colocado nessa mesma categoria com Thoth e Atena, pois deve ser mencionado que tradicionalmente Chokmah  tambm chamada de a  esfera das estrelas fixas. 
	sis, correspondendo a  Binah, era considerada a fonte do universo, a primeira prognie das eras, governante do cu, do mar, e de todas as coisas na Terra, e era a  Me superior que o conjunto do mundo antigo venerava sob diversos nomes. Foi to vinculada  rainha do cu como a compassiva e onipotente senhora de ambos os mundos, que ela atraiu para si uma grande multido de devotos e sinceros adeptos. Resumindo concisamente Budge no que concerne a  sis, podemos afirmar que ela era considerada a grandiosa e benevolente Me cuja influncia e amor dominavam a totalidade do cu, da Terra e a morada dos mortos, sendo ela a personificao do grande poder reprodutivo passivo que concebia imaculadamente e gerava toda criatura e coisa vivas. O que gerava ela protegia, cuidava, alimentava e nutria; empregava sua prpria vida usando seu poder de modo amvel e bem-sucedido, no apenas criando coisas novas como tambm restaurando aquelas que estavam mortas. Ela era, alm de todas essas coisas, o tipo mais elevado de esposa e me fiel e amorosa. Era nessa qualificao e capacidade que os egpcios a honravam e veneravam mais. Conforme a lenda, agora familiar, Osris, seu marido, foi assassinado graas  astcia de seu irmo Tfon ou Set (emblemtico do aspecto destrutivo da natureza) e seu corpo forado para dentro de uma caixa que, aps ter sido lanada ao Nilo, foi conduzida ao mar. Depois de uma longa e cansativa busca, sis a encontrou e a escondeu num stio que julgava seguro, onde, contudo, foi descoberta por Tfon, o qual malignamente esquartejou o cadver. Os incidentes da busca que ela empreendeu do corpo mutilado e a concepo e nascimento de seu filho Hrus, impressionavam vigorosamente a imaginao dos egpcios, de modo particular quando a lenda narra a ajuda na busca dada por Thoth, o deus da  sabedoria e da magia, o qual graas  sua habilidade nas artes tergicas foi capaz de comunicar a ela os processos e palavras de poder que temporariamente ressuscitaram Osris e o capacitaram a gerar nela o filho-deus Hrus.
	Alm do acima exposto h a lenda obscura relativa  parte da ajuda segundo a qual sis paradoxalmente fez concesses a Tfon na batalha travada por Hrus que, enraivecido pela aparente traio de sua me, matou-a e a decapitou. Entretanto, imediatamente Thoth transformou a cabea de sis na de uma vaca, a qual ele prendeu ao corpo dela. De maneira prpria, essa lenda indica a relao que existe entre sis, a Me e a deusa-vaca Hathor, muitos dos atributos desta parecendo coincidir em muitos aspectos significativos com os atributos de sis. A rvore da Vida, prenunciando diagramaticamente o processo de evoluo, deve ser de algum auxlio para a compreenso da idia subjacente a esta lenda, como deve ser tambm a lenda grega referente a Cronos, que  tambm uma atribuio de Binah. Nessa lenda descreve-se Cronos destituindo seu pai Urano do governo do mundo, do qual Cronos  destitudo, por sua vez, pelo seu prprio filho, Zeus. Blavatsky d uma explicao sugestiva dessa parbola em A doutrina secreta. Grosso modo, sugere que Cronos significa durao eterna, sem princpio e sem fim, alm do tempo e espao divididos. Diz-se alegoricamente que esses deuses que nasceram para atuar no espao e no tempo, ou seja, atravessar o crculo do domnio espiritual para o plano terrestre, se rebelaram contra Cronos e combateram o (ento) nico deus vivo e supremo. Por sua vez, quando Cronos  representado mutilando seu pai, o significado da mutilao  simples. O tempo absoluto  feito para se tornar o finito e a condio; uma poro  furtada do todo, mostrando assim que Cronos, o pai dos deuses, foi transformado da  durao eterna para um perodo limitado de tempo. A mesma interpretao pode, igualmente, ser aplicada  decapitao de sis, resultando na transio dela como uma deusa criadora superior a um plano terrestre inferior. 
	Maat, a deusa atribuda  esfera de  Chesed,  no antigo sistema egpcio estreitamente aliada a Thoth, to estreitamente, de fato, a ponto de poder ser quase considerada como sua contraparte feminina. O tipo de smbolo dessa deusa  a pena de avestruz, simples ou dupla, que est sempre presa  sua cobertura de cabea ou segura em sua mo. Primordialmente indicando "aquilo que  reto", a  palavra maat era usada num sentido fsico e moral, de maneira que finalmente passou a significar "correto, verdadeiro, probo, justo". Essa deusa incorpora ento as idias de lei fsica e moral, ordem, verdade e regularidade csmica. Pode-se observar que muitos desses atributos de Maat so, de forma semelhante, significados atribudos pelos astrlogos ao planeta Jpiter, que constitui uma das correspondncias da mesma  Sephira a que Maat  atribuda. Como um poder moral, admitiu-se ser Maat a maior das deusas, e ela chegou a ser a senhora do salo do juzo no Tuat ou mundo inferior, onde a pesagem do corao ocorria na presena de Osris. Geralmente representada como uma mulher sentada ou de p, ela segura numa das mos o cetro da soberania e na outra o ankh, o smbolo da vida. Algumas figuras a mostram munida de um par de asas, cada uma presa a um brao, e em alguns poucos casos ela  retratada portando a pena da verdade sobre sua cabea, ereta, sem qualquer cobertura de cabea. 
	O Jpiter romano era originalmente uma divindade elementar, sendo venerada como o deus da chuva, tempestade, trovo e relmpago. O senhor do cu e o prncipe da luz, ele era o deus que previa o futuro, e os acontecimentos que previa ocorriam como resultado de sua vontade. Zeus  seu equivalente grego e ambos so atribudos a  Chesed. 
	A traduo da quinta Sephira, Geburah como "fora" associada  sua correspondncia astrolgica de Marte, de maneira sumamente apropriada resume a caracterstica de Hrus. Ele  o deus egpcio da  fora detentor de muitas formas, das quais duas so as mais importantes: Hoor-paar-Kraat e Heru-Khuti. Como o primeiro, o grego Harpcrates, ele  representado usando uma mecha de cabelo, o smbolo da juventude radiante, do lado direito de sua cabea; s vezes, tambm, ele usa a coroa tripla com plumas e discos como cobertura de cabea, e ocasionalmente o disco apenas com plumas. Na maioria dos casos ele  retratado com seu dedo indicador erguido at seus lbios em sinal de silncio. Como Heru-Khuti, "Hrus dos dois horizontes",  usualmente representado como um falco, usando um disco solar envolvido por uma serpente Uraeus, ou uma coroa tripla ou ateph. Era estreitamente vinculado ao deus-Sol e representava o disco solar em seu percurso dirio atravs dos cus do nascer ao pr-do-sol. Mas  como Hrus, o filho de sis e Osris, que ele se liga a Geburah, em seu aspecto do vingador do assassinato e da violao dos restos mortais de seu pai. Representado como um falco, era capaz, das alturas do cu, de ver os inimigos de seu pai, que ele perseguia, assim diz a lenda, sob a forma de um grande disco alado. Com tal fria e vigor atacava esses inimigos que todos estes perdiam seus sentidos, no podendo nem ver com seus olhos nem ouvir com seus ouvidos. As assertivas relativas a Hrus contidas no prospecto do Museu Britnico so to interessantes nesse sentido que as transcrevemos a seguir: 
	"Quando Hrus atingiu a maturidade ele se ps a caminho para achar Set e travar guerra contra o assassino de seu pai. Finalmente eles se encontraram e uma luta brutal se seguiu. Embora Set fosse derrotado, antes de ser por fim arremessado ao solo, conseguiu arrancar o olho direito de Hrus e guard-lo. Mesmo aps essa luta, Set pde perseguir sis, estando Hrus impotente para impedi-lo at que Thoth fez Set entregar-lhe o olho direito de Hrus que ele arrebatara. Thoth ento levou o olho a Hrus e o recolocou em sua face, devolvendo-lhe a viso cuspindo sobre ele. Hrus, a seguir, procurou o corpo de Osris a fim de restituir-lhe a vida, e quando o achou desatou as bandagens para que Osris pudesse mover seus membros e ressuscitar. Sob a direo de Thoth, Hrus recitou uma srie de frmulas  medida que apresentava oferendas a Osris ...Abraou Osris e assim transferiu a ele seu ka, isto , sua prpria personalidade e virilidade vivas, e lhe deu seu olho, aquele que Thoth resgatara de Set e recolocara em sua face. Logo que Osris comeu o olho de Hrus... recuperou com isso o completo uso de todas as suas faculdades mentais que a morte suspendera. Prontamente ergueu-se de seu esquife e se tornou o Senhor dos Mortos e Rei do mundo inferior."
	Marte e Ares so os equivalentes grego e romano, sendo venerados como os deuses da guerra e das batalhas, prosseguindo com a idia essencial de Geburah, fora, vigor e energia. 
	 relativamente a  Tiphareth e aos deuses a ela associados que desejo me alongar um pouco mais porquanto so eles que mais do que quaisquer outros concernem  aspirao do mago. Como Tiphareth  a esfera da beleza e da harmonia, bem como a  "casa da alma", os deuses tradicionalmente associados a essa Sephira so, de modo peculiar, simbolizadores e representativos da alma glorificada, ou o Santo Anjo Guardio. Dionsio, Osris, Mitra e muitos outros so todos tipos de imortalidade, beleza e equilbrio. Maurice Maeterlinck sintetizou esplendidamente toda a posio filosfica a este respeito. "Dionsio" diz ele, "... Osris, Krishna, Buda; ele  todas as encarnaes divinas;  o deus que desce ao homem, ou melhor, manifesta a si mesmo no homem; ele  morte, temporria e ilusria, e renascimento, real e imortal;  a unio temporria com o divino que no  seno o preldio da unio final, o ciclo infindvel do eterno  tornar-se." As divindades tpicas de Tiphareth, por conseguinte, representam a alma iluminada, exaltada mediante o sofrimento, aprimorada  mediante a provao e ressurgida em glria e triunfo. Pode-se supor que Osris seja distintamente representante dessas divindades rejuvenescentes, e h evidncias favorveis ao fato de desde o incio Osris ter sido para os egpcios o homem-deus que sofreu e morreu, e ressuscitou para ser rei do domnio espiritual. Os egpcios acreditavam que podiam herdar a vida eterna como ele fizera visto que o que fora feito pelos deuses para ele, fora feito para eles, o que supria a base racional para a execuo do chamado ritual dramtico. Celebravam rituais de maneira a poderem compelir ou persuadir Osris e os deuses que haviam produzido sua ressurreio (a saber, Thoth, "o senhor das palavras divinas, o escriba dos deuses", sis, que empregava as palavras mgicas que Thoth lhe concedera e Hrus e os demais deuses que realizaram os ritos que produziram a ressurreio de Osris) a atuar a seu favor tal como tinham atuado a favor do deus. 
	A venerao de Mitra e Dionsio emerge da mesma raiz bsica. Liga-se, tambm, ao triunfo espiritual do homem-deus e o retorno do deus-Sol que, como um smbolo da alma aperfeioada, entrou na conscincia humana do ser humano, e tendo iluminado a mente e redimido as trevas de sua vida, torna o esprito aprisionado leve e jubiloso. Krishna, igualmente,  um smbolo do homem-deus, pois nele esprito e matria foram equilibrados, e se convertendo num  avatar, a morada terrestre do esprito universal, ele resumiu numa personalidade humana as qualidades duplas de um deus, imortal e esttico, juntamente com todas as caractersticas tpicas da espcie humana. 
	O Sol  tambm atribudo a  Tiphareth. Assim, Ra - incluindo Tum e Kephra, o sol poente e da meia-noite - pertence a essa srie de deuses. A concepo do sol era to santa para o egpcios que eles concederam a Ra os atributos de luz e vida divinas; ele era a personificao do correto, da verdade, bondade e, conseqentemente, o destruidor das trevas, da noite, da perversidade e do mal. Suas relaes com Osris, que era parte deus, parte homem e a causa e tipo de imortalidade para a humanidade, eram de imediato aquelas de um deus, um pai e um igual. Era em Ra que algumas das mais nobres concepes religiosas dos egpcios se concentravam e de deus solar, o doador do sustento e da vitalidade, tanto fsicos quanto espirituais, aos habitantes da Terra, ele se tornou identificado a Amon, o poder criador oculto que dera origem a todo o universo manifesto. 
	A natureza de Osris  bem conhecida nas lendas. Ele ensinou como usar o cereal e a cultivar a uva aos homens, sendo que nessa ltima fase  claramente identificado com Dionsio-Baco, o deus da vitalidade transbordante e dos xtases para os gregos. Com o tempo Osris passou a ser considerado o rei dos mortos e o guia das almas saindo das trevas da terra para o domnio venturoso onde, conforme sua teologia, as almas gozariam da viso plena da divindade, sem restries. Aquele que partiu desta vida, se a vida fora bem vivida,  de uma maneira mstica identificado com Osris. Na vida do deus ele tambm no desempenha papel sem significao. Dionsio era venerado na Grcia como o poder que produzia folhas, flores e frutos nas rvores. A vinha, com seus cachos de uvas das quais procedia o vinho que alegrava os coraes dos homens, era seu maior encargo, mas de modo algum o nico. Como deus das rvores e da vinha, ele  uma divindade afvel e gentil, enobrecendo a humanidade e a vida dessa, comprazendo-se na paz e na fartura, proporcionando riqueza e exuberncia aos seus adoradores. Embora na lenda fustigado pela tempestade, torturado e dilacerado por seus perseguidores, o deus portador do tirso foge dos  inimigos que o perseguem e se ergue mais uma vez para vida nova e atividade renovada. Com o nome de Iacos, o irmo ou noivo de Persfone, teve sua participao com ela e Demter nos ritos de Elusis. Pode ser interessante salientar de passagem que Persfone  uma atribuio do Reino, denominado no Zohar a Virgem, a Noiva do Filho que est em Tiphareth. Foi esse benevolente jovem Dionsio, a divindade sofredora e transformada, de imediato evanescente e perptuo, morrendo e irrompendo novamente para uma nova vida espiritual que foi a principal divindade dos poetas e msticos da seita chamada  rfica, em cujos mistrios a alma e seu destino quando libertada do corpo se tornou o objeto preponderante. 
((ilustr.  HATHOR, a Afrodite egpcia))
	Um deus similar, expressando a mesma idia de equilbrio espiritual e transformao, um deus que possui caractersticas quase idnticas s de Dionsio, era Mitra, o deus persa da  luz, a luz do corpo e a luz da alma. Tipificava a fora brilhante do Sol que, infalivelmente, conquista dia aps dia e ano aps ano os poderes das trevas e seus terrores. Mitra, comumente venerado numa caverna que, originalmente talvez representando o recesso sob a terra onde se supunha que o sol  noite se ocultava, passou a significar para os adoradores devotos o abismo da encarnao dentro do qual a alma necessita descer. E ento, como o prprio deus, eles poderiam ascender, purificados por muitas provas e sofrimentos com glria e exaltao. 
	A deusa Hathor, bem como Afrodite e Demter, esto associadas  Sephira Netzach, Vitria. Nos remotos tempos do Egito, Hathor era tida como uma deusa csmica e acreditava-se terem elas sido, como a deusa-vaca, a personificao do poder gerador da natureza que se mantinha perpetuamente concebendo e criando, produzindo e conservando todas as coisas. Ela era a  "me de seu pai e a filha de seu filho", o que de chofre recorda a frmula tradicional do Tetragrammaton. Parece ter havido muita conexo entre ela e sis e Nuit, a rainha e personificao do espao. J mencionamos a lenda segundo a qual  Hrus matava sis cuja cabea  transformada por Thoth  na cabea de uma vaca, a cabea de Hathor. Isso era sugerido para inferir a transformao evolucionria das energias geradoras csmicas de sis de acima do Abismo para uma esfera mais mundana de manifestao. H vrias formas que a retratam, a mais freqente sendo a de uma vaca. s vezes, Hathor  representada como uma mulher com um par de cornos dentro dos quais repousa o disco solar, outras com uma tiara de abutre  frente da qual est a serpente Uraeus encimada por cinco outras Uraei. Na parte posterior de seu pescoo  usualmente encontrado um smbolo que significa alegria e prazer, e s suas costas existe tambm uma espcie de xairel com um desenho linear, e o conjunto de seu corpo  por vezes marcado por cruzes, o que pretende provavelmente representar estrelas. Nessa ltima retratao, ela indubitavelmente representa Nuit de cujos seios, se diz, o leite das estrelas flui. Ela representava, como Hathor, no apenas o que era verdadeiro como tambm o que era bom, e tudo o que  mais excelente na mulher como esposa, me e filha. Era tambm a deusa patrona de todos os cantores, danarinos e folies de todos os tipos, das mulheres belas e do amor, dos artistas e das obras de arte.  nessa associao que ela  comparvel com Afrodite, a dama do amor.  Como equivalente a Demter, ela significa a fecundidade aparentemente inesgotvel, a gerao de plantas e animais sucedendo-se entre si na terra,  terra tendo que retornar. Era sem dvida como a deusa frtil da vegetao e agricultura que ela era venerada, particularmente porque os antigos consideravam o cultivo e o desenvolvimento como um ato de amor. 
	Hermes e Anbis correspondem a  Hod, a Glria. Hermes  um deus intelectual e representa num grau muito inferior as qualidades de Thoth. Enquanto esse ltimo  uma divindade csmica e transcendental, Hermes  um deus terrestre, descrito como inventor da astrologia e da geometria, da medicina e da botnica, organizador do governo e instaurador da venerao dos deuses; inventou algarismos e as letra do alfabeto e as artes da leitura, escrita e oratria em todos seus ramos. Era tambm encarregado de conduzir as sombras  dos mortos do mundo superior para o inferior. Aqui ele  associado na idia com Anbis ou Anpu, o deus de cabea de chacal dos egpcios, havendo tambm a combinao grega desses dois nomes em Hermanbis. A cabea que constituiu o tipo e smbolo de Anbis foi a de chacal. Isso parece provar, de acordo com Budge, que nos tempos primitivos Anbis era meramente o deus-chacal associado aos mortos, simplesmente porque o chacal era geralmente visto rondando pelos tmulos. Mas ele pode ser, adicionalmente, concebido como o deus cinocfalo. O co  vigia e guardio, funo na qual Anbis  retratado no Tuat. Por analogia, representa a razo no homem, que  tambm a guardi da conscincia humana, vigiando impresses e reaes relativamente ao mundo exterior. Segundo a tradio, Anbis foi o deus que embalsamou o corpo de Osris e que o envolveu com as faixas de linho feitas por sis. Com base na leitura das vrias passagens de O livro dos mortos, fica evidente que Anbis era um grande deus no mundo inferior, sendo que sua posio e importncia parecem ter sido to grandes quanto as de Osris. No cena do julgamento no Tuat, Anbis, o vigia, parece atuar para Osris, com o qual est intimamente vinculado, pois compete a ele a tarefa de examinar o fiel da  grande balana e zelar para que o eixo esteja exatamente horizontal. 
	A deusa Bast ou Pasht, que  a divindade que corresponde a Yesod, o Fundamento,  geralmente representada sob a forma de uma mulher com cabea de gato. Por vezes, tem tambm a cabea de uma leoa encimada por uma serpente, segurando na mo direita um sistro e na esquerda uma gide encimada pela cabea ou de um gato ou de uma leoa. Ela era uma personificao da lua, especialmente na medida em que Khensu, seu filho, era tambm um deus lunar. Com a cabea de uma leoa, usualmente pintada de verde, simbolizava a luz do sol, mas quando representada com cabea de gato, sua ligao com a lua  indiscutvel. Vinculada  esfera do Fundamento*, expressando o aspecto duplo da luz astral, no era apenas Bast, mas Shu. Mudana e estabilidade so as duas caractersticas paradoxais daquela luz, Bast exprimindo o aspecto lunar de mudana e fluxo perptuo, a idia de estabilidade e de firme fundamento das coisas sendo expressa sob a forma de Shu. s vezes ele  visto agarrando um escorpio, uma serpente ou um cetro cuja extremidade superior  a cabea de um falco, e era adorado como o deus do espao que existia entre a Terra e o cu. Era ele quem sustentava o cu com suas mos, uma o suportando no lugar do nascer do sol, a outra no lugar do pr-do-sol. Foi identificado com o princpio vital das coisas, que est de acordo com a teoria implcita da  luz astra,l que  o veculo direto dos cinco pranas ou correntes vitais. Em sua capacidade de sustentador do cu h um mito interessante. Quando o grande deus Ra governava os deuses e os homens, a humanidade na Terra comeou a proferir palavras de sedio contra ele, fazendo com que ele se determinasse a destru-la. Convocando vrios deuses  conferncia, por sugesto de Nuit ele incumbiu Hathor da execuo da destruio universal dos homens. Logo depois disso, ele se aborreceu da prpria Terra, e tendo Nuit assumido a forma de uma vaca, Ra sentou-se sobre seu dorso. No demorou para que a vaca principiasse a cambalear e tremer devido  elevao acima da Terra, e assim foi ordenado que Shu a sustentasse e a erguesse no cu. Quando Shu tomou sua posio sob a vaca e sustinha seu corpo, os cus acima e a Terra abaixo vieram a ser e as quatro pernas da vaca se tornaram os quatro suportes dos cus, os quatro pontos cardeais. E assim teve o deus Seb existncia independente. 
* Isto ,  Yesod.  (N. T.)
	Seb era o deus da terra e a terra formava seu corpo e era chamada de Casa de Seb, tal como o ar era chamado de Casa de Shu e os cus de Casa de Ra. Seb  representado como um homem que usa a coroa  Ateph e s vezes a forma de um ganso  acrescida. Correspondendo a  Malkuth, o Reino, Seb representa a fertilidade da superfcie da terra e na mitologia do mundo inferior ele desempenhava um papel proeminente, retendo aqueles entre os mortos que no eram capazes de passar a  Tuat. A deusa grega da terra similar ao egpcio Seb era Persfone, conhecida entre os romanos pelo nome de Prosrpina.
	A histria de sua violao por Hades e seu aprisionamento forado sob a terra  demasiado conhecida para que precisemos mencion-la aqui. Alguns autores a interpretam como a extino no corpo e o subseqente renascimento na alma, enquanto que outros vem em Prosrpina um simples mito do culto  vegetao, a deusa sendo o gro empregado como semente que permanece oculto no solo parte do ano, e quando ele retorna  sua me Demter,  como o cereal nascendo da terra, o sustento e alimento do homem e dos animais. 
	Embora com isso devamos concluir o exame dos deuses, na medida em que  possvel abordar esse assunto aqui, nunca  demais repetir que essa matria sumamente complexa deve ser muito bem estudada em seus vrios aspectos e vinculaes filosficas antes de se empreender o trabalho prtico de invocao. Antes que possa haver qualquer grau de sucesso efetivo na invocao e ao estabelecer firmemente uma unio e comunho com os deuses, dever o teurgo estar bem familiarizado, ao menos teoricamente, com a natureza dos deuses, que princpios ou funes eles desempenham na economia natural e universal e o que eles so realmente. Todas as lendas e mitos dos povos antigos vinculadas aos deuses revelam um relato valioso a respeito da verdadeira natureza deles, se os examinarmos com um pouco de discernimento acompanhado de uma compreenso dos fundamentos que formam a base da Cabala. O teurgo deve se esforar para compreender na medida do possvel porque se adotam as formas de animais como mscaras dos deuses, e visto que existem muitas interpretaes a respeito, dever ser feita uma sntese daquelas que parecem as mais provveis e mais sensatas. E devo acrescentar a ttulo de sugesto que um estudo das representaes pictricas dos deuses se mostrar bastante recompensador.  aconselhvel que o aprendizinteressado no deixe de visitar as galerias de egiptologia do Museu Britnico ou qualquer outro museu, familiarizando-se inteiramente com as formas artsticas  convencionais pelas quais os deuses so representados.     

SEGUNDA  PARTE 
	"SENTADO EM SUA CADEIRA VOC PODE VIAJAR MAIS DO QUE COLOMBO JAMAIS O FEZ E PARA MUNDOS MAIS NOBRES DO QUE AQUELES QUE OS OLHOS DELE CONTEMPLARAM. NO EST CANSADO DE SUPERFCIES? VENHA COMIGO E NOS BANHAREMOS NA FONTE DA JUVENTUDE. POSSO INDICAR-LHE O CAMINHO PARA  O ELDORADO." 
Candle  of  Vision  -  A.  E.

CAPTULO  VI
	O propsito e a funo da magia devem agora estar absolutamente claros. Trata-se de uma cincia espiritual.  um sistema tcnico de treinamento que tem um objetivo mais divino do que mundano e terrestre. Se alguns observadores casuais pensam que o teurgo se ocupa exclusivamente de coisas objetivas, isso ocorre apenas porque  atravs delas e dos numenos que simbolizam que ele  capaz de alcanar seus fins. O equipamento utilizado pelo mago no  o nico recurso empregado por ele e nem o nico instrumento para os seus fins, embora o aspecto invisvel de suas operaes no pudesse jamais ser compreendido pelo profano sem elucidao. Todas as coisas, fsicas e mentais, tinham necessariamente que entrar em seu trabalho, e no foi com a finalidade de ludibriar seja a si mesmo seja aos seus adeptos que o mago se cercou com o que pode ser considerado um "aparato de palco" extremamente impressionante de bastes, taas, incensos, perfumes, sinais e smbolos estranhos, sinos e sonoras invocaes brbaras. Foi se referindo aos smbolos e sigillae que Jmblico escreveu que "...eles (teurgos), imitando a natureza do universo e a energia produtiva dos deuses, exibem certas imagens mediante smbolos de inteleces msticas, ocultas e invisveis, tal como a natureza... expressa razes invisveis atravs de formas invisveis. ...Conseqentemente, os egpcios, percebendo que todas as naturezas superiores se regozijam com a imitao dos seres inferiores em relao a eles, e assim desejando acumular de bem os seres inferiores atravs da maior imitao possvel das naturezas superiores, muito apropriadamente demonstram um tipo de teologizao adaptado  doutrina mstica ocultada nos smbolos". Isso, entretanto, no consegue de modo algum responder adequada e satisfatoriamente  pergunta ordinria, a saber, por que o mago  equipado de tais "adereos" como o manto, o sino e o crculo, todos eles inteiramente incompreensveis para o indivduo mdio, um tanto inconsistentes e com grande ressaibo de charlatanismo? Esse parecer , claro est, completamente incorreto. Com efeito, seria to errneo e to injustificvel quanto acusar um fsico de charlatanice porque em seu laboratrio possui diversos microscpios de diferentes capacidades, providos de mecanismos, tubos e lminas, e porque tem sobre sua escrivaninha um monte de papis contendo frmulas fsicas e matemticas incompreensveis. Estes so apenas meios pelos quais o fsico passa a compreender germes, bacilos, organismos microscpicos e assim por diante no estudo do qual se ocupou. Os instrumentos mgicos so, do mesmo modo, os meios - igualmente incompreensveis para o leigo - pelos quais o mago se capacita a compreender a si mesmo e comungar com as partes invisveis da natureza, nem por isso menos reais. J definimos a magia como a cincia que tem como objetivo prprio o treinamento e fortalecimento da  vontade e da  imaginao. Mais do que qualquer outra coisa,  o pensamento e vontade o que realmente conta na magia, e a hiptese mgica  que seja pelo uso dos instrumentos da arte e os sigillae com os quais o teurgo se cerca em seu trabalho cerimonial que essa ampliao das faculdades criativas  obtida. liphas Lvi  muito preciso quanto a esse ponto e observa que "...cerimnias, vestes, perfumes, caracteres e figuras sendo necessrios como dissemos para empregar a imaginao na educao da  vontade, o sucesso das operaes mgicas depende da fiel observncia de todo rito". E tambm, poder-se-ia acrescentar, da presena e uso preciso de todos os sigillae corretos. Hierticos, sugestivos e bastante impressivos, o importante acerca desses instrumentos e vestes, sinais e smbolos,  que se trata de smbolos que representam ou uma fora oculta inerente ao homem, ou uma  essncia ou princpio que se obtm como uma fora mvel inteligente no universo. Sua inteno primria  promover uma corrente automtica de pensamento harmonioso ou um mpeto irresistvel na imaginao que exaltaro o ser do mago na direo disposta pelo carter da cerimnia e pela natureza individual dos smbolos. 
	Em sntese, o ritual mgico  um processo mnemnico arranjado de modo a resultar no deliberado regozijo da vontade e na exaltao da imaginao, sendo sua finalidade a purificao da personalidade e o atingimento de um estado espiritual de conscincia no qual o ego se une ou com seu prprio eu superior ou com um deus. Esse objetivo nico de qualquer cerimnia particular  constantemente indicado por cada ato, palavra e pensamento. Mesmo os sigillae so diferentes para cada cerimnia de sorte a indicar seu propsito nico, e um tipo de smbolo  aplicvel somente  invocao de uma espcie de essncia universal.  "No h nada...", acreditava Jmblico  "que no mais nfimo grau esteja adaptado aos deuses para o qual os deuses no estejam imediatamente presentes e com o que no estejam conjugados." Para o assalto da Cidade Santa todo sentido e toda faculdade so deliberadamente mobilizados e toda a alma individual do operador tem de tomar parte na ao. Cada uma das vrias fumigaes, cada mnimo detalhe do banimento, invocao e circumpercurso , de fato, para servir de lembrete do propsito nico que exclusivamente existe para o mago, um meio tanto de concentrao de seus poderes como de exaltao. Quando smbolo aps smbolo afetaram sua conscincia, quando emoo aps emoo foram despertadas para estimular a imaginao do mago, ento advm o supremo momento orgistico. Todo nervo do corpo, todo canal de fora da mente e da alma so estirados num avassalador espasmo de felicidade, um transbordamento esttico da  vontade e a totalidade do ser na direo predeterminada. 
	Toda impresso, por meio do mtodo cabalstico de associao de idias,  tornada o ponto de partida de uma srie de pensamentos conectados resultando na suprema idia da invocao. Quando, durante uma cerimnia, o teurgo permanece no interior de um octgono, os nomes em torno do crculo, as oito velas ardendo vivamente fora, a predominncia da cor laranja, a elevao do incenso estoraque numa coluna delgada de nvoa a partir do incensrio, tudo sugerir o significado de Mercrio e Hermes  sua mente. O misticismo de ordinrio considera os sentidos como barreiras  luz da alma e que a presena da luz tem sua manifestao impedida devido  influncia sedutora e  turbulncia dos sentidos e da mente. Na magia, contudo, considera-se que os sentidos, quando controlados, so os portais dourados atravs dos quais o  Rei da Glria pode entrar. Na operao invocatria, todo sentido e toda faculdade tm que participar. "O entendimento precisa ser formulado por sinais e resumido por caracteres ou pentculos. A vontade tem que ser determinada por palavras e estas por atos. A idia mgica tem que ser traduzida em luz para os olhos, harmonia para os ouvidos, perfumes para o olfato, sabores para a boca e formas para o tato." Essa citao de liphas Lvi exprime adequadamente de que maneira o homem integral tem que participar dos ritos tergicos. Visto que o ritualista egpcio proferia que no h  nenhuma parte dele que no seja dos deuses, a utilizao dos sentidos e poderes da mente num ritual bem ordenado constitui o mtodo ideal de invocao dos deuses. Toda parte individual do homem, cada sentido e poder precisam ser trazidos  esfera do rito em que tomam parte.  nossa preocupao, normalmente, com as perptuas exigncias independentes do corpo, da mente e das emoes que nos cegam para a presena desse princpio interior, a nica realidade da vida interior. Da um dos requisitos do ritual ser  ele ou  ocupar plenamente ou tranqilizar essas pores particulares do ser de algum, de sorte que a unio transcendental com o daimon no sofra interferncia. O sistema elaborado de formas de divindade, vibrao de nomes divinos, gestos e sinais, assinaturas de espritos, a preeminncia de smbolos geomtricos e perfumes penetrantes, alm de seu propsito ostensivo de invocar a idia desejada  manifestao, fornecem esse motivo auxiliar. Ocupar plenamente a ateno de cada um dos princpios inferiores ou vivific-los  uma das funes do ritual, deixando a alma livre para ser exaltada e fazer seu caminho voando at o fogo celestial, onde finalmente  consumida por completo para renascer em felicidade e espiritualidade. Num certo sentido, o efeito do ritual e da cerimnia  manter os sentidos e veculos comprometidos cada um com sua tarefa especfica, sem distrair a concentrao superior do mago. E, ademais, ele os separa ao atribuir uma tarefa definida a cada um. Assim, quando o momento da exaltao chega, quando o casamento mstico  consumado, o ego  despido, despojado inteiramente de todos os seus invlucros, deixado livre para virar-se para a direo que lhe aprouver. Ao mesmo tempo, a mais importante funo da cerimnia  realizada, tendo sido promovida no corao do operador uma intoxicao to intensa a ponto de servir como o ponto preliminar para o xtase da unio com o deus ou anjo. 
	De um outro ponto de vista, o efeito do ritual e do aparato  criar de maneira plena na imaginao do mago atravs dos canais dos sentidos uma idia que - em virtude de sua  realidade, iluminao e poder supremos quando evocada - tenha sido chamada de deus ou esprito. Essa  a posio subjetiva que, por antecipao, foi esboada  numa pgina anterior. "Todos os espritos e, por assim dizer, as essncias de todas as coisas, jazem ocultos em ns e nascem e so gerados somente pela atuao, poder (vontade) e fantasia* (imaginao) do microcosmo**." Barrett, nessa sentena citada, argumenta que se pode razoavelmente supor que os deuses e as hierarquias de espritos sejam simplesmente facetas previamente  desconhecidas de nossa prpria conscincia. A                                                                                                   sua evocao ou invocao pelo mago no so certamente incomparveis a um estmulo de alguma parte da mente ou imaginao, resultando em xtase, inspirao e expanso da conscincia. A observao e experincia de teurgos, levadas a cabo num longo perodo de tempo, mostraram mais ou menos que entre certas palavras, nmeros, gestos, perfumes e formatos que em si no so particularmente significativos, ocorre uma relao natural peculiar. A imaginao  um agente criador poderoso, e quando estimulada de vrias maneiras suas criaes assumem uma aparncia da mais elevada realidade. Qualquer idia ou pensamento rudimentar ou latente na imaginao - ou como os teurgos preferem, esprito - pode ser convocada ou criada dentro da conscincia individual pelo uso e combinao daquelas coisas que lhe so harmoniosas, expressando fases particulares de sua natureza ou simpatias com sua natureza. Pouco importa se para descrev-lo empreguemos os arcasmos dos filsofos medievais, a linguagem de laboratrio do psicanalista ou o mundo de sonho e fantasia do poeta. Podemos cham-lo de liberao do inconsciente, de restaurao do crepsculo da memria da raa, ou podemos ousar ser suficientemente corajosos para usar a retumbante palavra antiquada "invocao" ou inspirao. As palavras no so nada, o fato  tudo. Tal como as letras "c, , o", que em si mesmas e isoladas umas das outras carecem de qualquer importncia em particular, quando combinadas exprimem a idia de co, do mesmo modo palavras mgicas, incensos, pentculos e o estmulo da vontade podem produzir dentro da imaginao uma idia de grande poder. Na verdade, to poderosa essa criao pode se revelar que  possvel que confira inspirao, iluminao e reaja para grande proveito para a mente humana. 
* ????????, imaginao em grego. (N. T.) 
** Magus, de Francis Barrett. 
	Quero agora considerar os vrios acessrios usados. Perfumes e incensos sempre foram utilizados nos ritos mgicos e os antigos taumaturgos fizeram um estudo especial da reao fsica e moral causada pelos distintos odores. Seu emprego no cerimonial tem tripla finalidade. Em algumas operaes por vezes  necessrio suprir um veculo ou base materiais ao esprito que se manifesta. Quantidades dos incensos apropriados so queimadas, de modo que a partir das densas partculas que flutuam como uma pesada nuvem esfumaada na atmosfera uma base ou corpo fsicos possam ser construdos pelo esprito evocado para serem usados como veculo temporrio. Ademais, perfumes so oferecidos como oferendas aromticas ou sacrifcio ao prprio esprito ou anjo, variando o incenso em funo de cada classe de inteligncia. Benjoim e sndalo so empregados para espritos venusianos, flor de noz-moscada e estoraque para os mercurianos, enxofre para os saturnianos, glbano e canela para as foras solares, e assim por diante. Em terceiro lugar, h o bastante importante efeito intoxicante dos incensos potentes e penetrantes na prpria conscincia, um incenso em separado sendo indicado para acompanhar a invocao de cada divindade. Existe ainda uma outra interpretao do uso dos incensos. Cada letra do alfabeto hebraico lhe atribuiu um grande nmero de correspondncias, envolvendo espritos, inteligncias, cores, gemas, idias e os prprios incensos. Tomando-se as letras no nome de um esprito e consultando-se as autoridades adequadas, um composto de incensos poder ser confeccionado, o qual exprimir atravs do sentido do olfato o nome do esprito. To-somente a partir desse composto de perfumes poder o esprito apropriado ser sugerido na imaginao e convocado pelos ritos adequados. Resta pouca dvida a respeito da sugesto essencial desses perfumes, visto que mesmo para indivduos comuns alguns incensos so decididamente sedutores e excitantes, como  o caso do almscar e do patchuli, havendo ainda outros sobremaneira fragrantes e generosos, e outros que possuem efeito sedativo e tranqilizante. 
	Quanto ao som, seu poder formativo  mais ou menos bem conhecido e ser abordado um pouco mais detalhadamente numa pgina posterior em conexo com os chamados "nomes brbaros de evocao". De momento basta dizer que o som est vinculado  lei da vibrao, cujas foras so suficientemente poderosas para desintegrar ou construir novamente qualquer forma para a qual se dirija a vibrao. O egiptlogo Sir E. A. Wallis Budge observou que os sacerdotes egpcios conferiam a maior importncia s palavras pronunciadas sob certas condies. Na verdade, toda a eficcia das invocaes tergicas parece ter dependido da maneira e do tom de voz nos quais as palavras eram proferidas. Invocao, diz Jmblico, " a chave divina que abre aos homens o santurio dos deuses; nos acostuma aos rios esplndidos de luz superior; e num curto perodo os dispe ao abrao e contato inefveis dos deuses; e no desiste at que nos erga ao topo de tudo*."  
* Os Mistrios, Jmblico. 
	O sacramento do sentido do paladar constitui um problema mais complexo. Sua base racional como eucaristia corresponde simplesmente a isso. Uma substncia  cerimonialmente consagrada e nomeada segundo um princpio espiritual que mantm com ela uma especial afinidade. Uma hstia de trigo teria estreita afinidade com Ceres ou Persfone; o vinho com Baco e Dionsio. Algumas substncias se harmonizaro mais com inteligncias jupiterianas ou mercurianas do que outras. O estudo do alfabeto mgico capacitar o aprendiza certificar-se do que deve ser usado. Assim nomeada, a substncia  carregada mediante a invocao daquela presena divina, e sendo consumida se prev que atravs da assimilao dos elementos o deus ou a essncia divina invocada invariavelmente encarna no ser do mago por meio da substncia consagrada. Esta encarnao  uma outra forma da unio do teurgo com o deus, unio que segundo a definio das autoridades antigas  um dos aspectos mais importantes da magia. Essa espcie particular de unio, se continuada por um certo perodo de tempo, auxilia a comunho com as essncias divinas,  medida que os veculos se tornam mais refinado e mais altamente sensveis  presena do deus. 
	No que concerne ao sentido da viso, ser necessrio abordar mais minuciosamente os diferentes smbolos usados. Alguns desses smbolos so, naturalmente, comuns a toda cerimnia, enquanto que outros dizem respeito estritamente a uma cerimnia particular. Por exemplo, a espada  uma arma marcial  qual se atribui um papel numa operao devotada  invocao de Hrus e Marte. Numa cerimnia preparada, digamos, para a invocao de Afrodite ou sis, a espada nada teria com comum e estaria em total desarmonia com a natureza dessas deusas, de modo que todo o procedimento daria em nada. Um acessrio como a rosa, que expressa amor e a declarao da  natureza de ser como graa a filha de Deus,  seria sumamente apropriado numa cerimnia em que o teurgo deseja desenvolver suas emoes mais elevadas. Mas na operao para invocar  a  Senhora Maat, a rainha da verdade, a rosa  no teria lugar algum. 
	O principal smbolo comum a toda operao  o crculo mgico. Por definio, essa figura encerra um espao confinante, uma limitao, separando aquilo que est dentro daquilo que est fora. Pelo uso do crculo, o mago afirma que no interior dessa limitao auto-imposta ele confina seus esforos; que ele se limita  consecuo de um fim especfico e que no est mais num labirinto de iluso e mudana perptua como um viandante cego sem meta, objetivo ou aspirao. O crculo, alm de ser, como  evidente, o smbolo do infinito, tipifica tambm a esfera astral do mago que, num certo sentido,  a conscincia individual, seu universo, fora do qual nada pode existir. Nesse sentido, a ttulo de recurso de explicao, a teoria do idealismo subjetivo se mostra novamente conveniente. O crculo no qual o mago est encerrado representa seu cosmos particular; a conquista auto-inaugurada desse universo faz parte do processo de consecuo de completa autoconscincia. J que o cosmos  uma criao do ego transcendental,  medida que um mago amplia o alcance de seu universo, familiarizando-se com sua estrutura e diversidade, muito mais se aproximar ele da auto-realizao. De um outro ponto de vista, o crculo pode ser considerado o Ain-Sof  e o ponto central do crculo o eu, cuja funo  expandir a si mesmo para incluir a circunferncia e se tornar, tambm, o infinito. 
	Em torno desse crculo so inscritos nomes divinos. Muitos deles sero diferentes em funo da natureza de cada cerimnia e  com o poder e influncia ingnitos inerentes aos nomes que o mago conta como uma proteo contra os viciosos demnios externos - os pensamentos hostis de seu prprio ego. A meno dos nomes de guarda em torno do crculo levanta a questo do processo de proteo do crculo astral interno, o universo da conscincia, e como uma proteo adequada para a esfera astral bem como para o crculo externo pode ser obtida. No basta para o mago que pinte os nomes divinos na circunferncia do crculo sobre o cho de seu templo; isto no passa de uma parte do processo efetivo e um signo visvel externo de uma graa espiritual interior. Para que se produza um crculo astral que ser to inexpugnvel quanto uma fortaleza de ao da qual  o  crculo pintado ser um digno smbolo, banimentos devero ser executados durante meses vrias vezes por dia. A consagrao e invocao implcitas no ritual de banimento devem ser insistentemente realizadas dias aps dia, e uma sutil substncia espiritual proveniente de planos mais elevados infundida na esfera astral, tornando-a elstica e rutilante com coruscaes de luz. Essa aura agudamente resplandecente constitui o crculo mgico real do qual o crculo visvel no cho do templo  apenas um smbolo terreno. 
	No seria inoportuno tecer mais algumas observaes sobre o crculo mgico com o fito de esclarecer a posio real da magia contra o oprbrio lanado por William Q. Judge - um dos fundadores da Sociedade Teosfica com  Madame Blavatsky em 1875 - em suas Notas acerca do Bhagavad Gita. William Q. Judge acalenta a iluso nesse trabalho, como o fazem tantos outros escritores alhures, de que todas as operaes mgicas so exclusivamente devotadas  evocao de elementais. Que essa  uma hiptese errnea me esforarei neste livro para mostrar. No  em absoluto incogitvel, entretanto, que Judge tenha dado essa interpretao com a finalidade de conter os irmos mais fracos, afast-los do perigo e da intromisso em coisas que esto alm deles. Judge exprime a crena de que o uso do crculo como um dispositivo de proteo para impedir o ingresso de demnios e outras entidades astrais se deve ao medo deles, e ele conclui acertadamente que o medo  o produto da ignorncia, que muito corretamente ele deplora. Teoricamente, essas observaes so todas excelentes e plausveis. A ignorncia d origem, de fato, ao medo e se encontra na raiz do fracasso e de uma larga quantidade de problemas. Na vida do dia-a-dia, contudo, censuramos e proibimos o uso da profilaxia cirrgica e dos dispositivos de desinfeco alegando como razo que eles  tm  suas razes no medo da infeco? Devem as caladas e os passeios serem abolidos e eliminados de nossas ruas porque so eloqentes lembretes e expresses de nosso pavor com relao aos acidentes automobilsticos? Na realidade, todo o argumento nesse sentido  um absurdo. Num caso ou noutro, ele encerra uma total falta de compreenso da  natureza, propsito e funo do crculo. Quando  se prev o perigo a partir de qualquer fonte, naturalmente tomam-se medidas que se acha que o evitaro, estando alm da questo todas as idias de medo e ignorncia, o que constitui a razo da existncia da humanidade sobre a Terra atualmente. Se, por exemplo, estou envolvido numa cerimnia que tem por objeto a invocao de meu Santo Anjo Guardio, deverei eu permanecer satisfeito por ter minha mente, minha alma e a esfera de operao em geral invadida por uma hoste de entidades abjetas, os mais baixos habitantes do plano astral que, sem dvida, seriam atrados pelas influncias magnticas que emanam de meu crculo? Agir assim arruinaria todos os meus esforos, condenando de antemo a operao, se executada cerimonialmente, a um fracasso sinistro. E como se no bastasse, a obsesso poderia ser o resultado, estando-se muito distante do propsito original do trabalho. A funo do crculo  simplesmente estabelecer um limite espacial dentro do qual o trabalho espiritual possa proceder sem interferncias e sem o medo da intruso de foras demonacas e estranhas. De qualquer modo, ingressar numa carreira de mago com medo covarde no corao  simplesmente atrair problemas. E h geralmente problemas suficientes ao longo de nossa vida normal sem que tenhamos que assumir o herosmo de pedir mais. 
((ilustr.  UM CRCULO MGICO))
	Indicando a natureza do trabalho, dentro do crculo  geralmente inscrita uma outra figura geomtrica, como um quadrado, um octgono, uma cruz-tao ou um tringulo. Um figura de cinco pontas denotar uma operao marcial e representa o imprio da vontade sobre os elementos. Um  octgono indicar trabalho cerimonial de uma natureza mercuriana, j que o oito  o nmero de  Hod, a  Sephira  qual Mercrio  atribudo. Erigido no interior dessa figura, como o fundamento de todo o trabalho do mago, o smbolo  da vontade inferior, est o altar sobre o qual esto arrumados os instrumentos mgicos a serem empregados.  o centro fundamental do trabalho do mago, o piv ao qual ele retorna repetidamente depois do circumpercurso. Esse altar deve ser construdo de tal maneira que sua forma e tamanho e os prprios materiais de que  construdo estejam todos de acordo com os princpios fundamentais da Cabala, servindo assim para lembrar o mago do trabalho em pauta. O cedro, por exemplo, se empregado na construo do altar, produziria uma associao imaginativa com Jpiter, enquanto que o carvalho  uma atribuio de Marte. A madeira do loureiro ou a accia, ambas atribudas a  Tiphareth, se harmonizariam, entretanto, com qualquer tipo de operao na medida em que Tiphareth e suas correspondncias simbolizam harmonia e equilbrio. Este altar deve ser feito de tal maneira que possa atuar como um armrio no interior do qual todos os instrumentos possam ser conservados e guardados com segurana. Relativamente a esta regra geral, h, contudo, uma exceo. A lmpada tem sempre que estar suspensa sobre a cabea do teurgo, no devendo jamais ser mantida dentro do armrio do altar. Em todo sistema ela simboliza o brilho no ofuscado do Eu superior, o Santo Anjo Guardio a cujo conhecimento e conversao o teurgo aspira to ardentemente. Sempre que essa lmpada estiver brilhando, iluminando o trabalho mgico, a operao manter o selo imortal da legitimidade e a permanente sano e aprovao, por assim dizer, do Esprito Santo. Ademais, o azeite consumido por essa lmpada  azeite de oliva, sagrado a Minerva, a deusa da sabedoria. 
	Essas armas, as chamadas armas elementares, so arrumadas no topo do altar antes da operao. Consistem do basto, da espada ou adaga, da  taa e do pantculo, representando as letras do Tetragrammaton e os quatro elementos dos quais toda a gama de heterogeneidade do cosmos foi constituda. O basto  atribudo ao elemento fogo; a taa  gua, enquanto que a espada  atribuda ao ar, o pantculo simbolizando a fixidez e a inrcia da terra. No h arma para representao do quinto elemento de coroamento, que  o Esprito ou  Akasha, pois esse  invisvel e sua cor ttvica  negro ou ndigo. 
	H uma srie de correspondncias que podem se revelar interessantes para o mago. Cada um dos deuses  caracterizado por alguma arma ou smbolo particular que expressa mais clara e perfeitamente do que qualquer outra coisa sua natureza essencial. Assim, quando o mago brande o basto, deve-se conceber que ele assume para si a autoridade e sabedoria de Tahuti ante o conselho de deuses csmicos. Com o cetro ele anuncia sua relao com Maat, a Senhora da Verdade e Soberania, enquanto o mangual ou aoite denota sua autoridade e auto-sacrifcio associando-o de imediato a Osris. 
	O basto  a  vontade, representando a sabedoria e a presena espiritual do eu criador,  Chiah, devendo ser reto e poderoso, uma figura digna de sua fora divina. 
	Passiva e receptiva, a  taa ou  clice  um smbolo verdadeiro do Neschamah do mago, a intuio e compreenso que esto sempre abertas no aguardo do rocio superior que diariamente desce, de acordo com O livro do esplendor, das regies mais elevadas para aquele de alma pura. No cerimonial, a taa  utilizada raramente, e nesse caso somente nas invocaes mais elevadas para conter as libaes. Nas evocaes a taa  no desempenha papel algum. 
	A espada  arma branca, dura e afiada, e perfurante como o ar que tudo permeia e penetra, sempre num estado de fluxo e movimento perptuos. Por esse smbolo entende-se Ruach, ou a mente, a qual, quando sem treino  voltil e se acha  num estado de contnuo movimento, sem estabilidade ou fcil concentrao. Visto que se trata de um instrumento de corte, usado  para anlise e dissecao, o banimento da magia cerimonial  sua funo primordial, no devendo jamais ser empregada em trabalhos que tm como clmax a invocao do mais elevado. 
	Arredondado, inerte e construdo de cera, um smbolo adequado da terra, plstico e aguardando o cultivo pela inteligncia, o pantculo  um sinal do corpo, o  templo do Esprito Santo, na iminncia de receber mediante os ritos tergicos e telsticos o influxo do esprito divino. Um pantculo, de acordo com Lvi,  um caractere sinttico que resume o dogma mgico total em uma de suas fases especiais.  assim a expresso real de um pensamento completo e ato da vontade;  a assinatura de uma mente. 
	O tringulo da arte no qual o esprito evocado  conjurado  manifestao visvel , em si mesmo, um smbolo filosfico perfeito de manifestao. Representando as primeiras manifestaes csmicas ou as trs Sephiroth maiores dos mundos superiores, o tringulo  a representao ideal da gerao, da manifestao em existncia coerente tangvel daquilo que anteriormente era pensamento, invisvel e metafsico. Tal como a primeira trade representa a primeira manifestao completa do  crculo de  Ain Sof, do mesmo modo em magia o tringulo  responsvel pela chamada  luz do dia dos poderes da escurido e da noite. " H trs que do testemunho sobre a Terra", e esses trs so as pontas do tringulo, limitadas pelos trs grandes nomes de Deus. Do crculo da conscincia, que  o universo do mago, uma idia partitiva e especial  convocada  manifestao no interior do tringulo. 
	O manto usado pelo teurgo representa sua glria interior ocultada. Como no budismo, o manto amarelo usado pelo bhikku simboliza o esplendor dourado de seu corpo solar interior, tornado glorioso por meio do despertar dos poderes superiores, o mesmo ocorrendo com o manto em relao ao mago. A cor deste manto variar dependendo do tipo de operao, vermelha para o trabalho marcial, azul para o trabalho jupiteriano e amarela ou dourada para operaes solares. Os outros smbolos empregados em magia podero agora ser facilmente desenvolvidos pelo leitor. 
	Com referncia ao basto, embora muitos magos, inclusive Abramelin, aconselhem que deva ser um instrumento razoavelmente longo, liphas Lvi observa que no deve exceder o comprimento do brao do operador e ser feito de madeira de amendoeira ou aveleira, uma nica fiada do melhor  arame de ao atravessando seu centro de extremidade a extremidade. Alguns magos colocam smbolos no pice desse bculo. A cabea da bis ocasionalmente empregada se refere a Tahuti, o Senhor da Sabedoria e patrono da magia. Um dos melhores smbolos para um basto  um forcado trino de ouro que representa a letra hebraica  Shin, cuja significao  aquela do Esprito Santo dos deuses. Outro smbolo  o ltus, o qual, encimando o basto, indica a regenerao e o renascimento que o mago busca realizar. Neste caso, o eixo  pintado de duas cores, a parte inferior de preto e a superior de branco. Bastante similar no que implica ao basto do ltus  aquele coroado por uma fnix, o smbolo tambm da regenerao atravs do fogo. Considerando-se que o basto seja o smbolo da vontade criadora, sua construo deve ser acompanhada por um distintivo exerccio dessa  vontade, residindo nesta idia a base racional de muitas das aparentemente absurdas e artificiais prescries apresentadas pelos teurgos em conexo com a aquisio de convenientes armas mgicas. De maneira superficial e  primeira vista, pode parecer que o distrbio relacionado a esses instrumentos seja grosseiro exagero e por demais pueril. Mas se essa opinio for acatada, a idia subjacente e essencial dessas instrues ter que ser descurada. Se, por exemplo, as orientaes de Lvi relativamente ao basto tiverem que ser seguidas, ento esse instrumento deveria ser confeccionado de um  galho perfeitamente reto da amendoeira ou aveleira, galho este cortado da rvore sem entalhamento e sem hesitao de um s golpe com uma faca afiada antes do nascer do sol e na estao em que a rvore estiver prestes a florescer. O galho dever ser submetido a um meticuloso procedimento de preparao, sendo despojado de suas folhas e brotos,  a casca removida, as extremidades aparadas cuidadosamente e os ns aplainados. Seguem-se a isto vrios outros procedimentos significativos que podem ser confirmados pela consulta de Dogma e Ritual de Alta Magia. O desenvolvimento da vontade est subjacente a todos esses procedimentos. O mago que se incomodou a ponto de se levantar duas ou trs vezes  meia-noite por seu basto, negando-se repouso e sono, ter, pelo prprio fato de assim ter agido, se beneficiado consideravelmente no que diz respeito  vontade. Num tal exemplo, o basto realmente ser um smbolo dinmico da  vontade criadora, e so estes smbolos e instrumentos que so necessrios em magia. "O campons que cada manh se levanta s duas ou trs horas e caminha para longe de casa para colher um ramo da mesma planta antes do nascer do sol, pode realizar inmeros prodgios simplesmente portando essa planta consigo, pois ela se tornar tudo que ele quer que ela seja no interesse dos desejos dele*." 
* Dogma e ritual de Alta Magia, liphas Lvi. 
	Procedimentos similares aos mencionados acima no exemplo do basto devem acompanhar a construo das outras armas elementares porquanto elas tm que ser a corporificao visvel da prpria condio de alma e mente do mago, sem o que no produzem efeito como smbolos taumatrgicos. Se a mente do mago, por exemplo, no for perspicaz e analtica, e se essa qualidade no contribuir na confeco da espada, como os espritos elementais e os demnios de face canina obedecero a suas ordens para sarem do crculo de invocao? O clice, tambm, como o smbolo da intuio bem como da imaginao divina, deve, do mesmo modo, ser confeccionado de tal sorte e cercado de tais elevados pensamentos e proezas a ponto de corporificar alguma idia intuicional, ou ostentando no seu exterior um desenho ou palavra de suprema significao, ou exemplificando pelo formato da taa to-somente uma idia divina. Compete a cada leitor decidir de que maneira os outros instrumentos portaro o selo da faculdade ou princpio espiritual que esto destinados a representar. 
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	Visto que ocorre freqentemente a aluso ao fato de que as duas faculdades principalmente empregadas na magia so a vontade e a imaginao, algumas pginas precisam ser devotadas ao exame dessas, apresentando-se os pareceres de teurgos juntamente com algumas sugestes teis. Um dos mais elevados poderes de que dispomos, um poder to maravilhosamente criativo que chega a ser indescritvel e inexprimvel,  a imaginao. , postula Jmblico, "superior  toda a natureza e a gerao, atravs dele sendo ns capazes de nos unirmos aos deuses, de transcender a ordem mundana e de participar da vida eterna e da energia dos deuses supercelestiais. Mediante esse princpio, portanto, somos capazes de liberar a ns mesmos do destino". E, no entanto, a maioria das pessoas pensa que essa faculdade  idntica  fantasia e ao devaneio, sendo que qualquer valor definido e consistente que possa possuir  negado. Dificilmente se poderia cometer erro maior. Como a prpria palavra indica, trata-se de uma faculdade produtora de imagens, um poder criador de imagens que quando desenvolvido pode se mostrar de mxima importncia como auxiliar da alma em sua jornada de avano. O filsofo ctico Hume se refere a ela como uma espcie de faculdade mgica da alma que  sempre perfeita no gnio, sendo propriamente o que chamamos de gnio mesmo. Mesmo o metafsico Immanuel Kant, o inventor da pesada e s vezes rangente maquinaria intelectual a priori, acreditava que se pode falar do entendimento simplesmente como imaginao que atingiu uma conscincia de suas prprias atividades. A magia prope um desenvolvimento acelerado da alma atravs de uma cultura intensiva na qual a imaginao desempenha um importante papel.  uma caricatura, portanto, e bastante lamentvel considerarmos quo pouco  essa faculdade utilizada, e quo raramente a maioria das pessoas a faz atuar no desenrolar da vida cotidiana. E ainda assim, na realidade, sem ela e os aspectos variados de maravilha e novidade que concede a nossas atividades em todo campo de trabalho, a despeito de paralisada e tolhida pelos sentidos e a mente, nada duradouro e efetivo poderia ser feito. No apenas o poeta, o artista, o msico, o matemtico e o inventor testemunham continuamente e cantam a sua grandeza, j que as realizaes de todos eles se devem ao seu mistrio permanente, como tambm o magnata dos negcios, o administrador e o chefe de Estado necessitam utilizar essa faculdade se quiserem que o sucesso cruze seus caminhos. Mais da metade do sabor rico e colorido da vida est perdida para o homem sem imaginao, enquanto que aqueles que so suficientemente felizes ou sbios para empreg-la muito ativamente colhem o mais agudo prazer possvel ao ser humano. 
	O melhor exemplo de imaginao criativa  aquele que constantemente desfila eloqentemente diante de nossos olhos: a brincadeira das crianas. Alguns pedaos de pau e cordo, algumas pedras, um pouco de lama e uma poa  d'gua suprem o garoto saudvel normal de toda a matria-prima a partir da qual ele construir em sua prpria mente uma inspiradssima frota de couraados e belonaves somada a um magnfico porto para eles. A boneca mais disforme  geralmente a favorita e a mais bonita para a garotinha, pois de algum modo o "patinho feio" parece proporcionar mais espao para a imaginao da criana, enquanto que a boneca ricamente vestida de olhos  mveis,  cabelos louros e bochechas rosadas realmente destri o gume penetrante da imaginao ativa e vvida. Observando as crianas brincando percebe-se com quo poucas propriedades elas so capazes de construir todo um drama bem como uma tragdia comovente. E assim uma pessoa consegue ver poesia num repolho ou numa porca com seus filhotes, enquanto outra perceber nas coisas mais excelsas apenas seu aspecto mais baixo e rir da harmonia das esferas, e ridicularizar as mais sublimes concepes dos filsofos. A razo de um pintor ser capaz de ver num triste mendigo o tema para uma grande pintura , de maneira semelhante, atribuvel  mesma causa: o mistrio da imaginao. Como podemos explicar o mistrio desse poder criador individual que, por assim dizer saltando sobre ns, se converte no mestre das imagens e das palavras?  Assumindo o controle destas a partir da mente raciocinadora, concede-lhes significados simblicos e mais profundos at que imagens, idias e palavras se movem juntas e se renem, tornando-se um organismo por meio de algum poder formativo transcendental superior a toda razo.  to misterioso realmente quanto o crescimento de um organismo na natureza, no menos maravilhoso que a planta que extrai da terra por meio de algum poder oculto as essncias que transmuta e que torna subservientes a si mesma. 
	Nos sculos passados, na rdua investigao intelectual visando a determinar a raiz fundamental da existncia, os filsofos se acostumaram a formular como lei que a existncia se funda na razo e no pensamento, quer dizer, isso quando no eram monistas materialistas que afirmavam ser a matria a nica realidade. Diversamente, o ponto de vista mgico, como formulado at aqui,  que nem a razo nem o pensamento jazem na raiz das coisas, pois o pensamento  simplesmente um aspecto do prprio cosmos. Trata-se sim de uma essncia espiritual inominvel que no  a mente mas a causa da mente, no o esprito mas a causa da existncia do esprito, no a matria mas a causa  qual a matria deve o seu ser. Explicar o abismo intransponvel entre a razo e o universo concreto constituiu um exerccio severo para a mente filosfica. A principal posio idealista era a de que tal como na lgica a concluso segue rigorosamente os passos da premissa, do mesmo modo o universo  o produto lgico da  razo absoluta e seu desenvolvimento segue a deduo de categorias racionais do pensamento. Recentemente, entretanto, um filsofo chamado Fawcett foi presenteado com um lampejo de supremo gnio no momento em que lhe ocorreu que o processo pelo qual o universo se desenvolveu e veio a ser foi um processo criador imaginativo e que a imaginao, no a razo absoluta ou mesmo uma vontade do instinto sempre impelida precipitadamente  manifestao, era a chave da soluo desse desconcertante problema filosfico. Ele define essa imaginao como a matria-prima na qual todas as faculdades e atividades humanas tm o seu ser. No desejo registrar aqui minha plena concordncia com todas as concluses de Fawcett, porquanto meus prprios pontos de vista so os da Cabala, expostos com certos detalhes alhures. Mas vale a pena observar que essa sua idia parece em parte concordante com a dos teurgos. Eles postulavam a ideao como a primeira manifestao, que o universo veio a ser graas s atividades dessa ideao. Contudo, est claro que nenhum pensamento ou razo como o entendemos era sugerida, mas sim uma faculdade criadora mais abstrata ligada de algum modo   imaginao. A razo  para a imaginao o que a matria  para a forma, o que o instrumento  para o agente, o que o corpo  para o esprito que governa, e o que a sombra  para sua substncia reflexiva.  este poder residente no homem que Blavatsky chama de Kriyasakti, definido em  A Doutrina Secreta como "o poder misterioso do pensamento que o capacita a produzir resultados fenomnicos externos, perceptveis por meio da prpria energia que lhe  inerente", e assim sendo parece que estaria tambm estreitamente vinculado   vontade. 
	Os rituais e as cerimnias agora considerados simplesmente uma perda de tempo por aqueles que desconhecem como conduzi-los e condenados como incapazes de produzir qualquer efeito real, detinham uma reao sumamente potente quando o simbolismo de cada ao da cerimnia era inteiramente reconhecido e compreendido e quando a imaginao era ampliada e a vontade firmemente concentrada no objetivo a ser realizado. Estando todo o ego humano num estado de excitao tergica, o Eu superior ou uma Essncia universal descia sobre o ego ou o elevava, o qual se tornava assim um veculo luminoso de um poder supra-humano. 
	O que chamamos to casualmente de imaginao no indivduo comum , de acordo com os teurgos de todos os tempos, a faculdade inerente  alma de assimilar as imagens e reflexos do astral divino, e liphas Lvi sugere que por ela mesma e com o auxlio de seu difano ou a imaginao, a alma pode perceber sem a mediao dos rgos corporais os objetos, quer sejam eles espirituais ou fsicos, que existem no universo. Em outras palavras, a imaginao  a viso da alma por meio da qual ela percebe direta e imediatamente idias e pensamentos de toda espcie. E assim, inclusive, a clarividncia  vista como uma extenso do poder da imaginao. 
	Admitindo, como o fazemos, a afirmao de Lvi de que a  vontade e a  imaginao so as faculdades criadoras aduzidas para sustentar as foras naturais durante as cerimnias tergicas, as seguintes perguntas podem ocorrer ao leitor: "O que fazer se as faculdades de algum so apenas medianas? O que fazer se existe uma pobreza de criatividade espiritual?  Se esses poderes no so particularmente potentes e capazes de formulao mgica,  possvel que sejam desenvolvidos e fortalecidos?" A resposta  decididamente afirmativa pois indubitavelmente  possvel desenvolv-los e fortalec-los. Os sbios da Antigidade conceberam vrios exerccios cuja prtica poderia transformar um indivduo mais ou menos comum num indivduo criativo e inspirado. Aquele que est espiritualmente morto pode assim refazer-se e remodelar suas energias de maneira a passar a deter uma faculdade extremamente poderosa de criatividade e gnio. Ocupar-me-ei aqui de dois mtodos, um predominante entre os hindus e o outro praticado por alguns cristos,  tendo eu delineado e explicado o mtodo egpcio numa pgina posterior com um outro ttulo. Embora no advogando o catolicismo com seu  jesuitismo luminar, devo mencionar a existncia de um livro notvel, indispensvel e valioso para o aprendiz, da autoria de um mstico jesuta, Sto. Incio de Loyola. Nesse pequeno volume  esboado um sistema extraordinrio de treinamento que se refere especialmente  imaginao; extraordinrio, quero dizer, quando seguido por seu prprio mrito e divorciado de todo dogma e da teologia catlica. , est claro, cristo na sua inteno, com smbolos que apelam sectariamente aos catlicos. Contudo, mediante um pouco de discernimento, o corao desse mtodo pode facilmente ser separado do resduo doutrinrio dogmtico. Foi por meio desse mtodo experimental que Sto. Incio se tornou o homem de supremo gnio que foi, um homem que conquistou a reputao de ser, conforme o professor William James, um dos mais poderosos engenhos da organizao e construo humanas j vistos sobre a face da Terra. Nesse livro que citamos, Os exerccios espirituais, aconselha seus discpulos a reviver na esfera da imaginao todos os eventos da vida histrica exterior de seu mestre, Jesus Cristo. Pelo mtodo foravam suas imaginaes a ver, tocar, cheirar e provar aquelas coisas invisveis e ensaiar aqueles incidentes h longo tempo acontecidos e desvanecidos, os quais eram percebidos atravs dos sentidos de seu Senhor encarnado. Sto. Incio deseja que a imaginao seja exaltada at o seu pico. Se voc est meditando sobre um artigo de f, ele o estimularia a construir a localidade claramente e com exatido diante da viso do olho mental, e observ-la cuidadosa e rigorosamente, a ponto, por assim dizer, de toc-la. Caso seja o inferno, ele daria a voc pedras ardentes para serem manuseadas; ele faz voc flutuar numa aterradora escurido to espessa quanto piche; ele deposita enxofre lquido sobre sua lngua. Suas narinas ficam saturadas de um fedor abominvel como o do prprio inferno e ele mostra a voc tormentos terrveis, fazendo voc escutar gemidos lancinantes. Ele faria voc construir a viso do calvrio com o Cristo glorificado coroado de espinhos sobre a cruz realizando a redeno da humanidade, inspecionando os cus com olhos doloridos, chamando ao mesmo tempo seu Pai no Cu. Ele faria voc encarar o milagre formidvel da ressurreio e os prodgios realizados h muito na Palestina  - tudo isso Sto. Incio manda que sua vontade crie em imaginao pelo exerccio constante. 
	Alguns anos atrs, Franz Hartman escreveu a respeito desse mesmo assunto que "os exerccios prescritos por Loyola so calculados para desenvolver os poderes da alma, especialmente a imaginao e a vontade. O discpulo tem que concentrar sua mente nas narrativas da Bblia do nascimento, sofrimento e morte de Jesus de Nazar, como se esses fossem fatos histricos reais. O discpulo assim os considera, por assim dizer, como um espectador mental, mas gradualmente trabalhando sobre sua imaginao ele se torna, dir-se-ia, um participante; seus sentimentos e emoes so elevados a um estado de vibraes superiores; ele se torna ele mesmo o ator da pea, vivenciando ele prprio as alegrias e sofrimentos do Cristo, como se fosse o prprio Cristo; e essa identificao com o objeto de sua imaginao pode ser levada a um tal ponto que at mesmo estigmas ou ferimentos que sangram aparecero em seu prprio corpo".
	Embora o teurgo no precise explorar tal prtica a ponto de produzir os efeitos de que fala Hartman,  indiscutvel de que se trata de um mtodo infalvel para estimular aquela faculdade criativa de que se  deficiente. Perseverana e contnua aplicao seguramente proporcionaro ao aprendiz uma vontade invencvel, uma mente capaz de concentrao prolongada e, acima de tudo, uma imaginao que constitui a apoteose da criatividade. Se o aprendizno aprovar a importncia religiosa que o santo atribui a esses exerccios - e se revelar uma profunda reprovao pelo dogma e teologia catlicos - que use sua prpria imaginao para construir seus prprios exerccios que sejam mais favorveis e adequados ao seu temperamento individual. Que ele pinte para si mesmo a imagem de que est sentado junto a uma vigorosa queda d'gua, uma Nigara, e diante de seu olho interior que ele crie uma imagem do rio l em cima em sua nascente murmurando e perambulando no seu calmo curso. Em seguida que ele conceba a gradual aproximao do precipcio, torrentes selvagens de guas ensandecidas, redemoinhando para c e para l em cascatas agitadas de espuma esbranquiada, colidindo contra as rochas, sendo irresistivelmente arremessadas adiante sobre o abismo. Que ele imagine tambm essas toneladas, milhares de toneladas de gua, subindo e descendo impetuosamente sobre o precipcio sob o contnuo eco reverberante do trovo. Conceba, ento, o borrifo espalhando-se em todas as direes, a beleza da rebentao cor de neve refratando a luz do sol em arcos-ris iridescentes, repletos de cores e matizes brilhantes. E que ele oua, e ao ouvir se maravilhe, a voz profunda e trovejante produzida pelo impacto formidando do volume das guas contra as rochas e guas mais abaixo. O aprendiz pode ainda construir em sua imaginao mais coisas familiares: o rudo de um trem veloz, o sabor de chocolate em sua boca, os cheiros de suaves perfumes e fragrantes incensos penetrantes e o contato do carvo incandescente. No s deve a formulao imaginativa do sentido ser distintiva, ou seja, o sabor de chocolate e no de caramelos doces por exemplo devendo ser claramente imaginado, como tambm o mago deve treinar-se de modo a suster a imagem ou impresso. Por meio desses estmulos da imaginao, seu poder germinar e crescer, desenvolvendo-se de modo inconcebvel, e com o passar do tempo o mago dispor de um novo poder de construo espiritual. 
	De maneira semelhante, os hindus prescrevem a meditao visando ao mesmo, tendo como objeto os Tattvas ou os smbolos coloridos dos elementos, dos quais eles sustentam cinco. As combinaes desses cinco resultam em trinta elementos e subelementos, cujos smbolos pictricos produzem objetos notavelmente bons para o exerccio da imaginao. Dispe-se de um tringulo equiltero vermelho, Tejas; um crescente prateado horizontal, Apas; um crculo azul, Vayu; Prithivi  um quadrado amarelo e Akasha uma forma oval negra. As combinaes de dois smbolos quaisquer, como um tringulo vermelho encimando um crescente prateado, ou um pequeno crculo azul colocado no centro de um quadrado amarelo parecem de uma maneira bastante singular se destacarem do fundo negro da viso interior e estimular todos os poderes da imaginao. Mas pouco tempo basta para adquirir eficincia na visualizao desses smbolos, de sorte que quando o operador se aproxima das tarefas mais importantes da magia prtica, tais como a formulao do corpo de luz ou Mayavi-rupa e a construo imaginativa das mscaras ou formas simblicas dos deuses, descobrir que em seu interior h uma fora criativa poderosa que o servir bem. Todo esse treino, incluindo os exerccios de Sto. Incio e os smbolos dos Tattvas, nunca  em vo e nunca se avizinha da futilidade, visto que tal treino proporciona o fundamento de todo trabalho tergico, sem o qual muito pouco de permanente e significativo pode ser concretizado. 
	Concordamos com as observaes do mago francs no que dizem respeito  imaginao, que ela  a maior maga do universo.  a essa faculdade que devemos as criaes imortais da poesia, da msica e de todas as artes. A Cano e suas Fontes, um dos pouqussimos trabalhos sensveis de um poeta que lida com as origens de sua arte, confirma isso, e constitui uma prova salutar das teorias mgicas que concernem  imaginao. A. E. se aproxima bastante da filosofia tergica  na  medida em que supe que em nossa natureza espiritual exista um ser transcendental que acorda quando dormimos e  conhecido vagamente nos estados dualistas do sonhar, quando a conscincia parece dividida, e confere inspirao e luz atravs do mundo estelar da imaginao.  o cristalino do eu criativo, sendo este aquele poder que opera milagres, curando os enfermos, trazendo socorro aos fracos e geralmente outorgando as revelaes do esprito em benefcio dos homens. 

CAPTULO VIII
	Em sua introduo aos Aforismos de Yoga de Patanjali, William Q. Judge afirma que os antigos sbios hindus conheciam o segredo do desenvolvimento da vontade, e como aumentar dez vezes tanto sua potncia quanto sua eficincia. Esse segredo das eras,  a ampliao do poder da vontade e da sabedoria jamais foi perdido. A vontade para o aprendizda teurgia divina  o fator primordial na produo de quaisquer alteraes espirituais a que ele se proponha, e conseqentemente qualquer coisa que tenda a aumentar esse potencial e despertar suas possibilidades latentes, transform-lo numa fora irresistvel absoluta capaz de ser conscientemente manipulada, pertence  natureza de uma bno transcendental. A vontade no  boa nem m;  to-somente poder e vitaliza todas as coisas igualmente. H vrias sugestes propostas por Lvi em seu Dogma e ritual de Alta Magia, algumas das quais so as seguintes: "Se ireis reinar sobre vs mesmos e os outros, aprendei como querer... Como podemos aprender a querer?...  Observncias que so aparentemente as mais insignificantes e em si mesmas estranhas ao fim a que se propem, conduzem, contudo, a esse fim mediante a educao e o exerccio da vontade... O homem pode ser transformado pelo hbito, o qual, segundo o adgio, torna-se sua segunda natureza. Por meio de exerccios atlticos persistentes e gradativos, a energia e a agilidade do corpo so desenvolvidas ou criadas num grau espantoso. O mesmo ocorre com os poderes da alma". A essncia de suas sugestes, que s pode impressionar pela sua sensatez, corresponde a isto. Por meio de um ascetismo conscientemente imposto, negando-se a si mesmo durante o treinamento certas coisas normalmente consideradas necessrias, para aprender em suma a arte da autoconquista e como viver, -se livrado das vicissitudes do eterno fluxo e refluxo que  a vida, e obtm-se uma vontade altamente treinada.  imperativo que as palavras "ascetismo auto-imposto" sejam notadas e que precedam a frase "durante o treinamento"; isto  de extrema importncia como a chave de abertura aos Portais da Vontade. Antes de pronunciar esse enunciado vale refletir em como pode ser chamado de "autonegao" aquilo que nega apenas o no-eu das coisas pelas quais se anseia para abrir aquelas trevas cegas  luz da vontade verdadeira, a viso interior  e o eu real. Esse ltimo no  negado em absoluto. So unicamente os desejos de Ruach, essa entidade cujo egosmo muda com o passar de cada hora, que so negados e disciplinados de modo a torn-lo um instrumento til atravs do qual o Santo Anjo Guardio e seus pares podem trabalhar sem restries e retardamentos inteis. 
	O fator digno de nota nesse sentido  que o voto de ascetismo tem que ser mantido em seu devido lugar. Esse voto deve ser assumido para uma finalidade bem definida e claramente compreendida alm da qual no se deve jamais permitir desviar-se. Havendo desvio, tudo estar perdido. Quando o voto realmente ultrapassa os confins da inteno premeditada, o ascetismo como a extrema voluptuosidade  um vcio desordenado, pertencente s tendncias sutis do ego e, por conseguinte, decididamente para ser desestimulado e suprimido. H crticos que afirmam ser o ascetismo uma forma de egosmo e egocentrismo. Quando essas crticas severas so dirigidas apenas queles que dele abusam, aqueles que considerariam suas negaes e seus flagelamentos flagrantemente pblicos como supremas virtudes e que obtm muito prazer quando seu vcio  aclamado em pblico, a acusao  correta. Mas no em caso diverso. Que se entenda que o ascetismo no  um vcio ou uma virtude, tal como a prpria  vontade no  boa nem m. No possui em si mesmo mrito de espcie alguma exceto ser uma matria de convenincia para quem quer que seja que o abrace com a finalidade de treinamento. Tal como no treinamento de um boxeador, por exemplo, intemperanas como beber e fumar so escrupulosamente eliminadas da lista das tolerncias em relao a ele, negaes nas quais obviamente no se pode imputar nenhuma virtude moral, o mesmo ocorre com o ascetismo que o teurgo assume para si mesmo. O ascetismo ao qual a magia se refere e do qual  Lvi  fala  algo inteiramente diferente do vcio egotstico ordinrio, j que tem como seu objetivo precisamente o fortalecimento da  vontade e a abnegao mstica desse  ego.  esse falso ego ao qual o egosta e o pretenso asceta em nome apenas se prendem to devotadamente, a despeito de ser para seu eterno detrimento, e que o mago procura oferecer em sacrifcio de maneira que o Esprito Santo descendo sobre o altar em penetrantes lnguas de fogo possa consumir a oferenda e nele viver para sempre. 
	Referindo-se aos mistrios de outrora, Lvi observa que quanto mais terrveis e perigosos eles fossem, quanto mais severos fossem os rigores que impunham, maior seria sua eficincia. Assim  com esse ascetismo. Quanto maiores as negaes da personalidade, quanto mais necessidades intemperantes so removidas do modo costumeiro de vida, maior a aquisio da fora de vontade e mais fcil realmente se torna destruir os laos egicos. Ainda assim, o ascetismo no deve ser to terrvel a ponto de danificar os instrumentos com os quais o mago  obrigado a trabalhar. O astrnomo no destri seu telescpio num acesso de ira cega. Cortar a garganta para ofender o prprio crebro  uma insanidade e  completamente estpido. Se o aspirante estiver predisposto a ceder a disparates desse tipo, melhor ser para ele abster-se totalmente da magia e permanecer junto ao calor e quietude da lareira de sua sala de estar. 
	Uma tcnica extremamente eficiente foi desenvolvida por um mago contemporneo*, um sistema sumamente prtico isento de todas as desagradveis implicaes e tendncias morais dos sistemas mais antigos. De acordo com esse sistema**, a tcnica  de tal modo arranjada de maneira a cobrir o campo todo da ao, discurso e pensamento humanos, sendo, portanto, aplicvel  constituio humana inteira. Na base, est de acordo com a concepo geral do ascetismo de que uma certa ao, palavra ou pensamento, que se tornou habitual e uma parte de Ruach, deve ser negado, por exemplo, o voto de por um perodo provisrio de digamos uma semana abster-se de cruzar as pernas sobre o joelho ao sentar, ou  talvez tomar a deciso de no erguer a mo esquerda at a cabea  ou o rosto. A grande vantagem desse sistema  que inexiste pendor moral nessas sugestes. No  virtuoso abster-se de cruzar as pernas sobre o joelho ou  no tocar o rosto com a mo esquerda. Assim o operador  liberado da tendncia de fazer de seu ascetismo uma tola virtude.  necessrio observar, ademais, que no h a sugesto de aplicar o princpio asctico nesse esquema ao que se denomina comumente mau hbito, como fumar, beber ou  blasfemar. Faz-lo seria convidar certos indivduos a considerar sua abstinncia de fumar ou beber uma virtude, a ser grandemente louvada, em lugar de compreender que a negao  simplesmente uma questo de convenincia e treino, uma idiossincrasia pessoal  qual nenhum crdito ou culpa podem ser vinculados. Uma postura inteiramente impessoal de imparcialidade deve ser mantida e a aplicao do esquema  necessria quelas aes, palavras e pensamentos aos quais  plenamente impossvel atribuir um valor moral.  inconcebvel que o leitor inteligente faa uma virtude do fato de abster-se de cruzar a perna sobre o joelho ou de ocasionalmente no tocar a cabea com sua mo esquerda. Tal postura, absolutamente essencial, deve ser cultivada em qualquer ramo da magia. 
* Aleister  Crowley. (N. T.)
 ** Liber Jugorum, O Equincio, Londres, 1912. 
((Ilustrs. a cores dos quatro smbolos dos Tattvas))
	Ora, para cada transgresso do voto ou juramento de abster-se de um certo procedimento um certo castigo deve ser infligido.  nessa disciplina que a vontade conquista seu treinamento e fora. Por exemplo, suponha-se que o operador fez um juramento mgico de abster-se durante um perodo de quarenta e oito horas de cruzar a perna esquerda sobre o joelho direito ao se sentar. Num momento de distrao, pode ser que o mago cometa a ao proibida. Essa transgresso deve ser punida, de maneira a produzir uma impresso profunda e duradoura na mente, com um corte no brao feito por uma navalha. A ao interditada  assim gravada no antebrao com um talho penetrante para auxiliar a memria preguiosa. 
	Na segunda seo relativa ao discurso, alguma palavra freqentemente utilizada no discurso dirio como "eu" ou "e" ou qualquer outra expresso corrente no falar usual do mago deve ser interditada durante um perodo de vrios dias, uma semana, ou meses, conforme o caso. No desenrolar desse perodo ou a palavra  inteiramente omitida, ou alguma outra palavra  empregada em seu lugar. Um certo pensamento que seja impessoal e isento de tendncia moral  o tema da ltima seo quando se adquiriu suficiente competncia e j se tirou proveito das duas sees anteriores. Em todo caso de esquecimento o castigo e penalidade  um corte pronunciado no brao. Essa ltima seo tem implicaes de grande envergadura, particularmente no que diz respeito ao treinamento da mente. Se alguns pensamentos foram proibidos de ingressar atravs dos portais no vigiados da mente e alguma habilidade foi obtida em fazer valer essa deciso, ser necessrio um prolongamento adicional da prtica para fechar os portais e barrar todos os pensamentos de qualquer tipo que sejam da mente. Desse modo, alcana-se o objetivo idntico da ioga: o esvaziamento pela vontade de todo o contedo da mente. 
	E agora consideremos o resultado dessa tcnica disciplinar. Acima de tudo, nenhuma questo arbitrria de tica ou moral entra nessa tcnica de ascetismo. Trata-se simplesmente de uma forma elaborada de treinamento atltico, por assim dizer. O corpo no  torturado com base no princpio ordinrio e conforme o costume usual de que a alma eterna pode viver e encontrar bem-aventurana em sua libertao do corpo. Essa postura no leva em conta que se o ascetismo  um estgio na jornada da alma rumo ao seu ideal, caso seja conduzido a extremos  ao mesmo tempo uma recusa cega da nutrio de que essa jornada necessita para ser sustentada. O princpio radical que envolve a prtica dos faquires que dormem sobre leitos de pregos ou arame, mantendo seus braos eretos pelo perodo inteiro de suas vidas, dilacerando carne viva de seus corpos submetidos a longo sofrimento, tudo isto  repreensvel do ponto de vista do teurgo e se ope cabalmente em princpio ao mtodo esboado acima. O corpo no  uma coisa do mal; definimos anteriormente corporeidade e espiritualidade como graus distintos de uma substncia divina. Todos os veculos do esprito so instrumentos atravs dos quais ele pode atuar, obter experincia e atingir um conhecimento de si mesmo, e embora em assuntos pertinentes  comunho celestial alguns se limitem a ser um estorvo se no forem treinados, a observao simplesmente demonstra a necessidade de treinamento e no de destruio cruel e sem sentido. 
	Mediante a tcnica de ascetismo da teurgia se decide simplesmente a lograr um controle consciente sobre certos aspectos da organizao fsica e mental, e esse controle tende  aquisio de um enorme aumento de potencial de vontade. O corte do brao produz um pouco de dor,  verdade, embora essa dor seja til e necessria para estabelecer certas correntes nos centros de inibio do crebro ou mente, as quais produzem a instalao de uma curiosa vigilncia por parte da vontade, um fluxo inconsciente livre de fora de vontade que est continuamente presente e pronto para executar os desejos do mestre. Descobrir-se- no caso de uma deciso tomada de no cruzar as pernas que ao "bater papo" casualmente com um grupo de pessoas e numa condio de completo esquecimento do juramento, qualquer tendncia automtica das pernas de repetir instintivamente o hbito ao qual foram acostumadas h muito tempo ser imediatamente detectada pela vontade antes que o ato proibido seja mesmo meio completado e a tendncia ser interrompida em seu incio. Tem sido observado repetidas vezes que precisamente quando as pernas esto na iminncia de se cruzarem, mesmo durante o sono mais profundo quando o corpo produz movimentos espasmdicos automticos, a  vontade operando a partir dos centros inibitrios da mente faz lampejar uma advertncia espontnea que resulta no impedimento da ao. Se adormecido, ocorre um despertar imediato com total conscincia do ato pretendido. Ao menos, essa  a base lgica que prevalece depois de o operador ter falhado cerca de uma dzia de vezes e quando seu antebrao se tornar belamente adornado por uma quantidade igual de cortes. Sucede particularmente isso no caso da proibio da palavra "eu" que se pode bem usar como objeto da prtica. Normalmente, somos to pessoais e to apegados a todas as coisas egoicamente que nas conversas ordinrias mantemo-nos mais interessados em falar de ns mesmos, e as frases "Eu fiz isto", "Eu fiz aquilo" entram mais no discurso do que quaisquer outras. Conseqentemente, no incio, quando os benefcios do silncio criterioso so, de maneira muito enrgica, transmitidos  personalidade, o brao no sofre pouca coisa. Pode ser at necessrio recorrer  decorao de ambos os antebraos at o ego rebelde e sua voz responderem ao treinamento, decidindo-se a obedecer incontinenti aos ditados da  vontade. 
	A conseqncia  bvia.  medida que o tempo progride atravs dessa tcnica, o mago realiza duas coisas separadas, ambas aspectos importantes da Grande Obra. Uma vigilncia perptua que se avizinha de uma corrente sumamente poderosa de fora de vontade foi gerada. Isso, desde o incio, tende a conduzir as atividades multifrias do ser humano ao controle consciente da vontade. Se, como o Abade Constant observou, as operao mgicas so o exerccio de um poder que embora natural  superior s foras comuns da  natureza, esse poder sendo o resultado de um conhecimento e uma disciplina que exaltam a vontade alm de seus limites normais, ento essa prtica preenche da maneira mais concebvel todos os requisitos que at mesmo ele teria dela exigido. E a vantagem disso para o nefito que fez o voto a si mesmo da consecuo de nada menos do que o Conhecimento e conversao do santo, o anjo que o guarda, no pode ser superestimada. Em suas mos  colocado um tremendo poder de vontade, de significao espiritual e de aplicao inconcebivelmente criativa. 
	O segundo aspecto da realizao  que no apenas o mago se descobre a si mesmo de posse de uma  vontade ampliada como tambm o prprio Ruach, todas as faculdades compreendidas no ego anteriormente to problemticas e carentes de concentrao gradualmente, graas  vontade dinmica e  contrao proveniente da dor corprea, colocam a si mesmas sob controle. O praticante ter sobrevivido ao horror e desagrado iniciais de infligir esse leve castigo ao seu brao, vendo seu corpo pela primeira vez em seu devido lugar, como um servo a ser empregado e comandado e cujas recusas rebeldes a acatar ordens emitidas por uma fonte superior so severamente reprimidas e penalizadas. Espera-se sinceramente que a base dessa tcnica no seja to mal compreendida a ponto de fazer surgir observaes grosseiras com relao a  Hatha Yoga ou ao masoquismo. No h prazer algum em cortar o brao com uma navalha; desse fato unicamente o leitor pode estar inequivocamente assegurado. 
	Tal vontade pode tornar-se uma fora to poderosa pela disciplina e treinamento que nas instrues acrescidas a uma recente verso de uma  invocao, o editor sugeriu que a  vontade fosse formulada no mundo criativo sob a forma de um basto mgico, seu verdadeiro smbolo, ou um feixe luminoso brotando numa linha reta e perpendicular do mago na direo e para dentro do  infinito. Essa observao sugere que longe de ser uma impalpabilidade metafsica intangvel, uma incoerncia, o que  geralmente o caso com o indivduo mdio, para o mago a vontade  uma definida fora espiritual controlvel, que como todas as demais faculdades da alma, pode ser empregada por seu senhor e mestre. 
	H ainda um outro mtodo de treinamento da vontade. Embora pertena de direito aos processos da ioga, sua importncia no pode ser superestimada. Trata-se daquele ramo da  ioga de oito membros que  chamado de  Pranayama, uma prtica que proporciona a quem quer que a exera uma colheita tripla. Em primeiro lugar, a absoro de grandes quantidades de oxignio e prana tem um efeito indiscutvel nas glndulas endcrinas.  incontestvel que particularmente as glndulas intersticiais recebem um estmulo tremendo. Conseqentemente, de um ponto de vista puramente fsico, a inteira personalidade  inundada por uma riqueza de energia criativa destinada a reagir favoravelmente, quando preservada, sobre a mente, a vontade e todos os outros aspectos da constituio humana. Na verdade, pode-se chegar ao ponto de afirmar que essa energia criativa, fsica como possa parecer, colabora para formar a base da viso espiritual. Em segundo lugar, em sua Raja Yoga, o falecido Swami Vivekananda fornece uma admirvel explicao do efeito da respirao rtmica regulada, que fortalece e estimula a  vontade at uma concentrao formidvel de fora. Em sntese, sua teoria  a de que se fazendo todas as clulas de um ser vibrar em unssono, uma poderosa corrente eltrica de vontade  estabelecida no corpo e na mente. E o meio para estabelecer essa vibrao em unssono  uma aspirao e exalao rtmicas do alento. 
	Ignorando, para efeito de argumento, a teoria de que o  Pranayama detm efetivamente o efeito delineado no pargrafo anterior e suspendendo o exame de qualquer teoria mstica, h ainda um outro resultado que no pode ser posto em dvida por ningum. Qualquer indivduo que tenha tentado o Pranayama mesmo por apenas alguns momentos entender imediatamente o que significa. Poder-se-ia dificilmente imaginar algo mais tedioso, laborioso e penoso do que esse simples conjunto de exerccios, pois o mago senta-se sossegadamente duas ou trs horas durante o dia por um perodo de, digamos, trs ou quatro meses  na tentativa de respirar num ritmo regular e calculado, simplesmente observando com cuidado a inalao e exalao do fluxo do alento,  uma das mais rduas tarefas que a imaginao pode conceber. Exige o exerccio da fora de vontade mxima e uma resoluo inabalvel para continuar. Ao fazer isto, o indivduo  levado de maneira incisiva a encarar a inrcia e lassido do corpo, necessitando-se no pouca austeridade, autodomnio e uma fora de vontade inflexvel para persistir na tarefa em relao  qual ele celebrou um voto. Caso o praticante no tenha obtido qualquer resultado daqueles descritos nos livros tcnicos, tais como a desacelerao do movimento da mente ou a ocorrncia de vrias alteraes psicofisiolgicas, ter, ao menos, ganho um incalculvel aumento de fora de vontade e uma firmeza invencvel de propsito por ter treinado a si mesmo na superao da indolncia das condies corporais, a inrcia mental e a oposio ao treinamento. "Aprender o autodomnio , portanto, aprender a viver, e as austeridades do estoicismo no eram v gabolice de liberdade... Resistir  natureza e sobrepuj-la  atingir para si mesmo uma existncia pessoal e imperecvel;  pr-se livre das vicissitudes da vida e da morte*."  fato reconhecido e demonstrvel que a disciplina e pacincia impostas pelo  Pranayama,  parte toda a teoria da ioga, deixaro o mago em posio vantajosa quando tiver de enfrentar as tarefas mais complexas e difceis da magia. 
* Mistrios da Magia, liphas Lvi. 
	H alguns indivduos sobre os quais a magia cai como sobre solo estril. Crentes de que o desenvolvimento consciente do gnio mediante o treinamento mgico constitui uma impossibilidade na natureza, asseveram que as faanhas mais grandiosas e as mais excelentes obras criativas so realizadas inconscientemente e no pela vontade; que os mais nobres exemplos da arte, literatura e msica recebem sua principal inspirao de uma parte do homem que  independente de sua vontade e conhecimento conscientes. Esse fato, sem dvida,  verdadeiro, e  aqui que o mago  superior ao artista comum. No caso do artista, a inspirao  automtica, independente de seus prprios desejos e conhecimento mesmo, e nesse sentido ele  um instrumento passivo, um meio. O mago, entretanto, se prope um objetivo mais elevado, desejoso conscientemente de conhecer aquele poder nele que  o criador, o vidente, o conhecedor. Chega a isso por meio de um ato ou uma srie gradual de atos da vontade. O objetivo ltimo  a identificao da  vontade mgica com o ser todo, de modo que sua aplicao no exige maior esforo consciente do que o movimento dos lbios e o erguer da mo, uma fora to constante e continuamente presente como a gravitao. 
	A magia cerimonial, que seja entendido, como um meio de adquirir o potencial requerido de fora de vontade,  principalmente para uso do principiante. "Sendo as cerimnias, como dissemos, mtodos artificiais para criao de um hbito de vontade, se tornam desnecessrias uma vez esteja o hbito consolidado... Mas o procedimento tem que ser simplificado progressivamente antes de ser completamente dispensado**." Caso se adote rigorosamente uma prtica programada, depois de um certo tempo o mago por de lado completamente o cerimonial, confiando no trabalho improvisado no interior dos limites de seu  crculo mgico interno, e ainda posteriormente se aplicar quela prtica mgica chamada de missa do Esprito Santo. A aplicao habilidosa desse engenho mgico reverberante deve resultar no desenvolvimento de um centro de alta potncia de vontade. Atingido isso, todas as tcnicas podero ser postas de lado por terem j servido ao seu propsito melhorando o bem-estar do indivduo, no sendo mais os exerccios necessrios. 
** Dogma e ritual de Alta Magia, liphas Lvi. 
	O princpio  comparvel  a  um princpio  reconhecido  no esporte. Durante uma partida de tnis, por exemplo, um jogador poderia executar alguns lobs e voleios realmente maravilhosos numa nfima frao de segundo, estando a deciso consciente absolutamente fora de questo. As melhores tacadas no bilhar, como muitos bem o sabem, so aquelas feitas acidentalmente. Para o aspirante no tnis, ou  um jogador desejoso de melhorar, somente uma imensa quantidade de prtica  deliberada produzir aquela habilidade consumada que ir operar livremente em todas as ocasies. Assim  com o mago. Nesse caso, o verendo da arte que foi ciosamente oculto do olhar do pblico  ainda mais guardado nas profundezas de sua conscincia espiritual, de sorte que por ningum no mundo inteiro  sua existncia adivinhada. To vigorosamente poderoso  esse basto que por um ligeiro brandir do mesmo os mundos poderiam ser destrudos, e com outro leve brandir novos mundos poderiam ser trazidos ao ser. 
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	Unido de maneira peculiar  vontade e  imaginao nas evocaes cerimoniais est um outro poder ou uma outra fora cuja presena ou ausncia representa o sucesso ou o fracasso da operao. O segredo de toda magia cerimonial  simples, embora nem  sempre bvio. Celebrar cerimnias mgicas encaminhando cada mnimo detalhe com cuidado, executando os banimentos, fumigaes e circumpercursos externos, vociferando as conjuraes e gemendo os nomes brbaros de evocao no  critrio para que a invocao tenha xito em sua finalidade ostensiva, ou para que o clima esttico da operao "acontea". A incapacidade de compreender isso encontra-se no fundo de uma boa quantidade de histrias mais ou menos humorsticas sobre magia contadas por pessoas que, tendo se tornado intelectualmente interessadas em sua tcnica, e tendo seguido cuidadosamente as instrues expostas nos engrimanos ordinrios de fcil obteno, se decepcionaram com a falta de resultados. Todas as precaues apropriadas foram tomadas. Belos mantos da melhor seda foram providenciados, candelabros de prata e bronze, incensos compostos dispendiosamente e conjuraes primorosamente escritas. A despeito de todo esse preparo, entretanto, nada absolutamente aconteceu.  Nem as mais leve presso foi produzida na atmosfera astral circundante, e uma mo colocada cautelosamente fora dos limites do crculo no foi paralisada, como ocorreria segundo a lenda, como se por um raio lanado por um esprito irado. H uma esplndida histria que vem  mente de um aprendiz entusiasta que se empenhou em "praticar magia" antes de ter atingido uma compreenso dos princpios elementares em que se apia a magia cerimonial. Ele desejava, a ttulo de teste, invocar uma ondina, um esprito do elemento gua, e a fim de faz-lo ocorreu-lhe que uma operao realizada nas proximidades da gua eliminaria muitas dificuldades. Como stio de operao Eastbourne foi escolhida e o tal aprendiz, levando consigo o equipamento da arte, embarcou para essa praia "solitria". Uma noite, j razoavelmente tarde, quando a maioria dos cidados respeitveis da praia j dormiam sossegadamente, ele se dirigiu para a beira do mar, a mar muito ao longe. Traado o seu  crculo, depois do altar e as luzes terem sido instalados sobre a areia, ele iniciou suas conjuraes  medida que uma nvoa se adensava. Suas vociferaes eram altas e os sonoros gemidos, selvagens,  fazendo com que os nomes brbaros tornassem horrenda a noite, cuja tranqilidade foi arruinada; nuvens de incenso espesso se elevavam em espirais do altar, envolvendo todo o cenrio de uma nvoa repulsiva de fumaa perfumada. A nica ondina que esse mago viu  foi  uma enraivecida criatura vestida de azul: um policial. 
	Desde que o acima exposto foi escrito, perpetrou-se uma imbecilidade ainda mais grosseira e bem menos desculpvel. Alguns membros de uma famosa sociedade de pesquisas se convenceram de que era inadivel expor a magia em todos os seus ramos, demonstrar que no possua qualquer realidade, e, imbudos desse nobilssimo objetivo, tomaram providncias para realizar uma cerimnia com base nas instrues deturpadas de um certo engrimano no alto de uma colina no continente. As conjuraes foram devidamente recitadas em conformidade com as ditas instrues por uma virgem de manto branco junto a um bode, o qual segundo promessa do engrimano seria transformado num jovem da mais arrebatadora beleza. Essa transformao,  claro, no ocorreu, e muita publicidade foi feita em torno dessa cerimnia cujo  fito era  pr um fim a todas as cerimnias. Hordas de pessoas curiosas afluram ao alto da montanha, a qual durante o rito estava inflamada de luzes de arco voltaico de alta potncia! Faz-nos lembrar de certo modo do simplrio que depois de encher o bule e coloc-lo sobre um dos bicos de gs do fogo se esquece, contudo, de usar um fsforo para ligar o gs; quando, aps uma hora, ele constata no haver nenhum sinal de um bule com gua fervente, declara com suma indignao e no pouco desprezo que essas geringonas modernas no servem para nada. 
	No acredito que essa cerimnia farsesca requeira muito comentrio. Mostra o tipo extraordinrio de inteligncia que no  capaz de distinguir entre um livro tolo de feitiaria e a genuna  magia telstica; e tambm incapaz de compreender a verdade da injuno segundo a qual  o pensamento, a vontade e a inteno que atuam de maneira preponderante na operao mgica cerimonial, os smbolos e  sigillae externos sendo secundrios e tendo menos importncia. O  Magus de Barrett, em todo caso, prope para a considerao desses pesquisadores "cientficos"  que  "a razo de exorcismos, sortilgios, encantamentos, etc. s vezes no atingirem o efeito desejado  a mente ou esprito no-excitado do exorcista tornar as palavras ftuas e ineficazes".
	Eis ento numa curta frase o segredo do sucesso. Os Orculos caldeus afirmam que se deve "invocar com freqncia"! Abramelin, o Mago, aconselha que se deve "inflamar-se" com orao. A chave est implcita nessas afirmaes concisas. Invocar freqentemente denota um certo grau de persistncia e entusiasmo, e o princpio no qual criam os antigos magos era que se um homem orar ou invocar o tempo suficiente com seus lbios pode acontecer que encontrar a si mesmo um dia proferindo sua invocao de todo corao. Sucesso implica acima de tudo entusiasmo. E o entusiasmo que o mago deve cultivar  uma espcie indescritvel de excitao ou arrebatamento, por meio dos quais ele  transportado completamente para fora de si e alm de si. Trata-se de uma qualidade inteiramente incompreensvel e, por conseguinte, indefinvel. O mago deve inflamar a si mesmo, o que  hislahabus ou auto-intoxicao, o que os cabalistas conceberam como sendo o prprio clice da graa e o vinho da vida. Cada nervo, cada fibra do indivduo, fsico, astral, mental; cada tomo em seja qual for departamento da constituio humana deve ser estimulado a um clmax febril e todas as faculdades da alma exaltadas ao mximo. Tal como o artista - o poeta, o danarino, o prprio amante -   arrastado numa loucura de paixo inflamada, um frenesi de criatividade, o mesmo deve suceder com o mago. Deve ser impulsionado em sua cerimnia por um entusiasmo mntico que embora nele presente e uma parte necessria das foras que o compem, no  de modo algum aquilo que ele normalmente inclui em seu  Ruach. No participa do ego mundano do estado de viglia embora exalte esse ego numa crista de bem-aventurana, de maneira que toda conscincia de sua existncia  transcendida, sofrendo um novo nascimento com um horizonte maior e mais amplo. 
	Afirma Jmblico: "...a energia entusistica, entretanto, no  o trabalho seja do corpo seja da alma, ou de ambos conjugados".  impossvel formular regras tericas para a induo desse frenesi, para a aquisio desse estmulo, para a produo desse espasmo mntico. De povo para povo os fatores variaro para produzir o estmulo e a excitao. Para um indivduo, poder vir atravs de invocaes prolongadas e reiteradas feitas durante um perodo de vrias semanas ou meses. Um aprendiz pode ficar to impressionado pelo puro mistrio e sugesto, por assim dizer, de dada cerimnia, que  possvel que o resultado seja includo. Um outro pode ser curiosamente comovido e alegrado pelo estilo lrico no qual as invocaes esto escritas, por suas imprecaes e comemoraes, ou mesmo pelos nomes estranhos e brbaros de evocao, no importando quo ininteligveis possam ser para seu ego consciente.  possvel que a despeito de um excelente  conhecimento  intelectual da  Cabala, tenha lhe escapado uma interpretao adequada ou satisfatria de alguma dessas palavras misteriosas;  quando de repente, durante o desenrolar de uma cerimnia, sua significao lampeja arrebatadoramente sobre ele com um fulgor escarlate, um fulgor de jbilo, e assim excitado ele  transportado com sua descoberta na onda crescente de xtase. Talvez o cheiro de um perfume em particular, a psicologia dos deslumbrantes mantos de seda e coberturas de cabea, at mesmo o esgotamento fsico que  a conseqncia da dana - essas so possveis causas daquela exaltao que o mago tem que cultivar. No que diz respeito ao mago habilidoso, todos esses fatores estaro contribuindo para a finalidade, produzindo assim um arrebatamento exuberante, vasto como o mais vasto dos mares e to elevado e abrangente quanto os ventos que sopram dos plos. E ento, como brota a rosa  vermelha da terra negra,m crescer da  natureza amorfa do homem da terra, sob a luz daquela exuberncia, a flor de muitas ptalas da alma restaurada. Gradativa e lentamente se manifestaro os poderes espirituais e as faculdades latentes como ptalas que procedem do interior. Tal como as flores brancas como neve que florescem na accia se desenvolvem at que toda a rvore da regenerao seja coberta e dobrada sob o peso de muitas flores, do mesmo modo da raiz do xtase  desenvolvida a viso e o perfume. Como na lenda rosacruciana a vida dos filhotes de pelicano  mantida pelo recurso de sacrifcio da me, as foras exteriores do mago so alimentadas quando o ego sucumbe  intoxicao, tanto a partir do esprito interior quanto a partir de seu senhor feudal, os deuses que so invocados de cima. 
	Que nunca se esquea que o segredo da invocao e de todo ato mgico   "Inflame-se com orao" e "Invoque com freqncia!".

CAPTULO  IX
	H vrios aspectos do procedimento mgico no trabalho cerimonial que  preciso considerar. Que o som, por exemplo, detm um poder criativo ou formativo, isto  h muito reconhecido e conhecido pela maior parte da humanidade. O  mantra dos hindus e seus efeitos sobre o crebro bem como sobre as ramificaes nervosas do corpo tm sido o assunto reiterado de considervel quantidade de experimentos cientficos e leigos. Uma teoria racional referente ao mantra sagrado sustenta que sua ao no crebro pode ser comparada  de uma roda que gira celeremente e por cujos raios nenhum objeto pode passar. Afirma-se que quando o mantra  firmemente estabelecido e o crebro tenha absorvido automaticamente sua tonalidade fluida, todos os pensamentos, at mesmo o do mantra, so projetados para fora, e na mente esvaziada de todo contedo a experincia mstica pode acontecer. H uma outra teoria sustentada por outras escolas de ocultismo que afirma que a vibrao estabelecida por um mantra possui um efeito purificador sobre toda a constituio humana; que por meio de sua ao vibratria os elementos mais grosseiros do corpo so gradativamente expelidos, um processo de purificao que ocorre e afeta no apenas o corpo de carne, sangue, crebro e terminais nervosos como tambm tanto o corpo de luz quanto a completa estrutura mental dentro da esfera de sua ao. Na admirvel biografia de Milarepa, o iogue budista, publicada pela Oxford University Press, existe a seguinte nota de p de pgina: "De acordo com a escola Mantrayana est associada a cada objeto e elemento da natureza... uma taxa particular de vibrao. Se essa for conhecida, formulada num mantra e utilizada habilmente por um iogue aprimorada, como era Milarepa, afirma-se ser capaz de impelir as divindades menores e elementais  apario e as divindades superiores a emitir telepaticamente sua divina influncia em raios de graa."
	Sustenta-se em magia que a vibrao de certos nomes divinos conduz  produo de seus fenmenos psicolgicos e espirituais. "Por qu?" pergunta Blavatsky em A doutrina secreta. Respondendo  sua prpria pergunta ela afirma: "Porque a palavra falada possui uma potncia desconhecida, insuspeita e desacreditada dos modernos 'sbios'. Porque som e ritmo esto estreitamente relacionados aos quatro elementos dos antigos, e porque certamente esta ou aquela vibrao no ar desperta poderes correspondentes, sendo que essa unio produz bons ou maus resultados, dependendo do caso".
	A lenda que se refere ao Tetragrammaton hebraico  interessante. Aquele que conhece a pronncia correta de YHVH, chamado Shem ha-Mephoresh, o Nome impronuncivel, detm o meio de destruir o universo, seu prprio universo particular e arremessar essa conscincia individual ao samadhi. Ademais, a teoria mgica assevera que a vibrao estabelecida pela voz humana possui o poder no s de moldar a substncia plstica da luz astral sob vrias configuraes e formas dependendo de seu tom e volume, como tambm de impulsionar a ateno de entidades e essncias metafsicas para aquele molde. 
	O poder do som pode ser comprovado com absoluta facilidade por meio de alguns experimentos superficiais, mas sumamente interessantes. O proferir do monosslabo Om  em voz alta e penetrante se sentir, sem dvida, vibrando de maneira notvel tanto na garganta quanto no trax. Atravs da repetio, a capacidade de aumentar a potncia ou freqncia das vibraes e a rea de sua detonao podem ser ampliadas de modo bastante considervel. Por meio de uma certa quantidade de prtica criteriosa, sempre acompanhada do exerccio da inteligncia, o praticante se achar capacitado a vibrar uma nica palavra de maneira a fazer o corpo todo estremecer e tremer sob o impacto do poder da palavra. Por outro lado, a prtica tambm capacitar o aprendiza limitar, por exerccio de sua vontade, a vibrao a uma certa rea ou localidade de seu corpo. Desnecessrio dizer que se deve ter sempre um enorme cuidado, pois no se requer nessa prtica que o corpo seja fragmentado ou despedaado por vibraes catastrficas. 
	H famosos exemplos do poder destrutivo do som causado pela ribombar do trovo ou a exploso de granadas. Temos a histria amide repetida, e que vale bem a pena mencionar aqui, de um truque realizado por um grande cantor. Ele d uma pancadinha de leve com a unha do dedo num copo de vinho de modo a faz-lo retinir; em seguida, captando a nota com sua voz entoa a mesma nota com sua boca precisamente acima do copo. Passado um momento, estando sua voz vibrando em unssono com a nota emitida pelo copo, ele bruscamente substitui a nota por uma mais alta, e o copo inesperadamente cai despedaado. Ele est brincando com a lei da vibrao, pois todas coisas, visveis e invisveis, adentram sua esfera, e todo objeto concebvel existe num plano definido, possuindo uma taxa de vibrao diferente. Toda massa orgnica e inorgnica  composta de uma multido de centros de energia infinitamente pequenos que, a fim de se aderirem entre si, tm que vibrar conjuntamente. A mudana desta vibrao ou destri a forma ou produz mutaes e alteraes de forma. 
	E se h um aspecto destrutivo do som, conclui-se que h outro de formao e criao a ser descoberto mediante experimentao constante e paciente. O efetivo poder de formao pode ser demonstrado muito facilmente. Que o leitor espalhe um pouco de areia fina sobre a caixa de som de um violino, e sem tocar a areia mova o arco levemente sobre uma das cordas. Constatar-se- que a vibrao exerce uma influncia formativa, visto que com o soar da nota e sua amplificao na caixa acstica a areia assume curiosas formas geomtricas: um quadrado ocasionalmente ser formado com muita clareza, ou um tringulo, uma elipse ou um desenho comparvel  estrutura de um floco de neve, cristalino e uma coisa de rara beleza. O mesmo experimento pode ser executado sobre uma lmina de vidro, e dependendo de o arco ser movido lenta ou rapidamente de encontro  borda, levemente ou com muita presso, a areia assumir uma forma diferente. No violino uma nota suave e profunda naturalmente produzir uma forma sonora diferente de uma longa nota lamuriosa e lancinante; a brusquido possui um valor-forma distinto de um vibrato lento. H em algum lugar nos escritos de Madame Blavatsky o testemunho de que ela prpria em uma ocasio,  beira da morte, foi chamada de volta  vida e curada de suas enfermidades atravs dos poderes inerentes ao som. Todas essas coisas vo ao ponto de mostrar que o som efetivamente possui um valor criativo, devendo ser o objetivo de todo aquele que se supe mago apurar mediante a prtica que tom de voz  mais adequado ao trabalho mgico. A experincia mostra que um sussurro penetrante dos nomes a serem pronunciados constitui o mtodo mais satisfatrio, uma voz que mais vibra do que pronuncia claramente sendo o que  requerido. 
	A vibrao de nomes divinos  portanto um aspecto essencial na prtica da magia porque o conhecimento do nome de qualquer ser - e no conhecimento est includa a capacidade de vibr-lo e pronunci-lo corretamente, bem como uma compreenso de suas implicaes cabalsticas - corresponde a deter uma espcie de controle sobre ele. O conhecimento do nome pode ser adquirido pela aplicao de princpios cabalsticos, de modo que no nome  possvel encontrar um resumo das foras e poderes que lhe so inerentes. Numa palavra est a magia contida, e uma palavra corretamente pronunciada  mais forte, diz Lvi, do que os poderes do cu, da terra ou do inferno. A natureza  comandada com um nome; os reinos da natureza, do mesmo modo, so conquistados e as foras ocultas que compreendem o universo invisvel obedecem quele que pronuncia com compreenso os nomes incomunicveis. "Para pronunciar esses grandes nomes da Cabala, de acordo com a cincia, temos que faz-lo com pleno entendimento, com uma vontade por nada detida, com uma atividade que nada pode repelir."
	A vibrao de nomes divinos, ento, constitui uma das mais importantes divises de uma invocao cerimonial. Os incensos, perfumes, cores, sigillae e luzes em torno do crculo mgico auxiliaro na evocao da idia ou esprito desejados a partir da imaginao, e para que se manifestem numa roupagem apropriada, coerente e tangvel ao exorcista. No somente deve haver inteno e pensamento, como tambm a expresso concreta do pensamento numa ao ou  numa palavra a qual, para a idia, tem que ser como um  logos.  guisa de ilustrao do modo de vibrao, suponhamos que um exorcista deseje invocar os poderes pertencentes  esfera de Geburah. Apurar-se- que seu planeta  Marte, cuja qualidade essencial  energia e fora csmicas resumidas na divindade Hrus, seu arcanjo ser Kamael, seu esprito Bartsbael e a  Sephira aos quais estes so atribudos ostenta o nome divino Elohim Gibor. Quando na cerimnia mgica que o teurgo impulsiona chega o momento de pronunciar o nome divino, que ele aspire muito profundamente, lenta e energicamente. No instante em que o ar exterior tocar as narinas, deve-se imaginar claramente que o nome do deus, Elohim Gibor, est sendo aspirado com o ar. Figura-se o nome sustentado nas alturas em grandes letras de fogo e chama e  medida que o ar lentamente enche os pulmes, deve se imaginar que o nome permeia e vibra atravs de toda a estrutura do corpo, descendo gradualmente atravs do trax e do abdmen, at as coxas e pernas atingindo, os ps. Quando parecer que a fora toca a parte mais inferior das pernas, se expandindo e se difundindo para cada tomo e clula do p - e a prtica tornar essa faanha da imaginao menos difcil do que aparenta - o teurgo dever assumir uma das poses caractersticas do deus Hrus exibidas nas vinhetas do Livro dos mortos do Antigo Egito. Uma delas, o sinal do ingressante, consiste em arrojar o p esquerdo para a frente e inclinar o corpo para a frente, ambos os braos sendo primeiramente levados  cabea e atirados  frente como se projetando a fora mgica para o tringulo de evocao.  medida que este sinal est sendo assumido, ao mesmo tempo que os pulmes esto expirando o ar carregado com o nome, dever-se- imaginar intensamente que este se eleva rapidamente a partir dos ps, atravs das coxas e do corpo, sendo ento arremessado energicamente com um vigoroso grito de triunfo. Se o corpo inteiro do mago sentir-se inflamado de fora e energia, e trovejando no interior de seus ouvidos proveniente de toda poro de espao circundante ele ouvir o eco ressonante do nome vibrado magicamente, ele poder estar seguro que a pronncia foi corretamente feita. O efeito da vibrao dos nomes divinos consiste em estabelecer um sinal na luz astral superior, ao qual responder diligentemente a inteligncia evocada. Outros gestos e outros sinais existem para cada um dos deuses e poder-se-  saber o que so esses sinais mediante o estudo das formas divinas egpcias. 
	Estreitamente aliada  vibrao dos nomes divinos encontra-se um outro ramo da magia.  possvel que o aprendiz tenha notado em alguns rituais muitas palavras incompreensveis numa lngua estranha ou desconhecida, palavras conhecidas tecnicamente como "nomes brbaros de evocao", as quais os Orculos caldeus nos aconselham a jamais alterar  "pois so nomes divinos que possuem nos ritos sagrados um poder inefvel". Originalmente, tudo que se entendia pelos "nomes brbaros" era que se tratava de palavras no dialeto dos egpcios, caldeus e assrios, considerados brbaros pelos gregos, e  G. R. S. Mead prefere traduzir a expresso para  "nomes nativos". Jmblico, respondendo s indagaes de Porfrio sobre esse ponto, declara: "Aqueles que aprenderam em primeira mo os nomes dos deuses, os tendo mesclado com sua prpria lngua, os entregaram a ns, para que pudssemos sempre preservar inaltervel a lei sagrada da tradio numa linguagem peculiar e a eles adaptada... Os nomes brbaros, igualmente, detm muita nfase, grande conciso e participam de menos ambigidade, variedade e multiplicidade". A experincia confirma que as mais poderosas invocaes so aquelas em que esto presentes palavras pertencentes a uma lngua estranha, antiga ou talvez esquecida; ou at mesmo aquelas expressas num jargo degenerado e, pode ser, sem significao. Nesses conjuros, a qualidade que mais se destaca  o fato de a lngua empregada ser sempre muito vibrante e sonora, sendo esta sua nica virtude, pois so caracteristicamente eficazes quando recitadas mediante entonao mgica, cada slaba sendo cuidadosamente vibrada. Por uma razo ou outra, descobriu-se que a recitao desses nomes conduz  exaltao da conscincia, exercendo uma fascinao sutil na mente do mago. "A magia dos antigos sacerdotes consistia naqueles dias...", pensava  Madame Blavatsky, "...em se dirigir a seus deuses em sua prpria lngua... composta de sons, no de palavras, de sons, nmeros e figuras. Aquele que sabe como conjugar os trs invocar a resposta do poder superintendente. Assim essa lngua  a dos encantamentos ou dos mantras, como so chamados na ndia, sendo o som o mais potente e eficaz agente mgico, e a primeira das chaves que abre a porta de comunicao entre mortais e imortais".
	A base racional e a explicao da exaltao no esto muitos afastadas da experincia geral. No  nica e nem se limita exclusivamente ao trabalho cerimonial ou tergico. L-se amide de poetas que se tornam enlevados, por assim dizer, pela repetio de versos e nomes rtmicos; de fato, muitos dos poemas de Swinburne constituem um esplndido exemplo de tal poesia. Ouve-se falar, tambm, de crianas precoces que so singularmente afetadas por aquelas passagens da Bblia nas quais existem longas listas de estranhos nomes e lugares hebreus. Thomas Burke, o eminente romancista, uma vez informou-me que quando era jovem, os nomes das cidades e pases do continente sul-americano atuavam para ele como fascinaes de quase encantamento, exercendo um poder oculto. Nomes como Antofagasta, Tuerra* del Fuego, Antanonoriva e Venezuela so efetivamente nomes brbaros para conjurao. Lembro-me, tambm, da leitura em certa ocasio de um poema da autoria de William J. Turner, o crtico de msica, no qual ele conta que quando menino as palavras e nomes mexicanos exerciam um fascnio sobre ele, tais como Popocatapetl, Quexapetl, Chimborozo e similares. Os nomes por si mesmos nada transmitem a uma imaginao frtil e desenvolvida; a exaltao da conscincia se deve quase que inteiramente ao ritmo e a sua msica, a fascinao dos nomes penetrando o domnio da imaginao, onde  agarrada para despertar um frenesi ou excitao peculiares. Em todo caso, resta pouca dvida de que as muitas palavras brbaras, formidveis e de aparncia quase medonha que ressoam e so vociferadas em tantas das melhores invocaes provenientes da Antigidade, exercem um efeito estimulante na conscincia, exaltando-a ao grau exigido pela magia. A invocao do "no-nascido", cujos elementos bsicos so encontrados em alguns fragmentos greco-egpcios e que est reimpressa no ltimo captulo deste livro,  talvez o mais notvel exemplo. Como ritual  considerada por muitos como um dos melhores, sendo repleta de palavras estranhas ricas em msica e excitaes primitivas, sonoras ao mais alto grau. Muitos dos rituais e invocaes utilizados pelo astrlogo elisabetano dr. Dee, que trabalhava em colaborao com seu colega Sir Edward Kelly, constituem tambm espcimes marcantemente bons dessa linguagem. Na verdade, pode-se considerar os rituais de Dee como nicos. So escritos quase que totalmente,  exceo de algumas palavras hebraicas, numa lngua curiosa chamada  anglica ou  enoquiano, segundo Dee ditada a ele pelos  anjos. Independentemente de sua origem, apurou-se que as invocaes expressas nessa lngua atuam com uma peculiaridade e uma fora constatadas em nenhuma outra lngua. 
*  Ou melhor,  Tierra.  (N. T.)
	Tpico das palavras brbaras, pode-se fazer citaes extradas de vrios rituais. A que se segue  retirada dos conjuros de Dee: 
	"Eca, zodocare, Iad, goho. Torzodu odo kikale qaa! Zodacare od zodameranu! Zodorje, lape zodiredo Ol Noco Mada, das Iadapiel! Ilas! hoatahe Iaida! "
	Presente no captulo CLXV da recenso Saite do Livro dos Mortos, encontra-se uma petio a Amen-Ra, onde os mais poderosos dos nomes mgicos do deus so recitados:  "Salve, tu Bekhennu, Bekhennu! Salve, prncipe, prncipe! Salve, Amen. Salve, Amen! Salve Par, salve Iukasa! Salve, deus, prncipe dos deuses das partes orientais dos cus, Amen-Nathekerethi-Amen. Salve tu cuja pele est oculta, cuja forma  secreta, tu, senhor dos dois cornos nascidos de Nut, teu nome  Na-ari-k, e Kasaika  teu nome. Teu nome  Arethi-kasatha-ka, e teu nome  Amen-naiu-anka-entek-share ou  Thekshare-Amen Rerethi! Salve, Amen e permite-me fazer a splica a ti pois eu conheo teu nome... Oculto  teu discurso,  Letasashaka, e eu fiz para ti uma pele. Teu nome  Ba-ire-qai, teu nome  Marqatha, teu nome  Rerei, teu nome  Nasa-qebu-bu, teu nome  Thanasa-Thanasa; teu nome  Sharshathakatha."
	Um outro excelente exemplo, qui um dos melhores no que diz respeito  aparente ininteligibilidade dos nomes, acha-se no  Harris Magical Papyrus, do qual uma traduo inglesa pode ser encontrada nos Fac-smiles de Papiros Hierticos do  Museu Britnico. 
	"Adiro-Adisana! Adirogaha-Adisana. Samoui-Matemou-Adisana!
	"Samou-Akemoui-Adisana! Samo-deka! Arina-Adisana! Samou-dekabana-adisana! Samou-tsakarouza- Adisana! Dou-Ouaro-Hasa! Kina! Hama! (Pausa)  Senefta-Bathet-Satitaoui-Anrohakatha-Sati-taoui! Nauouibairo-Rou! Haari!"          
	No fragmento a que j nos referimos do ritual greco-egpcio, editado por Charles Wycliffe Goodwin para a Cambridge Antiquarian Society em meados do sculo passado*, aparecem tambm nomes exemplares:  "Eu te invoco, deus terrvel e invisvel que habitas o stio vazio do Esprito: Arogogorobrao, Sothou, Modorio, Phalarthao, Doo, Ap, O No-nascido."
* Isto , sculo XIX. (N. T.)
	Entretanto, tanto do ponto de vista da pesquisa quanto da filosofia concorda-se que o conhecimento da Cabala em todos os seus ramos constitui um suplemento  importante  e considervel  prtica do mago. Como o mago se aplica em  tornar  sua vida compreensvel e em interpretar todo incidente que lhe  inerente como uma transao de Deus com sua alma, de maneira que todas as coisas possam tender para sua iluminao espiritual, poderia parecer incongruente que ele contradissesse essa deciso incorporando palavras sem significado e sem sentido em suas invocaes. Acima de tudo, a consistncia e a coerncia interna tipificam a mente do mago. Conseqentemente negligenciar os princpios exegticos da Cabala  deixar desprotegidos os canais atravs dos quais o caos e a incoerncia podero invadir o sanctum de cognio. Toda palavra  brbara deveria ser to cuidadosamente estudada e compreendida em termos de grau de ateno e erudio quanto uma anlise da Crtica da Razo Pura de Kant, permitindo-se a significao oculta penetrar abaixo do nvel de conscincia onde, durante a cerimnia, possa auxiliar na produo da excitao requerida. E a revelao do real esprito dos nomes brbaros no pode dispensar um bom conhecimento funcional da Cabala. 
	Por exemplo, consideremos a palavra "Assalonoi" constante numa outra parte do fragmento greco-egpcio. A primeira letra sugerir Harpcrates, o Senhor do Silncio, que  o Beb no Ltus e o Puro Louco do tar, o inocente Percival que silenciosamente se pe em busca do Clice Sagrado.  apenas ele que, devido  sua loucura mundana mas tambm  sua sabedoria e inocncia divinas, pode chegar inclume ao fim. O "s" ser visto como se referindo  carta do tar que representa o Santo Anjo Guardio que ostenta  no  peito um sigillum que tem gravadas as letras do Tetragrammaton. "Al" pode ser interpretado como sendo a palavra hebraica para  deus, bem como "on"  um nome gnstico. Pode-se supor que o sufixo "oi" indique o pronome possessivo meu, de sorte que considerada em sua totalidade, a palavra , na realidade, um resumo de uma invocao completa do Santo Anjo Guardio. 
	Consideremos agora "Phalarthao", palavra na mesma invocao. "Phal"  obviamente uma abreviao de falo, que de acordo com Jung  o smbolo das faculdades criativas de um ser humano. Ele o define, alis, como "um ser que se move sem membros, que v sem olhos e conhece o futuro; e como representante simblico do poder criador universal, em todo lugar existente, a imortalidade est indicada nele.  um vidente, um artista e um operador de prodgios". Submetendo-se as duas letras "ar" ao processo cabalstico denominado Temurah, teremos Ra, o deus-Sol, que verte sua copiosa generosidade em luz, calor e sustento sobre todo o mundo da matria, e que proporciona graa e iluminao espirituais  vida interior. O "th"   Tes, a serpente lenica que  a essncia da vida fsica, conferindo substncia  viso espiritual. "A"  o raio de Thor, as foras mgicas do Adepto postas em movimento e o "o" representa o bode monts e o aspecto fecundo criativo do ser do homem. 
	A palavra "Adisana" que aparece com muita freqncia no elenco de nomes brbaros fornecidos pelo  Harris Magical Papyrus, traz  mente uma aluso teosfica. As  Estncias de Dzyan apresentadas em  A Doutrina Secreta mencionam a palavra snscrita  Adi-Sanat. Blavatsky explica que essa sugere equivalncia com Brahma e a  Sephira da Cabala, Kether, e significa o Criador uno. O mago pode assim supor que a palavra egpcia, na falta de conhecimento mais preciso e definido, , portanto, uma referncia   coroa, a  mnada  no homem e no cosmos. 
	Ainda outros mtodos podem ser concebidos para tornar inteligveis os nomes brbaros para que nos ritos nenhuma falha possa desfigurar a integridade e consistncia da conscincia de algum. 
	No que concerne ao uso prtico - a exaltao da alma - um mtodo esboado por  Therion* pode ser de alguma utilidade. Supondo-se que a cerimnia culmine numa grande invocao, cujo pice inclui muitas dessas palavras especiais,  possvel empregar uma tcnica especfica, a qual, contudo, implica um pouco de treinamento da imaginao. Essa faculdade deve ser desenvolvida de modo que qualquer imagem de qualquer objeto possa ser formulada claramente diante do olho da mente com vvida distino e completude; e no apenas isso, mas de maneira que a formulao possa ser sustentada por algum tempo. Durante a invocao, o teurgo deve imaginar que a primeira dessas palavras intoxicantes  como um pilar de fogo se estendendo como uma coluna vertical e reta na luz astral.  medida que as letras do nome deixam seus lbios e so impelidas para o ter, que ele imagine que sua prpria conscincia no corpo de luz segue essas letras em sua jornada pelo espao sutil e  arremessado violentamente ao longo daquele eixo. A palavra brbara seguinte deve ser concebida ocupando uma coluna talvez duas vezes mais longa ou mais alta que a precedente, de modo que quando a ltima palavra de invocao for atingida - ignorando no momento a ao e poder inerentes  prpria invocao - a conscincia ser supremamente intoxicada e o ego ser subjugado por um sentimento de espanto e fadiga. O eixo deve ser visto no fim para crescer em estatura diante do olho espiritual, ascender cada vez mais alto at que a imaginao seja quase fulminada pela grandeza e imensido assomadas que gradualmente criou. Esse sentido de temor e maravilhamento produzido por esse viajar no eixo gneo de cada palavra brbara  o precursor certo da exaltao e xtase mgicos. E com a prtica o teurgo inventar outros mtodos, mais adequados ao seu prprio temperamento e para o emprego satisfatrio dessas palavras.
* Aleister Crowley. (N. T.)
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	Para o avivamento do trabalho cerimonial a dana, a msica e o toque de sinos constituem outros acompanhamentos complementares. Os toques de sinos e sons produzidos por percusso devero estar em harmonia  no que diz respeito  quantidade e ao tipo de operao. Seu uso visa a anunciar o domnio, registrar a nota do triunfo do mago e recuperar a ateno desviada. Quanto  msica, trata-se de um assunto muito mais complicado porquanto sua apreciao varia largamente de indivduo para indivduo. , de preferncia, omitida em muitas invocaes visto que tende mais ou menos a distrair a ateno do teurgo, embora como preldio possa ajudar no xtase e exaltao. Exige a presena de um msico ou msicos e qualquer sinal de embarao ou falha tcnica deste ou destes atrai discordncia e fracasso. O violino ou a harpa, produzindo as notas de maior transcendncia e exaltao, podem, ocasionalmente talvez ser empregados. 
	O  tuntum com seu selvagem e apaixonado tamborilamento pelos dedos  til em outros tipos de trabalho nos quais se requer a excitao da energia, ou at mesmo a tranqilizao da mente. Trata-se simplesmente de forar a mente a acompanhar o compasso rtmico do tuntum, que pode ser aumentado ou gradativamente reduzido at quando tiver desvanecido num silncio abrandado, seguir-se- a paz de uma mente tranqila. A msica oriental consiste principalmente desse tipo montono, encerrando assim um motivo religioso ou mstico. Numa apresentao de bal  qual um amigo deste escritor foi convidado em Java, havia cerca de doze danarinos que envergavam trajes e mscaras grotescos embora deslumbrantemente coloridos, tpico do Oriente ostentatrio. A orquestra era constituda por cinco msicos: trs tocando um instrumento parecido a um enorme xilofone cobrindo apenas cinco notas, e dois percutindo tambores javaneses. Num teatro externo a dana, principalmente produzida com as mos e os dedos, durou cinco horas sem um nico interldio. Todo o tempo os aplicados membros da orquestra nativa fizeram soar seus ritmos montonos at que pareceu aos europeus como se os sentidos e a mente sucumbissem ao ritmo tedioso, passando finalmente ao silncio. 
	Uma dana ligeira, de passos curtos, digamos uma simples dana de dois passos, pode ser til, e acompanhada por um  tuntum e um mantra mental dentro de um crculo ou cmara consagrados poder ser utilizada como elemento precursor do xtase. Essa dana  particularmente interessante ao mago visto que sua caracterstica  ritmo e a totalidade da natureza  a corporificao de ritmo e graa, ambos aspectos da dana. A dana na natureza  mostrada no crescimento e movimento, pois o movimento  o elemento essencial da vida, o tema representado num palco infinito. Os xtases da natureza e suas criaturas passaram ao uso ordinrio, reaparecendo reiteradamente na linguagem popular. A msica das esferas e a dana das hostes dos planetas e corpos celestes nas infinitudes do espao sempre receberam a devida ateno nas mos dos maiores filsofos e poetas que sondaram o corao das coisas. Com freqncia, tambm, se fala  - por meio de clichs,  verdade - das cambalhotas dos cordeiros e dos cabritos saltando nos prados verdes; a dana flutuante das nuvens e a pronta ressaca e retirada dos vagales do mar. Esses fenmenos, o que no so seno a participao conjunta na dana da vida que diariamente, ano aps ano, sculo aps sculo, prosseguem imutados e inalterados e que em sua perpetuidade tem que ser considerada como a prpria encarnao do jbilo! 
	No que concerne ao emprego da  dana em operaes mgicas, deveria ser absolutamente suficiente o indcio fornecido pela dana dos dervixes islmicos. Esses msticos maometanos so orgulhosos de uma dana que no , como alguns pensaram, um frenesi descontrolado. No incio  precisamente o contrrio. Subjacente  sua representao h um motivo altamente religioso: xtase e unio com Al. De uma posio estacionria eles gradativamente aumentam a velocidade de sua rotao e com os braos estendidos rodopiam com uma tal celeridade que parecem no estar se movendo em absoluto. Em pouco tempo, esse movimento rotativo induz a uma vertigem tanto corporal quanto mental, a qual por puro esforo da vontade, tem seu efeito adiado e  expulsa da conscincia. A dana finalmente culmina no colapso do dervixe num estado de completa inconscincia, e no somente nisto, o que acho importante, como tambm num estado do mais elevado xtase. Alguns, ademais, podem estar familiarizados com nomes tais como Shri Chaitanya e seu discpulo Nityananda que vagavam pela ndia no sculo XV, cantando e pregando, e danando alegremente a doutrina de Bhakta ou unio com Deus por devoo. Houve tambm em anos relativamente recentes a figura do eminente mestre religioso Shri Ramakrishna Paramahamsa, cujas freqentes canes e danas devotas eram to carregadas de fervor e forte emoo que se diz que transformaes morais e espirituais foram produzidas naqueles que tiveram o privilgio de assisti-las. Muitas dessas pessoas, afirma a reportagem, ficavam to tomadas pela emoo profunda e o arrebatamento de bem-aventurana  vista do mestre danando que caam em xtases e desmaiavam. 
	No que se refere ao moderno teurgo, o principal objetivo da dana  obter uma exausto fsica e uma cessao de todo pensamento. No domnio dessa negatividade, se tiver sido induzida dentro de uma rea adequadamente consagrada e banida, pela qual nenhuma entidade ousar se imiscuir exceto a fora previamente tornada manifesta mediante as invocaes, a presena espiritual invocada poder se encarnar. Essa  a idia fundamental da dana, embora alguns possam preferir omiti-la por completo de suas cerimnias. Cada tipo de fora, pertencente s vrias Sephiroth, dispor de seu prprio tipo de dana, com seu prprio passo e seu prprio tempo. 
	Um movimento comum  maioria das invocaes, que  menos dana do que um ligeiro movimento a passos curtos ou o rodopio,  o circumpercurso. De vez em quanto,  exigido do mago que ele ande de algum dos pontos cardeais um certo nmero de vezes em torno do crculo, o nmero especfico determinando a natureza da fora a ser invocada. Ademais, a direo do circumpercurso, seja para o leste ou oeste, determinar se ele est invocando ou banindo. Um movimento dextrgiro, isto , horrio, invocar, e um movimento sinistrgiro, o precisamente oposto, anti-horrio, banir. Tradicionalmente, o circumpercurso no crculo constitui um mtodo maravilhoso para adquirir potencial e despertar o entusiasmo e fora necessrios. 

CAPTULO  X 
	Nos captulos anteriores empenhei-me em mostrar de que maneira a teurgia concebe a vontade e a  imaginao como sendo os instrumentos da reconstruo do ser  humano. Entretanto, me proponho a prosseguir com a questo de tal emprego da imaginao, porquanto a mais fundamental tarefa da magia a isso concerne. Considerando-se que a substncia plstica da  luz astral  de modo peculiar suscetvel  manipulao de correntes imaginativas, e considerando-se que as imagens confeccionadas  nessa luz  produzem alteraes perceptveis, se a vontade for suficientemente forte para vitalizar essas imagens, o mago procurar aplicar esses fatos  sua prpria esfera. Atentemos para o fato de que segundo todas as autoridades, a luz astral  tida como de natureza dupla. H o aspecto astral bsico, a chamada serpente enganadora, ocupado pelos casces decadentes e os fantasmas, e o plano superior, no qual existe uma riqueza de imagens reais, idias e sugestes espirituais. Elevar-se alm da serpente astral at o astral superior constitui obviamente uma tarefa mgica primordial. Invocaes do Santo Anjo Guardio e a unio telstica com os deuses e essncias universais constituem os mtodos supremos de transcender os planos etreos mais baixos, mas essas so metas mximas s quais todos os mtodos e tcnicas passam a servir. Visando a tornar as difceis metas da invocao e da unio mais facilmente obtenveis e menos rduas, os teurgos recomendam uma prtica em que o sucesso confere a capacidade de conscientemente transcender o astral inferior e deliberadamente ascender at mesmo alm do astral superior rumo aos fogos divinos  sem forma dos domnios espirituais. Visto que todos os planos da  natureza e todas as foras que se mantm no universo esto representados na constituio interior do homem, o plano astral em seu aspecto duplo se acha, do mesmo modo, dentro dele. O aspecto inferior, a fase lunar, corresponde ao princpio humano de Nephesch enquanto que se poderia supor que o plano superior corresponde a Sephira central da rvore da Vida, Tiphareth, o corao pulsante de Ruach e at mesmo se estende aos limites de Neschamah. Com o aspecto lunar inferior do astral, a regio dos casces qlifticos, demnios e fantasmas em dissoluo dos mortos, o mago tem pouco ou nada a fazer; sua aspirao  dirigida quilo que est acima, nas camadas superiores da rvore viva. "No te inclina para baixo", advertem os Orculos Caldeus, "para o mundo tenebrosamente esplndido, onde repousam continuamente uma profundidade sem f e Hades envolvido por nuvens, se deliciando com imagens ininteligveis, precipitadas, tortuosas, um abismo negro sempre rodopiante, sempre desposando um corpo no-luminoso, amorfo e vazio... No fiques no precipcio com a escria da matria pois existe um lugar para tua imagem num domnio sempre esplndido."  o "domnio sempre esplndido" que realmente diz respeito ao teurgo j que nele esto as foras e poderes que podem se revelar sumamente prestativos a ele em sua busca. Dentro do Nephesch duplo existe um princpio energtico substantivo e vital. O primeiro  o chamado corpo astral ou a duplicata sutil  qual o corpo fsico deve sua contnua existncia e subsistncia. Embora o desenvolvimento desse corpo de Nephesch constitua efetivamente um certo ramo da magia, no  nossa inteno tratar dele aqui j que tem pouca conexo com a alta teurgia. Pertencente ao domnio de Tiphareth existe um aspecto superior desse corpo astral que realmente entra de maneira muito ampla na teurgia prtica. No  realmente um corpo astral no sentido de um modelo vital que proporciona vida ao fsico, mas sim um corpo mental ou de pensamento, o veculo direto das faculdades ideais e espirituais, cuja substncia  aquela do astral superior ou divino. De acordo com Blavatsky  o Mayavi-rupa, o corpo de pensamento ou de sonho, o invlucro da mente, memria e emoo, conhecido e chamado em teurgia de corpo de luz. Ora, os teurgos sustentam que esse corpo de luz pode conscientemente ser separado e projetado do corpo, sendo Blavatsky da opinio de que aquele que  capaz de fazer isso  um Adepto! "Separars o leve do denso atuando com grande sagacidade", aconselha Hermes Trismegistos*. Este corpo de luz, como o veculo dos princpios superiores, pode ser empregado para investigar o mundo interior visando a apurar sua natureza real, e assim a natureza do prprio homem, porquanto as leis do universo so as da mente e vice-versa. O astral superior, com o qual nos tornamos familiarizados atravs da instrumentalidade do corpo de luz  usado assim como uma escada, por assim dizer, por meio da qual o teurgo ascende ao domnio do esprito supremo, gneo, criativo e esttico. 
* Trismegistos, trs vezes grande. (N. T.)
	Conseqentemente constituem naturalmente um fundamento da magia prtica a projeo desse corpo sutil, a aquisio da faculdade de nele atuar com a facilidade com que o fazemos no corpo denso, o treinamento e a educao desse corpo de luz no sentido de satisfazer aos desejos do teurgo. A capacidade de ter xito nessa fase particular do trabalho depende inteiramente do fato de o mago ter treinado sua imaginao, pois essa  a alavanca mgica para a projeo proposta. 
	A tcnica, em resumo,  a seguinte: sentado confortavelmente numa cadeira - ou, tanto melhor,  numa postura de ioga em que se foi treinado, no que nesse caso  fcil  - e tranqilizando sua mente e emoes o mximo possvel, o mago dever tentar imaginar de p diante dele uma exata duplicata de seu prprio corpo. Caso o mago tenha se envolvido com muita prtica dos smbolos dos tattvas ou com os exerccios espirituais de Sto. Incio e aqueles descritos numa seo anterior deste estudo, no se defrontar com nenhuma grande dificuldade para formular essa imagem. O teurgo deve conceber vividamente que um simulacro de seu prprio corpo se posta diante dele na mente; e que est vestido como o mago est vestido, de manto mgico com basto ou espada, dependendo do caso, e que se apresenta de p ereto, ou sentado numa cadeira, ou numa cmoda e confortvel Asana. Caso o mago esteja sentado, a imagem igualmente dever ser vista sentada. Mediante um supremo esforo da vontade deve-se fazer essa imagem  se mover na mente e, observada muito rigorosamente todo o tempo, erguer-se pondo-se ereta sobre seus ps. A parte mais difcil da tarefa do mago se avizinha agora. Para o corpo de luz ele tem que transferir sua prpria conscincia e  essa transferncia que pode se revelar um pouco difcil, pois por vezes ela simplesmente no ocorrer. 
	Nesse caso, exercendo cada milmetro de sua vontade e aplicando todo o poder de sua imaginao o mximo possvel de maneira que imagine e queira estar no corpo de pensamento, o teurgo deve faz-lo executar vrias aes. A execuo de um ritual como o ritual do banimento do pentagrama  um esplndido exerccio, visto que por seu intermdio impele-se o corpo de luz ao movimento, a girar sobre seu prprio eixo e a proferir palavras. Com persistncia, o mago poder constatar depois de vrias tentativas que em vez desse corpo de luz executando o ritual como um autmato sob sua observao, ele prprio o estar executando dentro do prprio corpo de pensamento. Esses mtodos soltam as vigas-mestras da alma e abrem os portais fortemente trancados da mente. Alm disso, pode acontecer que  medida que o mago recita uma invocao, seguindo mentalmente cada um dos pontos do ritual com ateno e cuidado, ele se descobrir quase sem sab-lo no corpo de luz. O efeito estimulante das palavras, as sugestes que elas incorporam devem, em alguns casos, ajudar materialmente na transferncia. "Eu piso sobre as alturas! Eu piso sobre o firmamento de Nu! Eu ergo uma chama rutilante com o relmpago de meu olho, sempre impelindo para a frente no esplendor do Ra glorificado diariamente, outorgando minha vida aos habitantes da terra!" "Eu ascendo, ascendo como um falco de ouro!" As duas primeiras sentenas, particularmente, se recitadas com entendimento e sentimento devem muito compreensivelmente bastar no caso de alguns indivduos para produzir o resultado desejado. Mesmo fisicamente, essas palavras foram algum a se erguer nas pontas dos ps, como se pisando sobre o firmamento de Nu, e os veculos sutis, sem dvida, acompanharo. O sucesso tendo sido atingido, a transferncia deveria ser praticada reiteradamente at que finalmente o mago possa vestir sua estrutura fsica e dela despir-se tal como um homem comum se despe de seu sobretudo. Mas uma vez realizada a projeo efetiva, comea a verdadeira tarefa, j que o corpo de luz tem que ser treinado para mover-se e ver no plano astral; isto embora pouco tempo seja suficiente para que responda ao treinamento, tornando-se ento capaz de se mover e ver com a prpria rapidez de relmpago do prprio pensamento. 
	To logo conseguiu habitar o corpo de luz, o teurgo dever empenhar-se em ver com seus sentidos astrais. Deve tentar ver as coisas e objetos fsicos existentes no apartamento que acabou de deixar, observando o corpo, sua  habitao terrestre anterior, os mveis, as paredes, o teto e tudo o mais. Quando descobrir que isto pode ser feito de maneira inteiramente simples e que os sentidos astrais respondem de modo totalmente descontrado, ento poder elevar-se diretamente rumo aos cus e observar o que de l pode ser visto. Tudo  principalmente uma questo de educao. Do corpo de luz, do veculo solar flamejante do anjo precisa ser feito um digno instrumento, e tal como se ensina a uma criana de um ano como falar, engatinhar e andar, deve-se treinar esse sutil corpo de pensamento a atuar perfeitamente em seu prprio plano. 
	Ser nessa prtica que o teurgo descobrir que o que eram smbolos convencionais no mundo exterior so realidades dinmicas que vivem sua prpria existncia nesse astral ou mundo do pensamento. E sua meta dever ser investigar esse domnio inteiramente na multiplicidade dos aspectos e departamentos que ele continuamente apresenta, visto que realmente coincide com os limites de seu prprio conhecimento consciente e subconsciente. Com esse nico objetivo em vista, vrias tarefas abrangentes devero ser empreendidas. Aqueles smbolos dos tattvas que foram anteriormente os objetos de concentrao e o exerccio da imaginao podem ser utilizados como sigillae por meio dos quais sejam produzidas vises que revelaro a natureza invisvel do smbolo. No corpo de luz uma porta poderia ser imaginada, na qual est inscrito um tringulo equiltero vermelho de Tejas, como um exemplo. Atravessando essa porta e observando o tipo de paisagem, os seres anglicos que falam ao teurgo e as conversaes que se seguem devem dar a este uma boa idia da significao e do sentido implcitos do smbolo. Ora, parece haver uma relao absoluta entre smbolos e realidades visionrias no plano astral. A viso do tattva deve ter provado isso de forma inquestionvel. Esto registrados inmeros exemplos de um smbolo que  dado a um skryer, smbolo com o qual ele jamais esteve antes familiarizado e que nunca vira antes. O significado do smbolo s  conhecido do detentor do mesmo. O resultado da viso obtida ilumina e corrobora o conhecimento do detentor do smbolo. Este procedimento tem sido seguido repetidas vezes e igual nmero de vezes uma viso que concerne com preciso  natureza do smbolo tem sido obtida, sendo aconselhvel que o procedimento seja utilizado relativamente aos outros smbolos e subelementos dos tattvas. Do mesmo modo devem ser investigados por esses meios os smbolos astrolgicos dos planetas,  os signos do zodaco bem como as imagens do tar. Isso deve descortinar um vasto campo de pesquisa para cada mago j que em primeiro lugar uma espcie totalmente nova de conhecimento pode assim ser adquirida. A natureza de um smbolo at ento desconhecido para ele pode ser investigada e uma significao baseada na observao e experincia vinculada a ela. Inmeros experimentos abrangentes devem ser concebidos com o propsito de familiarizar o mago com a natureza do plano. 
	Quando essas vises astrais no conferem nenhum conhecimento real, devem ser descartadas como meros exerccios tcnicos mediante os quais se obtm competncia. A habilidade tendo sido conquistada, e estas vises de experincia vital no sendo mais encontradas nem um novo conhecimento adquirido, desaparece o valor da prtica. Sabe-se que algumas pessoas tolas que so capazes de viajar no astral nada mais fazem, nada conquistando e sem nenhum benefcio. Para elas, uma viso astral no tem significao espiritual, e a intoxicao astral  a forma insidiosa de corrupo espiritual, que ento se apodera delas, e elas vagam perdidas, degenerando em meros "vagabundos" astrais. Que o aprendiz registre isso no corao: o astral tem que ser empregado ou para obter conhecimento definido ou para servir de trampolim, um degrau na escada celestial rumo a planos ainda mais sutis; caso contrrio, s haver a estagnao contnua, dominada pela intoxicao, emaranhada nos laos sedutores serpentinos que tentam o imprudente e o temerrio. Trata-se de um mundo reflexivo onde se pode perder-se facilmente a menos que a aspirao  seja pura e forte. Horas, dias e at anos podem ser gastos em vises fteis que resultam em to pouco proveito quanto permanecer horas a fio olhando-se num espelho. "Para aqueles aos quais em sua evoluo espiritual surgem essas aparies eu diria: tente ser o senhor de sua viso, e busque e evoque a mais grandiosa das memrias terrenas, no aquelas coisas que apenas satisfazem a curiosidade, mas as que engrandecem e inspiram e nos proporcionam uma viso de nossa prpria grandeza; e a mais nobre de todas as memrias da Terra  o augusto ritual dos antigos mistrios, nos quais o mortal, em meio a cenas de inimaginvel grandeza, era despido de sua mortalidade e tornado membro da companhia dos deuses*."
* The candle of  vision, de  A. E.
	 mister que se informe que existem mtodos mediante os quais  possvel que o teurgo teste a exatido de sua viso e apure se no foi grosseiramente ludibriado por elementais ou pela natureza de sua prpria mente geradora de fantasias. Graas a esses mtodos evita-se, inclusive, a possibilidade de perder-se no labirinto de fantasmagoria astral. Supondo-se que o teurgo tenha obtido uma viso de Mercrio, digamos atravs dos selos mercurianos de Cornlio Agrippa ou a  Clavcula de Salomo, o Rei, ao retornar ao seu corpo, sua primeira tarefa deveria ser anotar a experincia num dirio especial mantido para essa finalidade. De passagem, deveria ser feito o pedido da vida do mago no sentido de conservar um dirio cientificamente elaborado com o registro das vises e experimentos mgicos, j que isso conduz  ordem e ao equilbrio que  a direo para a qual sua aspirao tende. Que se frise que essas vises devem ser registradas de uma maneira verdadeiramente cientfica porquanto este registro elimina muitas possibilidades de ambigidade, considerando-se, ademais, que a memria nem sempre  infalvel ou confivel aps o transcurso de um certo perodo de tempo, o procedimento que poder ser novamente acompanhado na verificao e averiguao da viso devendo ser registrado por escrito. Imediatamente aps cada experincia e viso dever-se- dar ateno ao dirio. 
	Nas colunas do Magus de Barrett ou no De occulta philosofia, no qual se baseia muito do primeiro, no Liber 777 de Crowley e no Garden of Pomegranates de minha autoria encontrar-se- uma ampla gama de correspondncias naturais e simblicas a cada um dos trinta e dois caminhos da rvore da Vida. Para a verificao de sua viso o mago deve recorrer a essas atribuies, visto que a experincia tem revelado, como afirmei anteriormente, uma conexo real  entre os smbolos e as atribuies do alfabeto mgico e as realidades subjetivas. Se a viso de Mercrio encerrar elementos irregulares, de cor ou nmero, que essas colunas atribuem, digamos, a Marte ou Saturno, o aprendiz poder estar certo de que algo radicalmente errado ocorreu, medidas devendo ser tomadas imediatamente no sentido de repetir a viso inteira, assegurando-se de que nenhum erro ou confuso relativamente  viso ocorram novamente.  medida que a experincia se amplia, o mago retm em sua  memria um amplo alfabeto de correspondncias e  medida que se torna mais familiarizado com a natureza daquele plano passa a perceber instantaneamente se a viso procede corretamente, sua crescente intuio, inclusive, advertindo-o quando h alguma ameaa de perigo  coerncia. Nunca  demais relembrar que uma das mais importantes tarefas que cabem ao mago  a verificao da viso por referncia ao alfabeto mgico. Furtar-se a essa verificao cientfica e exame crtico da viso resulta em acabar mais cedo ou mais tarde chafurdando no lodo viscoso de intoxicao astral, com a perspectiva de avano e progresso desaparecendo imperceptivelmente no ar. 
	 necessrio, contudo, observar algumas precaues antes de projetar o corpo de luz. Deixar o corpo fsico sozinho sem a inteligncia orientadora e o controle do eu interior  equivalente em muitos casos a estender um convite aberto a qualquer entidade astral, maligna ou no, que esteja nas vizinhanas para dele tomar posse. No h necessidade de alimentar qualquer apreenso quanto ao bem-estar do corpo j que  Nephesch, a sede das foras vitais e o corpo de desgnio nele permanece a fim de prover o prosseguimento de suas funes e da vida fsica. Mas a obsesso tem que ser, a todo custo, evitada. A possesso da estrutura humana por um demnio de face canina subverte o objetivo e procedimento mgicos. Por conseguinte certos mtodos foram concebidos para impedir a possibilidade de obsesso, deixando o corpo absolutamente seguro enquanto a alma voa rumo aos fogos sagrados. Algumas autoridades acreditam que circundar o corpo com um crculo imaginrio de luz branca constitui um dos mtodos de proteo mais eficientes, visto que sendo o branco a cor do trono do esprito mais elevado, nenhum esprito menor ousaria tentar desafiar sua guarda. Outros so a favor da projeo no interior de um crculo mgico adequadamente traado, pintado em cores com todos os nomes divinos externamente e as figuras geomtricas internamente. Nesse caso, entretanto, o crculo tem que ser consagrado e cerimonialmente submetido ao banimento por um ritual apropriado, um procedimento um tanto incmodo e rduo para uma prtica to freqente. Por esse motivo assevera-se que o ritual de banimento do pentagrama por si s  suficiente para assegurar a devida proteo, eliminando toda possibilidade de possesso demonaca. 
	O retorno ao corpo aps uma viso deve ser objeto de muito cuidado e a devida precauo deve ser tomada. Ao entrar na estrutura fsica deve-se deliberadamente respirar profundamente algumas vezes a fim de assegurar a estreita conjuno dos dois organismos, sugerindo-se, ademais, que se assuma fisicamente uma forma divina e se vibre um  nome. Usualmente basta a forma de Harpcrates, ou seja, postar-se em p, ereto, o brao esquerdo  frente do corpo, o dedo indicador pousado nos lbios em sinal de silncio, acompanhando-se essa postura da pronunciao audvel do nome do deus. No conseguir assegurar a unio das duas essncias do corpo de pensamento e o corpo fsico pode redundar em desastrosas conseqncias. 
	A consulta do Livro dos mortos do Antigo Egito ser de proveito bastante considervel para o leitor, pois a o Tuat e o Amentet, as subdivises da luz astral, foram objeto de rigorosa observao e classificao precisa. Na segunda parte do captulo CXXV, o deus Osris  visto sentado numa extremidade do salo de Maat, acompanhado das deusas da lei e da verdade, juntamente com os quarenta e dois assessores que o auxiliam. Cada um desses quarenta e dois deuses representa algum entre os nomos do Egito e ostenta um nome mgico simblico. Nessa concepo percebe-se o imenso talento dos sacerdotes-teurgos egpcios que criaram correspondncias entre os planos da luz astral e os nomos ou divises distritais do pas do alto e baixo Nilo. Mediante o cuidadoso estudo deste e subseqentes captulos o teurgo juntar aos poucos muitas informaes teis acerca da luz astral e dos Guardies e Mantenedores dos Pilones atravs dos quais ele ter que passar em sua auto-iniciao. Embora o Livro dos Mortos represente esses pilones como aqueles atravs dos quais o morto tem que passar a caminho do repouso no Amentet, so tambm aplicveis aos portais pelos quais o Skryer na viso espiritual tem que entrar. Esses portais guardados com seus vigias semelhantes a deuses no devem ser consideradas fices, pois como ser descoberto no desenrolar das investigaes, o mago se aproximar de alguns desses portais fechados e nenhuma quantidade de artifcios mgicos ou  bajulao dos guardies dos santurios e manses selados lhe proporcionar o ingresso a estes. A recusa em entrar constitui um sinal certo de indignidade e indica acima de tudo toda a incapacidade de existir naquele condio rarefeita. Indica, adicionalmente, que o corpo de luz  necessita ser purificado, tornado incandescente e resplandecente, iridescente e auto-reluzente, um organismo solar que emite a luz radiante do esprito interior.  somente assim que o mago pode atingir estados mais gneos e exaltados e obter permisso dos anjos-guardies de espadas flamejantes aos pilones sagrados e aos portais interiores. Os meios para efetuar essa purificao so as execues freqentes do ritual do pentagrama, formulando dessa forma mais clara e radiantemente o corpo de pensamento e a celebrao diria de alguma forma da eucaristia que infunde no corpo de luz a substncia purificadora da essncia espiritual. 
	As vises que sero ento obtidas sero de uma elevadssima ordem. Pode ser que depois de algum tempo transcorrido o teurgo fique espantado por descobrir que seu papel de observador imparcial  de uma viso cessou  e que, de algum modo, a viso est ocorrendo em torno de seu prprio ser, e que ele est mergulhado numa tremenda experincia espiritual que jamais ser apagada da memria consciente por todos os seus dias na Terra. Iniciaes no sentido real e no na implicao de uma cerimnia formal de sala de loja devem ser a estimuladas, o teurgo participando como um candidato aos mistrios sagrados. Relativamente a essas iniciaes,  ocioso dizer, o pedido no  feito sob nenhuma forma escrita. Elas simplesmente ocorrem. E quando ocorrem no h dvida ou incerteza quanto ao que est ocorrendo. Como tipo de experincia realmente comovente que a espcie mais elevada de viso astral pode assumir, cito a seguinte: 
	"Havia um saguo mais vasto do que qualquer catedral, com pilares que pareciam ter sido construdos de opala viva e trmula ou de algumas substncias estelares que brilhavam com todas as cores, as cores do anoitecer e da aurora. Um ar dourado incandescia nesse local e no alto entre os pilares existiam tronos que desvaneciam gradualmente, rubor a rubor, na extremidade do vasto saguo. Neles se sentavam os reis divinos. Eram encimados pelo fogo. Eu vi a cimeira do drago sobre um deles e havia um outro emplumado de fogos brilhantes que se arrojavam como plumas de chama. Mantinham-se sentados brilhando como estrelas, mudos como esttuas, mais colossais do que imagens egpcias de seus deuses, e no extremo do saguo existia um trono mais elevado onde se sentava algum maior do que os demais. Uma luz semelhante ao sol fulgurava com incandescncia atrs dele. Abaixo, sobre o cho do saguo, jazia uma figura escura como se estivesse em transe, e dois dos reis divinos executavam movimentos com as mos ao redor da figura, sobre sua cabea e corpo. Percebi no ponto em que suas mos oscilavam como chispas de fogo semelhantes aos lampejos de jias irrompiam. Daquele corpo escuro emergiu uma figura to alta, to gloriosa, to brilhante quanto aquelas sentadas nos tronos.  medida que despertou para o saguo tornou-se ciente de sua parentela divina, erguendo as mos numa saudao. Retornara de sua peregrinao atravs das trevas, mas era agora um iniciado, um mestre do grmio celestial. Enquanto ele as observava, as altas figuras douradas levantaram-se de seus tronos  tambm, com as mos erguidas em saudao, e passaram por mim, e desvaneceram rapidamente na grande glria atrs do trono*." 
* The candle of  vision,  A. E.
	Ademais, a rvore da Vida da Cabala deve constituir-se como objeto de muita pesquisa e experimentao nesse plano. O skryer deve praticar a ascenso de uma Sephira para a outra, analisando a natureza da esfera cuidadosamente, subindo por todos os ramos dessa rvore que brota dos cus resplandecentes acima descendo em glria para a terra multicolorida abaixo. Todos os caminhos que irradiam das dez  Sephiroth e que as unem devem ser cuidadosamente explorados e registrados no dirio cientfico.  desse modo que o autoconhecimento  conquistado porquanto a rvore  um mapa simblico no s da constituio interior do prprio homem como tambm da estrutura e foras de todo o universo em cada uma de suas fases numerosas. 
	"O universo...", escreveu Crowley, "... uma projeo de ns mesmos, uma imagem to irreal quanto aquela de nossos rostos num espelho, e no entanto, como este rosto, a necessria forma de expresso dele, no para ser alterada exceto  medida que alteramos a ns mesmos... Sob essa luz, portanto, tudo que fazemos  descobrir a ns mesmos por meio de uma seqncia de hierglifos e as mudanas que aparentemente operamos so num sentido objetivo iluses... Capacitam-nos a nos ver e, conseqentemente, a nos ajudar a iniciarmos a ns mesmos mostrando-nos o que estamos fazendo."
	Estudando esse mapa simblico no astral mediante os recursos do corpo de luz, o mago acabar familiarizado com todos os aspectos de sua prpria conscincia e do prprio universo. As vises que ele percebe, evocadas pelo uso dos  sigilli, so  outras tantas revelaes de sua prpria conscincia em suas diferentes partes com as quais ele nunca esteve antes familiarizado. Para descerrar as vrias camadas da mente e da alma, juntamente com seus contedos de forma dinmica, a luz astral e sua investigao no corpo solar gneo constitui o meio par excellence, que supera qualquer outro. Assim  o autoconhecimento granjeado. Assim  tambm a autoconscincia, no verdadeiro sentido, atingida servindo como um preldio s harmonias sinfnicas da unio celestial. 
	Os resultados dessa prtica so muitos tangveis e salutares. Pr de lado a possibilidade da projeo consciente do corpo de luz e descartar como destitudos de importncia as experincias vitais e o autoconhecimento obtidos no astral divino mediante a reprovao superficial de que " tudo imaginao"  absurdo, para dizer o mnimo. Somente a experimentao, e nada mais, demonstrar se a aventura no empreo  uma realidade suprema ou uma fantasia, mesmo admitindo-se que os passos preliminares tenham sido dados pelos canais da imaginao. Prometeu liberto foi primeiramente concebido na frtil imaginao criativa de Shelley, mas quem seria suficientemente tolo a ponto de rejeitar a beleza intrnseca desse poema ou negar sua realidade imorredoura devido  sua origem imaterial? Aplica-se aqui uma forma de considerao bastante similar. Por meio da imaginao, o mago cria um sutil instrumento de pensamento com o qual pode medir, investigar e explorar um plano de conscincia do universo j existente mas at aqui desconhecido. Em todo caso, em pouco tempo poder ocorrer ao mago, por mais ctico que ele possa e deva ser, que as entidades anglicas que encontra no desenrolar de suas vises, suas conversaes e o tratamento que delas recebe dificilmente so produtos de  sua imaginao. Nem se perceber que se trata de criaes subjetivas, especialmente quando, talvez para sua consternao inicialmente, as coisas "comecem a zumbir". 
	Mas desejo agora tratar de um dos mais importantes resultados que se desenvolve a partir desse importante ramo da teurgia. Antes da consecuo do sucesso na projeo do corpo de luz, a conscincia humana era inseparvel do corpo fsico. Os apetites e desejos desse veculo tinham se identificado com o prprio Ruach. De posse da capacidade de transferir a conscincia para o corpo de luz criado na imaginao se infere uma significativa concluso filosfica. A alma  absolutamente distinta do ser do corpo, e atravs dos mtodos corretos pode ser separada dele e tornada independente. A princpio, no se deve tirar a concluso precipitada de que a alma  imperecvel e imortal, pois isso no foi ainda verificado pela experincia.  ainda  Ruach, entretanto, o falso ego, que se mantm na transferncia. No h mudana alguma no ser individual ou na natureza da prpria conscincia pois a projeo do corpo de pensamento no  anloga  experincia mstica que aniquila a dualidade e traz xtase e iluminao. O teurgo permanece a mesma pessoa que era antes, e a dualidade ainda habita sua conscincia. Contudo, consumou-se uma imensa mudana de perspectiva ou ponto de vista. Enquanto est no corpo de luz, quando a transferncia de conscincia foi efetuada com xito, ele pode ver deitado diante de si, embora adormecido, o corpo fsico que h apenas um momento ou pouco mais ele deixou vago, de modo que sabe, por um ato de observao ordinria, que ele no  seu corpo, visto que aquele corpo fsico ele pode deixar  vontade. Ele  uma entidade espiritual, assoma a compreenso, a qual pode funcionar independentemente de seu organismo corpreo. O que agora se torna imperativo  o aniquilamento da dualidade. O objetivo imediato  a transcendncia de Ruach, abrir escancaradamente suas portas, de maneira que o verdadeiro ego espiritual possa ser descoberto. Mediante essa descoberta, quando a iluminao e o xtase invadem a esfera da mente, ocorre tambm a grande compreenso de que a prpria alma  imortal; que a mente, a emoo e o corpo no passam de veculos dessa alma, instrumentos a serem empregados a servio de seu prprio alto propsito. E o meio para a descoberta e a busca da  senda mgica. Invocaes, formas semelhantes aos deuses assumidas enquanto no corpo sutil e a ascenso aos planos so estradas para a comunho com o deus interior.                  
	Que essas prticas prossigam por mais algum tempo e o esforo persista para incluir a purificao do envoltrio mental, este se desenvolvendo sempre de forma gradual para uma organizao espiritualizada. O velho princpio de inrcia, indolncia e negrume, chamado pelos hindus de Tamas, torna-se rompido e  ejetado da esfera mgica. Os ocos do crebro, outrora pesados, impenetrveis e escuros, tornam-se leves e estranhamente luminosos. E ocorre um curioso fenmeno que traz jbilo ao corao do mago uma vez sua significao tenha sido compreendida. Enquanto nos velhos tempos a noite era passada no profundo esquecimento do sono, ou no mximo na fantstica aventura do sonho, agora a conscincia  retida mesmo durante o sono. No h nenhum longo hiato de esquecimento; tudo  uma contnua corrente de fluxo livre de percepo enquanto o corpo dorme, no fragmentado durante o dia ou a noite por lapsos inconscientes. No h como superestimar a importncia dessa realizao. Uma nova qualidade de pureza no sentido hindu do Sattva gradualmente se manifesta; uma qualidade de ritmo, continuidade e bem-aventurana. Com esta infiltrao da qualidade do Sattva e a ejeo dos elementos tamsicos da esfera da personalidade, a claridade e a luminosidade crescem no crebro, e a conscincia no de Ruach mas da  alma superior persiste a cada hora. E assim a vida  conquistada, pois a alma est acima de sua vil compreenso. A morte, o horror cinzento e pavor da humanidade, e derradeiro desespero dos filsofos,  transcendida. Somente o corpo morre. A mente e as emoes tambm morrem. Mas permanece sempre inalterado e impassvel o anjo divino da luz sagrada, purificado pela prova, triunfante acima das mutaes da vida e da morte -  calmo, sereno e imperturbvel no conhecimento de sua prpria imortalidade. 
	Portanto,  impossvel louvar no justo merecimento os resultados do skrying na viso espiritual, pois essa prtica pode conduzir o mago s alturas mais sublimes da rvore da Vida, onde o ar  puro e o ponto de vista claro e imaculado. Existe, naturalmente, o perigo inicial de ou perder-se nas rotas secundrias no-mapeadas daquele plano ou ficar enlaado no abrao sedutor das formas reluzentes e vises astrais fugazes das profundezas. Entretanto, tudo isso  elementar. Se a aspirao for mantida sem mancha e pura e se os princpios cticos da Cabala forem aplicados, haver pouco perigo de tal coisa acontecer. E ento poder o mago tranqilamente alar seu caminho alm de sua personalidade, alm dos fantasmas resplandecentes do astral, passando pelas vises esplndidas e prfidas dotadas de engodo e fascnio, at o corao interior do homem celestial, onde o Senhor de tudo est entronado. 
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	Antes do incio de uma viso, ou qualquer operao mgica,  aconselhvel que o aprendizrealize um completo banimento, que  tanto purificador quanto protetor. O melhor e mais rpido mtodo de banimento  atravs do Ritual de Banimento do Pentagrama. O pentagrama expressa, de acordo com Lvi, "o domnio da mente sobre os elementos e  por meio deste signo que ns os prendemos...  o smbolo da  Palavra feita carne e, conforme a direo de seus  raios, representa o bem ou o mal, a ordem ou a desordem... Um signo que resume na significao todas as formas ocultas da natureza e que sempre tem manifestado aos espritos elementares e outros um poder superior ao que lhes  prprio, que naturalmente os atinge com  medo e respeito, forando-os  obedincia mediante o imprio do conhecimento e da vontade sobre a ignorncia e a fraqueza." A fim de compreender o significado da forma geomtrica do pentagrama e entender porque nele est encerrado o poder de banir todas as foras inferiores a partir de uma dada esfera e porque ele  a "Palavra feita carne", faz-se necessria uma breve recapitulao dos aspectos da Cabala. Um dos nomes divinos pelos quais os judeus concebiam a fora criadora universal era YHVH, o qual denominado Tetragrammaton acabou por ser considerado como o equivalente dos quatro elementos do cosmos. Foi tambm concebido para representar o homem no-iluminado comum no qual a luz do esprito no fizera ainda sua apario; o no-regenerado ser de terra, ar, fogo e gua, entregue s coisas do eu no-redimido. Por meio de magia considerava-se que nesses quatro elementos sobre os quais a carne  baseada o Esprito Santo descia em meio a fogo, glria e chamas. Em hebraico o elemento Esprito  tipificado pela letra  Shin com seus trs forcados dardejantes de fogo espiritual unidos sob a forma de um princpio. Rompendo em pedaos o ser carnal e carregando consigo os germes de iluminao, inspirao e revelao, o Esprito Santo forma por sua presena no corao uma nova espcie de ser, o Adepto ou Mestre YHShVH. Essa palavra em hebraico  o nome de Jesus, o smbolo do homem-deus, uma nova espcie-tipo de ser espiritual, do qual no h nada maior em todos os cus e planos da natureza. Devido a esse fato e s idias sintetizadas no signo do pentagrama, o smbolo dos quatro elementos encimado pela flama coroadora e conquistadora do Esprito Santo, ele detm sua incomparvel eficincia e poder de subjugar toda oposio astral e expulsar substncia grosseira do ser do mago.
	O resultado depender inteiramente da direo para e de qualquer das cinco pontas na qual essa figura seja traada pelo mago. Procedendo da ponta mais alta e descendo numa linha reta  ponta direita inferior, os poderes do fogo so invocados. Por outro lado, se o mago traar com seu basto a figura do canto esquerdo para o alto ele banir os elementais da terra. Pode-se observar, ademais, que  este ltimo tipo de pentagrama que  usado no ritual do pentagrama, geralmente suficiente para banir seres de quaisquer classes. E a espada para representar a faculdade crtica afastadora de Ruach  geralmente instrumento empregado nesse sentido. O chamado Ritual do Pentagrama assumiu o significado de ser puramente um ritual de banimento, embora na realidade seja uma estrutura composta. Antes de abord-lo eu o cito: 

1. Tocando a testa, diga  Atoh (para ti).
2. Tocando o peito, diga  Malkuth (o Reino). 
3. Tocando o ombro direito, diga ve-Geburah (e o Poder).
4. Tocando o ombro esquerdo, diga  ve-Gedulah (e a Glria).
5. Apertando as mos sobre o peito, diga Le-Olahm, Amen (para sempre, Amm).
6. Voltando-se para o leste, faa um pentagrama da terra com o basto ou a espada, e diga (vibre) YHVH.
7. Voltando-se para o sul, o mesmo, mas diga  ADNI.
8. Voltando-se para o oeste, o mesmo, mas diga  AHIH.
9. Voltando-se para o norte, o mesmo, mas diga  AGLA.
10. Estendendo os braos na forma de uma cruz, diga: 
11. Diante de mim, Rafael.
12. Atrs de mim, Gabriel.
13.  minha direita, Miguel.
14.  minha esquerda, Auriel. 
15. Pois em torno de mim flameja o pentagrama.
16. E na coluna se posta a estrela de seis raios. 
17. Repita de 1 a 5, e a cruz cabalstica. 
	Nesse sentido pode revelar-se interessante ao leitor o fato de Aleister Crowley ter observado que aqueles "que encaram esse ritual como um mero instrumento para invocao ou banimento de espritos  so indignos de t-lo. Compreendido corretamente  a medicina dos metais e a  pedra dos sbios". Em sua execuo h, como observei, um movimento complexo. O ritual primeiramente invoca e, tendo banido pelo pentagrama todos os elementos dos quatro pontos cardeais com a ajuda dos quatro nomes de Deus, ele ento evoca os quatro arcanjos como guardies divinos para protegerem a esfera da operao mgica. No encerramento,  mais uma vez invoca o eu superior, de maneira que do comeo ao fim a cerimnia inteira ocorre sob a vigilncia do esprito. A primeira parte, que vai do ponto 1 ao ponto 5, identifica o Santo Anjo Guardio do mago com os aspectos mais elevados do universo sefirtico; na verdade, afirma a identidade da alma com  Ado Kadmon. Na segunda parte, do ponto 6 ao 9, o mago traa um crculo de proteo ao mesmo tempo que sua imaginao est formulando um crculo de fogo astral dentro do qual ele possa proceder ao seu trabalho. Ao norte, sul, leste e oeste desse crculo pentagramas de banimento do elemento terra so traados com o basto ou a espada.  medida que esses pentagramas so formados em meio ao ar com a arma elementar, todo esforo deve ser feito no sentido de transmitir vitalidade e realidade a eles. A realizao cega e insensvel desse ritual, tal como se revela verdadeiro em relao a todo aspecto da teurgia,  absolutamente intil alm de ser uma perda tanto de tempo quanto de energia. A imaginao, simultaneamente, deve ser estimulada para criar esses pentagramas em torno do mago no plano astral em figuras incandescentes, de sorte que atravs das linhas num jorro de luz e poder, representantes do ser espiritual nenhuma entidade menor de qualquer espcie ousa abrir caminho.  necessrio que o mago se certifique de no abaixar a arma elementar depois de formular um pentagrama em meio ao ar. O crculo tem que ser completo, prosseguindo numa linha ininterrupta de pentagrama a pentagrama. A estrela fulgurante de cinco pontas  como a espada flamejante que privou Ado do den. Os quatro arcanjos, os regentes espirituais dos quatro elementos, so ento invocados para dar legitimidade ao trabalho, e poder e proteo espirituais tanto aos pentagramas circundantes quanto ao crculo onde o mago se encontra encerrado. A ltima frase do ritual declara os pentagramas inflamados em torno dele e invoca novamente o Santo Anjo Guardio para que a operao seja selada com o selo da luz divina. 
	Um dos resultados de grande significao e importncia desse ritual, se corretamente realizado na maneira indicada,  a limpeza de toda a esfera da personalidade. Bastar um pouco de prtica para demonstrar ao jovem teurgo se est conseguindo atingir o efeito necessrio.  extremamente difcil, lamento diz-lo, descrever o resultado do banimento, como seguramente  o caso da maioria das matrias concernentes ao domnio subjetivo da sensao e percepo. Deve haver um claro senso, inequvoco em sua manifestao de limpeza, mesmo de santidade e sacralidade, como se todo o ser fora suave e integralmente purificado, e todo elemento impuro e sujo disperso e aniquilado. Tal como um mergulho num rio de guas frescas num dia quente de vero nos deixa abenoados com uma sensao de frescor e purificao, assim deve ser esse ritual. 
	A base racional de sua ao depende da purificao dos constituintes da natureza do mago. Cada molcula, cada clula - astral, mental e fsica -  envolvida, visto que a base de cada princpio se funda em centros de energia e fora espiritual. Esses pontos microscpicos ou mnadas so os minsculos pontos sensveis de conscincia espiritual, e na realidade de sua existncia e funo esto baseados no s o sentido mais profundo de individualidade como tambm o fundamento da prpria matria, e seus acompanhamentos de energia e vida fsica. Essas mnadas esto na raiz da clula seja de um mineral, seja da matria cerebral bem como da vida vegetal. O resultado da formulao do crculo do fogo e dos pentagramas flamejantes, da vibrao dos nomes divinos e da invocao tanto dos anjos dos pontos cardeais quanto do Santo Anjo Guardio  que gradualmente as clulas mais grosseiras ou tomos mondicos so ejetados da esfera da conscincia. Para substitu-las, outras vidas, mais sensveis e refinadas, de uma qualidade mais sutil de substncia espiritual, so atradas  esfera do ser e infundidas na prpria substncia da constituio fsica e invisvel. Assim uma purificao vital ocorre, permitindo que a influncia do Santo Anjo Guardio penetre o crebro e mente refinados para difundir atravs da personalidade sua presena e graa, um importante passo inicial para o progresso mgico. 
	A histria desse ritual em particular  um tanto obscura. No constatei nenhum outro espcimen a ele semelhante que se vincule  Antigidade, embora obviamente lguma forma similar de banimento tenha sido necessariamente utilizada. Podem-se encontrar em Lvi as primeiras referncias ao ritual em pauta. No Dogma e Ritual de Alta Magia encontramos a seguinte afirmao: 
	"O sinal da cruz adotado pelos cristos no lhes pertence com exclusividade.  tambm cabalstico e representa as oposies e o equilbrio tetrdico dos elementos. Havia originalmente dois mtodos de faz-lo, um reservado aos sacerdotes e iniciados, o outro separado para os nefitos e profanos. Assim, por exemplo, o iniciado, erguendo a mo at a testa, dizia 'Teu ...', em seguida levava a mo ao peito, '...o reino', depois a transferia para o ombro esquerdo, 'Justia', e finalmente ao ombro direito, 'e misericrdia'; ento juntando suas mos, ele acrescentava 'atravs das geraes'. Tibi sunt Malkuth et Geburah et Chesed per aeonas  -  um sinal da cruz absoluta e esplendidamente cabalstico e que as profanaes da Gnosis perderam inteiramente para a igreja oficial e militante. O sinal feito dessa maneira deve preceder e encerrar a conjurao dos  quatro." Percebe-se por certo que esse mtodo  apenas uma parte do ritual que reproduzi anteriormente.  indubitavelmente ao ritual do pentagrama que Lvi alude. Na agora extinta  Ordem da Aurora Dourada, sob a liderana do falecido S. L. McGregor  Mathers, esse ritual era usado extensivamente e, depois de sua morte e da destruio de partes de sua Ordem, dele se apropriou Aleister Crowley, que o perpetuou no seu peridico The Equinox. Antes dessa reimpresso no fui capaz de localizar qualquer referncia de autoridade a qualquer coisa que seja minimamente semelhante a esse ritual.
((ilustrao - Sigillum do Pentagrama))
	Existe evidncia, contudo, que mostra que alguma forma de proteo ou um banimento preliminar eram reconhecidos pelos magos medievais dos quais, a julgar pelo contedo, Francis Barrett recebeu seus mtodos. O dbito dele no  menor com Cornlio Agrippa e Pietro de Abano. Em O Mago de Barrett h a afirmao segundo a qual antes de comear as invocaes deveria haver alguma "orao ou salmo, ou evangelho para nossa defesa em primeiro lugar", e numa pgina adiante Barrett fornece uma forma de consagrao do crculo na qual a idia da defesa  distintamente formulada. Alm disso, h o mtodo do emprego do pentagrama mencionado nas instrues mgicas da Gocia, da Clavcula de Salomo, desenvolvidas pormenorizadamente pelo mago francs. A figura mgica  traada como um sigillum com suas palavras e smbolos apropriados sobre metal ou pergaminho virgem para uso durante a cerimnia. Caso haja ameaa de perigo para o exorcista, ou ele se ache incapaz de enquadrar a inteligncia evocada em sua vontade, o pentagrama dever ser seguro alto na mo e levado em circumpercurso aos quatro quadrantes onde uma curta alocuo ao Senhor do Universo  recitada. O resultado realmente  idntico ao traado e formulao da figura no ar com o verendo da arte. 
	H, ademais, uma variao que poderia ser mencionada, embora seja uma forma que deveria figurar em todo trabalho cerimonial.  chamada de Licena para partir, e ocorre nesses cerimoniais nos quais uma inteligncia foi conjurada  apario visvel no tringulo da arte. Quando o operador no deseja mais que o esprito permanea no tringulo, a licena  recitada permitindo que o esprito desmaterialize e parta do cenrio da operao. " tu esprito N, porque respondeste diligentemente s minhas exigncias e estiveste muito disposto e desejoso de atender a minha chamada, eu aqui te dou licena para partir para teu lugar adequado, sem causar mal ou perigo a homens ou animais. Parte, pois, eu digo e esteja tu pronto para atender ao meu chamado, estando devidamente exorcizado e conjurado pelos ritos sagrados da magia. Eu te ordeno a se afastar pacfica e sossegadamente e que a paz de Deus continue sempre entre tu e eu. Amm!" Barrett apresenta uma ligeira variao da licena acima da Gocia: "Em nome do Pai, e do Filho e do Esprito Santo, ide em paz para os vossos lugares; que haja paz entre ns e vs; estejai vs pronto para quando chamado." Ele acresce posteriormente que quando o esprito partiu, o mago no deve sair do crculo durante alguns minutos, mas que uma breve orao deve ser feita dando graas pelo sucesso da operao e "orando pela futura defesa e conservao, o que sendo ordenadamente realizado vs podereis partir". Numa nota de rodap, fazendo uma advertncia adicional, Barrett acrescenta que aqueles que omitem a licena do esprito se acham em serissimo perigo, pois soube-se de casos nos quais o operador experimentou morte sbita. No se pode dizer que esses vrios mtodos paream to cientficos ou to confiveis quanto o Ritual do Banimento do Pentagrama descrito pginas atrs. O ritual como aqui  dado  um dos mais singulares existentes e no deve jamais, sob circunstncia alguma, ser omitido em qualquer operao mgica, seja esta magia cerimonial formal, a celebrao da  missa do Esprito Santo, ou  skrying na viso espiritual. A esfera da personalidade  mantida pura e limpa, impedindo que qualquer entidade estranha irrompa no interior do raio de percepo, destruindo assim a continuidade e coerncia daquele trabalho particular. 
	Dois outros mtodos de banimento restam para serem descritos. Quando numa cerimnia se faz necessria a realizao de um banimento mais completo que o proporcionado pelo ritual do pentagrama, costuma-se empregar uma tcnica que se assemelha um pouco a um exorcismo oficial. Algumas gotas de gua so borrifadas em torno do crculo, uma vela ardente representando o elemento fogo  deliberadamente apagada, um  leque  agitado no ar e alguns gros de sal so jogados  beira do crculo. Ao mesmo tempo, devem ser pronunciadas as palavras mgicas "Exarp, Bitom, Hcoma e Nanta", cada uma das quais controla o esprito do ar, fogo, gua e terra. Deve-se tambm recitar um conjuro para a partida dos elementais governados por esses nomes e,  claro,  melhor que seja precedido pelo ritual do pentagrama. Vrios dos versculos dos Orculos Caldeus podem ser empregados com grande proveito com cada uma das aes cerimoniais mencionadas. 
	O outro mtodo  um que era utilizado pelos sacerdotes egpcios, estando contido num dos captulos do Harris Magical Papyrus. Trata-se de um ritual de banimento a ser executado nos quatro pontos cardeais, formulando na imaginao um guardio sob a forma de um co, o qual se supunha ser terrivelmente destrutivo contra qualquer fora agressora. No tentarei descrev-lo, preferindo transcrev-lo textualmente do Harris Magical Papyrus: 
	"Surge, co do mal, para que eu possa instruir-te em tuas presentes obrigaes. Ests aprisionado. Confessa que assim .  Hrus que produziu este mandamento. Que teu rosto seja terrvel como o cu partido pela tempestade. Que tuas mandbulas se cerrem impiedosamente... Faz teus pelos eriarem como varetas de fogo. S tu grande como Hrus e terrvel como Set; igualmente para o sul, para o norte, para o oeste e para o leste... Nada te obstar enquanto colocares tua face em minha defesa... enquanto tu colocares tua face a servio da proteo de minhas sendas, opondo-te ao inimigo. Eu te concedo o poder do banimento, de se tornar completamente silente e invisvel, pois tu s meu guardio, corajoso e terrvel."
	Essa forma de banimento, em qualquer caso, deve ser acompanhada pelo ritual do pentagrama.  usada principalmente em difceis operaes de evocao, nas quais pode haver algum perigo representando por uma entidade particularmente maligna atrada ao templo e que invade um crculo ordinariamente consagrado, em detrimento do mago. Tem sido tambm usada na invocao de Hrus, ou das inteligncias do planeta Marte, quando se deseja particularmente que a esfera astral esteja completamente limpa e pura. Ocioso enfatizar, estou certo, que se esse mtodo for empregado, a formulao na imaginao do co-guardio dever ser to precisa quanto aquela dada para o pentagrama, e o teurgo dever atribuir importncia, no que diz respeito  figura no olho de sua mente, aos dados fornecidos no prprio conjuro.   

CAPTULO  XI
	Um dos mais potentes auxiliares da invocao e um elemento essencial ao sucesso de toda operao mgica  o assumir astral da forma ou mscara pela qual um deus passou a ser conhecido convencionalmente e  retratado pictoricamente. O sr. Franois J. Chabas no seu livro, agora esgotado, Le Papyrus Magique Harris, apresenta uma informao muito significativa que dificilmente pode ser encontrada alhures sob forma definida, a saber, que a mais poderosa frmula mgica conhecida dos sacerdotes das castas do antigo Egito era a identificao do executante do ritual em imaginao com a divindade que ele estava invocando. Jmblico afirma que "o sacerdote que invoca  um homem, mas quando ele comanda o poder  porque atravs de smbolos arcanos ele, num certo aspecto,  investido das formas sagradas dos deuses". Se a frase "num certo aspecto" indica a frmula na iminncia de ser considerada  um problema que pode ser deixado em aberto, embora possa bem ser o assumir da forma divina ao que ele esteja se referindo. Esparso aqui e ali ao longo do Livro dos Mortos em alguns dos rituais e hinos aos deuses apura-se que o escriba do livro se identifica com eles. H numerosos exemplos de versculos em separado que confirmam essa crena. "Eu me uni aos macacos divinos que cantam na aurora e eu sou um ser divino entre eles." No captulo 100 o versculo "Fiz de mim um contraparte da deusa sis e o poder dela (khu) tornou-se forte" pareceria definitivamente apoiar essa tese, que ganha confirmao adicional a partir de outras fontes, segundo as quais o assumir da forma divina constitui um dos mais importantes fatores a serem observados na magia egpcia. 
	Recordando tudo que foi postulado relativamente  natureza plstica e magntica da luz astral, tanto em seu aspecto inferior quanto superior, e a potencialidade criativa da  imaginao treinada, bem como a observao feita por Lvi referindo-se ao corpo astral de que "ele pode assumir todas as formas evocadas pelo pensamento", o aprendiz dever dedicar-se ao estudo das formas convencionais como os deuses so retratados. Eu me estendi um pouco num captulo anterior na descrio sumria das formas e algumas caractersticas filosficas dos deuses mais importantes ligados  rvore da Vida a fim de simplificar as exigncias do leitor em geral. A experincia tem demonstrado aos teurgos ocidentais que as representaes pictricas dos deuses egpcios so perfeitas para o objetivo dessa prtica em particular - mais do que as da ndia - e encerram em si mesmas um sistema de simbolismo sumamente maravilhoso e recndito. As formas desses poderes universais e essncias inteligentes csmicas, que as castas sacerdotais do Egito chamavam de deuses, permaneciam cada uma completa por trs de uma mscara humana ou animal, todo atributo sendo simbolizado por algum emblema ou ornamento artstico. A divindade de um deus era simbolizada pelo tipo e os emblemas, a cobertura de cabea como a serpente Uraeus ou o disco do sol nascente, ou as plumas duplas da Verdade, divina e mundana. Havia a representao de poderes pelo basto da bis, o cetro ou a Ankh segura na mo do deus. E ainda outros smbolos portados pelo deus eram sugestivos de sua capacidade de proporcionar ressurreio ou renascimento, autoridade e poder, xtase ou estabilidade, ou representativos de algum modo de funo particular na economia csmica. A forma convencional do deus resume assim de uma maneira espantosa um vasto agregado de idias, lendas e mitos, sintetizando ao mesmo tempo foras especiais da natureza ou, talvez, poderes inconscientes na constituio espiritual do homem. 
	 guisa de exemplo do procedimento a ser seguido para a aplicao dessa hiptese, suponhamos de momento que a tarefa que temos  a invocao e a identificao da conscincia humana com a divindade, ou aspecto da vida csmica, conhecida como Ra - a divindade que habita o sol. Inicialmente, o mago se ocupar da incumbncia de descobrir tudo o que for possvel sobre a natureza do deus. As lendas que se desenvolveram em torno do carter do deus devem ser minuciosamente analisadas porquanto  notrio que nas lendas e mitos fantsticos de outrora muito conhecimento espiritual e sabedoria esto encerrados. Alm disso, a lenda vinculada a um deus especfico indicar aspectos da natureza e o temperamento ideal da divindade, sugerindo tambm vrios poderes na personalidade divina sobre os quais o aprendiz jamais suspeitara antes. 
	O perigo da magia, ao menos um dos mais srios,  uma ocupao imprudente de uma certa parte da tcnica tergica, uma compreenso real dos processos executados e dos princpios filosficos da prtica. Que o aprendiz, portanto, atinja uma compreenso mais ou menos completa, na medida do possvel, do que ele est desejoso de se tornar, de qual fora ou poder espiritual ele deseja invocar; e ento, estando certo e mentalmente bem informado, que prossiga. Um tal trabalho informativo como The Gods of  the Egyptians, de Sir E. A. Wallis Budge, antigo zelador das Antigidades egpcias do Museu Britnico, ser marcantemente til. A partir das lminas em autotipia a existentes e das lminas coloridas no livro mencionado ele dever familiarizar-se com a configurao e a forma do deus, as posturas nas quais o deus  comumente retratado, os gestos costumeiramente empregados e as cores utilizadas na traduo artstica. Esta leitura pode tambm ser suplementada por uma visita s galerias egpcias do Museu Britnico ou qualquer outro. O leitor ser, posso garantir, bem recompensado. 
	Com todos esses fatos na memria, o aprendizproceder  fase mais difcil do trabalho, a qual consiste da aplicao da imaginao e da vontade, treinadas por suas prvias prticas. Em seu trabalho - no necessariamente cerimonial - ele dever se empenhar em construir diante do olho de sua mente uma perfeita imagem ou mscara do deus. A forma tem que se projetar ousada e claramente na viso da imaginao, gigantesca, resplendente e irradiando a luz do sol espiritual, do qual Ra  o smbolo esotrico convencional. Ele perceber que o deus porta um basto com cabea de bis na mo esquerda, sendo a bis o smbolo da sabedoria e da vontade divina; na sua mo direita  sustentado o Ankh, smbolo de luz e vida as quais o sol, por dias e anos, atravs de sculos incontveis, concede livremente a toda a espcie humana e a todas as suas criaturas na Terra. Sobre sua cabea, fazendo as vezes de uma coroa, est um halo, uma aurola dourada de inimitvel esplendor, confrontada por uma serpente Uraeus insuspensa, o smbolo do fogo espiritual interior. Retratada como um falco cuja cabea  cor de laranja, a nmise do deus desce do azul escuro da coroa, quase preto, no matiz a cor do smbolo Tattva do esprito; e a pele do deus  flamejante como o fogo do sol do meio-dia. Esses detalhes devem ento ser aplicados ao simulacro retido firmemente na mente at que sejam vistos diante da alma viva como uma imagem dinmica de Ra, uma imagem na qual no resida qualquer trao de imperfeio.  uma tremenda tarefa de imaginao criadora, e rdua. Mas dia aps dia tem que ser continuada com ardor e devoo at a tarefa sagrada ser consumada e, completo e fulgurante o deus se mostra, um deus em verdade para seu devoto. Com essa imagem mantida firmemente na luz astral, o teurgo deve se empenhar para envolver sua prpria forma com o abrigo do deus e em seguida unir-se  forma que o encobre. Segundo afirmao de Lvi j citada anteriormente, o corpo astral assumir a forma de qualquer pensamento poderoso que a mente evocar. Essa efgie astral do deus, anteriormente apenas uma imagem externa ao corpo do teurgo, deve agora ser organizada como uma figura divina em torno de sua prpria forma astral at que coincidam seu prprio corpo de luz sendo alterado e transmutado no corpo do deus. Somente quando o teurgo realmente sentir o formidvel influxo de poder espiritual, a aquisio da fora e energia solares e iluminao espiritual, somente quando ele souber na intuio do transe defico que a identificao foi concretizada, estar a tarefa de criao completa. "As imagens dos deuses", escreve Jmblico, o divino teurgo, "so repletas de luz flgida..." e "o fogo dos deuses, realmente, fulgura com uma luz indivisvel e inefvel, preenchendo todas as profundezas do mundo" de uma maneira celestial empireana. Relativamente ao teurgo ou rei-sacerdote do Egito que executara essa excelente combinao das essncias com a glria do deus do sol, h uma descrio sob a forma de uma alocuo citada por G. Maspero, o egiptlogo, mostrando o poder do esprito que se consagrou pelo voto como resultado da identificao. A alocuo  a seguinte: "Tu te assemelhas a Ra em tudo o que fazes. Portanto os desejos de teu corao so sempre satisfeitos. Se desejares uma coisa durante a noite, na aurora ela j estar disponvel. Se disseres  'Subam s montanhas' as guas celestiais fluiro pela tua palavra. Pois tu s Ra encarnado, e Kephra criado na carne. Tu s a imagem viva de teu pai Temu, Senhor da cidade do sol. O deus que comanda est em tua boca e um deus senta-se sobre teus lbios. Tuas palavras so cumpridas todas os dias e o desejo de teu corao realiza a si mesmo como o de Ptah quando ele cria suas obras".
	Simultaneamente ao processo de unificao com o corpo do deus se revelar como de grande ajuda a recitao de uma invocao, um pe lrico ou ditirambo entoando louvores ao deus, delineando a natureza e as qualidades espirituais do deus no discurso. Se o aprendiz tiver habilidade no escrever no enfrentar grande dificuldade. Por outro lado, uma tal litania poderia muito facilmente ser construda a partir dos hinos rficos, ou da coletnea de textos lricos includos no Livro dos Mortos, o qual est repleto de alguns dos melhores exemplos de rituais existentes. Em suma, a invocao do deus deve ser expressa numa linguagem que tenda a produzir jbilo mental e xtase. A seguir transcrevemos um exemplo, adaptado do Livro dos Mortos, de um tal ritual, embora no seja aqui dado como exemplo para ser rgida e servilmente imitado, mas apenas como sugesto e talvez ajuda ao aprendiz sincero. 
	"Homenagem a ti,  Ra, no teu formoso nascer. Tu nasces, tu brilhas na aurora. A companhia dos imortais te louva ao nascer e ao pr-do-sol, quando  medida que teu barco matutino se encontra com teu barco do anoitecer sob ventos propcios, tu velejas sobre as alturas do cu com um corao jubiloso.  tu uno,  tu perfeito,  tu que s eterno, que jamais s fraco, que nenhum poder  capaz de rebaixar,  tu esplendor do sol do meio-dia, sobre as coisas que pertencem  tua esfera nenhum possui em absoluto qualquer domnio. E assim a ti presto homenagem. Todos salvem Hrus! Todos salvem Tum! Todos salvem Kephra! Tu grande falco, que por teu rosto formoso produzes o regozijo para todos os homens, tu renovas tua juventude e com efeito pes a ti mesmo no lugar de ontem. , jovem divino, autocriado, auto-ungido, tu s o Senhor do Cu e da terra, e criaste seres celestiais e seres terrestres.  tu, herdeiro da eternidade, regente perptuo, auto-sustentado, quando tu nasces teus raios benevolentes esto sobre todos os rostos e moram em todos os coraes. Vive tu em mim, e eu em ti,  tu, falco dourado do sol!"
	Com a recitao de cada ponto da invocao, proferido com entonao e intento mgicos, obtm-se em pensamento uma intensa compreenso da significao das palavras.  medida que o teurgo brada "Tu brilhas na aurora", a forma astral do deus deve ser vista e realmente sentida com os sentidos emitindo uma refulgncia diante da qual o mais claro brilho do sol do meio-dia  pareceria trevas, uma luz to ntida e aguda, e rica de brilho e glria dourada que sua essncia inundaria com grande sutileza o corao, a mente e a alma. E quando o mago profere "Vive tu em mim, e eu em ti, , falco dourado do sol", o processo da identificao com a forma astral deve ser realizado e compreendido o mais vividamente possvel. Enquanto o mago no for capaz de efetuar perfeitamente o trabalho criativo da imaginao, todos os esforos s podero ser classificados simplesmente como prtica. O teurgo saber que seus esforos foram coroados pelo xito mediante sinais infalveis dentro de sua prpria conscincia e a acelerao de uma vida nova. Nele e em sua alma o deus buscar sua eterna morada. No interior do corao haver um santurio e uma habitao serena de uma fora espiritual tremenda, uma conscincia divina que nele viver duradouramente, transformando o filho da terra em um verdadeiro filho do sol eterno. "Pois como as trevas no esto adaptadas para a sustentao do esplendor da resplandecente luz do sol, tornando-se de sbito totalmente invisveis, retrocedendo por completo e imediatamente desaparecendo, assim tambm quando o poder dos deuses, que acumula todas as coisas de bem, brilha copiosamente, nenhum lugar  abandonado ao tumulto dos espritos malignos*." 
* Os Mistrios, Jmblico. 
	Assim ensinaram os magos da Antigidade. Os esforos modernos confirmam reiteradamente seus ensinamentos e experimentos. Dessa maneira, expandindo a si mesmo a uma grandeza incomensurvel unindo-se  grandeza dos deuses, o teurgo salta como o bode monts alm de todas as formas para idias e essncias que residem no cume da manifestao, e transcendendo o tempo se torna eternidade e infinidade. Assim, "a partir da splica somos em breve conduzidos ao objeto da splica, adquirimos sua semelhana a partir da conversao ntima e gradualmente obtemos perfeio divina, em lugar de nossa prpria imbecilidade e imperfeio**. O teurgo se tornar mais elevado que a altura nessa perfeio, mais profundo na fora de seu fundamento do que as profundidades mais baixas, uma parte integral da criao universal de imediato no gerada, jovem, velha, auto-existente e imortal. Aquilo que outrora era grosseiro se torna despido de toda sua trivialidade sensual para assumir uma beleza fascinante, apaixonadamente seleta, como se furtada do esprito. Dentro de si faculdades espirituais latentes e que desabrocham sero sentidas e a dbil memria da experincia ganha ao longo do tempo desde muito pretrita e morta, gradativamente surgir para iluminar a mente e pulsar novamente no corao, expandindo o horizonte da conscincia. E assim hoje seus ps pisam aquele lugar que ontem, quando contemplava a augusta natureza do trabalho, seu olho mal podia ver. Alm dele, no invisvel, estar seu stio de repouso do dia seguinte. E ele ser como diante do prprio Ra, um sol de luz, brilho e alimento celestial para todos aqueles com os quais ele entra em contato cotidiano. Sobre o pequeno bem como sobre o grande, sobre o elevado bem como sobre o baixo, no menos sobre o pobre do que sobre o rico seu auxlio descer, mesmo alm dos limites extremos do espao. 
** Os Mistrios, Jmblico. 

CAPTULO  XII
	Como um dos pr-requisitos fundamentais do treinamento mgico, seja no ramo da gocia, seja no ramo que diz respeito  invocao do eu superior e s essncias universais, todos os tipos de magos apontaram insistentemente ao longo das eras a pureza de vida, a acompanhar toda prtica tergica e cerimonial. Parece ser repetido por quase toda autoridade,  dogmaticamente e com certeza por alguns, um tanto vagamente por outros que passam adiante o que eles prprios receberam meio compreendido e meio compilado de seus antepassados. Todos concordam, no entanto, que na busca das artes mgicas  mister que haja pureza e santidade.  meu desejo investigar sobre o significado dessa "pureza". No desejo, porm, entrar numa discusso de tica e moral, pois essa me distanciaria do assunto da magia, e eu propositadamente me contenho aqui de tocar nessa matria controvertida que parece ter criado mais confuso e diferena de opinio do que quase qualquer outra. No que a  pureza diz respeito  magia, todavia, o aprendiz pode se assegurar quanto  verdade dessa nica afirmao, atribuindo ao resto qualquer interpretao de moral que preferir. A totalidade da vida de algum deve apontar para uma direo e ser concentrada e devotada a um conjunto de objetivos. Quando dizemos, por exemplo, que o leite ou a manteiga  puro ou pura, o que queremos dizer com tal afirmao? Apenas isto: ao leite ao qual nos referimos no foram acrescentados nenhuma gua ou produtos qumicos ou quaisquer outras substncias estranhas, e a totalidade de seu teor  conforme o ingrediente principal. Bem, a pureza da vida mgica deve ser considerada exatamente da mesma maneira. A vida do mago tem que ser acima de tudo eka-grata, de um nico direcionamento, e a soma total de seus pensamentos, emoes e aes, quaisquer que sejam, deve sempre ser constituda para interpretar e dar mpeto  aspirao espiritual. Qualquer que seja a virtude que a moralidade possa deter em si mesma, e no caso de alguns indivduos ela  prenhe de possibilidade divina, encontra-se completamente fora da esfera do mago. No h dvida que uma pessoa que foi iniciada num mistrio espiritual e que foi abenoada pelo influxo do eu seja provavelmente moral simplesmente porque estar doravante em harmonia consigo mesma. Um tal ser humano, por um impulso natural, est geralmente tambm em harmonia com os outros seres humanos. Mas o mstico ou o mago no so necessariamente homens morais em nenhum sentido convencional. Isso quer dizer que no devemos de maneira alguma esperar que o mago, mesmo quando fundamentalmente em harmonia com seus semelhantes, esteja necessariamente em harmonia com as leis morais e ticas de seu tempo. A moral, em sntese, nada tem a ver com a magia. Essa idia foi claramente expressa por Waite, que em seu  Studies in Mysticism sugere que  "O objeto da religio  o desenvolvimento e a perfeio da humanidade por meio de uma srie de processos espirituais e sua unio com o que  o mais elevado no universo, enquanto que a moralidade prope o melhoramento da raa apenas com a ajuda da lei natural... Precisamos conhecer Deus para sermos bons, mas nenhuma bondade moral pode nos conduzir ao conhecimento divino... "No que concerne ao mago, s isto  importante. Seja l  o que esteja fazendo, comendo, bebendo ou trabalhando, essa ao tem que ser transfigurada num smbolo e dedicada ao servio daquele ideal entesourado acima de toda riqueza e outros valores em seu corao. Sua vida inteira deve ser uma contnua concentrao, caso contrrio todo seu treinamento em Dharana e o desenvolvimento da vontade mgica tero sido um completo desperdcio; tanta energia intil jogada fora tal como num monte de poeira se ele no trouxer essa concentrao e essa atitude sacramental  premncia da vida diria. 
	O ideal que para o mago constitui seu maior tesouro e para o qual todo o contedo das atividades de sua vida  dirigido  a recuperao do conhecimento de seu Santo Anjo Guardio, o Augoeides, aquela parte mais nobre de sua conscincia que  real, permanente e a fonte generosa, imorredoura de inspirao e sustento espiritual. Da existir, na realidade, um perfeito ritual em magia; uma meta que tem primazia sobre todas as outras: a invocao do Santo Anjo Guardio, unio que deve, inclusive, preceder as invocaes dos deuses ou das essncias universais, seguindo-se o procedimento formulado por Jmblico. A alma busca primeiramente e entrega sua vida ao governo de seu daimon, sob cuja orientao os prprios deuses podem ser suplicados; e deles procedendo o retorno deve ser feito para a Suprema Manso do Repouso. Mas a invocao de Algoeides precisa ter precedncia a todas as outras. Caso se julgue necessrio executar qualquer operao auxiliar antes desta para o Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio,  foroso que se trate de um propsito bem definido. O motivo, espiritual  claro,  que tal operao constitua um passo preliminar para a possibilidade e sucesso do ritual principal. Entretanto, nos melhores sistemas de magia, as evocaes so sempre representadas seguindo-se  consecuo maior da invocao das grandes foras da vida csmica ou o daimon interior, o Santo Anjo Guardio, embora essa ltima receba primazia, como foi afirmado. A unio com os deuses e Adonai  buscada por meio de amor, e a unio das essncias  efetivada pelo ceder do ego e a renncia espontnea de tudo que  mesquinho, pequeno e irrelevante. A invocao suprema implica, acima de todas as outras coisas, o sacrifcio do apego s coisas mundanas. Do mesmo modo que algum que, ingressando no interior do dito celestial deixa atrs de si todas as esttuas do templo externo, ou do mesmo modo que aqueles que entram no santurio interno do Santo dos Santos purificam a si mesmos, pondo de lado suas vestes para entrarem nus e no envergonhados, a alma dever avizinhar-se de sua meta. Na operao de Abramelin, que brevemente descreveremos, o procedimento a ser seguido  bastante similar. Primeiramente o Anjo  invocado numa cmara especialmente consagrada e depois do atingimento o Anjo  concede ao mago instrues especiais  e autoridade  que dizem respeito  evocao dos Quatro Grandes Prncipes do Mal do Mundo. 
	O resultado da invocao do Santo Anjo Guardio no  idntico para todas as pessoas. Adonai aparece de vrias maneiras e sob diversas formas, em conformidade com o indivduo. "Alm disso...", afirma tambm Jmblico, "...as ddivas provenientes das manifestaes no so todas elas iguais, nem produzem o mesmo fruto. Porm a presena dos deuses, realmente, concede-nos sade do corpo, virtude da alma, pureza do intelecto e, em uma palavra, eleva tudo em ns ao seu adequado princpio*." Seja o que for que o homem prezou durante sua vida e qualquer que tenha sido a concepo de seu Anjo  qual aspirou, assim ser o resultado do casamento mstico. Seus rebentos sero compatveis com seu amor. Cada estudante,  medida que ascender ou ingressar no mstico Monte Abiegnus dos Rosacrucianos, ver diante de si estirando-se adiante no longnquo horizonte da santa terra da esperana, exatamente aquele panorama que existia potencialmente dentro dele antes da viso faz-lo nascer, pois o monte  um smbolo daquele pico da alma quando interiorizada em si mesma aproxima-se de sua raiz divina. Ento memria e imaginao so penetradas e inspiradas com o formidvel fulgor de uma natureza diversa e superior. O que for que estiver embrionrio no interior de Ruach salta para a vida atravs da ao e fogo de Adonai. Nossa inspirao ser semelhante  aspirao e o tipo de gnio que ser manifestado ao mundo sucedendo-se  unio mstica pode ser potico, artstico, musical ou qualquer outra manifestao reconhecida. Lembro-me de uma passagem em algum dos Upanishads que aborda esse mesmo tema. Se algum se aproxima do eu que  Brahma acreditando que ele  poder e fora, esse algum se torna poder e fora. Que se aproxime, contudo, dele vendo em sua majestade conhecimento e sabedoria superiores e, conseqentemente, se torna repleto da sabedoria do eu. E se aspirar a ele como o criador de uma  cano, do mesmo modo se torna o cantor. Em outras palavras, como o teurgo concebeu ser em imaginao o seu anjo, precisamente nessa forma o anjo se manifestar, brotando da mais profunda fonte do ser dentro do corao como revelao e inspirao. Caso haja aspirao para o anjo exclusivamente como o smbolo do amor, da paz e da  bondade, Adonai  mostrar ao mundo esse amvel e benigno aspecto. So Francisco de Assis  o exemplo mais marcante do primeiro caso, como  Buda, que aspirou  sabedoria que o capacitasse a descobrir para a espcie humana a soluo de suas infelicidades e dores, o smbolo do segundo caso. E isto supre a resposta  pergunta: "Se o misticismo e a magia dotam um homem de gnio, como explicar que tantos msticos e magos bem-sucedidos parecem no manifestar uma nica centelha de gnio?"  porque a aspirao deles foi uma aspirao humilde. Converter-se numa grande figura na Terra no constitua o desejo deles, nem tampouco aspiravam a qualquer uma das formas da arte. Fizeram de suas vidas uma sublime obra de criao artstica e aplicaram suas inspiraes  marcha da vida cotidiana, apresentando-se to-s como homens e mulheres humildes de ar e aspecto gentis. Mas como o Eremita encapuzado e togado do tar trazem a luz do anjo dentro de si, secretamente, de maneira que todos com os quais entram em contato dia aps dia possam ser abenoados com o amor de Adonai e mais impressionados pela santidade do esprito e a pureza de sua efulgncia do que com sua prpria realizao pessoal. Essa  a chave, pois quando se ora com fervor ao Santo Anjo Guardio, como a aspirao secreta da alma ter sido, o anjo se apoderar dessa vontade no xtase de ventura que arrebata a alma para longe a fim de comunicar sua manifestao ao mundo.  
* Os Mistrios, Jmblico.
	Um dos melhores sistemas tcnicos que conduz  comunho com o  daimon  exposto num certo livro medieval de magia que, comparado com todos os outros,  como o sol do auge do dia diante de uma dbil luz bruxuleante  noite. A maioria dos velhos engrimanos e livros de magia tais como O Pequeno Alberto, O Drago Vermelho e o Enchiridion so propositadamente ininteligveis, ambguos, ou mais,  parte de todas as questes de simbolismo oculto, disparate pueril. Aqueles que so honestos e de regra funcionais, contm sees indesejveis que se adequam mais s aspiraes de um campons apaixonado e de nativos ignorantes do que s aspiraes de gente educada animada de propsitos srios. Mas h em relao a todos esses uma extraordinria exceo. A regra geral  rompida pela existncia de O livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago*. 
* Publicado no Brasil por Anbis Editores Ltda., So Paulo, traduo de Norberto de Paula Lima, Mrcio Pugliesi e Edson Bini.  (N. T.) 
	Escrito num estilo de exaltao, esse livro  perfeitamente coerente e harmonioso; no requer fantsticas mincias ritualsticas e nem mesmo os clculos costumeiros de dias e horas. No h nada em absoluto que insulte a inteligncia. Pelo contrrio, a operao proposta por esse autor de magia constitui a apoteose da simplicidade, o prprio mtodo estando em inteiro acordo com isto. H, naturalmente, certas prescries e regras preliminares a serem observadas, mas elas realmente no passam de recomendaes de bom senso no sentido de acatar a decncia na execuo de uma operao to augusta.  preciso, por exemplo, dispor de uma casa onde medidas adequadas contra distrbios possam ser tomadas; isso providenciado, restar pouco mais a fazer exceto aspirar com crescente concentrao e ardor durante seis meses pelo Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio. 
	O prprio livro  um dos mais extraordinrios documentos de magia existentes atualmente e o sistema que  nele ensinado para entrar em comunho com o eu interior, ou o Santo Anjo Guardio,  entre todos os sistemas de magia talvez o mais simples. Acima de tudo  eficaz. O livro  composto de trs partes, a primeira contendo conselhos gerais relativos  magia e uma descrio das viagens e experincias do autor, bem como a indicao de obras maravilhosas que ele fora capaz de realizar por meio da tcnica em pauta. Segue-se ento uma descrio geral e completa dos mtodos de obteno da crise esttica da  operao e o estilo do livro neste ponto difere de maneira salutar dos captulos anteriores bem como dos subseqentes. A ltima parte trata dos mtodos de aplicao dos poderes que so conferidos mediante a consumao da operao. O sistema  descrito por um certo Abrao, o Judeu, ao seu filho mais jovem, Lamech, e ele afirma em primeira instncia t-lo recebido de um mago egpcio chamado Abramelin.  Abrao, o Judeu,  uma figura vaga e sombria, desconhecida e reservada por trs das tremendas complicaes da sublevao da Europa central nos seus dias, quando aquela parte do mundo se achava mergulhada num amplo conflito. A histria de Abrao tal como contada por ele mesmo na primeira parte do livro , na verdade, simples. O que impressiona, entretanto,  a tremenda simplicidade da f desse homem, que tem como testemunho suas muitas e perigosas viagens por tantos anos atravs de regies inspitas e selvagens, de difcil acesso mesmo atualmente mediante nossas facilidades de transporte. Nesta parte do livro so relatados seus fracassos e esperanas frustradas, alm de alguns becos sem sada pelos quais ele foi conduzido, at o clmax de suas viagens quando conheceu Abramelin, o mago egpcio, que lhe conferiu as instrues que constituem a principal ou segunda parte do livro. Em conformidade com os costumes de seu prprio povo, Abrao, o Judeu, instruiu seu filho primognito na filosofia da Santa Cabala e ao seu filho mais jovem, Lamech, transmitiu este sistema de magia. Independentemente de sua origem, de sua data e de sua autoria, que so no presente objeto de polmica e crtica, esta obra no deixa de ter valor para o aprendiz sincero, seja como um encorajamento para aquela qualidade sumamente rara e necessria - f inabalvel, ou como apresentadora de um conjunto de instrues pelas quais se distingue os sistemas mgicos verdadeiros dos falsos. Abrao no faz exigncias impossveis como aquelas que so percebidas em engrimanos fraudulentos, a respeito do sangue de morcego apanhado  meia-noite, a quarta pena da asa esquerda de um galo completamente preto ou o olho recheado de um basilisco virgem e assim por diante. Embora talvez algumas das exigncias estabelecidas por Abrao sejam um pouco difceis de serem atendidas, h sempre uma razo excelente para apresent-las e no significam absolutamente testes sutis  habilidade do operador. Tivesse  S. L. McGregor Mathers nada mais feito em prol da humanidade exceto a traduo desse livro a partir de um manuscrito em francs, colocando assim seu teor  disposio dos aprendizes interessados, e j mereceria nossa gratido. Devo acrescentar, a propsito, que sua traduo  tima, coerente e capaz de expressar de maneira harmoniosa o pensamento do escritor medieval.  somente porque esse livro de suma importncia tem estado esgotado por tantos anos, sendo sua obteno to difcil atualmente, que eu ouso oferecer aqui um resumo da  operao proposta pelo livro. 
((ilustr. -  HRUS, O Senhor da Fora e do Fogo))
	No incio Abrao adverte seu filho contra os impostores. Este mago, como muitos de nossos coevos modernos, era injusto no sentido de considerar qualquer um que no utilizasse seu prprio sistema um charlato, muito embora seja provvel que em sua poca houvesse tanta necessidade de rigorosa advertncia contra charlates quanto h hoje. Ele ento formula a regra segundo a qual a principal coisa a ser considerada  "...se gozais de boa sade, porque o corpo estando fraco e insalubre est sujeito a variadas enfermidades, o que acaba por resultar na impacincia e falta de poder para trabalhar e prosseguir na operao; e um homem enfermo no pode ficar limpo, ou puro, nem gozar de solido, e em tal caso,  melhor desistir." 
	O perodo verdadeiro, quer dizer, mais conveniente para o comeo desta operao, um perodo em que todas as foras da natureza se encontram propcias ao esforo,  o primeiro dia aps a celebrao da  festa da Pscoa, precisamente no perodo do equincio primaveril.  ento que o sol inicia sua viagem rumo ao norte, trazendo consigo luz, calor, sustento e graa e a totalidade do mundo vivo, plantas, rvores, aves e animais respondem  sua ressurreio ansiosa e jubilosamente. Trata-se assim da estao mais apropriada para crescimento ascendente e desenvolvimento interior, bem enquadrados ao crescimento e  manifestao do esprito. O tempo necessrio para que se conduza a operao a uma concluso bem-sucedida  seis meses lunares, de modo que se for comeada em 22 de maro findaria em torno do equincio outonal em setembro. O perodo total de seis meses  dividido em trs perodos definidos de dois meses cada, cada um destes sendo caracterizado pelo rigor de auto-negaes, mas principalmente pelo acrscimo de invocaes adicionais, tornando assim a concentrao  no Santo Anjo Guardio  mais intensa e fervorosa. 
	H muita discusso de incio quanto  natureza do cenrio da  operao. Se possvel, deve ser realizada no campo, onde se pode obter efetiva solido. Digo "solido efetiva" deliberadamente j que, como todos sabem,  possvel isolar-se no corao de uma grande cidade do resto do mundo simplesmente pelo recolhimento. A solido que este livro sugere  um retiro fsico da vida fervilhante da cidade, mencionando-se que Abrao, Moiss, Davi, Elias, Joo e outros homens santos se retiraram para locais ermos at terem adquirido esta cincia santa e a magia. O melhor local, sugere Abrao, "...onde houver um bosque, no meio dele fareis um pequeno Altar, e cobrireis o mesmo com uma cabana (ou teto) de pequenos galhos, de modo que a chuva no possa cair nele e extinguir a Lmpada e o Turbulo". Se o recurso a um sossegado bosque for impossvel, outras sugestes so apresentadas. Todas as obras de magia insistem que muito cuidado e discernimento devem atender  escolha de um local apropriado para se proceder a essas operaes. Alm das instrues acima expostas, o mago dever certificar-se de que o teatro de magia que escolheu no est situado num lugar onde feitiaria, por exemplo, foi praticada e que no foi empregado para sesses espritas. Deve ser absolutamente bvio que como um dos resultados da magia  tornar a constituio do mago mais sensvel, ele no deve colocar-se numa posio na qual essa sensibilidade possa ser invadida por influncias perturbadoras e hostis. Muitssimos indivduos inteiramente comuns so suscetveis a atmosferas, e para o mago, em particular, o local de trabalho deve certamente estar livre de qualquer contato deletrio, de sorte que a esfera sensvel da conscincia no possa ser indevidamente afetada. Abrao menciona o tipo de casa necessria se o trabalho tiver que ser realizado numa pequena cidade ou povoado, dando-se nfase  construo do Oratrio, que deve ser a cmara realmente importante porquanto deve servir como templo mgico. Deste oratrio uma janela tem que abrir para um balco aberto ou um Terrao, como  chamado, cujo piso deve ser coberto com uma camada de areia fina de rio. Ora, uma das coisas que mais, talvez, do que qualquer outro item dos acessrios impressiona o principiante que l o livro de Abramelin  o fato de no se fazer a nenhuma meno a um crculo mgico de proteo para o lugar de realizao das invocaes, a despeito de se fazer referncias e descries em termos claros de muitos demnios e espritos malignos provavelmente danosos ao operador. Assim  porque nesta particular disposio da  obra, o autor procura reduzir a totalidade da cerimnia a princpios fundamentais com o mnimo possvel de dispositivos, e se supe que o  terrao substitua o tringulo no qual os espritos apareceriam aps a Conversao com Adonai. Tanto o dormitrio quanto o oratrio, sendo consagrados durante um longo perodo de tempo mediante contnuas oraes, invocaes e fumigaes ascendentes, desempenhariam a mesma funo de um  crculo, estabelecendo um natural obstculo astral em torno dos limites do oratrio atravs de cuja santidade e segurana nenhum demnio poderia penetrar.  por esta razo que se dispensa qualquer crculo simblico visvel, porquanto o efeito das contnuas invocaes ter exaltado tanto a constituio do operador e elevado tanto a vibrao das molculas em seus vrios veculos que a inteira esfera astral e espiritual ser purificada a um ponto que, como anteriormente sugerido, servir em si mesma seguramente como o crculo mgico real. 
	Que se mencione aqui para o benefcio dos aprendizes do presente que possam cogitar em se devotarem a esta  Operao da Magia Sagrada que essas regras no precisam ser escrupulosamente acatadas desde que sua essncia e esprito sejam acatados. Com apenas um pouco de engenhosidade ser possvel estabelecer um novo conjunto completo de circunstncias externas favorveis  execuo satisfatria desta concepo da  Grande Obra.  preciso que seja compreendido com clareza, contudo, que uma vez concebido e adotado esse conjunto de regras, embora claramente entendido como arbitrrio, elas devero ser estritamente seguidas. Em seu poema mgico Aha, Aleister Crowley apresenta uma bela verso de uma possvel variante do cenrio da  operao:
" . . . Escolhe com ternura
Um stio para a academia tua.
Que um santo bosque haja
De solido enramada 
Junto do rio tranqilo, sem chuva,
Sob as entrelaadas razes
De rvores majestosas que tremulam 
Nos ares sossegados; onde os brotos
Da grama delicada so verdes,
Musgo e samambaias adormecidos entre si,
Lrios na gua sobrepostos,
Raios de sol nos ramos presos
- Entardecer sem vento e eterno! 
Todas as aves do cu silenciadas
Pela baixa e insistente chamada 
Da continua queda d'gua.
A, para um tal cenrio s
Sua gema esculpida de divindade,
Um fogo central sem defeito, subjugado
Como a Verdade no interior de uma esmeralda."
	Dentro da  loja ou oratrio consagrados deveria haver um altar construdo como um armrio, acima do qual, suspensa do teto uma lmpada com azeite de oliva deve queimar. Deve ser mantido sobre o altar um turbulo de lato, no devendo este nunca ser removido do oratrio durante todo o perodo de seis meses da operao.   necessrio um manto de seda carmesim guarnecido em ouro que chegue aos joelhos;  mencionada tambm uma outra tnica de linho branco. "Quanto a estas roupas, no h regras particulares para elas; nem nenhuma instruo especial a ser seguida; mas quanto mais resplandecentes, limpas e brilhantes forem, tanto melhor ser." "Tambm tereis uma Vara de amendoeira, lisa e reta, do comprimento de cerca de meio covado a seis ps." No que se refere  preparao de todas essas coisas, os princpios formulados em captulos anteriores se aplicam igualmente, mesmo considerando-se que nenhuma meno deles seja feita por nosso autor. 
	Durante o primeiro perodo de dois meses aconselha-se o operador a levantar-se toda manh precisamente um quarto de hora antes do nascer do sol,  entrar no oratrio depois de ter se lavado e se vestido com roupa branca,  abrir a janela e, ajoelhando no altar que d para a janela que comunica ao balco invocar os nomes de Deus com vontade e mente dilatadas. "...e confessar-Lhe inteiramente todos os vossos pecados". Esta ltima prescrio, naturalmente,  simplesmente para produzir a tranqilidade mental e emocional necessrias  inspirao e iluminao do anjo.  dificilmente necessrio estender-se sobre o fato de que aquele que permanece continuamente incomodado por uma conscincia revoltada ou pela memria de uma antiga m conduta est deste modo impedido da tranqila concentrao mental; tampouco sero suas invocaes intensas e unidirecionadas. Uma tal pessoa seria devidamente aconselhada a abster-se completamente at mesmo da contemplao de uma operao mgica desse tipo pois ela estaria fadada a resultar no s no fracasso da invocao ao anjo, como tambm em desastres do gnero mais catastrfico. Os poderes que esto presentes na operao de Abramelin so de pouco uso para os intrometidos. Conquistadas a tranqilidade e a serenidade, o mago deve suplicar ao Senhor do Universo "que, chegando o tempo, possa Ele ter piedade de vs e conceder-vos Sua graa e a bondade de vos enviar Seu Santo Anjo, que vos servir de Guia..."
	No h necessidade de enfatizar muito, suponho, que Abrao era de f judaica, e conseqentemente afeito  predominante - isto , medieval - concepo judaica do monotesmo pessoal. O tom teolgico dado a esta magia pelo adepto hebreu e que deve ter sido acrescido por ele aps t-la recebido de Abramelin pode, portanto, ser tranqilamente ignorado pelo leitor se este assim o desejar, j que no desempenha papel algum na verdadeira significao da operao. Cada aprendiz pode adaptar inteligentemente o carter das prescries de Abrao a respeito desse ponto  teoria mgica do universo aqui formulada num captulo anterior, ou s suas prprias crenas religiosas particulares.  necessrio, todavia, que eu frise que o dogma e a f religiosa esotrica no ocupa lugar algum no interior do santurio da magia.  preciso que o leitor se convena que a magia depende de princpios experimentais rgidos to confiveis e to exatos como os de qualquer cincia. 
	Antes de iniciar a  operao, seria bom para o mago que formulasse um juramento de que executar essa magia sagrada e que o registrasse claramente por escrito. A vontade e a determinao de ter xito precisa ser expressa mediante palavras, e essas palavras por aes, pois durante a Negra Noite da Alma, quando o olho espiritual estiver fechado e todo discernimento tiver se afastado, quando o aclito  debilitado pela tentao e pela aflio da mente, ser apenas sendo fiel  letra do juramento que o mago poder esperar conduzir essa operao a um clmax satisfatrio. A direta expresso da  vontade, em todos os casos,  o discurso, e o registro de uma determinao de vontade num juramento escrito est de acordo com os fundamentos da filosofia mgica. 
	No exerccio de orao acima o ponto importante a ser observado, como o prprio Abrao faz notar a seu filho nas palavras que se seguem,  "Tambm de nada serve falar sem devoo, sem ateno, e sem inteligncia; ...Mas  absolutamente necessrio que vossa orao saia de dentro de vosso corao, porque simplesmente estabelecendo oraes escritas, sua audio de modo algum vos explicar como rezar realmente. "Mais adiante, analogamente, ele aconselha seu filho Lamech: "Inflamai-vos com orao." Quanto a esta prescrio,  necessrio que nos estendamos um pouco, j que o sucesso ou o malogro na arte da invocao depender inteiramente do fato de essa recomendao ser acatada ou no. Efetuar uma srie de invocaes diversas vezes ao dia durante um perodo de seis meses, repetindo a mesma invocao, confisso e orao durante o primeiro perodo duas vezes por dia  realmente uma tarefa diante da qual o operador que no for confirmado por hbito nesta senda da luz pode bem falhar. Detenha-se, leitor, e  reflita sobre o que isso implica! Uma simples amostra de trabalho mgico que se mantm num perodo to longo  realmente umas das tarefas mais rduas e tediosas que se pode conceber. Somente aquele que com persistncia for capaz de ser fiel  letra de seu juramento assumido antecipadamente pode ter a expectativa do xito. E no entanto, essas invocaes no devem ser recitadas de maneira montona e rdua, ou num tom de voz que indique tdio, sem fervor, sinceridade ou devoo. Sem a presena destas qualidades na invocao, um vulgar grito de feira seria to til quanto e teria mais ou menos tanto efeito como qualquer outro. Toda faculdade do mago deve participar do trabalho de invocao. Todo poder da alma deve ser exercido, todo grama de sinceridade, entusiasmo e regozijo espiritual deve ser empregado na sustentao das invocaes que devem brotar do prprio corao e alma do ser do mago. 
	Durante esse primeiro perodo outras prescries so indicadas que tm de ser escrupulosamente seguidas segundo o autor. Algumas delas podem parecer um tanto triviais ou ate ridculas, mas o julgamento final deve ficar a critrio de cada leitor. Eu apenas as menciono pelo cuidado de me ater ao completo. Tanto o dormitrio quanto o oratrio mgico devem ser conservados num estado de limpeza e ordem absolutas, toda a ateno do teurgo sendo prestada  "pureza de todas as coisas". Todo os sbados os lenis do leito tm que ser substitudos e a cmara totalmente perfumada e incensada, impregnando assim mesmo esse quarto de uma carga de santidade e expandindo os limites do crculo. Os ingredientes apontados para o incenso so um composto de olbano, estoraque e alos, todos reduzidos a um p fino e bem misturados*. Abrao, o Judeu  incisivo, ademais, quanto a afirmar que no se deve permitir que nenhum animal se aproxime ou tenha acesso  casa na qual a  operao est sendo levada a efeito. Deve imperar a mais absoluta solido que seja humanamente possvel. "Se sois vosso prprio senhor, tanto quanto estiver em vosso poder, libertai-vos de todos os negcios, e deixar toda companhia v e mundana, e conversao, levando uma vida tranqila, solitria e honesta... Sede sbrio ao tratar de negcios, vendendo ou comprando, sendo preciso que nunca vos enfureceis, mas sede modesto e paciente em vossas aes." Essas so normas de bom senso que ningum, eu presumo, criticaria. Uma outra sugesto expressa  que as Escrituras Sagradas podem ser lidas e ser objeto de meditao durante duas horas por dia, este tempo devendo ser especialmente programado e reservado para essa finalidade aps o jantar, no se permitindo que nenhuma outra atividade interfira ou tenha precedncia. Quase qualquer outro livro religioso serviria caso o aprendizno esteja predisposto  ao estudo da Bblia, particularmente um desses livros que tenha causado profunda impresso em sua mente e que tenha servido de algum modo para despertar os sentimentos superiores e  estimular o amor e as emoes nobres. Essa meditao produzir tambm pistas que auxiliaro na composio dos rituais supremos. 
* As propores necessrias  mistura so quatro partes de olbano, duas partes de estoraque e uma parte de alos. 
	No que diz respeito aos hbitos da vida, Abrao sugere moderao em todas as coisas, o comer, beber e dormir no devendo ser nem excessivos nem demasiadamente modestos. Nenhuma das coisas nas quais o mago estar envolvido deve, por menos que seja, conter algo de suprfluo. Quanto ao assunto que para a maioria dos aprendizes de magia e misticismo  cercado por um vu de obscuridade, aconselha,  guisa de acrscimo  prescrio de moderao que "Podeis dormir com vossa esposa na cama quando ela estiver pura e limpa;..." e nunca em caso contrrio. A nica questo a afetar o celibato  simplesmente a da conservao da energia, e nada mais. Visto que todas as foras do indivduo esto sendo transformadas pela operao e dirigidas a uma nobre finalidade espiritual, qualquer desperdcio ou escoamento de fora que  to importante em matrias afastadas daquela finalidade so assim grosseiramente imorais no sentido de que apresentam algo de loucura e autodestruio. Durante a operao, poucas pessoas devero estar na casa com ele, " Quanto ao que se refere  famlia, quanto menos numerosa, melhor; tambm fazei de modo que os servos sejam modestos e tranqilos." A caridade  sugerida e tambm o recato com respeito s roupas e o modo de vestir; toda vaidade deve ser severamente banida. 
	Isso  o suficiente para o primeiro perodo. As tarefas nestes dois meses so relativamente fceis, indicando to-s uma simples vida meditativa, em relao  qual se insiste no repouso e tranqilidade. Duas vezes ao dia, ao nascer e pr-do-sol, quando certas foras ocultas na natureza esto em sua ascendncia e no mximo de sua pureza, as invocaes devero ser realizadas; cumpre que o resto do dia seja passado no aperfeioamento variado da concentrao da mente fervorosamente dirigindo-se ao "... Santo Anjo que vos servir de Guia..." A programao proposta por Abrao pode facilmente ser suplementada por outros itens de magia, em conformidade com a aspirao principal, o que pode ser sugerido pela engenhosidade do indivduo. Durante este perodo, o mago deve devotar todas as faculdades que adquiriu atravs da ateno que dedicou a outras fases da tcnica ao fortalecimento da aspirao principal. Os rituais de banimento podem ser usados  proveitosamente  e a  ascenso aos planos pode se revelar um auxiliar extremamente til s invocaes. A repetio contnua de um mantra sagrado, compatvel com a concepo do mago da natureza de seu Anjo, se revelar de grande ajuda para manter a concentrao da mente unidirecionada. 
	Com a chegada do segundo perodo precisamente o mesmo procedimento  seguido exceto pelo fato de o operador ser exortado a tornar suas invocaes mais intensas e gneas, e "Deveis prolongar vossas oraes o mximo que vossa capacidade permitir". As invocaes devem prosseguir de manh e no anoitecer como nos dois meses anteriores, mas "...antes de entrardes no Oratrio deveis lavar vossas mos e face completamente com gua pura. E deveis prolongar vossa orao com a maior afeio possvel, devoo, e submisso, humildemente implorando ao Senhor Deus que se digne a ordenar a Seus Santos Anjos que vos levem pelo Verdadeiro Caminho..."  fcil perceber a idia psicolgica que Abrao gradualmente formula. As invocaes ao Santo Anjo Guardio devem ser feitas mais freqentes, ardentes e imperiosas de sorte que quando pelo fim do perodo de seis meses  dado ao teurgo o conselho de inflamar-se com a invocao, prtica anterior o far voar como uma flecha impelida por um arco rumo  glria do anjo e no se experimentar qualquer dificuldade para despertar o entusiasmo e devoo requeridos que levaro a efeito a  unio mstica. 
	Outras prescries a serem observadas no segundo perodo podem ser resumidas com brevidade como se segue. "O uso dos direitos do matrimnio, mas, se este uso for feito, dever s-lo o mnimo possvel." "Deveis tambm lavar todo vosso corpo toda vspera de Sabbath." "Quanto ao que tange o comrcio e modo de viver, j dei instruo bastante", mas agora  "... absolutamente necessrio retirar-se do mundo e procurar isolamento..." As observaes antes feitas no que se refere a comer, beber e se vestir continuam aplicveis. 
	Quando o segundo perodo se encerra e com ele o quarto ms de invocao contnua, a mente do operador dever estar gradualmente se contraindo para um nico ponto em funo desses modos de vida serenos e calmos e do fervor crescente que deve introduzir em suas invocaes, que ocupam agora perodos mais largos de tempo. Nessa ocasio, igualmente, ele ter entrado naquele estado de secura do qual msticos de todos os tempos falaram, aquele horrvel estado psicolgico no qual todos os poderes da alma parecem mortos a viso da mente se fecha num protesto mudo, por assim dizer, contra a disciplina cruel do juramento. Mil e uma sedues tendero a desviar o operador da contemplao da finalidade que escolheu, e mil e um meios de quebrar o juramento em esprito sem quebr-lo na letra sero apresentados. E parecer que a prpria mente ir ficar fora de si, advertindo o teurgo que seria melhor para ele omitir, por exemplo, um perodo devotado  invocao e fazer algo mais, profano e prazeroso. Constantemente procurar amedront-lo com temores desordenados relativos  sade do corpo e da mente. Contra todas estas insanidades - fatais se ele sucumbir a uma nica tentao - h somente um remdio, a saber, a disciplina do juramento feito no incio, prosseguir no labor de invocar durante seis meses o Santo Anjo Guardio. Tudo o que se tem a fazer  proceder s cerimnias e invocaes, agora temporariamente destitudas de sentido e horrendas, visto que a viso espiritual est negra e o olho interior fechado. Pode ser que com o terceiro e ltimo perodo essa  Noite Negra da Alma passe lenta e imperceptivelmente, e ento surgir a suave grandeza rosa e cravo da aurora a ser sucedida pela brilhante luz diurna do Conhecimento e Conversao, com a  Viso Beatfica e o perfume to doce e confortador aos sentidos e  alma do Santo Anjo Guardio. 
	Com a chegada dos ltimos dois meses, aconselha-se que o homem que  seu prprio senhor deixe todos os seus negcios de lado,  exceo, talvez, de obras de caridade para com seus prximos. Contudo, dever-se- tomar cuidado mesmo em manifestar uma virtude to elevada quanto esta pois a concentrao e a aspirao ao mais elevado no devem ser interrompidas.  "Afastai-vos de toda sociedade, salvo a de vossa Esposa e Servos... Toda vspera de Sabbath deveis jejuar, e lavar todo vosso corpo, e trocar vossas roupas." Estas regras concernem ao modo de vida e conduta. Mas as instrues que se referem ao aspecto mgico da  operao so as seguintes: "Manh e noite deveis lavar vossas mos e face ao entrar (quer dizer, antes,  claro) no Oratrio; e primeiramente deveis confessar todos os vossos pecados; depois disto, com mui ardente orao, deveis implorar ao Senhor que vos conceda esta particular graa, que  poderdes desfrutar e resistir  presena e conversao de Seus Santos Anjos, e que Ele possa dignar-se por intermdio deles conceder-vos a Secreta Sabedoria, de modo que possais ter o domnio sobre os Espritos e todas as criaturas."
	Este  o procedimento recomendado para os dois ltimos meses, tempo em que a maior parte do dia ser passada, como orientam tambm os Orculos Caldeus, "Invocando com freqncia", concentrando todos os poderes da mente, do corpo e da alma em conjunto, focalizando-os por meio de invocao de maneira que por meio disso o anjo possa aparecer e alar o teurgo  sua vida mais grandiosa e mais ampla. Concludo o terceiro perodo de trs meses em 21 de setembro, o mago dever levantar-se na manh seguinte muito cedo, "...nem vos lavareis nem vos vestireis com vossas roupas comuns, mas tomareis uma roupa de luto; entrareis no Oratrio de ps nus; ireis para o lado o incensrio*, e tendo aberto as janelas, retornareis  porta. Ali vos prostrareis com vossa face contra o cho e ordenareis  criana (que  usada neste sistema como assistente e clarividente, mas desnecessria, acho, nessa ltima funo se a operao tiver sido cuidadosamente desenvolvida) que coloque o perfume no turbulo, aps o que se dever pr de joelhos diante do Altar; seguindo em tudo e minuciosamente as instrues que dei... Humilhai-vos perante Deus e Sua Corte Celestial e comeai vossa Orao com fervor, pois ento comeareis a vos inflamar na orao, e vereis aparecer um extraordinrio e sobrenatural esplendor, que encher todo o apartamento, e vos circundar com um cheiro inexprimvel, e apenas isto vos consolar e confortar o corao, de modo que clamareis para sempre, feliz, pelo Dia do Senhor."
*  Embora o autor nem sempre faa citaes integrais, omitindo certos trechos e advertindo o leitor desta descontinuidade mediante as reticncias (...  ), aqui no h estas reticncias, motivo pelo qual reproduzimos o trecho omitido: "tomareis as cinzas dele e as colocareis sobre vossa cabea; acendereis a Lmpada; e poreis os carves quentes no incensrio". (N. T.) 
	Abrao, homem sbio e mago que era, no sobrecarrega a si mesmo, se perceber, nem a mente de seu filho, ao qual essa tcnica mgica  transmitida, com qualquer sofisma intelectual ou qualquer investigao metafsica a respeito da  natureza do  anjo. No  h  nenhuma discusso quanto a este ltimo possuir uma existncia objetiva, isto , independente, ou se ele  subjetivamente inerente  estrutura psicolgica do teurgo. Ele mesmo, tendo passado por este treinamento e alcanado sua realizao na Viso e no  Perfume, bem conhecia a falcia da dependncia  intelectual. E pode-se presumi-lo porque ele escolheu de preferncia a todas as outras expresses as prprias palavras "Santo Anjo Guardio", que so to palpavelmente absurdas de um ponto de vista racional a ponto de nenhuma pessoa sensata ousar especular acerca delas. Assim a dependncia intelectual e a voragem do erro so evitados. Quanto maior for a fora e o entusiasmo desse ato de f numa entidade irracionalmente nomeada e concebida, mais eficaz ser a crise da conjurao. 
	Durante sete dias, em seguida, aconselha Abrao, o operador executar as cerimnias sem falhar na execuo correta de nenhuma delas de modo algum. No dia da consagrao, o Santo Anjo Guardio ter aparecido ao teurgo e proporcionado graa e esplendor a sua alma, sustento ao seu esprito e ter inundado toda a esfera da sua mente com uma iluminao que tudo abarca, que no h palavras que possam adequadamente descrever. Ento seguir-se-, segundo prescrio do anjo, uma convocao de trs dias na qual os espritos bons e santos sero conjurados  aparncia visvel no terrao e introduzidos ao domnio da vontade renovada do mago; os trs dias sucessivos sero dedicados   evocao dos maus espritos. No segundo dia, orienta Abrao, "devereis seguir os conselhos que vosso Santo Anjo Guardio vos ter dado e no terceiro renders gratido". "E ento pela primeira vez estareis capacitado a pr  prova se bem empregastes o perodo das Seis Luas, e quo bem e dignamente trabalhastes na busca da Sabedoria do Senhor; pois vereis vosso Anjo Guardio vos aparecer em inigualvel beleza; que tambm convosco conversar, e falar com palavras to cheias de afeto bondade, e com tal doura que nenhuma lngua humana poderia express-las... Numa palavra, sereis por ele recebido com tamanha afeio que esta descrio que aqui dou dever nada parecer em comparao... Aqui neste ponto, comeo a restringir-me em meu escrever, haja visto que pela Graa do Senhor submeti-vos e consignei a um MESTRE to grande que nunca vos deixar em erro."
	Continuando diretamente com a descrio em versos do cenrio da operao mgica anteriormente citada, e trabalhando-se com esmero as observaes de nosso autor de magia, Crowley prossegue: 
" Tu ters uma barca de btula
    Sobre o rio nas trevas; 
    E  meia-noite irs
      corrente mais suave do meio do rio,
    E tocars uma campainha dourada
    A chamada do esprito; ento diz as palavras de encantamento:
   'Anjo, meu Anjo, aproxima-te!'
    Fazendo o Sinal de Maestria
    Com basto de lpis-lazli.
    Ento, pode ser, atravs da encoberta 
    Noite silenciosa vers teu anjo surgir, 
   Ouve o dbil sussurro de suas asas,
   Contempla as doze pedras dos doze reis! 
   Sua fronte ser coroada
   Com a dbil luz das estrelas, onde 
   O Olho vislumbra dominante e agudo.
   E por este motivo tu desfaleces; e teu amor 
   Captar a voz sutil disso.
   Ele informar seu amante feliz;
   Minha tola tagarelice estar terminada! . . . 
   Mente abertamente, uma taa camalenica,
   E O deixa sugar teu mel! "
	Assim finda a mais importante parte do sistema advogado por Abramelin, o mago, que pode ter sido seguramente um dos maiores mestres de magia do Ocidente. Com perfeita lucidez e suave simplicidade de concepo espiritual, com clareza na expresso e na instruo e sem sobrecarga da mente com mincias e elementos secundrios, com smbolos de pureza e de limpeza, Abrao, o Judeu, conduz o teurgo gradualmente, passo a passo, em ascenso pela maravilhosa escada que  a rvore da Vida que cresce para a terra a partir do Ancio dos Dias, rumo ao Mestre Inefvel. Ele  o Augoeides, Adonai, o Eu superior, o Santo Anjo Guardio, chame-se-o como quiser. E a iluminao e glria espiritual que o Anjo traz  to auspiciosa e santa e uma viso to terrvel que no devoto  induzido um arrebatamento, uma adorao, um transporte de xtase que ultrapassa qualquer concepo e discurso humano. Nenhum santo ou poeta ainda foi capaz de sugerir mais do que um eco fugidio dessa incomparvel experincia. Esta consecuo marca o comeo da carreira do Adeptado, e  s ento, quando a alma tendo sido erguida em excelsitude e visto coisas que no  lcito revelar, que a verdadeira natureza da vida pode ser percebida. Infiltrado por uma riqueza de sabedoria, ventura e clareza da viso interior, poder ento o mundo ser apreciado pelo que ele . At aqui os olhos da alma estavam cerrados, e cegos, amedrontados, e ignorantemente calados, o indivduo se achava num redemoinho na roda continuamente mvel da vida e da dor. Mediante o atingimento do esplendor anglico, o centro da conscincia tendo sido para sempre exaltado alm do ego emprico, um dilvio de xtase produz a compreenso de que  apenas o Anjo que  e sempre foi o Ego, o Eu real jamais conhecido antes. No mais o Anjo o entesourar como as muralhas longnquas do abismo estrelado, mas sim Ele queimar ardentemente no cerne do homem, vertendo atravs dos canais dos sentidos deste uma torrente interminvel de glria e deleite resplandecentes. Os portais da mente so destravados e oscilam sobre suas dobradias, e o domnio celestial ao qual o Anjo introduz a alma  abundante e estaticamente descerrado. 
	H um belo poema de autoria do poeta irlands  A. E. em que o tema  uma conversao entre a criana terrestre das trevas e o santo Anjo da Luz. O primeiro diz: 
"Eu te conheo,  glria, 
  Teus olhos e tua fronte
  De fogo alvo todo grisalho, 
  Retorna a mim agora. 
  Juntos viajamos
  Em eras passadas,
  Nossos pensamentos  medida que pondervamos
  Eram estrelas na alvorada. 
  Minha glria declinou; 
  Meu azul celeste e ouro; 
  E no entanto tu permaneces aceso
  O fogo-sol de outrora.
  Meus passos esto presos 
  Urze e  pedra..."
	O Anjo responde mediante palavras particularmente significativas ao aprendiz de magia, rogando ao eu sombrio  que ceda  orientao do pastor celestial: 
"Por que tremer e prantear agora, 
   Quem as estrelas uma vez obedeceram?
   Avana para o profundo agora
   E no tem medo...  
   Um diamante arde 
    Nas profundezas do S,
    Teu esprito retornando
    Pode reivindicar seu trono.
    Em ilhas orladas de chamas
    Suas dores cessaro,
    Absortas no silncio
    E debeladas na paz.
    Vem e repousa tua pobre cabea sobre
    Meu corao onde ela incandescer 
    Com o vermelho-rubi do amor sobre
    Teu corao por seus infortnios.
    Meu poder eu cedo,
    A ti ele  devido,
    Avana pois o esplendor 
    Espera por ti! 

CAPTULO  XIII
	A unio com o Santo Anjo Guardio efetuada e a alma tendo sido assimilada  essncia interior do esplendor e glria do Anjo, o mago procede com o sistema de Abramelin  evocao dos espritos e demnios com o intento de subjug-los, e conseqentemente com eles a totalidade da natureza, ao domnio de sua  vontade transcendental. Pode parecer  primeira vista que tal parte se seguindo  exaltao da parte precedente do livro constitui um declnio a partir da sublimidade, estando, ademais, na natureza de um anticlmax.  difcil negar que o xtase e a elevada irrepreensibilidade espiritual do livro sejam um pouco maculados pelo acrscimo dessas coisas  marcante dignidade da  Operao de Abramelin. Aleister Crowley se empenhou numa oportunidade em fornecer uma adequada explicao racional para isso. "H" ele argumenta, "...uma razo. Qualquer um que d ensinamento de um novo mundo tem que se conformar com todas as condies dele.  verdade, est claro, que a hierarquia do mal se afigura um tanto repugnante  cincia. , com efeito, muito difcil esclarecer o que queremos dizer dizendo que invocamos Paimon, mas, se pensarmos com um pouco mais de profundidade, veremos que o mesmo se aplica ao Sr. Smith ao lado. Desconhecemos quem  o Sr. Smith ou qual o seu lugar na natureza ou como responder por ele. No podemos sequer estar seguros de que ele existe. E, todavia, na prtica, ns chamamos Smith por este nome e ele atende. Atravs dos meios apropriados, somos capazes de induzi-lo a fazer para ns aquelas coisas que se coadunam com sua natureza e poderes. A questo toda , portanto, a questo da prtica, e se nos basearmos neste padro, descobriremos que no h nenhuma razo em particular para nos desentendermos com a nomenclatura convencional."
	O mtodo proposto por  Abramelin para convocar os  Quatro Prncipes do Mal do Mundo  constitudo por quadrados mgicos contendo, em certas formaes, vrias letras e vrios nomes. Estes quadrados quando carregados e energizados pela vontade mgica, estabelecem uma tenso magntica ou eltrica na luz astral  qual certos seres que se harmonizam com essa tenso reagem executando atos ordenados pelo mago. Independentemente da  evocao dos demnios no terrao h quadrados desenhados e descritos por Abrao para a realizao de quase todos os desejos que poderiam ocorrer ao um ser humano. No pretendemos descrever aqui este captulo final* do livro de Abramelin que contm os quadrados e frmulas prticas de evocao, porquanto este ltimo constitui o ramo menos importante desse sistema. Em todo caso, este assunto em particular vincula-se a outros textos mgicos que eu desejaria descrever com brevidade. Permitiu-se infelizmente que estes trabalhos, como A Magia Sagrada de Abramelin, ficassem esgotados e no fossem mais publicados, sendo para todos os efeitos praticamente impossveis de serem obtidos salvo por aqueles que tm acesso a um museu ou uma grande biblioteca. Tenciono abord-los aqui porque dizem respeito quele ramo da magia que  colocado em oposio   invocao e se refere   evocao e ao controle dos espritos planetrios e seres anglicos. Desejo advertir o leitor, contudo, chamando sua ateno para o fato de que o procedimento exposto por Abramelin  o melhor. Primeiramente deve haver o Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio e ento as evocaes. E s menciono esta ltima coisa para que o leitor fique ciente da frmula inteira embora no pretenda reproduzir muitas das instrues prticas. Os livros aos quais me refiro so A Chave de Salomo, o Rei, A Gocia ou Pequena Chave de Salomo, o Rei e O Livro do Anjo Ratziel. Esta ltima obra infelizmente nunca foi traduzida do hebraico para o ingls. Est claro, o rei Salomo, modelo atravs das eras da mais elevada erudio e sabedoria, foi naturalmente a figura a quem os autores desconhecidos desses trabalhos atriburam suas prprias composies a fim de que pudessem causar mais impresso e ter maior credibilidade. No que essa fraude palpvel faa a menor diferena pois se o sistema for funcional ento Salomo ser uma figura to boa ou to ruim para se atribuir discursos e instrues mgicos quanto, por exemplo, um hipottico ser inexistente como Yossel ben Mordecai. Ademais, omitir seu prprio nome e dar o crdito a algum outro indivduo pelo prprio trabalho encerra uma certa abnegao do ego. Os livros em si e o sistema mgico neles contido constituem a matria de interesse; a autoria nestes casos no tem a menor importncia. 
* No se trata do captulo final, mas sim de toda a  parte final, ou mais exatamente do terceiro livro, que  a parte final  de O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago. (N. T.)
	A necessidade dos ritos de evocao  realmente extremamente simples. A despeito do objeto supremo da magia ser o conhecimento do eu superior e embora para a vontade qualquer coisa alm deste objetivo supremo ser magia negra,  s vezes necessrio redispor tanto os materiais quanto o cenrio das operaes, bem como fazer preparaes para o aprimoramento do Ruach a ser oferecido em sacrifcio ao amado. Para diferentes indivduos em diferentes ocasies essas preparaes devem naturalmente variar. Considerando-se que o Ruach precisa ser renunciado e imolado na pedra sacrificial do altar como uma oferta ao Altssimo, e considerando-se que denota uma certa mediocridade e puerilidade de devoo sacrificar uma vtima maculada, poder ser necessrio para alguns teurgos envolver-se com todas as espcies de prticas para o atingimento de finalidades que para outros possam ser completamente desnecessrias.  Por exemplo, um aprendiz pode se achar embaraado com uma m lembrana que pode obstruir a sagrada recordao da  viso e do perfume;  possvel que um outro seja incapaz de reagir a certos estmulos emocionais, e um terceiro possa se achar sob o fardo de uma perspectiva estultificada da vida, cuja pobreza se ope inteiramente  intensa generosidade e  fecunda liberalidade que so inerentes  natureza. A tarefa mgica imediata em tais casos  aperfeioar o veculo imediato atravs do qual o Santo Anjo Guardio deve se manifestar.  em vo que so vertidos o elixir da vida e o vinho ambrosial  num recipiente quebrado ou sujo e  preciso procurar um remdio adequado para essas deficincias. Em ltima instncia, quando ocorre a rendio final do Ego no casamento mstico com o amado, e o Ego  imolado no altar, nenhum complexo disforme macular o arrebatamento do xtase espiritual da unio, nem ser a vtima sacrificial  deficiente em qualquer coisa que seja agradvel aos deuses, ou  carente de qualquer faculdade que se revele uma vantagem para o crescimento ou a vida suplementar da flor dourada  no interior de sua alma. Assim pode-se julgar imperativo adiar por enquanto a  Operao do Santo Anjo Guardio a fim de suprir instruo conveniente para a Noiva em suas obrigaes para com o Filho do Rei; devotar-se no comeo no   magia da luz mas s evocaes da gocia. Vrias partes da mente e da alma podem ser to falhas a ponto de exigir um esforo mgico especial para seu estmulo e reparo, quer dizer, quando mtodos seculares ordinrios se revelaram ineficazes. Em tais casos  permissvel e legtimo dedicar-se preliminarmente aos ritos de evocao, de modo que por intermdio de seus recursos toda faculdade do indivduo possa  reassumir o funcionamento pleno e normal. Pode ser necessrio evocar algumas das entidades, por exemplo, elencadas entre as Setenta e duas Hierarquias de  A Pequena Chave de Salomo, o Rei visando intensificar as faculdades emocionais, beneficiar a lgica, a razo, a memria e algum outro departamento do pensamento e da mente. Assim, quando a gocia instrui que o esprito chamado "Foras" ensina "as artes da lgica e da tica" significa que atravs do estmulo de um certo aspecto da mente resultante de um tipo particular de operao mgica as faculdades mgicas so melhoradas e estimuladas. 
	Gostaria de chamar a ateno para uma hiptese mgica que legitima o uso contnuo da evocao de seres anglicos e planetrios antecedendo ao Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio. Ela defende que a busca das artes da  evocao pode ser com a finalidade de preencher as lacunas da escada pela qual a alma pode ascender s alturas do cu.  por meio deste mtodo que o teurgo adquire uma slida base quadrangular para sua pirmide de realizao.  intil, argumentam os proponentes deste sistema, contemplar um edifcio to exaltado como o pice de uma pirmide elevando-se  pelas nuvens a menos que a fundao esteja muito firmemente estabelecida sob o solo a fim de servir de base e suporte seguros e inabalveis ao esprito que aspira. Enquanto a aspirao da alma for pura, de motivos honestos e isenta do mero desejo egosta do poder, pouco dano poder advir ao mago na sua atividade com a tcnica da evocao, contanto,  claro, que as precaues ordinrias de completos banimento e consagrao do crculo e do tringulo sejam tomadas. Mas, diz-se, que atravs deste mtodo o mago imita a operao e progresso da totalidade da natureza. Nela, sua grande guia e modelo, ele v que nenhum passo rumo ao crescimento  tomado subitamente sem longas medidas preliminares ou preparo de alguma espcie; tudo procede ordenada, harmoniosa e gradualmente, passo a passo, com devido cuidado, seqncia e escalonamento.  esta harmonia e ordem que ele procura trazer ao seu prprio trabalho.  preciso que comece seu trabalho na base da superestrutura, assentando cada tijolo a ser incorporado a essa grande pirmide com o mais extremo cuidado, zelo e devoo, dispondo camada sobre camada, no negligenciando um nico estgio sobre o qual a torre dever sempre se elevar. Gradativamente,  medida que esta ampla base piramidal de realizao se desdobra, alteando-se tanto dentro quanto acima sobre uma fundao firme, tornada segura  pelas evocaes e sustentada pela aspirao do mago, este tende a descartar as coisas menores na medida em que a necessidade destas se torna menos bvia, e ele se torna mais unidirecionado e devoto at que o coroamento de seus esforos transborda na consecuo suprema. Neste caso, a consecuo se alicera numa base slida, no uma base construda sobre areias movedias que o mero sopro do vento poderia derrubar; o Conhecimento e Conversao est enraizado no prprio esprito e corpo do ser  integral, e a no existe nenhum perigo em absoluto de uma iluminao que leve o mago a uma obsesso de uma idia fantica, ou  destruio do equilbrio de sua mente. 
	A base racional dos poderes conferidos pela evocao e a realidade dos espritos no se encontram muito distantes para nossa busca se considerarmos a psicologia patolgica por um momento. O fenmeno da evocao pode ser comparado a uma neurose ou complexo sutis presentes em nossas mentes, os quais nos achamos incapazes de eliminar ou descartar a no ser por algum meio que nos capacite a defini-los claramente e determinar sua causa. Este conhecimento lhes outorga uma forma consciente e racional precisa, que pode, ento, ser francamente encarada e banida para sempre da mente como um impulso perseguidor e perturbador. O psicanalista  incapaz de ajudar um paciente neurtico particularmente ruim que sofre de uma neurose grave at que ele lide com o inconsciente por meio de sua tcnica e descubra a causa da existncia dos conflitos tipificados por essas neuroses. Este exame do contedo da mente, ou de alguma poro da mente e da memria, transmite clareza e coerncia  causa neurtica subjacente, e o paciente percebendo claramente a forma e a causa da psicose evocada, se capacita a dissip-la e bani-la. Enquanto o complexo for um impulso subconsciente oculto, espreitando destitudo de configurao ou forma no inconsciente do paciente, ainda possuindo fora suficiente para romper a unidade  consciente, no pode ser adequadamente confrontado e controlado. A mesma base racional subjetiva  extensiva ao aspecto gotico da  magia, a evocao dos espritos. Enquanto no interior da constituio do mago jazem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes ou espritos que conferem a perfeio de qualquer faculdade consciente, o mago  incapaz de confront-los o mais proveitosamente possvel, examin-los ou desenvolv-los visando modificar um e banir o outro do total campo da conscincia. Eles tm que assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocao, entretanto, os espritos ou poderes subconscientes so convocados das profundezas e lhes sendo atribuda forma visvel no tringulo de manifestao, podem ser controlados por meio do sistema mnemnico de smbolos transcendentais e conduzidos ao mbito da  vontade espiritualizada do teurgo. Enquanto estiverem intangveis e amorfos no se pode trat-los adequadamente. Somente dando-lhes uma aparncia visvel por meio das partculas de incenso e os evocando ao interior do tringulo mgico  que o mago  capaz de domin-los e com eles agir como quiser. A teoria subjetiva aqui empregada  sumamente conveniente para suprir uma explicao de fcil compreenso desse fenmeno da evocao, pois  perfeitamente possvel comparar os espritos ao contedo-idia ou contedo-pensamento-subconsciente da mente que atua invisvel, silencioso e amorfo nos negros abismos da mente. A atribuio a eles de uma forma tangvel por uma imaginao propelida a uma atividade prodigiosa pelo processo de evocao, capacita o mago a subjugar a horda incipiente de pensamentos, paixes e memrias indisciplinados que eles so, atribuindo assim forma e ordem  hierarquia dos espritos, e subordinando a riqueza de seu conhecimento e energia particulares a sua  vontade. Isto por si s constitui a razo e necessidade do empreendimento de evocaes antes de se ter atingido o  Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio, que  o ritual mgico supremo e maior. 
	De imediato, essa base racional proporciona uma definio das duas principais divises da magia bem como uma distinta classificao das entidades espirituais hierrquicas. A invocao implica acima de tudo o mais a convocao para dentro do crculo da esfera humana de conscincia, que  a definio do crculo mgico, de um deus ou do Santo Anjo Guardio. Nesta forma mais elevada de magia no h necessidade de tringulo exterior, pois o mago, tanto crculo como tringulo em um ser, est desejoso de mesclar sua prpria vida com a vida maior de um deus e ceder seu prprio ser  vida maior de um deus. O tringulo implica manifestao e dualidade, a separao de um ser menor do teurgo. Na invocao a dualidade  uma maldio rematada, o propsito desse aspecto da teurgia sendo eliminar a dualidade. A evocao, por outro lado,  a deliberada conjurao ou o fazer surgir de uma entidade incompleta ou menor para dentro do tringulo de manifestao que  colocado longe da circunferncia do crculo. As definies das duas figuras principais so muito importantes e teis e devem, acho, ser sempre lembradas. O crculo  a esfera da conscincia, una, integral e completa. O tringulo representa manifestao e separao, e  nesse ponto que um ser das trevas  trazido  luz dos limites ocultos do crculo interior. Pode-se presumir que um deus seja uma idia completa e harmoniosa, coerente e absoluta dentro de sua prpria esfera, um macrocosmo que tudo abarca ao qual o mago, que  um microcosmo, une a si mesmo dentro dos limites protegidos do crculo. Por outro lado, um esprito ou uma inteligncia  um ser menor e embora por definio seja uma fora semi-inteligente da natureza,  uma idia que no  nem completa nem bem desenvolvida e compreende apenas uma conscincia limitada e partitiva. No caso da evocao, o esprito  evocado para dentro de um  tringulo limitado e protegido por nomes divinos, colocados no exterior do crculo sagrado e o mago dentro do crculo se posta em relao ao esprito como um  macrocosmo e um ser superior. Tal como a invocao de um deus inunda a conscincia humana com uma onda esttica da luz e vida divinas, o teurgo se posta como um deus e energizador do esprito. A finalidade da evocao , em sntese, fazer intencionalmente salientar, por assim dizer, alguma poro da alma humana que  deficiente numa qualidade mais ou menos importante. Recebendo corpo e forma pelo poder da imaginao e da vontade, ela , para usar uma metfora, especialmente nutrida pelo calor e sustento do sol, e recebendo gua e alimento pode crescer e florescer. A tcnica  a assimilao de um esprito particular na conscincia do teurgo, no por amor e rendio como  o caso na invocao de um deus, mas sim por comando superior e o gesto imperioso da vontade. Atravs desta assimilao, a ferida de Amfortas  curada, a deficincia  remediada e a alma do teurgo  estimulada de uma maneira especial, de acordo com a natureza do esprito. 
	O primeiro dos trs livros relativos  evocao dos quais me proponho a falar aqui  A Chave de Salomo, o Rei. Este livro, de longe o mais notrio de todos os livros de instruo mgica, foi traduzido em 1889 por S. L. McGregor Mathers para o ingls a partir de textos em latim e em francs. Ele prprio, estou informado, foi sumamente conhecedor do mtodo e obteve sucesso no seu uso, tendo adaptado para o uso de seus prprios aprendizesum resumo cientfico abordando o processo de evocao em todas suas ramificaes. Na opinio do tradutor, essa obra encerrava a fonte-matriz e o depsito central da magia cabalstica. Nela  preciso que se busque a origem de muito da magia cerimonial da poca medieval quando A Chave era estimada pelos melhores escritores do oculto e praticantes da magia como um trabalho da mais alta autoridade. Que serviu de instruo a liphas Lvi e lhe forneceu os dados nos quais foi baseado o Dogma e Ritual de Alta Magia  mais que provvel pois deve ser evidente para quem quer que tenha efetivamente estudado Lvi com cuidado que a  Chave de Salomo foi seu principal texto para estudo e prtica. Embora ele no expresse franco reconhecimento como devedor por meio de muitas palavras,  a essa obra que ele se refere em suas vistosas observaes relativas s Clavculas do Rei Salomo. No seu Ritual de Alta Magia ele cita uma invocao que atribui a Salomo, apresentando este ritual uma certa, embora no exata, semelhana em sua construo e teor,  primeira conjurao da  Chave, reproduzida no ltimo captulo de seu trabalho. A Chave, como um todo, com a exceo de vrios captulos inteiramente desprezveis que lisonjeiam os apetites animais de ignorantes depravados, e que provavelmente so interpolaes posteriores feitas no texto,  um dos mais prticos sistemas de  tcnica mgica existentes. Seu interesse capital est na evocao dos espritos ou regentes planetrios. 
	A questo obscura da efetiva existncia de um original hebraico foi levantada em diversas ocasies, e tanto P. Christian em sua  Histoire de la Magie quanto S. L. MacGregor Mathers eram da opinio de que se tivesse havido um documento hebraico a partir do qual tenham sido feitas as tradues latina e francesa, este ter-se-ia perdido desde ento. Waite mais ou menos se inclina para a dvida de que tenha havido um texto hebraico, e outros escritores cticos acreditam que se trata simplesmente de uma falsificao medieval,  meno de Salomo e de um autor hebreu sendo feita meramente para apresentar diante das mentes crdulas uma autoridade adicional por qualquer mrito e validade que o livro possusse. Recentemente, entretanto, um manuscrito hebraico foi descoberto pelo dr. Herman Gollancsz e um impresso em fac-smile foi publicado pela Oxford University Press em 1914. Aps um exame deste trabalho publicado sob o ttulo de Sepher Maphteah Shelomo, que corresponde a O Livro da Chave de Salomo, em hebraico, no posso admitir que a despeito da obra traduzida para o ingls ter o mesmo ttulo haja uma necessria conexo entre as duas. Seus contedos so completamente diferentes. 
	O sistema de magia exposto em  A Chave de Salomo, o Rei  extremamente objetivo, estando enraizado na existncia, independente de nossa prpria conscincia, dos deuses ou anjos que habitam os planetas. Sua  raison d'tre  o postulado de que a invocao deles pelo homem  uma possibilidade distinta, e que eles podem ser submetidos  vontade soberana do homem. A filosofia mgica postula a existncia de uma entidade espiritual que  a alma ou numenon por trs da casca visvel de cada planeta.  o regente ou guardio da mesmssima maneira que a alma no homem  a realidade metafsica oculta funcionando nas profundezas de seu ser. Esta , por certo, a viso objetiva, e ao desenvolver esta teoria, os antigos sistemas atribuam aos deuses dos planetas hierarquias de espritos e inteligncias menores bem como elementais, os administradores do movimento e atividade celestiais. Um diagrama de classificao dessas entidades  apresentado numa pgina anterior.  conhecimento ordinrio que os dias da semana possuem um significado astronmico e que o domingo*  o dia do sol, a segunda-feira* o dia da lua, o sbado* o dia de Saturno, e assim por diante. Por este arranjo, como tem sido ensinado pela astrologia, em algum dia em particular a influncia de um dado planeta e seu  regente predomina e existe de uma forma mais poderosa do que em qualquer outro dia. Esta classificao  levada ainda mais longe em A Chave, e os magos medievais concebiam sistematicamente que certas horas do dia poderiam estar tambm sob a direta influncia dos planetas. Por conseguinte, h em A Chave uma ampla lista das horas planetrias, indicando quais as horas especficas nos sete dias da semana so atribudas a quais planetas e os nomes dos anjos que so regentes durante o desenrolar da hora. Assim, para tornar eficiente a evocao de um regente planetrio, ou seu esprito e inteligncia, uma cerimnia deve ser realizada no apenas do dia correto da semana, como quarta-feira ** para Mercrio, como tambm durante a hora correta. Visto que Mercrio  atribudo  oitava  Sephira na rvore da Vida, sua significao numrica  oito. Sua hora apropriada seria conseqentemente a oitava hora que, de acordo com a tabela,  denominada  Tafrac e seria suscetvel de maneira peculiar s coisas mercurianas. Na oitava hora do dia de Mercrio, que  quarta-feira, empregando as ervas, incensos, cores, selos, luzes, formas e nomes divinos que se harmonizam e so coerentes com a natureza tradicional de Mercrio, o mago  mais facilmente capacitado a estimular a criatividade da  imaginao e evocar ou a partir de sua prpria mente ou a partir da  luz astral a idia ou esprito pertencente  categoria ou hierarquia denominada Mercrio. Tendo escrito as conjuraes apropriadas, a cerimnia  executada. O mago, envolvendo a si mesmo astralmente com a forma do deus que  atribudo  mesma Sephira da qual Mercrio  uma correspondncia - mas no se unindo  forma no caso de somente um esprito ou inteligncia serem requeridos - e forosamente dirigindo um poderoso fluxo de fora de vontade sobre o sigillum do esprito, invoca o deus, suplica ao arcanjo e conjura o anjo que a entidade espiritual apropriada possa ser constrangida a se manifestar fora do crculo no consagrado tringulo da arte, de acordo com os selos e os elementos coerentes e harmoniosos empregados. Embora esta tcnica no esteja plenamente explcita em  A Chave  - j que o rudimentar mtodo a descrito seria comparvel a um menininho pedindo ao seu pai para lhe dar alguns trocados - a experincia e a tradio tm demonstrado que os mtodos egpcios se harmonizam muito bem com o mtodo cabalstico de A Chave, e so mais conduzentes  produo dos resultados desejados.  
* Em ingls precisamente  Sunday, Monday e Saturday respectivamente. (N. T.)
** Em ingls  Wednesday, derivado de Woden's day, dia de Woden, o nome saxo de Odin.  (N. T.)
	H captulos do livro que tratam cuidadosamente das qualidades essenciais dos planetas e da variedade de diferentes operaes que pertencem mais distintamente a um do que a outro, embora todas essas instrues sejam suplementadas pelo conselho principal de executar toda  operao quando a lua estiver na crescente nos dias entre seu nascer e sua plenitude. Assim a evocao das foras de Marte nos dias e horas de Marte confere coragem, energia e fora de vontade, enquanto que os perodos prprios do Sol, de Vnus e Jpiter se adaptam bem a quaisquer operaes de amor, de benevolncia e de invisibilidade. Operaes para a aquisio de uma abundncia de eloqncia, conhecimento cientfico, profecia e a capacidade da adivinhao surgiriam na esfera de Mercrio e assim por diante tal como foi formulado na astrologia. O Mago enumera os anjos relativos aos doze signos zodiacais e os perodos mais propcios para a evocao deles seriam no dia e hora do planeta regente e exaltado naquele signo. O mtodo exato de construir o crculo mgico  dado com certos detalhes, bem como a maneira pela qual deve ser especialmente consagrado. Poderia acrescentar que embora  A Chave afirme que o crculo deveria ser traado na terra com a faca ou espada mgicas, o moderno teurgo pode traar o crculo com suas cores apropriadas sobre um pedao virgem de tela ou sobre o cho de seu templo, seja este de cermica, taco ou linleo, traando-o posteriormente no ar com a espada ou o basto. 
	Um fato que faz de A Chave um dos nicos e mais importantes dos trabalhos mgicos disponveis  ela fornecer excelentes ilustraes dos pantculos e selos apropriados aos sete planetas, necessrios para o uso como lamen e sigillae durante as cerimnias, mostrando tambm como deveriam ser construdos. Quando a lua estiver num signo do ar ou da terra, durante os dias e horas de Mercrio, ser o mais propcio perodo para a confeco dos pantculos e selos. O mago deve dispor tambm de uma cmara especial, se possvel, independente com a devida privacidade onde, aps a correta consagrao e fumigao ascendente,  possvel construir os pantculos seja sobre metal, seja sobre papel limpo virgem. "Estes pantculos so geralmente feitos do metal que mais se adequa  natureza do planeta...   Saturno rege o chumbo, Jpiter o estanho, Marte o ferro, o Sol o ouro, Vnus o cobre, Mercrio a mescla dos metais e a Lua, a prata. Podem tambm ser feitos com papel virgem exorcizado, escrevendo-se sobre ele com as cores adotadas para cada planeta, referindo-se s regras j indicadas nos devidos captulos, e de acordo com o planeta com o qual o pantculo se harmoniza; por este motivo a cor apropriada de Saturno  o preto, Jpiter rege o azul celeste, Marte o vermelho, o Sol o dourado ou o amarelo ou citrino, Vnus o verde, Mercrio as cores mistas (via de regra o laranja, conforme as melhores tradies cabalsticas), a Lua o prateado ou a cor da terra argentina." 
	 fornecida uma srie similar de regras relativas aos mantos e vestes a serem usados cerimonialmente pelo Mestre da Arte e seus assistentes. Cada instrumento particular a ser empregado, basto, espada, adaga, etc., e todos esses acessrios tais como incenso, pergaminho para os selos, cera para os pantculos ou talisms, e as coberturas de seda para os sigillae - devem ser cuidadosamente exorcizados para se tornarem puros, depois do que devem ser consagrados  obra em pauta. O sistema, em sntese,  um mtodo completo, apresentando vrias invocaes e conjuraes que resultam na evocao para apario visvel do esprito desejado, e com um pouco de engenhosidade o mago pode utilizar o esquema do sistema para quase qualquer finalidade. O procedimento efetivo, em breves palavras, da  operao pode ser resumido como se segue: primeiramente, deve haver a consagrao e preparao das armas, instrumentos e a construo do crculo. Aps um banimento completo, que o mago profira uma orao ou invocao geral ao Senhor do Universo ou ao seu prprio Eu superior para dar legitimidade  operao. Exemplos de um tal salmo so fornecidos no captulo final deste livro. Isso concludo, a forma do deus apropriado deve ser assumida astralmente de maneira que a mscara encubra completamente o mago em imaginao, embora esta necessidade no deva ser levada ao ponto da identificao. Uma conjurao geral deve se seguir recitando a autoridade mediante a qual o mago atua, e enumerando os poderes que no passado produziram grandes resultados por meio de outros magos. Nesse ponto, a conscincia do mago deve ter comeado a se exaltar devido  queima do incenso,  psicologia dos mantos,  ao lirismo e ao valor intoxicante da invocao com sua longa lista reverberante de nomes brbaros e a enumerao de prodgios, comandos e imprecaes, alm do efeito desconcertante, por assim dizer, das luzes, figuras e selos. O clmax da operao, a manifestao do esprito, ocorre ento quase automaticamente. A Chave de Salomo fornece em seguida mais ou menos o correto procedimento at que, quando o esprito apareceu sob forma visvel e obedeceu ao mago, a Licena para Partir e o ritual de banimento devam uma vez mais ser recitados a fim de encerrar a cerimnia inteira.
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Nm.         Cores                  Plantas           Pedras  preciosas        Perfumes           Metais           Nomes divinos 
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   1             Branco    Amendoeiro em flor           Diamante           mbar cinzento           -                    Eheieh
   2              Cinza             Amaranto             Rubi-estrela; turquesa          Almscar                 -
      3              Preto       Cipreste; papoula        Safira-estrela; p-      Mirra; alglia        Chumbo       Jehovah Elohim
                                                                                rola
   4               Azul       Oliveira; trevo             Ametista; safira               Cedro               Estanho                  El
   5           Vermelho   Carvalho; noguei-              Rubi                         Tabaco                Ferro           Elohim Gibor
                                    ra-vmica; urtiga
   6            Amarelo    Accia; loureiro;         Topzio; diamante         Olbano                Ouro           Jehovah Eloh 
                                             vinha                         amarelo                                                                        ve Das
   7             Verde               Roseira                       Esmeralda            Benjoim; rosa;        Cobre                Jehovah
                                                                                                 sndalo vermelho                               Tsavos
   8            Laranja         Mli;  Anhal.             Opala; esp. opala         Estoraque          Mercrio              Elohim 
                                        Lewinii                            gnea                                                                            Tsavos
9            Prpura         Manyan; da-                    Quartzo              Jasmim; ginseng      Prata                  Shaddai 
                                       miana;  yohimba                                                                                                    l  Chai 
10              Mescla          Salgueiro; lrio;         Cristal de rocha       Ditania de Creta         -                     Adonai
                                                hera                                                                                                                 Melech
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	H uma pgina ou duas escritas por Francis Barrett em seu livro  The Magus (que se descobriu terem sido citadas quase que ao p da letra a partir de H. C. Agrippa) que podem ser muito teis ao mago porquanto explicam o processo de consagrao e preparao; e no apenas isto como tambm esboa um dos segredos da composio dos rituais, o da comemorao. Ele escreve: 
	"Portanto, quando voc fosse consagrar qualquer  lugar ou crculo, deveria tomar a orao de Salomo usada na dedicao e consagrao do templo; teria, do mesmo modo, que abenoar o lugar aspergindo-o com gua benta e tratando-o com fumigaes ascendentes, e comemore nos santos mistrios da bno; tais como estes, a santificao do trono de Deus, do Monte Sinai, do tabernculo da promessa divina, do santo dos santos, do templo de Jerusalm; tambm a santificao do Monte Glgota pela crucificao de Cristo; a santificao do templo de Cristo; do Monte Tabor pela transfigurao e ascenso de Cristo, etc. E invocando-se todos os nomes divinos que so significativos em relao a isso, tais como o lugar de Deus, o trono de Deus, a cadeira de Deus, o tabernculo de Deus, o altar de Deus, a habitao de Deus, e os nomes divinos similares desta espcie, que devem ser escritos em torno do crculo ou do lugar a ser consagrado.
	"E na consagrao dos instrumentos e toda outra coisa que  usada nesta arte, voc deve proceder de maneira idntica, borrifando com gua benta do mesmo modo, por fumigao, untando com azeite sagrado, selando-o com algum selo santo e abenoando-o com orao, e comemorando coisas santas pelas Santas Escrituras, coletando nomes divinos que so agradveis s coisas a serem consagradas, como por exemplo, na consagrao da espada  preciso que lembremos pelo evangelho  'aquele que tem duas capas' etc., e que no segundo de  Macabeus   dito que uma espada foi divina e miraculosamente enviada a  Judas Macabeus; e se houver algo semelhante nos profetas como 'tragam para vocs espadas de dois gumes', etc.  E voc dever da mesma maneira consagrar experimentos e livros, e seja l o que for de natureza similar, como escritos, gravuras, etc. borrifando, perfumando, untando, selando, abenoando com comemoraes santas e chamando  lembrana a santificao dos mistrios, como a tbua dos dez mandamentos, que foram transmitidas a Moiss por Deus no Monte Sinai, a santificao do Antigo e do Novo Testamentos, e igualmente a da lei, dos profetas e Escrituras, que foram promulgadas pelo Esprito Santo; e mais uma vez existem para serem mencionados aqueles nomes divinos que sejam convenientes no caso, a saber, o testamento de Deus, o livro de Deus, o livro da vida, o conhecimento de Deus, a sabedoria de Deus e similares. E com tal tipo de ritos como estes  executada a consagrao pessoal... 
	" necessrio observar que votos, oblaes e sacrifcios possuem o poder de consagrao, tanto real quanto pessoal, e eles so, por assim dizer, certas convenes entre aqueles nomes com os quais so feitos e ns, que os fazemos, aderindo fortemente ao nosso desejo e efeitos desejados, como quando sacrificamos com certos nomes ou coisas, como fumigaes, unes, anis, imagens, espelhos e algumas coisas menos materiais, como caracteres, selos, pantculos, encantamentos, oraes, gravuras.  Escrituras, do que falamos largamente antes." 
	A  Pequena Chave de Salomo, o Rei  ou  A Gocia (palavra provavelmente derivada de uma raiz que significa "berrar" ou  "gemer" se referindo  possivelmente  tcnica dos nomes brbaros, uma caracterstica das invocaes do livro*) trata de uma descrio minuciosa de setenta e dois espritos ou hierarquias de espritos que a tradio afirma eram evocados e submetidos por Salomo. Foi por meio da ao deles e por meio deles que  Salomo recebeu aquela sabedoria superlativa e aquele conhecimento espiritual que a lenda afirma lhe terem pertencido. Ao abrir o livro h uma definio da magia a ttulo de promio nestes termos: "A magia  o mais elevado, mais absoluto e mais divino conhecimento da filosofia natural, avanado em sua obras e prodigiosas operaes por uma compreenso correta da virtude interior e oculta das coisas, de sorte que agentes verdadeiros sendo aplicados aos pacientes adequados efeitos estranhos e admirveis sero desse modo  produzidos. Da os magos serem profundos e diligentes pesquisadores da natureza; devido  sua habilidade, eles sabem como antecipar um efeito, o qual para o vulgo se afigurar como um milagre." 
* do grego ?????????fascinao, e posteriormente por extenso o significado pejorativo de charlatanismo, impostura, fraude. O grego ????????????significa originalmente mago ou feiticeiro, e da charlato, impostor. (N. T.) 
	Quanto  opinio de Waite de que  A Gocia  se refere ela mesma   magia negra, tenho de discordar. Minha prpria opinio  que Waite se inclina a classificar como magia negra qualquer mtodo tcnico que se mantm fora do dito consagrado de sua prpria organizao. O sistema delineado por Francis Barrett na parte de seu livro intitulada  Magia Cerimonial  na realidade baseado na Chave e no livro de que ora nos ocupamos, bem como em  de Occulta Philosophia, de Agrippa. Vrios dos rituais que ele apresenta so tomados palavra por palavra, e com apenas umas poucas alteraes e acrscimos secundrios, de A Gocia. Embora dificilmente comparvel a Abramelin em matria de sublimidade e poder de concepo espiritual, A Gocia , entretanto, um sistema relativamente fcil tanto de ser compreendido quanto de ser operado, pois tambm neste caso o mago no  sobrecarregado com tais exigncias impossveis e fantsticas como sangue de morcego, caveiras de parricidas e cabritos ou cordeiros virgens. Tudo o que o operador tem que observar a fim de alcanar o sucesso so algumas regras mais ou menos elementares. Como pr-requisitos mgicos para as evocaes,  necessrio que disponha de um equipamento composto de basto, espada, capuz  e um manto que cubra todo o corpo ou uma longa toga de linho branco com o qual trabalhar, bem como vrios mantos ou casulas de cores diversas, que variam dependendo da operao e da natureza do esprito a ser conjurado. De hbito, deve haver o turbulo com incenso especial, o azeite de uno para consagrao e o talism ou selo que o operador queira carregar. Seguem-se instrues relativas  natureza do crculo mgico e o tringulo que o acompanha, suas dimenses, cores, inscries e os nomes divinos a serem empregados como proteo e pintados em cores ao redor tanto do crculo quanto do tringulo. Reproduzo aqui um tipo de crculo e tringulo recomendado por  A Gocia. As palavras hebraicas em torno do crculo so os nomes das  Sephiroth com as atribuies planetrias, os  nomes divinos apropriados, arcanjos e coros anglicos. 
((ilustr. - Crculo e tringulo))
	A maior parte do livro diz  respeito a uma descrio rigorosa dos  espritos e suas hierarquias. Os setenta e dois hierarcas so classificados em vrias categorias: reis, duques, prncipes, marqueses e assim por diante, compreendendo naturezas boas, ms e indiferentes. Na economia da natureza eles tm sua prpria funo particular, uma tarefa especfica para executar e quando evocados e controlados pelo invocador e seus smbolos conferem uma certa faculdade, poder ou tipo de conhecimento como foi explicado anteriormente. Diversos mtodos podem ser aplicados em sua classificao j que  possvel distribuir o nmero deles entre os  quatro elementos ou referi-los aos sete planetas, ou aos doze signos do zodaco. Os selos de aparncia estranha fornecidos em  A Gocia como representativos das assinaturas dos espritos devem ser usados no peito do mago, no reverso do pentagrama gravado sobre um  lamen de metal de acordo com a posio, dignidade e carter do esprito a ser convocado  apario visvel. Assim, o sigillum de um rei dos espritos deve ser gravado sobre um lamen de ouro, enquanto que o de um duque deve s-lo sobre cobre, o de um prncipe sobre estanho enquanto que a prata deve ser o material do lamen para a evocao de um marqus. Por meio deste mtodo, os caracteres dos espritos so mostrados pelos metais empregados na construo do lamen. Os reis so de uma dignidade solar; os duques so venusianos; os prncipes, jupiterianos e os marqueses dizem respeito  Lua. Devem ser observadas  estaes e ocasies para a conjurao dos espritos pois  "tu devers conhecer e observar o perodo da lua para teu trabalho, os melhores dias sendo quando a Lua tem 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 14 dias, como diz Salomo, nenhum outro dia sendo aproveitvel". O texto continua afirmando que os reis  "podem ser submetidos das 9 at o meio-dia e das 3 da tarde at o pr-do-sol; os marqueses podem ser submetidos das 3 da tarde at as 9 da noite e das 9 da noite at o nascer do sol; os duques podem ser submetidos do nascer do sol ao meio-dia com tempo lmpido sem nuvens; os prelados podem ser submetidos a qualquer hora do dia; os cavaleiros podem ser submetidos da aurora at o nascer do sol ou das 4 horas at o pr-do-sol; os presidentes podem ser submetidos a qualquer hora, exceto no crepsculo,  noite, a menos que o rei a que esto subordinados seja invocado; e os condes a qualquer hora do dia, seja nos bosques, seja em quaisquer  outros lugares que os homens no freqentam, ou onde no h rudo."
((O hexagrama de Salomo))
	Includas no domnio dos Quatro Grandes Regentes ou Reis Elementais dos Pontos Cardeais esto essas hierarquias dos setenta e dois espritos. H Amaimon no leste, Corson no oeste, Ziminiar no norte e Gap no sul, um quadrante cardeal especfico devendo ser encarado pelo mago, o tringulo tambm apontando na mesma direo, em consonncia com o regente do esprito a ser evocado. No convm supor de modo algum que esses espritos referidos em A Gocia sejam meros elementais, espritos da natureza ou foras semi-inteligentes que arcam com a carga mecnica da natureza; pelo contrrio, diz-se dispor a maioria deles de um grande sqito ou sub-hierarquia de espritos elementais subordinados que os servem. Pode-se supor que sejam os assim chamados reis elementais, cuja funo na ordem natural das coisas  apenas secundria relativamente ao governo dos principais deuses ou anjos planetrios. Com efeito, Blavatsky sugere em A Doutrina Secreta que de forma alguma devem os reis ou deuses dos elementais ser confundidos com os prprios cegos e brutais espritos elementais. Esses ltimos, no mximo, so simplesmente usados pelos brilhantes deuses elementais como veculos e materiais luminosos com os quais se vestem. 
	A descrio de Paimon, por exemplo,  que ele ensina todas as artes e cincias e outras coisas secretas. "Ele  capaz de descobrir para ti o que a Terra , e o que ela encerra nas guas; e o que a Mente , ou onde ela est; ou  quaisquer outras coisas que possas desejar saber. Ele proporciona dignidade e confirma a mesma. Ele  para ser observado rumo oeste. Ele  da  Ordem dos Domnios. Possui sob seu comando duzentas legies de espritos e parte deles pertence  Ordem dos Anjos e a outra parte dos Potentados." A Gocia tambm empreende a descrio da maneira pela qual ele faz sua apario no tringulo da arte em que  evocado. Acompanhando-o em sua manifestao visvel "apresenta-se ante ele tambm uma hoste de espritos, como homens com trombetas e pratos bem sonoros e todos os outros tipos de instrumentos musicais." Uma outra entidade menor  Btis, que  tanto um presidente quanto um conde dos espritos e quando evocado "...narra todas as coisas passadas e futuras, e reconcilia amigos e inimigos. Comanda sessenta legies de espritos". Para mencionar mais um hierarca, temos Bifrons, chamado de conde, e cuja funo  familiarizar a pessoa com a astrologia, geometria e outras artes e cincias, e nele tambm est contido o conhecimento das virtudes das pedras preciosas e madeiras, estando sob seu comando sessenta legies de espritos. 
	Entre os numerosos selos presentes neste livro de instruo mgica, h tambm um pentagrama a ser usado como um  sigillum durante qualquer operao mgica, com o propsito de proteger o operador dos espritos perigosos, e tambm para restaurar sua confiana no poder da  vontade. A ilustrao da pgina ... (Sigillum do Pentagrama) apresenta o desenho dessa figura.  para ser usado sobre o peito do mago como um lamen, o lado inverso tendo o selo do esprito particular a ser evocado. Em vrios estgios de uma cerimnia esse sigillum dever ser levado erguido na mo aos pontos cardinais, onde o mago recitar uma exigncia aos espritos para que rendam obedincia aos sigilli inscritos dentro do pentagrama. Outrossim, A Gocia ilustra um hexagrama que deve ser pintado sobre pergaminho de pele de bezerro a ser usado na borda do manto ou toga curta. As instrues que acompanham o desenho tm o propsito de indicar que essa figura deve ser coberta com um tecido de linho fino, branco e puro, e  "...  para ser mostrada aos espritos quando estes aparecerem, de maneira que sejam obrigados a assumir forma humana e prestarem obedincia." Esse tipo de hexagrama  reproduzido em cores na pgina ...
	Pouco conhecido dos aprendizesde magia da atualidade, j que jamais foi traduzido para o ingls,  um livro intitulado O Livro do Anjo Ratziel. Durante os ltimos duzentos anos foi considerado pelos judeus como um depsito sagrado e mesmo hoje, entre os membros de uma seita corrompida quase-mstica chamada de  Chassidim - que incorporava outrora ensino e aspirao espirituais de grande excelncia -  esse livro  bastante venerado. Um dos seus rabinos informou ao presente autor que quando um membro de sua congregao est doente, uma cpia desse trabalho de magia  imediatamente levada ao leito do doente de maneira que possa ser colocada sob o travesseiro.  uma coletnea de escritos e vises de magia que no causam particular impresso, a maior parte distintamente rudimentar, que pretendem datar do paraso admico, embora haja suficiente evidncia interna a nos assegurar que ao menos trs diferentes escritores em data no muito antiga contriburam individualmente para o seu contedo, o conjunto tendo sido sintetizado por uma mo habilidosa. Houve uma poca na qual era fcil obter tal obra. Atualmente, entretanto, esta obteno  rara. 
	Como todos os nomes anglicos hebraicos, a palavra Ratziel  uma palavra composta, que produz quando analisada a frase "O Anjo do Mistrio", que se concebe que seja o autor divino dos mistrios mgicos comunicados a Ado, o primeiro ser a receber esse conhecimento. Sua tradio segue quase exatamente aquela da lenda da ortodoxia cabalstica, segundo a qual expulso do paraso que lhe estava barrado por um anjo que portava uma espada flamejante, Ado no exlio transmitiu o livro ao seu filho, que o revelou a Enoque. Enoque o passou s geraes sucessivas de patriarcas at que, finalmente, culminou, como o leitor pode ter antecipado, na comunicao de seu mistrio ao Rei Salomo que, por intermdio deste mistrio, conquistou todo o conhecimento, sabedoria e riqueza. 
	A obra como um todo est dividida em trs partes principais, embora haja suplementos mais curtos que fornecem ao leitor frmulas complexas, embora ambguas, de amuletos e alguns talisms e encantamentos de aspecto um tanto divertido, com instrues altamente elaboradas para seu uso e emprego correto. Muito espao  reservado ao estudo da angelologia, fonte da qual um grande nmero de autores posteriores bebeu, e no comeo h conselhos referentes  evocao desse anjos  apario visvel, as instrues variando de acordo com dia, hora, ms e estao. A caminho do desfecho do livro h uma longa orao ou invocao, apostrofando Deus numa maneira hebraica exemplar como o Rei, percorrendo o alfabeto inteiro diversas vezes a fim de descrever Seus atributos distintivos, todos os quais so fases de alguma fora e funo particulares do universo. Como sistema de tcnica mgica  muito desfavoravelmente comparvel com os dois livros previamente mencionados no que diz respeito ao efetivo modus operandi e o teor filosfico. 
	A primeira parte do livro, a nica que consideraremos nestas pginas visto que suas duas ltimas partes so comparveis  Gocia e   Chave j descritas,  singular  pela razo a seguir. Procura descrever a completa organizao do cu, ou as vrias camadas ou planos da luz astral. A essncia da viso  uma descrio do cu ao qual No foi carregado por dois anjos de aspecto gneo, embora muito pouco disto tenha importncia acrescentando algum conhecimento ou provendo alguma nova informao elucidativa daquilo que j detemos. Um cu, o terceiro,  caracterizado pelo vidente como sendo o lar, por assim dizer, das almas ou deuses interiores do sol e das estrelas, o primeiro sendo atendido por inmeras fnixes, as quais simbolizam regenerao e imortalidade. No era atendido por quatrocentos anjos que toda noite removiam sua coroa para lev-la ao Senhor do Cu e a devolviam toda manh quando eles prprios o coroavam. Hostes de anjos, armados com espadas resplandecentes para o julgamento da humanidade e os mensageiros das decises do Altssimo eram vistos no quarto cu, e simultaneamente esses espritos armados cantavam e danavam diante de Deus com o acompanhamento de pratos. Sua viso estendendo-se ao quinto cu revelava a No quatro diferentes ordens de sentinelas, os quais, ao mesmo tempo que lamentavam seus anjos camaradas uma vez decados, estavam ainda cantando e fazendo soar continuamente quatro espcies diferentes de trombetas em louvor de Deus. No sexto cu havia legies resplandecentes de anjos, mais resplandecentes e esplndidos que o sol quando brilha na plenitude de sua fora. Havia arcanjos, tambm, e neste cu No viu como todas as coisas eram ordenadas e planejadas, com os prottipos de todas as coisas vivas e almas de toda a humanidade. No meio da viso gloriosa, ele viu sete criaturas arcanglicas, cada uma com seis asas,  cantando num unssono absoluto. O cu mais elevado foi visto como uma luz gnea, povoada por arcanjos e seres e poderes incorpreos, havendo tambm o rosto de Deus fulgurante de luz celestial, emitindo chispas do mais puro fogo e chama. 
	Muito da confuso que caracteriza as vises e tentativas em magia dos amadores pode ser largamente atribudo, acho,  omisso de alguns desses dispositivos preliminares como o Ritual de Banimento do Pentagrama, com a conseqncia de que a despeito da pureza e elevada disposio do vidente, a esfera de percepo  invadida por quaisquer entidades que possam estar nas vizinhanas astrais. Nem sempre  a obsesso ou a possesso elementar o clmax da omisso do adequado banimento, mas pelo fato de entidades indesejveis passarem sem barreira diante da viso interior, no haver qualquer continuidade ou consistncia na viso. Conseqentemente, ao registr-las, o vidente, mais ou menos temeroso de confiar em seu prprio discernimento nesses elevados assuntos, relata a viso inteira juntamente com os pontos no-essenciais. Isto ocorre em vrios exemplos, e  apenas quando a esfera astral  extraordinariamente vigorosa e radiante, possuindo uma luz espiritual atravs da qual nenhuma entidade astral ousa invadir, a menos que o faa com  permisso do vidente, que as vises podem ser empreendidas com segurana sem o banimento de proteo preliminar. 
	H uma outra matria de carter preventivo que deve ser mencionada caso o leitor deseje testar essas coisas. Ao fazer uso dos selos e sigilli exibidos em tais obras como O Livro do Anjo Ratziel e The Magus, corre-se muito perigo, principalmente devido aos grosseiros erros e falhas de impresso do hebraico que foram perpetuados.  difcil dizer se foram acidentais ou causados inteiramente pela ignorncia dos escribas. No  difcil, contudo, compreender que se o objetivo do selo  estabelecer uma marca na luz astral  qual uma entidade correspondente se apresse em responder, um erro na inscrio textual provocar um erro similar no tipo de marca astral. O resultado disto  que o efeito ser bastante diferente daquele que se espera, e mesmo prejudicial e perigoso. E isto exige, acima de tudo, conhecimento e capacidade para apurar a existncia dos erros e corrigi-los. Sob o risco de tornar a prescrio desagradvel para o leitor,  imperioso que se reitere que  indispensvel um conhecimento da Cabala ao praticante da magia. Deve haver uma familiarizao com a Gematria, o Notariqon e a Temurah - os trs mtodos envolvendo o uso esotrico do nmero; do mesmo modo, com aquele aspecto da filosofia que trata do simbolismo das letras hebraicas, do alfabeto mgico dos smbolos, nomes, nmeros e idias que se prende aos Trinta e Dois Caminhos da Sabedoria. Embora haja uma grande quantidade de erros crassos aparentes nos sigillae e texto impresso em hebraico mostrado por Barrett, o texto impresso oferecido em ingls, todavia,  absolutamente preciso e til, podendo ser consultado pelo leitor srio muito proveitosamente. A Secret Doctrine in Israel (Doutrina Secreta em Israel) de Waite e sua Holy Kabalah (Santa Cabala) sejam talvez as melhores obras possveis de serem obtidas que oferecem um esboo inteiramente bom do teor doutrinrio da Cabala. Os trabalhos de magia de Cornlio Agrippa, o Liber 777 e Sepher Sephiroth de Aleister Crowley e o meu Garden of Pomegranates (Jardim de Roms) sero de grande valia ao fornecerem o alfabeto fundamental com as atribuies corretas necessrias  compreenso dos selos e smbolos. 
	Por outro lado, desejo abordar uma importante analogia existente entre os processos da magia e da ioga. Esta analogia  efetivamente digna de considerao na medida em que argumentamos aqui que a ioga no deve ser colocada em oposio  magia e em  superioridade a esta, estes dois sistemas constituindo, ao contrrio, conjuntamente o que pode ser chamado de  misticismo. Se supormos que nossas correspondncias com as hierarquias mgicas representam fatos da natureza - no podendo haver por um nico momento qualquer dvida real - a base lgica filosfica que se pode vincular  magia como aqui a descrevi no estar muito distanciada daquela do Caminho da Unio Real tal como descrito por uma autoridade como Swami Vivekananda.
	Discorremos pormenorizadamente aqui a respeito de vrios deuses csmicos serem atribudos s Sephiroth da rvore da Vida, seres excelsos que so os regentes inteligentes e guias dos processos evolutivos; a cada deus uma hierarquia apropriada est subordinada, os mensageiros imediatos que so anjos, arcanjos, espritos e inteligncias. Este sistema de classificao no se aplica somente ao macroscosmo, como tambm ao microcosmo. A base da rvore da Vida foi de tal modo elaborada que se refere no s aos desenvolvimentos csmicos como tambm s vrias partes - psquica, mental e espiritual - do prprio homem, focalizando assim o campo inteiro de atividade universal no interior do prprio organismo do homem. Os doze signos do zodaco e os sete planetas so atribudos  rvore como um todo. Considerando-se o ser humano  como um microcosmo  do  grande universo estelar e csmico, todos os planetas, elementos e foras  nele tm curso, e mesmo os signos do zodaco esto claramente representados em sua natureza. A energia do Carneiro* est em sua cabea; o Touro concede resistncia laboriosa e fora aos seus ombros; o Leo representa a coragem de seu corao e o fogo selvagem de sua tmpera, enquanto os joelhos, ajudando-o a saltar, esto sob o signo do Bode. ** Isto, a ttulo de exemplo, supre a base para uma teoria subjetiva tanto ontolgica quanto epistemolgica: o universo existe somente dentro da conscincia do homem,  contrmino a esta conscincia e suas leis so as leis da mente. 
* ries.  (N. T.) 
** Ou melhor, Capricrnio.  (N. T.) 
	No meu trabalho anterior, Garden of Pomegranates [Jardim de Roms] foi traada uma correspondncia diagramtica entre as Sephiroth csmicas, as vrias partes do ser humano e os chakras ou os centros nervosos centrais que existem no departamento psico-espiritual da constituio humana. Outras atribuies  luz das especulaes precedentes de imediato se revelam. As seguintes podem ser indicadas  guisa de exemplo, descrevendo para onde tendem minhas especulaes. O chakra Anahata, que  o centro localizado no ou prximo do corao fsico, sendo uma correspondncia da sexta Sephira da harmonia e do equilbrio, est assim em direta correspondncia com essncias sagradas como Osris, Hlios, Mitra e o auto-resplandecente Augoeides. Thoth e todos os seus divinos atributos de vontade e sabedoria entram numa perfeita correspondncia com o chakra Ajna situado no centro da testa acima dos olhos, enquanto que o mais elevado de todos os chakras, o resplendente ltus de mil ptalas, o chakra Sahasrara, localizado na coroa, onde Adonai se regozija, alinha-se completamente com Ptah e Amon, a essncia csmica oculta, o centro criativo secreto tanto do macrocosmo quanto do microcosmo. A adoo da teoria subjetiva traz consigo concluses de largo alcance, e um verdadeiro entendimento deste ponto de vista far com que se compreenda conscientemente a afirmao  freqentemente  proferida com loquacidade de que dentro do ser humano existe o inteiro universo e o vasto concurso das foras universais. Minha teoria  que invocar rtemis e Chomse e ter cooperado para se unir  essncia que esses nomes representam, por exemplo,  ter realizado uma tarefa de suprema importncia que  idntica, devido a nossas correspondncias, ao despertar das foras do chakra Muladhara, pondo assim em movimento a serpente Kundalini em sua ascenso da rvore da Vida at a Coroa. Enquanto um sistema atingia seus resultados atravs de ritual e invocaes, o outro atingia o sucesso atravs de concentrao e meditao. Ter atingido mediante a invocao mgica uma identidade indissolvel com a sabedoria suprema de Tahuti  ter conquistado o poder claramente de ver atravs do olho interior da  sabedoria verdadeira, porquanto  equivalente a um estmulo por meio de meditao do chakra Ajna, o rgo de clarividncia espiritual e da vontade criadora. Ademais, ter unido a conscincia individual atravs dos ritos da teurgia com Asar-Un-Nefer, e ter sido assimilado a sua glria e inefabilidade,  comparvel a ter guiado a Kundalini para Sushumna at o crebro, e despertado as foras potenciais no chakra Sahasrara. 
	Na prpria ioga, como pode claramente ser percebido num trabalho como Raja Yoga de Vivekananda, ou na adaptao aproximadamente europia de seus fundamentos, The Way of Initiation [O Caminho da Iniciao], de Rudolf  Steiner, os resultados desse sistema - na medida em que diz respeito  formulao e vivificao dos chakras - so produzidos quase que inteiramente pelo exerccio da  vontade e da  imaginao. Com freqncia estes e outros autores escrevem: "Imagine uma chama ou um tringulo branco no corao" ou "um ltus acima da cabea, " e assim por diante. O despertar do esplendor enrodilhado da Kundalini nas cmaras espinhais do chakra Muladhara  cercado de intensa concentrao e o imaginar de um novo tipo de atividade espiritual naquela regio, fazendo a deusa-serpente adormecida endireitar suas espirais e projetar-se com mpeto por Sushumna ao assento de seu Senhor interior. A magia, embora empregando uma tcnica ttica diferente daquela da ioga, est semelhantemente fundamentada, como me empenhei em demonstrar com certos detalhes, no uso da vontade e da  imaginao com  dispositivos para estmulo dessas duas faculdades numa cerimnia bem ordenada visando ao atingimento dos mais elevados resultados espirituais. E as advertncias da ioga no so menos rigorosas ou verdadeiras do que aquelas que gozam de reconhecimento na magia. Por meio da vitalizao dos chakras bem como por meio da invocao dos deuses seguida pela evocao dos espritos administrativos, vrios poderes de fora e potncia tremendas podem ser conferidos ao praticante. Aqueles que A Gocia atribui aos espritos incluem um desenvolvimento espontneo de um conhecimento at ento latente da cincia, filosofia e artes em suas conotaes mais latas e um enriquecimento das mais excelentes faculdades emocionais que atrairo todos os homens para o fogo central de cada um. Os poderes descritos por Patanjali nos Yoga Sutras como sendo conferidos por Samyama em algum chakra ou idia so quase idnticos aos concedidos ao mago como resultado das evocaes de A Gocia. 
	Desgraado aquele, contudo, que atuar na cobia dos poderes, pois para ele os deuses permanecero silenciosos e no haver resposta! Os espritos se voltaro maliciosamente para ele e o despedaaro da cabea aos ps. Se poderes so outorgados ao mago, devero ser dedicados ao Santo Anjo Guardio. Ademais, a serpente do Ruach deve ser incapacitada a ponto de no se recuperar mais, tendo que ser morta de modo que no possa haver restrio  presena do Anjo. Ento podero os poderes ser assumidos e sendo assumidos ser usados como o Anjo julgar adequado. Tanto na ioga quanto na magia  o aspecto de conscincia da meditao e as invocaes ao deus o mais importante do trabalho. Se ocorrer que o praticante seja contemplado com poderes, timo...  mas a meta primordial e sagrada  nos dois sistemas  a expanso da conscincia individual a uma extenso infinita e a descoberta do centro real da vida. Correta e honestamente exercida, com aspirao pura e nica, a magia  capaz de conduzir a alma s alturas mximas da rvore onde ela recebe, de acordo com Jmblico, "...uma libertao das paixes, uma perfeio transcendente e uma energia plenamente mais excelente, participando do amor divino e de um jbilo imenso." E adicionalmente a expanso da conscincia confere "... verdade e poder, retido das obras e ddivas dos maiores deuses." 

CAPTULO  XIV
	Onde uma certa quantidade de indivduos deseja participar de uma cerimnia mgica composta na qual todos possam desempenhar um papel ativo, h uma forma de ritual de grupo concebida para essa finalidade particular chamada de ritual dramtico. Assim, cada pessoa que participa contribui com fora de vontade e energia a favor da criao de uma manifestao espiritual. Quase todos os Mistrios da Antigidade assumiam essa forma, e os ritos de Iniciao das fraternidades secretas de todas as pocas eram conduzidos em conformidade com esse princpio.  fato extremamente bem conhecido os rituais serem particularmente teis em matria de iniciao.  igualmente corroborado que tais cerimnias desempenhavam um papel preponderante nos mistrios mgicos do Tibete, onde a aceitao de um lanoo era celebrada por um rito consagrando o discpulo  execuo da Grande Obra. A histria do ioga budista Milarepa  perfeitamente clara quanto ao importante ponto de nas mos de seu guru ele ter recebido diversas iniciaes cerimoniais, quando vrias divindades e poderes espirituais foram invocados para dentro de um crculo, ou mandala, onde ele permanecia. Alm disso,  conhecimento comum o fato de o candidato  iniciao bramnica testemunhar um ritual de purificao e consagrao. Que havia rituais de iniciao no antigo Egito  tambm demasiado notrio para exigir especial nfase e o rumor de cerimnias mgicas no Egito nos alcanou enriquecido de muitos detalhes sugestivos e significativos itens de informao. Com efeito, se o princpio subjacente do ritual dramtico de grupo, inicitico ou mgico,  a consagrao da Grande Obra e a exaltao da conscincia, ento dispomos de incontestvel evidncia de que cerimnias concebidas similarmente foram representadas ao longo da Antigidade. 
	O princpio bsico  idntico ao de todo ritual mgico, a invocao num sentido ou outro de um deus. Mas no caso do ritual dramtico, o mtodo procede atravs de um apelo esttico  imaginao, retratando sob forma dramtica a corrente dos eventos maiores na histria da vida de um deus, e ocasionalmente o ciclo terrestre de um homem ideal ou homem-deus, tal como Dionsio, Krishna, Baco, Osris, etc., algum que atingiu aquela sabedoria e plenitude espiritual pelas quais o teurgo tambm est em busca. Viver na atmosfera de criao nova e repetir as faanhas realizadas pelo deus constitui um mtodo sumamente excelente para a exaltao da alma. Essa idia  chamada de princpio da comemorao e  um constituinte integral de toda cerimnia mgica. Da observao de de Occulta Philosophia fica bastante evidente que H. C. Agrippa e aqueles dos quais recebeu seu conhecimento entendiam perfeitamente o princpio terico envolvido nessa forma de magia, o qual exige o ensaio do personagem do deus a ser invocado, ou uma repetio dos acontecimentos que ocorreram no ciclo de vida de seu emissrio mundano. No apenas deve este princpio fazer parte do ritual dramtico aprovado, como tambm todo e qualquer aspecto da cerimnia mgica, seja realizado por um indivduo ou um grupo, deve ser marcado pela entusistica repetio de uma srie de incidentes altamente significativos da histria do deus, o ensaio servindo assim para dar autoridade e nfase suplementares ao processo duplo de consagrao e invocao. Mesmo num aspecto relativamente to trivial como a preparao preliminar das armas e instrumentos, Agrippa corretamente recomenda a repetio das faanhas sagradas; e como um exemplo do princpio comemorativo que ele advoga, podemos citar com proveito o procedimento proveniente de The Fourth Book of Occult Philosophy (O Quarto Livro da Filosofia Oculta) para a consagrao da gua: "Assim, na consagrao da gua, devemos comemorar como Deus colocou o firmamento no meio das guas, e de que maneira Deus colocou a fonte das guas no paraso terreno...  e tambm como Cristo foi batizado no Jordo, tendo da santificado e limpo as guas. Ademais, certos nomes divinos tm que ser invocados, que com isto esto em conformidade; como que Deus  uma fonte viva, gua viva, a fonte da misericrdia, e os nomes de tipo similar".
	O leitor poder, tambm, observar a forma comemorativa do ritual de A Gocia, que  citado no ltimo captulo deste livro. A invocao tenta descobrir as palavras de autoridade que foram empregadas nas Escrituras para a execuo de certas proezas. No constitui, entretanto, um exemplo especialmente bom desse tipo de ritual. As Bacantes de Eurpides  um exemplo de primeira categoria de qual  forma deveria assumir um ritual dramtico completo. O ritual deve ser construdo de tal modo que cada celebrante desempenhe um papel, sem, ao mesmo tempo, tornar a ao do drama dispersa e incoerente. As regras da arte teatral e do drama se aplicam perfeitamente  construo desses rituais. 
	A evidncia histrica a nossa disposio demonstra claramente que a "pea de paixo" da vida do grande deus Osris, rei do Tuat, era realmente um complexo ritual dramtico que o invocava, uma cerimnia comemorativa envolvendo a repetio de quase todos os atos que ocorreram a Osris no curso de sua vida lendria na Terra entre os homens. Na base desta celebrao e de todos os outros tipos similares, temos a invocao de um deus, ou do avatar em quem ele habita, e por meio desse ensaio dramtico o teurgo procura exaltar sua imaginao e conscincia de sorte que possa culminar na crise esttica da unio divina. Para o indivduo cujo senso esttico e potico  altamente desenvolvido, essa espcie de cerimnia , de longe, a mais eficiente.  perfeitamente evidente que uma representao simblica do que era antes um efetivo processo espiritual numa personalidade altamente reverenciada s pode auxiliar na reproduo da unio colocando o teurgo em relao de simpatia e harmonia mgica  - mediante o  efeito em sua imaginao - com a tendncia ascendente da pea para a meta suprema. Em suma, o teurgo imagina a si mesmo no drama sendo o deus que sofreu, ele prprio, experincias similares, as vrias partes da pea e os rituais recitados servindo apenas para tornar a identificao mais completa.  este fato que levou certas geraes de magos precariamente iniciados a adotar para o uso cerimonial mscaras de verdade, itens grotescos e legtimos artifcios teatrais. Estaremos diante do tema central do ritual dramtico quer escolhamos como exemplo a missa da Igreja Catlica Romana, a realizao do ritual do Adeptus Minor da Ordem Hermtica da  Golden Dawn, o Terceiro Grau da Francomaonaria, ou a celebrao das orgias dionisacas tal como esboadas em  As Bacantes. Em cada caso a vida de um Adepto iluminado  ensaiada sob plena forma cerimonial, isto , a histria de um ser cuja conscincia foi tornada divina  magicamente celebrada. O mtodo de representao retrata um homem que morre real ou misticamente e que realiza sua prpria ressurreio como um deus, irradiando sabedoria e poder divinos. Visto que Osris era para os egpcios o melhor exemplo de algum que superou sua humanidade e atingiu a unio divina, assim passando para a posteridade como o tipo e smbolo de regenerao, vrios captulos e versculos do Livro dos Mortos representam o morto identificando a si mesmo como aquele deus dirigindo-se aos assessores no salo do julgamento. O ritual dramtico que os egpcios realizavam para a invocao de Osris em bidos era uma pea que parece ter consistido de oito atos. "O primeiro era uma procisso na qual o antigo deus da morte, Upwawet, tornava reto o caminho para Osris. No segundo a prpria grande divindade aparecia na barca sagrada, que era tambm  colocada  disposio de um nmero limitado dos mais ilustres dos visitantes peregrinos. A viagem da embarcao era retardada por atores vestidos como os inimigos de Osris, Set e sua companhia...  Seguia-se um combate no qual ferimentos reais parecem ter sido dados e recebidos... Este evento parece ter ocorrido durante o terceiro ato, que era uma alegoria dos triunfos de Osris. O quarto ato retratava a sada de Thoth, provavelmente em busca do corpo da vtima divina. Seguiam-se as cerimnias de preparo para o funeral de Osris e a marcha do populacho ao santurio do deserto alm de bidos para inumar o deus em seu tmulo. Em seguida era representada uma grande batalha entre o vingador Hrus e Set, e no ato final Osris reaparecia, sua vida recuperada, e adentrava o templo de bidos numa procisso triunfal*." 
*  Os Mistrios do Egito, Lewis Spence. 
	No apenas havia os Mistrios de Osris, no tempo em que os mitos ligados ao deus eram ensaiados, como tambm rituais de grupo para a invocao de sis, Hathor, Amon e Pasht e outros deuses eram celebrados sem referncia a qualquer indivduo humano cuja relao com eles fosse aquela de um avatar. Na missa catlica a vida e o ministrio divinos do Filho do Deus cristo so celebrados, em seguida a crucificao de seu salvador, e sua ressurreio final em glria seguida da assuno aos cus. Em pocas mais antigas, esta celebrao da missa era acompanhada por procisses deslumbrantes e cortejos dos mistrios cheios de suntuosidade, esplendor e pompa, embora se deva confessar que na ausncia da tcnica mgica toda essa ostentao externa contava muito pouco. O Terceiro Grau dos maons dramatiza o assassinato do Mestre, Hiram Abiff, e sua ressurreio se segue posteriormente por um ato mgico, o soar da palavra mgica perdida devolvendo H. A.  vida. 
	Os eventos, ricos em movimento, realizao e organizao na vida do lendrio fundador da Ordem Rosacruz, Christian Rosenkreutz, tambm o smbolo de Jesus, o Filho de Deus, so totalmente dramatizados com grande beleza no ritual de Adeptus Minor da Ordem da Golden Dawn. Sua finalidade, tambm,  que atravs da simpatia atuando sobre uma imaginao refinada, o teurgo possa identificar a si mesmo com a conscincia exemplar da qual Rosenkreutz era o smbolo, e cuja histria est sendo repetida ante ele. Numa cena, a mais importante e eloqente desse ritual, o principal oficiante hierofntico  visto deitado como se estivesse morto no pastos ou tmulo mstico. Por meio de oraes e invocaes, o Adepto  simbolicamente ressuscitado da tumba em cumprimento da profecia da grande fundador. Na hora solene da ressurreio, quando a cerimnia revela a ressurreio do Adepto como Christian Rosenkreutz do pastos onde ele estava enterrado, o Adepto Maior profere triunfalmente: "Pois sei que meu redentor vive e que ele se postar no derradeiro dia sobre a Terra. Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ningum vir ao Pai a no ser por mim. Eu sou o purificado; eu atravessei os Portais  das Trevas para a Luz; lutei sobre a Terra pelo bem; findei minha obra; eu adentrei o invisvel. Eu sou o Sol no seu nascer. Eu passei atravs da hora nublada e noturna. Eu sou Amon, o Oculto, aquele que abre o dia. Eu sou Osris Onnophris, o Justificado. Eu sou o Senhor da Vida que triunfa sobre a  Morte; no h nenhuma parte de mim que no pertena aos deuses. Eu sou o preparador da senda e aquele que resgata para o interior da Luz. Que aquela Luz surja das Trevas! Antes eu era cego, mas agora vejo. Eu sou o reconciliador com o inefvel. Eu sou o habitante do invisvel. Que o brilho alvo do Esprito divino desa! 
	Essa pe de xtase no  para ser interpretada como um mero discurso de palavras grandiloqentes. Se o Adepto realizou adequadamente sua obra mgica, e se encobriu perfeitamente com a forma mgica apropriada, e se identificou com a conscincia do deus, os outros participantes da cerimnia experimentaro uma exaltao paralela ao discurso de triunfo. 
	As formas mais usuais do ritual dramtico tais como aplicadas s iniciaes funcionam aproximadamente mais ou menos da maneira que se segue. Aps sua entrada nas cmaras externas do Templo de Iniciao, onde ele  imediatamente vendado, vestido com um toga preta e circundado trs vezes pela cintura com um cordel, o nefito  conduzido pelo guardio s estaes onde esto presidindo oficiantes nos pontos cardeais. O objetivo da venda  representar a cegueira da ilusria vida mundana e a ignorncia nas quais o ser humano incorrigvel se debate, vtima involuntria da tragdia perpetuamente representada de nascimento, decadncia e morte dolorosos. O cordel  triplo para representar os trs elementos maiores: fogo, ar e gua; a toga  preta para representar tambm o negrume da vida e Saturno, que  morte, o grande ceifador de tudo. O nefito circumpercorre o templo diversas vezes, e durante seu circumpercurso os oficiantes, que devero ser no futuro seus instrutores mgicos e que igualmente representam os deuses sumamente benfazejos, exigem do nefito as afirmaes de seus objetivos e aspiraes. Este procedimento automaticamente chama nossa ateno para o Livro dos Mortos, onde no captulo CXLVI e naqueles que se seguem a este, os anjos e os deuses encarregados dos pilones sagrados ou as grandes estaes a serem ultrapassadas pelos mortos a caminho do Amentet, indagam destes ltimos seus negcios. Como reao  sua resposta de que o nome do guardio  conhecido - com cujo conhecimento o nome no  seno um smbolo - e que ele vem para responder a Thoth, conseqentemente em busca da sabedoria superior, cada um deles lhes do permisso para prosseguir. "Passa, diz a sentinela do pilone. Tu s puro!"
	 possvel ver no Museu Britnico um excelente ritual de iniciao intitulado "O Mistrio do Julgamento da Alma", reconstrudo por M. W. Blackden a partir dos captulos de O Livro dos Mortos que tratam da ascenso do morto ao salo do julgamento, e sua beatificao na  ilha da verdade. Demonstra de uma maneira extremamente boa que pode muito bem ter sido que os textos que chegaram a ns sob o ttulo de O Livro dos Mortos eram fragmentos de um ritual de iniciao usado na poca em que o Egito florescia com os Sacerdotes-Reis-Adeptos o dirigindo. O ritual do nefito da  Golden Dawn, de modo semelhante, incorporou em si elementos egpcios muito similares. Neste ritual vrios oficiantes, representando os deuses csmicos, retardam o progresso do  nefito em seu circumpercurso das estaes do templo.  "Tu no podes passar por mim, diz o Guardio do Oeste, a menos que possas dizer meu nome." E a resposta em nome do candidato  dada: "Escurido  o Teu Nome! Tu s o Grandioso da Caminho das Sombras." Diante disto profere-se a prescrio: "Filho da Terra, medo  fracasso. S tu, portanto, destemido, pois no corao do covarde a virtude no habita! Tu me conheceste, assim segue em frente! "  medida que o ritual prossegue com muitos desafios e respostas semelhantes vrios pontos de instruo mgica so apresentados, acompanhados por consagraes pelo fogo e a gua, purificando assim o nefito para a jornada posterior. Estas consagraes efetuadas pelos representantes dos deuses no templo nos pontos cardeais constituem a preparao para a realizao da Grande Obra. Por meio de invocaes as foras celestiais do alm so infundidas no ser do nefito, dotando-o de coragem e vontade que o capacitam a perseverar resolutamente at o fim. Ento a venda, o cordel e a veste negra  so removidos, dando lugar a um manto ou faixa atirados aos ombros para simbolizar a pureza da vida e a grandeza da aspirao que atingiu o candidato. Terminadas as consagraes e concludas as invocaes das essncias, um certo conhecimento fundamental de magia e o alfabeto filosfico  comunicado sob um voto de segredo. Isto, como um todo, omitindo-se um grande nmero de pontos secundrios e variaes triviais, constitui a base do ritual de iniciao do nefito. 
	Se no houver, todavia, o prosseguimento do trabalho mgico prtico em seu prprio interesse, essas iniciaes e rituais no tero qualquer proveito para o nefito. Que servem efetivamente de preparao  verdadeiro, e tambm transmitem uma certa consagrao e sacramentalizao tornando a tarefa  do  nefito  mais  compreensvel e talvez menos perigosa devido a virtude deles. A ttulo de confirmao, lembraremos que Milarepa depois de suas iniciaes foi imediatamente aconselhado por Marpa a iniciar o trabalho prtico, que em seu caso era meditao e concentrao. Ao aprendizpreparado seja por meio de treino seja por meio de alguma peculiaridade de nascimento - o qual, em qualquer caso devido  reencarnao implica numa ateno anterior a estas coisas - a iniciao cerimonial tem um efeito distinto ao conceder ao aprendizuma viso efmera, porm resplendente da meta espiritual buscada por ele e que ele agora indistintamente encara. E de fato assim  se os oficiantes do templo forem hierofantes no apenas no nome mas em realidade, devidamente versados de um ponto de vista prtico na rotina e tcnica mgicas, pois quando um oficiante do templo representa o papel de um deus, se ele estiver familiarizado com os mtodos da tcnica mgica, assumir a forma daquele deus to perfeitamente que as emanaes magnticas provenientes do deus nele fluiro para a alma interior do nefito. Esse assumir de formas divinas tal como anteriormente descrito, pode ser levado bastante longe, mesmo ao ponto da efetiva transformao, e  h registro de exemplos autnticos nos quais o nefito, se suficientemente sensitivo, v  distncia no salo no simplesmente um ser humano atuando arbitrariamente como hierofante, mas sim uma gigantesca figura divina, fulgurante e espantosa, do deus que o homem representa cerimonialmente. Quando, como afirmei, os hierofantes so magos treinados, como eram na poca do antigo Egito, a iniciao dos nefitos no se limitar a ser um servio formal sem significado, mas  uma cerimnia de extrema realidade e poder. 
	Isto concerne aos rituais de iniciao. O ritual dramtico que no envolve nenhuma questo de iniciao  bastante similar do prisma da concepo e execuo. Diversos indivduos ensaiam em concerto para seu prprio mtuo benefcio a vida de um deus, e por meio de repetidas invocaes, comemorando mediante o discurso e a ao incidentes e acontecimentos da  histria daquele deus, e tm xito em fazer aparecer o deus  numa rea consagrada. Acatando a tcnica mgica e exaltando a si mesmos suficientemente alm do plano dualstico normal de conscincia ocorrer uma unio duradoura entre os participantes e a divindade. As Bacantes  um exemplo notvel de um ritual dramtico grego. Na verdade, de um ponto de vista cerimonial,  tudo que um ritual dramtico deve ser quanto  forma. E  to excelente que aqueles que  nele tm interesse hoje o fazem devido ao seu sentimento de que se trata de uma esplndida tragdia teatral. No caso de uma companhia de indivduos iniciados que esto bem familiarizados com a invocao, trabalhando simpaticamente entre si, e exercendo a vontade e a imaginao na forma mgica prescrita, a pea pode ser transformada  numa poderosssima invocao dramtica de Dionsio. A traduo em versos rimados do Professor Gilbert Murray  mais uma obra-prima clssica de poesia recriativa do que uma traduo literal do grego, transmitindo com suma fidelidade a atmosfera religiosa e o esprito ditirmbico da venerao a Baco. H nesta pea uma suplicao ao deus no estilo exaltado to tpico de todas as invocaes: 
"Aparece, aparece, qualquer que seja tua forma ou  nome
   Touro da  Montanha, Serpente de Cem Cabeas, 
  Leo de Flama ardente!
   Deus, Besta, Mistrio, vem! ...  " 
	Abordando o mesmo tema mgico, h um esplndido hino a Dionsio proveniente dos  Hinos msticos de Orfeu, traduzido por Thomas Taylor: 
"Vem, abenoado Dionsio, o variamente nomeado,
  De face taurina, gerado do trovo, Baco afamado.
  Deus bassariano, de universal poder,
  De quem espadas, sangue e ira sagrada causam prazer: 

 No cu regozijando, louco, Deus de alto som,
 Furioso inspirador, da vara o portador: 
Pelos Deuses reverenciado, que com a humanidade est presente,
Propcio vem, com mui regozijadora  mente." 
	Muita prtica e ensaio se fazem necessrios para dar eficcia a esses rituais dramticos, alm do trabalho mgico que se segue, como foi salientado. Sem este ltimo absolutamente nada pode ser efetuado. A tcnica astral de ascenso nos planos, investigando-se os smbolos pela viso, a formulao das formas ou mscaras dos deuses e a vibrao dos nomes bem como as celebraes de alguma forma de eucaristia representam necessidades no caminho da magia.  verdade que se exige uma enorme quantidade de pacincia, mas isto se verifica verdadeiro em relao a todas as coisas que valem a pena de uma maneira ou de outra. O teurgo dever prosseguir diariamente com essas prticas invocatrias e rituais at atingir o estgio em que se sinta que detm o poder sob seu controle. Na verdade, o que h de mais essencial para o sucesso em todas as formas de magia - seja o ritual dramtico ou qualquer outra coisa -  a perseverana. No importa o que mais seja feito, o mago deve cultivar a pacincia.  mister que ele se prenda com firmeza e sem desnimo a um programa pr-organizado de trabalho mgico. O curso que ele formulou e jurou executar representa o logos de sua  vontade, do qual ele no ousa se desviar uma nica polegada ou mesmo uma frao de polegada. Temores e dvidas igualmente o assaltaro por certo. Amigos e inimigos igualmente ameaaro a paz de sua mente e a serenidade de sua alma, e tentaro maximamente perturbar seu equilbrio espiritual com tagarelice ociosa a respeito do perigo da magia e a incerteza de seus resultados. A hoste inteira do cu, para mencionar s de passagem as mirades de legies do inferno, conspiraro e estaro soltas contra ele. Mas somente se ele desistir, desprezando seu voto e rejeitando sua aspirao, estar o mago irreversivelmente perdido. O desastre horrendo estar  espreita  frente! Uma vez tenha o voto mgico sido assumido voltado para o sucesso, ele ter que perseverar resolutamente sem se preocupar com seja l o que for que acontea. Se for colhido pela morte no desenrolar de seu trabalho, que prossiga, mesmo assim, adiante, de uma vida para outra, com a alma bem concentrada e o olhar espiritual fixado firmemente nas alturas, fazendo um vigoroso juramento de que dar continuidade a esse labor. Lvi uma vez observou que o mago tem que trabalhar como se fosse detentor da onipotncia e como se a eternidade estivesse a sua disposio. Ocorre-me uma lenda singela, porm bela, na qual esse tema est presente, incitando o mago a seguir  frente para a Casa do Repouso sem interromper seu empenho, isento de dvida e medo, trabalhando por aquela meta que ele primeiramente criou e que agora considera nebulosamente na distncia longnqua da aurora dourada na Terra Sagrada. Mal conhecida atualmente e esporadicamente objeto de referncia, aparece num pequeno livro intitulado The Book of the Heart Girt with the Serpent (O Livro do Corao Cintado pela Serpente), de Aleister Crowley. Embora eu no advogue em nome deste poeta, considero, contudo, essa pequena obra uma das mais profundas e primorosas jamais escritas. A citao abaixo serve como exemplo tanto de sua prosa quanto de suas idias relativamente  questo que agora abordamos. 
	"Houve tambm um colibri que falou a Cerastes e lhe implorou veneno. E a grande cobra de Khem, o Sagrado, a serpente Uraeus real, respondeu-lhe e disse: Eu velejei sobre o cu de Nu no carro chamado Milhes de Anos e no vi qualquer criatura acima de Seb que fosse igual a mim. O veneno de minha presa  a herana de meu pai, e do pai de meu pai...  Como d-lo a ti? Vive tu e teus filhos como eu e meus pais vivemos, mesmo at cem milhes de geraes, e pode ser que a misericrdia dos Poderosos conceda aos teus filhos uma gota do veneno da Antigidade. 
	"Ento o colibri afligiu-se em seu esprito e voou para as flores, e foi como se nada tivesse sido conversado entre eles. Entretanto, pouco depois, uma serpente o feriu e ele morreu. 
	"Mas uma bis que meditava s margens do Nilo, o belo deus, ouviu e atendeu. E ps de lado seus modos de bis e se tornou como uma serpente, dizendo: Talvez numa centena de milhes de milhes de geraes de meus filhos eles obtenham uma gota do veneno da  presa da  Exaltada. E vede: antes que a lua crescesse  trs vezes ele se transformou  numa serpente Uraeus e o veneno da presa foi nele e em sua semente estabelecido por todo o sempre." 
	Para o mago  esse esprito sublime de vontade e determinao indomveis que nada pode vencer que  indispensvel.  o poder da  vontade que de facto constitui o mago e na ausncia deste poder nada de qualquer monta pode ser feito. A realizao no  atingida em quatro e vinte horas, nem mesmo em vrios pores-do-sol; a viso resplandecente e o perfume que consome a prpria substncia da alma podem estar muitos anos no futuro - mesmo muitas encarnaes nas vagas trevas do porvir. Qui para alguns a concretizao do desejo mais ntimo e da aspirao por Adonai seja uma meta que pertence a um outro mundo, um outro eon e exista na natureza de um sonho. Outros indivduos podem julgar este um objetivo cujo doce fruto se torna rapidamente disponvel  mo com escasso dispndio de trabalho para ser colhido. Num caso ou no outro nenhum aprendiz est na posio de afirmar no princpio em que momento a meta poder ser alcanada. Tampouco se trata de um problema que merea preocupao pois a alma cresce e progride  medida que a compreenso e a intuio se expandem atravs de atos sucessivos do esprito na estrada da magia da luz. As asas se tornam ento mais vigorosas, o prprio vo se tornando mais longo, e a lmpada interior alimentada com o azeite da sabedoria permanece continuamente acesa. Ao mago  imperioso considerar sempre esta luz interior e lev-la pacientemente consigo pelos desvios e estradas dos homens, at que ele se transforme nessa luz. Acima de tudo o que  exigido  aquela imperturbvel aspirao e vontade indomvel ...  da ao trabalho! Que a aspirao do mago seja como a da sbia bis de Khem. Dispa-se de seus modos humanos e vista-se daqueles do deus! O Conhecimento e a Conversao podem ser uma ddiva que no lhe seja concedida por centenas e milhares de anos, mas quem sabe para onde o esprito se inclina? Pode ser que por inflexvel determinao, como aquela da bis, para lograr a meta, no importa quanto tempo possa levar, floresa a flor dourada da vida de Adonai no interior do corao mais celeremente do que de outra forma poderia ter sido o caso. 
	Enquanto isto, deve-se dar prosseguimento ao trabalho mgico. Ao teurgo compete diariamente ascender nos planos num esforo de elevar-se mais e mais, e lutar por seu caminho para as esferas translucentes da luz lmpida do fogo. A passagem de cada estao ver sua aspirao cada vez mais forte, transmitindo-lhe a fora para desimcumbir sua tarefa de conquista e unio mgicas. Todas as coisas tm que ser trazidas para dentro da esfera de sua vontade, tanto os cus excelsos quanto os infernos mais inferiores. Essa vontade tem que ser imposta aos mais vis habitantes do astral e estes tero que se curvar diante de todo desejo seu e todo seu domnio.  bvio que sobre os ombros do mago pesa uma tremenda responsabilidade, a qual cresce a cada passo  frente que ele d, e  medida que transcorre cada hora de sua carreira. "A natureza nos ensina, e os orculos tambm afirmam, que mesmo os germes nocivos da matria podem igualmente ser tornados teis e bons*." Conseqentemente, a responsabilidade que cabe ao mago como um penhor sagrado  esta: a ele e somente a ele compete a tarefa de transformar o universo e de transmutar os elementos grosseiros da matria na substncia do esprito verdadeiro. Toda sua vida ter que se transformar numa constante operao alqumica e durante esta vida ele distilar no alambique de seu corao a grosseria do mundo para que se converta na essncia dos cus sem nuvens. Sua cabea, tambm, tem que se elevar alm das nuvens  medida que ele, de p e ereto, ter seus ps firmemente sobre a terra multicolorida. Somente tenacidade e persistncia facultaro essa retido do esprito e esse poder adamantino da  vontade. E estes so os plos gmeos que proporcionam resistncia e extenso ao bculo do mago. Todos os ramos da teurgia devem ser objeto de persistncia ao longo dos anos, no maculados pela cobia pelos frutos das aes do mago. Em todos os casos, como todos podem ver, a arte divina constri carter e vontade e no devido tempo um karma favorvel ser criado em cujo senda nenhum obstculo ousar se interpor, quando o Anjo se apressar em elevar a alma - sua amada h tanto tempo, e consumar as npcias msticas prolongadas para tantos numa idade exaustiva. "Nesse dia o Senhor ser Um,  e Seu Nome ser Um."
* Os Orculos Caldeus, trad. de W. W. Westcott. 
	E mesmo que no atinjamos a unidade com Adonai, h na magia um grande ganho visto que por meio dela buscamos transmutar o grosseiro no sutil e no puro. E esta  a redeno do mundo. Muito brevemente todo o nosso ser circundar um sol invisvel de esplendor e seremos mais e mais atrados para ele, como o ao  atrado para o magneto. Embora possam ser necessrios eons para que finalmente cheguemos perto, ainda assim nos sentimos talvez como Ado deveria ter sentido se tivesse visto tremeluzindo atravs das trevas do exlio em que lutava o brilho do paraso celeste e soubesse que este no estava realmente perdido, mas que aps a purificao dele, Ado, lhe seria concedido um pouco dele em que entrasse e caminhasse. Dispor desta certeza no  pouca coisa. Trata-se de uma viso que no deve ser encarada com trivialidade. Embora inevitavelmente tenhamos que falhar e cair reiteradas vezes, h horas e minutos de prazer e alegria quando os anjos das alturas trajam novamente ante nossa vista seus antigos aspectos de glria, e ns somos fundidos no calor e fogo do xtase e contentamento, cientes de que ns, os mortos por sculos e longas eras, podemos ainda ressuscitar de novo. 

CAPTULO  XV
	A relao terica que o moderno espiritismo celebra com  magia  passvel, numa oportunidade ou noutra, de ser questionada. Por conseguinte,  preciso fornecermos aqui alguma resposta. Limitar-nos-emos a uma discusso sumria deste assunto j que parece a este autor no se tratar de algo de grande importncia. Algumas palavras apenas sero suficientes para demonstrar de que forma tal relao existe. 
	Embora alguns autores tenham anteriormente pensado diferentemente, no h uma conexo real entre os fenmenos do espiritismo e os fenmenos que ocorrem na magia. Uma palavra separa uma classe de fenmenos da outra. Uma palavra que, entretanto, representa um grande abismo estabelecido entre as duas classes: vontade! Todos os fenmenos espritas de transe e materializao so passivos. Esto totalmente alm do controle consciente do mdium que, de maneira alguma,  capaz de modificar, alterar ou mesmo fixar o tempo desses fenmenos que ocorrem a ela (por fora de hbito diz-se ela; concebe-se automaticamente que um mdium seja uma mulher, embora haja excees,  claro). O mago, por outro lado, se empenha em treinar sua  vontade de modo que nada acontea em suas operaes de luz sem sua utilizao. Seja o que for que faa,  realizado de modo consciente, deliberado e com inteno plena. A nica exceo importante em relao a isto ocorre quando a vontade se transformou num tal poderoso engenho taumatrgico que toda a organizao do mago se tornou inteiramente identificada com essa vontade, e todos os fenmenos de forma e conscincia  ocorrem automaticamente incluindo a extenso da vontade. Sua atuao pode ser comparada ao movimento de qualquer membro ou msculo que, embora ocorrendo fora da volio consciente,  todavia executado pela fora da  vontade. Mesmo relativamente ao que diz respeito ao que  chamado vulgarmente de "materializao", o mago controla a apario de um esprito. E no apenas isto pois  possvel para ele fazer esse esprito aparecer mediante suas conjuraes e limitar as atividades do esprito a uma certa rea prescrita atravs do poder de sua  vontade. A forma visvel do esprito  composta das grosseiras partculas de fumaa de incenso, deliberadamente queimado com essa finalidade. Ademais, o mago detm o poder de fazer o esprito responder inteligentemente s perguntas e de bani-lo quando sua presena deixar de ser necessria. Isto se aplica, que fique reiterado, somente ao que concerne ao aspecto inferior do trabalho visto que evocaes so universalmente reconhecidas como pertencentes aos graus mais baixos da tcnica. E quanto   magia da luz ?  Esta tambm est de acordo com a  vontade mgica. Quando advm aquela suprema crise na invocao na qual o ego  tornado passivo para o advento do  noivo e, com temor e tremor ele cede seu prprio ser, essa renncia  conforme uma determinao consciente e sob vontade. Estas poucas observaes devem bastar para mostrar de maneira conclusiva que as duas ordens de fenmenos residem totalmente em planos diferentes e que no existe nenhuma conexo entre as duas. O espiritismo parece se referir quase que inteiramente  produo de fenmenos fsicos, eles mesmos a finalidade desta produo, sendo que em qualquer caso esses fenmenos dificilmente conduzem a qualquer espcie de prova da sobrevivncia e continuao da existncia da alma. O outro sistema, a teurgia, diz respeito a um domnio nobre e ao desenvolvimento de grandes poderes no ser humano. O mago procura unir sua essncia a uma realidade profunda, duradoura, na aspirao de um conhecimento espiritual, de modo que seja possvel para ele apreender com sabedoria e intuio sua suprema imortalidade, incorruptibilidade e eternidade. 
	A fim de discutir o espiritismo inteligentemente  necessrio voltar aos princpios fundamentais formulados em pginas anteriores. A teurgia concebe a remoo dos invlucros da alma aps a morte do corpo fsico de maneira idntica  teosofia de Madame Blavatsky. Seguindo-se  morte do corpo, que  o veculo visvel dos princpios superiores, o ser humano real, perfeitamente intacto embora subtrado do corpo fsico,  impelido para o plano astral. Gradualmente ele ascende aos diversos palcios que foram autocriados pelo tipo de vida que acabou de ser vivida; nestes palcios ele repousa ante o Ancio dos Dias, assimilando sua experincia terrestre e transformando-os em recursos para uma nova encarnao. A magia, acompanhando a Cabala, abraa a idia filosfica da reencarnao ou Gilgolem das almas. Realmente, na medida em que os magos vo em direo desta teoria filosfica sustentam que em certos estgios de desenvolvimento, quando o organismo humano se torna luminoso, refinado e sensitivo por meio de reiteradas consagraes e invocaes, as lembranas de  Neschamah com suas emoes e poderes mais elevados se infiltram em Ruach, trazendo consigo a clara lembrana de existncias passadas. 
	Aps a morte fsica, a trindade de princpios que  o ser humano verdadeiro permanece no astral encerrada no Ruach e seu Nephesch. A desintegrao, j tendo sido desencadeada pela ocorrncia da morte fsica, prossegue ainda. Nephesch, que  o veculo das paixes, emoes e processos instintivos,  ento descartado da constituio. Permanece, contudo, como uma entidade nesse plano, animado at um certo ponto pelas foras e energias cegas com as quais ele entra em contato. Lenta mas continuamente ele se desintegra se deixado s, de modo que tal como o corpo fsico  dissolvido reintegrando o p da terra, Nephesch  dissolvido para os elementos do plano astral. Por esta razo, os teurgos probem vises e experincias nesse domnio astral inferior. A nada pode ser encontrado que possua valor espiritual visto que se trata do mundo da matria em decomposio de Nephesch e da desintegrao. Nephesh  descartado, o ser humano interior encerrado em Ruach "ascende" s camadas intermedirias do astral, onde lentamente a essncia dos pensamentos mais refinados, as experincias e emoes mais nobres so destiladas das partes mais grosseiras, sendo assumidas na prpria natureza de Neschamah. Esta separao de afinidades concluda, so assimiladas e expandidas no astral divino, Amentet. Neste momento  necessrio mencionar o emprego do verbo "ascender" e outros verbos utilizados num sentido similar. Desnecessrio salientar que um sentido metafsico  sugerido porquanto os planos subjetivos dos mundos invisveis no esto dispostos um sobre o outro como os andares de um arranha-cu, nem se envolvem como as camadas de, por exemplo, uma cebola. Sendo metafsicos, todos os mundos se interpenetram e se fundem, o mundo fsico ou mais externo sendo penetrado pelo mais interno e as esferas mais sutis. Ascender no astral, portanto, apesar de ser uma expresso literalmente enganosa, tem a finalidade de expressar o fato da partida de uma plano mais grosseiro efetuando-se uma subida a um mundo mais rarefeito e menos denso. 
	Ao considerar o espiritismo, a tradio mgica afirma que  com os cadveres astrais ou Qliphoth, como so denominados, que os espritas principalmente se ocupam. Atravs do transe passivo e negativo, os princpios mais elevados so forados a recuarem, no deixando nenhum vnculo com os veculos inferiores do mdium ou proteo para estes. A porta  franqueada  admisso de quaisquer entidades que se encontrem nas vizinhanas astrais. J que as almas dos seres humanos e seres anglicos ascendem ao astral divino, a maior parte dessas entidades no astral inferior so os elementais mais grosseiros, os administradores dos fenmenos naturais e os Qliphoth em decomposio ou casces adversos. Conseqentemente, o transe esprita negativo fundamentalmente implica a obsesso dos resduos em decomposio e restos imundos inerentes quele plano. Diante disso a questo que se coloca  a seguinte: "Por que, se os espritos que se comunicam com as mdiuns so meros casces astrais, acontece de ocasionalmente exibirem inteligncia e razo? "
	A palavra ocasionalmente  bastante gratificante. Um dos fatos mais correntemente mencionados pelos investigadores  a ausncia de coerncia e inteligncia nas mensagens obtidas do "outro lado". No caso, contudo, de se perceber um leve lampejo de inteligncia nos absurdos verbais geralmente transmitidos aos mdiuns, a explicao racional dada por Lvi  claramente aplicvel. Lembrar-se- que Lvi define a luz astral como o agente mgico, e que em sua substncia esto registrados todos os pensamentos, emoes e aes. O corpo astral, um dos aspectos de Nephesch, sendo composto da matria sutil da luz astral, participa da definio de Lvi. Numa pgina anterior, indiquei a conexo entre a concepo acadmica formal do inconsciente e a concepo cabalstica de Nephesch, do qual o corpo astral  um aspecto. Neste veculo, portanto, esto registrados todos os pensamentos que um indivduo teve durante a vida, todas as percepes e sensaes que experimentou e todas as aes que executou. Quando aps a morte esse Nephesch descartado  galvanizado para a atividade de um aparente ser vivo, animado por inteligncia atravs da energia deslocada tanto pelo mdium em transe quanto pelos pensamentos dos participantes da sesso esprita, esse cadver astral pode exibir uma rplica da inteligncia que em vida o utilizava. 
	Esse amplo esboo d conta da maioria das comunicaes recebidas via fontes espritas, embora seja necessrio afirmar com toda justeza em relao a essa, como em relao a todas as outras generalizaes, que h excees, embora os mdiuns capazes de penetrar os planos mais elevados do esprito sejam extremamente raros. O mdium, uma vez tenha aberto a porta de sua organizao astral e psquica,  incapaz de controlar a si mesmo, e tampouco  capaz de empregar discernimento quanto ao que ir entrar ou no pela porta aberta e tomar posse de sua personalidade. Naturalmente, essas observaes se referem unicamente aos casos nos quais os fenmenos so genunos. Mas visto que h tantos casos de fraude e embuste deliberados, pode-se recorrer s afirmaes que acabamos de fazer que igualmente se prestam a explicar tais coisas. Sendo passivo, o mdium no exerce controle do poder de produzir fenmenos quando a corrente psquica  cortada, por assim dizer; e quando os fenmenos lhe so exigidos pelo recebimento de dinheiro,  coisa bem simples simular a possesso genuna.  mais simples ainda pronunciar um palavrrio recheado de disparates que  favoravelmente comparvel s mensagens recebidas dos "mortos". Alm disso, pelo fato de a entidade obsessora ser das mais baixas e das profundas da Terra, dificilmente se pode considerar sua associao com o mdium edificante ou enobrecedor. Limita-se a ser uma influncia nociva, causando a expanso e desenvolvimento de quaisquer tendncias ou traos existentes no mdium. Assim, a fraude, a decadncia moral e o desregramento no requerem grande esforo. 
	Pode-se antecipar aqui uma explicao dos fenmenos fsicos mais gerais, parte representativa do espiritismo, embora considerando-se que a teoria mgica desse assunto esteja em completo acordo com a de Blavatsky, h pouca necessidade de repetir tais teorias detalhadamente. Basta observar que a maioria das demonstraes psquicas, quando autnticas, tm sua origem no comportamento e nos poderes do corpo astral. Definida a substncia deste veculo como plstica, magntica e de grande fora tensora, conclui-se que vrios de seus membros, devido ao desenvolvimento anormal, podem ser exsudados do interior do corpo fsico e estirados a alguma distncia. Essa teoria explica o deslocamento de objetos sem contato fsico, os fenmenos do Poltergeist e muitos outros de carter similar. Quase todos se devem  perturbao do equilbrio no aspecto substantivo de Nephesch. Obviamente no so espirituais e no comprovam nenhuma das reivindicaes feitas a seu favor pelos espritas. 
	No caso do mdium esclarecida que, compreendendo a verdade intrnseca das observaes feitas aqui, deseja reverter seus poderes passivos, a tcnica mgica  recomendvel. No espiritismo inexiste tcnica de transe, como inexistem mtodos de proteo ou seleo a serem empregados. Uma vez esteja a porta astral entreaberta a esmo, quem quer que entre pode fazer o que bem entender sem restrio. O mdium est to aberto  obsesso, e mesmo mais devido  natureza do plano astral, quanto  inspirao divina. Com a ajuda, entretanto, de algum dispositivo como o Ritual de Banimento do Pentagrama, essa predisposio para a obsesso elementar poder ser facilmente eliminada. No interior de um crculo adequadamente consagrado, protegido com os nomes divinos formais, o mdium pode induzir o transe sem medo ou perigo. A recitao de uma invocao apropriada de uma fora divina e o assumir astral de uma forma de divindade antes do transe podem garantir uma categoria totalmente diferente de resultado, realmente pertencente a um plano muitssimo mais alto. Enquanto que anteriormente o mdium era uma presa indefesa de qualquer presena astral que visitasse sua esfera urea, trazendo consigo contaminao e o odor desagradvel de corrupo e abjeta putrefao, adotando-se mtodos mgicos, tais excrementos podem ser eficientemente impedidos de invadir a esfera da personalidade. E no apenas isto, como tambm entidades de classe definida, de natureza divina e espiritual, completamente oposta aos ordinrios "fantasmas" espritas, podero ser invocadas para o mximo proveito do mdium e o crescimento de seu poder espiritual. 
	No julguei adequado descrever muitos tipos diferentes de operaes mgicas neste livro, visto que no ocupam nenhuma posio eterna na construo do santurio celeste. Tampouco dizem respeito s limitaes prprias que tm que se circunscrever em torno do Templo da Magia Santa da Luz. A despeito de no estarem includos necessariamente na conotao da expresso Magia Negra, tais mtodos fazem fronteira muito prxima a esse tipo de coisa. Visto que tendem para essa direo, so de pouca utilidade para o aspirante em busca de Adonai e da bem-aventurana dos deuses. Existem inmeras operaes menores para a aquisio de objetos que se deseja, como livros, ouro, mulheres e similares. H operaes de destruio e fascinao, adivinhao e transformao e assim por diante. Estas so apenas algumas que recebem absolutamente demasiada nfase e ateno s expensas de assuntos mais importantes em engrimanos e livros de instruo inferiores. Divorciados de aspiraes mais elevadas, so inteiramente reprovveis. 
	Um ramo razoavelmente importante da magia menor, embora no negra,  o controle dos Tattvas ou das correntes prnicas vitais que operam na natureza. Mediante o emprego dos smbolos de Tattvas, acompanhados por um conhecimento das horas especficas do dia quando essas foras adquirem preponderncia e pureza, o mago que assim o desejar poder abrir os portais do corpo e da mente s foras vivificadoras e reanimadoras dessas correntes ocultas. Atravs desses recursos, ele obter descanso fsico e psquico quando estiver em mar baixa e em caso de desvitalizao das foras de seu ser. No Livro dos Mortos so mencionadas muitas transformaes mgicas das quais o khu ou entidade mgica no ser humano  capaz, e frmulas prticas para a produo de tais transformaes como em falco, ltus, andorinha e assim por diante podem ser a percebidas. Como tornar algum invisvel aos olhos dos outros, mesmo em meio a uma grande multido, atravs da formulao de um invlucro astral  um outro ramo dessa magia cinzenta que existe entre a  magia da luz e a negra. No posso dizer que o aspirante ao Augoeides tenha muita utilizao para tais realizaes e poderes dbios. 
	A natureza da magia negra, que parece preocupar grandemente tantos histricos, consiste quase que inteiramente no motivo sustentado na mente do operador. Quando Lvi aborda este assunto e o da bruxaria em seus escritos ele se lana completamente numa tangente, e seus soberbos exageros coloridos com toda a rutilncia e retrica  sua disposio tornam a leitura divertida. Que alguns o tenham citado em funo desse assunto para uma interpretao literal, em lugar de descart-lo como mera verbosidade, ultrapassa minha compreenso. Suas observaes acerca do bode de Mendes e a venerao de Bafom em conexo com os templrios so simplesmente ridculas. Que comentrio poder-se-ia fazer em relao s instrues absurdas fornecidas por ele como sendo os supostos passos dados por aqueles envolvidos com a arte negra, a no ser que seriam excelente material para os atuais thrillers ? Estou ainda para descobrir em que loja de departamentos pode-se comprar velas feitas de gordura humana. Que ser humano poderia ser obtuso ou louco o bastante para pensar em obter incenso misturado com o sangue de um bode, uma toupeira e um morcego? Outras necessidades horrendas so a cabea de um gato preto recentemente morto, um morcego afogado em sangue, os chifres de um bode virgem e a crnio de um parricida! Ainda assim em seu  Book of Cerimonial Magic, o Sr. Waite teve a preocupao de pronunciar uma advertncia medonha contra a  gocia juntamente com o desenho grotesco de Lvi do crculo gotico para emprego com os "adereos" mencionados acima. Preparando-se para uma ofensiva devastadora contra a magia negra, Waite posicionou  sua artilharia mais pesada quando, na realidade, um arremessador de ervilhas teria sido muito mais eficiente contra tal inimigo. Resta pouca dvida de que Lvi estivesse "se divertindo s custas" de alguns leitores e que estivesse simplesmente cedendo seu talento para ritos lgubres impossveis, os rebentos de uma imaginao curiosa, embora exuberante. 
	O hipnotismo e o ato de privar uma outra pessoa de escolha ou uso da vontade constituem de fato uma das formas mais desprezveis de magia negra. Aqueles que realmente empregam tais mtodos deveriam ser cuidadosamente evitados pelo teurgo tal como ele faria com uma doena asquerosa. Os feitos absurdos ordinrios relativos  confeco de filtros, poes e figuras de cera para trabalhos de fascinao ou maldade existem inteiramente abaixo da dignidade do mago sincero. O que pode talvez constituir verdadeira magia negra  o uso de selos e talisms carregados feitos por uma pessoa que tenha adquirido poder mgico para a depreciao e dano de seu semelhante. Operaes cujo objetivo seja evocar a sombra de um amigo ou parente falecido  manifestao visvel consistem de manipulaes da substncia astral e carecem de qualquer finalidade til visto que perturbam os tranqilos processos de assimilao e construo de faculdades que se processam no astral superior aps a morte fsica. Somente a vaidade insana e a curiosidade desordenada poderiam ser satisfeitas  pela  necromancia. Este ramo especfico da bruxaria est aparentado ao espiritismo, embora para sermos totalmente verazes e justos tenhamos que admitir que os motivos deste ltimo culto realmente se colocam num plano mais elevado e mais sincero. Em ambos os casos, entretanto, o motivo no  desculpa pois eles so uma abominao diante de toda a tendncia dos processos da natureza. 
	Considerando-se que neste captulo tratamos largamente do astral, desejo mais uma vez  me referir  tcnica da viagem astral que  procurada pelo mago. Constitui obrigao imperiosa para o teurgo investigar por completo, como foi exposto num captulo anterior, em seu resplandecente e iridescente corpo de luz os nveis superiores da luz astral, aqueles que fazem fronteira com os mundos criativo e arquetpico. A ele cumpre tambm penetrar intrepidamente em todo santurio protegido da, se familiarizando com a natureza essencial e os variados aspectos que esse plano apresenta, embora jamais deva perder de vista um importante fato a estar sempre presente em sua mente.  preciso que se esforce sempre para transcender esse plano.  to-s um  salo de aprendizado. Por mais necessrias que sejam suas lies, uma vez  assimiladas e aprendidas a necessidade de permanecer nesse plano cessa, e as sempre esplndidas  Manses do Fogo e da Sabedoria devem ser buscadas. O corpo de luz espiritualizado deve ser continuamente treinado e educado e sua substncia deve ser tornada a tal ponto sensvel e refinada que de um corpo vago, sem forma, lunar ele renasce como um corpo solar brilhante.  neste corpo que o mago pode ascender s translcidas alturas espirituais e ao fogo amorfo que se encontra alm.  possvel que  medida que o aprendiz diligencia suas investigaes sistemticas nesse plano no esforo de descobrir a natureza de sua composio  psicolgica, chegar a certos portais, defrontando-se  com guardies armados. A despeito do poder do pentagrama, dos gestos e signos mgicos, da invocao dos quatro anjos dos quadrantes e de outros dispositivos para ascenso e ultrapassagem, tais guardas, sob nenhuma circunstncia, lhe daro o direito do ingresso, e tampouco lhe daro a permisso para atravessar os portais que guardam. Em  The Candle of Vision  indicado o empenho de  A. E. para descrever essa experincia de mstica natureza. "Ento eu fui novamente lanado longe num vrtice e eu era a figura mais minscula em meio vasto ar, e diante de mim havia um portal gigantesco que parecia grandioso com os cus, e uma figura sombria ocupava o vo da porta e barrava minha passagem. Isto  tudo que consigo lembrar... "  Alguns mencionam ter este fato tambm sido experimentado pelo escriba do Livro dos Mortos j que naqueles captulos que se relacionam aos nomes dos pilones, juntamente com os nomes das sentinelas, guardies e porteiros anglicos algumas sugestes mgicas veladas de como passar por eles so dadas.
	Nesse momento oportuno, antes de ir alm neste assunto da ascenso nos planos,  necessrio familiarizar o leitor com um aspecto importantssimo da tcnica astral que no se deve esquecer jamais. Os habitantes do plano astral reagem de duas maneiras diferentes e absolutamente distintas em relao ao pentagrama. A experincia dos modernos teurgos neste ponto  largamente corroborada por toda a tradio mgica dos antigos. Eles testemunham que quando em face da estrela flamejante de cinco pontas formulada pela vontade mgica alguns seres astrais se contraem perceptivelmente e parecem desvanecer. Uma outra classe de seres, contudo, cresce e se expande a ponto de abarcar todo o horizonte com esplndida luminosidade e brilho. A experincia de todas as geraes de magos demonstra que o ser que se encolhe de medo do pentagrama ou foge  ou um demnio de face canina ou um elemental, tendo que ser tratados de maneira apropriada. Por outro lado, o ser cuja apario no  afetada pelo pentagrama e o ritual de banimento conveniente,  uma inteligncia espiritual, um anjo, um sublime ser celestial a ser respeitado, amado e venerado. 
	Uma variao do smbolo do pentagrama empregada por outras pessoas com um certo grau de sucesso  uma cruz dourada encimada por uma rosa carmesim. O simbolismo em ambos os casos  idntico, embora alguns possam considerar que a cruz apresenta associaes teolgicas desagradveis.  um sinal dos quatro elementos estendido aos quadrantes cardeais, enquanto que os coroa a rosa, smbolo da beleza, nobreza e vida espiritual. Na prtica, sua aplicao  um pouco diferente daquela do pentagrama porque  menos simples formular a Rosacruz com o basto do que com o primeiro smbolo; o mago interpe em imaginao este smbolo entre o outro ser e ele prprio sem tentar tra-lo. 
	O fato, portanto, de um anjo trajado de fogo e glria e portando uma espada afiada de chamas barrar sua entrada ao pilone deve fazer o teurgo se deter, e se deter para refletir pois parece indicar que at ali ele no est suficientemente purificado e sensvel em seu corpo de luz para ser capaz de atravessar aquele pilone especfico do qual  barrado. Deve se constituir sua obrigao solene considerar como necessidade primordial o meio pelo qual uma purificao ulterior pode ser efetuada. Deve-se infundir no corpo de luz uma substncia espiritual proveniente de planos mais elevados e mais celestiais. O assumir persistente de formas divinas e a transmutao de sua prpria forma astral naquela do deus e a identificao com o carter sublime moral e espiritual do deus se revelar um mtodo to infalvel quanto outros. Atravs deste mtodo, a substncia do corpo de luz no devido tempo passar a participar do esplendor e efulgncia gneos da substncia do deus.  Talvez a melhor forma divina a ser assumida com esse propsito seja a do Harpcrates sentado no ltus, o Senhor do Silncio, que  o gmeo de Hrus, Senhor da Fora e do Fogo. A forma convencional na qual  geralmente retratado  aquela de um beb inocente, com o dedo no lbio, empertigado como um embrio acima de um ltus branco que surge do mar. Em torno dele h um azul escuro profundo semelhante ao do smbolo do Tattva do esprito, representando a noite que tudo abarca. O ltus  o smbolo perene da ressurreio e da eterna juventude e o beb representa inocncia, espiritualidade e supremo repouso. "O deus 'sentado acima do ltus...'" afirma Jmblico em The Mysteries (Os Mistrios), "...significa obscuramente uma transcendncia e fora que em absoluto no entram em contato com o lodo, indicando tambm seu imprio intelectual e empreo, pois percebe-se que tudo que pertence ao ltus  circular, a saber, tanto a forma das folhas quanto o fruto; e s a circulao est ligada ao movimento do intelecto, o qual energiza com identidade invarivel numa nica ordem e de acordo com uma nica razo. Mas o deus  estabelecido sozinho, e acima de um domnio e energia desta espcie, venerveis e santos, superexpandidos e que residem nele mesmo, o que estar ele sentado visa significar. " O assumir mgico desta forma, especialmente o circundamento do corpo astral pelo ovo azul-escuro ou ndigo, tem poder suficiente para banir quaisquer influncias indesejveis porquanto eleva o mago acima desse domnio. 
((ilustr. - Harpcrates acima do ltus - O Senhor do Silncio))
	Essa tcnica particular da forma divina da Harpcrates  especialmente significativa mesmo no que diz respeito  vida cotidiana. Quando se  assaltado por pensamentos indesejveis e emoes de dio pode-se conseguir alvio desta presso e at assistncia e resistncia espirituais assumindo-se a forma desse deus. Por meio deste assumir nosso ser  transmutado para a configurao do deus e a mente  elevada alm da pequenez mundana por assimilao do carter e natureza da divindade. Isto implica, seguramente, numa fora de imaginao e vontade, mas para a maioria das pessoas  mais fcil reter na mente imagens pictricas do que uma idia abstrata, qualquer indivduo podendo ser treinado com um pouco de prtica para visualizar uma forma to simples e bela como o beb acima do ltus. A nica dificuldade passvel de ser encontrada  a transfigurao do corpo de luz e a subseqente identificao e unio com o deus. Quanto a isto, naturalmente, o treinamento se mostra indispensvel. 
	A vibrao de nomes divinos constitui uma prtica que sob nenhuma circunstncia deve ser omitida j que  medida que se procede a este exerccio os elementos grosseiros so forosamente expelidos da constituio total, fsica, astral e moral, outros elementos mais refinados e sensveis sendo introduzidos para tomar o lugar daqueles. Celebraes freqentes da  eucaristia constituem tambm um meio excelente de transmutar e exaltar a substncia do ser total. Numa pgina anterior esta operao foi resumidamente descrita e para enfatizar recapitularei a teoria que se acha por trs. Divorciada de todo dogma, a essncia da eucaristia  a seguinte: voc toma uma substncia simples como, por exemplo, uma hstia de trigo, batiza-a com a sua mais elevada concepo de Deus, ou, conforme o caso, em nome de uma essncia espiritual particular, consumindo-a a seguir. Deste modo, por meio de magia simptica, uma efetiva transubstanciao de elementos ocorre sob a presso da  vontade. Aquilo que era antes terrestre se torna celestial. Aquilo que era da Terra, mundano,  transformado numa coisa dos cus. Uma hstia de trigo e o vinho parecem se tornar quase que diretamente assimilados ao sangue, e absorvidos pelo prprio ego. Na realidade, isto  uma espcie de magia talismnica pois com a nomeao da substncia o mago invoca a fora espiritual em conformidade com aquele nome, e naquele telesmata fsico de po e vinho  essa fora confinada como se fosse sua habitao terrena. O fato de tal telesmata ser consumido pelo mago introduz em seu ser um poder espiritual que em virtude de sua energia inerente expulsa elementos impuros de seu ser, elevando e transmutando o ser humano integral a um plano mais grandioso. Desta maneira se procede a transformao do corpo de luz de um escuro corpo lunar para um corpo solar, um organismo resplandecente, ntido e de forma bem definida, que fulgura como ao brilhantemente polido, capaz de atravessar todo pilone, penetrar os santurios mais zelosamente guardados e ingressando na lista de assistncia dos guardies anglicos. Com este corpo solar de substncia espiritualizada, a veste deslumbrante do Banquete de Casamento, o teurgo no experimentar qualquer dificuldade para ascender nos planos a partir de Malkuth atravs do caminho de Saturno at a esfera do Fundamento. * Do Fundamento  possvel para ele atravs da  Seta da Aspirao e do Poder da Harmonia e da Beleza para cima - sempre para cima alm do deserto infecundo do Abismo ** no qual ele monta o camelo cabalstico, *** recebido jubilosa e lisonjeiramente pela  Rainha no Palcio do Rei, que  a Coroa **** santa da  rvore da Vida. Chegado  Coroa, o mago no   mais. No obstante, a ainda existe aquela conscincia superior da  Vida Eterna que constitui a individualidade real do mago - aquela parte real dele da qual, talvez, tenha estado raramente consciente durante as suas vidas anteriores sobre a Terra - aquele esprito primordial e universal, que pulsa  e vibra invisvel  no cerne do corao de todos. 
* A Sephira Yesod, a primeira acima de Malkuth. (N. T.)
** Regardie faz referncia   Sephira misteriosa Dath. (N. T.)
*** Referncia ao caminho de Gimel (camelo) na rvore da Vida. (N. T.) 
**** Kether, a Sephira mais elevada da rvore da Vida. (N. T.) 
	Escreveu Porfrio que "as almas ao atravessar as esferas dos planetas vestem, como tnicas sucessivas, as qualidades desses astros." Visto que os planetas e os signos zodiacais foram atribudos  rvore e esto includos na implicao das dez  Sephiroth, o mago por meio desse processo da ascenso nos planos assimila as qualidades e caractersticas mais elevadas de cada planeta e cada  Sephira.  medida que o skryer ascende   Luz suprema da Chama imperecvel da Vida incorpora em si mesmo o poder inato dos planos pelos quais ele passa e como as caractersticas inferiores de seu ser so dificilmente compatveis com a gnea majestade impessoal do domnio celestial, so removidas deixando as caractersticas superiores como os augustos guardies do campo da conscincia. Todas as caractersticas dos mundos excelsos so sucessivamente assumidas pelo mago, e transcendidas at que ao fim de sua jornada mgica ele  fundido ao ser do Senhor de toda Vida. A meta final de sua peregrinao espiritual  o xtase de paz  no qual a personalidade, o pensamento e a autoconscincia finitos, mesmo a elevada conscincia dos deuses supremos, declinam cabalmente e o mago se funde na unidade do Ain-Sof , onde nenhuma sombra de diferena ingressa. 
CAPTULO  XVI
	Ao comear esboar e escrever este livro acerca de magia era a firme inteno do autor elucidar todos os processos mgicos to simples e inteligivelmente quanto fosse humanamente possvel e coerente com o tratamento exegtico de um assunto sumamente difcil e complexa. Pelo fato de ter havido no passado tanta obscuridade deliberada e matria propositadamente enganosa, pareceu a hora exata de produzir uma declarao que pudesse ser utilizada de uma vez por todas como uma exposio clara e definida. O autor espera ter sido fiel a essa inteno ao longo do texto, embora quanto a este ponto o leitor deva ser o nico juiz. Ambigidade e por vezes deliberada tentativa de ludibriar mediante o emprego de simbolismo difcil e a citao de extensas sries de nomes de autoridades tm caracterizado muitos livros de magia, pondo a perder qualquer valor que eles pudessem ter. Resta delinear neste livro uma frmula secreta de magia prtica de uma natureza to tremenda - encoberta como sempre esteve no passado pelo deslumbramento de smbolos recnditos e oculta por pesados vus - que este autor est em dvida se seria sbio ou poltico se ater a sua deciso original. Poderia,  claro, ter sido omitida do contedo geral, mas foi necessrio inclu-la sob alguma forma a fim de tornar este tratado moderadamente completo na medida do que concerne aos principais, embora elementares aspectos da alta magia. O mtodo do qual nos propomos a falar aqui constitui uma frmula to poderosa da  magia da luz e to passvel do abuso e uso indiscriminados na magia negra que se uma concepo de sua tcnica e teoria  realmente para ser apresentada, a inteno original deste autor tem que ser descartada. Ser preciso valer-se do meio de um simbolismo eloqente que foi utilizado durante sculos para transmitir estas e idias similares. E ao leitor deve se assegurar que o simbolismo no foi propositadamente desorganizado, nem foi tampouco tornado ambguo, obscuro e destitudo de sentido. Se meticulosamente estudados, os termos empregados revelaro uma coerncia e uma continuidade que desvendaro s pessoas certas de um modo absolutamente preciso os processos de sua tcnica. 
	A Missa do Esprito Santo! Assim  chamada esta tcnica especfica.  nica em toda a magia pois nela est compreendida quase toda forma conhecida de procedimento tergico. Ao mesmo tempo,  a quintessncia e a sntese de todas elas. Entre outras coisas diz respeito  magia dos talisms. Por meio desse mtodo uma fora espiritual viva  confinada numa substncia telesmtica especfica. No se trata de telesmata morto ou inerte como acontece na costumeira evocao talismnica cerimonial, mas sim de imediato vibrante, dinmico e contendo em germe e potencial a possibilidade de todo crescimento e desenvolvimento. De uma maneira muito especial, se refere, ademais,  frmula do Clice Sagrado. Um clice dourado de graa espiritual  utilizado no qual a prpria essncia e sangue vital do teurgo tm que ser derramados para a redeno no de sua prpria alma, mas que por intermdio disso toda a espcie humana possa ser salva. A euraristia tambm est implcita e o clice  usado como a taa da comunho, cujo contedo santificado - taumatrgico e iridescente, em suma o vinho sacramental  - tem que ser dedicado e consagrado ao servio do Altssimo. A oblao a ser consumida com o vinho eucarstico , em funo dessa interpretao, a essncia secreta tanto do mago intoxicado quanto do supremo deus que ele invocou. Neste mtodo est presente tambm em larga escala a tcnica alqumica, visto que concerne majoritariamente  produo do ouro potvel, a pedra filosofal e o elixir da vida que  Amrita, o rocio da imortalidade. 
	O leitor deve, acima de tudo, ter em mente a frmula filosfica do Tetragrammaton, que  o mtodo desta missa. Isto demonstra a necessidade de uma familiarizao prtica com os princpios numricos da Santa Cabala, pois quanto mais conhecimento se possui, sistematicamente classificado no sistema indicador da rvore da Vida, mais sentido e significao se vinculam  frmula de Tetragrammaton. No captulo em que se esboa a teoria mgica do universo as implicaes gerais do Nome sagrado foram resumidamente explicadas relativamente a essas conexes. Estas idias devem ser inteiramente assimiladas em relao  rvore. Munido deste entendimento, o leitor dever aplicar seus poderes ao esquema simblico que se segue. 
	Ilustrando o cabealho de um captulo no livro de Franz  Hartman  Secret Symbols of  the Rosicrucians (Smbolos Secretos dos Rosacruzes) vemos um desenho de uma sereia irrompendo do mar. Suas mos esto junto aos seus seios e dali brotam duas torrentes que retornam ao mar. Explicando esta figura Hartman escreveu que "... a figura representa o fundamento das coisas e sua origem. Trata-se de um princpio duplo da natureza; seus pais so o Sol e a Lua ; produz gua e vinho, ouro e prata pela bno de Deus. Se torturas a guia, o leo se tornar dbil. As 'lgrimas da guia' e o 'sangue vermelho do leo' tm que se encontrar e se misturar. A guia e o leo se banham, comem e se amam. Eles ficaro como a salamandra e ficaro constantes no fogo." Na elaborao do que foi dito acima os seguintes princpios podem ser postulados. O  Y * do nome sagrado neste sistema  chamado de leo vermelho e a primeira  H **   a  guia branca. Concebe-se que estas duas letras sejam as representaes de dois princpios csmicos, dois rios de sangue escarlate que brotam dos seios da sereia para dentro do mar, duas torrentes distintas e incessantes de vida, luz e amor que procedem eternamente da prpria  Vida. Nelas reside o poder de tocar e comungar, fazendo um novo do outro, sem nenhuma ruptura das fronteiras sutis das torrentes ou qualquer confuso de substncia. Em sua natureza so mutuamente complementares e opostas, e no entanto nelas est fundada a totalidade da existncia. Todas as operaes alqumicas de acordo com as autoridades requerem dois instrumentos principais: "um recipiente circular, cristalino, precisamente proporcional  qualidade de seu contedo" ou  cucrbita e " um forno teosfico selado cabalisticamente ou Athanor. ***  O Athanor  atribudo ao  Y  e  a cucrbita  uma atribuio da H.
* A letra  Yod.  (n .t.)
** A letra  H. (N. T.)
*** Amphitheatrum, H. Khunrath. 
	Agora apesar do ouro puro que se menciona ser uma substncia homognea, una e indivisvel, dinmica e prenhe de possibilidade infinita, duas substncias separadas so usadas em sua produo. Estas so denominadas  serpente ou o sangue do leo vermelho e as lgrimas ou o glten da guia branca. A serpente  uma atribuio da  V **** do  Tetragrammaton e o glten  alocado  ltima H deste nome. Estas duas substncias so a prole, por assim dizer, do leo e da guia. Os instrumentos alqumicos acima mencionados devem ser considerados como os armazns ou geradores desses dois princpios divinos ou  torrentes de rpido fluxo de sangue, fogo e fora, o Athanor sendo a fonte ou  veculo da serpente, o glten estando alojado na cucrbita. 
	A fabricao do ouro alqumico que  o rocio da imortalidade consiste de uma operao peculiar que apresenta vrias fases. Pelo estmulo do calor e do fogo espiritual para o Athanor deve haver uma transferncia, umas ascenso da serpente daquele instrumento para dentro da cucrbita, usada como uma retorta. O casamento alqumico ou a combinao das duas correntes de fora na retorta produz de imediato a decomposio qumica da serpente no mnstruo do glten, sendo este a parte do solve da frmula alqumica geral do solve et coagula. Junto  decomposio da serpente e sua morte surge a resplendente Fnix que, como um talism, deve ser carregada por meio de uma contnua invocao do princpio espiritual compatvel com a operao em andamento. A concluso da missa consiste ou  no consumo dos elementos transubstanciados, que  a  Amrita, ou no ungir e consagrao de um talism especial. 
	Antes de prosseguir com a anlise dos aspectos desta operao, gostaria de apresentar ao leitor uma citao na qual essa missa  repetida com certos detalhes, empregando a usual nomenclatura da alquimia. "Eu sou uma deusa de beleza e linhagem famosas, nascida do nosso prprio mar que rodeia a terra toda e que est sempre inquieto. Dos meus seios verto leite e sangue, fervendo-os at que se transformem em prata e ouro.  objeto o mais excelente, do qual todas as coisas so geradas, embora  primeira vista tu sejas veneno, adornado com o nome da  guia alada . . . . Teus pais so o Sol e a Lua; em ti h gua e vinho, ouro tambm e prata sobre a Terra, que o homem mortal possa regozijar... Mas considera,  homem, que coisas Deus te concede por este meio. Tortura a guia at que ela pranteie e o leo esteja debilitado e sangre at morrer. O sangue deste leo incorporado s lgrimas da guia  o tesouro da terra." Isto, sem dvida,  tambm explicativo da figura reproduzida por Franz Hartman. 
	Segundo certas autoridades, estima-se em termos aproximativos que a operao no deve levar menos de uma hora da invocao preliminar, com o aprisionamento da fora nos elementos, at o ato de compartilhar a prpria comunho a partir do clice consagrado. s vezes, de fato, se requer um perodo muito mais longo, especialmente se houver a exigncia da carga do talism ser completa e perfeita. Deve-se ter grande cautela para evitar a perda imprudente dos elementos. Existe a possibilidade de efetivo vazamento ou um transbordamento da cucrbita, e a assimilao ou evaporao dos elementos corrompidos no interior desse instrumento constitui tambm um acidente bastante deplorvel. Nunca  demais enfatizar que se os elementos no forem consagrados corretamente; ou em primeiro lugar se a fora invocada no se impingir ou ficar inseguramente confinada dentro dos elementos, toda a operao poder ser anulada. E poder facilmente degenerar s profundezas mais inferiores, resultando na criao de um horror qliftico que passar a existir como um vampiro atuando sobre os no-naturalmente sensveis e aqueles inclinados para a histeria e a obsesso. Se o elixir for adequadamente destilado, servindo como o meio do esprito invocado, ento os cus sero franqueados, e os portais se voltaro para o teurgo, os tesouros da Terra sero colocados aos seus ps. "Se o descobrires, cala e o mantm sagrado. No confia em ningum exceto em Deus." 
	O problema do vnculo para ligar a operao mgica ao resultado desejado deve ser considerado em todos seus numerosos aspectos. Se a  operao for daquelas que realmente exige um talism exterior para a produo visvel de seu efeito, um selo apropriado dever ser construdo de metal, cera ou sobre pergaminho. Pode ser consagrado e ungido com o elixir que foi criado atravs dos canais da  Obra hermtica. Esses selos e talisms descritos na  Chave de Salomo e em  The Magus so para uma finalidade absolutamente adequada. Caso a operao proposta pelo teurgo seja pertinente s qualidades de Jpiter, um pantculo apropriado deve ser preparado antes da  operao. Durante a confeco do elixir, deve-se assumir a mscara divina de Maat e recitar uma conjurao do anjo ou inteligncia necessrios. No encerramento da missa, uma quantidade minscula do rocio superior deve ser colocada sobre o sigillum ou talism de Jpiter, carregando-o assim de uma fora insupervel para a produo dos resultados desejados. Variaes deste procedimento provavelmente ocorrero com a prtica. 
	No se cogita da questo de um vnculo numa cerimnia conduzida visando uma finalidade na qual o circulo e o tringulo, por assim dizer, ou o demnio e o exorcista, ocupam o mesmo plano; ou seja, quando o teurgo trabalha exclusivamente sobre sua prpria conscincia sem referncia  qualquer efeito exterior. A missa do Esprito Santo, num tal caso, tem automaticamente seu clmax pelo consumo dos elementos carregados, a fora invocada encarnando dentro do mago como fato lgico, natural.  neste tipo de operao, acho, que a  missa do Esprito Santo gera a maior quantidade de fora e atinge o mais alto nvel de eficincia. 
	Mesmo para operaes ordinrias, a grande vantagem deste mtodo  que  possvel dispensar o cerimonial quase que completamente. O mago pode com absoluta facilidade executar o ritual do banimento no astral e as invocaes podem ser silenciosamente recitadas de modo que nenhuma magia de natureza cerimonial possa ser percebida pelo profano. No caso, contudo, de operaes em que o resultado desejado existe num outro plano ou exterior  conscincia do mago, os efeitos nem sempre parecem se seguir com a mesma infalibilidade e seqncia como acontece nas operaes subjetivas. O exame de registros privados conservados por magos que utilizaram esse engenho mgico tendem a mostrar que seu melhor emprego  para trabalhos dentro da conscincia do mago.  nestas matrias que a missa do Esprito Santo  o mais poderoso e eficaz. Para o desenvolvimento da  vontade mgica, o aumento da imaginao e a invocao tanto de Adonai quanto dos deuses universais para que habitem o templo consagrado do Esprito Santo, dificilmente se pode conceber um mtodo melhor ou mais adequado. No implica em nenhum gasto de energia vital visto que qualquer energia assim utilizada na operao retorna ao fim ao mago ampliada e enriquecida com o nascimento da  Fnix dourada, o smbolo da ressurreio e do renascimento. 
	O poder supremo atuante nessa tcnica  o amor. Por mais banal que isto possa parecer, e por mais que esta palavra tenha se tornado vulgar,  preciso reiterar que o amor  o poder motivador, uma fora de amor mantida sempre sob controle pela  vontade e controlada  pela alma. O poder destrutivo da  espada e tudo aquilo em que implica a espada, o carter dispersivo da adaga ou de qualquer outra das armas elementares, aqui no tem lugar. Este mtodo, portanto, se recomenda como sendo dos mais excelentes. Visto que participa efetivamente do amor, pertence ao estofo e essncia da prpria vida. 
	Em  operao essa missa  extraordinariamente simples. De fato, um mago observou que no  mais complicado do que andar de bicicleta, isto , uma vez certas preliminares e o treinamento tenham sido concludos. Mais do que qualquer outra coisa requer uma  vontade peculiarmente potente e independente, sustentando, claro, prvia disciplina e uma mente que tenha sido treinada em concentrao por longos perodos de tempo. Uma das peculiaridades dessa tcnica  que a menos que se seja excepcionalmente cauteloso e alerta desde o incio  coisa fcil para o mago perder o controle de seus instrumentos alqumicos e assim arruinar a operao inteira. Alegria na mera execuo tcnica da missa com a excluso devido trabalho mgico constitui o grande e supremo perigo. Por outro lado, porque este elemento de prazer e alegria aqui realmente ingressa, esta tcnica supera em excelncia todas as demais. A mente tem que ser treinada na concentrao sob todas as circunstncias. Como uma preliminar  prtica mgica deste tipo, a tcnica da ioga se revela sumamente vantajosa. Pode-se at afirmar que para o verdadeiro sucesso em toda a magia  absolutamente essencial uma completa fundamentao na tcnica da ioga. 
	Uma observao adicional no seria inoportuna. Superficialmente e  primeira vista pode parecer que entre esse tipo de operao mgica, descrito de maneira to hesitante, e o trabalho cerimonial costumeiro h um grande hiato.  verdade que a  missa do Esprito Santo constitui um avano no funcionamento lento e embaraoso do cerimonial, isto embora este ltimo seja essencial no princpio do treino mgico. Este mtodo  consideravelmente mais direto e incisivo, e devido  classe peculiar de energias que desencadeia sobre a natureza, seus efeitos so extremamente mais poderosos e de alcance bem maior do que os do cerimonial por si s. Entretanto, a despeito de subsistirem como duas categorias distintas de trabalho, podem com grande proveito ser combinadas e usadas uma em conjuno com a outra. 
	As autoridades alqumicas, as quais avaliaram esse mtodo, tm como consenso geral que por mais que seja grandioso seus resultados no podem ser logrados sem a orao. Sem a orao sincera nada permanente ou divino poderia ser realizado. Por conseguinte, enquanto a operao da missa est em andamento e o fogo no Athanor se intensifica, uma invocao entusistica, seja astral ou audvel, deve ser pronunciada.  aconselhvel que seja da natureza de um curto mantra apropriado  natureza e tipo do trabalho, de composio rtmica. A operao como um todo poderia ser precedida por uma invocao mais geral para legitimar o trabalho.  medida que o trabalho astral de criao progride, o mantra rtmico ajudar a formular e vivificar os moldes produzidos pela  vontade e a imaginao, atraindo a fora espiritual desejada. E ento, quando a  serpente  transferida do Athanor e a corrupo alqumica comea no glten da guia branca, a cucrbita ser o receptculo de uma nova substncia, viva e dinmica, contendo a marca indelvel das invocaes que tero dotado sua plasticidade e potencialidade de mpeto avassalador numa dada direo. Conclui-se que se partilhando dessa substncia que  o  mercrio filosfico, impregnado com uma inteligncia de energia espiritual dinmica capaz de produzir dentro dos limites de sua esfera a mudana desejada, a realizao plena e satisfatria coroar a aspirao do mago. 
	Conduzida dentro de um  crculo adequadamente consagrado, aps um perfeito banimento, seguida por uma poderosa conjurao da fora divina e o assumir da forma divina apropriada, a cerimnia pode se revelar detentora de poder incomparvel para franquear os  Portais dos Cus. Utilizando-se apenas a  taa e o basto como armas elementares, em associao com o  mantra ou a invocao rtmica especializada,  raro que a missa falhe ou no produza efeito. Esta unio de duas armas mgicas diferentes, bastante divorciadas como possam ter se afigurado num primeiro momento, aumenta a potncia de cada uma delas j que combinam numa operao nica os melhores aspectos e as maiores vantagens de ambas. 

CAPTULO XVII
	Agora os mais importantes aspectos da magia foram abordados. Antes de encerrar este livro, entretanto, desejo apresentar alguns exemplos de vrios tipos de rituais e invocaes que esto includos numa cerimnia completa. Diversas espcies de rituais foram mencionados nas pginas anteriores e agora  necessrio tornar tais referncias mais explcitas. Uma operao cerimonial completa  composta de muitos ciclos menores, por assim dizer. Independentemente de todas as questes de preparo e consagrao das armas da arte, o crculo e o tringulo e os talisms, com relao ao mtodo que foi descrito, a cerimnia correta pode incluir at oito fases distintas, no mencionando em absoluto do fato de que possa ser necessrio que muitas delas  sejam repetidas duas ou trs vezes para efeito de nfase. A cerimnia  aberta com um completo Ritual de Banimento, que j foi citado para tornar pura e limpa a esfera de trabalho. Segue-se usualmente uma invocao geral ou orao ao Senhor do Universo. Na seqncia se procede ao trabalho preciso. Deve haver uma invocao ao deus que governa a operao, a recitao de um apelo ao arcanjo ou anjo sucedida por uma poderosa conjurao do esprito ou inteligncia para sua apario visvel. Sua manifestao no tringulo  saudada por boas-vindas especiais ensejo no qual  se queima incenso como uma oferenda e para lhe dar corpo. Segue-se ento a  Licena para Partida e a  operao  concluda por um completo banimento cerimonial. Propomos, assim, neste captulo final, dar vrios exemplos de cada um dos ciclos mais importantes do trabalho, reproduzindo aquelas invocaes que so consideradas exemplares pelas autoridades. 
	A preparao de um  templo ou aposento adequado a ser empregado como o cenrio das operaes mgicas  uma das mais importantes preliminares a serem atendidas pelo teurgo. O uso contnuo de um aposento especial no qual a preocupao principal foi com a prtica da meditao e coisas geralmente mgicas tende automaticamente a consagrar essa rea limitada  Grande Obra, expelindo todas as influncias indesejveis e perturbadoras. Uma simples forma de cerimnia consagrando uma cmara especial para um propsito mgico pode ser concebida muito facilmente incorporando-se o Ritual do Pentagrama com diversos aforismos dos Orculos Caldeus, como por exemplo no ritual que se segue.
	"Que o mago encare o leste e segurando o basto de ltus pela parte negra, diga as seguintes palavras: 
                                            	HEKAS,  HEKAS,  ESTI  BEBELOI!
	"Ento que se realize o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama de maneira que um  crculo seja formado abrangendo a rea da cmara inteira, depois do que o basto deve ser depositado sobre o  altar. 
	"Purifica os limites externos do crculo com gua, dizendo: ' Assim portanto primeiro o Sacerdote que governa os trabalhos do fogo tem que borrifar a gua do mar que alto ressoa.'                         
	"Purifica com fogo, dizendo: ' E quando depois de todos os  fantasmas tu veres aquele santo fogo amorfo, aquele fogo que dardeja e lampeja atravs das profundezas ocultas do universo, escuta a  voz do fogo. '
	"Ento toma novamente o basto de ltus pela extremidade branca, e repete a  adorao: 
" 'Santo s tu Senhor do Universo.
    Santo s tu cuja natureza no formou. 
    Santo s tu o Vasto e Poderoso,
    Senhor da Luz e das Trevas.'  "
	Imediatamente aps os banimentos iniciais terem sido realizados, e logo antes do princpio da cerimnia, aconselha-se uma  invocao do Altssimo. Tal como a vontade inferior aspira quilo que est acima, do mesmo modo se concebe que o mais alto aspirar  unio com aquilo que est abaixo. Para equilibrar a cerimnia uma invocao da  Vontade Superior - seja esta concebida como o Augoeides ou o Senhor do Universo -   considerada parte indispensvel de qualquer operao. A orao que  apresentada abaixo aparece primeiramente em  The Secret Symbols of the Rosicrucians (Os Smbolos Secretos dos Rosacruzes), de Franz Hartman e  uma das hinos mais eloqentes e exaltadores j escritos que se enquadra ao propsito mencionado acima.
	"Eterna e Universal Fonte do Amor, Sabedoria e Felicidade; a Natureza  o livro no qual  Teu caracter est inscrito e ningum  capaz de l-lo a no ser que tenha estado em Tua escola. Portanto, nossos olhos esto dirigidos para Ti, como os olhos dos servos esto dirigidos sobre as mos de seus senhores e senhoras, dos quais recebem suas ddivas.
	" tu Senhor dos Reis, quem deixaria de louvar-Te incessantemente, e para sempre com todo seu corao? Pois tudo no universo procede de Ti, de Teu interior, pertence a Ti e  imperioso que novamente retorne a Ti. Tudo que existe reingressar em ltima instncia em Teu Amor ou Teu dio, Tua Luz ou Teu  Fogo, e tudo, seja bom ou mau, deve servir  Tua glorificao.
	"Tu somente  o Senhor pois Tua Vontade  a fonte de todos os poderes que existem no universo; nada pode escapar a Ti. s o Reio do Mundo, Tua residncia  no Cu e no santurio do corao dos virtuosos.
	"Deus universal, Vida Una, Luz Una, Poder Uno, Tu Tudo em Tudo, alm da expresso e alm da concepo.  Natureza! Tu alguma coisa a partir de nenhuma coisa, tu smbolo da Sabedoria! Em Mim Mesmo eu  sou  nada, em Ti eu sou eu. Eu vivo em Ti  eu  feito de nada; vive Tu em mim, e tira-me da regio do eu para a Luz Eterna." 
	Em  A Magia Sagrada de Abramelin, o Mago Abrao, o Judeu cuidadosamente insistiu em no fornecer oraes ou invocaes, sugerindo que as melhores invocaes seria aquelas escritas por cada indivduo de maneira a atender a necessidades pessoais. Apresenta, todavia, nas pginas de seu livro uma orao que  adequada, tal como a orao rosacruz precedente, para a formao da abertura da cerimnia colimando o soerguimento da mente do mago e a atrao da insuflao divina para a bno do trabalho em pauta*.
* Embora ainda assim se trate da orao pessoal que Abrao empregou em sua consagrao.  (N. T.)   
	" Senhor Deus de Misericrdia; Deus, Paciente, Benignssimo e Liberal, que concedeis Vossa Graa de mil maneiras, e por mil geraes; que esqueceis as iniqidades, os pecados e as transgresses dos homens; em cuja Presena ningum  encontrado inocente; que visitais as transgresses dos pais para com os filhos e sobrinhos, at a terceira e quarta geraes; conheo minha misria e no sou digno de aparecer perante Tua Divina Majestade, nem mesmo de implorar e buscar Vossa Bondade e Merc para a mnima Graa. Mas,  Senhor dos Senhores, a Fonte de Vossa Bondade  tamanha, que por Si s chamou aos que esto confundidos por seus pecados e no se atrevem a se aproximar, e convidou-os a beber de Vossa Graa. Donde,  Senhor meu Deus, tende piedade de mim e afastai de mim toda iniqidade e malcia; limpai minha alma de toda impureza de pecado; renovai-me em meu Esprito, e confortai-o, de modo que possa se tornar forte e apto a compreender o Mistrio de Vossa Graa, e os Tesouros de Vossa Divina Sabedoria. Santificai-me tambm com o leo de Vossa Santificao, com que santificastes todos os Vossos Profetas; e purificai-me com ele em tudo o que me  pertinente, de modo que possa me tornar digno da Conversao de Vossos Santos Anjos** e de Vossa Divina Sabedoria, e concedei-me o Poder que destes a Vossos Profetas sobre todos os Espritos Maus. Amm. Amm***." 
** O autor registra Holy Guardian Angels (Santos Anjos Guardies). Este tradutor omitiu Guardies por no constar no original transcrito.  (N. T.) 
*** Tomei a liberdade de acrescentar Amm. Amm., por  fidelidade ao original transcrito.  (N. T.) 
	Talvez  um dos mais primorosos hinos conhecidos por este autor  um escrito por Aleister Crowley. Est presente numa pea mstica intitulada  The Ship composta h muitos anos atrs e  isento de todas as incmodas implicaes metafsicas constantes em outras oraes, as quais tendem a melindrar sensibilidades filosficas. Como , inclusive, em forma potica****, o efeito  cumulativo, facilitando grandemente o processo de exaltao. 
****  preciso que o leitor compreenda que, como no caso de demais poesias aqui traduzidas, a rima  muitas vezes sacrificada em prol da justeza e ritmo do texto em portugus.  (N. T.)  
"Tu que s eu, alm de tudo que sou,
Que no possui nenhuma natureza e nenhum nome,
Que s quando todos exceto Tu j se foram,
Tu, centro e segredo do Sol,
Tu, fonte oculta de todas as coisas conhecidas
E desconhecidas, Tu afastado, s,
Tu, o fogo verdadeiro dentro do junco
Procriando e criando, fonte e semente
De vida, amor, liberdade e luz,
Tu que transcende discurso e viso,
Tu eu invoco, meu dbil e fresco fogo
Acendendo  medida que meus intentos aspiram.
Tu eu invoco, Tu que s permanente,
Tu, centro e segredo do Sol,
E aquele mistrio santssimo
Do qual eu sou o veculo.
Aparece, sumamente terrvel e sumamente brando,
Como  lcito, em Tua criana.  

Pois do Pai e do Filho,
O Esprito Santo  a norma; 
Macho-fmea, quintessencial, uno,
Homem-sendo velado sob forma de mulher.
Glria e venerao no mais excelso,
Tu Pomba, humanidade que deifica,
Sendo esta raa mui realmente governada,
Do brilho do sol da primavera at a borrasca do inverno.
Que Tu sejas glorificado e venerado
Seiva do freixo do mundo, rvore de prodgios! 
Glria a Ti que procedes do Tmulo Dourado.
Glria a Ti que procedes do tero que Espera.
Glria a Ti que procedes da terra no arada! 
Glria a Ti que procedes da virgem que fez voto! 
Glria a Ti, Unidade verdadeira    
Da Trindade Eterna! 
Glria a Ti, Tu genitor e genitora
E eu de Eu sou o que Eu sou! 
Glria a Ti, Sol eterno, 
Tu  Um  em  Trs, Tu Trs em Um! 
Que Tu sejas glorificado e venerado, 
Seiva do freixo do mundo, rvore de prodgios! "
	Nos escritos do mui eminente platonista Thomas Taylor podem ser encontrados alguns exemplos salutares de hinos e invocaes adequados ao trabalho mgico. Alis, h uma volume traduzido por Taylor em 1787 do grego intitulado  The Mystical Hymns of Orpheus (Os Hinos Msticos de Orfeu) no qual h invocaes dirigidas a quase cada um dos deuses principais; de sorte que para o aprendizde teurgia esse volume se destina a ser extremamente til em seu trabalho prtico, especialmente em vista do fato de Taylor ser da opinio de que o contedo do livro era usado nos Mistrios de Elusis. Pertencente ao tipo de orao geral que deve preceder a uma cerimnia, transcrevemos aqui um notvel Hino ao Cu que para seu propsito  incomparvel. 
"Grande Cu, cuja poderosa estrutura no conhece repouso,
   Pai de tudo de que o mundo surgiu; 
   Escutai, pai generoso, origem e desfecho de tudo, 
   Para sempre circundando esta esfera terrestre; 
   Moradia dos deuses, cujo poder guardio cerca
   O mundo eterno dentro de limites perenes; 
   Cujo seio amplo e dobras envolventes 
   Sustentam a necessidade terrvel da natureza.
   Etrea, terrestre, cuja estrutura multivariada,
   Cerlea e plena de formas, nenhum poder  capaz de domar.
   Onividente, fonte de Saturno e do tempo,
    Para sempre abenoada, divindade sublime,
    Propcia sobre um novo brilho mstico, 
    Coroai seus desejos com uma vida divina."
	No mesmo volume h um  Hino  Me dos Deuses que como uma invocao pode ser empregado exatamente da mesma maneira para preceder o trabalho cerimonial efetivo.  especialmente digno de ser citado. 
"Me dos Deuses, grande ama-seca de todos, aproxima-te
  Divinamente honrada e considera minha orao. 
  Entronizada num carro por lees tirado, 
  Por lees destruidores de touros, cleres e fortes, 
  Tu agitas o cetro da vara divina,
   E o assento intermedirio do mundo, mui afamado,  Teu. 
   Da a terra  Tua, e mortais necessitados dividem 
   Seu alimento constante, a partir de Tua proteo. 
   De Ti o mar e todos os rios fluem.
   Achamos Teu nome o melhor e fonte de riqueza 
   Aos homens mortais que se regozijam em ser bondosos; 
    Pois a cada bem a ser dado Tua alma se delicia.
    Vem, poder formidvel, propcio aos nossos ritos,
    Aquela que tudo doma, abenoada, Salvadora frgia, vem, 
    Grande rainha de Saturno, que se regozija no tambor 
    Donzela celestial, antiga, mantenedora da vida,
    Fria inspiradora, d ao Teu suplicante ajuda; 
    Com aspecto jubiloso sobre o nosso incenso brilha
     E satisfeita, aceita o sacrifcio divino." 
	A orao apresentada a seguir  um extrato de uma cerimnia invocando o Santo Anjo Guardio levada a efeito pelo falecido Allan Bennett, um dos Adeptos da Golden Dawn antes de ter ingressado no sangha budista e ter se tornado bhikkhu Ananda Metteya.
	"Que Tu sejas adorado, Senhor da minha Vida, pois Tu permitiste a mim adentrar at aqui o Santurio de Teu Inefvel Mistrio; e te dignaste a manifestar para mim algum pequeno fragmento da Glria de Teu Ser. Ouve-me, Anjo de Deus, o Vasto; ouve-me e admite minha orao! Concede que eu sempre sustente o Smbolo do Auto-sacrifcio; e concede a mim a compreenso de tudo que possa me aproximar de Ti! Ensina-me, Esprito estrelado, mais e mais de Teu Mistrio e Tua Maestria; permite que cada dia e cada hora me deixem mais perto, mais perto de Ti! Permite-me auxiliar-Te em Teu sofrimento de modo que possa algum dia tornar-me participante de Tua Glria, naquele dia quando o Filho do Homem for invocado ante o Senhor dos Espritos, e Seu Nome na presena da Ancio dos Dias! 
	"E neste dia ensina-me esta nica coisa: como posso aprender de Ti os Mistrios da  Alta Magia da Luz. Como posso eu ganhar dos Habitantes dos Elementos brilhantes o conhecimento e poder destes: e como eu posso  empregar da melhor maneira esse conhecimento para ajudar meus semelhantes.
	"E finalmente oro a Ti para que possa haver um lao de Dependncia entre ns; que eu possa sempre buscar, e buscando obter ajuda e conselho de Ti que s minha prpria individualidade. E diante de Ti eu prometo e juro que pelo apoio Daquele que senta no Trono Santo purificarei meu corao e mente de modo que um dia possa me tornar verdadeiramente unido a Ti, que s em Verdade meu Gnio Superior, meu Mestre, meu Guia, meu Senhor e Rei! "
	Embora a forma das invocaes gnsticas tenha se tornado bastante conhecida no meio daqueles que estudam magia e misticismo, h uma invocao particularmente boa que desejo reproduzir aqui, extrada do manuscrito Bruce. Contm diversos nomes brbaros evocatrios e foi proferida por Jesus para a purificao de seus discpulos.
	"Ouve-me,  meu Pai, Pai de toda Paternidade, Luz Infinita, torna este meus discpulos dignos de receber o Batismo do Fogo, perdoa seus pecados, purifica as iniqidades que eles cometeram consciente ou inconscientemente, aquelas que cometeram desde sua infncia at mesmo aos dias de hoje, suas palavras impensadas, seu discurso maligno, seus falsos testemunhos, seus furtos, suas mentiras, suas calnias enganosas, suas fornicaes, seus adultrios, sua cobia, sua avareza e todos os pecados que possam ter cometido, apaga-os, purifica-os deles e permita que ZOROKOTHORA venha em segredo e lhes traga a gua do Batismo do Fogo da Virgem do Tesouro. 
	"Ouve-me,  meu Pai: eu invoco Teus Nomes Incorruptveis Ocultos nos Aeons para sempre, AZARAKAZA   AAMATHKRATITATH   IOIOIO   ZAMEN  ZAMEN  ZAMEN  IAOTH  IAOTH  IAOTH  PHAOPH  PHAOPH   PHAOPH   KHIOEPHOZPE   KHENOBINYTH   ZARLAI   LAZARLAI   LAIZAI,  AMEN   AMEN; ZAZIZAYA  NEBEOYNISPH   PHAMOY   PHAMOY   PHAMOY  AMOYNAI   AMOYNAI   AMOYNAI   AMEN   AMEN   AMEN   ZAZAZAZI   ETAZAZA   ZOTHAZAZAZA.  Ouve-me, meu Pai, Pai de  todas as  paternidades, Luz Infinita, eu invoco Teus Nomes Incorruptveis que esto no Aeon de Luz para que ZOROKOTHORA me envie a gua do Batismo gneo procedente da Virgem de Luz para que eu possa batizar meus discpulos. Ouve-me novamente,  meu Pai, Pai de toda Paternidade, Luz Infinita, para que a Virgem de Luz possa vir, que ela possa batizar meus discpulos com Fogo, que ela possa perdoar seus pecados, purificar suas iniqidades, pois eu invoco Teu Nome Incorruptvel que  ZOTHOOZA THOITHAZAZZAOTH  AMEN  AMEN  AMEN. Ouve-me tambm  Virgem de Luz,  Juza da Verdade, perdoa os pecados de meus discpulos; e se,  meu Pai, Tu apagares suas iniqidades, possam eles ser inscritos herdeiros do Reino da Luz, e para este fim realiza um milagre sobre estes incensrios de suave perfume."
	Pouca engenhosidade da parte do novio ser exigida para efetuar as necessrias alteraes destes rituais de modo a adapt-los s suas prprias finalidades. Um pronome aqui mais uma palavra ali e o resultado  um ritual pessoal. O mesmo se revela verdadeiro no que concerne aos rituais dos Livro dos Mortos, muitos deles sendo lricos e panegricos. No captulo CLXXXII  apresentada uma curta invocao na qual Thoth  representado em identificao com os mortos.
	"Eu sou Thoth, o escriba perfeito cujas mos so puras. Eu sou o Senhor da pureza, o destruidor do mal, o escriba do correto e da verdade, e o que abomino  o pecado*."

* O leitor deve considerar o termo pecado aqui com certas reservas devido ao significado e conotao que essa palavra adquiriu na teologia judaico-crist.  aconselhvel prender-se ao sentido original do vocbulo latino peccatum, a saber: falta, erro, crime. (N. T.) 
	"Contempla-me pois eu sou o junco de escrita do deus Neb-er-tcher, o senhor das leis, que concede a palavra da sabedoria e do entendimento, e cujo discurso exerce domnio sobre a terra dupla. Eu sou Thoth, o senhor do correto e da verdade, que faz o fraco conquistar a vitria e que vinga os infelizes e os oprimidos naquele que lhes causou dano.
	"Eu dispersei as trevas! 
	"Eu afastei a tempestade, e trouxe o vento a Un-Nefer, a brisa formosa do vento do norte, mesmo brotando do tero de sua me.
	"Eu o fiz ingressar a morada oculta e ele vivificar a alma do Corao Tranqilo, Un-Nefer, o filho de Nuit, Hrus triunfante! "
	Ocioso dizer que no emprego da invocao acima a  forma do deus Thoth  magicamente assumida e o prprio ritual enumera algumas das qualidades e poderes do deus, a recitao do mesmo auxiliando na unio e mescla das substncias. O exemplar de ritual dado por  E. A. Wallis Budge em  The Gods of  the Egyptians (Os Deuses dos Egpcios) usado como uma invocao de Osris, constitui um exemplo bem melhor. Foi necessrio fazer uma espcie de edio dele j que era demasiado longo e disperso. 
	"Salve, senhor Osris. Salve, senhor Osris. Salve, senhor Osris.
	"Salve, salve, formoso moo, vem ao teu templo prontamente pois ns no vemos a ti. Salve, formoso moo, vem ao teu templo e te aproxima aps tua partida de ns. 
	"Salve, tu que comandas ao longo da hora, que cresces exceto em sua estao. Tu s a imagem exaltada de teu pai  Tenen, tu s a essncia oculta que provm de Atmu.  tu, Senhor,  tu Senhor, quo maior s tu que teu pai,  tu filho primognito do tero de tua me. Retorna a ns novamente com aquilo que a ti pertence e ns te abraaremos; no nos deixa,  rosto belo e grandemente amado, tu  imagem de Tenen, tu, o viril, tu senhor do amor. Vem em paz e permita-nos ver,  nosso Senhor ...  .
	"Salve, Prncipe, que provm do tero ...  da matria primeva. Salve, Senhor de multides de aspectos e formas criadas, crculo de ouro nos templos; senhor do tempo e doador de anos. Salve, senhor da vida por toda a eternidade; senhor de milhes e mirades, que brilha tanto no nascer quanto no pr do sol. Salve, tu senhor do terror, tu, o poderoso do tremor.
	"Salve, senhor das multides de aspectos, tanto macho quanto fmea; tu s coroado com a Coroa Branca, tu Senhor da Coroa  Urerer. Tu Beb santo de Her-hekennu, tu filho de Ra, que  senta no Barco de Milhes 	de anos, tu Guia do Repouso! Vem para os teus stios ocultos.
	"Salve, tu senhor que s auto-produzido. Salve, tu cujo corao  tranqilo, vem a  tua cidade. Tu, amado dos deuses e deusas que mergulhaste a ti mesmo em Nu, vem ao teu templo; tu ests no Tuat, vem para tuas oferendas...  .
	"Salve, tu flor santa da Grande Casa.  Salve, tu que trazes o cordame santo do barco de Sekti; tu  Senhor do Barco de Hennu que renovas tua juventude no stio secreto, tu  Alma perfeita... Salve, tu oculto, que s conhecido da humanidade.
	"Salve! Salve! Tu efetivamente brilhas sobre aquele que est no Tuat e efetivamente mostras a ele o Disco, tu Senhor da Coroa Ateph. Salve,  poderoso do terror, tu que nasces em Tebas, que floresces para sempre. Salve, tu alma viva de Osris coroado com a lua. " 
	Um outro ritual proveniente de fontes egpcias  o Hino a Amon-Ra, que reproduzimos aqui a partir do famoso  Harris Magical Papyrus. 
	" Amon oculto no centro de seu olho, esprito que brilha no olho sagrado, adorao para os Transformadores Santos, para aqueles que no so conhecidos! Brilhantes so suas formas veladas num fulgor de Luz.
	"Mistrio dos Mistrios, Mistrio Ocultado, Salve Tu no meio dos cus. Tu, que s Verdade, geraste os deuses. Os signos da Verdade esto em teu misterioso santurio. Por ti se faz tua me Meron brilhar. Tu tornas manifestos raios que iluminam. Tu circundas a Terra com tua luz at retornares  montanha que est no Pas de Aker. Tu s adorado nas guas. A terra frtil te adora. Quando teu cortejo passa pela montanha oculta o animal selvagem se ergue em sua toca, os espritos do Oriente te louvam, temem a luz de teu disco. Os espritos do Khenac te aclamam quando tua Luz brilha em seus rostos. Tu atravessas um outro cu que no  possvel ao teu inimigo atravessar. O fogo de teu calor ataca o monstro Ha-her. O peixe Teshtu guarda as guas ao redor de tua barca. Tu comandas a morada do monstro Oun-ti, que Nub-ti golpeia com sua espada.
	"Este  o deus que se apoderou do cu e da terra em sua tempestade. Sua virtude  poderosa para destruir seu inimigo. Sua lana  o instrumento de morte para o monstro Oubn-ro. Agarrando-o subitamente ele o subjuga; ele se faz mestre dele e o fora a  reingressar em sua morada; ento ele devora seus olhos e nisto est seu triunfo; o monstro  ento devorado por uma chama ardente; da cabea aos ps todos os seus membros queimam em seu calor. Tu trazes teus servos ao porto com um vento favorvel. Sob ti, os ventos encontram paz. Tua barca regozija, tuas sendas so ampliadas porque tu venceste os caminhos do autor do mal. 
	"Velejai, estrelas errantes! Velejai, astros resplandecentes; vs que viajais com os ventos! Pois tu ests repousando no seio do cu, tua mo te abraa; quando tu chegas ao horizonte ocidental a terra abre os braos para receber-te. Tu que s venerado por todas as coisas existentes! "
	As poucas ltimas linhas da invocao acima, pode-se notar, se acham num plano muito mais elevado de poesia do que o corpo principal da invocao. Trata-se de uma perorao extremamente boa. Estes rituais devem ser objeto de muito estudo e  luz de princpios da Cabala uma considervel quantidade de filosofia pode deles extrada e neles percebida. 
	Um ritual que desde algum tempo se tornou geralmente conhecido como a  "Invocao do No-nascido" parece a este autor um dos melhores por ele conhecido. O mais antigo registro que dele se descobriu se acha numa obra intitulada  Fragment of a Graeco-Egyptian Work upon Magic (Fragmento de uma Obra Greco-egpcia sobre Magia), de Charles Wycliffe Goodwin, M. A., publicada em 1852 para a Cambridge Antiquarian Society. Reimpresso no sculo passado no final da dcada de noventa por Budge em  Egyptian Magic (Magia Egpcia), esse ritual tornou-se largamente conhecido entre os devotos da  teurgia e foi cuidadosamente editado e elaborado por magos experientes. Reproduzimos abaixo a verso aperfeioada. 
"Tu eu invoco, o No-nascido.
"Tu que criaste a Terra e os Cus.
"Tu que criaste a Noite e o Dia.
"Tu que criaste as trevas e a Luz. 
"Tu s Osorronophris, que nenhum homem viu em tempo algum.
"Tu s Iabas. Tu s Iapos. Tu distinguiste entre o justo e o injusto. Tu produziste a fmea e o macho.
"Tu produziste a Semente e o Fruto. Tu formaste homens para se amarem entre si e se odiarem entre si.
"Eu sou  Mosheh* teu Profeta** ao Qual tu confiaste teus Mistrios, as cerimnias de Israel. 
* Aqui o mago pode inserir seu prprio nome e lugar na hierarquia mgica.         
** Moiss.  (N. T.) 
	"Tu produziste o mido e o seco, e aquilo que nutre todas as coisas criadas. 
	"Que tu me oua, pois eu sou o Anjo de Paphro Osorronophris; este  Teu Verdadeiro Nome, entregue aos Profetas de Israel. 
	"Ouve-me:  Ar:  Thiao: Rheibet:  Atheleberseth:  A ;  Blatha: Abeu: Ebeue:  Phi: Thitasoe: Ib:  Thiao. 
	"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre a terra seca e na  gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e cada Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim.
	"Eu te invoco, o Deus Terrvel e Invisvel, que habitas o Stio Vazio do Esprito:  Arogogorobrao:  Sothou:  Modorio:  Phalarthao:  Doo: Ap:  O No-nascido. 
	"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia, e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 

	"Ouve-me: Roubriao: Mariodam: Balbnabaoth: Assalonai: Aphnaio: I ; Thoteth:  Abrasar:  Aeoou: Ischure, Poderoso e No-nascido. 
	"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
	"Eu te invoco:  Ma:  Barraio:  Ioel:  Kotha:  Athorebalo:  Abraoth! 
	"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
	"Ouve-me! Aoth: Abaoth:  Basum:  Isak:  Sabaoth:  Isa ! 
	"Este  o Senhor dos Deuses! Este  o Senhor do Universo! Este  Aquele que os Ventos temem! 
	"Este  Aquele Que tendo feito a Voz por seu Mandamento  Senhor de todas as Coisas, Rei, Governante e Auxiliador.
	"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim.
	"Ouve-me:  Ieou:  Pur ;  Iou:  Pur:  Iaot:  Iaeo:  Ioou:  Abrasar:  Sabrium:  Do:  Uu:  Adonaie:  Ede: Edu: Angelos ton Theon:  Anlala  Lai:  Gaia:  Ape:  Diarthana  Thorun. 
	"Eu sou Ele! O Esprito No-nascido! tendo viso nos Ps! Forte e o Fogo Imortal! 
	"Eu sou Ele! A Verdade! 
	"Eu sou 
	Ele! Quem odeia que o mal seja lavrado no Mundo! 
	"Eu sou  Aquele que ilumina e troveja. Eu sou Aquele do Qual procede a Abundncia da Vida da Terra:  Eu sou Aquele cuja boca sempre flameja:  Eu sou Ele:  O Gerador e o Manifestador diante da Luz. 
	"Eu sou Ele:  A Graa do Mundo! 
	" 'O Corao com uma Serpente como Cinta '  o meu Nome!
	"Vem e segue-me, e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
	                                                              IAO: SABAO
                                                      " Tais so as palavras! "  
	Talvez um tipo ainda melhor de invocao aos deuses  o que apresentaremos a seguir. H muitos teurgos que o preferem, como modalidade de ritual, ao precedente. A invocao de Thoth que citarei se baseia muito largamente no Livro dos Mortos, principalmente no captulo da  Sada pelo Dia e uma seo contendo uma alocuo sacerdotal ao fara citada por Maspero. O ritual completo, entretanto, no mostra quaisquer sinais de colcha de retalhos, sendo perfeitamente coerente, consistente e esttico. 
	" Tu, Majestade da Divindade, Tahuti Coroado de Sabedoria, Senhor dos Portais do Universo, a Ti, a Ti eu invoco! 
	" Tu cuja cabea  como uma bis, a Ti, a Ti eu invoco!
	"Tu que seguras em Tua mo direita o basto mgico do Poder Duplo e que portas em tua mo esquerda a Rosa e a Cruz da Luz e da Vida, a Ti, a Ti eu invoco! 
	"Tu cuja cabea  como Esmeralda, e cuja nmis como o azul do cu noturno, a Ti, a Ti eu invoco! 
	"Tu cuja pele  de laranja flamejante como se ardesse numa fornalha: a Ti, a Ti eu invoco! 
	"V, eu sou ontem, Hoje e o irmo do Amanh! Eu naso de novo e de novo. A mim pertence a fora invisvel da qual os deuses se originam, a qual d vida aos habitantes das torres de vigia do Universo.
	"Eu sou o auriga no Oriente, Senhor do Passado e do Futuro, o qual v por sua prpria luz interior. Eu sou o Senhor da Ressurreio, que assoma do crepsculo e cujo nascimento procede da Casa da Morte.  vs dois falces divinos que sobre vossos pinculos mantm a vigilncia do Universo! Vs que acompanhais o esquife a sua Casa de Repouso, que pilotam o Barco de Ra sempre avanando s alturas do cu! Senhor do Santurio que fica no centro da Terra! 
	"V! Ele est em mim e Eu Nele! Meu  o brilho com o qual  Ptah flutua  sobre seu firmamento! Eu viajo pelas alturas! Eu piso o firmamento de Nu! Eu ergo uma flama cintilante com o relmpago de meu olho, sempre investindo para a frente no esplendor do diariamente glorificado Ra, outorgando minha vida aos habitantes da Terra. Se eu digo  Subi s montanhas as guas celestiais fluiro ante minha palavra, pois eu sou Ra encarnado; Kephra criado na carne! Eu sou o eidolon do meu Pai Tmu, Senhor da Cidade do Sol.
	"O deus que comanda est em minha boca. O Deus da Sabedoria est em meu corao. Minha lngua  o santurio da Verdade; e um deus senta sobre meus lbios. Minha palavra  comprida todos os dias e o desejo de meu corao realiza a si mesmo como aquele de Ptah quando ele cria suas obras. Visto que eu sou Eterno tudo atua de acordo com meus desgnios, e tudo acata minhas palavras. 
	Portanto que Tu venhas a Mim de Tua Morada no Silncio, Sabedoria Impronuncivel, Toda-Luz, Toda-Poder.
	"Thoth, Hermes, Mercrio, Odin. Por qualquer nome que chame a Ti, Tu s ainda  i-Nomeado e Sem Nome para a Eternidade. Que tu venhas, eu digo, e ajuda-me e guarda-me nesta obra da  Arte. 
	"Tu estrela do Oriente que realmente conduziste os Magos. Tu ests identicamente toda presente no Cu e no Inferno. Tu que vibras entre a Luz e as Trevas, ascendendo, descendo, mudando para sempre, e no entanto sempre a mesma. O Sol  Teu Pai! Tua Me, a Lua! O Vento Te gerou em seu seio: E a terra sempre nutriu a Divindade Imutvel de Tua Juventude. 
	"Vem, eu digo, vem e faz todos os espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo encantamento e flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim! "      
	Poucos entre os aprendizesde magia da atualidade sabem que o grande neoplatnico Proclo comps vrios hinos e invocaes. A maior parte, infelizmente, se perdeu, apenas uns poucos tendo sido preservados e nos tornado acessveis. Thomas Taylor traduziu cinco desse hinos e os publicou em 1793 num apndice do seu livro intitulado  Sallust on  the Gods and the World. Todos os cinco so sumamente bons e ser proveitoso que o aprendizse familiarize com eles. A fim de dar uma idia do seu valor,  reproduzimos aqui o Hino ao Sol. 
"Ouve Tit dourado! Rei do fogo mental,
   Regente da luz; a Ti supremo pertence
   A chave esplndida da fonte prolfica da vida; 
   E das alturas Tu vertes correntes harmnicas 
   Em rica abundncia nos mundos da matria.

   Ouve! pois elevado nas alturas acima de plancies etreas,
   E no brilhante orbe intermedirio do mundo Tu reinas
   Enquanto todas as coisas por Teu soberano poder so preenchidas
   Com zelo que estimula a mente, providencial.
   Os fogos das estrelas circundam Teu fogo vigoroso,
    E sempre numa dana infatigvel, incessante,
    Sobre a terra de seios largos o rocio vvido se difunde.
    Por Teu curso perptuo e reiterado
    As horas e estaes em sucesso de desenrolam;
    E elementos hostis cessam seus conflitos,
    Logo que contemplam Teus raios tremendos, grande Rei;
    De divindade inefvel e nascido secreto... 

      melhor dos deuses, dimon coroado de fogo, 
      Imagem de todo o bem que a natureza produz,
      E o condutor da alma ao domnio da luz - 
      Ouve! e purifica-me das manchas da culpa;
      Recebe a splica de minhas lgrimas,
      E cura minhas feridas maculadas de pernicioso sangue coagulado;
      Os castigos incorridos pelo pecado perdoa,
      E mitiga o olho gil, sagaz
      Da justia sagrada, sem limites em seu parecer.
      Por Tua lei pura, dos males horrendos constante inimiga, 
      Dirige meus passos, e despeja Tua luz sagrada
      Em rica abundncia sobre minha alma anuviada; 
      Dissipa as sombras sinistras e malignas
      De escurido, prenhes de aflies envenenadas, 
      E ao meu corpo fora adequada proporciona,
      Com sade, cuja aparncia esplndidas ddivas concede.
      D fama duradoura; e possa o zelo sagrado
      Com o qual as musas de belos cabelos presenteiam, que outrora
      Meus pios ancestrais preservaram, ser meu. 
      Ajunta, se a Ti agrada, onigeneroso deus,
      Riquezas duradouras, a recompensa do piedoso; 
      Pois poder onipotente investe Teu trono,
      Com fora imensa e regra universal.
      E se o eixo giratrio dos destinos 
      Ameaar das teias de estrelas a destruio medonha, 
      Teus raios retumbantes com fora irresistvel sero enviados .
      E vencero antes de precipitar-se a calamidade iminente. "
	Desejo apresentar mais uma invocao desta mesma categoria antes de prosseguir fazendo citaes dos rituais usados em cerimnias de evocao. Fui obrigado, infelizmente, a omitir grande parte do ritual abaixo, por motivos de espao, e tal como apresentado aqui corresponde a aproximadamente  metade de sua extenso correta. Escrito por Crowley e publicado por ele em Oracles  baseado em certas frmulas mgicas e documentos que eram usados na Ordem Hermtica da Golden Dawn. Sua excelncia e fervor dispensam meus comentrios. 
" Eu divino!  Senhor Vivo de Mim!
  Flama de fulgor prprio, gerada do alm! 
  Divindade imaculada! Clere lngua de fogo, 
  Acesa a partir daquela incomensurvel luz, 
  O ilimitado, o imutvel. Vem,
  Meu deus, meu amante, esprito do meu corao,
  Corao de minha alma, branca virgem da Aurora,
  Minha Rainha de toda perfeio, vem 
  De Tua morada alm dos Silncios
  A mim, o prisioneiro, eu, o homem mortal,
   Feito santurio neste barro: vem, eu digo, a mim,
  Inicia minha alma excitada; aproxima-te
  E deixa a glria de Tua Divindade brilhar
  Mesmo para a Terra, Teu plinto ...  .
 Tu Anjo Majestoso de minha Vontade Superior,
 Forma em meu esprito um fogo mais sutil 
 De Deus, para que eu possa compreender mais 
 A pureza sagrada de Tua divina 
 Essncia!  Rainha,  Deusa da minha vida,
 Luz no-gerada, fasca cintilante
 Do Todo-Eu!  Santa, santa Esposa
 De meu pensamento mais  divindade semelhante, vem! Eu digo
 E Te manifesta ao Teu venerador... 
 Meu Eu real! Vem,  deslumbrante
 Envolvida na glria do Stio Sagrado
 De onde chamei a Ti: Vem a mim
 E permeia meu ser at que meu rosto 
 Brilhe com Tua luz refletida, at que minhas sobrancelhas
 Raiem com Teu smbolo estrelado, at que minha voz 
 Alcance o Inefvel; vem, eu digo,
 E faz-me uno Contigo; que todos os meus caminhos
 Possam resplandecer com a santa influncia 
 Que eu possa ser julgado digno no fim 
 Para sacrificar perante o Santssimo... 
 Ouve-me! 
  Eca, zodocare, Iad, goho,
  Torzodu odo Kikale qaa!
  Zodacare od zodameranu!
  Zodorje, lape zodiredo Ol
  Noco Mada, das Iadapiel! 
  I las! Hoatahe Iaida!
 coroada com a luz das estrelas! alada com esmeraldas
Mais larga que o Cu!  azul mais profundo
Do abismo das guas!  Tu flama
Que cintila atravs de todas as cavernas da  noite, 
Lnguas saltando do incomensurvel
Subindo atravs dos resplandecentes precipcios imanifestos
Para o Inefvel!  Sol Dourado!
Glria vibrante do meu Eu superior! 
 Eu ouvi Tua voz ressoando no Abismo: 
'Eu sou o nico Ser nas profundezas 
 Da Escurido: deixa-me ascender e preparar-me
 Para trilhar o caminho das Trevas: mesmo assim 
 Posso atingir a luz. Pois do Abismo 
 Vim antes de meu nascimento: destes sales sombrios 
 E silncio de um sono primevo! E Ele, 
 A Voz das Idades, respondeu-se e disse: 
 V! Pois eu sou  Aquele que formula 
 Na Escurido! Filho da Terra! a luz com efeito brilha
 Nas trevas, mas as trevas no entendem 
 Raio algum dessa luz iniciadora! 
           ...  No me deixa s, 
 Esprito Sagrado! Vem para confortar-me, 
Atrair-me e fazer-me manifesto,
Osris ao mundo choroso; que eu
Seja erguido sobre a Cruz do Sofrimento
E do sacrifcio, para atrair toda a espcie humana
E todo germe de matria que possua vida, 
Mesmo depois de mim, ao inefvel 
Reino de Luz!  santa, santa Rainha! 
Pemite que Tuas amplas asas me abriguem! 

Eu sou a Ressurreio e a Vida!
O Reconciliador da Luz e das Trevas,
Eu sou Aquele que resgata as coisas mortais, 
Eu sou a Fora na Matria manifesta. 
Eu sou a Divindade manifesta na carne.
Eu me posto acima, entre os Santos,
Eu sou todo purificado atravs do sofrimento.
Todo-perfeito no sacrifcio mstico,
E no conhecimento de minha Individualidade feito
Uno com os Senhores Eternos da Vida
O glorificado pelo julgamento  o meu Nome.
O Resgatador da Matria  meu Nome ...  .
Eu vejo as Trevas se precipitarem como o raio se precipita!
Eu observo as Idades como uma agitao de torrentes
Passando por mim; e como uma veste eu me livro 
Das abas pegajosas do Tempo. Meu lugar est fixo 
No Abismo alm de todas as Estrelas e todos os Sis.
EU SOU a Ressurreio e a Vida. 

Santo s Tu, Senhor do Universo! 
Santo s Tu, Cuja Natureza no se formou!
Santo s Tu, o Vasto e Poderoso! 
 Senhor das Trevas e  Senhor da Luz! "
	Num dos captulos anteriores foi feita alguma referncia s invocaes de Dee e ao poder destas. Os fatos que marcam estas invocaes ou chaves como foram chamadas, so, a grosso modo, os seguintes. Mais de uma centena de pginas preenchidas de letras foram obtidas por Dee e seu colega Kelly de uma maneira que ningum ainda em absoluto compreendeu. Dee teria, por exemplo, diante de si uma ou mais dessas tabelas, via de regra de 49" X 49", algumas cheias, algumas com letras apenas sobre quadrados alternados, na superfcie de uma escrivaninha. Sir Edward  Kelly sentaria junto ao que eles chamavam de Mesa Sagrada e fitaria uma bola de cristal ou cristal no qual, depois de algum tempo, veria um  Anjo que apontaria com um basto para as letras de uma daquelas tabelas sucessivamente. A Dee,  Kelly comunicaria que o Anjo apontava, por exemplo, a coluna 4, fileira 29 da tabela, aparentemente no mencionando a letra que Dee encontrava na tabela diante de si e registrava. Quando Anjo terminava sua instruo, a mensagem era reescrita de trs para diante. Teria sido ditada totalmente errada pelo Anjo por ser considerada demasiado perigosa para ser comunicada de uma maneira direta, cada palavra sendo uma conjurao to poderosa que sua enunciao e meno diretas teriam evocado poderes e foras naquele momento indesejveis. 
	Reescritas ao inverso, essas invocaes pareciam escritas numa linguagem que os dois magos chamavam de enoquiano. Longe de se tratar de um jargo sem significado, o enoquiano possui gramtica e sintaxe prprias, como pode ser percebido pela consulta de Casaubon que traduziu muitas das chaves. Muitos o julgam bem mais sonoro e expressivo que o prprio grego e o snscrito, as tradues para o ingls, embora em alguns trechos de difcil compreenso, contendo maravilhosas passagens detentoras de uma  sustentada sublimidade e uma potncia lrica que muitos poetas e at a Bblia no superam. 
	Por exemplo: "Podem as Asas do Vento compreender vossas vozes de Prodgio?  vs o Segundo do Primeiro, quem as chamas ardentes acomodaram nas profundezas de minhas Maxilas! Quem eu preparei como taas para um casamento ou como flores em sua beleza para a cmara da Justia. Vossos ps so mais vigorosos do que a pedra infrutfera: e vossas vozes mais fortes que os ventos mltiplos! Pois vs vos tornais uma construo tal como no  exceto na mente do Todo-Poderoso. "
	Existem dezenove dessas Chaves; as duas primeiras evocam o elemento chamado Esprito, as dezesseis seguintes invocam os quatro elementos, cada uma com quatro subdivises. A dcima nona pode ser empregada para invocar qualquer um dos chamados  Trinta Aethyrs pela mudana de uma ou duas palavras especiais. Cito abaixo mais uma dessas  chaves em enoquiano seguida de uma traduo:.
	" Ol Sonuf Vaoresaji, gohu IAD Balata, elanusaha caelazod; sobrazod ol Roray i ta nazodapesad, Giraa ta maelpereji, das hoel ho qaa notahoa zodimezod, od comemahe ta nobeloha zodien; soba tahil ginonupe perje aladi, das vaurebes obolehe giresam. Casarem ohorela caba Pire:  das zodonurenusagi cab:  erem Iadanahe. Pilae farezodem zodernurezoda adana gono Iadapiel das homo-tohe; soba ipame lu ipamis:  das sobolo vepe zodomeda poamal, od bogira sai ta piapo Piamoel od Vaoan. Zodacare, eca od zodameranu! odo cicale Qaa; zodorje, lape zodiredo Noco Mada, Hathahe IAIDA! "
	"Eu reino sobre vs, diz o Deus da Justia, em poder exaltado acima do Firmamento da Ira, em cujas mos o Sol  como uma espada e a Lua como um fogo penetrante; quem mede vossas Vestes no meio de minhas Vestimentas e vos atou como as palmas de minhas mos; cujos assentos eu guarneci com o Fogo da Coleta  e embelezei vossas vestes com admirao; para quem eu produzi uma lei para governar o Santssimo, e entreguei a vs uma Vara , com a Arca do Conhecimento. Ademais, vs erguestes vossas vozes e jurastes obedincia e f quele que vive e triunfa, cujo princpio no , nem o fim pode ser; que brilha como flama no meio de vossos palcios e reina entre vs como o equilbrio da justia e da verdade.
	"Movei, pois, e mostrai-vos! Abri os mistrios de vossa criao. Sede amistosos comigo pois eu sou servo do mesmo Deus que  o vosso, o verdadeiro Adorador do Altssimo."
	Embora via de regra os exemplares de rituais apresentados por liphas Lvi em seus diversos escritos sejam de qualidade muito precria e no se prestam em absoluto ao seu emprego prtico, h uma notvel exceo em seu Dogma e Ritual de Alta Magia. Ele chama este ritual de Orao aos Silfos.
	"Esprito de Luz, Esprito de Sabedoria, cujo alento concede e retira a forma de todas as coisas; Tu diante de quem a vida de todo ser  uma sombra que transforma e um vapor que desvanece; Tu que ascendes s nuvens e com efeito voas sobre as asas do vento; Tu que expiras e as imensidades ilimitadas so povoadas; Tu que aspiras e tudo que de Ti brotou a Ti retorna; movimento sem fim na estabilidade eterna, s Tu abenoado para sempre! 
	"Ns Te louvamos, ns Te abenoamos no imprio fugaz da luz criada, das sombras, reflexes e imagens: e ns aspiramos incessantemente ao Teu esplendor imutvel e imperecvel. Possa o raio de Tua inteligncia e o calor de Teu amor descer sobre ns; que aquilo que  voltil ser fixo, a sombra se converter em corpo, o esprito do ar receber uma alma e o sonho ser pensamento. No mais seremos varridos ante a tempestade, mas teremos  rdea os corcis alados da manh e guiaremos o curso dos ventos da noite, de modo que possamos fugir para a Tua presena.  Esprito dos Espritos,  Alma eterna das Almas,  Imperecvel Alento da Vida,  Suspirar Criativo,  Boca que com efeito expira e retrai a vida de todos os seres no fluxo e refluxo de Teu eterno discurso, que  o oceano divino de movimento e de verdade! "
	Todos os  rituais seguintes tratam do ramo da magia que diz respeito   evocao dos espritos e exige poucos comentrios ou explicaes alm do que j  foi fornecido nos captulos em que esse assunto  abordado. A forma da Segunda Conjurao de  A Gocia, o melhor desta obra,  assim: 
	"Eu te invoco, conjuro e ordeno, Tu esprito N., a aparecer e te mostrares visivelmente a mim diante deste crculo, sob aspecto atraente e agradvel, destitudo de qualquer deformidade ou tortuosidade, pelo nome e no nome  IAH e VAU, que Ado ouviu e falou; e pelo nome de Deus AGLA, que Lot ouviu e foi salvo com sua famlia; e pelo nome IOTH que Jac ouviu do Anjo em luta com ele e foi liberto da mo de Esa, seu irmo; e pelo nome ANAPHAXETON, que Aaro ouviu e falou e foi feito sbio; e pelo nome ZABAOTH, que Moiss nomeou, e todos os rios foram transformados em sangue; e pelo nome ASHER EHYEH ORISTON, que Moiss nomeou e todos os rios produziram rs e estas entraram nas casas destruindo todas as coisas; e pelo nome ELION, que Moiss nomeou e houve grande chuva de granizo como jamais houvera desde o princpio do mundo; e pelo nome ADONAI, que Moiss nomeou e ali surgiram gafanhotos que se espalharam por toda a terra, e devoraram tudo que a granizo deixara; e pelo nome SCHEMA AMATHIA, que Josu invocou e o sol suspendeu seu curso; e pelo nome ALPHA e OMEGA, que Daniel nomeou e destruiu Bel e matou o drago; e no nome EMMANUEL, que as trs crianas, Shadrach, Meshach e Abednego, entoaram no meio da fornalha gnea, e foram libertados; e pelo nome HAGIOS; e pelo Selo de ADONAI; e por ISCHYROS, ATHANATOS, PARACLETOS; e por O THEOS, ICTROS, ATHANATOS e por estes trs nomes secretos  AGLA ON  TETRAGRAMMATON eu intimo e constranjo a ti. E por estes nomes, e por todos os outros nomes do Deus VIVO e VERDADEIRO, o SENHOR TODO-PODEROSO, e exorcizo e ordeno a ti,  esprito N., mesmo por Aquele que proferiu a Palavra e foi feito, e ao qual todas as criaturas obedecem; e pelos terrveis julgamentos de Deus; e pelo incerto Mar de Vidro que est diante da  Majestade divina, vigorosa e poderosa; pelas quatro bestas perante o trono que tm olhos na frente e atrs; pelo fogo ao redor do trono; pelos santos anjos do Cu; e pela poderosa sabedoria de Deus, eu com poder exorcizo a ti para que apareas aqui diante deste crculo a fim de satisfazer minha vontade em todas as coisas que a mim se afiguraro boas; pelo Selo de BASDATHEA BALDACHIA; e por este nome PRIMEUMATON, que Moiss nomeou, e a terra se abriu e com efeito tragou Kora, Dathan e Abiram. Por conseguinte, tu dars respostas fidedignas a todas as minhas demandas,  esprito N., e realizars todos os meus desejos na medida da capacidade de tua posio. Portanto, vem, visvel, pacfica e afavelmente, agora sem demora, a fim de manifestar aquilo que eu desejo, falando com voz clara e perfeita, inteligivelmente, e para meu entendimento."
	Em  The Magus, Barrett apresenta uma ligeira variao do ritual acima. Idntico  verso da Gocia at o trecho que menciona Kora, Dathan e Abiram, excetuando alguma alteraes secundrias, principalmente referentes a nomes, segue-se uma seo inteira que  exclusiva ao ritual de Barrett, merecendo a citao aqui devido  presena dos nomes brbaros.
	"E no poder daquele nome PRIMEUMATON, comandando toda a hoste do cu, ns vos amaldioamos e vos despojamos de vossa funo, alegria e posio e com efeito vos prendemos nas profundezas do poo de fundo para que a permaneais at o dia terrvel do juzo final; e vos prendemos ao fogo eterno, e ao lago de fogo e enxofre, a menos que apareais incontinenti diante deste crculo para executar nossa vontade; por conseguinte, vinde por estes nomes ADONAI, ZABAOTH, ADONAI, AMIORAM, vinde, vinde, vinde, Adonai ordena; Sadai, o mais poderoso Rei dos Reis, cujo poder nenhuma criatura  capaz de resistir seja para vs sumamente medonho, a menos que obedeceis, e de imediato aparecei afavelmente  diante deste crculo, que a chuva do infortnio e o fogo inextinguvel permaneam com vs; e portanto vinde em nome de Adonai, Zabaoth, Adonai, Amioram; vinde, vinde, vinde, por que retardais? Apressa-vos! Adonai, Sadai, o Rei dos Reis vos ordenam: El, Aty, Titcip, Azia, Hin, Hen, Miosel, Achadan, Vay, Vaah, Eye, Exe, A, El, El, El, A, Hau Hau, Vau, Vau, Vau." 
	Dos mtodos de Honrio* extra a invocao que se segue, tendo-a condensado ligeiramente. Porquanto se trata de uma evocao do esprito Rei Amaimon, que figura como um dos hierarcas em  A Gocia, e visto que sua comemorao tem teor cristo,  reproduzida abaixo para que uma comparao possa ser efetuada com o ritual precedente, de teor judaico. 
* Papa Honrio III, pontfice de 1216 a 1227.  (N. T.) 
	" tu Amaimon, Rei e Imperador das partes do norte, eu te chamo, invoco, exorcizo e conjuro pela virtude de poder do Criador, e pela virtude das virtudes, a me enviar logo e sem demora  Madael, Laaval, Bamlahe, Belem e Ramath, com todos os outros espritos submetidos a ti, sob forma agradvel e humana! Em qualquer lugar que estejas agora, aproxima-te e rende aquela honra que deves ao verdadeiro Deus vivo que  teu Criador. Eu te exorcizo, te invoco e sobre ti imponho o mais elevado mandamento pela onipotncia do Deus sempre vivo, e do Deus verdadeiro; pela virtude do Deus santo e o poder DELE que falou e todas as coisas foram feitas, e mesmo pelo Seu santo mandamento os cus e a Terra foram feitos, com tudo que neles est contido!  Eu intimo a ti pelo Pai, pelo Filho e pelo Esprito Santo, mesmo pela Santa Trindade, pelo Deus ao qual  no podes resistir, sob cujo imprio compelirei a ti: eu te conjuro por Deus-Pai, pelo Deus-Filho, pelo Deus-Esprito Santo, pela Me de Jesus Cristo, Santa Me e Perptua Virgem, por seu sagrado corao, por seu leite abenoado que o Filho do Pai sugava, por seu corpo e alma santssimos, por todas as partes e membros dessa Virgem, por todos os sofrimentos, aflies, trabalhos, agonias que ela suportou durante todo o curso da vida Dele, por todos os suspiros que ela deu, pelas santas lgrimas que ela verteu enquanto seu querido Filho chorava antes da ocasio de Sua dolorosa Paixo e sobre o madeiro da Cruz, por todas as coisas sagradas e santas que so ofertadas e feitas, e tambm por todas as outras, tanto no cu como na Terra em honra de nosso Salvador Jesus Cristo, e de Maria Abenoada, Sua Me, por tudo que seja celestial. Conjuro-te pela Santa Trindade, pelo sinal da Cruz, pelo mais precioso sangue e gua que jorraram do flanco de Jesus, pelo suor que escorreu de todo Seu corpo, quando Ele disse no Jardim das Oliveiras: 'Pai, se for tua vontade, afasta de mim este Clice'; por  Sua  morte e paixo, por Seu sepultamento e gloriosa ressurreio, por Sua ascenso, conjuro-te tambm pela coroa de espinhos que foi colocada sobre Sua cabea, pelo sangue que escorreu de Seus ps e mos, pelos pregos com os quais Ele foi pregado ao madeiro da Cruz, pelas lgrimas santas que Ele derramou, por tudo que Ele sofreu voluntariamente por grande amor a ns, por todos os membros de nosso Senhor Jesus Cristo.
	"Eu te conjuro pelo julgamento dos vivos e dos mortos, pelas palavras do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, pelas Suas pregaes, por seus dizeres, por todos Seus milagres, pela criana em faixas, pela criana chorosa gerada pela me em seu tero mais puro e virginal, pela gloriosa intercesso da Virgem Me de nosso Senhor Jesus Cristo, e por tudo que  de Deus e da  Me Santssima, tanto no cu como na Terra. Eu te conjuro,  tu grande Rei Amaimon, pelos Santos Anjos e Arcanjos, e por todas as ordens abenoadas de espritos, pelos santos patriarcas e profetas, e por todos os santos mrtires e confessores, por todas as virgens santas e vivas inocentes, e por todos os Santos de Deus." 
	Muito similar a este ritual  o que se segue, transcrito de A Chave de Salomo, o Rei. Trata-se, entretanto, de uma invocao cabalstica, no contendo quaisquer elementos. O principal ponto a despertar interesse  que depois do promio, cada pargrafo  uma conjurao por e atravs do nome e poder de cada uma das Sephiroth da rvore da Vida. Este ritual  o primeiro ritual evocatrio da Chave, o segundo sendo muito semelhante realmente  segunda conjurao da Gocia. 
	" vs Espritos, vs eu conjuro pelo Poder, Sabedoria e Virtude do Esprito de Deus, pelo incriado Conhecimento Divino, pela extensa Misericrdia de Deus, pela Fora de Deus, pela Grandeza de Deus, pela Unidade de Deus, e pelo Nome Santo EHEIEH, que  a raiz, tronco, fonte e origem de todos os outros nomes divinos, da extraindo todos eles sua vida e sua virtude as quais tendo Ado invocado, adquiriu ele o conhecimento de todas as coisas criadas. 
	"Eu vos conjuro pelo nome indivisvel  IOD, que marca e expressa a Simplicidade e a Unidade da Natureza Divina, que tendo Abel invocado mereceu escapar das mos de Caim, seu irmo.  
	"Eu vos conjuro pelo nome TETRAGRAMMATON ELOHIM, que expressa e significa a Grandeza de uma Majestade to sublime, que tendo No o pronunciado, o salvou e protegeu a ele mesmo com toda sua casa das guas do Dilvio. 
	"Eu vos conjuro pelo nome do Deus EL forte e prodigioso, que denota a Misericrdia e Bondade de Sua Majestade Divina, que tendo Abrao o invocado, foi julgado digno de vir da ur dos caldeus. 
	"Eu vos conjuro pelo mais poderoso nome de ELOHIM GIBOR, que exibe a fora de Deus, de um Deus todo-poderoso, que pune os crimes dos perversos, que busca e castiga as iniqidades dos pais sobre os filhos at a terceira e quarta geraes; que tendo Isaque invocado, foi julgado digno de escapar da espada de Abrao, seu pai.
	"Eu vos conjuro e vos exorcizo pelo nome mais santo de ELOAH VA-DAATH, que Jac invocou quando mergulhado em grande problema, e foi julgado digno de ostentar o nome de Israel, que significa Vencedor de Deus, e foi libertado da fria de Esa, seu irmo. 
	"Eu vos conjuro pelo nome mais potente de EL ADONAI TSABAOTH, que  o Senhor dos Exrcitos, governando nos Cus, que Jos invocou, e foi julgado digno de escapar das mos de seus Irmos. 
	"Eu vos conjuro pelo nome mais potente de ELOHIM TSABAOTH, que expressa piedade, misericrdia, esplendor e conhecimento de Deus, o qual foi invocado por Moiss, ele foi julgado digno de libertar o povo de Israel do Egito, e da servido ao Fara. 
	"Eu vos conjuro pelo mais potente nome de SHADDAI, que significa fazer o bem a todos; e que Moiss invocou e tendo golpeado o Mar, este se dividiu em duas partes ao meio, do lado direito e do esquerdo. Eu vos conjuro pelo mais santo nome de EL CHAI, que  aquele do Deus Vivo, de cuja virtude a aliana conosco e a redeno para ns foram feitas; e que Moiss invocou e todas as guas retornaram ao seu estado prvio e envolveram os egpcios, de modo de nenhum  deles escapou para levar as notcias  terra de Mizraim. 
	"Finalmente, eu vos conjuro todos, vs Espritos rebeldes, pelo mais Santo Nome de Deus ADONAI MELEKH, que Josu invocou e interrompeu o curso do Sol em sua presena atravs da virtude de Methraton, sua principal Imagem; e pelas tropas de Anjos que no cessam de chorar dia e noite, QADOSCH, QADOSCH, QADOSCH, ADONAI  ELOHIM  TSABAOTH, que  Santo, Santo, Santo, Senhor-Deus das Hostes, Cu e Terra esto repletos de Tua Glria; e pelos Dez Anjos que presidem s Dez Sephiroth, pelas quais Deus comunica e estende Sua influncia sobre coisas inferiores, as quais so Kether, Chokmah, Binah, Gedulah,* Geburah, Tiphareth, Netsach, Hod, Yesod e Malkuth. 
* Ou  Chesed.  (N. T.) 
	"Eu vos conjuro novamente,  Espritos por todos os Nomes de Deus e por todas Suas obras maravilhosas; pelos cus; pela Terra; pelo mar; por toda a profundidade do Abismo e por aquele firmamento que o prprio Esprito de Deus moveu; pelo sol e pelas estrelas; pelas guas e pelos mares e tudo neles contido; pelos ventos, os remoinhos e as tempestades; pelas virtudes de todas as ervas, plantas e pedras; por tudo que est nos cus, sobre a Terra e em todos os Abismos das Sombras. 
	"Eu vos conjuro novamente e vos incito poderosamente,  Demnios, em qualquer parte que vs podeis estar, que sejais incapazes de permanecer  no ar, fogo, gua e terra ou em qualquer parte do universo ou em qualquer stio agradvel que possa vos atrair, mas que vs venhais prontamente cumprir nosso desejo e todas as coisas que exigimos de vossa obedincia. 
	"Eu vos conjuro novamente pelas duas Tbuas da Lei, pelos cinco livros de Moiss, pelas Sete Lmpadas Ardentes no Castial de Deus ante a face do Trono da Majestade de Deus, e pelos Santo dos Santos onde se permitiu a entrada apenas a KOHEN HA-GODUL, ou seja, o Alto Sacerdote. 
	"Eu vos conjuro por Aquele que criou os cus e a Terra e que mediu esses cus no oco de Sua mo e encerrou a Tera com trs de Seus dedos, que est sentado sobre o  Querubim e sobre o Serafim e junto ao Querubim, que  chamado de Kerub, que Deus constituiu e colocou para guardar a rvore da Vida, armado de uma espada flamejante, depois que o Homem tinha sido expulso do Paraso. 
	"Eu vos conjuro novamente, Apstatas de Deus, por Ele que sozinho executou grandes maravilhas, pela Jerusalm celestial; e pelo Mais Santo Nome de Deus em Quatro Letras, e por Aquele que ilumina todas as coisas e brilha sobre todas as coisas pelo seu Nome Venervel e Inefvel, EHEIEH ASHER AHEIEH, que vinde imediatamente para realizar nosso desejo, qualquer que seja ele. 
	"Eu vos conjuro e vos ordeno em absoluto,  Demnios, em qualquer parte do Universo que podeis estar, pela virtude de todos estes Nomes Santos: ADONAI, YAH, HOA, EL ELOHA, ELOHINU, ELOHIM, EHEIEH, MARON, KAPHU, ESCH, INNON, AVEN, AGLA, HAZOR, EMETH YIII ARARITHA, YOVA HAKABIR MESSIACH, IONAH MALKA, EREL KUZU, MATZPATZ, EL SHADDAI; e por todos os Nomes Santos de Deus que foram escritos com sangue no sinal de uma eterna aliana. 
	"Eu vos conjuro novamente por estes outros nomes de Deus, Santssimos e desconhecidos, por virtude dos quais vs tremeis todos os dias: BARUC, BACURABON, PATACEL, ALCHEEGHEL AQUACHI, HOMORION, EHEIEH, ABBATON, CHEVON, CEBON, OYZROYMAS, CHAI, EHEIEH, ALBAMACHI, ORTAGU, NALE, ABELECH, YEZE; que vs venhais rapidamente e sem demora  nossa presena de toda regio e todo clima do mundo em que vs podeis estar, para executar tudo que ns ordenaremos no Grande Nome de Deus. "
	A  de Occulta Philosophia de Agrippa contm vrios rituais curtos para uso dirio, sendo cada um especfico para a evocao das entidades que se conformam aos dias. O ritual para domingo, por exemplo, : 
	"Eu vos conjuro e vos confirmo, vs poderosos e santos anjos de Deus, no nome Adonai, Eye, Eye, Eya que Aquele que era e , e  para vir Eye, Abray; e no nome Saday, Cados, Cados, Cados, sentado nas alturas sobre o querubim; e pelo grande nome do prprio Deus, forte e poderoso que  exaltado acima de todos os cus; Eye, Saraye, que criou o mundo, os cus, a terra, o mar e tudo que neles existe no primeiro dia e os selou com seu santo nome Phaa; e pelo nome dos anjos que governam no quarto cu, e servem diante do sumamente poderoso Salamia, um Anjo grandioso e honorvel; e pelo nome de sua estrela, que  Sol, e pelo seu signo, e pelo nome imenso do Deus Vivo e por todos os nomes j ditos, eu conjuro a ti, Miguel,  grande Anjo, que s o principal regente deste dia; e pelo nome Adonai, o Deus de Israel, eu te conjuro,  Miguel, para que trabalhes para mim e satisfaz todas minhas peties de acordo com minha vontade e desejo em minhas causas e negcios."
	Quando durante a cerimnia de evocao h sinais aparentes de que a manifestao do esprito est ocorrendo, quando a fumaa do incenso rodopia na direo do tringulo e assume uma forma tangvel, uma orao ou  boas vindas aos espritos deve ser recitada. A forma recomendada por Barrett : 

	"BERALANENSIS, BALDACHIENSIS, PAUMACHIA e APOLOGIA SEDES, pelos mais poderosos reis e poderes, e os mais poderosos prncipes, gnios, Liachidae, ministros da sede tartrea, prncipe-chefe da Sede de Apologia, na nona regio, eu vos invoco e vos invocando, vos conjuro; e estando armado de poder proveniente da suprema Majestade, eu vos ordeno com rigor, por Aquele que falou e se fez e ao qual esto submetidas todas as criaturas; e por este nome inefvel, Tetragrammaton Jehovah, que sendo ouvido os elementos so derrubados, o ar  agitado, o mar retrocede, o fogo  extinguido, a terra treme, e toda a hoste dos seres celestiais, terrestres e infernais de fato tremem conjuntamente, e so transtornados e confundidos, por conseguinte, incontinenti, e sem demora, vinde de todas as partes do mundo, e dem respostas racionais a todas as coisas que indagarei; e vinde pacfica, visvel e afavelmente agora, sem demora, manifestando o que desejamos, sendo conjurados pelo nome do Deus vivo e verdadeiro, Helioren, e cumpra o que ordenamos, e persisti at o fim e em conformidade com nossas intenes, visvel e afavelmente a ns falando com voz clara, inteligvel e sem qualquer ambigidade."
	No mesmo livro, Francis Barrett nos apresenta uma outra breve alocuo a ser recitada quando a manifestao da entidade necessria  concluda; isto  quando o  esprito fica perfeitamente claro e visvel no tringulo. 
	"Contemplai o pantculo de Salomo que eu trouxe a vossa presena; contemplai a pessoa do exorcista no meio do exorcismo, que  armado por Deus, sem medo, e bem provido, que com poder vos invoca e vos chama exorcizando; vinde, portanto, com velocidade, pela virtude destes nomes: Aye, Saraye, Aye Saraye: no retardai vossa vinda, pelos nomes eternos do Deus vivo e verdadeiro, Eloy, Archima, Rabur e pelo pantculo de Salomo aqui presente que poderosamente impera sobre vs; e por virtude dos espritos celestiais, vossos senhores; e pela pessoa do exorcista no meio do exorcismo; sendo conjurado apressai-vos e vinde e obedecei ao vosso mestre, que  chamado Octinomos. Preparai-vos para ser obedientes ao seu mestre em nome do Senhor, Bathat ou Vachat investindo sobre Abrae, Abeor vindo sobre Aberer."
	Quando todas as questes do exorcista forem devidamente respondidas pelo esprito evocado, e todos os desejos do mago tiverem sido to satisfeitos que no haver mais necessidade de ret-lo no tringulo de manifestao, dever-se- dar a licena de partida do cenrio de evocao. O procedimento costumeiro consiste em recitar uma Licena de Partida e a forma de Licena indicada e  A Chave de Salomo, o Rei   a seguinte: 
	"Por virtude destes pantculos e porque vs fostes obedientes e acataram aos mandamentos do Criador, senti e inalai este odor agradvel e depois parti para vossas moradas e retiros; que haja paz entre ns e vs; estejai sempre prontos para vir quando fordes citados e convocados; e que possa a bno de Deus, na medida em que sois capazes de receb-la, estar sobre vs contanto que sejais obedientes e bem dispostos a vir a ns sem ritos solenes e observncias de nossa parte."
APNDICE   -  LIVROS RECOMENDADOS PARA ESTUDO
The Candle of Vision, A. E. (Macmillan & Co., 1918)
Mysteries of Magic, liphas Lvi (Londres, 1897)
The Secret Doctrine, H. P. Blavatsky 
The Holy Kaballah, Arthur Edward Waite  (Williams & Norgate, 1926)
Raja Yoga, Swami Vivekananda
Introduction to the Study of the Kaballah, W. W. Westcott
The Chaldaean Oracles, W. W. Westcott
Equinox, Aleister Crowley  (edio privada, 1909 - 1914)
Magick, Master Therion  (Lecram Press, Paris, 1929)
The Egyptian Book of the Dead
The Sacred Magic,  S. L. MacGregor Mathers  (Redway, 1889) 
The Key of Solomon the King (Redway, 1889)
The Ocean of Theosophy, Wm. Q. Judge
The Mysteries, Jmblico  (Trad. Thomas Taylor)
The Gods of the Egyptians, E. A. W. Budge  (Methuen, 1904)
Mystical Hymns of Orpheus  (Trad. Thomas Taylor)

SEGUNDA PARTE 
"SENTADO EM SUA CADEIRA VOC PODE VIAJAR MAIS DO QUE COLOMBO JAMAIS O FEZ E PARA MUNDOS MAIS NOBRES DO QUE AQUELES QUE OS OLHOS DELE CONTEMPLARAM. NO EST CANSADO DE SUPERFCIES? VENHA COMIGO E NOS BANHAREMOS NA FONTE DA JUVENTUDE. POSSO INDICAR-LHE O CAMINHO PARA O ELDORADO." 
Candle of Vision - A. E.
CAPTULO VI
O propsito e a funo da magia devem agora estar absolutamente claros. Trata-se de uma cincia espiritual.  um sistema tcnico de treinamento que tem um objetivo mais divino do que mundano e terrestre. Se alguns observadores casuais pensam que o teurgo se ocupa exclusivamente de coisas objetivas, isso ocorre apenas porque  atravs delas e dos numenos que simbolizam que ele  capaz de alcanar seus fins. O equipamento utilizado pelo mago no  o nico recurso empregado por ele e nem o nico instrumento para os seus fins, embora o aspecto invisvel de suas operaes no pudesse jamais ser compreendido pelo profano sem elucidao. Todas as coisas, fsicas e mentais, tinham necessariamente que entrar em seu trabalho, e no foi com a finalidade de ludibriar seja a si mesmo seja aos seus adeptos que o mago se cercou com o que pode ser considerado um "aparato de palco" extremamente impressionante de bastes, taas, incensos, perfumes, sinais e smbolos estranhos, sinos e sonoras invocaes brbaras. Foi se referindo aos smbolos e sigillae que Jmblico escreveu que "...eles (teurgos), imitando a natureza do universo e a energia produtiva dos deuses, exibem certas imagens mediante smbolos de inteleces msticas, ocultas e invisveis, tal como a natureza... expressa razes invisveis atravs de formas invisveis. ...Conseqentemente, os egpcios, percebendo que todas as naturezas superiores se regozijam com a imitao dos seres inferiores em relao a eles, e assim d esejando acumular de bem os seres inferiores atravs da maior imitao possvel das naturezas superiores, muito apropriadamente demonstram um tipo de teologizao adaptado  doutrina mstica ocultada nos smbolos". Isso, entretanto, no consegue de modo algum responder adequada e satisfatoriamente  pergunta ordinria, a saber, por que o mago  equipado de tais "adereos" como o manto, o sino e o crculo, todos eles inteiramente incompreensveis para o indivduo mdio, um tanto inconsistent es e com grande ressaibo de charlatanismo? Esse parecer , claro est, completamente incorreto. Com efeito, seria to errneo e to injustificvel quanto acusar um fsico de charlatanice porque em seu laboratrio possui diversos microscpios de diferentes capacidades, providos de mecanismos, tubos e lminas, e porque tem sobre sua escrivaninha um monte de papis contendo frmulas fsicas e matemticas incompreensveis. Estes so apenas meios pelos quais o fsico passa a compreender germes, bacilos, organi smos microscpicos e assim por diante no estudo do qual se ocupou. Os instrumentos mgicos so, do mesmo modo, os meios - igualmente incompreensveis para o leigo - pelos quais o mago se capacita a compreender a si mesmo e comungar com as partes invisveis da natureza, nem por isso menos reais. J definimos a magia como a cincia que tem como objetivo prprio o treinamento e fortalecimento da vontade e da imaginao. Mais do que qualquer outra coisa,  o pensamento e vontade o qu e realmente conta na magia, e a hiptese mgica  que seja pelo uso dos instrumentos da arte e os sigillae com os quais o teurgo se cerca em seu trabalho cerimonial que essa ampliao das faculdades criativas  obtida. liphas Lvi  muito preciso quanto a esse ponto e observa que "...cerimnias, vestes, perfumes, caracteres e figuras sendo necessrios como dissemos para empregar a imaginao na educao da vontade, o sucesso das operaes mgicas depende da fiel observncia de todo ri to". E tambm, poder-se-ia acrescentar, da presena e uso preciso de todos os sigillae corretos. Hierticos, sugestivos e bastante impressivos, o importante acerca desses instrumentos e vestes, sinais e smbolos,  que se trata de smbolos que representam ou uma fora oculta inerente ao homem, ou uma essncia ou princpio que se obtm como uma fora mvel inteligente no universo. Sua inteno primria  promover uma corrente automtica de pensamento harmonioso ou um mpeto irresistvel na imaginao que exaltaro o ser do mago na direo disposta pelo carter da cerimnia e pela natureza individual dos smbolos. 
Em sntese, o ritual mgico  um processo mnemnico arranjado de modo a resultar no deliberado regozijo da vontade e na exaltao da imaginao, sendo sua finalidade a purificao da personalidade e o atingimento de um estado espiritual de conscincia no qual o ego se une ou com seu prprio eu superior ou com um deus. Esse objetivo nico de qualquer cerimnia particular  constantemente indicado por cada ato, palavra e pensamento. Mesmo os sigillae so difer entes para cada cerimnia de sorte a indicar seu propsito nico, e um tipo de smbolo  aplicvel somente  invocao de uma espcie de essncia universal. "No h nada...", acreditava Jmblico "que no mais nfimo grau esteja adaptado aos deuses para o qual os deuses no estejam imediatamente presentes e com o que no estejam conjugados." Para o assalto da Cidade Santa todo sentido e toda faculdade so deliberadamente mobilizados e toda a alma individual do operador tem de to mar parte na ao. Cada uma das vrias fumigaes, cada mnimo detalhe do banimento, invocao e circumpercurso , de fato, para servir de lembrete do propsito nico que exclusivamente existe para o mago, um meio tanto de concentrao de seus poderes como de exaltao. Quando smbolo aps smbolo afetaram sua conscincia, quando emoo aps emoo foram despertadas para estimular a imaginao do mago, ento advm o supremo momento orgistico. Todo nervo do corpo, todo canal de fora da mente e da alma s o estirados num avassalador espasmo de felicidade, um transbordamento esttico da vontade e a totalidade do ser na direo predeterminada. 
Toda impresso, por meio do mtodo cabalstico de associao de idias,  tornada o ponto de partida de uma srie de pensamentos conectados resultando na suprema idia da invocao. Quando, durante uma cerimnia, o teurgo permanece no interior de um octgono, os nomes em torno do crculo, as oito velas ardendo vivamente fora, a predominncia da cor laranja, a elevao do incenso estoraque numa coluna delgada de nvoa a partir do incensrio, tudo sugerir o significado de Mercrio e Her mes  sua mente. O misticismo de ordinrio considera os sentidos como barreiras  luz da alma e que a presena da luz tem sua manifestao impedida devido  influncia sedutora e  turbulncia dos sentidos e da mente. Na magia, contudo, considera-se que os sentidos, quando controlados, so os portais dourados atravs dos quais o Rei da Glria pode entrar. Na operao invocatria, todo sentido e toda faculdade tm que participar. "O entendimento precisa ser formulado por sinais e resumido por caracteres ou pentculos. A vontade tem que ser determinada por palavras e estas por atos. A idia mgica tem que ser traduzida em luz para os olhos, harmonia para os ouvidos, perfumes para o olfato, sabores para a boca e formas para o tato." Essa citao de liphas Lvi exprime adequadamente de que maneira o homem integral tem que participar dos ritos tergicos. Visto que o ritualista egpcio proferia que no h nenhuma parte dele que no seja dos deuses, a utilizao dos sentidos e poderes da mente num ritual bem ordenado constitui o mtodo ideal de invocao dos deuses. Toda parte individual do homem, cada sentido e poder precisam ser trazidos  esfera do rito em que tomam parte.  nossa preocupao, normalmente, com as perptuas exigncias independentes do corpo, da mente e das emoes que nos cegam para a presena desse princpio interior, a nica realidade da vida interior. Da um dos requisitos do ritual ser ele ou ocupar plenamente ou tranqilizar essas pores particulares do ser d e algum, de sorte que a unio transcendental com o daimon no sofra interferncia. O sistema elaborado de formas de divindade, vibrao de nomes divinos, gestos e sinais, assinaturas de espritos, a preeminncia de smbolos geomtricos e perfumes penetrantes, alm de seu propsito ostensivo de invocar a idia desejada  manifestao, fornecem esse motivo auxiliar. Ocupar plenamente a ateno de cada um dos princpios inferiores ou vivific-los  uma das funes do ritual, deixando a alma livre par a ser exaltada e fazer seu caminho voando at o fogo celestial, onde finalmente  consumida por completo para renascer em felicidade e espiritualidade. Num certo sentido, o efeito do ritual e da cerimnia  manter os sentidos e veculos comprometidos cada um com sua tarefa especfica, sem distrair a concentrao superior do mago. E, ademais, ele os separa ao atribuir uma tarefa definida a cada um. Assim, quando o momento da exaltao chega, quando o casamento mstico  consumado, o ego  despido, despojad o inteiramente de todos os seus invlucros, deixado livre para virar-se para a direo que lhe aprouver. Ao mesmo tempo, a mais importante funo da cerimnia  realizada, tendo sido promovida no corao do operador uma intoxicao to intensa a ponto de servir como o ponto preliminar para o xtase da unio com o deus ou anjo. 
De um outro ponto de vista, o efeito do ritual e do aparato  criar de maneira plena na imaginao do mago atravs dos canais dos sentidos uma idia que - em virtude de sua realidade, iluminao e poder supremos quando evocada - tenha sido chamada de deus ou esprito. Essa  a posio subjetiva que, por antecipao, foi esboada numa pgina anterior. "Todos os espritos e, por assim dizer, as essncias de todas as coisas, jazem ocultos em ns e nascem e s o gerados somente pela atuao, poder (vontade) e fantasia* (imaginao) do microcosmo**." Barrett, nessa sentena citada, argumenta que se pode razoavelmente supor que os deuses e as hierarquias de espritos sejam simplesmente facetas previamente desconhecidas de nossa prpria conscincia. A sua evocao ou invocao pelo mago no so certamente incomparveis a um estmulo de alguma parte da me nte ou imaginao, resultando em xtase, inspirao e expanso da conscincia. A observao e experincia de teurgos, levadas a cabo num longo perodo de tempo, mostraram mais ou menos que entre certas palavras, nmeros, gestos, perfumes e formatos que em si no so particularmente significativos, ocorre uma relao natural peculiar. A imaginao  um agente criador poderoso, e quando estimulada de vrias maneiras suas criaes assumem uma aparncia da mais elevada realidade. Qualquer idia ou pensamento rudimentar ou latente na imaginao - ou como os teurgos preferem, esprito - pode ser convocada ou criada dentro da conscincia individual pelo uso e combinao daquelas coisas que lhe so harmoniosas, expressando fases particulares de sua natureza ou simpatias com sua natureza. Pouco importa se para descrev-lo empreguemos os arcasmos dos filsofos medievais, a linguagem de laboratrio do psicanalista ou o mundo de sonho e fantasia do poeta. Podemos cham-lo de liberao do inconscient e, de restaurao do crepsculo da memria da raa, ou podemos ousar ser suficientemente corajosos para usar a retumbante palavra antiquada "invocao" ou inspirao. As palavras no so nada, o fato  tudo. Tal como as letras "c, , o", que em si mesmas e isoladas umas das outras carecem de qualquer importncia em particular, quando combinadas exprimem a idia de co, do mesmo modo palavras mgicas, incensos, pentculos e o estmulo da vontade podem produzir dentro da im aginao uma idia de grande poder. Na verdade, to poderosa essa criao pode se revelar que  possvel que confira inspirao, iluminao e reaja para grande proveito para a mente humana. 
* ????????, imaginao em grego. (N. T.) 
** Magus, de Francis Barrett. 
Quero agora considerar os vrios acessrios usados. Perfumes e incensos sempre foram utilizados nos ritos mgicos e os antigos taumaturgos fizeram um estudo especial da reao fsica e moral causada pelos distintos odores. Seu emprego no cerimonial tem tripla finalidade. Em algumas operaes por vezes  necessrio suprir um veculo ou base materiais ao esprito que se manifesta. Quantidades dos incensos apropriados so queimadas, de modo que a partir das densas partculas que fl utuam como uma pesada nuvem esfumaada na atmosfera uma base ou corpo fsicos possam ser construdos pelo esprito evocado para serem usados como veculo temporrio. Ademais, perfumes so oferecidos como oferendas aromticas ou sacrifcio ao prprio esprito ou anjo, variando o incenso em funo de cada classe de inteligncia. Benjoim e sndalo so empregados para espritos venusianos, flor de noz-moscada e estoraque para os mercurianos, enxofre para os saturnianos, glbano e canela para as foras solares , e assim por diante. Em terceiro lugar, h o bastante importante efeito intoxicante dos incensos potentes e penetrantes na prpria conscincia, um incenso em separado sendo indicado para acompanhar a invocao de cada divindade. Existe ainda uma outra interpretao do uso dos incensos. Cada letra do alfabeto hebraico lhe atribuiu um grande nmero de correspondncias, envolvendo espritos, inteligncias, cores, gemas, idias e os prprios incensos. Tomando-se as letras no nome de um esprito e consultando -se as autoridades adequadas, um composto de incensos poder ser confeccionado, o qual exprimir atravs do sentido do olfato o nome do esprito. To-somente a partir desse composto de perfumes poder o esprito apropriado ser sugerido na imaginao e convocado pelos ritos adequados. Resta pouca dvida a respeito da sugesto essencial desses perfumes, visto que mesmo para indivduos comuns alguns incensos so decididamente sedutores e excitantes, como  o caso do almscar e do patchuli, havendo ainda outr os sobremaneira fragrantes e generosos, e outros que possuem efeito sedativo e tranqilizante. 
Quanto ao som, seu poder formativo  mais ou menos bem conhecido e ser abordado um pouco mais detalhadamente numa pgina posterior em conexo com os chamados "nomes brbaros de evocao". De momento basta dizer que o som est vinculado  lei da vibrao, cujas foras so suficientemente poderosas para desintegrar ou construir novamente qualquer forma para a qual se dirija a vibrao. O egiptlogo Sir E. A. Wallis Budge observou que os sacerdotes egpcios conferiam a m aior importncia s palavras pronunciadas sob certas condies. Na verdade, toda a eficcia das invocaes tergicas parece ter dependido da maneira e do tom de voz nos quais as palavras eram proferidas. Invocao, diz Jmblico, " a chave divina que abre aos homens o santurio dos deuses; nos acostuma aos rios esplndidos de luz superior; e num curto perodo os dispe ao abrao e contato inefveis dos deuses; e no desiste at que nos erga ao topo de tudo*." 
* Os Mistrios, Jmblico. 
O sacramento do sentido do paladar constitui um problema mais complexo. Sua base racional como eucaristia corresponde simplesmente a isso. Uma substncia  cerimonialmente consagrada e nomeada segundo um princpio espiritual que mantm com ela uma especial afinidade. Uma hstia de trigo teria estreita afinidade com Ceres ou Persfone; o vinho com Baco e Dionsio. Algumas substncias se harmonizaro mais com inteligncias jupiterianas ou mercurianas do que outras. O estudo do alf abeto mgico capacitar o aprendiza certificar-se do que deve ser usado. Assim nomeada, a substncia  carregada mediante a invocao daquela presena divina, e sendo consumida se prev que atravs da assimilao dos elementos o deus ou a essncia divina invocada invariavelmente encarna no ser do mago por meio da substncia consagrada. Esta encarnao  uma outra forma da unio do teurgo com o deus, unio que segundo a definio das autoridades antigas  um dos aspectos mais importantes da magia. Essa esp cie particular de unio, se continuada por um certo perodo de tempo, auxilia a comunho com as essncias divinas,  medida que os veculos se tornam mais refinado e mais altamente sensveis  presena do deus. 
No que concerne ao sentido da viso, ser necessrio abordar mais minuciosamente os diferentes smbolos usados. Alguns desses smbolos so, naturalmente, comuns a toda cerimnia, enquanto que outros dizem respeito estritamente a uma cerimnia particular. Por exemplo, a espada  uma arma marcial  qual se atribui um papel numa operao devotada  invocao de Hrus e Marte. Numa cerimnia preparada, digamos, para a invocao de Afrodite ou sis, a espada nada teria com comum e estaria e m total desarmonia com a natureza dessas deusas, de modo que todo o procedimento daria em nada. Um acessrio como a rosa, que expressa amor e a declarao da natureza de ser como graa a filha de Deus, seria sumamente apropriado numa cerimnia em que o teurgo deseja desenvolver suas emoes mais elevadas. Mas na operao para invocar a Senhora Maat, a rainha da verdade, a rosa no teria lugar algum. 
O principal smbolo comum a toda operao  o crculo mgico. Por definio, essa figura encerra um espao confinante, uma limitao, separando aquilo que est dentro daquilo que est fora. Pelo uso do crculo, o mago afirma que no interior dessa limitao auto-imposta ele confina seus esforos; que ele se limita  consecuo de um fim especfico e que no est mais num labirinto de iluso e mudana perptua como um viandante cego sem meta, objetivo ou aspirao. O crculo, alm de ser, como  evidente, o smbolo do infinito, tipifica tambm a esfera astral do mago que, num certo sentido,  a conscincia individual, seu universo, fora do qual nada pode existir. Nesse sentido, a ttulo de recurso de explicao, a teoria do idealismo subjetivo se mostra novamente conveniente. O crculo no qual o mago est encerrado representa seu cosmos particular; a conquista auto-inaugurada desse universo faz parte do processo de consecuo de completa autoconscincia. J que o cosmos  u ma criao do ego transcendental,  medida que um mago amplia o alcance de seu universo, familiarizando-se com sua estrutura e diversidade, muito mais se aproximar ele da auto-realizao. De um outro ponto de vista, o crculo pode ser considerado o Ain-Sof e o ponto central do crculo o eu, cuja funo  expandir a si mesmo para incluir a circunferncia e se tornar, tambm, o infinito. 
Em torno desse crculo so inscritos nomes divinos. Muitos deles sero diferentes em funo da natureza de cada cerimnia e  com o poder e influncia ingnitos inerentes aos nomes que o mago conta como uma proteo contra os viciosos demnios externos - os pensamentos hostis de seu prprio ego. A meno dos nomes de guarda em torno do crculo levanta a questo do processo de proteo do crculo astral interno, o universo da conscincia, e como uma proteo adequada para a esf era astral bem como para o crculo externo pode ser obtida. No basta para o mago que pinte os nomes divinos na circunferncia do crculo sobre o cho de seu templo; isto no passa de uma parte do processo efetivo e um signo visvel externo de uma graa espiritual interior. Para que se produza um crculo astral que ser to inexpugnvel quanto uma fortaleza de ao da qual o crculo pintado ser um digno smbolo, banimentos devero ser executados durante meses vrias vezes por dia. A consagrao e invocao implcitas no ritual de banimento devem ser insistentemente realizadas dias aps dia, e uma sutil substncia espiritual proveniente de planos mais elevados infundida na esfera astral, tornando-a elstica e rutilante com coruscaes de luz. Essa aura agudamente resplandecente constitui o crculo mgico real do qual o crculo visvel no cho do templo  apenas um smbolo terreno. 
No seria inoportuno tecer mais algumas observaes sobre o crculo mgico com o fito de esclarecer a posio real da magia contra o oprbrio lanado por William Q. Judge - um dos fundadores da Sociedade Teosfica com Madame Blavatsky em 1875 - em suas Notas acerca do Bhagavad Gita. William Q. Judge acalenta a iluso nesse trabalho, como o fazem tantos outros escritores alhures, de que todas as operaes mgicas so exclusivamente devotadas  evocao de elementais. Que essa  uma hiptese errnea me esforarei neste livro para mostrar. No  em absoluto incogitvel, entretanto, que Judge tenha dado essa interpretao com a finalidade de conter os irmos mais fracos, afast-los do perigo e da intromisso em coisas que esto alm deles. Judge exprime a crena de que o uso do crculo como um dispositivo de proteo para impedir o ingresso de demnios e outras entidades astrais se deve ao medo deles, e ele conclui acertadamente que o medo  o produto da ignorncia, que muito corretamente ele deplora. Teoricamente, essas observaes so todas excelentes e plausveis. A ignorncia d origem, de fato, ao medo e se encontra na raiz do fracasso e de uma larga quantidade de problemas. Na vida do dia-a-dia, contudo, censuramos e proibimos o uso da profilaxia cirrgica e dos dispositivos de desinfeco alegando como razo que eles tm suas razes no medo da infeco? Devem as caladas e os passeios serem abolidos e eliminados de nossas ruas porque so eloq entes lembretes e expresses de nosso pavor com relao aos acidentes automobilsticos? Na realidade, todo o argumento nesse sentido  um absurdo. Num caso ou noutro, ele encerra uma total falta de compreenso da natureza, propsito e funo do crculo. Quando se prev o perigo a partir de qualquer fonte, naturalmente tomam-se medidas que se acha que o evitaro, estando alm da questo todas as idias de medo e ignorncia, o que constitui a razo da existncia da humanidade sobre a Terra atualmente. Se , por exemplo, estou envolvido numa cerimnia que tem por objeto a invocao de meu Santo Anjo Guardio, deverei eu permanecer satisfeito por ter minha mente, minha alma e a esfera de operao em geral invadida por uma hoste de entidades abjetas, os mais baixos habitantes do plano astral que, sem dvida, seriam atrados pelas influncias magnticas que emanam de meu crculo? Agir assim arruinaria todos os meus esforos, condenando de antemo a operao, se executada cerimonialmente, a um fracasso sinistro . E como se no bastasse, a obsesso poderia ser o resultado, estando-se muito distante do propsito original do trabalho. A funo do crculo  simplesmente estabelecer um limite espacial dentro do qual o trabalho espiritual possa proceder sem interferncias e sem o medo da intruso de foras demonacas e estranhas. De qualquer modo, ingressar numa carreira de mago com medo covarde no corao  simplesmente atrair problemas. E h geralmente problemas suficientes ao longo de nossa vida normal sem que tenh amos que assumir o herosmo de pedir mais. 
((ilustr. UM CRCULO MGICO))
Indicando a natureza do trabalho, dentro do crculo  geralmente inscrita uma outra figura geomtrica, como um quadrado, um octgono, uma cruz-tao ou um tringulo. Um figura de cinco pontas denotar uma operao marcial e representa o imprio da vontade sobre os elementos. Um octgono indicar trabalho cerimonial de uma natureza mercuriana, j que o oito  o nmero de Hod, a Sephira  qual Mercrio  atribudo. Erigido no interior dessa figura, com o o fundamento de todo o trabalho do mago, o smbolo da vontade inferior, est o altar sobre o qual esto arrumados os instrumentos mgicos a serem empregados.  o centro fundamental do trabalho do mago, o piv ao qual ele retorna repetidamente depois do circumpercurso. Esse altar deve ser construdo de tal maneira que sua forma e tamanho e os prprios materiais de que  construdo estejam todos de acordo com os princpios fundamentais da Cabala, servindo assim para lembrar o mago do trabal ho em pauta. O cedro, por exemplo, se empregado na construo do altar, produziria uma associao imaginativa com Jpiter, enquanto que o carvalho  uma atribuio de Marte. A madeira do loureiro ou a accia, ambas atribudas a Tiphareth, se harmonizariam, entretanto, com qualquer tipo de operao na medida em que Tiphareth e suas correspondncias simbolizam harmonia e equilbrio. Este altar deve ser feito de tal maneira que possa atuar como um armrio no interior do qual todos os in strumentos possam ser conservados e guardados com segurana. Relativamente a esta regra geral, h, contudo, uma exceo. A lmpada tem sempre que estar suspensa sobre a cabea do teurgo, no devendo jamais ser mantida dentro do armrio do altar. Em todo sistema ela simboliza o brilho no ofuscado do Eu superior, o Santo Anjo Guardio a cujo conhecimento e conversao o teurgo aspira to ardentemente. Sempre que essa lmpada estiver brilhando, iluminando o trabalho mgico, a operao manter o selo imortal da legitimidade e a permanente sano e aprovao, por assim dizer, do Esprito Santo. Ademais, o azeite consumido por essa lmpada  azeite de oliva, sagrado a Minerva, a deusa da sabedoria. 
Essas armas, as chamadas armas elementares, so arrumadas no topo do altar antes da operao. Consistem do basto, da espada ou adaga, da taa e do pantculo, representando as letras do Tetragrammaton e os quatro elementos dos quais toda a gama de heterogeneidade do cosmos foi constituda. O basto  atribudo ao elemento fogo; a taa  gua, enquanto que a espada  atribuda ao ar, o pantculo simbolizando a fixidez e a inrcia da terra. No h arma para representao do quinto elemento de coroamento, que  o Esprito ou Akasha, pois esse  invisvel e sua cor ttvica  negro ou ndigo. 
H uma srie de correspondncias que podem se revelar interessantes para o mago. Cada um dos deuses  caracterizado por alguma arma ou smbolo particular que expressa mais clara e perfeitamente do que qualquer outra coisa sua natureza essencial. Assim, quando o mago brande o basto, deve-se conceber que ele assume para si a autoridade e sabedoria de Tahuti ante o conselho de deuses csmicos. Com o cetro ele anuncia sua relao com Maat, a Senhora da Verdade e Soberania, enquanto o mangual ou aoite denota sua autoridade e auto-sacrifcio associando-o de imediato a Osris. 
O basto  a vontade, representando a sabedoria e a presena espiritual do eu criador, Chiah, devendo ser reto e poderoso, uma figura digna de sua fora divina. 
Passiva e receptiva, a taa ou clice  um smbolo verdadeiro do Neschamah do mago, a intuio e compreenso que esto sempre abertas no aguardo do rocio superior que diariamente desce, de acordo com O livro do esplendor, das regies mais elevadas para aquele de alma pura. No cerimonial, a taa  utilizada raramente, e nesse caso somente nas invocaes mais elevadas para conter as libaes. Nas evocaes a taa no desempenha papel algum. 
A espada  arma branca, dura e afiada, e perfurante como o ar que tudo permeia e penetra, sempre num estado de fluxo e movimento perptuos. Por esse smbolo entende-se Ruach, ou a mente, a qual, quando sem treino  voltil e se acha num estado de contnuo movimento, sem estabilidade ou fcil concentrao. Visto que se trata de um instrumento de corte, usado para anlise e dissecao, o banimento da magia cerimonial  sua funo primordial, no devendo jamais ser empregada em t rabalhos que tm como clmax a invocao do mais elevado. 
Arredondado, inerte e construdo de cera, um smbolo adequado da terra, plstico e aguardando o cultivo pela inteligncia, o pantculo  um sinal do corpo, o templo do Esprito Santo, na iminncia de receber mediante os ritos tergicos e telsticos o influxo do esprito divino. Um pantculo, de acordo com Lvi,  um caractere sinttico que resume o dogma mgico total em uma de suas fases especiais.  assim a expresso real de um pensamento completo e ato da vontade;  a assinatura de uma mente. 
O tringulo da arte no qual o esprito evocado  conjurado  manifestao visvel , em si mesmo, um smbolo filosfico perfeito de manifestao. Representando as primeiras manifestaes csmicas ou as trs Sephiroth maiores dos mundos superiores, o tringulo  a representao ideal da gerao, da manifestao em existncia coerente tangvel daquilo que anteriormente era pensamento, invisvel e metafsico. Tal como a primeira trade representa a primeira manifesta o completa do crculo de Ain Sof, do mesmo modo em magia o tringulo  responsvel pela chamada  luz do dia dos poderes da escurido e da noite. " H trs que do testemunho sobre a Terra", e esses trs so as pontas do tringulo, limitadas pelos trs grandes nomes de Deus. Do crculo da conscincia, que  o universo do mago, uma idia partitiva e especial  convocada  manifestao no interior do tringulo. 
O manto usado pelo teurgo representa sua glria interior ocultada. Como no budismo, o manto amarelo usado pelo bhikku simboliza o esplendor dourado de seu corpo solar interior, tornado glorioso por meio do despertar dos poderes superiores, o mesmo ocorrendo com o manto em relao ao mago. A cor deste manto variar dependendo do tipo de operao, vermelha para o trabalho marcial, azul para o trabalho jupiteriano e amarela ou dourada para operaes solares. Os outros smbolos empregados em magia podero agora ser facilmente desenvolvidos pelo leitor. 
Com referncia ao basto, embora muitos magos, inclusive Abramelin, aconselhem que deva ser um instrumento razoavelmente longo, liphas Lvi observa que no deve exceder o comprimento do brao do operador e ser feito de madeira de amendoeira ou aveleira, uma nica fiada do melhor arame de ao atravessando seu centro de extremidade a extremidade. Alguns magos colocam smbolos no pice desse bculo. A cabea da bis ocasionalmente empregada se refere a Tahuti, o Senhor da Sabedoria e pa trono da magia. Um dos melhores smbolos para um basto  um forcado trino de ouro que representa a letra hebraica Shin, cuja significao  aquela do Esprito Santo dos deuses. Outro smbolo  o ltus, o qual, encimando o basto, indica a regenerao e o renascimento que o mago busca realizar. Neste caso, o eixo  pintado de duas cores, a parte inferior de preto e a superior de branco. Bastante similar no que implica ao basto do ltus  aquele coroado por uma fnix, o smbolo tambm da regenera o atravs do fogo. Considerando-se que o basto seja o smbolo da vontade criadora, sua construo deve ser acompanhada por um distintivo exerccio dessa vontade, residindo nesta idia a base racional de muitas das aparentemente absurdas e artificiais prescries apresentadas pelos teurgos em conexo com a aquisio de convenientes armas mgicas. De maneira superficial e  primeira vista, pode parecer que o distrbio relacionado a esses instrumentos seja grosseiro exagero e por demais pueril. Mas se essa opinio for acatada, a idia subjacente e essencial dessas instrues ter que ser descurada. Se, por exemplo, as orientaes de Lvi relativamente ao basto tiverem que ser seguidas, ento esse instrumento deveria ser confeccionado de um galho perfeitamente reto da amendoeira ou aveleira, galho este cortado da rvore sem entalhamento e sem hesitao de um s golpe com uma faca afiada antes do nascer do sol e na estao em que a rvore estiver prestes a florescer. O galho dever ser submetido a um meticuloso procedimento de preparao, sendo despojado de suas folhas e brotos, a casca removida, as extremidades aparadas cuidadosamente e os ns aplainados. Seguem-se a isto vrios outros procedimentos significativos que podem ser confirmados pela consulta de Dogma e Ritual de Alta Magia. O desenvolvimento da vontade est subjacente a todos esses procedimentos. O mago que se incomodou a ponto de se levantar duas ou trs vezes  meia-noite por seu basto, negando-se repouso e sono, ter , pelo prprio fato de assim ter agido, se beneficiado consideravelmente no que diz respeito  vontade. Num tal exemplo, o basto realmente ser um smbolo dinmico da vontade criadora, e so estes smbolos e instrumentos que so necessrios em magia. "O campons que cada manh se levanta s duas ou trs horas e caminha para longe de casa para colher um ramo da mesma planta antes do nascer do sol, pode realizar inmeros prodgios simplesmente portando essa planta consigo, pois ela se t ornar tudo que ele quer que ela seja no interesse dos desejos dele*." 
* Dogma e ritual de Alta Magia, liphas Lvi. 
Procedimentos similares aos mencionados acima no exemplo do basto devem acompanhar a construo das outras armas elementares porquanto elas tm que ser a corporificao visvel da prpria condio de alma e mente do mago, sem o que no produzem efeito como smbolos taumatrgicos. Se a mente do mago, por exemplo, no for perspicaz e analtica, e se essa qualidade no contribuir na confeco da espada, como os espritos elementais e os demnios de face canina obedecero a suas ordens pa ra sarem do crculo de invocao? O clice, tambm, como o smbolo da intuio bem como da imaginao divina, deve, do mesmo modo, ser confeccionado de tal sorte e cercado de tais elevados pensamentos e proezas a ponto de corporificar alguma idia intuicional, ou ostentando no seu exterior um desenho ou palavra de suprema significao, ou exemplificando pelo formato da taa to-somente uma idia divina. Compete a cada leitor decidir de que maneira os outros instrumentos portaro o selo da faculdade ou pr incpio espiritual que esto destinados a representar. 
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Visto que ocorre freqentemente a aluso ao fato de que as duas faculdades principalmente empregadas na magia so a vontade e a imaginao, algumas pginas precisam ser devotadas ao exame dessas, apresentando-se os pareceres de teurgos juntamente com algumas sugestes teis. Um dos mais elevados poderes de que dispomos, um poder to maravilhosamente criativo que chega a ser indescritvel e inexprimvel,  a imaginao. , postula Jmblico, "superior  toda a n atureza e a gerao, atravs dele sendo ns capazes de nos unirmos aos deuses, de transcender a ordem mundana e de participar da vida eterna e da energia dos deuses supercelestiais. Mediante esse princpio, portanto, somos capazes de liberar a ns mesmos do destino". E, no entanto, a maioria das pessoas pensa que essa faculdade  idntica  fantasia e ao devaneio, sendo que qualquer valor definido e consistente que possa possuir  negado. Dificilmente se poderia cometer erro maior. Como a prpria pal avra indica, trata-se de uma faculdade produtora de imagens, um poder criador de imagens que quando desenvolvido pode se mostrar de mxima importncia como auxiliar da alma em sua jornada de avano. O filsofo ctico Hume se refere a ela como uma espcie de faculdade mgica da alma que  sempre perfeita no gnio, sendo propriamente o que chamamos de gnio mesmo. Mesmo o metafsico Immanuel Kant, o inventor da pesada e s vezes rangente maquinaria intelectual a priori, acreditava que se pode falar d o entendimento simplesmente como imaginao que atingiu uma conscincia de suas prprias atividades. A magia prope um desenvolvimento acelerado da alma atravs de uma cultura intensiva na qual a imaginao desempenha um importante papel.  uma caricatura, portanto, e bastante lamentvel considerarmos quo pouco  essa faculdade utilizada, e quo raramente a maioria das pessoas a faz atuar no desenrolar da vida cotidiana. E ainda assim, na realidade, sem ela e os aspectos variados de maravilha e novidade que concede a nossas atividades em todo campo de trabalho, a despeito de paralisada e tolhida pelos sentidos e a mente, nada duradouro e efetivo poderia ser feito. No apenas o poeta, o artista, o msico, o matemtico e o inventor testemunham continuamente e cantam a sua grandeza, j que as realizaes de todos eles se devem ao seu mistrio permanente, como tambm o magnata dos negcios, o administrador e o chefe de Estado necessitam utilizar essa faculdade se quiserem que o sucesso cruze seus caminhos. M ais da metade do sabor rico e colorido da vida est perdida para o homem sem imaginao, enquanto que aqueles que so suficientemente felizes ou sbios para empreg-la muito ativamente colhem o mais agudo prazer possvel ao ser humano. 
O melhor exemplo de imaginao criativa  aquele que constantemente desfila eloqentemente diante de nossos olhos: a brincadeira das crianas. Alguns pedaos de pau e cordo, algumas pedras, um pouco de lama e uma poa d'gua suprem o garoto saudvel normal de toda a matria-prima a partir da qual ele construir em sua prpria mente uma inspiradssima frota de couraados e belonaves somada a um magnfico porto para eles. A boneca mais disforme  geralmente a favorita e a mais bon ita para a garotinha, pois de algum modo o "patinho feio" parece proporcionar mais espao para a imaginao da criana, enquanto que a boneca ricamente vestida de olhos mveis, cabelos louros e bochechas rosadas realmente destri o gume penetrante da imaginao ativa e vvida. Observando as crianas brincando percebe-se com quo poucas propriedades elas so capazes de construir todo um drama bem como uma tragdia comovente. E assim uma pessoa consegue ver poesia num repolho ou numa porca com s eus filhotes, enquanto outra perceber nas coisas mais excelsas apenas seu aspecto mais baixo e rir da harmonia das esferas, e ridicularizar as mais sublimes concepes dos filsofos. A razo de um pintor ser capaz de ver num triste mendigo o tema para uma grande pintura , de maneira semelhante, atribuvel  mesma causa: o mistrio da imaginao. Como podemos explicar o mistrio desse poder criador individual que, por assim dizer saltando sobre ns, se converte no mestre das imagens e das palavr as? Assumindo o controle destas a partir da mente raciocinadora, concede-lhes significados simblicos e mais profundos at que imagens, idias e palavras se movem juntas e se renem, tornando-se um organismo por meio de algum poder formativo transcendental superior a toda razo.  to misterioso realmente quanto o crescimento de um organismo na natureza, no menos maravilhoso que a planta que extrai da terra por meio de algum poder oculto as essncias que transmuta e que torna subservientes a si mesma. < /p> 
Nos sculos passados, na rdua investigao intelectual visando a determinar a raiz fundamental da existncia, os filsofos se acostumaram a formular como lei que a existncia se funda na razo e no pensamento, quer dizer, isso quando no eram monistas materialistas que afirmavam ser a matria a nica realidade. Diversamente, o ponto de vista mgico, como formulado at aqui,  que nem a razo nem o pensamento jazem na raiz das coisas, pois o pensamento  simplesmente um aspecto do prprio cosmos. Trata-se sim de uma essncia espiritual inominvel que no  a mente mas a causa da mente, no o esprito mas a causa da existncia do esprito, no a matria mas a causa  qual a matria deve o seu ser. Explicar o abismo intransponvel entre a razo e o universo concreto constituiu um exerccio severo para a mente filosfica. A principal posio idealista era a de que tal como na lgica a concluso segue rigorosamente os passos da premissa, do mesmo modo o universo  o produto l gico da razo absoluta e seu desenvolvimento segue a deduo de categorias racionais do pensamento. Recentemente, entretanto, um filsofo chamado Fawcett foi presenteado com um lampejo de supremo gnio no momento em que lhe ocorreu que o processo pelo qual o universo se desenvolveu e veio a ser foi um processo criador imaginativo e que a imaginao, no a razo absoluta ou mesmo uma vontade do instinto sempre impelida precipitadamente  manifestao, era a chave da soluo desse des concertante problema filosfico. Ele define essa imaginao como a matria-prima na qual todas as faculdades e atividades humanas tm o seu ser. No desejo registrar aqui minha plena concordncia com todas as concluses de Fawcett, porquanto meus prprios pontos de vista so os da Cabala, expostos com certos detalhes alhures. Mas vale a pena observar que essa sua idia parece em parte concordante com a dos teurgos. Eles postulavam a ideao como a primeira manifestao, que o universo veio a ser gr aas s atividades dessa ideao. Contudo, est claro que nenhum pensamento ou razo como o entendemos era sugerida, mas sim uma faculdade criadora mais abstrata ligada de algum modo  imaginao. A razo  para a imaginao o que a matria  para a forma, o que o instrumento  para o agente, o que o corpo  para o esprito que governa, e o que a sombra  para sua substncia reflexiva.  este poder residente no homem que Blavatsky chama de Kriyasakti, definido em A Doutrina Secreta como "o poder misterioso do pensamento que o capacita a produzir resultados fenomnicos externos, perceptveis por meio da prpria energia que lhe  inerente", e assim sendo parece que estaria tambm estreitamente vinculado  vontade. 
Os rituais e as cerimnias agora considerados simplesmente uma perda de tempo por aqueles que desconhecem como conduzi-los e condenados como incapazes de produzir qualquer efeito real, detinham uma reao sumamente potente quando o simbolismo de cada ao da cerimnia era inteiramente reconhecido e compreendido e quando a imaginao era ampliada e a vontade firmemente concentrada no objetivo a ser realizado. Estando todo o ego humano num estado de excitao te rgica, o Eu superior ou uma Essncia universal descia sobre o ego ou o elevava, o qual se tornava assim um veculo luminoso de um poder supra-humano. 
O que chamamos to casualmente de imaginao no indivduo comum , de acordo com os teurgos de todos os tempos, a faculdade inerente  alma de assimilar as imagens e reflexos do astral divino, e liphas Lvi sugere que por ela mesma e com o auxlio de seu difano ou a imaginao, a alma pode perceber sem a mediao dos rgos corporais os objetos, quer sejam eles espirituais ou fsicos, que existem no universo. Em outras palavras, a imaginao  a viso da alma por meio d a qual ela percebe direta e imediatamente idias e pensamentos de toda espcie. E assim, inclusive, a clarividncia  vista como uma extenso do poder da imaginao. 
Admitindo, como o fazemos, a afirmao de Lvi de que a vontade e a imaginao so as faculdades criadoras aduzidas para sustentar as foras naturais durante as cerimnias tergicas, as seguintes perguntas podem ocorrer ao leitor: "O que fazer se as faculdades de algum so apenas medianas? O que fazer se existe uma pobreza de criatividade espiritual? Se esses poderes no so particularmente potentes e capazes de formulao mgica,  possvel que sejam desenvo lvidos e fortalecidos?" A resposta  decididamente afirmativa pois indubitavelmente  possvel desenvolv-los e fortalec-los. Os sbios da Antigidade conceberam vrios exerccios cuja prtica poderia transformar um indivduo mais ou menos comum num indivduo criativo e inspirado. Aquele que est espiritualmente morto pode assim refazer-se e remodelar suas energias de maneira a passar a deter uma faculdade extremamente poderosa de criatividade e gnio. Ocupar-me-ei aqui de dois mtodos, um predomina nte entre os hindus e o outro praticado por alguns cristos, tendo eu delineado e explicado o mtodo egpcio numa pgina posterior com um outro ttulo. Embora no advogando o catolicismo com seu jesuitismo luminar, devo mencionar a existncia de um livro notvel, indispensvel e valioso para o aprendiz, da autoria de um mstico jesuta, Sto. Incio de Loyola. Nesse pequeno volume  esboado um sistema extraordinrio de treinamento que se refere especialmente  imaginao; extraordinrio, quero dizer, qu ando seguido por seu prprio mrito e divorciado de todo dogma e da teologia catlica. , est claro, cristo na sua inteno, com smbolos que apelam sectariamente aos catlicos. Contudo, mediante um pouco de discernimento, o corao desse mtodo pode facilmente ser separado do resduo doutrinrio dogmtico. Foi por meio desse mtodo experimental que Sto. Incio se tornou o homem de supremo gnio que foi, um homem que conquistou a reputao de ser, conforme o professor William James, um dos mais poderoso s engenhos da organizao e construo humanas j vistos sobre a face da Terra. Nesse livro que citamos, Os exerccios espirituais, aconselha seus discpulos a reviver na esfera da imaginao todos os eventos da vida histrica exterior de seu mestre, Jesus Cristo. Pelo mtodo foravam suas imaginaes a ver, tocar, cheirar e provar aquelas coisas invisveis e ensaiar aqueles incidentes h longo tempo acontecidos e desvanecidos, os quais eram percebidos atravs dos sentidos de seu Senhor encarnado. Sto. Incio deseja que a imaginao seja exaltada at o seu pico. Se voc est meditando sobre um artigo de f, ele o estimularia a construir a localidade claramente e com exatido diante da viso do olho mental, e observ-la cuidadosa e rigorosamente, a ponto, por assim dizer, de toc-la. Caso seja o inferno, ele daria a voc pedras ardentes para serem manuseadas; ele faz voc flutuar numa aterradora escurido to espessa quanto piche; ele deposita enxofre lquido sobre sua lngua. Suas narinas ficam sat uradas de um fedor abominvel como o do prprio inferno e ele mostra a voc tormentos terrveis, fazendo voc escutar gemidos lancinantes. Ele faria voc construir a viso do calvrio com o Cristo glorificado coroado de espinhos sobre a cruz realizando a redeno da humanidade, inspecionando os cus com olhos doloridos, chamando ao mesmo tempo seu Pai no Cu. Ele faria voc encarar o milagre formidvel da ressurreio e os prodgios realizados h muito na Palestina - tudo isso Sto. Incio manda que sua vontade crie em imaginao pelo exerccio constante. 
Alguns anos atrs, Franz Hartman escreveu a respeito desse mesmo assunto que "os exerccios prescritos por Loyola so calculados para desenvolver os poderes da alma, especialmente a imaginao e a vontade. O discpulo tem que concentrar sua mente nas narrativas da Bblia do nascimento, sofrimento e morte de Jesus de Nazar, como se esses fossem fatos histricos reais. O discpulo assim os considera, por assim dizer, como um espectador mental, mas gradualmente trabalhando sobre sua imaginao ele se torna, dir-se-ia, um participante; seus sentimentos e emoes so elevados a um estado de vibraes superiores; ele se torna ele mesmo o ator da pea, vivenciando ele prprio as alegrias e sofrimentos do Cristo, como se fosse o prprio Cristo; e essa identificao com o objeto de sua imaginao pode ser levada a um tal ponto que at mesmo estigmas ou ferimentos que sangram aparecero em seu prprio corpo".
Embora o teurgo no precise explorar tal prtica a ponto de produzir os efeitos de que fala Hartman,  indiscutvel de que se trata de um mtodo infalvel para estimular aquela faculdade criativa de que se  deficiente. Perseverana e contnua aplicao seguramente proporcionaro ao aprendiz uma vontade invencvel, uma mente capaz de concentrao prolongada e, acima de tudo, uma imaginao que constitui a apoteose da criatividade. Se o aprendizno aprovar a importncia religiosa que o santo atribui a esses exerccios - e se revelar uma profunda reprovao pelo dogma e teologia catlicos - que use sua prpria imaginao para construir seus prprios exerccios que sejam mais favorveis e adequados ao seu temperamento individual. Que ele pinte para si mesmo a imagem de que est sentado junto a uma vigorosa queda d'gua, uma Nigara, e diante de seu olho interior que ele crie uma imagem do rio l em cima em sua nascente murmurando e perambulando no seu calmo curso. Em seguid a que ele conceba a gradual aproximao do precipcio, torrentes selvagens de guas ensandecidas, redemoinhando para c e para l em cascatas agitadas de espuma esbranquiada, colidindo contra as rochas, sendo irresistivelmente arremessadas adiante sobre o abismo. Que ele imagine tambm essas toneladas, milhares de toneladas de gua, subindo e descendo impetuosamente sobre o precipcio sob o contnuo eco reverberante do trovo. Conceba, ento, o borrifo espalhando-se em todas as direes, a beleza da rebe ntao cor de neve refratando a luz do sol em arcos-ris iridescentes, repletos de cores e matizes brilhantes. E que ele oua, e ao ouvir se maravilhe, a voz profunda e trovejante produzida pelo impacto formidando do volume das guas contra as rochas e guas mais abaixo. O aprendiz pode ainda construir em sua imaginao mais coisas familiares: o rudo de um trem veloz, o sabor de chocolate em sua boca, os cheiros de suaves perfumes e fragrantes incensos penetrantes e o contato do carvo incandescente. No s deve a formulao imaginativa do sentido ser distintiva, ou seja, o sabor de chocolate e no de caramelos doces por exemplo devendo ser claramente imaginado, como tambm o mago deve treinar-se de modo a suster a imagem ou impresso. Por meio desses estmulos da imaginao, seu poder germinar e crescer, desenvolvendo-se de modo inconcebvel, e com o passar do tempo o mago dispor de um novo poder de construo espiritual. 
De maneira semelhante, os hindus prescrevem a meditao visando ao mesmo, tendo como objeto os Tattvas ou os smbolos coloridos dos elementos, dos quais eles sustentam cinco. As combinaes desses cinco resultam em trinta elementos e subelementos, cujos smbolos pictricos produzem objetos notavelmente bons para o exerccio da imaginao. Dispe-se de um tringulo equiltero vermelho, Tejas; um crescente prateado horizontal, Apas; um crculo azul, Vayu; P rithivi  um quadrado amarelo e Akasha uma forma oval negra. As combinaes de dois smbolos quaisquer, como um tringulo vermelho encimando um crescente prateado, ou um pequeno crculo azul colocado no centro de um quadrado amarelo parecem de uma maneira bastante singular se destacarem do fundo negro da viso interior e estimular todos os poderes da imaginao. Mas pouco tempo basta para adquirir eficincia na visualizao desses smbolos, de sorte que quando o operador se aproxima das tarefas mais importantes da magia prtica, tais como a formulao do corpo de luz ou Mayavi-rupa e a construo imaginativa das mscaras ou formas simblicas dos deuses, descobrir que em seu interior h uma fora criativa poderosa que o servir bem. Todo esse treino, incluindo os exerccios de Sto. Incio e os smbolos dos Tattvas, nunca  em vo e nunca se avizinha da futilidade, visto que tal treino proporciona o fundamento de todo trabalho tergico, sem o qual muito pouco d e permanente e significativo pode ser concretizado. 
Concordamos com as observaes do mago francs no que dizem respeito  imaginao, que ela  a maior maga do universo.  a essa faculdade que devemos as criaes imortais da poesia, da msica e de todas as artes. A Cano e suas Fontes, um dos pouqussimos trabalhos sensveis de um poeta que lida com as origens de sua arte, confirma isso, e constitui uma prova salutar das teorias mgicas que concernem  imaginao. A. E. se aproxima bastante da filosofia tergica na med ida em que supe que em nossa natureza espiritual exista um ser transcendental que acorda quando dormimos e  conhecido vagamente nos estados dualistas do sonhar, quando a conscincia parece dividida, e confere inspirao e luz atravs do mundo estelar da imaginao.  o cristalino do eu criativo, sendo este aquele poder que opera milagres, curando os enfermos, trazendo socorro aos fracos e geralmente outorgando as revelaes do esprito em benefcio dos homens. 
CAPTULO VIII
Em sua introduo aos Aforismos de Yoga de Patanjali, William Q. Judge afirma que os antigos sbios hindus conheciam o segredo do desenvolvimento da vontade, e como aumentar dez vezes tanto sua potncia quanto sua eficincia. Esse segredo das eras, a ampliao do poder da vontade e da sabedoria jamais foi perdido. A vontade para o aprendizda teurgia divina  o fator primordial na produo de quaisquer alteraes espirituais a que ele se proponha, e c onseqentemente qualquer coisa que tenda a aumentar esse potencial e despertar suas possibilidades latentes, transform-lo numa fora irresistvel absoluta capaz de ser conscientemente manipulada, pertence  natureza de uma bno transcendental. A vontade no  boa nem m;  to-somente poder e vitaliza todas as coisas igualmente. H vrias sugestes propostas por Lvi em seu Dogma e ritual de Alta Magia, algumas das quais so as seguintes: "Se ireis reinar sobre vs mesmos e os outros, aprendei como querer... Como podemos aprender a querer?... Observncias que so aparentemente as mais insignificantes e em si mesmas estranhas ao fim a que se propem, conduzem, contudo, a esse fim mediante a educao e o exerccio da vontade... O homem pode ser transformado pelo hbito, o qual, segundo o adgio, torna-se sua segunda natureza. Por meio de exerccios atlticos persistentes e gradativos, a energia e a agilidade do corpo so desenvolvidas ou criadas num grau espantoso. O mesmo ocor re com os poderes da alma". A essncia de suas sugestes, que s pode impressionar pela sua sensatez, corresponde a isto. Por meio de um ascetismo conscientemente imposto, negando-se a si mesmo durante o treinamento certas coisas normalmente consideradas necessrias, para aprender em suma a arte da autoconquista e como viver, -se livrado das vicissitudes do eterno fluxo e refluxo que  a vida, e obtm-se uma vontade altamente treinada.  imperativo que as palavras "ascetismo auto-imposto" sejam notadas e que precedam a frase "durante o treinamento"; isto  de extrema importncia como a chave de abertura aos Portais da Vontade. Antes de pronunciar esse enunciado vale refletir em como pode ser chamado de "autonegao" aquilo que nega apenas o no-eu das coisas pelas quais se anseia para abrir aquelas trevas cegas  luz da vontade verdadeira, a viso interior e o eu real. Esse ltimo no  negado em absoluto. So unicamente os desejos de Ruach, essa entidade cujo egosmo muda com o passar de cada hora, que so negados e disciplinados de modo a torn-lo um instrumento til atravs do qual o Santo Anjo Guardio e seus pares podem trabalhar sem restries e retardamentos inteis. 
O fator digno de nota nesse sentido  que o voto de ascetismo tem que ser mantido em seu devido lugar. Esse voto deve ser assumido para uma finalidade bem definida e claramente compreendida alm da qual no se deve jamais permitir desviar-se. Havendo desvio, tudo estar perdido. Quando o voto realmente ultrapassa os confins da inteno premeditada, o ascetismo como a extrema voluptuosidade  um vcio desordenado, pertencente s tendncias sutis do ego e, por conseguinte, decidid amente para ser desestimulado e suprimido. H crticos que afirmam ser o ascetismo uma forma de egosmo e egocentrismo. Quando essas crticas severas so dirigidas apenas queles que dele abusam, aqueles que considerariam suas negaes e seus flagelamentos flagrantemente pblicos como supremas virtudes e que obtm muito prazer quando seu vcio  aclamado em pblico, a acusao  correta. Mas no em caso diverso. Que se entenda que o ascetismo no  um vcio ou uma virtude, tal como a prpria vontade < /i>no  boa nem m. No possui em si mesmo mrito de espcie alguma exceto ser uma matria de convenincia para quem quer que seja que o abrace com a finalidade de treinamento. Tal como no treinamento de um boxeador, por exemplo, intemperanas como beber e fumar so escrupulosamente eliminadas da lista das tolerncias em relao a ele, negaes nas quais obviamente no se pode imputar nenhuma virtude moral, o mesmo ocorre com o ascetismo que o teurgo assume para si mesmo. O ascetismo ao qual a magia se r efere e do qual Lvi fala  algo inteiramente diferente do vcio egotstico ordinrio, j que tem como seu objetivo precisamente o fortalecimento da vontade e a abnegao mstica desse ego.  esse falso ego ao qual o egosta e o pretenso asceta em nome apenas se prendem to devotadamente, a despeito de ser para seu eterno detrimento, e que o mago procura oferecer em sacrifcio de maneira que o Esprito Santo descendo sobre o altar em penetrantes lnguas de fogo possa consumir a oferenda e nele viver para sempre. 
Referindo-se aos mistrios de outrora, Lvi observa que quanto mais terrveis e perigosos eles fossem, quanto mais severos fossem os rigores que impunham, maior seria sua eficincia. Assim  com esse ascetismo. Quanto maiores as negaes da personalidade, quanto mais necessidades intemperantes so removidas do modo costumeiro de vida, maior a aquisio da fora de vontade e mais fcil realmente se torna destruir os laos egicos. Ainda assim, o ascetismo no deve ser to terrvel a ponto de danificar os instrumentos com os quais o mago  obrigado a trabalhar. O astrnomo no destri seu telescpio num acesso de ira cega. Cortar a garganta para ofender o prprio crebro  uma insanidade e  completamente estpido. Se o aspirante estiver predisposto a ceder a disparates desse tipo, melhor ser para ele abster-se totalmente da magia e permanecer junto ao calor e quietude da lareira de sua sala de estar. 
Uma tcnica extremamente eficiente foi desenvolvida por um mago contemporneo*, um sistema sumamente prtico isento de todas as desagradveis implicaes e tendncias morais dos sistemas mais antigos. De acordo com esse sistema**, a tcnica  de tal modo arranjada de maneira a cobrir o campo todo da ao, discurso e pensamento humanos, sendo, portanto, aplicvel  constituio humana inteira. Na base, est de acordo com a concepo geral do ascetismo de que uma certa ao, palavra ou p ensamento, que se tornou habitual e uma parte de Ruach, deve ser negado, por exemplo, o voto de por um perodo provisrio de digamos uma semana abster-se de cruzar as pernas sobre o joelho ao sentar, ou talvez tomar a deciso de no erguer a mo esquerda at a cabea ou o rosto. A grande vantagem desse sistema  que inexiste pendor moral nessas sugestes. No  virtuoso abster-se de cruzar as pernas sobre o joelho ou no tocar o rosto com a mo esquerda. Assim o operador  liberado da tendncia de fazer de seu ascetismo uma tola virtude.  necessrio observar, ademais, que no h a sugesto de aplicar o princpio asctico nesse esquema ao que se denomina comumente mau hbito, como fumar, beber ou blasfemar. Faz-lo seria convidar certos indivduos a considerar sua abstinncia de fumar ou beber uma virtude, a ser grandemente louvada, em lugar de compreender que a negao  simplesmente uma questo de convenincia e treino, uma idiossincrasia pessoal  qual nenhum crdito ou culpa podem ser vincu lados. Uma postura inteiramente impessoal de imparcialidade deve ser mantida e a aplicao do esquema  necessria quelas aes, palavras e pensamentos aos quais  plenamente impossvel atribuir um valor moral.  inconcebvel que o leitor inteligente faa uma virtude do fato de abster-se de cruzar a perna sobre o joelho ou de ocasionalmente no tocar a cabea com sua mo esquerda. Tal postura, absolutamente essencial, deve ser cultivada em qualquer ramo da magia. 
* Aleister Crowley. (N. T.)
** Liber Jugorum, O Equincio, Londres, 1912. 
((Ilustrs. a cores dos quatro smbolos dos Tattvas))
Ora, para cada transgresso do voto ou juramento de abster-se de um certo procedimento um certo castigo deve ser infligido.  nessa disciplina que a vontade conquista seu treinamento e fora. Por exemplo, suponha-se que o operador fez um juramento mgico de abster-se durante um perodo de quarenta e oito horas de cruzar a perna esquerda sobre o joelho direito ao se sentar. Num momento de distrao, pode ser que o mago cometa a ao proibida. Essa transgresso deve ser punida, de maneira a produzir uma impresso profunda e duradoura na mente, com um corte no brao feito por uma navalha. A ao interditada  assim gravada no antebrao com um talho penetrante para auxiliar a memria preguiosa. 
Na segunda seo relativa ao discurso, alguma palavra freqentemente utilizada no discurso dirio como "eu" ou "e" ou qualquer outra expresso corrente no falar usual do mago deve ser interditada durante um perodo de vrios dias, uma semana, ou meses, conforme o caso. No desenrolar desse perodo ou a palavra  inteiramente omitida, ou alguma outra palavra  empregada em seu lugar. Um certo pensamento que seja impessoal e isento de tendncia moral  o tema da ltima seo quando se adquiriu suficiente competncia e j se tirou proveito das duas sees anteriores. Em todo caso de esquecimento o castigo e penalidade  um corte pronunciado no brao. Essa ltima seo tem implicaes de grande envergadura, particularmente no que diz respeito ao treinamento da mente. Se alguns pensamentos foram proibidos de ingressar atravs dos portais no vigiados da mente e alguma habilidade foi obtida em fazer valer essa deciso, ser necessrio um prolongamento adicional da prtica para fechar os portais e barrar todos os pensamentos de qualquer tipo que sejam da mente. Desse modo, alcana-se o objetivo idntico da ioga: o esvaziamento pela vontade de todo o contedo da mente. 
E agora consideremos o resultado dessa tcnica disciplinar. Acima de tudo, nenhuma questo arbitrria de tica ou moral entra nessa tcnica de ascetismo. Trata-se simplesmente de uma forma elaborada de treinamento atltico, por assim dizer. O corpo no  torturado com base no princpio ordinrio e conforme o costume usual de que a alma eterna pode viver e encontrar bem-aventurana em sua libertao do corpo. Essa postura no leva em conta que se o ascetismo  um estgio na jornada da a lma rumo ao seu ideal, caso seja conduzido a extremos  ao mesmo tempo uma recusa cega da nutrio de que essa jornada necessita para ser sustentada. O princpio radical que envolve a prtica dos faquires que dormem sobre leitos de pregos ou arame, mantendo seus braos eretos pelo perodo inteiro de suas vidas, dilacerando carne viva de seus corpos submetidos a longo sofrimento, tudo isto  repreensvel do ponto de vista do teurgo e se ope cabalmente em princpio ao mtodo esboado acima. O corpo no  u ma coisa do mal; definimos anteriormente corporeidade e espiritualidade como graus distintos de uma substncia divina. Todos os veculos do esprito so instrumentos atravs dos quais ele pode atuar, obter experincia e atingir um conhecimento de si mesmo, e embora em assuntos pertinentes  comunho celestial alguns se limitem a ser um estorvo se no forem treinados, a observao simplesmente demonstra a necessidade de treinamento e no de destruio cruel e sem sentido. 
Mediante a tcnica de ascetismo da teurgia se decide simplesmente a lograr um controle consciente sobre certos aspectos da organizao fsica e mental, e esse controle tende  aquisio de um enorme aumento de potencial de vontade. O corte do brao produz um pouco de dor,  verdade, embora essa dor seja til e necessria para estabelecer certas correntes nos centros de inibio do crebro ou mente, as quais produzem a instalao de uma curiosa vigilncia por parte da vontade, um fluxo inconsciente livre de fora de vontade que est continuamente presente e pronto para executar os desejos do mestre. Descobrir-se- no caso de uma deciso tomada de no cruzar as pernas que ao "bater papo" casualmente com um grupo de pessoas e numa condio de completo esquecimento do juramento, qualquer tendncia automtica das pernas de repetir instintivamente o hbito ao qual foram acostumadas h muito tempo ser imediatamente detectada pela vontade antes que o ato proibid o seja mesmo meio completado e a tendncia ser interrompida em seu incio. Tem sido observado repetidas vezes que precisamente quando as pernas esto na iminncia de se cruzarem, mesmo durante o sono mais profundo quando o corpo produz movimentos espasmdicos automticos, a vontade operando a partir dos centros inibitrios da mente faz lampejar uma advertncia espontnea que resulta no impedimento da ao. Se adormecido, ocorre um despertar imediato com total conscincia do ato pretendido. Ao men os, essa  a base lgica que prevalece depois de o operador ter falhado cerca de uma dzia de vezes e quando seu antebrao se tornar belamente adornado por uma quantidade igual de cortes. Sucede particularmente isso no caso da proibio da palavra "eu" que se pode bem usar como objeto da prtica. Normalmente, somos to pessoais e to apegados a todas as coisas egoicamente que nas conversas ordinrias mantemo-nos mais interessados em falar de ns mesmos, e as frases "Eu fiz isto", " ;Eu fiz aquilo" entram mais no discurso do que quaisquer outras. Conseqentemente, no incio, quando os benefcios do silncio criterioso so, de maneira muito enrgica, transmitidos  personalidade, o brao no sofre pouca coisa. Pode ser at necessrio recorrer  decorao de ambos os antebraos at o ego rebelde e sua voz responderem ao treinamento, decidindo-se a obedecer incontinenti aos ditados da vontade. 
A conseqncia  bvia.  medida que o tempo progride atravs dessa tcnica, o mago realiza duas coisas separadas, ambas aspectos importantes da Grande Obra. Uma vigilncia perptua que se avizinha de uma corrente sumamente poderosa de fora de vontade foi gerada. Isso, desde o incio, tende a conduzir as atividades multifrias do ser humano ao controle consciente da vontade. Se, como o Abade Constant observou, as operao mgicas so o exerccio de um poder que embora natur al  superior s foras comuns da natureza, esse poder sendo o resultado de um conhecimento e uma disciplina que exaltam a vontade alm de seus limites normais, ento essa prtica preenche da maneira mais concebvel todos os requisitos que at mesmo ele teria dela exigido. E a vantagem disso para o nefito que fez o voto a si mesmo da consecuo de nada menos do que o Conhecimento e conversao do santo, o anjo que o guarda, no pode ser superestimada. Em suas mos  colocado um tremendo poder de vontade, de significao espiritual e de aplicao inconcebivelmente criativa. 
O segundo aspecto da realizao  que no apenas o mago se descobre a si mesmo de posse de uma vontade ampliada como tambm o prprio Ruach, todas as faculdades compreendidas no ego anteriormente to problemticas e carentes de concentrao gradualmente, graas  vontade dinmica e  contrao proveniente da dor corprea, colocam a si mesmas sob controle. O praticante ter sobrevivido ao horror e desagrado iniciais de infligir esse leve castigo ao seu brao, vendo seu corpo pela primeira vez em seu devido lugar, como um servo a ser empregado e comandado e cujas recusas rebeldes a acatar ordens emitidas por uma fonte superior so severamente reprimidas e penalizadas. Espera-se sinceramente que a base dessa tcnica no seja to mal compreendida a ponto de fazer surgir observaes grosseiras com relao a Hatha Yoga ou ao masoquismo. No h prazer algum em cortar o brao com uma navalha; desse fato unicamente o leitor pode estar inequivocamente assegurado. 
Tal vontade pode tornar-se uma fora to poderosa pela disciplina e treinamento que nas instrues acrescidas a uma recente verso de uma invocao, o editor sugeriu que a vontade fosse formulada no mundo criativo sob a forma de um basto mgico, seu verdadeiro smbolo, ou um feixe luminoso brotando numa linha reta e perpendicular do mago na direo e para dentro do infinito. Essa observao sugere que longe de ser uma impalpabilidade metafsica intangve l, uma incoerncia, o que  geralmente o caso com o indivduo mdio, para o mago a vontade  uma definida fora espiritual controlvel, que como todas as demais faculdades da alma, pode ser empregada por seu senhor e mestre. 
H ainda um outro mtodo de treinamento da vontade. Embora pertena de direito aos processos da ioga, sua importncia no pode ser superestimada. Trata-se daquele ramo da ioga de oito membros que  chamado de Pranayama, uma prtica que proporciona a quem quer que a exera uma colheita tripla. Em primeiro lugar, a absoro de grandes quantidades de oxignio e prana tem um efeito indiscutvel nas glndulas endcrinas.  incontestvel que particularmente as glndula s intersticiais recebem um estmulo tremendo. Conseqentemente, de um ponto de vista puramente fsico, a inteira personalidade  inundada por uma riqueza de energia criativa destinada a reagir favoravelmente, quando preservada, sobre a mente, a vontade e todos os outros aspectos da constituio humana. Na verdade, pode-se chegar ao ponto de afirmar que essa energia criativa, fsica como possa parecer, colabora para formar a base da viso espiritual. Em segundo lugar, em sua Raja Yoga, o falecido Sw ami Vivekananda fornece uma admirvel explicao do efeito da respirao rtmica regulada, que fortalece e estimula a vontade at uma concentrao formidvel de fora. Em sntese, sua teoria  a de que se fazendo todas as clulas de um ser vibrar em unssono, uma poderosa corrente eltrica de vontade  estabelecida no corpo e na mente. E o meio para estabelecer essa vibrao em unssono  uma aspirao e exalao rtmicas do alento. 
Ignorando, para efeito de argumento, a teoria de que o Pranayama detm efetivamente o efeito delineado no pargrafo anterior e suspendendo o exame de qualquer teoria mstica, h ainda um outro resultado que no pode ser posto em dvida por ningum. Qualquer indivduo que tenha tentado o Pranayama mesmo por apenas alguns momentos entender imediatamente o que significa. Poder-se-ia dificilmente imaginar algo mais tedioso, laborioso e penoso do que esse simples conjunto de exerccios, pois o mago senta-se sossegadamente duas ou trs horas durante o dia por um perodo de, digamos, trs ou quatro meses na tentativa de respirar num ritmo regular e calculado, simplesmente observando com cuidado a inalao e exalao do fluxo do alento,  uma das mais rduas tarefas que a imaginao pode conceber. Exige o exerccio da fora de vontade mxima e uma resoluo inabalvel para continuar. Ao fazer isto, o indivduo  levado de maneira incisiva a encarar a inrcia e lassido do corp o, necessitando-se no pouca austeridade, autodomnio e uma fora de vontade inflexvel para persistir na tarefa em relao  qual ele celebrou um voto. Caso o praticante no tenha obtido qualquer resultado daqueles descritos nos livros tcnicos, tais como a desacelerao do movimento da mente ou a ocorrncia de vrias alteraes psicofisiolgicas, ter, ao menos, ganho um incalculvel aumento de fora de vontade e uma firmeza invencvel de propsito por ter treinado a si mesmo na superao da indolncia das condies corporais, a inrcia mental e a oposio ao treinamento. "Aprender o autodomnio , portanto, aprender a viver, e as austeridades do estoicismo no eram v gabolice de liberdade... Resistir  natureza e sobrepuj-la  atingir para si mesmo uma existncia pessoal e imperecvel;  pr-se livre das vicissitudes da vida e da morte*."  fato reconhecido e demonstrvel que a disciplina e pacincia impostas pelo Pranayama,  parte toda a teoria da ioga, deixaro o mago em posio vantajosa quando tiver de enfrentar as tarefas mais complexas e difceis da magia. 
* Mistrios da Magia, liphas Lvi. 
H alguns indivduos sobre os quais a magia cai como sobre solo estril. Crentes de que o desenvolvimento consciente do gnio mediante o treinamento mgico constitui uma impossibilidade na natureza, asseveram que as faanhas mais grandiosas e as mais excelentes obras criativas so realizadas inconscientemente e no pela vontade; que os mais nobres exemplos da arte, literatura e msica recebem sua principal inspirao de uma parte do homem que  independente de sua vontade e conheciment o conscientes. Esse fato, sem dvida,  verdadeiro, e  aqui que o mago  superior ao artista comum. No caso do artista, a inspirao  automtica, independente de seus prprios desejos e conhecimento mesmo, e nesse sentido ele  um instrumento passivo, um meio. O mago, entretanto, se prope um objetivo mais elevado, desejoso conscientemente de conhecer aquele poder nele que  o criador, o vidente, o conhecedor. Chega a isso por meio de um ato ou uma srie gradual de atos da vontade. O objetivo ltimo  a identificao da vontade mgica com o ser todo, de modo que sua aplicao no exige maior esforo consciente do que o movimento dos lbios e o erguer da mo, uma fora to constante e continuamente presente como a gravitao. 
A magia cerimonial, que seja entendido, como um meio de adquirir o potencial requerido de fora de vontade,  principalmente para uso do principiante. "Sendo as cerimnias, como dissemos, mtodos artificiais para criao de um hbito de vontade, se tornam desnecessrias uma vez esteja o hbito consolidado... Mas o procedimento tem que ser simplificado progressivamente antes de ser completamente dispensado**." Caso se adote rigorosamente uma prtica programada, depois de um ce rto tempo o mago por de lado completamente o cerimonial, confiando no trabalho improvisado no interior dos limites de seu crculo mgico interno, e ainda posteriormente se aplicar quela prtica mgica chamada de missa do Esprito Santo. A aplicao habilidosa desse engenho mgico reverberante deve resultar no desenvolvimento de um centro de alta potncia de vontade. Atingido isso, todas as tcnicas podero ser postas de lado por terem j servido ao seu propsito melhorando o bem-e star do indivduo, no sendo mais os exerccios necessrios. 
** Dogma e ritual de Alta Magia, liphas Lvi. 
O princpio  comparvel a um princpio reconhecido no esporte. Durante uma partida de tnis, por exemplo, um jogador poderia executar alguns lobs e voleios realmente maravilhosos numa nfima frao de segundo, estando a deciso consciente absolutamente fora de questo. As melhores tacadas no bilhar, como muitos bem o sabem, so aquelas feitas acidentalmente. Para o aspirante no tnis, ou um jogador desejoso de melhorar, somente uma imensa quantidade de prtica delibera da produzir aquela habilidade consumada que ir operar livremente em todas as ocasies. Assim  com o mago. Nesse caso, o verendo da arte que foi ciosamente oculto do olhar do pblico  ainda mais guardado nas profundezas de sua conscincia espiritual, de sorte que por ningum no mundo inteiro  sua existncia adivinhada. To vigorosamente poderoso  esse basto que por um ligeiro brandir do mesmo os mundos poderiam ser destrudos, e com outro leve brandir novos mundos poderiam ser trazidos ao ser. < /p> 
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Unido de maneira peculiar  vontade e  imaginao nas evocaes cerimoniais est um outro poder ou uma outra fora cuja presena ou ausncia representa o sucesso ou o fracasso da operao. O segredo de toda magia cerimonial  simples, embora nem sempre bvio. Celebrar cerimnias mgicas encaminhando cada mnimo detalhe com cuidado, executando os banimentos, fumigaes e circumpercursos externos, vociferando as conjuraes e gemendo os nomes brbaros de evocao no  cr itrio para que a invocao tenha xito em sua finalidade ostensiva, ou para que o clima esttico da operao "acontea". A incapacidade de compreender isso encontra-se no fundo de uma boa quantidade de histrias mais ou menos humorsticas sobre magia contadas por pessoas que, tendo se tornado intelectualmente interessadas em sua tcnica, e tendo seguido cuidadosamente as instrues expostas nos engrimanos ordinrios de fcil obteno, se decepcionaram com a falta de resultados. Todas as precau es apropriadas foram tomadas. Belos mantos da melhor seda foram providenciados, candelabros de prata e bronze, incensos compostos dispendiosamente e conjuraes primorosamente escritas. A despeito de todo esse preparo, entretanto, nada absolutamente aconteceu. Nem as mais leve presso foi produzida na atmosfera astral circundante, e uma mo colocada cautelosamente fora dos limites do crculo no foi paralisada, como ocorreria segundo a lenda, como se por um raio lanado por um esprito irado. H uma es plndida histria que vem  mente de um aprendiz entusiasta que se empenhou em "praticar magia" antes de ter atingido uma compreenso dos princpios elementares em que se apia a magia cerimonial. Ele desejava, a ttulo de teste, invocar uma ondina, um esprito do elemento gua, e a fim de faz-lo ocorreu-lhe que uma operao realizada nas proximidades da gua eliminaria muitas dificuldades. Como stio de operao Eastbourne foi escolhida e o tal aprendiz, levando consigo o equipamento da arte, embarcou para essa praia "solitria". Uma noite, j razoavelmente tarde, quando a maioria dos cidados respeitveis da praia j dormiam sossegadamente, ele se dirigiu para a beira do mar, a mar muito ao longe. Traado o seu crculo, depois do altar e as luzes terem sido instalados sobre a areia, ele iniciou suas conjuraes  medida que uma nvoa se adensava. Suas vociferaes eram altas e os sonoros gemidos, selvagens, fazendo com que os nomes brbaros tornassem horrenda a noite, cuja tranq ilidade foi arruinada; nuvens de incenso espesso se elevavam em espirais do altar, envolvendo todo o cenrio de uma nvoa repulsiva de fumaa perfumada. A nica ondina que esse mago viu foi uma enraivecida criatura vestida de azul: um policial. 
Desde que o acima exposto foi escrito, perpetrou-se uma imbecilidade ainda mais grosseira e bem menos desculpvel. Alguns membros de uma famosa sociedade de pesquisas se convenceram de que era inadivel expor a magia em todos os seus ramos, demonstrar que no possua qualquer realidade, e, imbudos desse nobilssimo objetivo, tomaram providncias para realizar uma cerimnia com base nas instrues deturpadas de um certo engrimano no alto de uma colina no continente. As conjuraes for am devidamente recitadas em conformidade com as ditas instrues por uma virgem de manto branco junto a um bode, o qual segundo promessa do engrimano seria transformado num jovem da mais arrebatadora beleza. Essa transformao,  claro, no ocorreu, e muita publicidade foi feita em torno dessa cerimnia cujo fito era pr um fim a todas as cerimnias. Hordas de pessoas curiosas afluram ao alto da montanha, a qual durante o rito estava inflamada de luzes de arco voltaico de alta potncia! Faz-nos lembra r de certo modo do simplrio que depois de encher o bule e coloc-lo sobre um dos bicos de gs do fogo se esquece, contudo, de usar um fsforo para ligar o gs; quando, aps uma hora, ele constata no haver nenhum sinal de um bule com gua fervente, declara com suma indignao e no pouco desprezo que essas geringonas modernas no servem para nada. 
No acredito que essa cerimnia farsesca requeira muito comentrio. Mostra o tipo extraordinrio de inteligncia que no  capaz de distinguir entre um livro tolo de feitiaria e a genuna magia telstica; e tambm incapaz de compreender a verdade da injuno segundo a qual  o pensamento, a vontade e a inteno que atuam de maneira preponderante na operao mgica cerimonial, os smbolos e sigillae externos sendo secundrios e tendo menos importncia. O Magus d e Barrett, em todo caso, prope para a considerao desses pesquisadores "cientficos" que "a razo de exorcismos, sortilgios, encantamentos, etc. s vezes no atingirem o efeito desejado  a mente ou esprito no-excitado do exorcista tornar as palavras ftuas e ineficazes".
Eis ento numa curta frase o segredo do sucesso. Os Orculos caldeus afirmam que se deve "invocar com freqncia"! Abramelin, o Mago, aconselha que se deve "inflamar-se" com orao. A chave est implcita nessas afirmaes concisas. Invocar freqentemente denota um certo grau de persistncia e entusiasmo, e o princpio no qual criam os antigos magos era que se um homem orar ou invocar o tempo suficiente com seus lbios pode acontecer que encontrar a si mesmo um dia proferindo sua invocao de todo corao. Sucesso implica acima de tudo entusiasmo. E o entusiasmo que o mago deve cultivar  uma espcie indescritvel de excitao ou arrebatamento, por meio dos quais ele  transportado completamente para fora de si e alm de si. Trata-se de uma qualidade inteiramente incompreensvel e, por conseguinte, indefinvel. O mago deve inflamar a si mesmo, o que  hislahabus ou auto-intoxicao, o que os cabalistas conceberam como sendo o prprio clice da gra a e o vinho da vida. Cada nervo, cada fibra do indivduo, fsico, astral, mental; cada tomo em seja qual for departamento da constituio humana deve ser estimulado a um clmax febril e todas as faculdades da alma exaltadas ao mximo. Tal como o artista - o poeta, o danarino, o prprio amante -  arrastado numa loucura de paixo inflamada, um frenesi de criatividade, o mesmo deve suceder com o mago. Deve ser impulsionado em sua cerimnia por um entusiasmo mntico que embora nele pr esente e uma parte necessria das foras que o compem, no  de modo algum aquilo que ele normalmente inclui em seu Ruach. No participa do ego mundano do estado de viglia embora exalte esse ego numa crista de bem-aventurana, de maneira que toda conscincia de sua existncia  transcendida, sofrendo um novo nascimento com um horizonte maior e mais amplo. 
Afirma Jmblico: "...a energia entusistica, entretanto, no  o trabalho seja do corpo seja da alma, ou de ambos conjugados".  impossvel formular regras tericas para a induo desse frenesi, para a aquisio desse estmulo, para a produo desse espasmo mntico. De povo para povo os fatores variaro para produzir o estmulo e a excitao. Para um indivduo, poder vir atravs de invocaes prolongadas e reiteradas feitas durante um perodo de vrias semanas ou meses. Um a prendiz pode ficar to impressionado pelo puro mistrio e sugesto, por assim dizer, de dada cerimnia, que  possvel que o resultado seja includo. Um outro pode ser curiosamente comovido e alegrado pelo estilo lrico no qual as invocaes esto escritas, por suas imprecaes e comemoraes, ou mesmo pelos nomes estranhos e brbaros de evocao, no importando quo ininteligveis possam ser para seu ego consciente.  possvel que a despeito de um excelente conhecimento intelectual da Cabala, tenha lh e escapado uma interpretao adequada ou satisfatria de alguma dessas palavras misteriosas; quando de repente, durante o desenrolar de uma cerimnia, sua significao lampeja arrebatadoramente sobre ele com um fulgor escarlate, um fulgor de jbilo, e assim excitado ele  transportado com sua descoberta na onda crescente de xtase. Talvez o cheiro de um perfume em particular, a psicologia dos deslumbrantes mantos de seda e coberturas de cabea, at mesmo o esgotamento fsico que  a conseqncia da dana - essas so possveis causas daquela exaltao que o mago tem que cultivar. No que diz respeito ao mago habilidoso, todos esses fatores estaro contribuindo para a finalidade, produzindo assim um arrebatamento exuberante, vasto como o mais vasto dos mares e to elevado e abrangente quanto os ventos que sopram dos plos. E ento, como brota a rosa vermelha da terra negra,m crescer da natureza amorfa do homem da terra, sob a luz daquela exuberncia, a flor de muitas ptalas da alma restaurada. Grad ativa e lentamente se manifestaro os poderes espirituais e as faculdades latentes como ptalas que procedem do interior. Tal como as flores brancas como neve que florescem na accia se desenvolvem at que toda a rvore da regenerao seja coberta e dobrada sob o peso de muitas flores, do mesmo modo da raiz do xtase  desenvolvida a viso e o perfume. Como na lenda rosacruciana a vida dos filhotes de pelicano  mantida pelo recurso de sacrifcio da me, as foras exteriores do mago so alim entadas quando o ego sucumbe  intoxicao, tanto a partir do esprito interior quanto a partir de seu senhor feudal, os deuses que so invocados de cima. 
Que nunca se esquea que o segredo da invocao e de todo ato mgico  "Inflame-se com orao" e "Invoque com freqncia!".
CAPTULO IX
H vrios aspectos do procedimento mgico no trabalho cerimonial que  preciso considerar. Que o som, por exemplo, detm um poder criativo ou formativo, isto  h muito reconhecido e conhecido pela maior parte da humanidade. O mantra dos hindus e seus efeitos sobre o crebro bem como sobre as ramificaes nervosas do corpo tm sido o assunto reiterado de considervel quantidade de experimentos cientficos e leigos. Uma teoria racional referente ao mantra sagrado sustenta que sua ao no crebro pode ser comparada  de uma roda que gira celeremente e por cujos raios nenhum objeto pode passar. Afirma-se que quando o mantra  firmemente estabelecido e o crebro tenha absorvido automaticamente sua tonalidade fluida, todos os pensamentos, at mesmo o do mantra, so projetados para fora, e na mente esvaziada de todo contedo a experincia mstica pode acontecer. H uma outra teoria sustentada por outras escolas de ocultismo que afirma que a vibrao estabelecida por um mantra possui um efeito purificador sobre toda a constituio humana; que por meio de sua ao vibratria os elementos mais grosseiros do corpo so gradativamente expelidos, um processo de purificao que ocorre e afeta no apenas o corpo de carne, sangue, crebro e terminais nervosos como tambm tanto o corpo de luz quanto a completa estrutura mental dentro da esfera de sua ao. Na admirvel biografia de Milarepa, o iogue budista, publicada pela Oxford University Press, existe a seguinte n ota de p de pgina: "De acordo com a escola Mantrayana est associada a cada objeto e elemento da natureza... uma taxa particular de vibrao. Se essa for conhecida, formulada num mantra e utilizada habilmente por um iogue aprimorada, como era Milarepa, afirma-se ser capaz de impelir as divindades menores e elementais  apario e as divindades superiores a emitir telepaticamente sua divina influncia em raios de graa."
Sustenta-se em magia que a vibrao de certos nomes divinos conduz  produo de seus fenmenos psicolgicos e espirituais. "Por qu?" pergunta Blavatsky em A doutrina secreta. Respondendo  sua prpria pergunta ela afirma: "Porque a palavra falada possui uma potncia desconhecida, insuspeita e desacreditada dos modernos 'sbios'. Porque som e ritmo esto estreitamente relacionados aos quatro elementos dos antigos, e porque certamente esta ou aquela vibr ao no ar desperta poderes correspondentes, sendo que essa unio produz bons ou maus resultados, dependendo do caso".
A lenda que se refere ao Tetragrammaton hebraico  interessante. Aquele que conhece a pronncia correta de YHVH, chamado Shem ha-Mephoresh, o Nome impronuncivel, detm o meio de destruir o universo, seu prprio universo particular e arremessar essa conscincia individual ao samadhi. Ademais, a teoria mgica assevera que a vibrao estabelecida pela voz humana possui o poder no s de moldar a substncia plstica da luz astral sob vrias configuraes e formas dependendo de seu tom e volume, como tambm de impulsionar a ateno de entidades e essncias metafsicas para aquele molde. 
O poder do som pode ser comprovado com absoluta facilidade por meio de alguns experimentos superficiais, mas sumamente interessantes. O proferir do monosslabo Om em voz alta e penetrante se sentir, sem dvida, vibrando de maneira notvel tanto na garganta quanto no trax. Atravs da repetio, a capacidade de aumentar a potncia ou freqncia das vibraes e a rea de sua detonao podem ser ampliadas de modo bastante considervel. Por meio de uma certa quantidade de prtica criteriosa, sempre acompanhada do exerccio da inteligncia, o praticante se achar capacitado a vibrar uma nica palavra de maneira a fazer o corpo todo estremecer e tremer sob o impacto do poder da palavra. Por outro lado, a prtica tambm capacitar o aprendiza limitar, por exerccio de sua vontade, a vibrao a uma certa rea ou localidade de seu corpo. Desnecessrio dizer que se deve ter sempre um enorme cuidado, pois no se requer nessa prtica que o corpo seja fragmentado ou despedaado por vibra es catastrficas. 
H famosos exemplos do poder destrutivo do som causado pela ribombar do trovo ou a exploso de granadas. Temos a histria amide repetida, e que vale bem a pena mencionar aqui, de um truque realizado por um grande cantor. Ele d uma pancadinha de leve com a unha do dedo num copo de vinho de modo a faz-lo retinir; em seguida, captando a nota com sua voz entoa a mesma nota com sua boca precisamente acima do copo. Passado um momento, estando sua voz vibrando em unssono com a nota emiti da pelo copo, ele bruscamente substitui a nota por uma mais alta, e o copo inesperadamente cai despedaado. Ele est brincando com a lei da vibrao, pois todas coisas, visveis e invisveis, adentram sua esfera, e todo objeto concebvel existe num plano definido, possuindo uma taxa de vibrao diferente. Toda massa orgnica e inorgnica  composta de uma multido de centros de energia infinitamente pequenos que, a fim de se aderirem entre si, tm que vibrar conjuntamente. A mudana desta vibrao ou dest ri a forma ou produz mutaes e alteraes de forma. 
E se h um aspecto destrutivo do som, conclui-se que h outro de formao e criao a ser descoberto mediante experimentao constante e paciente. O efetivo poder de formao pode ser demonstrado muito facilmente. Que o leitor espalhe um pouco de areia fina sobre a caixa de som de um violino, e sem tocar a areia mova o arco levemente sobre uma das cordas. Constatar-se- que a vibrao exerce uma influncia formativa, visto que com o soar da nota e sua amplificao na caixa acstica a a reia assume curiosas formas geomtricas: um quadrado ocasionalmente ser formado com muita clareza, ou um tringulo, uma elipse ou um desenho comparvel  estrutura de um floco de neve, cristalino e uma coisa de rara beleza. O mesmo experimento pode ser executado sobre uma lmina de vidro, e dependendo de o arco ser movido lenta ou rapidamente de encontro  borda, levemente ou com muita presso, a areia assumir uma forma diferente. No violino uma nota suave e profunda naturalmente produzir uma forma son ora diferente de uma longa nota lamuriosa e lancinante; a brusquido possui um valor-forma distinto de um vibrato lento. H em algum lugar nos escritos de Madame Blavatsky o testemunho de que ela prpria em uma ocasio,  beira da morte, foi chamada de volta  vida e curada de suas enfermidades atravs dos poderes inerentes ao som. Todas essas coisas vo ao ponto de mostrar que o som efetivamente possui um valor criativo, devendo ser o objetivo de todo aquele que se supe mago apurar mediante a pr tica que tom de voz  mais adequado ao trabalho mgico. A experincia mostra que um sussurro penetrante dos nomes a serem pronunciados constitui o mtodo mais satisfatrio, uma voz que mais vibra do que pronuncia claramente sendo o que  requerido. 
A vibrao de nomes divinos  portanto um aspecto essencial na prtica da magia porque o conhecimento do nome de qualquer ser - e no conhecimento est includa a capacidade de vibr-lo e pronunci-lo corretamente, bem como uma compreenso de suas implicaes cabalsticas - corresponde a deter uma espcie de controle sobre ele. O conhecimento do nome pode ser adquirido pela aplicao de princpios cabalsticos, de modo que no nome  possvel encontrar um resumo das foras e po deres que lhe so inerentes. Numa palavra est a magia contida, e uma palavra corretamente pronunciada  mais forte, diz Lvi, do que os poderes do cu, da terra ou do inferno. A natureza  comandada com um nome; os reinos da natureza, do mesmo modo, so conquistados e as foras ocultas que compreendem o universo invisvel obedecem quele que pronuncia com compreenso os nomes incomunicveis. "Para pronunciar esses grandes nomes da Cabala, de acordo com a cincia, temos que faz-lo com pleno entendim ento, com uma vontade por nada detida, com uma atividade que nada pode repelir."
A vibrao de nomes divinos, ento, constitui uma das mais importantes divises de uma invocao cerimonial. Os incensos, perfumes, cores, sigillae e luzes em torno do crculo mgico auxiliaro na evocao da idia ou esprito desejados a partir da imaginao, e para que se manifestem numa roupagem apropriada, coerente e tangvel ao exorcista. No somente deve haver inteno e pensamento, como tambm a expresso concreta do pensamento numa ao ou numa palavra a qual, para a id ia, tem que ser como um logos.  guisa de ilustrao do modo de vibrao, suponhamos que um exorcista deseje invocar os poderes pertencentes  esfera de Geburah. Apurar-se- que seu planeta  Marte, cuja qualidade essencial  energia e fora csmicas resumidas na divindade Hrus, seu arcanjo ser Kamael, seu esprito Bartsbael e a Sephira aos quais estes so atribudos ostenta o nome divino Elohim Gibor. Quando na cerimnia mgica que o teurgo impulsiona chega o momen to de pronunciar o nome divino, que ele aspire muito profundamente, lenta e energicamente. No instante em que o ar exterior tocar as narinas, deve-se imaginar claramente que o nome do deus, Elohim Gibor, est sendo aspirado com o ar. Figura-se o nome sustentado nas alturas em grandes letras de fogo e chama e  medida que o ar lentamente enche os pulmes, deve se imaginar que o nome permeia e vibra atravs de toda a estrutura do corpo, descendo gradualmente atravs do trax e do abdmen, at as coxas e per nas atingindo, os ps. Quando parecer que a fora toca a parte mais inferior das pernas, se expandindo e se difundindo para cada tomo e clula do p - e a prtica tornar essa faanha da imaginao menos difcil do que aparenta - o teurgo dever assumir uma das poses caractersticas do deus Hrus exibidas nas vinhetas do Livro dos mortos do Antigo Egito. Uma delas, o sinal do ingressante, consiste em arrojar o p esquerdo para a frente e inclinar o corpo para a frente, ambos os br aos sendo primeiramente levados  cabea e atirados  frente como se projetando a fora mgica para o tringulo de evocao.  medida que este sinal est sendo assumido, ao mesmo tempo que os pulmes esto expirando o ar carregado com o nome, dever-se- imaginar intensamente que este se eleva rapidamente a partir dos ps, atravs das coxas e do corpo, sendo ento arremessado energicamente com um vigoroso grito de triunfo. Se o corpo inteiro do mago sentir-se inflamado de fora e energia, e troveja ndo no interior de seus ouvidos proveniente de toda poro de espao circundante ele ouvir o eco ressonante do nome vibrado magicamente, ele poder estar seguro que a pronncia foi corretamente feita. O efeito da vibrao dos nomes divinos consiste em estabelecer um sinal na luz astral superior, ao qual responder diligentemente a inteligncia evocada. Outros gestos e outros sinais existem para cada um dos deuses e poder-se- saber o que so esses sinais mediante o estudo das formas divinas egpcias. 
Estreitamente aliada  vibrao dos nomes divinos encontra-se um outro ramo da magia.  possvel que o aprendiz tenha notado em alguns rituais muitas palavras incompreensveis numa lngua estranha ou desconhecida, palavras conhecidas tecnicamente como "nomes brbaros de evocao", as quais os Orculos caldeus nos aconselham a jamais alterar "pois so nomes divinos que possuem nos ritos sagrados um poder inefvel". Originalmente, tudo que se entendia pelos &q uot;nomes brbaros" era que se tratava de palavras no dialeto dos egpcios, caldeus e assrios, considerados brbaros pelos gregos, e G. R. S. Mead prefere traduzir a expresso para "nomes nativos". Jmblico, respondendo s indagaes de Porfrio sobre esse ponto, declara: "Aqueles que aprenderam em primeira mo os nomes dos deuses, os tendo mesclado com sua prpria lngua, os entregaram a ns, para que pudssemos sempre preservar inaltervel a lei sagrada da tradio numa linguagem peculiar e a eles adaptada... Os nomes brbaros, igualmente, detm muita nfase, grande conciso e participam de menos ambigidade, variedade e multiplicidade". A experincia confirma que as mais poderosas invocaes so aquelas em que esto presentes palavras pertencentes a uma lngua estranha, antiga ou talvez esquecida; ou at mesmo aquelas expressas num jargo degenerado e, pode ser, sem significao. Nesses conjuros, a qualidade que mais se destaca  o fato de a lngua empregada ser sempre muito vibrante e sonora, sendo esta sua nica virtude, pois so caracteristicamente eficazes quando recitadas mediante entonao mgica, cada slaba sendo cuidadosamente vibrada. Por uma razo ou outra, descobriu-se que a recitao desses nomes conduz  exaltao da conscincia, exercendo uma fascinao sutil na mente do mago. "A magia dos antigos sacerdotes consistia naqueles dias...", pensava Madame Blavatsky, "...em se dirigir a seus deuses em sua prpria lngua... composta de sons, no de p alavras, de sons, nmeros e figuras. Aquele que sabe como conjugar os trs invocar a resposta do poder superintendente. Assim essa lngua  a dos encantamentos ou dos mantras, como so chamados na ndia, sendo o som o mais potente e eficaz agente mgico, e a primeira das chaves que abre a porta de comunicao entre mortais e imortais".
A base racional e a explicao da exaltao no esto muitos afastadas da experincia geral. No  nica e nem se limita exclusivamente ao trabalho cerimonial ou tergico. L-se amide de poetas que se tornam enlevados, por assim dizer, pela repetio de versos e nomes rtmicos; de fato, muitos dos poemas de Swinburne constituem um esplndido exemplo de tal poesia. Ouve-se falar, tambm, de crianas precoces que so singularmente afetadas por aquelas passagens da Bblia nas quais exist em longas listas de estranhos nomes e lugares hebreus. Thomas Burke, o eminente romancista, uma vez informou-me que quando era jovem, os nomes das cidades e pases do continente sul-americano atuavam para ele como fascinaes de quase encantamento, exercendo um poder oculto. Nomes como Antofagasta, Tuerra* del Fuego, Antanonoriva e Venezuela so efetivamente nomes brbaros para conjurao. Lembro-me, tambm, da leitura em certa ocasio de um poema da autoria de William J. Turne r, o crtico de msica, no qual ele conta que quando menino as palavras e nomes mexicanos exerciam um fascnio sobre ele, tais como Popocatapetl, Quexapetl, Chimborozo e similares. Os nomes por si mesmos nada transmitem a uma imaginao frtil e desenvolvida; a exaltao da conscincia se deve quase que inteiramente ao ritmo e a sua msica, a fascinao dos nomes penetrando o domnio da imaginao, onde  agarrada para despertar um frenesi ou excitao peculiares. Em todo caso, resta pouca dvida d e que as muitas palavras brbaras, formidveis e de aparncia quase medonha que ressoam e so vociferadas em tantas das melhores invocaes provenientes da Antigidade, exercem um efeito estimulante na conscincia, exaltando-a ao grau exigido pela magia. A invocao do "no-nascido", cujos elementos bsicos so encontrados em alguns fragmentos greco-egpcios e que est reimpressa no ltimo captulo deste livro,  talvez o mais notvel exemplo. Como ritual  considerada por muitos como um dos melhores, sendo repleta de palavras estranhas ricas em msica e excitaes primitivas, sonoras ao mais alto grau. Muitos dos rituais e invocaes utilizados pelo astrlogo elisabetano dr. Dee, que trabalhava em colaborao com seu colega Sir Edward Kelly, constituem tambm espcimes marcantemente bons dessa linguagem. Na verdade, pode-se considerar os rituais de Dee como nicos. So escritos quase que totalmente,  exceo de algumas palavras hebraicas, numa lngua curiosa chamada anglica< /i> ou enoquiano, segundo Dee ditada a ele pelos anjos. Independentemente de sua origem, apurou-se que as invocaes expressas nessa lngua atuam com uma peculiaridade e uma fora constatadas em nenhuma outra lngua. 
* Ou melhor, Tierra. (N. T.)
Tpico das palavras brbaras, pode-se fazer citaes extradas de vrios rituais. A que se segue  retirada dos conjuros de Dee: 
"Eca, zodocare, Iad, goho. Torzodu odo kikale qaa! Zodacare od zodameranu! Zodorje, lape zodiredo Ol Noco Mada, das Iadapiel! Ilas! hoatahe Iaida! "
Presente no captulo CLXV da recenso Saite do Livro dos Mortos, encontra-se uma petio a Amen-Ra, onde os mais poderosos dos nomes mgicos do deus so recitados: "Salve, tu Bekhennu, Bekhennu! Salve, prncipe, prncipe! Salve, Amen. Salve, Amen! Salve Par, salve Iukasa! Salve, deus, prncipe dos deuses das partes orientais dos cus, Amen-Nathekerethi-Amen. Salve tu cuja pele est oculta, cuja forma  secreta, tu, senhor dos dois cornos nascidos de Nut, teu nome  Na- ari-k, e Kasaika  teu nome. Teu nome  Arethi-kasatha-ka, e teu nome  Amen-naiu-anka-entek-share ou Thekshare-Amen Rerethi! Salve, Amen e permite-me fazer a splica a ti pois eu conheo teu nome... Oculto  teu discurso,  Letasashaka, e eu fiz para ti uma pele. Teu nome  Ba-ire-qai, teu nome  Marqatha, teu nome  Rerei, teu nome  Nasa-qebu-bu, teu nome  Thanasa-Thanasa; teu nome  Sharshathakatha."
Um outro excelente exemplo, qui um dos melhores no que diz respeito  aparente ininteligibilidade dos nomes, acha-se no Harris Magical Papyrus, do qual uma traduo inglesa pode ser encontrada nos Fac-smiles de Papiros Hierticos do Museu Britnico. 
"Adiro-Adisana! Adirogaha-Adisana. Samoui-Matemou-Adisana!
"Samou-Akemoui-Adisana! Samo-deka! Arina-Adisana! Samou-dekabana-adisana! Samou-tsakarouza- Adisana! Dou-Ouaro-Hasa! Kina! Hama! (Pausa) Senefta-Bathet-Satitaoui-Anrohakatha-Sati-taoui! Nauouibairo-Rou! Haari!" 
No fragmento a que j nos referimos do ritual greco-egpcio, editado por Charles Wycliffe Goodwin para a Cambridge Antiquarian Society em meados do sculo passado*, aparecem tambm nomes exemplares: "Eu te invoco, deus terrvel e invisvel que habitas o stio vazio do Esprito: Arogogorobrao, Sothou, Modorio, Phalarthao, Doo, Ap, O No-nascido."
* Isto , sculo XIX. (N. T.)
Entretanto, tanto do ponto de vista da pesquisa quanto da filosofia concorda-se que o conhecimento da Cabala em todos os seus ramos constitui um suplemento importante e considervel  prtica do mago. Como o mago se aplica em tornar sua vida compreensvel e em interpretar todo incidente que lhe  inerente como uma transao de Deus com sua alma, de maneira que todas as coisas possam tender para sua iluminao espiritual, poderia parecer incongruente que ele contradissesse essa deci so incorporando palavras sem significado e sem sentido em suas invocaes. Acima de tudo, a consistncia e a coerncia interna tipificam a mente do mago. Conseqentemente negligenciar os princpios exegticos da Cabala  deixar desprotegidos os canais atravs dos quais o caos e a incoerncia podero invadir o sanctum de cognio. Toda palavra brbara deveria ser to cuidadosamente estudada e compreendida em termos de grau de ateno e erudio quanto uma anlise da Crtica da Razo Pura de Kant, permitindo-se a significao oculta penetrar abaixo do nvel de conscincia onde, durante a cerimnia, possa auxiliar na produo da excitao requerida. E a revelao do real esprito dos nomes brbaros no pode dispensar um bom conhecimento funcional da Cabala. 
Por exemplo, consideremos a palavra "Assalonoi" constante numa outra parte do fragmento greco-egpcio. A primeira letra sugerir Harpcrates, o Senhor do Silncio, que  o Beb no Ltus e o Puro Louco do tar, o inocente Percival que silenciosamente se pe em busca do Clice Sagrado.  apenas ele que, devido  sua loucura mundana mas tambm  sua sabedoria e inocncia divinas, pode chegar inclume ao fim. O "s" ser visto como se referind o  carta do tar que representa o Santo Anjo Guardio que ostenta no peito um sigillum que tem gravadas as letras do Tetragrammaton. "Al" pode ser interpretado como sendo a palavra hebraica para deus, bem como "on"  um nome gnstico. Pode-se supor que o sufixo "oi" indique o pronome possessivo meu, de sorte que considerada em sua totalidade, a palavra , na realidade, um resumo de uma invocao completa do Santo Anjo Guardio. 
Consideremos agora "Phalarthao", palavra na mesma invocao. "Phal"  obviamente uma abreviao de falo, que de acordo com Jung  o smbolo das faculdades criativas de um ser humano. Ele o define, alis, como "um ser que se move sem membros, que v sem olhos e conhece o futuro; e como representante simblico do poder criador universal, em todo lugar existente, a imortalidade est indicada nele.  um vidente, um artista e um operador de prodgios&q uot;. Submetendo-se as duas letras "ar" ao processo cabalstico denominado Temurah, teremos Ra, o deus-Sol, que verte sua copiosa generosidade em luz, calor e sustento sobre todo o mundo da matria, e que proporciona graa e iluminao espirituais  vida interior. O "th"  Tes, a serpente lenica que  a essncia da vida fsica, conferindo substncia  viso espiritual. "A"  o raio de Thor, as foras mgicas do Adepto postas em movimento e o "o" representa o bode monts e o aspecto fecundo criativo do ser do homem. 
A palavra "Adisana" que aparece com muita freqncia no elenco de nomes brbaros fornecidos pelo Harris Magical Papyrus, traz  mente uma aluso teosfica. As Estncias de Dzyan apresentadas em A Doutrina Secreta mencionam a palavra snscrita Adi-Sanat. Blavatsky explica que essa sugere equivalncia com Brahma e a Sephira da Cabala, Kether, e significa o Criador uno. O mago pode assim supor que a palavra egpcia, na falta de conhecimento mais preciso e definido, , portanto, uma referncia  coroa, a mnada no homem e no cosmos. 
Ainda outros mtodos podem ser concebidos para tornar inteligveis os nomes brbaros para que nos ritos nenhuma falha possa desfigurar a integridade e consistncia da conscincia de algum. 
No que concerne ao uso prtico - a exaltao da alma - um mtodo esboado por Therion* pode ser de alguma utilidade. Supondo-se que a cerimnia culmine numa grande invocao, cujo pice inclui muitas dessas palavras especiais,  possvel empregar uma tcnica especfica, a qual, contudo, implica um pouco de treinamento da imaginao. Essa faculdade deve ser desenvolvida de modo que qualquer imagem de qualquer objeto possa ser formulada claramente diante do olho da mente com v vida distino e completude; e no apenas isso, mas de maneira que a formulao possa ser sustentada por algum tempo. Durante a invocao, o teurgo deve imaginar que a primeira dessas palavras intoxicantes  como um pilar de fogo se estendendo como uma coluna vertical e reta na luz astral.  medida que as letras do nome deixam seus lbios e so impelidas para o ter, que ele imagine que sua prpria conscincia no corpo de luz segue essas letras em sua jornada pelo espao sutil e  arremessa do violentamente ao longo daquele eixo. A palavra brbara seguinte deve ser concebida ocupando uma coluna talvez duas vezes mais longa ou mais alta que a precedente, de modo que quando a ltima palavra de invocao for atingida - ignorando no momento a ao e poder inerentes  prpria invocao - a conscincia ser supremamente intoxicada e o ego ser subjugado por um sentimento de espanto e fadiga. O eixo deve ser visto no fim para crescer em estatura diante do olho espiritual, ascender cada ve z mais alto at que a imaginao seja quase fulminada pela grandeza e imensido assomadas que gradualmente criou. Esse sentido de temor e maravilhamento produzido por esse viajar no eixo gneo de cada palavra brbara  o precursor certo da exaltao e xtase mgicos. E com a prtica o teurgo inventar outros mtodos, mais adequados ao seu prprio temperamento e para o emprego satisfatrio dessas palavras.
* Aleister Crowley. (N. T.)
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Para o avivamento do trabalho cerimonial a dana, a msica e o toque de sinos constituem outros acompanhamentos complementares. Os toques de sinos e sons produzidos por percusso devero estar em harmonia no que diz respeito  quantidade e ao tipo de operao. Seu uso visa a anunciar o domnio, registrar a nota do triunfo do mago e recuperar a ateno desviada. Quanto  msica, trata-se de um assunto muito mais complicado porquanto sua apreciao varia largamente de indivduo para ind ivduo. , de preferncia, omitida em muitas invocaes visto que tende mais ou menos a distrair a ateno do teurgo, embora como preldio possa ajudar no xtase e exaltao. Exige a presena de um msico ou msicos e qualquer sinal de embarao ou falha tcnica deste ou destes atrai discordncia e fracasso. O violino ou a harpa, produzindo as notas de maior transcendncia e exaltao, podem, ocasionalmente talvez ser empregados. 
O tuntum com seu selvagem e apaixonado tamborilamento pelos dedos  til em outros tipos de trabalho nos quais se requer a excitao da energia, ou at mesmo a tranqilizao da mente. Trata-se simplesmente de forar a mente a acompanhar o compasso rtmico do tuntum, que pode ser aumentado ou gradativamente reduzido at quando tiver desvanecido num silncio abrandado, seguir-se- a paz de uma mente tranqila. A msica oriental consiste principalmente desse tipo montono, encerrando assim um motivo religioso ou mstico. Numa apresentao de bal  qual um amigo deste escritor foi convidado em Java, havia cerca de doze danarinos que envergavam trajes e mscaras grotescos embora deslumbrantemente coloridos, tpico do Oriente ostentatrio. A orquestra era constituda por cinco msicos: trs tocando um instrumento parecido a um enorme xilofone cobrindo apenas cinco notas, e dois percutindo tambores javaneses. Num teatro externo a dana, principalmente produzida com as mos e os dedos, durou cinco horas sem um nico interldio. Todo o tempo os aplicados membros da orquestra nativa fizeram soar seus ritmos montonos at que pareceu aos europeus como se os sentidos e a mente sucumbissem ao ritmo tedioso, passando finalmente ao silncio. 
Uma dana ligeira, de passos curtos, digamos uma simples dana de dois passos, pode ser til, e acompanhada por um tuntum e um mantra mental dentro de um crculo ou cmara consagrados poder ser utilizada como elemento precursor do xtase. Essa dana  particularmente interessante ao mago visto que sua caracterstica  ritmo e a totalidade da natureza  a corporificao de ritmo e graa, ambos aspectos da dana. A dana na natureza  mostrada no crescimento e movimento, pois o movimento  o elemento essencial da vida, o tema representado num palco infinito. Os xtases da natureza e suas criaturas passaram ao uso ordinrio, reaparecendo reiteradamente na linguagem popular. A msica das esferas e a dana das hostes dos planetas e corpos celestes nas infinitudes do espao sempre receberam a devida ateno nas mos dos maiores filsofos e poetas que sondaram o corao das coisas. Com freqncia, tambm, se fala - por meio de clichs,  verdade - das cambalhotas do s cordeiros e dos cabritos saltando nos prados verdes; a dana flutuante das nuvens e a pronta ressaca e retirada dos vagales do mar. Esses fenmenos, o que no so seno a participao conjunta na dana da vida que diariamente, ano aps ano, sculo aps sculo, prosseguem imutados e inalterados e que em sua perpetuidade tem que ser considerada como a prpria encarnao do jbilo! 
No que concerne ao emprego da dana em operaes mgicas, deveria ser absolutamente suficiente o indcio fornecido pela dana dos dervixes islmicos. Esses msticos maometanos so orgulhosos de uma dana que no , como alguns pensaram, um frenesi descontrolado. No incio  precisamente o contrrio. Subjacente  sua representao h um motivo altamente religioso: xtase e unio com Al. De uma posio estacionria eles gradativamente aumentam a velocidade de sua rotao e com o s braos estendidos rodopiam com uma tal celeridade que parecem no estar se movendo em absoluto. Em pouco tempo, esse movimento rotativo induz a uma vertigem tanto corporal quanto mental, a qual por puro esforo da vontade, tem seu efeito adiado e  expulsa da conscincia. A dana finalmente culmina no colapso do dervixe num estado de completa inconscincia, e no somente nisto, o que acho importante, como tambm num estado do mais elevado xtase. Alguns, ademais, podem estar familiarizados com nomes tai s como Shri Chaitanya e seu discpulo Nityananda que vagavam pela ndia no sculo XV, cantando e pregando, e danando alegremente a doutrina de Bhakta ou unio com Deus por devoo. Houve tambm em anos relativamente recentes a figura do eminente mestre religioso Shri Ramakrishna Paramahamsa, cujas freqentes canes e danas devotas eram to carregadas de fervor e forte emoo que se diz que transformaes morais e espirituais foram produzidas naqueles que tiveram o privilgio de assisti-las. Muit as dessas pessoas, afirma a reportagem, ficavam to tomadas pela emoo profunda e o arrebatamento de bem-aventurana  vista do mestre danando que caam em xtases e desmaiavam. 
No que se refere ao moderno teurgo, o principal objetivo da dana  obter uma exausto fsica e uma cessao de todo pensamento. No domnio dessa negatividade, se tiver sido induzida dentro de uma rea adequadamente consagrada e banida, pela qual nenhuma entidade ousar se imiscuir exceto a fora previamente tornada manifesta mediante as invocaes, a presena espiritual invocada poder se encarnar. Essa  a idia fundamental da dana, embora alguns possam preferir omiti- la por completo de suas cerimnias. Cada tipo de fora, pertencente s vrias Sephiroth, dispor de seu prprio tipo de dana, com seu prprio passo e seu prprio tempo. 
Um movimento comum  maioria das invocaes, que  menos dana do que um ligeiro movimento a passos curtos ou o rodopio,  o circumpercurso. De vez em quanto,  exigido do mago que ele ande de algum dos pontos cardeais um certo nmero de vezes em torno do crculo, o nmero especfico determinando a natureza da fora a ser invocada. Ademais, a direo do circumpercurso, seja para o leste ou oeste, determinar se ele est invocando ou banindo. Um movimento dextrgiro, isto , horrio , invocar, e um movimento sinistrgiro, o precisamente oposto, anti-horrio, banir. Tradicionalmente, o circumpercurso no crculo constitui um mtodo maravilhoso para adquirir potencial e despertar o entusiasmo e fora necessrios. 
CAPTULO X 
Nos captulos anteriores empenhei-me em mostrar de que maneira a teurgia concebe a vontade e a imaginao como sendo os instrumentos da reconstruo do ser humano. Entretanto, me proponho a prosseguir com a questo de tal emprego da imaginao, porquanto a mais fundamental tarefa da magia a isso concerne. Considerando-se que a substncia plstica da luz astral  de modo peculiar suscetvel  manipulao de correntes imaginativas, e considerando-se que as imagens confeccionadas nessa luz produzem alteraes perceptveis, se a vontade for suficientemente forte para vitalizar essas imagens, o mago procurar aplicar esses fatos  sua prpria esfera. Atentemos para o fato de que segundo todas as autoridades, a luz astral  tida como de natureza dupla. H o aspecto astral bsico, a chamada serpente enganadora, ocupado pelos casces decadentes e os fantasmas, e o plano superior, no qual existe uma riqueza de imagens reais, idias e sugestes espirituais. Eleva r-se alm da serpente astral at o astral superior constitui obviamente uma tarefa mgica primordial. Invocaes do Santo Anjo Guardio e a unio telstica com os deuses e essncias universais constituem os mtodos supremos de transcender os planos etreos mais baixos, mas essas so metas mximas s quais todos os mtodos e tcnicas passam a servir. Visando a tornar as difceis metas da invocao e da unio mais facilmente obtenveis e menos rduas, os teurgos recomendam uma prtica em que o sucess o confere a capacidade de conscientemente transcender o astral inferior e deliberadamente ascender at mesmo alm do astral superior rumo aos fogos divinos sem forma dos domnios espirituais. Visto que todos os planos da natureza e todas as foras que se mantm no universo esto representados na constituio interior do homem, o plano astral em seu aspecto duplo se acha, do mesmo modo, dentro dele. O aspecto inferior, a fase lunar, corresponde ao princpio humano de Nephesch enquanto que se poder ia supor que o plano superior corresponde a Sephira central da rvore da Vida, Tiphareth, o corao pulsante de Ruach e at mesmo se estende aos limites de Neschamah. Com o aspecto lunar inferior do astral, a regio dos casces qlifticos, demnios e fantasmas em dissoluo dos mortos, o mago tem pouco ou nada a fazer; sua aspirao  dirigida quilo que est acima, nas camadas superiores da rvore viva. "No te inclina para baixo", advertem os Orculos Cald eus, "para o mundo tenebrosamente esplndido, onde repousam continuamente uma profundidade sem f e Hades envolvido por nuvens, se deliciando com imagens ininteligveis, precipitadas, tortuosas, um abismo negro sempre rodopiante, sempre desposando um corpo no-luminoso, amorfo e vazio... No fiques no precipcio com a escria da matria pois existe um lugar para tua imagem num domnio sempre esplndido."  o "domnio sempre esplndido" que realmente diz respeito ao teurgo j que ne le esto as foras e poderes que podem se revelar sumamente prestativos a ele em sua busca. Dentro do Nephesch duplo existe um princpio energtico substantivo e vital. O primeiro  o chamado corpo astral ou a duplicata sutil  qual o corpo fsico deve sua contnua existncia e subsistncia. Embora o desenvolvimento desse corpo de Nephesch constitua efetivamente um certo ramo da magia, no  nossa inteno tratar dele aqui j que tem pouca conexo com a alta teurgia. Pertencente ao do mnio de Tiphareth existe um aspecto superior desse corpo astral que realmente entra de maneira muito ampla na teurgia prtica. No  realmente um corpo astral no sentido de um modelo vital que proporciona vida ao fsico, mas sim um corpo mental ou de pensamento, o veculo direto das faculdades ideais e espirituais, cuja substncia  aquela do astral superior ou divino. De acordo com Blavatsky  o Mayavi-rupa, o corpo de pensamento ou de sonho, o invlucro da mente, memria e emoo, conheci do e chamado em teurgia de corpo de luz. Ora, os teurgos sustentam que esse corpo de luz pode conscientemente ser separado e projetado do corpo, sendo Blavatsky da opinio de que aquele que  capaz de fazer isso  um Adepto! "Separars o leve do denso atuando com grande sagacidade", aconselha Hermes Trismegistos*. Este corpo de luz, como o veculo dos princpios superiores, pode ser empregado para investigar o mundo interior visando a apurar sua natureza real, e assim a natureza do prpri o homem, porquanto as leis do universo so as da mente e vice-versa. O astral superior, com o qual nos tornamos familiarizados atravs da instrumentalidade do corpo de luz  usado assim como uma escada, por assim dizer, por meio da qual o teurgo ascende ao domnio do esprito supremo, gneo, criativo e esttico. 
* Trismegistos, trs vezes grande. (N. T.)
Conseqentemente constituem naturalmente um fundamento da magia prtica a projeo desse corpo sutil, a aquisio da faculdade de nele atuar com a facilidade com que o fazemos no corpo denso, o treinamento e a educao desse corpo de luz no sentido de satisfazer aos desejos do teurgo. A capacidade de ter xito nessa fase particular do trabalho depende inteiramente do fato de o mago ter treinado sua imaginao, pois essa  a alavanca mgica para a projeo proposta. 
A tcnica, em resumo,  a seguinte: sentado confortavelmente numa cadeira - ou, tanto melhor, numa postura de ioga em que se foi treinado, no que nesse caso  fcil - e tranqilizando sua mente e emoes o mximo possvel, o mago dever tentar imaginar de p diante dele uma exata duplicata de seu prprio corpo. Caso o mago tenha se envolvido com muita prtica dos smbolos dos tattvas ou com os exerccios espirituais de Sto. Incio e aqueles descritos numa seo anter ior deste estudo, no se defrontar com nenhuma grande dificuldade para formular essa imagem. O teurgo deve conceber vividamente que um simulacro de seu prprio corpo se posta diante dele na mente; e que est vestido como o mago est vestido, de manto mgico com basto ou espada, dependendo do caso, e que se apresenta de p ereto, ou sentado numa cadeira, ou numa cmoda e confortvel Asana. Caso o mago esteja sentado, a imagem igualmente dever ser vista sentada. Mediante um supremo esforo da vont ade deve-se fazer essa imagem se mover na mente e, observada muito rigorosamente todo o tempo, erguer-se pondo-se ereta sobre seus ps. A parte mais difcil da tarefa do mago se avizinha agora. Para o corpo de luz ele tem que transferir sua prpria conscincia e  essa transferncia que pode se revelar um pouco difcil, pois por vezes ela simplesmente no ocorrer. 
Nesse caso, exercendo cada milmetro de sua vontade e aplicando todo o poder de sua imaginao o mximo possvel de maneira que imagine e queira estar no corpo de pensamento, o teurgo deve faz-lo executar vrias aes. A execuo de um ritual como o ritual do banimento do pentagrama  um esplndido exerccio, visto que por seu intermdio impele-se o corpo de luz ao movimento, a girar sobre seu prprio eixo e a proferir palavras. Com persistncia, o mago poder constatar depois de vrias tentativas que em vez desse corpo de luz executando o ritual como um autmato sob sua observao, ele prprio o estar executando dentro do prprio corpo de pensamento. Esses mtodos soltam as vigas-mestras da alma e abrem os portais fortemente trancados da mente. Alm disso, pode acontecer que  medida que o mago recita uma invocao, seguindo mentalmente cada um dos pontos do ritual com ateno e cuidado, ele se descobrir quase sem sab-lo no corpo de luz. O efeito estimulante das pala vras, as sugestes que elas incorporam devem, em alguns casos, ajudar materialmente na transferncia. "Eu piso sobre as alturas! Eu piso sobre o firmamento de Nu! Eu ergo uma chama rutilante com o relmpago de meu olho, sempre impelindo para a frente no esplendor do Ra glorificado diariamente, outorgando minha vida aos habitantes da terra!" "Eu ascendo, ascendo como um falco de ouro!" As duas primeiras sentenas, particularmente, se recitadas com entendimento e sentimento devem muito compreensivelmente bastar no caso de alguns indivduos para produzir o resultado desejado. Mesmo fisicamente, essas palavras foram algum a se erguer nas pontas dos ps, como se pisando sobre o firmamento de Nu, e os veculos sutis, sem dvida, acompanharo. O sucesso tendo sido atingido, a transferncia deveria ser praticada reiteradamente at que finalmente o mago possa vestir sua estrutura fsica e dela despir-se tal como um homem comum se despe de seu sobretudo. Mas uma vez realizada a projeo efeti va, comea a verdadeira tarefa, j que o corpo de luz tem que ser treinado para mover-se e ver no plano astral; isto embora pouco tempo seja suficiente para que responda ao treinamento, tornando-se ento capaz de se mover e ver com a prpria rapidez de relmpago do prprio pensamento. 
To logo conseguiu habitar o corpo de luz, o teurgo dever empenhar-se em ver com seus sentidos astrais. Deve tentar ver as coisas e objetos fsicos existentes no apartamento que acabou de deixar, observando o corpo, sua habitao terrestre anterior, os mveis, as paredes, o teto e tudo o mais. Quando descobrir que isto pode ser feito de maneira inteiramente simples e que os sentidos astrais respondem de modo totalmente descontrado, ento poder elevar-se diretamente rumo aos cus e observar o que de l pode ser visto. Tudo  principalmente uma questo de educao. Do corpo de luz, do veculo solar flamejante do anjo precisa ser feito um digno instrumento, e tal como se ensina a uma criana de um ano como falar, engatinhar e andar, deve-se treinar esse sutil corpo de pensamento a atuar perfeitamente em seu prprio plano. 
Ser nessa prtica que o teurgo descobrir que o que eram smbolos convencionais no mundo exterior so realidades dinmicas que vivem sua prpria existncia nesse astral ou mundo do pensamento. E sua meta dever ser investigar esse domnio inteiramente na multiplicidade dos aspectos e departamentos que ele continuamente apresenta, visto que realmente coincide com os limites de seu prprio conhecimento consciente e subconsciente. Com esse nico objetivo em vista, vrias tarefas abrangen tes devero ser empreendidas. Aqueles smbolos dos tattvas que foram anteriormente os objetos de concentrao e o exerccio da imaginao podem ser utilizados como sigillae por meio dos quais sejam produzidas vises que revelaro a natureza invisvel do smbolo. No corpo de luz uma porta poderia ser imaginada, na qual est inscrito um tringulo equiltero vermelho de Tejas, como um exemplo. Atravessando essa porta e observando o tipo de paisagem, os seres anglicos que falam ao teurgo e as conversaes que se seguem devem dar a este uma boa idia da significao e do sentido implcitos do smbolo. Ora, parece haver uma relao absoluta entre smbolos e realidades visionrias no plano astral. A viso do tattva deve ter provado isso de forma inquestionvel. Esto registrados inmeros exemplos de um smbolo que  dado a um skryer, smbolo com o qual ele jamais esteve antes familiarizado e que nunca vira antes. O significado do smbolo s  conhecido do detentor do me smo. O resultado da viso obtida ilumina e corrobora o conhecimento do detentor do smbolo. Este procedimento tem sido seguido repetidas vezes e igual nmero de vezes uma viso que concerne com preciso  natureza do smbolo tem sido obtida, sendo aconselhvel que o procedimento seja utilizado relativamente aos outros smbolos e subelementos dos tattvas. Do mesmo modo devem ser investigados por esses meios os smbolos astrolgicos dos planetas, os signos do zodaco bem como as imagens do tar. Iss o deve descortinar um vasto campo de pesquisa para cada mago j que em primeiro lugar uma espcie totalmente nova de conhecimento pode assim ser adquirida. A natureza de um smbolo at ento desconhecido para ele pode ser investigada e uma significao baseada na observao e experincia vinculada a ela. Inmeros experimentos abrangentes devem ser concebidos com o propsito de familiarizar o mago com a natureza do plano. 
Quando essas vises astrais no conferem nenhum conhecimento real, devem ser descartadas como meros exerccios tcnicos mediante os quais se obtm competncia. A habilidade tendo sido conquistada, e estas vises de experincia vital no sendo mais encontradas nem um novo conhecimento adquirido, desaparece o valor da prtica. Sabe-se que algumas pessoas tolas que so capazes de viajar no astral nada mais fazem, nada conquistando e sem nenhum benefcio. Para elas, uma viso astral no te m significao espiritual, e a intoxicao astral  a forma insidiosa de corrupo espiritual, que ento se apodera delas, e elas vagam perdidas, degenerando em meros "vagabundos" astrais. Que o aprendiz registre isso no corao: o astral tem que ser empregado ou para obter conhecimento definido ou para servir de trampolim, um degrau na escada celestial rumo a planos ainda mais sutis; caso contrrio, s haver a estagnao contnua, dominada pela intoxicao, emaranhada nos laos sedutores serp entinos que tentam o imprudente e o temerrio. Trata-se de um mundo reflexivo onde se pode perder-se facilmente a menos que a aspirao seja pura e forte. Horas, dias e at anos podem ser gastos em vises fteis que resultam em to pouco proveito quanto permanecer horas a fio olhando-se num espelho. "Para aqueles aos quais em sua evoluo espiritual surgem essas aparies eu diria: tente ser o senhor de sua viso, e busque e evoque a mais grandiosa das memrias terrenas, no aquelas coisas que apena s satisfazem a curiosidade, mas as que engrandecem e inspiram e nos proporcionam uma viso de nossa prpria grandeza; e a mais nobre de todas as memrias da Terra  o augusto ritual dos antigos mistrios, nos quais o mortal, em meio a cenas de inimaginvel grandeza, era despido de sua mortalidade e tornado membro da companhia dos deuses*."
* The candle of vision, de A. E.
 mister que se informe que existem mtodos mediante os quais  possvel que o teurgo teste a exatido de sua viso e apure se no foi grosseiramente ludibriado por elementais ou pela natureza de sua prpria mente geradora de fantasias. Graas a esses mtodos evita-se, inclusive, a possibilidade de perder-se no labirinto de fantasmagoria astral. Supondo-se que o teurgo tenha obtido uma viso de Mercrio, digamos atravs dos selos mercurianos de Cornlio Agrippa ou a Clavcula de Sa lomo, o Rei, ao retornar ao seu corpo, sua primeira tarefa deveria ser anotar a experincia num dirio especial mantido para essa finalidade. De passagem, deveria ser feito o pedido da vida do mago no sentido de conservar um dirio cientificamente elaborado com o registro das vises e experimentos mgicos, j que isso conduz  ordem e ao equilbrio que  a direo para a qual sua aspirao tende. Que se frise que essas vises devem ser registradas de uma maneira verdadeiramente cientfica porquanto e ste registro elimina muitas possibilidades de ambigidade, considerando-se, ademais, que a memria nem sempre  infalvel ou confivel aps o transcurso de um certo perodo de tempo, o procedimento que poder ser novamente acompanhado na verificao e averiguao da viso devendo ser registrado por escrito. Imediatamente aps cada experincia e viso dever-se- dar ateno ao dirio. 
Nas colunas do Magus de Barrett ou no De occulta philosofia, no qual se baseia muito do primeiro, no Liber 777 de Crowley e no Garden of Pomegranates de minha autoria encontrar-se- uma ampla gama de correspondncias naturais e simblicas a cada um dos trinta e dois caminhos da rvore da Vida. Para a verificao de sua viso o mago deve recorrer a essas atribuies, visto que a experincia tem revelado, como afirmei anteriormente, uma conexo real en tre os smbolos e as atribuies do alfabeto mgico e as realidades subjetivas. Se a viso de Mercrio encerrar elementos irregulares, de cor ou nmero, que essas colunas atribuem, digamos, a Marte ou Saturno, o aprendiz poder estar certo de que algo radicalmente errado ocorreu, medidas devendo ser tomadas imediatamente no sentido de repetir a viso inteira, assegurando-se de que nenhum erro ou confuso relativamente  viso ocorram novamente.  medida que a experincia se amplia, o mago retm em sua me mria um amplo alfabeto de correspondncias e  medida que se torna mais familiarizado com a natureza daquele plano passa a perceber instantaneamente se a viso procede corretamente, sua crescente intuio, inclusive, advertindo-o quando h alguma ameaa de perigo  coerncia. Nunca  demais relembrar que uma das mais importantes tarefas que cabem ao mago  a verificao da viso por referncia ao alfabeto mgico. Furtar-se a essa verificao cientfica e exame crtico da viso resulta em acabar mais cedo ou mais tarde chafurdando no lodo viscoso de intoxicao astral, com a perspectiva de avano e progresso desaparecendo imperceptivelmente no ar. 
 necessrio, contudo, observar algumas precaues antes de projetar o corpo de luz. Deixar o corpo fsico sozinho sem a inteligncia orientadora e o controle do eu interior  equivalente em muitos casos a estender um convite aberto a qualquer entidade astral, maligna ou no, que esteja nas vizinhanas para dele tomar posse. No h necessidade de alimentar qualquer apreenso quanto ao bem-estar do corpo j que Nephesch, a sede das foras vitais e o corpo de desgnio nele permanece a fim de prover o prosseguimento de suas funes e da vida fsica. Mas a obsesso tem que ser, a todo custo, evitada. A possesso da estrutura humana por um demnio de face canina subverte o objetivo e procedimento mgicos. Por conseguinte certos mtodos foram concebidos para impedir a possibilidade de obsesso, deixando o corpo absolutamente seguro enquanto a alma voa rumo aos fogos sagrados. Algumas autoridades acreditam que circundar o corpo com um crculo imaginrio de luz branca constitui um dos mtodos de proteo mais eficientes, visto que sendo o branco a cor do trono do esprito mais elevado, nenhum esprito menor ousaria tentar desafiar sua guarda. Outros so a favor da projeo no interior de um crculo mgico adequadamente traado, pintado em cores com todos os nomes divinos externamente e as figuras geomtricas internamente. Nesse caso, entretanto, o crculo tem que ser consagrado e cerimonialmente submetido ao banimento por um ritual apropriado, um procedimento um tanto inc modo e rduo para uma prtica to freqente. Por esse motivo assevera-se que o ritual de banimento do pentagrama por si s  suficiente para assegurar a devida proteo, eliminando toda possibilidade de possesso demonaca. 
O retorno ao corpo aps uma viso deve ser objeto de muito cuidado e a devida precauo deve ser tomada. Ao entrar na estrutura fsica deve-se deliberadamente respirar profundamente algumas vezes a fim de assegurar a estreita conjuno dos dois organismos, sugerindo-se, ademais, que se assuma fisicamente uma forma divina e se vibre um nome. Usualmente basta a forma de Harpcrates, ou seja, postar-se em p, ereto, o brao esquerdo  frente do corpo, o dedo indicador pousado nos lbios em sinal de silncio, acompanhando-se essa postura da pronunciao audvel do nome do deus. No conseguir assegurar a unio das duas essncias do corpo de pensamento e o corpo fsico pode redundar em desastrosas conseqncias. 
A consulta do Livro dos mortos do Antigo Egito ser de proveito bastante considervel para o leitor, pois a o Tuat e o Amentet, as subdivises da luz astral, foram objeto de rigorosa observao e classificao precisa. Na segunda parte do captulo CXXV, o deus Osris  visto sentado numa extremidade do salo de Maat, acompanhado das deusas da lei e da verdade, juntamente com os quarenta e dois assessores que o auxiliam. Cada um desses quarenta e dois deuses repres enta algum entre os nomos do Egito e ostenta um nome mgico simblico. Nessa concepo percebe-se o imenso talento dos sacerdotes-teurgos egpcios que criaram correspondncias entre os planos da luz astral e os nomos ou divises distritais do pas do alto e baixo Nilo. Mediante o cuidadoso estudo deste e subseqentes captulos o teurgo juntar aos poucos muitas informaes teis acerca da luz astral e dos Guardies e Mantenedores dos Pilones atravs dos quais ele ter que passar em sua auto-inicia o. Embora o Livro dos Mortos represente esses pilones como aqueles atravs dos quais o morto tem que passar a caminho do repouso no Amentet, so tambm aplicveis aos portais pelos quais o Skryer na viso espiritual tem que entrar. Esses portais guardados com seus vigias semelhantes a deuses no devem ser consideradas fices, pois como ser descoberto no desenrolar das investigaes, o mago se aproximar de alguns desses portais fechados e nenhuma quantidade de artifcios mgicos ou bajulao dos guardies dos santurios e manses selados lhe proporcionar o ingresso a estes. A recusa em entrar constitui um sinal certo de indignidade e indica acima de tudo toda a incapacidade de existir naquele condio rarefeita. Indica, adicionalmente, que o corpo de luz necessita ser purificado, tornado incandescente e resplandecente, iridescente e auto-reluzente, um organismo solar que emite a luz radiante do esprito interior.  somente assim que o mago pode atingir estados mais gneos e exaltados e obter permisso dos anjos-guardies de espadas flamejantes aos pilones sagrados e aos portais interiores. Os meios para efetuar essa purificao so as execues freqentes do ritual do pentagrama, formulando dessa forma mais clara e radiantemente o corpo de pensamento e a celebrao diria de alguma forma da eucaristia que infunde no corpo de luz a substncia purificadora da essncia espiritual. 
As vises que sero ento obtidas sero de uma elevadssima ordem. Pode ser que depois de algum tempo transcorrido o teurgo fique espantado por descobrir que seu papel de observador imparcial de uma viso cessou e que, de algum modo, a viso est ocorrendo em torno de seu prprio ser, e que ele est mergulhado numa tremenda experincia espiritual que jamais ser apagada da memria consciente por todos os seus dias na Terra. Iniciaes no sentido real e no na implicao de uma cerim nia formal de sala de loja devem ser a estimuladas, o teurgo participando como um candidato aos mistrios sagrados. Relativamente a essas iniciaes,  ocioso dizer, o pedido no  feito sob nenhuma forma escrita. Elas simplesmente ocorrem. E quando ocorrem no h dvida ou incerteza quanto ao que est ocorrendo. Como tipo de experincia realmente comovente que a espcie mais elevada de viso astral pode assumir, cito a seguinte: 
"Havia um saguo mais vasto do que qualquer catedral, com pilares que pareciam ter sido construdos de opala viva e trmula ou de algumas substncias estelares que brilhavam com todas as cores, as cores do anoitecer e da aurora. Um ar dourado incandescia nesse local e no alto entre os pilares existiam tronos que desvaneciam gradualmente, rubor a rubor, na extremidade do vasto saguo. Neles se sentavam os reis divinos. Eram encimados pelo fogo. Eu vi a cimeira do drago sobr e um deles e havia um outro emplumado de fogos brilhantes que se arrojavam como plumas de chama. Mantinham-se sentados brilhando como estrelas, mudos como esttuas, mais colossais do que imagens egpcias de seus deuses, e no extremo do saguo existia um trono mais elevado onde se sentava algum maior do que os demais. Uma luz semelhante ao sol fulgurava com incandescncia atrs dele. Abaixo, sobre o cho do saguo, jazia uma figura escura como se estivesse em transe, e dois dos reis divinos executa vam movimentos com as mos ao redor da figura, sobre sua cabea e corpo. Percebi no ponto em que suas mos oscilavam como chispas de fogo semelhantes aos lampejos de jias irrompiam. Daquele corpo escuro emergiu uma figura to alta, to gloriosa, to brilhante quanto aquelas sentadas nos tronos.  medida que despertou para o saguo tornou-se ciente de sua parentela divina, erguendo as mos numa saudao. Retornara de sua peregrinao atravs das trevas, mas era agora um iniciado, um mestre do grmio celes tial. Enquanto ele as observava, as altas figuras douradas levantaram-se de seus tronos tambm, com as mos erguidas em saudao, e passaram por mim, e desvaneceram rapidamente na grande glria atrs do trono*." 
* The candle of vision, A. E.
Ademais, a rvore da Vida da Cabala deve constituir-se como objeto de muita pesquisa e experimentao nesse plano. O skryer deve praticar a ascenso de uma Sephira para a outra, analisando a natureza da esfera cuidadosamente, subindo por todos os ramos dessa rvore que brota dos cus resplandecentes acima descendo em glria para a terra multicolorida abaixo. Todos os caminhos que irradiam das dez Sephiroth e que as unem devem ser cuidadosamente explorados e registrados no dirio cientfico.  desse modo que o autoconhecimento  conquistado porquanto a rvore  um mapa simblico no s da constituio interior do prprio homem como tambm da estrutura e foras de todo o universo em cada uma de suas fases numerosas. 
"O universo...", escreveu Crowley, "... uma projeo de ns mesmos, uma imagem to irreal quanto aquela de nossos rostos num espelho, e no entanto, como este rosto, a necessria forma de expresso dele, no para ser alterada exceto  medida que alteramos a ns mesmos... Sob essa luz, portanto, tudo que fazemos  descobrir a ns mesmos por meio de uma seqncia de hierglifos e as mudanas que aparentemente operamos so num sentido objetivo iluses... Capacitam-no s a nos ver e, conseqentemente, a nos ajudar a iniciarmos a ns mesmos mostrando-nos o que estamos fazendo."
Estudando esse mapa simblico no astral mediante os recursos do corpo de luz, o mago acabar familiarizado com todos os aspectos de sua prpria conscincia e do prprio universo. As vises que ele percebe, evocadas pelo uso dos sigilli, so outras tantas revelaes de sua prpria conscincia em suas diferentes partes com as quais ele nunca esteve antes familiarizado. Para descerrar as vrias camadas da mente e da alma, juntamente com seus contedos de forma dinmica, a luz ast ral e sua investigao no corpo solar gneo constitui o meio par excellence, que supera qualquer outro. Assim  o autoconhecimento granjeado. Assim  tambm a autoconscincia, no verdadeiro sentido, atingida servindo como um preldio s harmonias sinfnicas da unio celestial. 
Os resultados dessa prtica so muitos tangveis e salutares. Pr de lado a possibilidade da projeo consciente do corpo de luz e descartar como destitudos de importncia as experincias vitais e o autoconhecimento obtidos no astral divino mediante a reprovao superficial de que " tudo imaginao"  absurdo, para dizer o mnimo. Somente a experimentao, e nada mais, demonstrar se a aventura no empreo  uma realidade suprema ou uma fantasia, mesmo admitind o-se que os passos preliminares tenham sido dados pelos canais da imaginao. Prometeu liberto foi primeiramente concebido na frtil imaginao criativa de Shelley, mas quem seria suficientemente tolo a ponto de rejeitar a beleza intrnseca desse poema ou negar sua realidade imorredoura devido  sua origem imaterial? Aplica-se aqui uma forma de considerao bastante similar. Por meio da imaginao, o mago cria um sutil instrumento de pensamento com o qual pode medir, investigar e explorar um plano de conscincia do universo j existente mas at aqui desconhecido. Em todo caso, em pouco tempo poder ocorrer ao mago, por mais ctico que ele possa e deva ser, que as entidades anglicas que encontra no desenrolar de suas vises, suas conversaes e o tratamento que delas recebe dificilmente so produtos de sua imaginao. Nem se perceber que se trata de criaes subjetivas, especialmente quando, talvez para sua consternao inicialmente, as coisas "comecem a zumbir". 
Mas desejo agora tratar de um dos mais importantes resultados que se desenvolve a partir desse importante ramo da teurgia. Antes da consecuo do sucesso na projeo do corpo de luz, a conscincia humana era inseparvel do corpo fsico. Os apetites e desejos desse veculo tinham se identificado com o prprio Ruach. De posse da capacidade de transferir a conscincia para o corpo de luz criado na imaginao se infere uma significativa concluso filosfica. A alma  absoluta mente distinta do ser do corpo, e atravs dos mtodos corretos pode ser separada dele e tornada independente. A princpio, no se deve tirar a concluso precipitada de que a alma  imperecvel e imortal, pois isso no foi ainda verificado pela experincia.  ainda Ruach, entretanto, o falso ego, que se mantm na transferncia. No h mudana alguma no ser individual ou na natureza da prpria conscincia pois a projeo do corpo de pensamento no  anloga  experincia mstica que aniquila a dualidade e traz xtase e iluminao. O teurgo permanece a mesma pessoa que era antes, e a dualidade ainda habita sua conscincia. Contudo, consumou-se uma imensa mudana de perspectiva ou ponto de vista. Enquanto est no corpo de luz, quando a transferncia de conscincia foi efetuada com xito, ele pode ver deitado diante de si, embora adormecido, o corpo fsico que h apenas um momento ou pouco mais ele deixou vago, de modo que sabe, por um ato de observao ordinria, que ele no  seu corpo, visto que aquele corpo fsico ele pode deixar  vontade. Ele  uma entidade espiritual, assoma a compreenso, a qual pode funcionar independentemente de seu organismo corpreo. O que agora se torna imperativo  o aniquilamento da dualidade. O objetivo imediato  a transcendncia de Ruach, abrir escancaradamente suas portas, de maneira que o verdadeiro ego espiritual possa ser descoberto. Mediante essa descoberta, quando a iluminao e o xtase invadem a esfera da mente, ocorre tambm a grande compreenso de que a prpria alma  imortal; que a mente, a emoo e o corpo no passam de veculos dessa alma, instrumentos a serem empregados a servio de seu prprio alto propsito. E o meio para a descoberta e a busca da senda mgica. Invocaes, formas semelhantes aos deuses assumidas enquanto no corpo sutil e a ascenso aos planos so estradas para a comunho com o deus interior. 
Que essas prticas prossigam por mais algum tempo e o esforo persista para incluir a purificao do envoltrio mental, este se desenvolvendo sempre de forma gradual para uma organizao espiritualizada. O velho princpio de inrcia, indolncia e negrume, chamado pelos hindus de Tamas, torna-se rompido e  ejetado da esfera mgica. Os ocos do crebro, outrora pesados, impenetrveis e escuros, tornam-se leves e estranhamente luminosos. E ocorre um curioso fenmeno que traz jbilo ao corao do mago uma vez sua significao tenha sido compreendida. Enquanto nos velhos tempos a noite era passada no profundo esquecimento do sono, ou no mximo na fantstica aventura do sonho, agora a conscincia  retida mesmo durante o sono. No h nenhum longo hiato de esquecimento; tudo  uma contnua corrente de fluxo livre de percepo enquanto o corpo dorme, no fragmentado durante o dia ou a noite por lapsos inconscientes. No h como superestimar a importncia dessa realizao. Uma nov a qualidade de pureza no sentido hindu do Sattva gradualmente se manifesta; uma qualidade de ritmo, continuidade e bem-aventurana. Com esta infiltrao da qualidade do Sattva e a ejeo dos elementos tamsicos da esfera da personalidade, a claridade e a luminosidade crescem no crebro, e a conscincia no de Ruach mas da alma superior persiste a cada hora. E assim a vida  conquistada, pois a alma est acima de sua vil compreenso. A morte, o horror cinzento e pavor da humanidade, e derradeiro desespero dos filsofos,  transcendida. Somente o corpo morre. A mente e as emoes tambm morrem. Mas permanece sempre inalterado e impassvel o anjo divino da luz sagrada, purificado pela prova, triunfante acima das mutaes da vida e da morte - calmo, sereno e imperturbvel no conhecimento de sua prpria imortalidade. 
Portanto,  impossvel louvar no justo merecimento os resultados do skrying na viso espiritual, pois essa prtica pode conduzir o mago s alturas mais sublimes da rvore da Vida, onde o ar  puro e o ponto de vista claro e imaculado. Existe, naturalmente, o perigo inicial de ou perder-se nas rotas secundrias no-mapeadas daquele plano ou ficar enlaado no abrao sedutor das formas reluzentes e vises astrais fugazes das profundezas. Entretanto, tudo isso  elementar. Se a aspi rao for mantida sem mancha e pura e se os princpios cticos da Cabala forem aplicados, haver pouco perigo de tal coisa acontecer. E ento poder o mago tranqilamente alar seu caminho alm de sua personalidade, alm dos fantasmas resplandecentes do astral, passando pelas vises esplndidas e prfidas dotadas de engodo e fascnio, at o corao interior do homem celestial, onde o Senhor de tudo est entronado. 
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Antes do incio de uma viso, ou qualquer operao mgica,  aconselhvel que o aprendizrealize um completo banimento, que  tanto purificador quanto protetor. O melhor e mais rpido mtodo de banimento  atravs do Ritual de Banimento do Pentagrama. O pentagrama expressa, de acordo com Lvi, "o domnio da mente sobre os elementos e  por meio deste signo que ns os prendemos...  o smbolo da Palavra feita carne e, conforme a direo de seus raios, representa o be m ou o mal, a ordem ou a desordem... Um signo que resume na significao todas as formas ocultas da natureza e que sempre tem manifestado aos espritos elementares e outros um poder superior ao que lhes  prprio, que naturalmente os atinge com medo e respeito, forando-os  obedincia mediante o imprio do conhecimento e da vontade sobre a ignorncia e a fraqueza." A fim de compreender o significado da forma geomtrica do pentagrama e entender porque nele est encerrado o poder de banir todas as fo ras inferiores a partir de uma dada esfera e porque ele  a "Palavra feita carne", faz-se necessria uma breve recapitulao dos aspectos da Cabala. Um dos nomes divinos pelos quais os judeus concebiam a fora criadora universal era YHVH, o qual denominado Tetragrammaton acabou por ser considerado como o equivalente dos quatro elementos do cosmos. Foi tambm concebido para representar o homem no-iluminado comum no qual a luz do esprito no fizera ainda sua apario; o no -regenerado ser de terra, ar, fogo e gua, entregue s coisas do eu no-redimido. Por meio de magia considerava-se que nesses quatro elementos sobre os quais a carne  baseada o Esprito Santo descia em meio a fogo, glria e chamas. Em hebraico o elemento Esprito  tipificado pela letra Shin com seus trs forcados dardejantes de fogo espiritual unidos sob a forma de um princpio. Rompendo em pedaos o ser carnal e carregando consigo os germes de iluminao, inspirao e revelao, o Esprito Santo forma por sua presena no corao uma nova espcie de ser, o Adepto ou Mestre YHShVH. Essa palavra em hebraico  o nome de Jesus, o smbolo do homem-deus, uma nova espcie-tipo de ser espiritual, do qual no h nada maior em todos os cus e planos da natureza. Devido a esse fato e s idias sintetizadas no signo do pentagrama, o smbolo dos quatro elementos encimado pela flama coroadora e conquistadora do Esprito Santo, ele detm sua incomparvel eficincia e poder de subjugar toda oposio astral e expulsar substncia grosseira do ser do mago.
O resultado depender inteiramente da direo para e de qualquer das cinco pontas na qual essa figura seja traada pelo mago. Procedendo da ponta mais alta e descendo numa linha reta  ponta direita inferior, os poderes do fogo so invocados. Por outro lado, se o mago traar com seu basto a figura do canto esquerdo para o alto ele banir os elementais da terra. Pode-se observar, ademais, que  este ltimo tipo de pentagrama que  usado no ritual do pentagrama, geralmente sufici ente para banir seres de quaisquer classes. E a espada para representar a faculdade crtica afastadora de Ruach  geralmente instrumento empregado nesse sentido. O chamado Ritual do Pentagrama assumiu o significado de ser puramente um ritual de banimento, embora na realidade seja uma estrutura composta. Antes de abord-lo eu o cito: 
1. Tocando a testa, diga Atoh (para ti).
2. Tocando o peito, diga Malkuth (o Reino). 
3. Tocando o ombro direito, diga ve-Geburah (e o Poder).
4. Tocando o ombro esquerdo, diga ve-Gedulah (e a Glria).
5. Apertando as mos sobre o peito, diga Le-Olahm, Amen (para sempre, Amm).
6. Voltando-se para o leste, faa um pentagrama da terra com o basto ou a espada, e diga (vibre) YHVH.
7. Voltando-se para o sul, o mesmo, mas diga ADNI.
8. Voltando-se para o oeste, o mesmo, mas diga AHIH.
9. Voltando-se para o norte, o mesmo, mas diga AGLA.
10. Estendendo os braos na forma de uma cruz, diga: 
11. Diante de mim, Rafael.
12. Atrs de mim, Gabriel.
13.  minha direita, Miguel.
14.  minha esquerda, Auriel. 
15. Pois em torno de mim flameja o pentagrama.
16. E na coluna se posta a estrela de seis raios. 
17. Repita de 1 a 5, e a cruz cabalstica. 
Nesse sentido pode revelar-se interessante ao leitor o fato de Aleister Crowley ter observado que aqueles "que encaram esse ritual como um mero instrumento para invocao ou banimento de espritos so indignos de t-lo. Compreendido corretamente  a medicina dos metais e a pedra dos sbios". Em sua execuo h, como observei, um movimento complexo. O ritual primeiramente invoca e, tendo banido pelo pentagrama todos os elementos dos quatro pontos cardeais com a ajuda dos quatro nomes de Deus, ele ento evoca os quatro arcanjos como guardies divinos para protegerem a esfera da operao mgica. No encerramento, mais uma vez invoca o eu superior, de maneira que do comeo ao fim a cerimnia inteira ocorre sob a vigilncia do esprito. A primeira parte, que vai do ponto 1 ao ponto 5, identifica o Santo Anjo Guardio do mago com os aspectos mais elevados do universo sefirtico; na verdade, afirma a identidade da alma com Ado Kadmon. Na segunda parte, do ponto 6 ao 9, o mago traa um crculo de proteo ao mesmo tempo que sua imaginao est formulando um crculo de fogo astral dentro do qual ele possa proceder ao seu trabalho. Ao norte, sul, leste e oeste desse crculo pentagramas de banimento do elemento terra so traados com o basto ou a espada.  medida que esses pentagramas so formados em meio ao ar com a arma elementar, todo esforo deve ser feito no sentido de transmitir vitalidade e realidade a eles. A re alizao cega e insensvel desse ritual, tal como se revela verdadeiro em relao a todo aspecto da teurgia,  absolutamente intil alm de ser uma perda tanto de tempo quanto de energia. A imaginao, simultaneamente, deve ser estimulada para criar esses pentagramas em torno do mago no plano astral em figuras incandescentes, de sorte que atravs das linhas num jorro de luz e poder, representantes do ser espiritual nenhuma entidade menor de qualquer espcie ousa abrir caminho.  necessrio que o mago se c ertifique de no abaixar a arma elementar depois de formular um pentagrama em meio ao ar. O crculo tem que ser completo, prosseguindo numa linha ininterrupta de pentagrama a pentagrama. A estrela fulgurante de cinco pontas  como a espada flamejante que privou Ado do den. Os quatro arcanjos, os regentes espirituais dos quatro elementos, so ento invocados para dar legitimidade ao trabalho, e poder e proteo espirituais tanto aos pentagramas circundantes quanto ao crculo onde o m ago se encontra encerrado. A ltima frase do ritual declara os pentagramas inflamados em torno dele e invoca novamente o Santo Anjo Guardio para que a operao seja selada com o selo da luz divina. 
Um dos resultados de grande significao e importncia desse ritual, se corretamente realizado na maneira indicada,  a limpeza de toda a esfera da personalidade. Bastar um pouco de prtica para demonstrar ao jovem teurgo se est conseguindo atingir o efeito necessrio.  extremamente difcil, lamento diz-lo, descrever o resultado do banimento, como seguramente  o caso da maioria das matrias concernentes ao domnio subjetivo da sensao e percepo. Deve haver um claro senso, inequ voco em sua manifestao de limpeza, mesmo de santidade e sacralidade, como se todo o ser fora suave e integralmente purificado, e todo elemento impuro e sujo disperso e aniquilado. Tal como um mergulho num rio de guas frescas num dia quente de vero nos deixa abenoados com uma sensao de frescor e purificao, assim deve ser esse ritual. 
A base racional de sua ao depende da purificao dos constituintes da natureza do mago. Cada molcula, cada clula - astral, mental e fsica -  envolvida, visto que a base de cada princpio se funda em centros de energia e fora espiritual. Esses pontos microscpicos ou mnadas so os minsculos pontos sensveis de conscincia espiritual, e na realidade de sua existncia e funo esto baseados no s o sentido mais profundo de individualidade como tambm o fundamento da p rpria matria, e seus acompanhamentos de energia e vida fsica. Essas mnadas esto na raiz da clula seja de um mineral, seja da matria cerebral bem como da vida vegetal. O resultado da formulao do crculo do fogo e dos pentagramas flamejantes, da vibrao dos nomes divinos e da invocao tanto dos anjos dos pontos cardeais quanto do Santo Anjo Guardio  que gradualmente as clulas mais grosseiras ou tomos mondicos so ejetados da esfera da conscincia. Para substitu-las, outras vid as, mais sensveis e refinadas, de uma qualidade mais sutil de substncia espiritual, so atradas  esfera do ser e infundidas na prpria substncia da constituio fsica e invisvel. Assim uma purificao vital ocorre, permitindo que a influncia do Santo Anjo Guardio penetre o crebro e mente refinados para difundir atravs da personalidade sua presena e graa, um importante passo inicial para o progresso mgico. 
A histria desse ritual em particular  um tanto obscura. No constatei nenhum outro espcimen a ele semelhante que se vincule  Antigidade, embora obviamente lguma forma similar de banimento tenha sido necessariamente utilizada. Podem-se encontrar em Lvi as primeiras referncias ao ritual em pauta. No Dogma e Ritual de Alta Magia encontramos a seguinte afirmao: 
"O sinal da cruz adotado pelos cristos no lhes pertence com exclusividade.  tambm cabalstico e representa as oposies e o equilbrio tetrdico dos elementos. Havia originalmente dois mtodos de faz-lo, um reservado aos sacerdotes e iniciados, o outro separado para os nefitos e profanos. Assim, por exemplo, o iniciado, erguendo a mo at a testa, dizia 'Teu ...', em seguida levava a mo ao peito, '...o reino', depois a transferia para o ombro esquerdo, 'Justia', e finalmente ao ombro direito, 'e misericrdia'; ento juntando suas mos, ele acrescentava 'atravs das geraes'. Tibi sunt Malkuth et Geburah et Chesed per aeonas - um sinal da cruz absoluta e esplendidamente cabalstico e que as profanaes da Gnosis perderam inteiramente para a igreja oficial e militante. O sinal feito dessa maneira deve preceder e encerrar a conjurao dos quatro." Percebe-se por certo que esse mtodo  apena s uma parte do ritual que reproduzi anteriormente.  indubitavelmente ao ritual do pentagrama que Lvi alude. Na agora extinta Ordem da Aurora Dourada, sob a liderana do falecido S. L. McGregor Mathers, esse ritual era usado extensivamente e, depois de sua morte e da destruio de partes de sua Ordem, dele se apropriou Aleister Crowley, que o perpetuou no seu peridico The Equinox. Antes dessa reimpresso no fui capaz de localizar qualquer referncia de autoridade a qualquer coisa que seja minimamente semelhante a esse ritual.
((ilustrao - Sigillum do Pentagrama))
Existe evidncia, contudo, que mostra que alguma forma de proteo ou um banimento preliminar eram reconhecidos pelos magos medievais dos quais, a julgar pelo contedo, Francis Barrett recebeu seus mtodos. O dbito dele no  menor com Cornlio Agrippa e Pietro de Abano. Em O Mago de Barrett h a afirmao segundo a qual antes de comear as invocaes deveria haver alguma "orao ou salmo, ou evangelho para nossa defesa em primeiro lugar", e numa pgina adiante Barret t fornece uma forma de consagrao do crculo na qual a idia da defesa  distintamente formulada. Alm disso, h o mtodo do emprego do pentagrama mencionado nas instrues mgicas da Gocia, da Clavcula de Salomo, desenvolvidas pormenorizadamente pelo mago francs. A figura mgica  traada como um sigillum com suas palavras e smbolos apropriados sobre metal ou pergaminho virgem para uso durante a cerimnia. Caso haja ameaa de perigo para o exorcista, ou ele se ache incapaz de enquadrar a inteligncia evocada em sua vontade, o pentagrama dever ser seguro alto na mo e levado em circumpercurso aos quatro quadrantes onde uma curta alocuo ao Senhor do Universo  recitada. O resultado realmente  idntico ao traado e formulao da figura no ar com o verendo da arte. 
H, ademais, uma variao que poderia ser mencionada, embora seja uma forma que deveria figurar em todo trabalho cerimonial.  chamada de Licena para partir, e ocorre nesses cerimoniais nos quais uma inteligncia foi conjurada  apario visvel no tringulo da arte. Quando o operador no deseja mais que o esprito permanea no tringulo, a licena  recitada permitindo que o esprito desmaterialize e parta do cenrio da operao. " tu esprito N, porque res pondeste diligentemente s minhas exigncias e estiveste muito disposto e desejoso de atender a minha chamada, eu aqui te dou licena para partir para teu lugar adequado, sem causar mal ou perigo a homens ou animais. Parte, pois, eu digo e esteja tu pronto para atender ao meu chamado, estando devidamente exorcizado e conjurado pelos ritos sagrados da magia. Eu te ordeno a se afastar pacfica e sossegadamente e que a paz de Deus continue sempre entre tu e eu. Amm!" Barrett apresenta uma ligeira varia o da licena acima da Gocia: "Em nome do Pai, e do Filho e do Esprito Santo, ide em paz para os vossos lugares; que haja paz entre ns e vs; estejai vs pronto para quando chamado." Ele acresce posteriormente que quando o esprito partiu, o mago no deve sair do crculo durante alguns minutos, mas que uma breve orao deve ser feita dando graas pelo sucesso da operao e "orando pela futura defesa e conservao, o que sendo ordenadamente realizado vs podereis partir&quo t;. Numa nota de rodap, fazendo uma advertncia adicional, Barrett acrescenta que aqueles que omitem a licena do esprito se acham em serissimo perigo, pois soube-se de casos nos quais o operador experimentou morte sbita. No se pode dizer que esses vrios mtodos paream to cientficos ou to confiveis quanto o Ritual do Banimento do Pentagrama descrito pginas atrs. O ritual como aqui  dado  um dos mais singulares existentes e no deve jamais, sob circunstncia alguma, ser omitido em qua lquer operao mgica, seja esta magia cerimonial formal, a celebrao da missa do Esprito Santo, ou skrying na viso espiritual. A esfera da personalidade  mantida pura e limpa, impedindo que qualquer entidade estranha irrompa no interior do raio de percepo, destruindo assim a continuidade e coerncia daquele trabalho particular. 
Dois outros mtodos de banimento restam para serem descritos. Quando numa cerimnia se faz necessria a realizao de um banimento mais completo que o proporcionado pelo ritual do pentagrama, costuma-se empregar uma tcnica que se assemelha um pouco a um exorcismo oficial. Algumas gotas de gua so borrifadas em torno do crculo, uma vela ardente representando o elemento fogo  deliberadamente apagada, um leque  agitado no ar e alguns gros de sal so joga dos  beira do crculo. Ao mesmo tempo, devem ser pronunciadas as palavras mgicas "Exarp, Bitom, Hcoma e Nanta", cada uma das quais controla o esprito do ar, fogo, gua e terra. Deve-se tambm recitar um conjuro para a partida dos elementais governados por esses nomes e,  claro,  melhor que seja precedido pelo ritual do pentagrama. Vrios dos versculos dos Orculos Caldeus podem ser empregados com grande proveito com cada uma das aes cerimoniais menciona das. 
O outro mtodo  um que era utilizado pelos sacerdotes egpcios, estando contido num dos captulos do Harris Magical Papyrus. Trata-se de um ritual de banimento a ser executado nos quatro pontos cardeais, formulando na imaginao um guardio sob a forma de um co, o qual se supunha ser terrivelmente destrutivo contra qualquer fora agressora. No tentarei descrev-lo, preferindo transcrev-lo textualmente do Harris Magical Papyrus: 
"Surge, co do mal, para que eu possa instruir-te em tuas presentes obrigaes. Ests aprisionado. Confessa que assim .  Hrus que produziu este mandamento. Que teu rosto seja terrvel como o cu partido pela tempestade. Que tuas mandbulas se cerrem impiedosamente... Faz teus pelos eriarem como varetas de fogo. S tu grande como Hrus e terrvel como Set; igualmente para o sul, para o norte, para o oeste e para o leste... Nada te obstar enquanto colocares tua face em m inha defesa... enquanto tu colocares tua face a servio da proteo de minhas sendas, opondo-te ao inimigo. Eu te concedo o poder do banimento, de se tornar completamente silente e invisvel, pois tu s meu guardio, corajoso e terrvel."
Essa forma de banimento, em qualquer caso, deve ser acompanhada pelo ritual do pentagrama.  usada principalmente em difceis operaes de evocao, nas quais pode haver algum perigo representando por uma entidade particularmente maligna atrada ao templo e que invade um crculo ordinariamente consagrado, em detrimento do mago. Tem sido tambm usada na invocao de Hrus, ou das inteligncias do planeta Marte, quando se deseja particularmente que a esfera astral esteja co mpletamente limpa e pura. Ocioso enfatizar, estou certo, que se esse mtodo for empregado, a formulao na imaginao do co-guardio dever ser to precisa quanto aquela dada para o pentagrama, e o teurgo dever atribuir importncia, no que diz respeito  figura no olho de sua mente, aos dados fornecidos no prprio conjuro. 
CAPTULO XI
Um dos mais potentes auxiliares da invocao e um elemento essencial ao sucesso de toda operao mgica  o assumir astral da forma ou mscara pela qual um deus passou a ser conhecido convencionalmente e  retratado pictoricamente. O sr. Franois J. Chabas no seu livro, agora esgotado, Le Papyrus Magique Harris, apresenta uma informao muito significativa que dificilmente pode ser encontrada alhures sob forma definida, a saber, que a mais poderosa frmula mgica conhecida dos s acerdotes das castas do antigo Egito era a identificao do executante do ritual em imaginao com a divindade que ele estava invocando. Jmblico afirma que "o sacerdote que invoca  um homem, mas quando ele comanda o poder  porque atravs de smbolos arcanos ele, num certo aspecto,  investido das formas sagradas dos deuses". Se a frase "num certo aspecto" indica a frmula na iminncia de ser considerada  um problema que pode ser deixado em aberto, embora possa bem ser o assumir da forma divina ao que ele esteja se referindo. Esparso aqui e ali ao longo do Livro dos Mortos em alguns dos rituais e hinos aos deuses apura-se que o escriba do livro se identifica com eles. H numerosos exemplos de versculos em separado que confirmam essa crena. "Eu me uni aos macacos divinos que cantam na aurora e eu sou um ser divino entre eles." No captulo 100 o versculo "Fiz de mim um contraparte da deusa sis e o poder dela (khu) tornou-se forte&q uot; pareceria definitivamente apoiar essa tese, que ganha confirmao adicional a partir de outras fontes, segundo as quais o assumir da forma divina constitui um dos mais importantes fatores a serem observados na magia egpcia. 
Recordando tudo que foi postulado relativamente  natureza plstica e magntica da luz astral, tanto em seu aspecto inferior quanto superior, e a potencialidade criativa da imaginao treinada, bem como a observao feita por Lvi referindo-se ao corpo astral de que "ele pode assumir todas as formas evocadas pelo pensamento", o aprendiz dever dedicar-se ao estudo das formas convencionais como os deuses so retratados. Eu me estendi um pouco num captulo anteri or na descrio sumria das formas e algumas caractersticas filosficas dos deuses mais importantes ligados  rvore da Vida a fim de simplificar as exigncias do leitor em geral. A experincia tem demonstrado aos teurgos ocidentais que as representaes pictricas dos deuses egpcios so perfeitas para o objetivo dessa prtica em particular - mais do que as da ndia - e encerram em si mesmas um sistema de simbolismo sumamente maravilhoso e recndito. As formas desses poderes universais e essn cias inteligentes csmicas, que as castas sacerdotais do Egito chamavam de deuses, permaneciam cada uma completa por trs de uma mscara humana ou animal, todo atributo sendo simbolizado por algum emblema ou ornamento artstico. A divindade de um deus era simbolizada pelo tipo e os emblemas, a cobertura de cabea como a serpente Uraeus ou o disco do sol nascente, ou as plumas duplas da Verdade, divina e mundana. Havia a representao de poderes pelo basto da bis, o cetro ou a Ank h segura na mo do deus. E ainda outros smbolos portados pelo deus eram sugestivos de sua capacidade de proporcionar ressurreio ou renascimento, autoridade e poder, xtase ou estabilidade, ou representativos de algum modo de funo particular na economia csmica. A forma convencional do deus resume assim de uma maneira espantosa um vasto agregado de idias, lendas e mitos, sintetizando ao mesmo tempo foras especiais da natureza ou, talvez, poderes inconscientes na constituio espiritual do homem. 
 guisa de exemplo do procedimento a ser seguido para a aplicao dessa hiptese, suponhamos de momento que a tarefa que temos  a invocao e a identificao da conscincia humana com a divindade, ou aspecto da vida csmica, conhecida como Ra - a divindade que habita o sol. Inicialmente, o mago se ocupar da incumbncia de descobrir tudo o que for possvel sobre a natureza do deus. As lendas que se desenvolveram em torno do carter do deus devem ser minuciosamente analisadas porq uanto  notrio que nas lendas e mitos fantsticos de outrora muito conhecimento espiritual e sabedoria esto encerrados. Alm disso, a lenda vinculada a um deus especfico indicar aspectos da natureza e o temperamento ideal da divindade, sugerindo tambm vrios poderes na personalidade divina sobre os quais o aprendiz jamais suspeitara antes. 
O perigo da magia, ao menos um dos mais srios,  uma ocupao imprudente de uma certa parte da tcnica tergica, uma compreenso real dos processos executados e dos princpios filosficos da prtica. Que o aprendiz, portanto, atinja uma compreenso mais ou menos completa, na medida do possvel, do que ele est desejoso de se tornar, de qual fora ou poder espiritual ele deseja invocar; e ento, estando certo e mentalmente bem informado, que prossiga. Um tal trabalho informativo como < i>The Gods of the Egyptians, de Sir E. A. Wallis Budge, antigo zelador das Antigidades egpcias do Museu Britnico, ser marcantemente til. A partir das lminas em autotipia a existentes e das lminas coloridas no livro mencionado ele dever familiarizar-se com a configurao e a forma do deus, as posturas nas quais o deus  comumente retratado, os gestos costumeiramente empregados e as cores utilizadas na traduo artstica. Esta leitura pode tambm ser suplementada por uma visita s galer ias egpcias do Museu Britnico ou qualquer outro. O leitor ser, posso garantir, bem recompensado. 
Com todos esses fatos na memria, o aprendizproceder  fase mais difcil do trabalho, a qual consiste da aplicao da imaginao e da vontade, treinadas por suas prvias prticas. Em seu trabalho - no necessariamente cerimonial - ele dever se empenhar em construir diante do olho de sua mente uma perfeita imagem ou mscara do deus. A forma tem que se projetar ousada e claramente na viso da imaginao, gigantesca, resplendente e irradiando a luz do sol espiritual, do qual R a  o smbolo esotrico convencional. Ele perceber que o deus porta um basto com cabea de bis na mo esquerda, sendo a bis o smbolo da sabedoria e da vontade divina; na sua mo direita  sustentado o Ankh, smbolo de luz e vida as quais o sol, por dias e anos, atravs de sculos incontveis, concede livremente a toda a espcie humana e a todas as suas criaturas na Terra. Sobre sua cabea, fazendo as vezes de uma coroa, est um halo, uma aurola dourada de inimitvel esplendor, confrontada por uma serpente Uraeus insuspensa, o smbolo do fogo espiritual interior. Retratada como um falco cuja cabea  cor de laranja, a nmise do deus desce do azul escuro da coroa, quase preto, no matiz a cor do smbolo Tattva do esprito; e a pele do deus  flamejante como o fogo do sol do meio-dia. Esses detalhes devem ento ser aplicados ao simulacro retido firmemente na mente at que sejam vistos diante da alma viva como uma imagem dinmica de Ra, uma imagem na qual no resida qualquer trao de imperfeio.  uma tremenda tarefa de imaginao criadora, e rdua. Mas dia aps dia tem que ser continuada com ardor e devoo at a tarefa sagrada ser consumada e, completo e fulgurante o deus se mostra, um deus em verdade para seu devoto. Com essa imagem mantida firmemente na luz astral, o teurgo deve se empenhar para envolver sua prpria forma com o abrigo do deus e em seguida unir-se  forma que o encobre. Segundo afirmao de Lvi j citada anteriormente, o corpo astral assumir a fo rma de qualquer pensamento poderoso que a mente evocar. Essa efgie astral do deus, anteriormente apenas uma imagem externa ao corpo do teurgo, deve agora ser organizada como uma figura divina em torno de sua prpria forma astral at que coincidam seu prprio corpo de luz sendo alterado e transmutado no corpo do deus. Somente quando o teurgo realmente sentir o formidvel influxo de poder espiritual, a aquisio da fora e energia solares e iluminao espiritual, somente quando ele souber na intui o do transe defico que a identificao foi concretizada, estar a tarefa de criao completa. "As imagens dos deuses", escreve Jmblico, o divino teurgo, "so repletas de luz flgida..." e "o fogo dos deuses, realmente, fulgura com uma luz indivisvel e inefvel, preenchendo todas as profundezas do mundo" de uma maneira celestial empireana. Relativamente ao teurgo ou rei-sacerdote do Egito que executara essa excelente combinao das essncias com a glria do deus do sol, h uma descrio sob a forma de uma alocuo citada por G. Maspero, o egiptlogo, mostrando o poder do esprito que se consagrou pelo voto como resultado da identificao. A alocuo  a seguinte: "Tu te assemelhas a Ra em tudo o que fazes. Portanto os desejos de teu corao so sempre satisfeitos. Se desejares uma coisa durante a noite, na aurora ela j estar disponvel. Se disseres 'Subam s montanhas' as guas celestiais fluiro pela tua palavra. Pois tu s Ra encarnado, e Kephra criado n a carne. Tu s a imagem viva de teu pai Temu, Senhor da cidade do sol. O deus que comanda est em tua boca e um deus senta-se sobre teus lbios. Tuas palavras so cumpridas todas os dias e o desejo de teu corao realiza a si mesmo como o de Ptah quando ele cria suas obras".
Simultaneamente ao processo de unificao com o corpo do deus se revelar como de grande ajuda a recitao de uma invocao, um pe lrico ou ditirambo entoando louvores ao deus, delineando a natureza e as qualidades espirituais do deus no discurso. Se o aprendiz tiver habilidade no escrever no enfrentar grande dificuldade. Por outro lado, uma tal litania poderia muito facilmente ser construda a partir dos hinos rficos, ou da coletnea de textos lricos includos no Livro dos Mortos, o qual est repleto de alguns dos melhores exemplos de rituais existentes. Em suma, a invocao do deus deve ser expressa numa linguagem que tenda a produzir jbilo mental e xtase. A seguir transcrevemos um exemplo, adaptado do Livro dos Mortos, de um tal ritual, embora no seja aqui dado como exemplo para ser rgida e servilmente imitado, mas apenas como sugesto e talvez ajuda ao aprendiz sincero. 
"Homenagem a ti,  Ra, no teu formoso nascer. Tu nasces, tu brilhas na aurora. A companhia dos imortais te louva ao nascer e ao pr-do-sol, quando  medida que teu barco matutino se encontra com teu barco do anoitecer sob ventos propcios, tu velejas sobre as alturas do cu com um corao jubiloso.  tu uno,  tu perfeito,  tu que s eterno, que jamais s fraco, que nenhum poder  capaz de rebaixar,  tu esplendor do sol do meio-dia, sobre as coisas que perte ncem  tua esfera nenhum possui em absoluto qualquer domnio. E assim a ti presto homenagem. Todos salvem Hrus! Todos salvem Tum! Todos salvem Kephra! Tu grande falco, que por teu rosto formoso produzes o regozijo para todos os homens, tu renovas tua juventude e com efeito pes a ti mesmo no lugar de ontem. , jovem divino, autocriado, auto-ungido, tu s o Senhor do Cu e da terra, e criaste seres celestiais e seres terrestres.  tu, herdeiro da eternidade, regente perptuo, auto-sustentado, quan do tu nasces teus raios benevolentes esto sobre todos os rostos e moram em todos os coraes. Vive tu em mim, e eu em ti,  tu, falco dourado do sol!"
Com a recitao de cada ponto da invocao, proferido com entonao e intento mgicos, obtm-se em pensamento uma intensa compreenso da significao das palavras.  medida que o teurgo brada "Tu brilhas na aurora", a forma astral do deus deve ser vista e realmente sentida com os sentidos emitindo uma refulgncia diante da qual o mais claro brilho do sol do meio-dia pareceria trevas, uma luz to ntida e aguda, e rica de brilho e glria dourada que sua essncia inundaria com grande sutileza o corao, a mente e a alma. E quando o mago profere "Vive tu em mim, e eu em ti, , falco dourado do sol", o processo da identificao com a forma astral deve ser realizado e compreendido o mais vividamente possvel. Enquanto o mago no for capaz de efetuar perfeitamente o trabalho criativo da imaginao, todos os esforos s podero ser classificados simplesmente como prtica. O teurgo saber que seus esforos foram coroados pelo xito mediante sinais infalveis dentro de sua prpria conscincia e a acelerao de uma vida nova. Nele e em sua alma o deus buscar sua eterna morada. No interior do corao haver um santurio e uma habitao serena de uma fora espiritual tremenda, uma conscincia divina que nele viver duradouramente, transformando o filho da terra em um verdadeiro filho do sol eterno. "Pois como as trevas no esto adaptadas para a sustentao do esplendor da resplandecente luz do sol, tornando-se de sbito totalmente invisveis, retro cedendo por completo e imediatamente desaparecendo, assim tambm quando o poder dos deuses, que acumula todas as coisas de bem, brilha copiosamente, nenhum lugar  abandonado ao tumulto dos espritos malignos*." 
* Os Mistrios, Jmblico. 
Assim ensinaram os magos da Antigidade. Os esforos modernos confirmam reiteradamente seus ensinamentos e experimentos. Dessa maneira, expandindo a si mesmo a uma grandeza incomensurvel unindo-se  grandeza dos deuses, o teurgo salta como o bode monts alm de todas as formas para idias e essncias que residem no cume da manifestao, e transcendendo o tempo se torna eternidade e infinidade. Assim, "a partir da splica somos em breve conduzidos ao objeto da splica, adquirimos sua semelhana a partir da conversao ntima e gradualmente obtemos perfeio divina, em lugar de nossa prpria imbecilidade e imperfeio**. O teurgo se tornar mais elevado que a altura nessa perfeio, mais profundo na fora de seu fundamento do que as profundidades mais baixas, uma parte integral da criao universal de imediato no gerada, jovem, velha, auto-existente e imortal. Aquilo que outrora era grosseiro se torna despido de toda sua trivialidade sensual para assumir uma beleza 
fascinante, apa ixonadamente seleta, como se furtada do esprito. Dentro de si faculdades espirituais latentes e que desabrocham sero sentidas e a dbil memria da experincia ganha ao longo do tempo desde muito pretrita e morta, gradativamente surgir para iluminar a mente e pulsar novamente no corao, expandindo o horizonte da conscincia. E assim hoje seus ps pisam aquele lugar que ontem, quando contemplava a augusta natureza do trabalho, seu olho mal podia ver. Alm dele, no invisvel, estar seu stio de repouso do dia seguinte. E ele ser como diante do prprio Ra, um sol de luz, brilho e alimento celestial para todos aqueles com os quais ele entra em contato cotidiano. Sobre o pequeno bem como sobre o grande, sobre o elevado bem como sobre o baixo, no menos sobre o pobre do que sobre o rico seu auxlio descer, mesmo alm dos limites extremos do espao. 
** Os Mistrios, Jmblico. 
CAPTULO XII
Como um dos pr-requisitos fundamentais do treinamento mgico, seja no ramo da gocia, seja no ramo que diz respeito  invocao do eu superior e s essncias universais, todos os tipos de magos apontaram insistentemente ao longo das eras a pureza de vida, a acompanhar toda prtica tergica e cerimonial. Parece ser repetido por quase toda autoridade, dogmaticamente e com certeza por alguns, um tanto vagamente por outros que passam adiante o que eles prprios receb eram meio compreendido e meio compilado de seus antepassados. Todos concordam, no entanto, que na busca das artes mgicas  mister que haja pureza e santidade.  meu desejo investigar sobre o significado dessa "pureza". No desejo, porm, entrar numa discusso de tica e moral, pois essa me distanciaria do assunto da magia, e eu propositadamente me contenho aqui de tocar nessa matria controvertida que parece ter criado mais confuso e diferena de opinio do que quase qualquer outra. No que a < i> pureza diz respeito  magia, todavia, o aprendiz pode se assegurar quanto  verdade dessa nica afirmao, atribuindo ao resto qualquer interpretao de moral que preferir. A totalidade da vida de algum deve apontar para uma direo e ser concentrada e devotada a um conjunto de objetivos. Quando dizemos, por exemplo, que o leite ou a manteiga  puro ou pura, o que queremos dizer com tal afirmao? Apenas isto: ao leite ao qual nos referimos no foram acrescentados nenhuma gua ou produtos qumicos ou quaisquer outras substncias estranhas, e a totalidade de seu teor  conforme o ingrediente principal. Bem, a pureza da vida mgica deve ser considerada exatamente da mesma maneira. A vida do mago tem que ser acima de tudo eka-grata, de um nico direcionamento, e a soma total de seus pensamentos, emoes e aes, quaisquer que sejam, deve sempre ser constituda para interpretar e dar mpeto  aspirao espiritual. Qualquer que seja a virtude que a moralidade possa deter em si mesma, e no caso d e alguns indivduos ela  prenhe de possibilidade divina, encontra-se completamente fora da esfera do mago. No h dvida que uma pessoa que foi iniciada num mistrio espiritual e que foi abenoada pelo influxo do eu seja provavelmente moral simplesmente porque estar doravante em harmonia consigo mesma. Um tal ser humano, por um impulso natural, est geralmente tambm em harmonia com os outros seres humanos. Mas o mstico ou o mago no so necessariamente homens morais em nenhum sentido convencion al. Isso quer dizer que no devemos de maneira alguma esperar que o mago, mesmo quando fundamentalmente em harmonia com seus semelhantes, esteja necessariamente em harmonia com as leis morais e ticas de seu tempo. A moral, em sntese, nada tem a ver com a magia. Essa idia foi claramente expressa por Waite, que em seu Studies in Mysticism sugere que "O objeto da religio  o desenvolvimento e a perfeio da humanidade por meio de uma srie de processos espirituais e sua unio com o que  o mais elevado no universo, enquanto que a moralidade prope o melhoramento da raa apenas com a ajuda da lei natural... Precisamos conhecer Deus para sermos bons, mas nenhuma bondade moral pode nos conduzir ao conhecimento divino... "No que concerne ao mago, s isto  importante. Seja l o que esteja fazendo, comendo, bebendo ou trabalhando, essa ao tem que ser transfigurada num smbolo e dedicada ao servio daquele ideal entesourado acima de toda riqueza e outros valores em seu corao. Sua vida inteira deve ser uma contnua concentrao, caso contrrio todo seu treinamento em Dharana e o desenvolvimento da vontade mgica tero sido um completo desperdcio; tanta energia intil jogada fora tal como num monte de poeira se ele no trouxer essa concentrao e essa atitude sacramental  premncia da vida diria. 
O ideal que para o mago constitui seu maior tesouro e para o qual todo o contedo das atividades de sua vida  dirigido  a recuperao do conhecimento de seu Santo Anjo Guardio, o Augoeides, aquela parte mais nobre de sua conscincia que  real, permanente e a fonte generosa, imorredoura de inspirao e sustento espiritual. Da existir, na realidade, um perfeito ritual em magia; uma meta que tem primazia sobre todas as outras: a invocao do Santo Anjo Guardio, unio que deve , inclusive, preceder as invocaes dos deuses ou das essncias universais, seguindo-se o procedimento formulado por Jmblico. A alma busca primeiramente e entrega sua vida ao governo de seu daimon, sob cuja orientao os prprios deuses podem ser suplicados; e deles procedendo o retorno deve ser feito para a Suprema Manso do Repouso. Mas a invocao de Algoeides precisa ter precedncia a todas as outras. Caso se julgue necessrio executar qualquer operao auxiliar antes desta para o Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio,  foroso que se trate de um propsito bem definido. O motivo, espiritual  claro,  que tal operao constitua um passo preliminar para a possibilidade e sucesso do ritual principal. Entretanto, nos melhores sistemas de magia, as evocaes so sempre representadas seguindo-se  consecuo maior da invocao das grandes foras da vida csmica ou o daimon interior, o Santo Anjo Guardio, embora essa ltima receba primazia, como foi a firmado. A unio com os deuses e Adonai  buscada por meio de amor, e a unio das essncias  efetivada pelo ceder do ego e a renncia espontnea de tudo que  mesquinho, pequeno e irrelevante. A invocao suprema implica, acima de todas as outras coisas, o sacrifcio do apego s coisas mundanas. Do mesmo modo que algum que, ingressando no interior do dito celestial deixa atrs de si todas as esttuas do templo externo, ou do mesmo modo que aqueles que entram no santurio interno do Santo dos Santos purificam a si mesmos, pondo de lado suas vestes para entrarem nus e no envergonhados, a alma dever avizinhar-se de sua meta. Na operao de Abramelin, que brevemente descreveremos, o procedimento a ser seguido  bastante similar. Primeiramente o Anjo  invocado numa cmara especialmente consagrada e depois do atingimento o Anjo concede ao mago instrues especiais e autoridade que dizem respeito  evocao dos Quatro Grandes Prncipes do Mal do Mundo. 
O resultado da invocao do Santo Anjo Guardio no  idntico para todas as pessoas. Adonai aparece de vrias maneiras e sob diversas formas, em conformidade com o indivduo. "Alm disso...", afirma tambm Jmblico, "...as ddivas provenientes das manifestaes no so todas elas iguais, nem produzem o mesmo fruto. Porm a presena dos deuses, realmente, concede-nos sade do corpo, virtude da alma, pureza do intelecto e, em uma palavra, eleva tudo em ns ao s eu adequado princpio*." Seja o que for que o homem prezou durante sua vida e qualquer que tenha sido a concepo de seu Anjo  qual aspirou, assim ser o resultado do casamento mstico. Seus rebentos sero compatveis com seu amor. Cada estudante,  medida que ascender ou ingressar no mstico Monte Abiegnus dos Rosacrucianos, ver diante de si estirando-se adiante no longnquo horizonte da santa terra da esperana, exatamente aquele panorama que existia potencialmente dentro del e antes da viso faz-lo nascer, pois o monte  um smbolo daquele pico da alma quando interiorizada em si mesma aproxima-se de sua raiz divina. Ento memria e imaginao so penetradas e inspiradas com o formidvel fulgor de uma natureza diversa e superior. O que for que estiver embrionrio no interior de Ruach salta para a vida atravs da ao e fogo de Adonai. Nossa inspirao ser semelhante  aspirao e o tipo de gnio que ser manifestado ao mundo sucedendo-se  unio m stica pode ser potico, artstico, musical ou qualquer outra manifestao reconhecida. Lembro-me de uma passagem em algum dos Upanishads que aborda esse mesmo tema. Se algum se aproxima do eu que  Brahma acreditando que ele  poder e fora, esse algum se torna poder e fora. Que se aproxime, contudo, dele vendo em sua majestade conhecimento e sabedoria superiores e, conseqentemente, se torna repleto da sabedoria do eu. E se aspirar a ele como o criador de uma ca no, do mesmo modo se torna o cantor. Em outras palavras, como o teurgo concebeu ser em imaginao o seu anjo, precisamente nessa forma o anjo se manifestar, brotando da mais profunda fonte do ser dentro do corao como revelao e inspirao. Caso haja aspirao para o anjo exclusivamente como o smbolo do amor, da paz e da bondade, Adonai mostrar ao mundo esse amvel e benigno aspecto. So Francisco de Assis  o exemplo mais marcante do primeiro caso, como  Buda, que aspirou  sabedoria que o capacitasse a descobrir para a espcie humana a soluo de suas infelicidades e dores, o smbolo do segundo caso. E isto supre a resposta  pergunta: "Se o misticismo e a magia dotam um homem de gnio, como explicar que tantos msticos e magos bem-sucedidos parecem no manifestar uma nica centelha de gnio?"  porque a aspirao deles foi uma aspirao humilde. Converter-se numa grande figura na Terra no constitua o desejo deles, nem tampouco aspiravam a qualquer uma das formas da arte . Fizeram de suas vidas uma sublime obra de criao artstica e aplicaram suas inspiraes  marcha da vida cotidiana, apresentando-se to-s como homens e mulheres humildes de ar e aspecto gentis. Mas como o Eremita encapuzado e togado do tar trazem a luz do anjo dentro de si, secretamente, de maneira que todos com os quais entram em contato dia aps dia possam ser abenoados com o amor de Adonai e mais impressionados pela santidade do esprito e a pureza de sua efulgncia do que com sua prpria realizao pessoal. Essa  a chave, pois quando se ora com fervor ao Santo Anjo Guardio, como a aspirao secreta da alma ter sido, o anjo se apoderar dessa vontade no xtase de ventura que arrebata a alma para longe a fim de comunicar sua manifestao ao mundo. 
* Os Mistrios, Jmblico.
Um dos melhores sistemas tcnicos que conduz  comunho com o daimon  exposto num certo livro medieval de magia que, comparado com todos os outros,  como o sol do auge do dia diante de uma dbil luz bruxuleante  noite. A maioria dos velhos engrimanos e livros de magia tais como O Pequeno Alberto, O Drago Vermelho e o Enchiridion so propositadamente ininteligveis, ambguos, ou mais,  parte de todas as questes de simbolismo oculto, disparate pueril. Aqueles que so honestos e de regra funcionais, contm sees indesejveis que se adequam mais s aspiraes de um campons apaixonado e de nativos ignorantes do que s aspiraes de gente educada animada de propsitos srios. Mas h em relao a todos esses uma extraordinria exceo. A regra geral  rompida pela existncia de O livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago*. 
* Publicado no Brasil por Anbis Editores Ltda., So Paulo, traduo de Norberto de Paula Lima, Mrcio Pugliesi e Edson Bini. (N. T.) 
Escrito num estilo de exaltao, esse livro  perfeitamente coerente e harmonioso; no requer fantsticas mincias ritualsticas e nem mesmo os clculos costumeiros de dias e horas. No h nada em absoluto que insulte a inteligncia. Pelo contrrio, a operao proposta por esse autor de magia constitui a apoteose da simplicidade, o prprio mtodo estando em inteiro acordo com isto. H, naturalmente, certas prescries e regras preliminares a serem observadas, mas elas realmente no passam de recomendaes de bom senso no sentido de acatar a decncia na execuo de uma operao to augusta.  preciso, por exemplo, dispor de uma casa onde medidas adequadas contra distrbios possam ser tomadas; isso providenciado, restar pouco mais a fazer exceto aspirar com crescente concentrao e ardor durante seis meses pelo Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio. 
O prprio livro  um dos mais extraordinrios documentos de magia existentes atualmente e o sistema que  nele ensinado para entrar em comunho com o eu interior, ou o Santo Anjo Guardio,  entre todos os sistemas de magia talvez o mais simples. Acima de tudo  eficaz. O livro  composto de trs partes, a primeira contendo conselhos gerais relativos  magia e uma descrio das viagens e experincias do autor, bem como a indicao de obras maravilhosas que ele fora capaz de realiza r por meio da tcnica em pauta. Segue-se ento uma descrio geral e completa dos mtodos de obteno da crise esttica da operao e o estilo do livro neste ponto difere de maneira salutar dos captulos anteriores bem como dos subseqentes. A ltima parte trata dos mtodos de aplicao dos poderes que so conferidos mediante a consumao da operao. O sistema  descrito por um certo Abrao, o Judeu, ao seu filho mais jovem, Lamech, e ele afirma em primeira instncia t-lo recebido de um m ago egpcio chamado Abramelin. Abrao, o Judeu,  uma figura vaga e sombria, desconhecida e reservada por trs das tremendas complicaes da sublevao da Europa central nos seus dias, quando aquela parte do mundo se achava mergulhada num amplo conflito. A histria de Abrao tal como contada por ele mesmo na primeira parte do livro , na verdade, simples. O que impressiona, entretanto,  a tremenda simplicidade da f desse homem, que tem como testemunho suas muitas e perigosas viagens por tantos anos atr avs de regies inspitas e selvagens, de difcil acesso mesmo atualmente mediante nossas facilidades de transporte. Nesta parte do livro so relatados seus fracassos e esperanas frustradas, alm de alguns becos sem sada pelos quais ele foi conduzido, at o clmax de suas viagens quando conheceu Abramelin, o mago egpcio, que lhe conferiu as instrues que constituem a principal ou segunda parte do livro. Em conformidade com os costumes de seu prprio povo, Abrao, o Judeu, instruiu seu filho primognit o na filosofia da Santa Cabala e ao seu filho mais jovem, Lamech, transmitiu este sistema de magia. Independentemente de sua origem, de sua data e de sua autoria, que so no presente objeto de polmica e crtica, esta obra no deixa de ter valor para o aprendiz sincero, seja como um encorajamento para aquela qualidade sumamente rara e necessria - f inabalvel, ou como apresentadora de um conjunto de instrues pelas quais se distingue os sistemas mgicos verdadeiros dos falsos. Abrao no faz exig ncias impossveis como aquelas que so percebidas em engrimanos fraudulentos, a respeito do sangue de morcego apanhado  meia-noite, a quarta pena da asa esquerda de um galo completamente preto ou o olho recheado de um basilisco virgem e assim por diante. Embora talvez algumas das exigncias estabelecidas por Abrao sejam um pouco difceis de serem atendidas, h sempre uma razo excelente para apresent-las e no significam absolutamente testes sutis  habilidade do operador. Tivesse S. L. McGregor Math ers nada mais feito em prol da humanidade exceto a traduo desse livro a partir de um manuscrito em francs, colocando assim seu teor  disposio dos aprendizes interessados, e j mereceria nossa gratido. Devo acrescentar, a propsito, que sua traduo  tima, coerente e capaz de expressar de maneira harmoniosa o pensamento do escritor medieval.  somente porque esse livro de suma importncia tem estado esgotado por tantos anos, sendo sua obteno to difcil atualmente, que eu ouso oferecer aqui um r esumo da operao proposta pelo livro. 
((ilustr. - HRUS, O Senhor da Fora e do Fogo))
No incio Abrao adverte seu filho contra os impostores. Este mago, como muitos de nossos coevos modernos, era injusto no sentido de considerar qualquer um que no utilizasse seu prprio sistema um charlato, muito embora seja provvel que em sua poca houvesse tanta necessidade de rigorosa advertncia contra charlates quanto h hoje. Ele ento formula a regra segundo a qual a principal coisa a ser considerada  "...se gozais de boa sade, porque o corpo estando fraco e insalubre est sujeito a variadas enfermidades, o que acaba por resultar na impacincia e falta de poder para trabalhar e prosseguir na operao; e um homem enfermo no pode ficar limpo, ou puro, nem gozar de solido, e em tal caso,  melhor desistir." 
O perodo verdadeiro, quer dizer, mais conveniente para o comeo desta operao, um perodo em que todas as foras da natureza se encontram propcias ao esforo,  o primeiro dia aps a celebrao da festa da Pscoa, precisamente no perodo do equincio primaveril.  ento que o sol inicia sua viagem rumo ao norte, trazendo consigo luz, calor, sustento e graa e a totalidade do mundo vivo, plantas, rvores, aves e animais respondem  sua ressurreio ansiosa e jubilosamente. Tr ata-se assim da estao mais apropriada para crescimento ascendente e desenvolvimento interior, bem enquadrados ao crescimento e  manifestao do esprito. O tempo necessrio para que se conduza a operao a uma concluso bem-sucedida  seis meses lunares, de modo que se for comeada em 22 de maro findaria em torno do equincio outonal em setembro. O perodo total de seis meses  dividido em trs perodos definidos de dois meses cada, cada um destes sendo caracterizado pelo rigor de auto-negaes , mas principalmente pelo acrscimo de invocaes adicionais, tornando assim a concentrao no Santo Anjo Guardio mais intensa e fervorosa. 
H muita discusso de incio quanto  natureza do cenrio da operao. Se possvel, deve ser realizada no campo, onde se pode obter efetiva solido. Digo "solido efetiva" deliberadamente j que, como todos sabem,  possvel isolar-se no corao de uma grande cidade do resto do mundo simplesmente pelo recolhimento. A solido que este livro sugere  um retiro fsico da vida fervilhante da cidade, mencionando-se que Abrao, Moiss, Davi, Elias, Joo e outros homens sant os se retiraram para locais ermos at terem adquirido esta cincia santa e a magia. O melhor local, sugere Abrao, "...onde houver um bosque, no meio dele fareis um pequeno Altar, e cobrireis o mesmo com uma cabana (ou teto) de pequenos galhos, de modo que a chuva no possa cair nele e extinguir a Lmpada e o Turbulo". Se o recurso a um sossegado bosque for impossvel, outras sugestes so apresentadas. Todas as obras de magia insistem que muito cuidado e discernimento devem atender  escolha d e um local apropriado para se proceder a essas operaes. Alm das instrues acima expostas, o mago dever certificar-se de que o teatro de magia que escolheu no est situado num lugar onde feitiaria, por exemplo, foi praticada e que no foi empregado para sesses espritas. Deve ser absolutamente bvio que como um dos resultados da magia  tornar a constituio do mago mais sensvel, ele no deve colocar-se numa posio na qual essa sensibilidade possa ser invadida por influncias perturbadoras e host is. Muitssimos indivduos inteiramente comuns so suscetveis a atmosferas, e para o mago, em particular, o local de trabalho deve certamente estar livre de qualquer contato deletrio, de sorte que a esfera sensvel da conscincia no possa ser indevidamente afetada. Abrao menciona o tipo de casa necessria se o trabalho tiver que ser realizado numa pequena cidade ou povoado, dando-se nfase  construo do Oratrio, que deve ser a cmara realmente importante porquanto deve servir como templo< /i> mgico. Deste oratrio uma janela tem que abrir para um balco aberto ou um Terrao, como  chamado, cujo piso deve ser coberto com uma camada de areia fina de rio. Ora, uma das coisas que mais, talvez, do que qualquer outro item dos acessrios impressiona o principiante que l o livro de Abramelin  o fato de no se fazer a nenhuma meno a um crculo mgico de proteo para o lugar de realizao das invocaes, a despeito de se fazer referncias e descries em termos claros de muitos demnios e espritos malignos provavelmente danosos ao operador. Assim  porque nesta particular disposio da obra, o autor procura reduzir a totalidade da cerimnia a princpios fundamentais com o mnimo possvel de dispositivos, e se supe que o terrao substitua o tringulo no qual os espritos apareceriam aps a Conversao com Adonai. Tanto o dormitrio quanto o oratrio, sendo consagrados durante um longo perodo de tempo mediante contnuas oraes, invocaes e fumigaes ascendentes, desempenhariam a mesma funo de um crculo, estabelecendo um natural obstculo astral em torno dos limites do oratrio atravs de cuja santidade e segurana nenhum demnio poderia penetrar.  por esta razo que se dispensa qualquer crculo simblico visvel, porquanto o efeito das contnuas invocaes ter exaltado tanto a constituio do operador e elevado tanto a vibrao das molculas em seus vrios veculos que a inteira esfera astral e espiritual ser purificada a u m ponto que, como anteriormente sugerido, servir em si mesma seguramente como o crculo mgico real. 
Que se mencione aqui para o benefcio dos aprendizes do presente que possam cogitar em se devotarem a esta Operao da Magia Sagrada que essas regras no precisam ser escrupulosamente acatadas desde que sua essncia e esprito sejam acatados. Com apenas um pouco de engenhosidade ser possvel estabelecer um novo conjunto completo de circunstncias externas favorveis  execuo satisfatria desta concepo da Grande Obra.  preciso que seja compreendido com clareza, con tudo, que uma vez concebido e adotado esse conjunto de regras, embora claramente entendido como arbitrrio, elas devero ser estritamente seguidas. Em seu poema mgico Aha, Aleister Crowley apresenta uma bela verso de uma possvel variante do cenrio da operao:
" . . . Escolhe com ternura
Um stio para a academia tua.
Que um santo bosque haja
De solido enramada 
Junto do rio tranqilo, sem chuva,
Sob as entrelaadas razes
De rvores majestosas que tremulam 
Nos ares sossegados; onde os brotos
Da grama delicada so verdes,
Musgo e samambaias adormecidos entre si,
Lrios na gua sobrepostos,
Raios de sol nos ramos presos
- Entardecer sem vento e eterno! 
Todas as aves do cu silenciadas
Pela baixa e insistente chamada 
Da continua queda d'gua.
A, para um tal cenrio s
Sua gema esculpida de divindade,
Um fogo central sem defeito, subjugado
Como a Verdade no interior de uma esmeralda."
Dentro da loja ou oratrio consagrados deveria haver um altar construdo como um armrio, acima do qual, suspensa do teto uma lmpada com azeite de oliva deve queimar. Deve ser mantido sobre o altar um turbulo de lato, no devendo este nunca ser removido do oratrio durante todo o perodo de seis meses da operao.  necessrio um manto de seda carmesim guarnecido em ouro que chegue aos joelhos;  mencionada tambm uma outra tnica de linho branco. "Quanto a estas roupas, no h regras particulares para elas; nem nenhuma instruo especial a ser seguida; mas quanto mais resplandecentes, limpas e brilhantes forem, tanto melhor ser." "Tambm tereis uma Vara de amendoeira, lisa e reta, do comprimento de cerca de meio covado a seis ps." No que se refere  preparao de todas essas coisas, os princpios formulados em captulos anteriores se aplicam igualmente, mesmo considerando-se que nenhuma meno deles seja feita por nosso autor. 
Durante o primeiro perodo de dois meses aconselha-se o operador a levantar-se toda manh precisamente um quarto de hora antes do nascer do sol, entrar no oratrio depois de ter se lavado e se vestido com roupa branca, abrir a janela e, ajoelhando no altar que d para a janela que comunica ao balco invocar os nomes de Deus com vontade e mente dilatadas. "...e confessar-Lhe inteiramente todos os vossos pecados". Esta ltima prescrio, naturalmente,  simplesm ente para produzir a tranqilidade mental e emocional necessrias  inspirao e iluminao do anjo.  dificilmente necessrio estender-se sobre o fato de que aquele que permanece continuamente incomodado por uma conscincia revoltada ou pela memria de uma antiga m conduta est deste modo impedido da tranqila concentrao mental; tampouco sero suas invocaes intensas e unidirecionadas. Uma tal pessoa seria devidamente aconselhada a abster-se completamente at mesmo da contemplao de uma opera o mgica desse tipo pois ela estaria fadada a resultar no s no fracasso da invocao ao anjo, como tambm em desastres do gnero mais catastrfico. Os poderes que esto presentes na operao de Abramelin so de pouco uso para os intrometidos. Conquistadas a tranqilidade e a serenidade, o mago deve suplicar ao Senhor do Universo "que, chegando o tempo, possa Ele ter piedade de vs e conceder-vos Sua graa e a bondade de vos enviar Seu Santo Anjo, que vos servir de Guia..."
No h necessidade de enfatizar muito, suponho, que Abrao era de f judaica, e conseqentemente afeito  predominante - isto , medieval - concepo judaica do monotesmo pessoal. O tom teolgico dado a esta magia pelo adepto hebreu e que deve ter sido acrescido por ele aps t-la recebido de Abramelin pode, portanto, ser tranqilamente ignorado pelo leitor se este assim o desejar, j que no desempenha papel algum na verdadeira significao da operao. Cada a prendiz pode adaptar inteligentemente o carter das prescries de Abrao a respeito desse ponto  teoria mgica do universo aqui formulada num captulo anterior, ou s suas prprias crenas religiosas particulares.  necessrio, todavia, que eu frise que o dogma e a f religiosa esotrica no ocupa lugar algum no interior do santurio da magia.  preciso que o leitor se convena que a magia depende de princpios experimentais rgidos to confiveis e to exatos como os de qualquer cincia. 
Antes de iniciar a operao, seria bom para o mago que formulasse um juramento de que executar essa magia sagrada e que o registrasse claramente por escrito. A vontade e a determinao de ter xito precisa ser expressa mediante palavras, e essas palavras por aes, pois durante a Negra Noite da Alma, quando o olho espiritual estiver fechado e todo discernimento tiver se afastado, quando o aclito  debilitado pela tentao e pela aflio da mente, ser apenas sendo fiel  letra do juramento que o mago poder esperar conduzir essa operao a um clmax satisfatrio. A direta expresso da vontade, em todos os casos,  o discurso, e o registro de uma determinao de vontade num juramento escrito est de acordo com os fundamentos da filosofia mgica. 
No exerccio de orao acima o ponto importante a ser observado, como o prprio Abrao faz notar a seu filho nas palavras que se seguem,  "Tambm de nada serve falar sem devoo, sem ateno, e sem inteligncia; ...Mas  absolutamente necessrio que vossa orao saia de dentro de vosso corao, porque simplesmente estabelecendo oraes escritas, sua audio de modo algum vos explicar como rezar realmente. "Mais adiante, analogamente, ele aconselha seu filho Lamech: "In flamai-vos com orao." Quanto a esta prescrio,  necessrio que nos estendamos um pouco, j que o sucesso ou o malogro na arte da invocao depender inteiramente do fato de essa recomendao ser acatada ou no. Efetuar uma srie de invocaes diversas vezes ao dia durante um perodo de seis meses, repetindo a mesma invocao, confisso e orao durante o primeiro perodo duas vezes por dia  realmente uma tarefa diante da qual o operador que no for confirmado por hbito nesta senda da luz pode bem falhar. Detenha-se, leitor, e reflita sobre o que isso implica! Uma simples amostra de trabalho mgico que se mantm num perodo to longo  realmente umas das tarefas mais rduas e tediosas que se pode conceber. Somente aquele que com persistncia for capaz de ser fiel  letra de seu juramento assumido antecipadamente pode ter a expectativa do xito. E no entanto, essas invocaes no devem ser recitadas de maneira montona e rdua, ou num tom de voz que indique tdio, sem fervor, since ridade ou devoo. Sem a presena destas qualidades na invocao, um vulgar grito de feira seria to til quanto e teria mais ou menos tanto efeito como qualquer outro. Toda faculdade do mago deve participar do trabalho de invocao. Todo poder da alma deve ser exercido, todo grama de sinceridade, entusiasmo e regozijo espiritual deve ser empregado na sustentao das invocaes que devem brotar do prprio corao e alma do ser do mago. 
Durante esse primeiro perodo outras prescries so indicadas que tm de ser escrupulosamente seguidas segundo o autor. Algumas delas podem parecer um tanto triviais ou ate ridculas, mas o julgamento final deve ficar a critrio de cada leitor. Eu apenas as menciono pelo cuidado de me ater ao completo. Tanto o dormitrio quanto o oratrio mgico devem ser conservados num estado de limpeza e ordem absolutas, toda a ateno do teurgo sendo prestada  "pureza de todas as cois as". Todo os sbados os lenis do leito tm que ser substitudos e a cmara totalmente perfumada e incensada, impregnando assim mesmo esse quarto de uma carga de santidade e expandindo os limites do crculo. Os ingredientes apontados para o incenso so um composto de olbano, estoraque e alos, todos reduzidos a um p fino e bem misturados*. Abrao, o Judeu  incisivo, ademais, quanto a afirmar que no se deve permitir que nenhum animal se aproxime ou tenha acesso  casa na qual a operao est sendo levada a efeito. Deve imperar a mais absoluta solido que seja humanamente possvel. "Se sois vosso prprio senhor, tanto quanto estiver em vosso poder, libertai-vos de todos os negcios, e deixar toda companhia v e mundana, e conversao, levando uma vida tranqila, solitria e honesta... Sede sbrio ao tratar de negcios, vendendo ou comprando, sendo preciso que nunca vos enfureceis, mas sede modesto e paciente em vossas aes." Essas so normas de bom se nso que ningum, eu presumo, criticaria. Uma outra sugesto expressa  que as Escrituras Sagradas podem ser lidas e ser objeto de meditao durante duas horas por dia, este tempo devendo ser especialmente programado e reservado para essa finalidade aps o jantar, no se permitindo que nenhuma outra atividade interfira ou tenha precedncia. Quase qualquer outro livro religioso serviria caso o aprendizno esteja predisposto ao estudo da Bblia, particularmente um desses livros que tenha causado prof unda impresso em sua mente e que tenha servido de algum modo para despertar os sentimentos superiores e estimular o amor e as emoes nobres. Essa meditao produzir tambm pistas que auxiliaro na composio dos rituais supremos. 
* As propores necessrias  mistura so quatro partes de olbano, duas partes de estoraque e uma parte de alos. 
No que diz respeito aos hbitos da vida, Abrao sugere moderao em todas as coisas, o comer, beber e dormir no devendo ser nem excessivos nem demasiadamente modestos. Nenhuma das coisas nas quais o mago estar envolvido deve, por menos que seja, conter algo de suprfluo. Quanto ao assunto que para a maioria dos aprendizes de magia e misticismo  cercado por um vu de obscuridade, aconselha,  guisa de acrscimo  prescrio de moderao que "Podeis dormir com vossa esposa na cam a quando ela estiver pura e limpa;..." e nunca em caso contrrio. A nica questo a afetar o celibato  simplesmente a da conservao da energia, e nada mais. Visto que todas as foras do indivduo esto sendo transformadas pela operao e dirigidas a uma nobre finalidade espiritual, qualquer desperdcio ou escoamento de fora que  to importante em matrias afastadas daquela finalidade so assim grosseiramente imorais no sentido de que apresentam algo de loucura e autodestruio. Durante a o perao, poucas pessoas devero estar na casa com ele, " Quanto ao que se refere  famlia, quanto menos numerosa, melhor; tambm fazei de modo que os servos sejam modestos e tranqilos." A caridade  sugerida e tambm o recato com respeito s roupas e o modo de vestir; toda vaidade deve ser severamente banida. 
Isso  o suficiente para o primeiro perodo. As tarefas nestes dois meses so relativamente fceis, indicando to-s uma simples vida meditativa, em relao  qual se insiste no repouso e tranqilidade. Duas vezes ao dia, ao nascer e pr-do-sol, quando certas foras ocultas na natureza esto em sua ascendncia e no mximo de sua pureza, as invocaes devero ser realizadas; cumpre que o resto do dia seja passado no aperfeioamento variado da concentrao da mente fervorosamente dirigin do-se ao "... Santo Anjo que vos servir de Guia..." A programao proposta por Abrao pode facilmente ser suplementada por outros itens de magia, em conformidade com a aspirao principal, o que pode ser sugerido pela engenhosidade do indivduo. Durante este perodo, o mago deve devotar todas as faculdades que adquiriu atravs da ateno que dedicou a outras fases da tcnica ao fortalecimento da aspirao principal. Os rituais de banimento podem ser usados proveitosamente e a ascenso aos planos pode se revelar um auxiliar extremamente til s invocaes. A repetio contnua de um mantra sagrado, compatvel com a concepo do mago da natureza de seu Anjo, se revelar de grande ajuda para manter a concentrao da mente unidirecionada. 
Com a chegada do segundo perodo precisamente o mesmo procedimento  seguido exceto pelo fato de o operador ser exortado a tornar suas invocaes mais intensas e gneas, e "Deveis prolongar vossas oraes o mximo que vossa capacidade permitir". As invocaes devem prosseguir de manh e no anoitecer como nos dois meses anteriores, mas "...antes de entrardes no Oratrio deveis lavar vossas mos e face completamente com gua pura. E deveis prolongar vossa orao com a maio r afeio possvel, devoo, e submisso, humildemente implorando ao Senhor Deus que se digne a ordenar a Seus Santos Anjos que vos levem pelo Verdadeiro Caminho..."  fcil perceber a idia psicolgica que Abrao gradualmente formula. As invocaes ao Santo Anjo Guardio devem ser feitas mais freqentes, ardentes e imperiosas de sorte que quando pelo fim do perodo de seis meses  dado ao teurgo o conselho de inflamar-se com a invocao, prtica anterior o far voar como uma flecha impelida por um a rco rumo  glria do anjo e no se experimentar qualquer dificuldade para despertar o entusiasmo e devoo requeridos que levaro a efeito a unio mstica. 
Outras prescries a serem observadas no segundo perodo podem ser resumidas com brevidade como se segue. "O uso dos direitos do matrimnio, mas, se este uso for feito, dever s-lo o mnimo possvel." "Deveis tambm lavar todo vosso corpo toda vspera de Sabbath." "Quanto ao que tange o comrcio e modo de viver, j dei instruo bastante", mas agora "... absolutamente necessrio retirar-se do mundo e procurar isolamento..." As obser vaes antes feitas no que se refere a comer, beber e se vestir continuam aplicveis. 
Quando o segundo perodo se encerra e com ele o quarto ms de invocao contnua, a mente do operador dever estar gradualmente se contraindo para um nico ponto em funo desses modos de vida serenos e calmos e do fervor crescente que deve introduzir em suas invocaes, que ocupam agora perodos mais largos de tempo. Nessa ocasio, igualmente, ele ter entrado naquele estado de secura do qual msticos de todos os tempos falaram, aquele horrvel estado psicolgico no qual todos os poderes da alma parecem mortos a viso da mente se fecha num protesto mudo, por assim dizer, contra a disciplina cruel do juramento. Mil e uma sedues tendero a desviar o operador da contemplao da finalidade que escolheu, e mil e um meios de quebrar o juramento em esprito sem quebr-lo na letra sero apresentados. E parecer que a prpria mente ir ficar fora de si, advertindo o teurgo que seria melhor para ele omitir, por exemplo, um perodo devotado  invocao e fazer algo mais, profano e praze roso. Constantemente procurar amedront-lo com temores desordenados relativos  sade do corpo e da mente. Contra todas estas insanidades - fatais se ele sucumbir a uma nica tentao - h somente um remdio, a saber, a disciplina do juramento feito no incio, prosseguir no labor de invocar durante seis meses o Santo Anjo Guardio. Tudo o que se tem a fazer  proceder s cerimnias e invocaes, agora temporariamente destitudas de sentido e horrendas, visto que a viso espiritual est negra e o olho interior fechado. Pode ser que com o terceiro e ltimo perodo essa Noite Negra da Alma passe lenta e imperceptivelmente, e ento surgir a suave grandeza rosa e cravo da aurora a ser sucedida pela brilhante luz diurna do Conhecimento e Conversao, com a Viso Beatfica e o perfume to doce e confortador aos sentidos e  alma do Santo Anjo Guardio. 
Com a chegada dos ltimos dois meses, aconselha-se que o homem que  seu prprio senhor deixe todos os seus negcios de lado,  exceo, talvez, de obras de caridade para com seus prximos. Contudo, dever-se- tomar cuidado mesmo em manifestar uma virtude to elevada quanto esta pois a concentrao e a aspirao ao mais elevado no devem ser interrompidas. "Afastai-vos de toda sociedade, salvo a de vossa Esposa e Servos... Toda vspera de Sabbath deveis jejuar, e lavar tod o vosso corpo, e trocar vossas roupas." Estas regras concernem ao modo de vida e conduta. Mas as instrues que se referem ao aspecto mgico da operao so as seguintes: "Manh e noite deveis lavar vossas mos e face ao entrar (quer dizer, antes,  claro) no Oratrio; e primeiramente deveis confessar todos os vossos pecados; depois disto, com mui ardente orao, deveis implorar ao Senhor que vos conceda esta particular graa, que  poderdes desfrutar e resistir  presena e conversao de Seus Santos Anjos, e que Ele possa dignar-se por intermdio deles conceder-vos a Secreta Sabedoria, de modo que possais ter o domnio sobre os Espritos e todas as criaturas."
Este  o procedimento recomendado para os dois ltimos meses, tempo em que a maior parte do dia ser passada, como orientam tambm os Orculos Caldeus, "Invocando com freqncia", concentrando todos os poderes da mente, do corpo e da alma em conjunto, focalizando-os por meio de invocao de maneira que por meio disso o anjo possa aparecer e alar o teurgo  sua vida mais grandiosa e mais ampla. Concludo o terceiro perodo de trs meses em 21 de setembro, o mago dever levantar-se na manh seguinte muito cedo, "...nem vos lavareis nem vos vestireis com vossas roupas comuns, mas tomareis uma roupa de luto; entrareis no Oratrio de ps nus; ireis para o lado o incensrio*, e tendo aberto as janelas, retornareis  porta. Ali vos prostrareis com vossa face contra o cho e ordenareis  criana (que  usada neste sistema como assistente e clarividente, mas desnecessria, acho, nessa ltima funo se a operao tiver sido cuidadosamente desenvolvida) que co loque o perfume no turbulo, aps o que se dever pr de joelhos diante do Altar; seguindo em tudo e minuciosamente as instrues que dei... Humilhai-vos perante Deus e Sua Corte Celestial e comeai vossa Orao com fervor, pois ento comeareis a vos inflamar na orao, e vereis aparecer um extraordinrio e sobrenatural esplendor, que encher todo o apartamento, e vos circundar com um cheiro inexprimvel, e apenas isto vos consolar e confortar o corao, de modo que clamareis para sempre, feliz, pelo Dia do Senhor."
* Embora o autor nem sempre faa citaes integrais, omitindo certos trechos e advertindo o leitor desta descontinuidade mediante as reticncias (... ), aqui no h estas reticncias, motivo pelo qual reproduzimos o trecho omitido: "tomareis as cinzas dele e as colocareis sobre vossa cabea; acendereis a Lmpada; e poreis os carves quentes no incensrio". (N. T.) 
Abrao, homem sbio e mago que era, no sobrecarrega a si mesmo, se perceber, nem a mente de seu filho, ao qual essa tcnica mgica  transmitida, com qualquer sofisma intelectual ou qualquer investigao metafsica a respeito da natureza do anjo. No h nenhuma discusso quanto a este ltimo possuir uma existncia objetiva, isto , independente, ou se ele  subjetivamente inerente  estrutura psicolgica do teurgo. Ele mesmo, tendo passado por este treinamento e alcanado sua realizao na Viso e no Perfume, bem conhecia a falcia da dependncia intelectual. E pode-se presumi-lo porque ele escolheu de preferncia a todas as outras expresses as prprias palavras "Santo Anjo Guardio", que so to palpavelmente absurdas de um ponto de vista racional a ponto de nenhuma pessoa sensata ousar especular acerca delas. Assim a dependncia intelectual e a voragem do erro so evitados. Quanto maior for a fora e o entusiasmo desse ato de f numa ent idade irracionalmente nomeada e concebida, mais eficaz ser a crise da conjurao. 
Durante sete dias, em seguida, aconselha Abrao, o operador executar as cerimnias sem falhar na execuo correta de nenhuma delas de modo algum. No dia da consagrao, o Santo Anjo Guardio ter aparecido ao teurgo e proporcionado graa e esplendor a sua alma, sustento ao seu esprito e ter inundado toda a esfera da sua mente com uma iluminao que tudo abarca, que no h palavras que possam adequadamente descrever. Ento seguir-se-, segundo prescrio do anjo, uma convoc ao de trs dias na qual os espritos bons e santos sero conjurados  aparncia visvel no terrao e introduzidos ao domnio da vontade renovada do mago; os trs dias sucessivos sero dedicados  evocao dos maus espritos. No segundo dia, orienta Abrao, "devereis seguir os conselhos que vosso Santo Anjo Guardio vos ter dado e no terceiro renders gratido". "E ento pela primeira vez estareis capacitado a pr  prova se bem empregastes o perod o das Seis Luas, e quo bem e dignamente trabalhastes na busca da Sabedoria do Senhor; pois vereis vosso Anjo Guardio vos aparecer em inigualvel beleza; que tambm convosco conversar, e falar com palavras to cheias de afeto bondade, e com tal doura que nenhuma lngua humana poderia express-las... Numa palavra, sereis por ele recebido com tamanha afeio que esta descrio que aqui dou dever nada parecer em comparao... Aqui neste ponto, comeo a restringir-me em meu escrever, haja visto que pela Graa do Senhor submeti-vos e consignei a um MESTRE to grande que nunca vos deixar em erro."
Continuando diretamente com a descrio em versos do cenrio da operao mgica anteriormente citada, e trabalhando-se com esmero as observaes de nosso autor de magia, Crowley prossegue: 
" Tu ters uma barca de btula
Sobre o rio nas trevas; 
E  meia-noite irs
 corrente mais suave do meio do rio,
E tocars uma campainha dourada
A chamada do esprito; ento diz as palavras de encantamento:
'Anjo, meu Anjo, aproxima-te!'
Fazendo o Sinal de Maestria
Com basto de lpis-lazli.
Ento, pode ser, atravs da encoberta 
Noite silenciosa vers teu anjo surgir, 
Ouve o dbil sussurro de suas asas,
Contempla as doze pedras dos doze reis! 
Sua fronte ser coroada
Com a dbil luz das estrelas, onde 
O Olho vislumbra dominante e agudo.
E por este motivo tu desfaleces; e teu amor 
Captar a voz sutil disso.
Ele informar seu amante feliz;
Minha tola tagarelice estar terminada! . . . 
Mente abertamente, uma taa camalenica,
E O deixa sugar teu mel! "
Assim finda a mais importante parte do sistema advogado por Abramelin, o mago, que pode ter sido seguramente um dos maiores mestres de magia do Ocidente. Com perfeita lucidez e suave simplicidade de concepo espiritual, com clareza na expresso e na instruo e sem sobrecarga da mente com mincias e elementos secundrios, com smbolos de pureza e de limpeza, Abrao, o Judeu, conduz o teurgo gradualmente, passo a passo, em ascenso pela maravilhosa escada que  a rvore da Vida que cresce para a terra a partir do Ancio dos Dias, rumo ao Mestre Inefvel. Ele  o Augoeides, Adonai, o Eu superior, o Santo Anjo Guardio, chame-se-o como quiser. E a iluminao e glria espiritual que o Anjo traz  to auspiciosa e santa e uma viso to terrvel que no devoto  induzido um arrebatamento, uma adorao, um transporte de xtase que ultrapassa qualquer concepo e discurso humano. Nenhum santo ou poeta ainda foi capaz de sugerir mais do que um eco f ugidio dessa incomparvel experincia. Esta consecuo marca o comeo da carreira do Adeptado, e  s ento, quando a alma tendo sido erguida em excelsitude e visto coisas que no  lcito revelar, que a verdadeira natureza da vida pode ser percebida. Infiltrado por uma riqueza de sabedoria, ventura e clareza da viso interior, poder ento o mundo ser apreciado pelo que ele . At aqui os olhos da alma estavam cerrados, e cegos, amedrontados, e ignorantemente calados, o indivduo se achava num red emoinho na roda continuamente mvel da vida e da dor. Mediante o atingimento do esplendor anglico, o centro da conscincia tendo sido para sempre exaltado alm do ego emprico, um dilvio de xtase produz a compreenso de que  apenas o Anjo que  e sempre foi o Ego, o Eu real jamais conhecido antes. No mais o Anjo o entesourar como as muralhas longnquas do abismo estrelado, mas sim Ele queimar ardentemente no cerne do homem, vertendo atravs dos canais dos sentidos deste uma tor rente interminvel de glria e deleite resplandecentes. Os portais da mente so destravados e oscilam sobre suas dobradias, e o domnio celestial ao qual o Anjo introduz a alma  abundante e estaticamente descerrado. 
H um belo poema de autoria do poeta irlands A. E. em que o tema  uma conversao entre a criana terrestre das trevas e o santo Anjo da Luz. O primeiro diz: 
"Eu te conheo,  glria, 
Teus olhos e tua fronte
De fogo alvo todo grisalho, 
Retorna a mim agora. 
Juntos viajamos
Em eras passadas,
Nossos pensamentos  medida que pondervamos
Eram estrelas na alvorada. 
Minha glria declinou; 
Meu azul celeste e ouro; 
E no entanto tu permaneces aceso
O fogo-sol de outrora.
Meus passos esto presos 
Urze e  pedra..."
O Anjo responde mediante palavras particularmente significativas ao aprendiz de magia, rogando ao eu sombrio que ceda  orientao do pastor celestial: 
"Por que tremer e prantear agora, 
Quem as estrelas uma vez obedeceram?
Avana para o profundo agora
E no tem medo... 
Um diamante arde 
Nas profundezas do S,
Teu esprito retornando
Pode reivindicar seu trono.
Em ilhas orladas de chamas
Suas dores cessaro,
Absortas no silncio
E debeladas na paz.
Vem e repousa tua pobre cabea sobre
Meu corao onde ela incandescer 
Com o vermelho-rubi do amor sobre
Teu corao por seus infortnios.
Meu poder eu cedo,
A ti ele  devido,
Avana pois o esplendor 
Espera por ti! 


CAPTULO XIII
A unio com o Santo Anjo Guardio efetuada e a alma tendo sido assimilada  essncia interior do esplendor e glria do Anjo, o mago procede com o sistema de Abramelin  evocao dos espritos e demnios com o intento de subjug-los, e conseqentemente com eles a totalidade da natureza, ao domnio de sua vontade transcendental. Pode parecer  primeira vista que tal parte se seguindo  exaltao da parte precedente do livro constitui um declnio a partir da sublimidade, estando, ademais, na natureza de um anticlmax.  difcil negar que o xtase e a elevada irrepreensibilidade espiritual do livro sejam um pouco maculados pelo acrscimo dessas coisas  marcante dignidade da Operao de Abramelin. Aleister Crowley se empenhou numa oportunidade em fornecer uma adequada explicao racional para isso. "H" ele argumenta, "...uma razo. Qualquer um que d ensinamento de um novo mundo tem que se conformar com todas as condies dele.  verdade, est claro, que a h ierarquia do mal se afigura um tanto repugnante  cincia. , com efeito, muito difcil esclarecer o que queremos dizer dizendo que invocamos Paimon, mas, se pensarmos com um pouco mais de profundidade, veremos que o mesmo se aplica ao Sr. Smith ao lado. Desconhecemos quem  o Sr. Smith ou qual o seu lugar na natureza ou como responder por ele. No podemos sequer estar seguros de que ele existe. E, todavia, na prtica, ns chamamos Smith por este nome e ele atende. Atravs dos meios apropriados, somos cap azes de induzi-lo a fazer para ns aquelas coisas que se coadunam com sua natureza e poderes. A questo toda , portanto, a questo da prtica, e se nos basearmos neste padro, descobriremos que no h nenhuma razo em particular para nos desentendermos com a nomenclatura convencional."
O mtodo proposto por Abramelin para convocar os Quatro Prncipes do Mal do Mundo  constitudo por quadrados mgicos contendo, em certas formaes, vrias letras e vrios nomes. Estes quadrados quando carregados e energizados pela vontade mgica, estabelecem uma tenso magntica ou eltrica na luz astral  qual certos seres que se harmonizam com essa tenso reagem executando atos ordenados pelo mago. Independentemente da evocao dos demnios no terrao h quadrados desenhados e descritos por Abrao para a realizao de quase todos os desejos que poderiam ocorrer ao um ser humano. No pretendemos descrever aqui este captulo final* do livro de Abramelin que contm os quadrados e frmulas prticas de evocao, porquanto este ltimo constitui o ramo menos importante desse sistema. Em todo caso, este assunto em particular vincula-se a outros textos mgicos que eu desejaria descrever com brevidade. Permitiu-se infelizmente que estes trabalhos, como A Magi a Sagrada de Abramelin, ficassem esgotados e no fossem mais publicados, sendo para todos os efeitos praticamente impossveis de serem obtidos salvo por aqueles que tm acesso a um museu ou uma grande biblioteca. Tenciono abord-los aqui porque dizem respeito quele ramo da magia que  colocado em oposio  invocao e se refere  evocao e ao controle dos espritos planetrios e seres anglicos. Desejo advertir o leitor, contudo, chamando sua ateno para o fato de que o procediment o exposto por Abramelin  o melhor. Primeiramente deve haver o Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio e ento as evocaes. E s menciono esta ltima coisa para que o leitor fique ciente da frmula inteira embora no pretenda reproduzir muitas das instrues prticas. Os livros aos quais me refiro so A Chave de Salomo, o Rei, A Gocia ou Pequena Chave de Salomo, o Rei e O Livro do Anjo Ratziel. Esta ltima obra infelizmente nunca foi traduzida do hebraico para o ingls. Est claro, o rei Salomo, modelo atravs das eras da mais elevada erudio e sabedoria, foi naturalmente a figura a quem os autores desconhecidos desses trabalhos atriburam suas prprias composies a fim de que pudessem causar mais impresso e ter maior credibilidade. No que essa fraude palpvel faa a menor diferena pois se o sistema for funcional ento Salomo ser uma figura to boa ou to ruim para se atribuir discursos e instrues mgicos quanto, por exemplo, um hipo ttico ser inexistente como Yossel ben Mordecai. Ademais, omitir seu prprio nome e dar o crdito a algum outro indivduo pelo prprio trabalho encerra uma certa abnegao do ego. Os livros em si e o sistema mgico neles contido constituem a matria de interesse; a autoria nestes casos no tem a menor importncia. 
* No se trata do captulo final, mas sim de toda a parte final, ou mais exatamente do terceiro livro, que  a parte final de O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago. (N. T.)
A necessidade dos ritos de evocao  realmente extremamente simples. A despeito do objeto supremo da magia ser o conhecimento do eu superior e embora para a vontade qualquer coisa alm deste objetivo supremo ser magia negra,  s vezes necessrio redispor tanto os materiais quanto o cenrio das operaes, bem como fazer preparaes para o aprimoramento do Ruach a ser oferecido em sacrifcio ao amado. Para diferentes indivduos em diferentes ocasies essas p reparaes devem naturalmente variar. Considerando-se que o Ruach precisa ser renunciado e imolado na pedra sacrificial do altar como uma oferta ao Altssimo, e considerando-se que denota uma certa mediocridade e puerilidade de devoo sacrificar uma vtima maculada, poder ser necessrio para alguns teurgos envolver-se com todas as espcies de prticas para o atingimento de finalidades que para outros possam ser completamente desnecessrias. Por exemplo, um aprendiz pode se achar embaraad o com uma m lembrana que pode obstruir a sagrada recordao da viso e do perfume;  possvel que um outro seja incapaz de reagir a certos estmulos emocionais, e um terceiro possa se achar sob o fardo de uma perspectiva estultificada da vida, cuja pobreza se ope inteiramente  intensa generosidade e  fecunda liberalidade que so inerentes  natureza. A tarefa mgica imediata em tais casos  aperfeioar o veculo imediato atravs do qual o Santo Anjo Guardio deve se manifestar.  em vo que s o vertidos o elixir da vida e o vinho ambrosial num recipiente quebrado ou sujo e  preciso procurar um remdio adequado para essas deficincias. Em ltima instncia, quando ocorre a rendio final do Ego no casamento mstico com o amado, e o Ego  imolado no altar, nenhum complexo disforme macular o arrebatamento do xtase espiritual da unio, nem ser a vtima sacrificial deficiente em qualquer coisa que seja agradvel aos deuses, ou carente de qualquer faculdade que se revele uma vantagem para o crescimento ou a vida suplementar da flor dourada no interior de sua alma. Assim pode-se julgar imperativo adiar por enquanto a Operao do Santo Anjo Guardio a fim de suprir instruo conveniente para a Noiva em suas obrigaes para com o Filho do Rei; devotar-se no comeo no  magia da luz mas s evocaes da gocia. Vrias partes da mente e da alma podem ser to falhas a ponto de exigir um esforo mgico especial para seu estmulo e rep aro, quer dizer, quando mtodos seculares ordinrios se revelaram ineficazes. Em tais casos  permissvel e legtimo dedicar-se preliminarmente aos ritos de evocao, de modo que por intermdio de seus recursos toda faculdade do indivduo possa reassumir o funcionamento pleno e normal. Pode ser necessrio evocar algumas das entidades, por exemplo, elencadas entre as Setenta e duas Hierarquias de A Pequena Chave de Salomo, o Rei visando intensificar as faculdades emocionais, benefic iar a lgica, a razo, a memria e algum outro departamento do pensamento e da mente. Assim, quando a gocia instrui que o esprito chamado "Foras" ensina "as artes da lgica e da tica" significa que atravs do estmulo de um certo aspecto da mente resultante de um tipo particular de operao mgica as faculdades mgicas so melhoradas e estimuladas. 
Gostaria de chamar a ateno para uma hiptese mgica que legitima o uso contnuo da evocao de seres anglicos e planetrios antecedendo ao Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio. Ela defende que a busca das artes da evocao pode ser com a finalidade de preencher as lacunas da escada pela qual a alma pode ascender s alturas do cu.  por meio deste mtodo que o teurgo adquire uma slida base quadrangular para sua pirmide de realizao.  intil, argumenta m os proponentes deste sistema, contemplar um edifcio to exaltado como o pice de uma pirmide elevando-se pelas nuvens a menos que a fundao esteja muito firmemente estabelecida sob o solo a fim de servir de base e suporte seguros e inabalveis ao esprito que aspira. Enquanto a aspirao da alma for pura, de motivos honestos e isenta do mero desejo egosta do poder, pouco dano poder advir ao mago na sua atividade com a tcnica da evocao, contanto,  claro, que as precaues ordinrias de c ompletos banimento e consagrao do crculo e do tringulo sejam tomadas. Mas, diz-se, que atravs deste mtodo o mago imita a operao e progresso da totalidade da natureza. Nela, sua grande guia e modelo, ele v que nenhum passo rumo ao crescimento  tomado subitamente sem longas medidas preliminares ou preparo de alguma espcie; tudo procede ordenada, harmoniosa e gradualmente, passo a passo, com devido cuidado, seqncia e escalonamento.  esta harmonia e ordem que ele procura trazer ao seu prprio trabalho.  preciso que comece seu trabalho na base da superestrutura, assentando cada tijolo a ser incorporado a essa grande pirmide com o mais extremo cuidado, zelo e devoo, dispondo camada sobre camada, no negligenciando um nico estgio sobre o qual a torre dever sempre se elevar. Gradativamente,  medida que esta ampla base piramidal de realizao se desdobra, alteando-se tanto dentro quanto acima sobre uma fundao firme, tornada segura pelas evocaes e sustentada pela aspirao d o mago, este tende a descartar as coisas menores na medida em que a necessidade destas se torna menos bvia, e ele se torna mais unidirecionado e devoto at que o coroamento de seus esforos transborda na consecuo suprema. Neste caso, a consecuo se alicera numa base slida, no uma base construda sobre areias movedias que o mero sopro do vento poderia derrubar; o Conhecimento e Conversao est enraizado no prprio esprito e corpo do ser integral, e a no existe nenhum perigo em absoluto de uma iluminao que leve o mago a uma obsesso de uma idia fantica, ou  destruio do equilbrio de sua mente. 
A base racional dos poderes conferidos pela evocao e a realidade dos espritos no se encontram muito distantes para nossa busca se considerarmos a psicologia patolgica por um momento. O fenmeno da evocao pode ser comparado a uma neurose ou complexo sutis presentes em nossas mentes, os quais nos achamos incapazes de eliminar ou descartar a no ser por algum meio que nos capacite a defini-los claramente e determinar sua causa. Este conhecimento lhes outorga uma forma consciente e racional precisa, que pode, ento, ser francamente encarada e banida para sempre da mente como um impulso perseguidor e perturbador. O psicanalista  incapaz de ajudar um paciente neurtico particularmente ruim que sofre de uma neurose grave at que ele lide com o inconsciente por meio de sua tcnica e descubra a causa da existncia dos conflitos tipificados por essas neuroses. Este exame do contedo da mente, ou de alguma poro da mente e da memria, transmite clareza e coerncia  causa neurtic a subjacente, e o paciente percebendo claramente a forma e a causa da psicose evocada, se capacita a dissip-la e bani-la. Enquanto o complexo for um impulso subconsciente oculto, espreitando destitudo de configurao ou forma no inconsciente do paciente, ainda possuindo fora suficiente para romper a unidade consciente, no pode ser adequadamente confrontado e controlado. A mesma base racional subjetiva  extensiva ao aspecto gotico da magia, a evocao dos espritos. Enquanto no interi or da constituio do mago jazem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes ou espritos que conferem a perfeio de qualquer faculdade consciente, o mago  incapaz de confront-los o mais proveitosamente possvel, examin-los ou desenvolv-los visando modificar um e banir o outro do total campo da conscincia. Eles tm que assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocao, entretanto, os espritos ou poderes subconscientes so convocados das profundezas e lhes sendo atribuda forma visvel no tringulo de manifestao, podem ser controlados por meio do sistema mnemnico de smbolos transcendentais e conduzidos ao mbito da vontade espiritualizada do teurgo. Enquanto estiverem intangveis e amorfos no se pode trat-los adequadamente. Somente dando-lhes uma aparncia visvel por meio das partculas de incenso e os evocando ao interior do tringulo mgico  que o mago  capaz de domin-los e com eles agir como quiser. A teoria subjetiva aqu i empregada  sumamente conveniente para suprir uma explicao de fcil compreenso desse fenmeno da evocao, pois  perfeitamente possvel comparar os espritos ao contedo-idia ou contedo-pensamento-subconsciente da mente que atua invisvel, silencioso e amorfo nos negros abismos da mente. A atribuio a eles de uma forma tangvel por uma imaginao propelida a uma atividade prodigiosa pelo processo de evocao, capacita o mago a subjugar a horda incipiente de pensamentos, paixes e memrias indisciplinados que eles so, atribuindo assim forma e ordem  hierarquia dos espritos, e subordinando a riqueza de seu conhecimento e energia particulares a sua vontade. Isto por si s constitui a razo e necessidade do empreendimento de evocaes antes de se ter atingido o Conhecimento e Conversao do Santo Anjo Guardio, que  o ritual mgico supremo e maior. 
De imediato, essa base racional proporciona uma definio das duas principais divises da magia bem como uma distinta classificao das entidades espirituais hierrquicas. A invocao implica acima de tudo o mais a convocao para dentro do crculo da esfera humana de conscincia, que  a definio do crculo mgico, de um deus ou do Santo Anjo Guardio. Nesta forma mais elevada de magia no h necessidade de tringulo exterior, pois o mago, tanto crculo como t ringulo em um ser, est desejoso de mesclar sua prpria vida com a vida maior de um deus e ceder seu prprio ser  vida maior de um deus. O tringulo implica manifestao e dualidade, a separao de um ser menor do teurgo. Na invocao a dualidade  uma maldio rematada, o propsito desse aspecto da teurgia sendo eliminar a dualidade. A evocao, por outro lado,  a deliberada conjurao ou o fazer surgir de uma entidade incompleta ou menor para dentro do tringulo de manifestao que  colocado longe da circunferncia do crculo. As definies das duas figuras principais so muito importantes e teis e devem, acho, ser sempre lembradas. O crculo  a esfera da conscincia, una, integral e completa. O tringulo representa manifestao e separao, e  nesse ponto que um ser das trevas  trazido  luz dos limites ocultos do crculo interior. Pode-se presumir que um deus seja uma idia completa e harmoniosa, coerente e absoluta dentro de sua prpria esfera, um macrocosmo qu e tudo abarca ao qual o mago, que  um microcosmo, une a si mesmo dentro dos limites protegidos do crculo. Por outro lado, um esprito ou uma inteligncia  um ser menor e embora por definio seja uma fora semi-inteligente da natureza,  uma idia que no  nem completa nem bem desenvolvida e compreende apenas uma conscincia limitada e partitiva. No caso da evocao, o esprito  evocado para dentro de um tringulo limitado e protegido por nomes divinos, colocados no exterior do crculo sagrado e o mago dentro do crculo se posta em relao ao esprito como um macrocosmo e um ser superior. Tal como a invocao de um deus inunda a conscincia humana com uma onda esttica da luz e vida divinas, o teurgo se posta como um deus e energizador do esprito. A finalidade da evocao , em sntese, fazer intencionalmente salientar, por assim dizer, alguma poro da alma humana que  deficiente numa qualidade mais ou menos importante. Recebendo corpo e forma pelo poder da imaginao e da vontade, ela , para usar uma metfora, especialmente nutrida pelo calor e sustento do sol, e recebendo gua e alimento pode crescer e florescer. A tcnica  a assimilao de um esprito particular na conscincia do teurgo, no por amor e rendio como  o caso na invocao de um deus, mas sim por comando superior e o gesto imperioso da vontade. Atravs desta assimilao, a ferida de Amfortas  curada, a deficincia  remediada e a alma do teurgo  estimulada de uma maneira especial, de acord o com a natureza do esprito. 
O primeiro dos trs livros relativos  evocao dos quais me proponho a falar aqui  A Chave de Salomo, o Rei. Este livro, de longe o mais notrio de todos os livros de instruo mgica, foi traduzido em 1889 por S. L. McGregor Mathers para o ingls a partir de textos em latim e em francs. Ele prprio, estou informado, foi sumamente conhecedor do mtodo e obteve sucesso no seu uso, tendo adaptado para o uso de seus prprios aprendizesum resumo cientfico abordando o processo d e evocao em todas suas ramificaes. Na opinio do tradutor, essa obra encerrava a fonte-matriz e o depsito central da magia cabalstica. Nela  preciso que se busque a origem de muito da magia cerimonial da poca medieval quando A Chave era estimada pelos melhores escritores do oculto e praticantes da magia como um trabalho da mais alta autoridade. Que serviu de instruo a liphas Lvi e lhe forneceu os dados nos quais foi baseado o Dogma e Ritual de Alta Magia  mais que provvel pois deve ser evidente para quem quer que tenha efetivamente estudado Lvi com cuidado que a Chave de Salomo foi seu principal texto para estudo e prtica. Embora ele no expresse franco reconhecimento como devedor por meio de muitas palavras,  a essa obra que ele se refere em suas vistosas observaes relativas s Clavculas do Rei Salomo. No seu Ritual de Alta Magia ele cita uma invocao que atribui a Salomo, apresentando este ritual uma certa, embora no exata, semelhana e m sua construo e teor,  primeira conjurao da Chave, reproduzida no ltimo captulo de seu trabalho. A Chave, como um todo, com a exceo de vrios captulos inteiramente desprezveis que lisonjeiam os apetites animais de ignorantes depravados, e que provavelmente so interpolaes posteriores feitas no texto,  um dos mais prticos sistemas de tcnica mgica existentes. Seu interesse capital est na evocao dos espritos ou regentes planetrios. 
A questo obscura da efetiva existncia de um original hebraico foi levantada em diversas ocasies, e tanto P. Christian em sua Histoire de la Magie quanto S. L. MacGregor Mathers eram da opinio de que se tivesse havido um documento hebraico a partir do qual tenham sido feitas as tradues latina e francesa, este ter-se-ia perdido desde ento. Waite mais ou menos se inclina para a dvida de que tenha havido um texto hebraico, e outros escritores cticos acreditam que se trata simplesmente de uma falsificao medieval, meno de Salomo e de um autor hebreu sendo feita meramente para apresentar diante das mentes crdulas uma autoridade adicional por qualquer mrito e validade que o livro possusse. Recentemente, entretanto, um manuscrito hebraico foi descoberto pelo dr. Herman Gollancsz e um impresso em fac-smile foi publicado pela Oxford University Press em 1914. Aps um exame deste trabalho publicado sob o ttulo de Sepher Maphteah Shelomo, que corresponde a O Liv ro da Chave de Salomo, em hebraico, no posso admitir que a despeito da obra traduzida para o ingls ter o mesmo ttulo haja uma necessria conexo entre as duas. Seus contedos so completamente diferentes. 
O sistema de magia exposto em A Chave de Salomo, o Rei  extremamente objetivo, estando enraizado na existncia, independente de nossa prpria conscincia, dos deuses ou anjos que habitam os planetas. Sua raison d'tre  o postulado de que a invocao deles pelo homem  uma possibilidade distinta, e que eles podem ser submetidos  vontade soberana do homem. A filosofia mgica postula a existncia de uma entidade espiritual que  a alma ou numenon por trs da casca visvel de cada planeta.  o regente ou guardio da mesmssima maneira que a alma no homem  a realidade metafsica oculta funcionando nas profundezas de seu ser. Esta , por certo, a viso objetiva, e ao desenvolver esta teoria, os antigos sistemas atribuam aos deuses dos planetas hierarquias de espritos e inteligncias menores bem como elementais, os administradores do movimento e atividade celestiais. Um diagrama de classificao dessas entidades  apresentado numa pgina anterior.  conheci mento ordinrio que os dias da semana possuem um significado astronmico e que o domingo*  o dia do sol, a segunda-feira* o dia da lua, o sbado* o dia de Saturno, e assim por diante. Por este arranjo, como tem sido ensinado pela astrologia, em algum dia em particular a influncia de um dado planeta e seu regente predomina e existe de uma forma mais poderosa do que em qualquer outro dia. Esta classificao  levada ainda mais longe em A Chave, e os magos medievais concebiam sistematicament e que certas horas do dia poderiam estar tambm sob a direta influncia dos planetas. Por conseguinte, h em A Chave uma ampla lista das horas planetrias, indicando quais as horas especficas nos sete dias da semana so atribudas a quais planetas e os nomes dos anjos que so regentes durante o desenrolar da hora. Assim, para tornar eficiente a evocao de um regente planetrio, ou seu esprito e inteligncia, uma cerimnia deve ser realizada no apenas do dia correto da semana, como quarta-feira ** para Mercrio, como tambm durante a hora correta. Visto que Mercrio  atribudo  oitava Sephira na rvore da Vida, sua significao numrica  oito. Sua hora apropriada seria conseqentemente a oitava hora que, de acordo com a tabela,  denominada Tafrac e seria suscetvel de maneira peculiar s coisas mercurianas. Na oitava hora do dia de Mercrio, que  quarta-feira, empregando as ervas, incensos, cores, selos, luzes, formas e nomes divinos que se harmonizam e so coerentes com a n atureza tradicional de Mercrio, o mago  mais facilmente capacitado a estimular a criatividade da imaginao e evocar ou a partir de sua prpria mente ou a partir da luz astral a idia ou esprito pertencente  categoria ou hierarquia denominada Mercrio. Tendo escrito as conjuraes apropriadas, a cerimnia  executada. O mago, envolvendo a si mesmo astralmente com a forma do deus que  atribudo  mesma Sephira da qual Mercrio  uma correspondncia - mas no se unindo  for ma no caso de somente um esprito ou inteligncia serem requeridos - e forosamente dirigindo um poderoso fluxo de fora de vontade sobre o sigillum do esprito, invoca o deus, suplica ao arcanjo e conjura o anjo que a entidade espiritual apropriada possa ser constrangida a se manifestar fora do crculo no consagrado tringulo da arte, de acordo com os selos e os elementos coerentes e harmoniosos empregados. Embora esta tcnica no esteja plenamente explcita em A Chav e - j que o rudimentar mtodo a descrito seria comparvel a um menininho pedindo ao seu pai para lhe dar alguns trocados - a experincia e a tradio tm demonstrado que os mtodos egpcios se harmonizam muito bem com o mtodo cabalstico de A Chave, e so mais conduzentes  produo dos resultados desejados. 
* Em ingls precisamente Sunday, Monday e Saturday respectivamente. (N. T.)
** Em ingls Wednesday, derivado de Woden's day, dia de Woden, o nome saxo de Odin. (N. T.)
H captulos do livro que tratam cuidadosamente das qualidades essenciais dos planetas e da variedade de diferentes operaes que pertencem mais distintamente a um do que a outro, embora todas essas instrues sejam suplementadas pelo conselho principal de executar toda operao quando a lua estiver na crescente nos dias entre seu nascer e sua plenitude. Assim a evocao das foras de Marte nos dias e horas de Marte confere coragem, energia e fora de vontade, enquanto que os p erodos prprios do Sol, de Vnus e Jpiter se adaptam bem a quaisquer operaes de amor, de benevolncia e de invisibilidade. Operaes para a aquisio de uma abundncia de eloqncia, conhecimento cientfico, profecia e a capacidade da adivinhao surgiriam na esfera de Mercrio e assim por diante tal como foi formulado na astrologia. O Mago enumera os anjos relativos aos doze signos zodiacais e os perodos mais propcios para a evocao deles seriam no dia e hora do planeta regente e exaltado n aquele signo. O mtodo exato de construir o crculo mgico  dado com certos detalhes, bem como a maneira pela qual deve ser especialmente consagrado. Poderia acrescentar que embora A Chave afirme que o crculo deveria ser traado na terra com a faca ou espada mgicas, o moderno teurgo pode traar o crculo com suas cores apropriadas sobre um pedao virgem de tela ou sobre o cho de seu templo, seja este de cermica, taco ou linleo, traando-o posteriormente no ar com a espad a ou o basto. 
Um fato que faz de A Chave um dos nicos e mais importantes dos trabalhos mgicos disponveis  ela fornecer excelentes ilustraes dos pantculos e selos apropriados aos sete planetas, necessrios para o uso como lamen e sigillae durante as cerimnias, mostrando tambm como deveriam ser construdos. Quando a lua estiver num signo do ar ou da terra, durante os dias e horas de Mercrio, ser o mais propcio perodo para a confeco dos pantculos e selos. O m ago deve dispor tambm de uma cmara especial, se possvel, independente com a devida privacidade onde, aps a correta consagrao e fumigao ascendente,  possvel construir os pantculos seja sobre metal, seja sobre papel limpo virgem. "Estes pantculos so geralmente feitos do metal que mais se adequa  natureza do planeta... Saturno rege o chumbo, Jpiter o estanho, Marte o ferro, o Sol o ouro, Vnus o cobre, Mercrio a mescla dos metais e a Lua, a prata. Podem tambm ser feitos com papel virg em exorcizado, escrevendo-se sobre ele com as cores adotadas para cada planeta, referindo-se s regras j indicadas nos devidos captulos, e de acordo com o planeta com o qual o pantculo se harmoniza; por este motivo a cor apropriada de Saturno  o preto, Jpiter rege o azul celeste, Marte o vermelho, o Sol o dourado ou o amarelo ou citrino, Vnus o verde, Mercrio as cores mistas (via de regra o laranja, conforme as melhores tradies cabalsticas), a Lua o prateado ou a cor da terra argentina.&q uot; 
 fornecida uma srie similar de regras relativas aos mantos e vestes a serem usados cerimonialmente pelo Mestre da Arte e seus assistentes. Cada instrumento particular a ser empregado, basto, espada, adaga, etc., e todos esses acessrios tais como incenso, pergaminho para os selos, cera para os pantculos ou talisms, e as coberturas de seda para os sigillae - devem ser cuidadosamente exorcizados para se tornarem puros, depois do que devem ser consagrados  obra em pauta. O sistema, em sntese,  um mtodo completo, apresentando vrias invocaes e conjuraes que resultam na evocao para apario visvel do esprito desejado, e com um pouco de engenhosidade o mago pode utilizar o esquema do sistema para quase qualquer finalidade. O procedimento efetivo, em breves palavras, da operao pode ser resumido como se segue: primeiramente, deve haver a consagrao e preparao das armas, instrumentos e a construo do crculo. Aps um banimento completo, q ue o mago profira uma orao ou invocao geral ao Senhor do Universo ou ao seu prprio Eu superior para dar legitimidade  operao. Exemplos de um tal salmo so fornecidos no captulo final deste livro. Isso concludo, a forma do deus apropriado deve ser assumida astralmente de maneira que a mscara encubra completamente o mago em imaginao, embora esta necessidade no deva ser levada ao ponto da identificao. Uma conjurao geral deve se seguir recitando a au toridade mediante a qual o mago atua, e enumerando os poderes que no passado produziram grandes resultados por meio de outros magos. Nesse ponto, a conscincia do mago deve ter comeado a se exaltar devido  queima do incenso,  psicologia dos mantos, ao lirismo e ao valor intoxicante da invocao com sua longa lista reverberante de nomes brbaros e a enumerao de prodgios, comandos e imprecaes, alm do efeito desconcertante, por assim dizer, das luzes, figuras e selos. O clmax da operao, a manife stao do esprito, ocorre ento quase automaticamente. A Chave de Salomo fornece em seguida mais ou menos o correto procedimento at que, quando o esprito apareceu sob forma visvel e obedeceu ao mago, a Licena para Partir e o ritual de banimento devam uma vez mais ser recitados a fim de encerrar a cerimnia inteira.
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Nm. Cores Plantas Pedras preciosas Perfumes Metais Nomes divinos 
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1 Branco Amendoeiro em flor Diamante mbar cinzento - Eheieh
2 Cinza Amaranto Rubi-estrela; turquesa Almscar -
3 Preto Cipreste; papoula Safira-estrela; p- Mirra; alglia Chumbo Jehovah Elohim
rola
4 Azul Oliveira; trevo Ametista; safira Cedro Estanho El
5 Vermelho Carvalho; noguei- Rubi Tabaco Ferro Elohim Gibor
ra-vmica; urtiga
6 Amarelo Accia; loureiro; Topzio; diamante Olbano Ouro Jehovah Eloh 
vinha amarelo ve Das
7 Verde Roseira Esmeralda Benjoim; rosa; Cobre Jehovah
sndalo vermelho Tsavos
8 Laranja Mli; Anhal. Opala; esp. opala Estoraque Mercrio Elohim 
Lewinii gnea Tsavos
9 Prpura Manyan; da- Quartzo Jasmim; ginseng Prata Shaddai 
miana; yohimba l Chai 
10 Mescla Salgueiro; lrio; Cristal de rocha Ditania de Creta - Adonai
hera Melech
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H uma pgina ou duas escritas por Francis Barrett em seu livro The Magus (que se descobriu terem sido citadas quase que ao p da letra a partir de H. C. Agrippa) que podem ser muito teis ao mago porquanto explicam o processo de consagrao e preparao; e no apenas isto como tambm esboa um dos segredos da composio dos rituais, o da comemorao. Ele escreve: 
"Portanto, quando voc fosse consagrar qualquer lugar ou crculo, deveria tomar a orao de Salomo usada na dedicao e consagrao do templo; teria, do mesmo modo, que abenoar o lugar aspergindo-o com gua benta e tratando-o com fumigaes ascendentes, e comemore nos santos mistrios da bno; tais como estes, a santificao do trono de Deus, do Monte Sinai, do tabernculo da promessa divina, do santo dos santos, do templo de Jerusalm; tambm a santificao do Monte Glgota pela crucificao de Cristo; a santificao do templo de Cristo; do Monte Tabor pela transfigurao e ascenso de Cristo, etc. E invocando-se todos os nomes divinos que so significativos em relao a isso, tais como o lugar de Deus, o trono de Deus, a cadeira de Deus, o tabernculo de Deus, o altar de Deus, a habitao de Deus, e os nomes divinos similares desta espcie, que devem ser escritos em torno do crculo ou do lugar a ser consagrado.
"E na consagrao dos instrumentos e toda outra coisa que  usada nesta arte, voc deve proceder de maneira idntica, borrifando com gua benta do mesmo modo, por fumigao, untando com azeite sagrado, selando-o com algum selo santo e abenoando-o com orao, e comemorando coisas santas pelas Santas Escrituras, coletando nomes divinos que so agradveis s coisas a serem consagradas, como por exemplo, na consagrao da espada  preciso que lembremos pelo evangelho 'aquele qu e tem duas capas' etc., e que no segundo de Macabeus  dito que uma espada foi divina e miraculosamente enviada a Judas Macabeus; e se houver algo semelhante nos profetas como 'tragam para vocs espadas de dois gumes', etc. E voc dever da mesma maneira consagrar experimentos e livros, e seja l o que for de natureza similar, como escritos, gravuras, etc. borrifando, perfumando, untando, selando, abenoando com comemoraes santas e chamando  lembrana a santificao dos mistrios, como a tbua dos dez mandamentos, que foram transmitidas a Moiss por Deus no Monte Sinai, a santificao do Antigo e do Novo Testamentos, e igualmente a da lei, dos profetas e Escrituras, que foram promulgadas pelo Esprito Santo; e mais uma vez existem para serem mencionados aqueles nomes divinos que sejam convenientes no caso, a saber, o testamento de Deus, o livro de Deus, o livro da vida, o conhecimento de Deus, a sabedoria de Deus e similares. E com tal tipo de ritos como estes  executa da a consagrao pessoal... 
" necessrio observar que votos, oblaes e sacrifcios possuem o poder de consagrao, tanto real quanto pessoal, e eles so, por assim dizer, certas convenes entre aqueles nomes com os quais so feitos e ns, que os fazemos, aderindo fortemente ao nosso desejo e efeitos desejados, como quando sacrificamos com certos nomes ou coisas, como fumigaes, unes, anis, imagens, espelhos e algumas coisas menos materiais, como caracteres, selos, pantculos, enca ntamentos, oraes, gravuras. Escrituras, do que falamos largamente antes." 
A Pequena Chave de Salomo, o Rei ou A Gocia (palavra provavelmente derivada de uma raiz que significa "berrar" ou "gemer" se referindo possivelmente  tcnica dos nomes brbaros, uma caracterstica das invocaes do livro*) trata de uma descrio minuciosa de setenta e dois espritos ou hierarquias de espritos que a tradio afirma eram evocados e submetidos por Salomo. Foi por meio da ao deles e por meio deles que Salomo recebeu aquela sa bedoria superlativa e aquele conhecimento espiritual que a lenda afirma lhe terem pertencido. Ao abrir o livro h uma definio da magia a ttulo de promio nestes termos: "A magia  o mais elevado, mais absoluto e mais divino conhecimento da filosofia natural, avanado em sua obras e prodigiosas operaes por uma compreenso correta da virtude interior e oculta das coisas, de sorte que agentes verdadeiros sendo aplicados aos pacientes adequados efeitos estranhos e admirveis sero desse modo produzidos. Da os magos serem profundos e diligentes pesquisadores da natureza; devido  sua habilidade, eles sabem como antecipar um efeito, o qual para o vulgo se afigurar como um milagre." 
* do grego gohteia, fascinao, e posteriormente por extenso o significado pejorativo de charlatanismo, impostura, fraude. O grego gohs (htos) significa originalmente mago ou feiticeiro, e da charlato, impostor. (N. T.) 
Quanto  opinio de Waite de que A Gocia se refere ela mesma  magia negra, tenho de discordar. Minha prpria opinio  que Waite se inclina a classificar como magia negra qualquer mtodo tcnico que se mantm fora do dito consagrado de sua prpria organizao. O sistema delineado por Francis Barrett na parte de seu livro intitulada Magia Cerimonial  na realidade baseado na Chave e no livro de que ora nos ocupamos, bem como em de Occulta Ph ilosophia, de Agrippa. Vrios dos rituais que ele apresenta so tomados palavra por palavra, e com apenas umas poucas alteraes e acrscimos secundrios, de A Gocia. Embora dificilmente comparvel a Abramelin em matria de sublimidade e poder de concepo espiritual, A Gocia , entretanto, um sistema relativamente fcil tanto de ser compreendido quanto de ser operado, pois tambm neste caso o mago no  sobrecarregado com tais exigncias impossveis e fantsticas como sangue de morcego, caveiras de parricidas e cabritos ou cordeiros virgens. Tudo o que o operador tem que observar a fim de alcanar o sucesso so algumas regras mais ou menos elementares. Como pr-requisitos mgicos para as evocaes,  necessrio que disponha de um equipamento composto de basto, espada, capuz e um manto que cubra todo o corpo ou uma longa toga de linho branco com o qual trabalhar, bem como vrios mantos ou casulas de cores diversas, que variam dependendo da operao e da natureza do esprito a ser conjurado. De hbito, deve haver o turbulo com incenso especial, o azeite de uno para consagrao e o talism ou selo que o operador queira carregar. Seguem-se instrues relativas  natureza do crculo mgico e o tringulo que o acompanha, suas dimenses, cores, inscries e os nomes divinos a serem empregados como proteo e pintados em cores ao redor tanto do crculo quanto do tringulo. Reproduzo aqui um tipo de crculo e tringulo recomendado por A Gocia. As palavras heb raicas em torno do crculo so os nomes das Sephiroth com as atribuies planetrias, os nomes divinos apropriados, arcanjos e coros anglicos. 
((ilustr. - Crculo e tringulo))
A maior parte do livro diz respeito a uma descrio rigorosa dos espritos e suas hierarquias. Os setenta e dois hierarcas so classificados em vrias categorias: reis, duques, prncipes, marqueses e assim por diante, compreendendo naturezas boas, ms e indiferentes. Na economia da natureza eles tm sua prpria funo particular, uma tarefa especfica para executar e quando evocados e controlados pelo invocador e seus smbolos conferem uma certa faculdade, poder ou tipo de conhecimento como foi explicado anteriormente. Diversos mtodos podem ser aplicados em sua classificao j que  possvel distribuir o nmero deles entre os quatro elementos ou referi-los aos sete planetas, ou aos doze signos do zodaco. Os selos de aparncia estranha fornecidos em A Gocia como representativos das assinaturas dos espritos devem ser usados no peito do mago, no reverso do pentagrama gravado sobre um lamen de metal de acordo com a posio, dignida de e carter do esprito a ser convocado  apario visvel. Assim, o sigillum de um rei dos espritos deve ser gravado sobre um lamen de ouro, enquanto que o de um duque deve s-lo sobre cobre, o de um prncipe sobre estanho enquanto que a prata deve ser o material do lamen para a evocao de um marqus. Por meio deste mtodo, os caracteres dos espritos so mostrados pelos metais empregados na construo do lamen. Os reis so de uma dignidade solar; os du ques so venusianos; os prncipes, jupiterianos e os marqueses dizem respeito  Lua. Devem ser observadas estaes e ocasies para a conjurao dos espritos pois "tu devers conhecer e observar o perodo da lua para teu trabalho, os melhores dias sendo quando a Lua tem 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 14 dias, como diz Salomo, nenhum outro dia sendo aproveitvel". O texto continua afirmando que os reis "podem ser submetidos das 9 at o meio-dia e das 3 da tarde at o pr-do-sol; os marquese s podem ser submetidos das 3 da tarde at as 9 da noite e das 9 da noite at o nascer do sol; os duques podem ser submetidos do nascer do sol ao meio-dia com tempo lmpido sem nuvens; os prelados podem ser submetidos a qualquer hora do dia; os cavaleiros podem ser submetidos da aurora at o nascer do sol ou das 4 horas at o pr-do-sol; os presidentes podem ser submetidos a qualquer hora, exceto no crepsculo,  noite, a menos que o rei a que esto subordinados seja invocado; e os condes a qualquer hora d o dia, seja nos bosques, seja em quaisquer outros lugares que os homens no freqentam, ou onde no h rudo."
((O hexagrama de Salomo))
Includas no domnio dos Quatro Grandes Regentes ou Reis Elementais dos Pontos Cardeais esto essas hierarquias dos setenta e dois espritos. H Amaimon no leste, Corson no oeste, Ziminiar no norte e Gap no sul, um quadrante cardeal especfico devendo ser encarado pelo mago, o tringulo tambm apontando na mesma direo, em consonncia com o regente do esprito a ser evocado. No convm supor de modo algum que esses espritos referidos em A Gocia se jam meros elementais, espritos da natureza ou foras semi-inteligentes que arcam com a carga mecnica da natureza; pelo contrrio, diz-se dispor a maioria deles de um grande sqito ou sub-hierarquia de espritos elementais subordinados que os servem. Pode-se supor que sejam os assim chamados reis elementais, cuja funo na ordem natural das coisas  apenas secundria relativamente ao governo dos principais deuses ou anjos planetrios. Com efeito, Blavatsky sugere em A Doutrina Secreta que de form a alguma devem os reis ou deuses dos elementais ser confundidos com os prprios cegos e brutais espritos elementais. Esses ltimos, no mximo, so simplesmente usados pelos brilhantes deuses elementais como veculos e materiais luminosos com os quais se vestem. 
A descrio de Paimon, por exemplo,  que ele ensina todas as artes e cincias e outras coisas secretas. "Ele  capaz de descobrir para ti o que a Terra , e o que ela encerra nas guas; e o que a Mente , ou onde ela est; ou quaisquer outras coisas que possas desejar saber. Ele proporciona dignidade e confirma a mesma. Ele  para ser observado rumo oeste. Ele  da Ordem dos Domnios. Possui sob seu comando duzentas legies de espritos e parte deles pertence  Ordem dos Anjos e a outra parte dos Potentados." A Gocia tambm empreende a descrio da maneira pela qual ele faz sua apario no tringulo da arte em que  evocado. Acompanhando-o em sua manifestao visvel "apresenta-se ante ele tambm uma hoste de espritos, como homens com trombetas e pratos bem sonoros e todos os outros tipos de instrumentos musicais." Uma outra entidade menor  Btis, que  tanto um presidente quanto um conde dos espritos e quando evocado "...narra todas as coisas passadas e futuras, e reconcilia amigos e inimigos. Comanda sessenta legies de espritos". Para mencionar mais um hierarca, temos Bifrons, chamado de conde, e cuja funo  familiarizar a pessoa com a astrologia, geometria e outras artes e cincias, e nele tambm est contido o conhecimento das virtudes das pedras preciosas e madeiras, estando sob seu comando sessenta legies de espritos. 
Entre os numerosos selos presentes neste livro de instruo mgica, h tambm um pentagrama a ser usado como um sigillum durante qualquer operao mgica, com o propsito de proteger o operador dos espritos perigosos, e tambm para restaurar sua confiana no poder da vontade. A ilustrao da pgina ... (Sigillum do Pentagrama) apresenta o desenho dessa figura.  para ser usado sobre o peito do mago como um lamen, o lado inverso tendo o selo do esprito pa rticular a ser evocado. Em vrios estgios de uma cerimnia esse sigillum dever ser levado erguido na mo aos pontos cardinais, onde o mago recitar uma exigncia aos espritos para que rendam obedincia aos sigilli inscritos dentro do pentagrama. Outrossim, A Gocia ilustra um hexagrama que deve ser pintado sobre pergaminho de pele de bezerro a ser usado na borda do manto ou toga curta. As instrues que acompanham o desenho tm o propsito de indicar que essa figura deve ser coberta com um tecido de linho fino, branco e puro, e "...  para ser mostrada aos espritos quando estes aparecerem, de maneira que sejam obrigados a assumir forma humana e prestarem obedincia." Esse tipo de hexagrama  reproduzido em cores na pgina ...
Pouco conhecido dos aprendizesde magia da atualidade, j que jamais foi traduzido para o ingls,  um livro intitulado O Livro do Anjo Ratziel. Durante os ltimos duzentos anos foi considerado pelos judeus como um depsito sagrado e mesmo hoje, entre os membros de uma seita corrompida quase-mstica chamada de Chassidim - que incorporava outrora ensino e aspirao espirituais de grande excelncia - esse livro  bastante venerado. Um dos seus rabinos info rmou ao presente autor que quando um membro de sua congregao est doente, uma cpia desse trabalho de magia  imediatamente levada ao leito do doente de maneira que possa ser colocada sob o travesseiro.  uma coletnea de escritos e vises de magia que no causam particular impresso, a maior parte distintamente rudimentar, que pretendem datar do paraso admico, embora haja suficiente evidncia interna a nos assegurar que ao menos trs diferentes escritores em data no muito antiga contriburam individualmente para o seu contedo, o conjunto tendo sido sintetizado por uma mo habilidosa. Houve uma poca na qual era fcil obter tal obra. Atualmente, entretanto, esta obteno  rara. 
Como todos os nomes anglicos hebraicos, a palavra Ratziel  uma palavra composta, que produz quando analisada a frase "O Anjo do Mistrio", que se concebe que seja o autor divino dos mistrios mgicos comunicados a Ado, o primeiro ser a receber esse conhecimento. Sua tradio segue quase exatamente aquela da lenda da ortodoxia cabalstica, segundo a qual expulso do paraso que lhe estava barrado por um anjo que portava uma espada flamejante, Ado no exlio transmitiu o livro ao seu filho, que o revelou a Enoque. Enoque o passou s geraes sucessivas de patriarcas at que, finalmente, culminou, como o leitor pode ter antecipado, na comunicao de seu mistrio ao Rei Salomo que, por intermdio deste mistrio, conquistou todo o conhecimento, sabedoria e riqueza. 
A obra como um todo est dividida em trs partes principais, embora haja suplementos mais curtos que fornecem ao leitor frmulas complexas, embora ambguas, de amuletos e alguns talisms e encantamentos de aspecto um tanto divertido, com instrues altamente elaboradas para seu uso e emprego correto. Muito espao  reservado ao estudo da angelologia, fonte da qual um grande nmero de autores posteriores bebeu, e no comeo h conselhos referentes  evocao desse anjos  apario visve l, as instrues variando de acordo com dia, hora, ms e estao. A caminho do desfecho do livro h uma longa orao ou invocao, apostrofando Deus numa maneira hebraica exemplar como o Rei, percorrendo o alfabeto inteiro diversas vezes a fim de descrever Seus atributos distintivos, todos os quais so fases de alguma fora e funo particulares do universo. Como sistema de tcnica mgica  muito desfavoravelmente comparvel com os dois livros previamente mencionados no que diz respeito ao efetivo modus operandi e o teor filosfico. 
A primeira parte do livro, a nica que consideraremos nestas pginas visto que suas duas ltimas partes so comparveis  Gocia e  Chave j descritas,  singular pela razo a seguir. Procura descrever a completa organizao do cu, ou as vrias camadas ou planos da luz astral. A essncia da viso  uma descrio do cu ao qual No foi carregado por dois anjos de aspecto gneo, embora muito pouco disto tenha importncia acrescentando algum conhecimento ou provendo algu ma nova informao elucidativa daquilo que j detemos. Um cu, o terceiro,  caracterizado pelo vidente como sendo o lar, por assim dizer, das almas ou deuses interiores do sol e das estrelas, o primeiro sendo atendido por inmeras fnixes, as quais simbolizam regenerao e imortalidade. No era atendido por quatrocentos anjos que toda noite removiam sua coroa para lev-la ao Senhor do Cu e a devolviam toda manh quando eles prprios o coroavam. Hostes de anjos, armados com espadas respland ecentes para o julgamento da humanidade e os mensageiros das decises do Altssimo eram vistos no quarto cu, e simultaneamente esses espritos armados cantavam e danavam diante de Deus com o acompanhamento de pratos. Sua viso estendendo-se ao quinto cu revelava a No quatro diferentes ordens de sentinelas, os quais, ao mesmo tempo que lamentavam seus anjos camaradas uma vez decados, estavam ainda cantando e fazendo soar continuamente quatro espcies diferentes de trombetas em lou vor de Deus. No sexto cu havia legies resplandecentes de anjos, mais resplandecentes e esplndidos que o sol quando brilha na plenitude de sua fora. Havia arcanjos, tambm, e neste cu No viu como todas as coisas eram ordenadas e planejadas, com os prottipos de todas as coisas vivas e almas de toda a humanidade. No meio da viso gloriosa, ele viu sete criaturas arcanglicas, cada uma com seis asas, cantando num unssono absoluto. O cu mais elevado foi visto como uma luz gnea, povoada por arcanjos e seres e poderes incorpreos, havendo tambm o rosto de Deus fulgurante de luz celestial, emitindo chispas do mais puro fogo e chama. 
Muito da confuso que caracteriza as vises e tentativas em magia dos amadores pode ser largamente atribudo, acho,  omisso de alguns desses dispositivos preliminares como o Ritual de Banimento do Pentagrama, com a conseqncia de que a despeito da pureza e elevada disposio do vidente, a esfera de percepo  invadida por quaisquer entidades que possam estar nas vizinhanas astrais. Nem sempre  a obsesso ou a possesso elementar o clmax da omisso do adequado banimento, m as pelo fato de entidades indesejveis passarem sem barreira diante da viso interior, no haver qualquer continuidade ou consistncia na viso. Conseqentemente, ao registr-las, o vidente, mais ou menos temeroso de confiar em seu prprio discernimento nesses elevados assuntos, relata a viso inteira juntamente com os pontos no-essenciais. Isto ocorre em vrios exemplos, e  apenas quando a esfera astral  extraordinariamente vigorosa e radiante, possuindo uma luz espiritual atravs da qual nenhuma ent idade astral ousa invadir, a menos que o faa com permisso do vidente, que as vises podem ser empreendidas com segurana sem o banimento de proteo preliminar. 
H uma outra matria de carter preventivo que deve ser mencionada caso o leitor deseje testar essas coisas. Ao fazer uso dos selos e sigilli exibidos em tais obras como O Livro do Anjo Ratziel e The Magus, corre-se muito perigo, principalmente devido aos grosseiros erros e falhas de impresso do hebraico que foram perpetuados.  difcil dizer se foram acidentais ou causados inteiramente pela ignorncia dos escribas. No  difcil, contudo, compreender que se o obj etivo do selo  estabelecer uma marca na luz astral  qual uma entidade correspondente se apresse em responder, um erro na inscrio textual provocar um erro similar no tipo de marca astral. O resultado disto  que o efeito ser bastante diferente daquele que se espera, e mesmo prejudicial e perigoso. E isto exige, acima de tudo, conhecimento e capacidade para apurar a existncia dos erros e corrigi-los. Sob o risco de tornar a prescrio desagradvel para o leitor,  imperioso que se reitere que  indis pensvel um conhecimento da Cabala ao praticante da magia. Deve haver uma familiarizao com a Gematria, o Notariqon e a Temurah - os trs mtodos envolvendo o uso esotrico do nmero; do mesmo modo, com aquele aspecto da filosofia que trata do simbolismo das letras hebraicas, do alfabeto mgico dos smbolos, nomes, nmeros e idias que se prende aos Trinta e Dois Caminhos da Sabedoria. Embora haja uma grande quantidade de erros crassos aparentes nos sigillae e text o impresso em hebraico mostrado por Barrett, o texto impresso oferecido em ingls, todavia,  absolutamente preciso e til, podendo ser consultado pelo leitor srio muito proveitosamente. A Secret Doctrine in Israel (Doutrina Secreta em Israel) de Waite e sua Holy Kabalah (Santa Cabala) sejam talvez as melhores obras possveis de serem obtidas que oferecem um esboo inteiramente bom do teor doutrinrio da Cabala. Os trabalhos de magia de Cornlio Agrippa, o Liber 777 e Sepher Sephi roth de Aleister Crowley e o meu Garden of Pomegranates (Jardim de Roms) sero de grande valia ao fornecerem o alfabeto fundamental com as atribuies corretas necessrias  compreenso dos selos e smbolos. 
Por outro lado, desejo abordar uma importante analogia existente entre os processos da magia e da ioga. Esta analogia  efetivamente digna de considerao na medida em que argumentamos aqui que a ioga no deve ser colocada em oposio  magia e em superioridade a esta, estes dois sistemas constituindo, ao contrrio, conjuntamente o que pode ser chamado de misticismo. Se supormos que nossas correspondncias com as hierarquias mgicas representam fatos da natureza - no pod endo haver por um nico momento qualquer dvida real - a base lgica filosfica que se pode vincular  magia como aqui a descrevi no estar muito distanciada daquela do Caminho da Unio Real tal como descrito por uma autoridade como Swami Vivekananda.
Discorremos pormenorizadamente aqui a respeito de vrios deuses csmicos serem atribudos s Sephiroth da rvore da Vida, seres excelsos que so os regentes inteligentes e guias dos processos evolutivos; a cada deus uma hierarquia apropriada est subordinada, os mensageiros imediatos que so anjos, arcanjos, espritos e inteligncias. Este sistema de classificao no se aplica somente ao macroscosmo, como tambm ao microcosmo. A base da rvore da Vid a foi de tal modo elaborada que se refere no s aos desenvolvimentos csmicos como tambm s vrias partes - psquica, mental e espiritual - do prprio homem, focalizando assim o campo inteiro de atividade universal no interior do prprio organismo do homem. Os doze signos do zodaco e os sete planetas so atribudos  rvore como um todo. Considerando-se o ser humano como um microcosmo do grande universo estelar e csmico, todos os planetas, elementos e foras nele tm curso, e mesmo os si gnos do zodaco esto claramente representados em sua natureza. A energia do Carneiro* est em sua cabea; o Touro concede resistncia laboriosa e fora aos seus ombros; o Leo representa a coragem de seu corao e o fogo selvagem de sua tmpera, enquanto os joelhos, ajudando-o a saltar, esto sob o signo do Bode. ** Isto, a ttulo de exemplo, supre a base para uma teoria subjetiva tanto ontolgica quanto epistemolgica: o universo existe somente dentro da conscincia do homem,  contrmino a esta conscincia e suas leis so as leis da mente. 
* ries. (N. T.) 
** Ou melhor, Capricrnio. (N. T.) 
No meu trabalho anterior, Garden of Pomegranates [Jardim de Roms] foi traada uma correspondncia diagramtica entre as Sephiroth csmicas, as vrias partes do ser humano e os chakras ou os centros nervosos centrais que existem no departamento psico-espiritual da constituio humana. Outras atribuies  luz das especulaes precedentes de imediato se revelam. As seguintes podem ser indicadas  guisa de exemplo, descrevendo para onde tendem minhas espec ulaes. O chakra Anahata, que  o centro localizado no ou prximo do corao fsico, sendo uma correspondncia da sexta Sephira da harmonia e do equilbrio, est assim em direta correspondncia com essncias sagradas como Osris, Hlios, Mitra e o auto-resplandecente Augoeides. Thoth e todos os seus divinos atributos de vontade e sabedoria entram numa perfeita correspondncia com o chakra Ajna situado no centro da testa acima dos olhos, enquanto que o mais elevad o de todos os chakras, o resplendente ltus de mil ptalas, o chakra Sahasrara, localizado na coroa, onde Adonai se regozija, alinha-se completamente com Ptah e Amon, a essncia csmica oculta, o centro criativo secreto tanto do macrocosmo quanto do microcosmo. A adoo da teoria subjetiva traz consigo concluses de largo alcance, e um verdadeiro entendimento deste ponto de vista far com que se compreenda conscientemente a afirmao freqentemente proferida com loquacidade de que dentro d o ser humano existe o inteiro universo e o vasto concurso das foras universais. Minha teoria  que invocar rtemis e Chomse e ter cooperado para se unir  essncia que esses nomes representam, por exemplo,  ter realizado uma tarefa de suprema importncia que  idntica, devido a nossas correspondncias, ao despertar das foras do chakra Muladhara, pondo assim em movimento a serpente Kundalini em sua ascenso da rvore da Vida at a Coroa. Enquanto um sistema atingia se us resultados atravs de ritual e invocaes, o outro atingia o sucesso atravs de concentrao e meditao. Ter atingido mediante a invocao mgica uma identidade indissolvel com a sabedoria suprema de Tahuti  ter conquistado o poder claramente de ver atravs do olho interior da sabedoria verdadeira, porquanto  equivalente a um estmulo por meio de meditao do chakra Ajna, o rgo de clarividncia espiritual e da vontade criadora. Ademais, ter unido a conscincia individual atr avs dos ritos da teurgia com Asar-Un-Nefer, e ter sido assimilado a sua glria e inefabilidade,  comparvel a ter guiado a Kundalini para Sushumna at o crebro, e despertado as foras potenciais no chakra Sahasrara. 
Na prpria ioga, como pode claramente ser percebido num trabalho como Raja Yoga de Vivekananda, ou na adaptao aproximadamente europia de seus fundamentos, The Way of Initiation [O Caminho da Iniciao], de Rudolf Steiner, os resultados desse sistema - na medida em que diz respeito  formulao e vivificao dos chakras - so produzidos quase que inteiramente pelo exerccio da vontade e da imaginao. Com freqncia estes e outros a utores escrevem: "Imagine uma chama ou um tringulo branco no corao" ou "um ltus acima da cabea, " e assim por diante. O despertar do esplendor enrodilhado da Kundalini nas cmaras espinhais do chakra Muladhara  cercado de intensa concentrao e o imaginar de um novo tipo de atividade espiritual naquela regio, fazendo a deusa-serpente adormecida endireitar suas espirais e projetar-se com mpeto por Sushumna ao assento de seu Senhor interior. A magia, embora empregando uma tcnica ttica diferente daquela da ioga, est semelhantemente fundamentada, como me empenhei em demonstrar com certos detalhes, no uso da vontade e da imaginao com dispositivos para estmulo dessas duas faculdades numa cerimnia bem ordenada visando ao atingimento dos mais elevados resultados espirituais. E as advertncias da ioga no so menos rigorosas ou verdadeiras do que aquelas que gozam de reconhecimento na magia. Por meio da vitalizao dos chakras bem como por meio da invocao dos deuses seguida pela evocao dos espritos administrativos, vrios poderes de fora e potncia tremendas podem ser conferidos ao praticante. Aqueles que A Gocia atribui aos espritos incluem um desenvolvimento espontneo de um conhecimento at ento latente da cincia, filosofia e artes em suas conotaes mais latas e um enriquecimento das mais excelentes faculdades emocionais que atrairo todos os homens para o fogo central de cada um. Os pode res descritos por Patanjali nos Yoga Sutras como sendo conferidos por Samyama em algum chakra ou idia so quase idnticos aos concedidos ao mago como resultado das evocaes de A Gocia. 
Desgraado aquele, contudo, que atuar na cobia dos poderes, pois para ele os deuses permanecero silenciosos e no haver resposta! Os espritos se voltaro maliciosamente para ele e o despedaaro da cabea aos ps. Se poderes so outorgados ao mago, devero ser dedicados ao Santo Anjo Guardio. Ademais, a serpente do Ruach deve ser incapacitada a ponto de no se recuperar mais, tendo que ser morta de modo que no possa haver restrio  presena do Anjo. Ent o podero os poderes ser assumidos e sendo assumidos ser usados como o Anjo julgar adequado. Tanto na ioga quanto na magia  o aspecto de conscincia da meditao e as invocaes ao deus o mais importante do trabalho. Se ocorrer que o praticante seja contemplado com poderes, timo... mas a meta primordial e sagrada nos dois sistemas  a expanso da conscincia individual a uma extenso infinita e a descoberta do centro real da vida. Correta e honestamente exercida, com aspirao pura e nica, a magia  capaz de conduzir a alma s alturas mximas da rvore onde ela recebe, de acordo com Jmblico, "...uma libertao das paixes, uma perfeio transcendente e uma energia plenamente mais excelente, participando do amor divino e de um jbilo imenso." E adicionalmente a expanso da conscincia confere "... verdade e poder, retido das obras e ddivas dos maiores deuses." 
CAPTULO XIV
Onde uma certa quantidade de indivduos deseja participar de uma cerimnia mgica composta na qual todos possam desempenhar um papel ativo, h uma forma de ritual de grupo concebida para essa finalidade particular chamada de ritual dramtico. Assim, cada pessoa que participa contribui com fora de vontade e energia a favor da criao de uma manifestao espiritual. Quase todos os Mistrios da Antigidade assumiam essa forma, e os ritos de Iniciao das fraternidade s secretas de todas as pocas eram conduzidos em conformidade com esse princpio.  fato extremamente bem conhecido os rituais serem particularmente teis em matria de iniciao.  igualmente corroborado que tais cerimnias desempenhavam um papel preponderante nos mistrios mgicos do Tibete, onde a aceitao de um lanoo era celebrada por um rito consagrando o discpulo  execuo da Grande Obra. A histria do ioga budista Milarepa  perfeitamente clara quanto ao importante ponto de nas mos de se u guru ele ter recebido diversas iniciaes cerimoniais, quando vrias divindades e poderes espirituais foram invocados para dentro de um crculo, ou mandala, onde ele permanecia. Alm disso,  conhecimento comum o fato de o candidato  iniciao bramnica testemunhar um ritual de purificao e consagrao. Que havia rituais de iniciao no antigo Egito  tambm demasiado notrio para exigir especial nfase e o rumor de cerimnias mgicas no Egito nos alcanou enriquecido de muitos de talhes sugestivos e significativos itens de informao. Com efeito, se o princpio subjacente do ritual dramtico de grupo, inicitico ou mgico,  a consagrao da Grande Obra e a exaltao da conscincia, ento dispomos de incontestvel evidncia de que cerimnias concebidas similarmente foram representadas ao longo da Antigidade. 
O princpio bsico  idntico ao de todo ritual mgico, a invocao num sentido ou outro de um deus. Mas no caso do ritual dramtico, o mtodo procede atravs de um apelo esttico  imaginao, retratando sob forma dramtica a corrente dos eventos maiores na histria da vida de um deus, e ocasionalmente o ciclo terrestre de um homem ideal ou homem-deus, tal como Dionsio, Krishna, Baco, Osris, etc., algum que atingiu aquela sabedoria e plenitude espiritual pelas quais o teurgo tambm est em busca. Viver na atmosfera de criao nova e repetir as faanhas realizadas pelo deus constitui um mtodo sumamente excelente para a exaltao da alma. Essa idia  chamada de princpio da comemorao e  um constituinte integral de toda cerimnia mgica. Da observao de de Occulta Philosophia fica bastante evidente que H. C. Agrippa e aqueles dos quais recebeu seu conhecimento entendiam perfeitamente o princpio terico envolvido nessa forma de magia, o qual exige o ensaio do perso nagem do deus a ser invocado, ou uma repetio dos acontecimentos que ocorreram no ciclo de vida de seu emissrio mundano. No apenas deve este princpio fazer parte do ritual dramtico aprovado, como tambm todo e qualquer aspecto da cerimnia mgica, seja realizado por um indivduo ou um grupo, deve ser marcado pela entusistica repetio de uma srie de incidentes altamente significativos da histria do deus, o ensaio servindo assim para dar autoridade e nfase suplementares ao processo duplo de consag rao e invocao. Mesmo num aspecto relativamente to trivial como a preparao preliminar das armas e instrumentos, Agrippa corretamente recomenda a repetio das faanhas sagradas; e como um exemplo do princpio comemorativo que ele advoga, podemos citar com proveito o procedimento proveniente de The Fourth Book of Occult Philosophy (O Quarto Livro da Filosofia Oculta) para a consagrao da gua: "Assim, na consagrao da gua, devemos comemorar como Deus colocou o firmamento no meio das guas, e de que maneira Deus colocou a fonte das guas no paraso terreno... e tambm como Cristo foi batizado no Jordo, tendo da santificado e limpo as guas. Ademais, certos nomes divinos tm que ser invocados, que com isto esto em conformidade; como que Deus  uma fonte viva, gua viva, a fonte da misericrdia, e os nomes de tipo similar".
O leitor poder, tambm, observar a forma comemorativa do ritual de A Gocia, que  citado no ltimo captulo deste livro. A invocao tenta descobrir as palavras de autoridade que foram empregadas nas Escrituras para a execuo de certas proezas. No constitui, entretanto, um exemplo especialmente bom desse tipo de ritual. As Bacantes de Eurpides  um exemplo de primeira categoria de qual forma deveria assumir um ritual dramtico completo. O ritual deve ser construdo de tal modo que cada celebrante desempenhe um papel, sem, ao mesmo tempo, tornar a ao do drama dispersa e incoerente. As regras da arte teatral e do drama se aplicam perfeitamente  construo desses rituais. 
A evidncia histrica a nossa disposio demonstra claramente que a "pea de paixo" da vida do grande deus Osris, rei do Tuat, era realmente um complexo ritual dramtico que o invocava, uma cerimnia comemorativa envolvendo a repetio de quase todos os atos que ocorreram a Osris no curso de sua vida lendria na Terra entre os homens. Na base desta celebrao e de todos os outros tipos similares, temos a invocao de um deus, ou do avatar em quem ele habita, e por meio desse ensaio dramtico o teurgo procura exaltar sua imaginao e conscincia de sorte que possa culminar na crise esttica da unio divina. Para o indivduo cujo senso esttico e potico  altamente desenvolvido, essa espcie de cerimnia , de longe, a mais eficiente.  perfeitamente evidente que uma representao simblica do que era antes um efetivo processo espiritual numa personalidade altamente reverenciada s pode auxiliar na reproduo da unio colocando o teurgo em relao de simpatia e harmonia mgica - mediante o efeito em sua imaginao - com a tendncia ascendente da pea para a meta suprema. Em suma, o teurgo imagina a si mesmo no drama sendo o deus que sofreu, ele prprio, experincias similares, as vrias partes da pea e os rituais recitados servindo apenas para tornar a identificao mais completa.  este fato que levou certas geraes de magos precariamente iniciados a adotar para o uso cerimonial mscaras de verdade, itens grotescos e legtimos artifcios teatrais. Estaremos diante do tema central do ritual dramtico quer escolhamos como exemplo a missa da Igreja Catlica Romana, a realizao do ritual do Adeptus Minor da Ordem Hermtica da Golden Dawn, o Terceiro Grau da Francomaonaria, ou a celebrao das orgias dionisacas tal como esboadas em As Bacantes. Em cada caso a vida de um Adepto iluminado  ensaiada sob plena forma cerimonial, isto , a histria de um ser cuja conscincia foi tornada divina  magic amente celebrada. O mtodo de representao retrata um homem que morre real ou misticamente e que realiza sua prpria ressurreio como um deus, irradiando sabedoria e poder divinos. Visto que Osris era para os egpcios o melhor exemplo de algum que superou sua humanidade e atingiu a unio divina, assim passando para a posteridade como o tipo e smbolo de regenerao, vrios captulos e versculos do Livro dos Mortos representam o morto identificando a si mesmo como aquele deus dirigindo-se aos a ssessores no salo do julgamento. O ritual dramtico que os egpcios realizavam para a invocao de Osris em bidos era uma pea que parece ter consistido de oito atos. "O primeiro era uma procisso na qual o antigo deus da morte, Upwawet, tornava reto o caminho para Osris. No segundo a prpria grande divindade aparecia na barca sagrada, que era tambm colocada  disposio de um nmero limitado dos mais ilustres dos visitantes peregrinos. A viagem da embarcao era retardada por ato res vestidos como os inimigos de Osris, Set e sua companhia... Seguia-se um combate no qual ferimentos reais parecem ter sido dados e recebidos... Este evento parece ter ocorrido durante o terceiro ato, que era uma alegoria dos triunfos de Osris. O quarto ato retratava a sada de Thoth, provavelmente em busca do corpo da vtima divina. Seguiam-se as cerimnias de preparo para o funeral de Osris e a marcha do populacho ao santurio do deserto alm de bidos para inumar o deus em seu tmulo. Em seguida era representada uma grande batalha entre o vingador Hrus e Set, e no ato final Osris reaparecia, sua vida recuperada, e adentrava o templo de bidos numa procisso triunfal*." 
* Os Mistrios do Egito, Lewis Spence. 
No apenas havia os Mistrios de Osris, no tempo em que os mitos ligados ao deus eram ensaiados, como tambm rituais de grupo para a invocao de sis, Hathor, Amon e Pasht e outros deuses eram celebrados sem referncia a qualquer indivduo humano cuja relao com eles fosse aquela de um avatar. Na missa catlica a vida e o ministrio divinos do Filho do Deus cristo so celebrados, em seguida a crucificao de seu salvador, e sua ressurreio final em glria segu ida da assuno aos cus. Em pocas mais antigas, esta celebrao da missa era acompanhada por procisses deslumbrantes e cortejos dos mistrios cheios de suntuosidade, esplendor e pompa, embora se deva confessar que na ausncia da tcnica mgica toda essa ostentao externa contava muito pouco. O Terceiro Grau dos maons dramatiza o assassinato do Mestre, Hiram Abiff, e sua ressurreio se segue posteriormente por um ato mgico, o soar da palavra mgica perdida devolvendo H. A.  vida. 
Os eventos, ricos em movimento, realizao e organizao na vida do lendrio fundador da Ordem Rosacruz, Christian Rosenkreutz, tambm o smbolo de Jesus, o Filho de Deus, so totalmente dramatizados com grande beleza no ritual de Adeptus Minor da Ordem da Golden Dawn. Sua finalidade, tambm,  que atravs da simpatia atuando sobre uma imaginao refinada, o teurgo possa identificar a si mesmo com a conscincia exemplar da qual Rosenkreutz era o smbolo, e c uja histria est sendo repetida ante ele. Numa cena, a mais importante e eloqente desse ritual, o principal oficiante hierofntico  visto deitado como se estivesse morto no pastos ou tmulo mstico. Por meio de oraes e invocaes, o Adepto  simbolicamente ressuscitado da tumba em cumprimento da profecia da grande fundador. Na hora solene da ressurreio, quando a cerimnia revela a ressurreio do Adepto como Christian Rosenkreutz do pastos onde ele estava enterrado, o Adepto Maior profere triunfalmente: "Pois sei que meu redentor vive e que ele se postar no derradeiro dia sobre a Terra. Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ningum vir ao Pai a no ser por mim. Eu sou o purificado; eu atravessei os Portais das Trevas para a Luz; lutei sobre a Terra pelo bem; findei minha obra; eu adentrei o invisvel. Eu sou o Sol no seu nascer. Eu passei atravs da hora nublada e noturna. Eu sou Amon, o Oculto, aquele que abre o dia. Eu sou Os ris Onnophris, o Justificado. Eu sou o Senhor da Vida que triunfa sobre a Morte; no h nenhuma parte de mim que no pertena aos deuses. Eu sou o preparador da senda e aquele que resgata para o interior da Luz. Que aquela Luz surja das Trevas! Antes eu era cego, mas agora vejo. Eu sou o reconciliador com o inefvel. Eu sou o habitante do invisvel. Que o brilho alvo do Esprito divino desa! 
Essa pe de xtase no  para ser interpretada como um mero discurso de palavras grandiloqentes. Se o Adepto realizou adequadamente sua obra mgica, e se encobriu perfeitamente com a forma mgica apropriada, e se identificou com a conscincia do deus, os outros participantes da cerimnia experimentaro uma exaltao paralela ao discurso de triunfo. 
As formas mais usuais do ritual dramtico tais como aplicadas s iniciaes funcionam aproximadamente mais ou menos da maneira que se segue. Aps sua entrada nas cmaras externas do Templo de Iniciao, onde ele  imediatamente vendado, vestido com um toga preta e circundado trs vezes pela cintura com um cordel, o nefito  conduzido pelo guardio s estaes onde esto presidindo oficiantes nos pontos cardeais. O objetivo da venda  representar a cegueira da ilusria vi da mundana e a ignorncia nas quais o ser humano incorrigvel se debate, vtima involuntria da tragdia perpetuamente representada de nascimento, decadncia e morte dolorosos. O cordel  triplo para representar os trs elementos maiores: fogo, ar e gua; a toga  preta para representar tambm o negrume da vida e Saturno, que  morte, o grande ceifador de tudo. O nefito circumpercorre o templo diversas vezes, e durante seu circumpercurso os oficiantes, que devero ser no futuro seus instrutores m gicos e que igualmente representam os deuses sumamente benfazejos, exigem do nefito as afirmaes de seus objetivos e aspiraes. Este procedimento automaticamente chama nossa ateno para o Livro dos Mortos, onde no captulo CXLVI e naqueles que se seguem a este, os anjos e os deuses encarregados dos pilones sagrados ou as grandes estaes a serem ultrapassadas pelos mortos a caminho do Amentet, indagam destes ltimos seus negcios. Como reao  sua resposta de que o nome do guardio  conhecido - com cujo conhecimento o nome no  seno um smbolo - e que ele vem para responder a Thoth, conseqentemente em busca da sabedoria superior, cada um deles lhes do permisso para prosseguir. "Passa, diz a sentinela do pilone. Tu s puro!"
 possvel ver no Museu Britnico um excelente ritual de iniciao intitulado "O Mistrio do Julgamento da Alma", reconstrudo por M. W. Blackden a partir dos captulos de O Livro dos Mortos que tratam da ascenso do morto ao salo do julgamento, e sua beatificao na ilha da verdade. Demonstra de uma maneira extremamente boa que pode muito bem ter sido que os textos que chegaram a ns sob o ttulo de O Livro dos Mortos eram fragmentos de um ritual de in iciao usado na poca em que o Egito florescia com os Sacerdotes-Reis-Adeptos o dirigindo. O ritual do nefito da Golden Dawn, de modo semelhante, incorporou em si elementos egpcios muito similares. Neste ritual vrios oficiantes, representando os deuses csmicos, retardam o progresso do nefito em seu circumpercurso das estaes do templo. "Tu no podes passar por mim, diz o Guardio do Oeste, a menos que possas dizer meu nome." E a resposta em nome do candidato  dada: "Escuri do  o Teu Nome! Tu s o Grandioso da Caminho das Sombras." Diante disto profere-se a prescrio: "Filho da Terra, medo  fracasso. S tu, portanto, destemido, pois no corao do covarde a virtude no habita! Tu me conheceste, assim segue em frente! "  medida que o ritual prossegue com muitos desafios e respostas semelhantes vrios pontos de instruo mgica so apresentados, acompanhados por consagraes pelo fogo e a gua, purificando assim o nefito para a jornada posterior. Est as consagraes efetuadas pelos representantes dos deuses no templo nos pontos cardeais constituem a preparao para a realizao da Grande Obra. Por meio de invocaes as foras celestiais do alm so infundidas no ser do nefito, dotando-o de coragem e vontade que o capacitam a perseverar resolutamente at o fim. Ento a venda, o cordel e a veste negra so removidos, dando lugar a um manto ou faixa atirados aos ombros para simbolizar a pureza da vida e a grandeza da aspirao que atingiu o candidato. T erminadas as consagraes e concludas as invocaes das essncias, um certo conhecimento fundamental de magia e o alfabeto filosfico  comunicado sob um voto de segredo. Isto, como um todo, omitindo-se um grande nmero de pontos secundrios e variaes triviais, constitui a base do ritual de iniciao do nefito. 
Se no houver, todavia, o prosseguimento do trabalho mgico prtico em seu prprio interesse, essas iniciaes e rituais no tero qualquer proveito para o nefito. Que servem efetivamente de preparao  verdadeiro, e tambm transmitem uma certa consagrao e sacramentalizao tornando a tarefa do nefito mais compreensvel e talvez menos perigosa devido a virtude deles. A ttulo de confirmao, lembraremos que Milarepa depois de suas iniciaes foi imediatamente aconselhado por M arpa a iniciar o trabalho prtico, que em seu caso era meditao e concentrao. Ao aprendizpreparado seja por meio de treino seja por meio de alguma peculiaridade de nascimento - o qual, em qualquer caso devido  reencarnao implica numa ateno anterior a estas coisas - a iniciao cerimonial tem um efeito distinto ao conceder ao aprendizuma viso efmera, porm resplendente da meta espiritual buscada por ele e que ele agora indistintamente encara. E de fato assim  se os oficiantes do templo forem hierofantes no apenas no nome mas em realidade, devidamente versados de um ponto de vista prtico na rotina e tcnica mgicas, pois quando um oficiante do templo representa o papel de um deus, se ele estiver familiarizado com os mtodos da tcnica mgica, assumir a forma daquele deus to perfeitamente que as emanaes magnticas provenientes do deus nele fluiro para a alma interior do nefito. Esse assumir de formas divinas tal como anteriormente descrito, pode ser levado bastante longe, mesmo ao ponto da efetiva transformao, e h registro de exemplos autnticos nos quais o nefito, se suficientemente sensitivo, v  distncia no salo no simplesmente um ser humano atuando arbitrariamente como hierofante, mas sim uma gigantesca figura divina, fulgurante e espantosa, do deus que o homem representa cerimonialmente. Quando, como afirmei, os hierofantes so magos treinados, como eram na poca do antigo Egito, a iniciao dos nefitos no se limitar a ser um servio formal sem signi ficado, mas  uma cerimnia de extrema realidade e poder. 
Isto concerne aos rituais de iniciao. O ritual dramtico que no envolve nenhuma questo de iniciao  bastante similar do prisma da concepo e execuo. Diversos indivduos ensaiam em concerto para seu prprio mtuo benefcio a vida de um deus, e por meio de repetidas invocaes, comemorando mediante o discurso e a ao incidentes e acontecimentos da histria daquele deus, e tm xito em fazer aparecer o deus numa rea consagrada. Acatando a tcnica mgica e exaltando a si mesmo s suficientemente alm do plano dualstico normal de conscincia ocorrer uma unio duradoura entre os participantes e a divindade. As Bacantes  um exemplo notvel de um ritual dramtico grego. Na verdade, de um ponto de vista cerimonial,  tudo que um ritual dramtico deve ser quanto  forma. E  to excelente que aqueles que nele tm interesse hoje o fazem devido ao seu sentimento de que se trata de uma esplndida tragdia teatral. No caso de uma companhia de indivduos iniciados que esto bem familiarizados com a invocao, trabalhando simpaticamente entre si, e exercendo a vontade e a imaginao na forma mgica prescrita, a pea pode ser transformada numa poderosssima invocao dramtica de Dionsio. A traduo em versos rimados do Professor Gilbert Murray  mais uma obra-prima clssica de poesia recriativa do que uma traduo literal do grego, transmitindo com suma fidelidade a atmosfera religiosa e o esprito ditirmbico da venerao a Baco. H nesta pea uma suplicao ao d eus no estilo exaltado to tpico de todas as invocaes: 
"Aparece, aparece, qualquer que seja tua forma ou nome
 Touro da Montanha, Serpente de Cem Cabeas, 
Leo de Flama ardente!
 Deus, Besta, Mistrio, vem! ... " 
Abordando o mesmo tema mgico, h um esplndido hino a Dionsio proveniente dos Hinos msticos de Orfeu, traduzido por Thomas Taylor: 
"Vem, abenoado Dionsio, o variamente nomeado,
De face taurina, gerado do trovo, Baco afamado.
Deus bassariano, de universal poder,
De quem espadas, sangue e ira sagrada causam prazer: 
No cu regozijando, louco, Deus de alto som,
Furioso inspirador, da vara o portador: 
Pelos Deuses reverenciado, que com a humanidade est presente,
Propcio vem, com mui regozijadora mente." 
Muita prtica e ensaio se fazem necessrios para dar eficcia a esses rituais dramticos, alm do trabalho mgico que se segue, como foi salientado. Sem este ltimo absolutamente nada pode ser efetuado. A tcnica astral de ascenso nos planos, investigando-se os smbolos pela viso, a formulao das formas ou mscaras dos deuses e a vibrao dos nomes bem como as celebraes de alguma forma de eucaristia representam necessidades no caminho da magia.  verdade que se exige uma enorme quantidade de pacincia, mas isto se verifica verdadeiro em relao a todas as coisas que valem a pena de uma maneira ou de outra. O teurgo dever prosseguir diariamente com essas prticas invocatrias e rituais at atingir o estgio em que se sinta que detm o poder sob seu controle. Na verdade, o que h de mais essencial para o sucesso em todas as formas de magia - seja o ritual dramtico ou qualquer outra coisa -  a perseverana. No importa o que mais seja f eito, o mago deve cultivar a pacincia.  mister que ele se prenda com firmeza e sem desnimo a um programa pr-organizado de trabalho mgico. O curso que ele formulou e jurou executar representa o logos de sua vontade, do qual ele no ousa se desviar uma nica polegada ou mesmo uma frao de polegada. Temores e dvidas igualmente o assaltaro por certo. Amigos e inimigos igualmente ameaaro a paz de sua mente e a serenidade de sua alma, e tentaro maximamente perturbar seu equilbrio espi ritual com tagarelice ociosa a respeito do perigo da magia e a incerteza de seus resultados. A hoste inteira do cu, para mencionar s de passagem as mirades de legies do inferno, conspiraro e estaro soltas contra ele. Mas somente se ele desistir, desprezando seu voto e rejeitando sua aspirao, estar o mago irreversivelmente perdido. O desastre horrendo estar  espreita  frente! Uma vez tenha o voto mgico sido assumido voltado para o sucesso, ele ter que perseverar resolutamente sem se preocupar com seja l o que for que acontea. Se for colhido pela morte no desenrolar de seu trabalho, que prossiga, mesmo assim, adiante, de uma vida para outra, com a alma bem concentrada e o olhar espiritual fixado firmemente nas alturas, fazendo um vigoroso juramento de que dar continuidade a esse labor. Lvi uma vez observou que o mago tem que trabalhar como se fosse detentor da onipotncia e como se a eternidade estivesse a sua disposio. Ocorre-me uma lenda singela, porm bela, na qual esse tema est pres ente, incitando o mago a seguir  frente para a Casa do Repouso sem interromper seu empenho, isento de dvida e medo, trabalhando por aquela meta que ele primeiramente criou e que agora considera nebulosamente na distncia longnqua da aurora dourada na Terra Sagrada. Mal conhecida atualmente e esporadicamente objeto de referncia, aparece num pequeno livro intitulado The Book of the Heart Girt with the Serpent (O Livro do Corao Cintado pela Serpente), de Aleister Crowley. Embora eu no advogue em nome deste poeta, considero, contudo, essa pequena obra uma das mais profundas e primorosas jamais escritas. A citao abaixo serve como exemplo tanto de sua prosa quanto de suas idias relativamente  questo que agora abordamos. 
"Houve tambm um colibri que falou a Cerastes e lhe implorou veneno. E a grande cobra de Khem, o Sagrado, a serpente Uraeus real, respondeu-lhe e disse: Eu velejei sobre o cu de Nu no carro chamado Milhes de Anos e no vi qualquer criatura acima de Seb que fosse igual a mim. O veneno de minha presa  a herana de meu pai, e do pai de meu pai... Como d-lo a ti? Vive tu e teus filhos como eu e meus pais vivemos, mesmo at cem milhes de geraes, e pode ser que a misericrdia do s Poderosos conceda aos teus filhos uma gota do veneno da Antigidade. 
"Ento o colibri afligiu-se em seu esprito e voou para as flores, e foi como se nada tivesse sido conversado entre eles. Entretanto, pouco depois, uma serpente o feriu e ele morreu. 
"Mas uma bis que meditava s margens do Nilo, o belo deus, ouviu e atendeu. E ps de lado seus modos de bis e se tornou como uma serpente, dizendo: Talvez numa centena de milhes de milhes de geraes de meus filhos eles obtenham uma gota do veneno da presa da Exaltada. E vede: antes que a lua crescesse trs vezes ele se transformou numa serpente Uraeus e o veneno da presa foi nele e em sua semente estabelecido por todo o sempre." 
Para o mago  esse esprito sublime de vontade e determinao indomveis que nada pode vencer que  indispensvel.  o poder da vontade que de facto constitui o mago e na ausncia deste poder nada de qualquer monta pode ser feito. A realizao no  atingida em quatro e vinte horas, nem mesmo em vrios pores-do-sol; a viso resplandecente e o perfume que consome a prpria substncia da alma podem estar muitos anos no futuro - mesmo muitas encarnaes nas vagas treva s do porvir. Qui para alguns a concretizao do desejo mais ntimo e da aspirao por Adonai seja uma meta que pertence a um outro mundo, um outro eon e exista na natureza de um sonho. Outros indivduos podem julgar este um objetivo cujo doce fruto se torna rapidamente disponvel  mo com escasso dispndio de trabalho para ser colhido. Num caso ou no outro nenhum aprendiz est na posio de afirmar no princpio em que momento a meta poder ser alcanada. Tampouco se trata de um problema que merea preo cupao pois a alma cresce e progride  medida que a compreenso e a intuio se expandem atravs de atos sucessivos do esprito na estrada da magia da luz. As asas se tornam ento mais vigorosas, o prprio vo se tornando mais longo, e a lmpada interior alimentada com o azeite da sabedoria permanece continuamente acesa. Ao mago  imperioso considerar sempre esta luz interior e lev-la pacientemente consigo pelos desvios e estradas dos homens, at que ele se transforme nessa luz. Acima de tudo o que  ex igido  aquela imperturbvel aspirao e vontade indomvel ... da ao trabalho! Que a aspirao do mago seja como a da sbia bis de Khem. Dispa-se de seus modos humanos e vista-se daqueles do deus! O Conhecimento e a Conversao podem ser uma ddiva que no lhe seja concedida por centenas e milhares de anos, mas quem sabe para onde o esprito se inclina? Pode ser que por inflexvel determinao, como aquela da bis, para lograr a meta, no importa quanto tempo possa levar, floresa a flor dourada da vid a de Adonai no interior do corao mais celeremente do que de outra forma poderia ter sido o caso. 
Enquanto isto, deve-se dar prosseguimento ao trabalho mgico. Ao teurgo compete diariamente ascender nos planos num esforo de elevar-se mais e mais, e lutar por seu caminho para as esferas translucentes da luz lmpida do fogo. A passagem de cada estao ver sua aspirao cada vez mais forte, transmitindo-lhe a fora para desimcumbir sua tarefa de conquista e unio mgicas. Todas as coisas tm que ser trazidas para dentro da esfera de sua vontade, tanto os cus excelsos quanto os infernos mais inferiores. Essa vontade tem que ser imposta aos mais vis habitantes do astral e estes tero que se curvar diante de todo desejo seu e todo seu domnio.  bvio que sobre os ombros do mago pesa uma tremenda responsabilidade, a qual cresce a cada passo  frente que ele d, e  medida que transcorre cada hora de sua carreira. "A natureza nos ensina, e os orculos tambm afirmam, que mesmo os germes nocivos da matria podem igualmente ser tornados teis e bons*." Cons eqentemente, a responsabilidade que cabe ao mago como um penhor sagrado  esta: a ele e somente a ele compete a tarefa de transformar o universo e de transmutar os elementos grosseiros da matria na substncia do esprito verdadeiro. Toda sua vida ter que se transformar numa constante operao alqumica e durante esta vida ele distilar no alambique de seu corao a grosseria do mundo para que se converta na essncia dos cus sem nuvens. Sua cabea, tambm, tem que se elevar alm das nuvens  medida que ele, de p e ereto, ter seus ps firmemente sobre a terra multicolorida. Somente tenacidade e persistncia facultaro essa retido do esprito e esse poder adamantino da vontade. E estes so os plos gmeos que proporcionam resistncia e extenso ao bculo do mago. Todos os ramos da teurgia devem ser objeto de persistncia ao longo dos anos, no maculados pela cobia pelos frutos das aes do mago. Em todos os casos, como todos podem ver, a arte divina constri carter e vontade e no devido temp o um karma favorvel ser criado em cujo senda nenhum obstculo ousar se interpor, quando o Anjo se apressar em elevar a alma - sua amada h tanto tempo, e consumar as npcias msticas prolongadas para tantos numa idade exaustiva. "Nesse dia o Senhor ser Um, e Seu Nome ser Um."
* Os Orculos Caldeus, trad. de W. W. Westcott. 
E mesmo que no atinjamos a unidade com Adonai, h na magia um grande ganho visto que por meio dela buscamos transmutar o grosseiro no sutil e no puro. E esta  a redeno do mundo. Muito brevemente todo o nosso ser circundar um sol invisvel de esplendor e seremos mais e mais atrados para ele, como o ao  atrado para o magneto. Embora possam ser necessrios eons para que finalmente cheguemos perto, ainda assim nos sentimos talvez como Ado deveria ter sentido se tivesse visto trem eluzindo atravs das trevas do exlio em que lutava o brilho do paraso celeste e soubesse que este no estava realmente perdido, mas que aps a purificao dele, Ado, lhe seria concedido um pouco dele em que entrasse e caminhasse. Dispor desta certeza no  pouca coisa. Trata-se de uma viso que no deve ser encarada com trivialidade. Embora inevitavelmente tenhamos que falhar e cair reiteradas vezes, h horas e minutos de prazer e alegria quando os anjos das alturas trajam novamente ante nossa v ista seus antigos aspectos de glria, e ns somos fundidos no calor e fogo do xtase e contentamento, cientes de que ns, os mortos por sculos e longas eras, podemos ainda ressuscitar de novo. 
CAPTULO XV
A relao terica que o moderno espiritismo celebra com magia  passvel, numa oportunidade ou noutra, de ser questionada. Por conseguinte,  preciso fornecermos aqui alguma resposta. Limitar-nos-emos a uma discusso sumria deste assunto j que parece a este autor no se tratar de algo de grande importncia. Algumas palavras apenas sero suficientes para demonstrar de que forma tal relao existe. 
Embora alguns autores tenham anteriormente pensado diferentemente, no h uma conexo real entre os fenmenos do espiritismo e os fenmenos que ocorrem na magia. Uma palavra separa uma classe de fenmenos da outra. Uma palavra que, entretanto, representa um grande abismo estabelecido entre as duas classes: vontade! Todos os fenmenos espritas de transe e materializao so passivos. Esto totalmente alm do controle consciente do mdium que, de maneira alguma,  capaz de modifi car, alterar ou mesmo fixar o tempo desses fenmenos que ocorrem a ela (por fora de hbito diz-se ela; concebe-se automaticamente que um mdium seja uma mulher, embora haja excees,  claro). O mago, por outro lado, se empenha em treinar sua vontade de modo que nada acontea em suas operaes de luz sem sua utilizao. Seja o que for que faa,  realizado de modo consciente, deliberado e com inteno plena. A nica exceo importante em relao a isto ocorre quando a vont ade se transformou num tal poderoso engenho taumatrgico que toda a organizao do mago se tornou inteiramente identificada com essa vontade, e todos os fenmenos de forma e conscincia ocorrem automaticamente incluindo a extenso da vontade. Sua atuao pode ser comparada ao movimento de qualquer membro ou msculo que, embora ocorrendo fora da volio consciente,  todavia executado pela fora da vontade. Mesmo relativamente ao que diz respeito ao que  chamado vulgarmente de & quot;materializao", o mago controla a apario de um esprito. E no apenas isto pois  possvel para ele fazer esse esprito aparecer mediante suas conjuraes e limitar as atividades do esprito a uma certa rea prescrita atravs do poder de sua vontade. A forma visvel do esprito  composta das grosseiras partculas de fumaa de incenso, deliberadamente queimado com essa finalidade. Ademais, o mago detm o poder de fazer o esprito responder inteligentemente s perguntas e de bani-lo qu ando sua presena deixar de ser necessria. Isto se aplica, que fique reiterado, somente ao que concerne ao aspecto inferior do trabalho visto que evocaes so universalmente reconhecidas como pertencentes aos graus mais baixos da tcnica. E quanto  magia da luz ? Esta tambm est de acordo com a vontade mgica. Quando advm aquela suprema crise na invocao na qual o ego  tornado passivo para o advento do noivo e, com temor e tremor ele cede seu prprio ser, essa renncia  conforme uma determinao consciente e sob vontade. Estas poucas observaes devem bastar para mostrar de maneira conclusiva que as duas ordens de fenmenos residem totalmente em planos diferentes e que no existe nenhuma conexo entre as duas. O espiritismo parece se referir quase que inteiramente  produo de fenmenos fsicos, eles mesmos a finalidade desta produo, sendo que em qualquer caso esses fenmenos dificilmente conduzem a qualquer espcie de prova da sobrevivncia e continuao da existncia da alma. O outro sistema, a teurgia, diz respeito a um domnio nobre e ao desenvolvimento de grandes poderes no ser humano. O mago procura unir sua essncia a uma realidade profunda, duradoura, na aspirao de um conhecimento espiritual, de modo que seja possvel para ele apreender com sabedoria e intuio sua suprema imortalidade, incorruptibilidade e eternidade. 
A fim de discutir o espiritismo inteligentemente  necessrio voltar aos princpios fundamentais formulados em pginas anteriores. A teurgia concebe a remoo dos invlucros da alma aps a morte do corpo fsico de maneira idntica  teosofia de Madame Blavatsky. Seguindo-se  morte do corpo, que  o veculo visvel dos princpios superiores, o ser humano real, perfeitamente intacto embora subtrado do corpo fsico,  impelido para o plano astral. Gradualmente ele ascende aos diversos palcios que foram autocriados pelo tipo de vida que acabou de ser vivida; nestes palcios ele repousa ante o Ancio dos Dias, assimilando sua experincia terrestre e transformando-os em recursos para uma nova encarnao. A magia, acompanhando a Cabala, abraa a idia filosfica da reencarnao ou Gilgolem das almas. Realmente, na medida em que os magos vo em direo desta teoria filosfica sustentam que em certos estgios de desenvolvimento, quando o organismo hu mano se torna luminoso, refinado e sensitivo por meio de reiteradas consagraes e invocaes, as lembranas de Neschamah com suas emoes e poderes mais elevados se infiltram em Ruach, trazendo consigo a clara lembrana de existncias passadas. 
Aps a morte fsica, a trindade de princpios que  o ser humano verdadeiro permanece no astral encerrada no Ruach e seu Nephesch. A desintegrao, j tendo sido desencadeada pela ocorrncia da morte fsica, prossegue ainda. Nephesch, que  o veculo das paixes, emoes e processos instintivos,  ento descartado da constituio. Permanece, contudo, como uma entidade nesse plano, animado at um certo ponto pelas foras e energias cegas com as quais ele entr a em contato. Lenta mas continuamente ele se desintegra se deixado s, de modo que tal como o corpo fsico  dissolvido reintegrando o p da terra, Nephesch  dissolvido para os elementos do plano astral. Por esta razo, os teurgos probem vises e experincias nesse domnio astral inferior. A nada pode ser encontrado que possua valor espiritual visto que se trata do mundo da matria em decomposio de Nephesch e da desintegrao. Nephesh descartado, o ser humano interior enc errado em Ruach "ascende" s camadas intermedirias do astral, onde lentamente a essncia dos pensamentos mais refinados, as experincias e emoes mais nobres so destiladas das partes mais grosseiras, sendo assumidas na prpria natureza de Neschamah. Esta separao de afinidades concluda, so assimiladas e expandidas no astral divino, Amentet. Neste momento  necessrio mencionar o emprego do verbo "ascender" e outros verbos utilizados num sentido similar. Desne cessrio salientar que um sentido metafsico  sugerido porquanto os planos subjetivos dos mundos invisveis no esto dispostos um sobre o outro como os andares de um arranha-cu, nem se envolvem como as camadas de, por exemplo, uma cebola. Sendo metafsicos, todos os mundos se interpenetram e se fundem, o mundo fsico ou mais externo sendo penetrado pelo mais interno e as esferas mais sutis. Ascender no astral, portanto, apesar de ser uma expresso literalmente enganosa, tem a finalidade de expre ssar o fato da partida de uma plano mais grosseiro efetuando-se uma subida a um mundo mais rarefeito e menos denso. 
Ao considerar o espiritismo, a tradio mgica afirma que  com os cadveres astrais ou Qliphoth, como so denominados, que os espritas principalmente se ocupam. Atravs do transe passivo e negativo, os princpios mais elevados so forados a recuarem, no deixando nenhum vnculo com os veculos inferiores do mdium ou proteo para estes. A porta  franqueada  admisso de quaisquer entidades que se encontrem nas vizinhanas astrais. J que as almas dos seres humanos e seres anglicos ascendem ao astral divino, a maior parte dessas entidades no astral inferior so os elementais mais grosseiros, os administradores dos fenmenos naturais e os Qliphoth em decomposio ou casces adversos. Conseqentemente, o transe esprita negativo fundamentalmente implica a obsesso dos resduos em decomposio e restos imundos inerentes quele plano. Diante disso a questo que se coloca  a seguinte: "Por que, se os espritos que se comunicam com as mdiuns so meros casces astrais, acontece de ocasionalmente exibirem inteligncia e razo? "
A palavra ocasionalmente  bastante gratificante. Um dos fatos mais correntemente mencionados pelos investigadores  a ausncia de coerncia e inteligncia nas mensagens obtidas do "outro lado". No caso, contudo, de se perceber um leve lampejo de inteligncia nos absurdos verbais geralmente transmitidos aos mdiuns, a explicao racional dada por Lvi  claramente aplicvel. Lembrar-se- que Lvi define a luz astral como o agente mgico, e que em sua substncia esto r egistrados todos os pensamentos, emoes e aes. O corpo astral, um dos aspectos de Nephesch, sendo composto da matria sutil da luz astral, participa da definio de Lvi. Numa pgina anterior, indiquei a conexo entre a concepo acadmica formal do inconsciente e a concepo cabalstica de Nephesch, do qual o corpo astral  um aspecto. Neste veculo, portanto, esto registrados todos os pensamentos que um indivduo teve durante a vida, todas as percepes e sensaes que experimen tou e todas as aes que executou. Quando aps a morte esse Nephesch descartado  galvanizado para a atividade de um aparente ser vivo, animado por inteligncia atravs da energia deslocada tanto pelo mdium em transe quanto pelos pensamentos dos participantes da sesso esprita, esse cadver astral pode exibir uma rplica da inteligncia que em vida o utilizava. 
Esse amplo esboo d conta da maioria das comunicaes recebidas via fontes espritas, embora seja necessrio afirmar com toda justeza em relao a essa, como em relao a todas as outras generalizaes, que h excees, embora os mdiuns capazes de penetrar os planos mais elevados do esprito sejam extremamente raros. O mdium, uma vez tenha aberto a porta de sua organizao astral e psquica,  incapaz de controlar a si mesmo, e tampouco  capaz de empregar discernimento quanto ao qu e ir entrar ou no pela porta aberta e tomar posse de sua personalidade. Naturalmente, essas observaes se referem unicamente aos casos nos quais os fenmenos so genunos. Mas visto que h tantos casos de fraude e embuste deliberados, pode-se recorrer s afirmaes que acabamos de fazer que igualmente se prestam a explicar tais coisas. Sendo passivo, o mdium no exerce controle do poder de produzir fenmenos quando a corrente psquica  cortada, por assim dizer; e quando os fenmenos lhe so exigidos pelo recebimento de dinheiro,  coisa bem simples simular a possesso genuna.  mais simples ainda pronunciar um palavrrio recheado de disparates que  favoravelmente comparvel s mensagens recebidas dos "mortos". Alm disso, pelo fato de a entidade obsessora ser das mais baixas e das profundas da Terra, dificilmente se pode considerar sua associao com o mdium edificante ou enobrecedor. Limita-se a ser uma influncia nociva, causando a expanso e desenvolvimento de quaisquer tendncias ou traos existentes no mdium. Assim, a fraude, a decadncia moral e o desregramento no requerem grande esforo. 
Pode-se antecipar aqui uma explicao dos fenmenos fsicos mais gerais, parte representativa do espiritismo, embora considerando-se que a teoria mgica desse assunto esteja em completo acordo com a de Blavatsky, h pouca necessidade de repetir tais teorias detalhadamente. Basta observar que a maioria das demonstraes psquicas, quando autnticas, tm sua origem no comportamento e nos poderes do corpo astral. Definida a substncia deste veculo como plstica, magntica e de grande for a tensora, conclui-se que vrios de seus membros, devido ao desenvolvimento anormal, podem ser exsudados do interior do corpo fsico e estirados a alguma distncia. Essa teoria explica o deslocamento de objetos sem contato fsico, os fenmenos do Poltergeist e muitos outros de carter similar. Quase todos se devem  perturbao do equilbrio no aspecto substantivo de Nephesch. Obviamente no so espirituais e no comprovam nenhuma das reivindicaes feitas a seu favor pelos espritas. 
No caso do mdium esclarecida que, compreendendo a verdade intrnseca das observaes feitas aqui, deseja reverter seus poderes passivos, a tcnica mgica  recomendvel. No espiritismo inexiste tcnica de transe, como inexistem mtodos de proteo ou seleo a serem empregados. Uma vez esteja a porta astral entreaberta a esmo, quem quer que entre pode fazer o que bem entender sem restrio. O mdium est to aberto  obsesso, e mesmo mais devido  natureza do plano astral, quanto  i nspirao divina. Com a ajuda, entretanto, de algum dispositivo como o Ritual de Banimento do Pentagrama, essa predisposio para a obsesso elementar poder ser facilmente eliminada. No interior de um crculo adequadamente consagrado, protegido com os nomes divinos formais, o mdium pode induzir o transe sem medo ou perigo. A recitao de uma invocao apropriada de uma fora divina e o assumir astral de uma forma de divindade antes do transe podem garantir uma categoria totalmente diferente de re sultado, realmente pertencente a um plano muitssimo mais alto. Enquanto que anteriormente o mdium era uma presa indefesa de qualquer presena astral que visitasse sua esfera urea, trazendo consigo contaminao e o odor desagradvel de corrupo e abjeta putrefao, adotando-se mtodos mgicos, tais excrementos podem ser eficientemente impedidos de invadir a esfera da personalidade. E no apenas isto, como tambm entidades de classe definida, de natureza divina e espiritual, completamente oposta aos ord inrios "fantasmas" espritas, podero ser invocadas para o mximo proveito do mdium e o crescimento de seu poder espiritual. 
No julguei adequado descrever muitos tipos diferentes de operaes mgicas neste livro, visto que no ocupam nenhuma posio eterna na construo do santurio celeste. Tampouco dizem respeito s limitaes prprias que tm que se circunscrever em torno do Templo da Magia Santa da Luz. A despeito de no estarem includos necessariamente na conotao da expresso Magia Negra, tais mtodos fazem fronteira muito prxima a esse tipo de coisa. Visto que tendem para essa dire o, so de pouca utilidade para o aspirante em busca de Adonai e da bem-aventurana dos deuses. Existem inmeras operaes menores para a aquisio de objetos que se deseja, como livros, ouro, mulheres e similares. H operaes de destruio e fascinao, adivinhao e transformao e assim por diante. Estas so apenas algumas que recebem absolutamente demasiada nfase e ateno s expensas de assuntos mais importantes em engrimanos e livros de instruo inferiores. Divorciados de aspiraes mais elevadas , so inteiramente reprovveis. 
Um ramo razoavelmente importante da magia menor, embora no negra,  o controle dos Tattvas ou das correntes prnicas vitais que operam na natureza. Mediante o emprego dos smbolos de Tattvas, acompanhados por um conhecimento das horas especficas do dia quando essas foras adquirem preponderncia e pureza, o mago que assim o desejar poder abrir os portais do corpo e da mente s foras vivificadoras e reanimadoras dessas correntes ocultas. Atravs desses recursos, ele ob ter descanso fsico e psquico quando estiver em mar baixa e em caso de desvitalizao das foras de seu ser. No Livro dos Mortos so mencionadas muitas transformaes mgicas das quais o khu ou entidade mgica no ser humano  capaz, e frmulas prticas para a produo de tais transformaes como em falco, ltus, andorinha e assim por diante podem ser a percebidas. Como tornar algum invisvel aos olhos dos outros, mesmo em meio a uma grande multido, atravs da formulao de um invlucr o astral  um outro ramo dessa magia cinzenta que existe entre a magia da luz e a negra. No posso dizer que o aspirante ao Augoeides tenha muita utilizao para tais realizaes e poderes dbios. 
A natureza da magia negra, que parece preocupar grandemente tantos histricos, consiste quase que inteiramente no motivo sustentado na mente do operador. Quando Lvi aborda este assunto e o da bruxaria em seus escritos ele se lana completamente numa tangente, e seus soberbos exageros coloridos com toda a rutilncia e retrica  sua disposio tornam a leitura divertida. Que alguns o tenham citado em funo desse assunto para uma interpretao literal, em lugar de descart-lo como mera verbosidade, ultrapassa minha compreenso. Suas observaes acerca do bode de Mendes e a venerao de Bafom em conexo com os templrios so simplesmente ridculas. Que comentrio poder-se-ia fazer em relao s instrues absurdas fornecidas por ele como sendo os supostos passos dados por aqueles envolvidos com a arte negra, a no ser que seriam excelente material para os atuais thrillers ? Estou ainda para descobrir em que loja de departamentos pode-se comprar velas feitas de gordura humana. Qu e ser humano poderia ser obtuso ou louco o bastante para pensar em obter incenso misturado com o sangue de um bode, uma toupeira e um morcego? Outras necessidades horrendas so a cabea de um gato preto recentemente morto, um morcego afogado em sangue, os chifres de um bode virgem e a crnio de um parricida! Ainda assim em seu Book of Cerimonial Magic, o Sr. Waite teve a preocupao de pronunciar uma advertncia medonha contra a gocia juntamente com o desenho grotesco de Lvi do crculo g otico para emprego com os "adereos" mencionados acima. Preparando-se para uma ofensiva devastadora contra a magia negra, Waite posicionou sua artilharia mais pesada quando, na realidade, um arremessador de ervilhas teria sido muito mais eficiente contra tal inimigo. Resta pouca dvida de que Lvi estivesse "se divertindo s custas" de alguns leitores e que estivesse simplesmente cedendo seu talento para ritos lgubres impossveis, os rebentos de uma imaginao curiosa, embora exuber ante. 
O hipnotismo e o ato de privar uma outra pessoa de escolha ou uso da vontade constituem de fato uma das formas mais desprezveis de magia negra. Aqueles que realmente empregam tais mtodos deveriam ser cuidadosamente evitados pelo teurgo tal como ele faria com uma doena asquerosa. Os feitos absurdos ordinrios relativos  confeco de filtros, poes e figuras de cera para trabalhos de fascinao ou maldade existem inteiramente abaixo da dignidade do mago sincero. O que pode talvez co nstituir verdadeira magia negra  o uso de selos e talisms carregados feitos por uma pessoa que tenha adquirido poder mgico para a depreciao e dano de seu semelhante. Operaes cujo objetivo seja evocar a sombra de um amigo ou parente falecido  manifestao visvel consistem de manipulaes da substncia astral e carecem de qualquer finalidade til visto que perturbam os tranqilos processos de assimilao e construo de faculdades que se processam no astral superior aps a morte fsica. Somente a v aidade insana e a curiosidade desordenada poderiam ser satisfeitas pela necromancia. Este ramo especfico da bruxaria est aparentado ao espiritismo, embora para sermos totalmente verazes e justos tenhamos que admitir que os motivos deste ltimo culto realmente se colocam num plano mais elevado e mais sincero. Em ambos os casos, entretanto, o motivo no  desculpa pois eles so uma abominao diante de toda a tendncia dos processos da natureza. 
Considerando-se que neste captulo tratamos largamente do astral, desejo mais uma vez me referir  tcnica da viagem astral que  procurada pelo mago. Constitui obrigao imperiosa para o teurgo investigar por completo, como foi exposto num captulo anterior, em seu resplandecente e iridescente corpo de luz os nveis superiores da luz astral, aqueles que fazem fronteira com os mundos criativo e arquetpico. A ele cumpre tambm penetrar intrepidamente em todo santurio protegido da, s e familiarizando com a natureza essencial e os variados aspectos que esse plano apresenta, embora jamais deva perder de vista um importante fato a estar sempre presente em sua mente.  preciso que se esforce sempre para transcender esse plano.  to-s um salo de aprendizado. Por mais necessrias que sejam suas lies, uma vez assimiladas e aprendidas a necessidade de permanecer nesse plano cessa, e as sempre esplndidas Manses do Fogo e da Sabedoria devem ser buscadas. O corpo de luz e spiritualizado deve ser continuamente treinado e educado e sua substncia deve ser tornada a tal ponto sensvel e refinada que de um corpo vago, sem forma, lunar ele renasce como um corpo solar brilhante.  neste corpo que o mago pode ascender s translcidas alturas espirituais e ao fogo amorfo que se encontra alm.  possvel que  medida que o aprendiz diligencia suas investigaes sistemticas nesse plano no esforo de descobrir a natureza de sua composio psicolgica, chegar a certos portais, defr ontando-se com guardies armados. A despeito do poder do pentagrama, dos gestos e signos mgicos, da invocao dos quatro anjos dos quadrantes e de outros dispositivos para ascenso e ultrapassagem, tais guardas, sob nenhuma circunstncia, lhe daro o direito do ingresso, e tampouco lhe daro a permisso para atravessar os portais que guardam. Em The Candle of Vision  indicado o empenho de A. E. para descrever essa experincia de mstica natureza. "Ento eu fui novamen te lanado longe num vrtice e eu era a figura mais minscula em meio vasto ar, e diante de mim havia um portal gigantesco que parecia grandioso com os cus, e uma figura sombria ocupava o vo da porta e barrava minha passagem. Isto  tudo que consigo lembrar... " Alguns mencionam ter este fato tambm sido experimentado pelo escriba do Livro dos Mortos j que naqueles captulos que se relacionam aos nomes dos pilones, juntamente com os nomes das sentinelas, guardies e portei ros anglicos algumas sugestes mgicas veladas de como passar por eles so dadas.
Nesse momento oportuno, antes de ir alm neste assunto da ascenso nos planos,  necessrio familiarizar o leitor com um aspecto importantssimo da tcnica astral que no se deve esquecer jamais. Os habitantes do plano astral reagem de duas maneiras diferentes e absolutamente distintas em relao ao pentagrama. A experincia dos modernos teurgos neste ponto  largamente corroborada por toda a tradio mgica dos antigos. Eles testemunham que quando em face da estrela flam ejante de cinco pontas formulada pela vontade mgica alguns seres astrais se contraem perceptivelmente e parecem desvanecer. Uma outra classe de seres, contudo, cresce e se expande a ponto de abarcar todo o horizonte com esplndida luminosidade e brilho. A experincia de todas as geraes de magos demonstra que o ser que se encolhe de medo do pentagrama ou foge  ou um demnio de face canina ou um elemental, tendo que ser tratados de maneira apropriada. Por outro lado, o ser cuja apario no  afe tada pelo pentagrama e o ritual de banimento conveniente,  uma inteligncia espiritual, um anjo, um sublime ser celestial a ser respeitado, amado e venerado. 
Uma variao do smbolo do pentagrama empregada por outras pessoas com um certo grau de sucesso  uma cruz dourada encimada por uma rosa carmesim. O simbolismo em ambos os casos  idntico, embora alguns possam considerar que a cruz apresenta associaes teolgicas desagradveis.  um sinal dos quatro elementos estendido aos quadrantes cardeais, enquanto que os coroa a rosa, smbolo da beleza, nobreza e vida espiritual. Na prtica, sua aplicao  um pouco diferente daquela do pentagra ma porque  menos simples formular a Rosacruz com o basto do que com o primeiro smbolo; o mago interpe em imaginao este smbolo entre o outro ser e ele prprio sem tentar tra-lo. 
O fato, portanto, de um anjo trajado de fogo e glria e portando uma espada afiada de chamas barrar sua entrada ao pilone deve fazer o teurgo se deter, e se deter para refletir pois parece indicar que at ali ele no est suficientemente purificado e sensvel em seu corpo de luz para ser capaz de atravessar aquele pilone especfico do qual  barrado. Deve se constituir sua obrigao solene considerar como necessidade primordial o meio pelo qual uma purificao ulte rior pode ser efetuada. Deve-se infundir no corpo de luz uma substncia espiritual proveniente de planos mais elevados e mais celestiais. O assumir persistente de formas divinas e a transmutao de sua prpria forma astral naquela do deus e a identificao com o carter sublime moral e espiritual do deus se revelar um mtodo to infalvel quanto outros. Atravs deste mtodo, a substncia do corpo de luz no devido tempo passar a participar do esplendor e efulgncia gneos da substncia do deus. Talvez a melhor forma divina a ser assumida com esse propsito seja a do Harpcrates sentado no ltus, o Senhor do Silncio, que  o gmeo de Hrus, Senhor da Fora e do Fogo. A forma convencional na qual  geralmente retratado  aquela de um beb inocente, com o dedo no lbio, empertigado como um embrio acima de um ltus branco que surge do mar. Em torno dele h um azul escuro profundo semelhante ao do smbolo do Tattva do esprito, representando a noite que tudo abarca. O lt us  o smbolo perene da ressurreio e da eterna juventude e o beb representa inocncia, espiritualidade e supremo repouso. "O deus 'sentado acima do ltus...'" afirma Jmblico em The Mysteries (Os Mistrios), "...significa obscuramente uma transcendncia e fora que em absoluto no entram em contato com o lodo, indicando tambm seu imprio intelectual e empreo, pois percebe-se que tudo que pertence ao ltus  circular, a saber, tanto a forma das folhas quanto o fruto; e s a circulao est ligada ao movimento do intelecto, o qual energiza com identidade invarivel numa nica ordem e de acordo com uma nica razo. Mas o deus  estabelecido sozinho, e acima de um domnio e energia desta espcie, venerveis e santos, superexpandidos e que residem nele mesmo, o que estar ele sentado visa significar. " O assumir mgico desta forma, especialmente o circundamento do corpo astral pelo ovo azul-escuro ou ndigo, tem poder suficiente para banir quaisquer influncias indesej veis porquanto eleva o mago acima desse domnio. 
((ilustr. - Harpcrates acima do ltus - O Senhor do Silncio))
Essa tcnica particular da forma divina da Harpcrates  especialmente significativa mesmo no que diz respeito  vida cotidiana. Quando se  assaltado por pensamentos indesejveis e emoes de dio pode-se conseguir alvio desta presso e at assistncia e resistncia espirituais assumindo-se a forma desse deus. Por meio deste assumir nosso ser  transmutado para a configurao do deus e a mente  elevada alm da pequenez mundana por assimilao do carter e natureza da divindade. Isto implica, seguramente, numa fora de imaginao e vontade, mas para a maioria das pessoas  mais fcil reter na mente imagens pictricas do que uma idia abstrata, qualquer indivduo podendo ser treinado com um pouco de prtica para visualizar uma forma to simples e bela como o beb acima do ltus. A nica dificuldade passvel de ser encontrada  a transfigurao do corpo de luz e a subseqente identificao e unio com o deus. Quanto a isto, naturalmente, o treinamento se mostra indispensvel. 
A vibrao de nomes divinos constitui uma prtica que sob nenhuma circunstncia deve ser omitida j que  medida que se procede a este exerccio os elementos grosseiros so forosamente expelidos da constituio total, fsica, astral e moral, outros elementos mais refinados e sensveis sendo introduzidos para tomar o lugar daqueles. Celebraes freqentes da eucaristia constituem tambm um meio excelente de transmutar e exaltar a substncia do ser total. Numa pgina anterior es ta operao foi resumidamente descrita e para enfatizar recapitularei a teoria que se acha por trs. Divorciada de todo dogma, a essncia da eucaristia  a seguinte: voc toma uma substncia simples como, por exemplo, uma hstia de trigo, batiza-a com a sua mais elevada concepo de Deus, ou, conforme o caso, em nome de uma essncia espiritual particular, consumindo-a a seguir. Deste modo, por meio de magia simptica, uma efetiva transubstanciao de elementos ocorre sob a presso da vontade. < /i>Aquilo que era antes terrestre se torna celestial. Aquilo que era da Terra, mundano,  transformado numa coisa dos cus. Uma hstia de trigo e o vinho parecem se tornar quase que diretamente assimilados ao sangue, e absorvidos pelo prprio ego. Na realidade, isto  uma espcie de magia talismnica pois com a nomeao da substncia o mago invoca a fora espiritual em conformidade com aquele nome, e naquele telesmata fsico de po e vinho  essa fora confinada como se fosse sua habitao t errena. O fato de tal telesmata ser consumido pelo mago introduz em seu ser um poder espiritual que em virtude de sua energia inerente expulsa elementos impuros de seu ser, elevando e transmutando o ser humano integral a um plano mais grandioso. Desta maneira se procede a transformao do corpo de luz de um escuro corpo lunar para um corpo solar, um organismo resplandecente, ntido e de forma bem definida, que fulgura como ao brilhantemente polido, capaz de atravessar todo pilone, penetrar os santurios mais zelosamente guardados e ingressando na lista de assistncia dos guardies anglicos. Com este corpo solar de substncia espiritualizada, a veste deslumbrante do Banquete de Casamento, o teurgo no experimentar qualquer dificuldade para ascender nos planos a partir de Malkuth atravs do caminho de Saturno at a esfera do Fundamento. * Do Fundamento  possvel para ele atravs da Seta da Aspirao e do Poder da Harmonia e da Beleza para c ima - sempre para cima alm do deserto infecundo do Abismo ** no qual ele monta o camelo cabalstico, *** recebido jubilosa e lisonjeiramente pela Rainha no Palcio do Rei, que  a Coroa **** santa da rvore da Vida. Chegado  Coroa, o mago no  mais. No obstante, a ainda existe aquela conscincia superior da Vida Eterna que constitui a individualidade real do mago - aquela parte real dele da qual, talvez, tenha estado raramente consciente durante as suas vidas anteriores sobre a Terra - aquele esprito primordial e universal, que pulsa e vibra invisvel no cerne do corao de todos. 
* A Sephira Yesod, a primeira acima de Malkuth. (N. T.)
** Regardie faz referncia  Sephira misteriosa Dath. (N. T.)
*** Referncia ao caminho de Gimel (camelo) na rvore da Vida. (N. T.) 
**** Kether, a Sephira mais elevada da rvore da Vida. (N. T.) 
Escreveu Porfrio que "as almas ao atravessar as esferas dos planetas vestem, como tnicas sucessivas, as qualidades desses astros." Visto que os planetas e os signos zodiacais foram atribudos  rvore e esto includos na implicao das dez Sephiroth, o mago por meio desse processo da ascenso nos planos assimila as qualidades e caractersticas mais elevadas de cada planeta e cada Sephira.  medida que o skryer ascende  Luz suprema da Cham a imperecvel da Vida incorpora em si mesmo o poder inato dos planos pelos quais ele passa e como as caractersticas inferiores de seu ser so dificilmente compatveis com a gnea majestade impessoal do domnio celestial, so removidas deixando as caractersticas superiores como os augustos guardies do campo da conscincia. Todas as caractersticas dos mundos excelsos so sucessivamente assumidas pelo mago, e transcendidas at que ao fim de sua jornada mgica ele  fundido ao ser do Senhor de toda Vi da. A meta final de sua peregrinao espiritual  o xtase de paz no qual a personalidade, o pensamento e a autoconscincia finitos, mesmo a elevada conscincia dos deuses supremos, declinam cabalmente e o mago se funde na unidade do Ain-Sof , onde nenhuma sombra de diferena ingressa. 
CAPTULO XVI
Ao comear esboar e escrever este livro acerca de magia era a firme inteno do autor elucidar todos os processos mgicos to simples e inteligivelmente quanto fosse humanamente possvel e coerente com o tratamento exegtico de um assunto sumamente difcil e complexa. Pelo fato de ter havido no passado tanta obscuridade deliberada e matria propositadamente enganosa, pareceu a hora exata de produzir uma declarao que pudesse ser utilizada de uma vez por todas como uma exposio clara e definida. O autor espera ter sido fiel a essa inteno ao longo do texto, embora quanto a este ponto o leitor deva ser o nico juiz. Ambigidade e por vezes deliberada tentativa de ludibriar mediante o emprego de simbolismo difcil e a citao de extensas sries de nomes de autoridades tm caracterizado muitos livros de magia, pondo a perder qualquer valor que eles pudessem ter. Resta delinear neste livro uma frmula secreta de magia prtica de uma natureza to tremenda - encoberta como sem pre esteve no passado pelo deslumbramento de smbolos recnditos e oculta por pesados vus - que este autor est em dvida se seria sbio ou poltico se ater a sua deciso original. Poderia,  claro, ter sido omitida do contedo geral, mas foi necessrio inclu-la sob alguma forma a fim de tornar este tratado moderadamente completo na medida do que concerne aos principais, embora elementares aspectos da alta magia. O mtodo do qual nos propomos a falar aqui constitui uma frmula to poderosa da m agia da luz e to passvel do abuso e uso indiscriminados na magia negra que se uma concepo de sua tcnica e teoria  realmente para ser apresentada, a inteno original deste autor tem que ser descartada. Ser preciso valer-se do meio de um simbolismo eloqente que foi utilizado durante sculos para transmitir estas e idias similares. E ao leitor deve se assegurar que o simbolismo no foi propositadamente desorganizado, nem foi tampouco tornado ambguo, obscuro e destitudo de sentid o. Se meticulosamente estudados, os termos empregados revelaro uma coerncia e uma continuidade que desvendaro s pessoas certas de um modo absolutamente preciso os processos de sua tcnica. 
A Missa do Esprito Santo! Assim  chamada esta tcnica especfica.  nica em toda a magia pois nela est compreendida quase toda forma conhecida de procedimento tergico. Ao mesmo tempo,  a quintessncia e a sntese de todas elas. Entre outras coisas diz respeito  magia dos talisms. Por meio desse mtodo uma fora espiritual viva  confinada numa substncia telesmtica especfica. No se trata de telesmata morto ou inerte como acontece na costumeira evocao talismn ica cerimonial, mas sim de imediato vibrante, dinmico e contendo em germe e potencial a possibilidade de todo crescimento e desenvolvimento. De uma maneira muito especial, se refere, ademais,  frmula do Clice Sagrado. Um clice dourado de graa espiritual  utilizado no qual a prpria essncia e sangue vital do teurgo tm que ser derramados para a redeno no de sua prpria alma, mas que por intermdio disso toda a espcie humana possa ser salva. A euraristia tambm est implcit a e o clice  usado como a taa da comunho, cujo contedo santificado - taumatrgico e iridescente, em suma o vinho sacramental - tem que ser dedicado e consagrado ao servio do Altssimo. A oblao a ser consumida com o vinho eucarstico , em funo dessa interpretao, a essncia secreta tanto do mago intoxicado quanto do supremo deus que ele invocou. Neste mtodo est presente tambm em larga escala a tcnica alqumica, visto que concerne majoritariamente  produo do ou ro potvel, a pedra filosofal e o elixir da vida que  Amrita, o rocio da imortalidade. 
O leitor deve, acima de tudo, ter em mente a frmula filosfica do Tetragrammaton, que  o mtodo desta missa. Isto demonstra a necessidade de uma familiarizao prtica com os princpios numricos da Santa Cabala, pois quanto mais conhecimento se possui, sistematicamente classificado no sistema indicador da rvore da Vida, mais sentido e significao se vinculam  frmula de Tetragrammaton. No captulo em que se esboa a teoria mgica do universo as implicae s gerais do Nome sagrado foram resumidamente explicadas relativamente a essas conexes. Estas idias devem ser inteiramente assimiladas em relao  rvore. Munido deste entendimento, o leitor dever aplicar seus poderes ao esquema simblico que se segue. 
Ilustrando o cabealho de um captulo no livro de Franz Hartman Secret Symbols of the Rosicrucians (Smbolos Secretos dos Rosacruzes) vemos um desenho de uma sereia irrompendo do mar. Suas mos esto junto aos seus seios e dali brotam duas torrentes que retornam ao mar. Explicando esta figura Hartman escreveu que "... a figura representa o fundamento das coisas e sua origem. Trata-se de um princpio duplo da natureza; seus pais so o Sol e a Lua ; produz gua e vinho, ou ro e prata pela bno de Deus. Se torturas a guia, o leo se tornar dbil. As 'lgrimas da guia' e o 'sangue vermelho do leo' tm que se encontrar e se misturar. A guia e o leo se banham, comem e se amam. Eles ficaro como a salamandra e ficaro constantes no fogo." Na elaborao do que foi dito acima os seguintes princpios podem ser postulados. O Y * do nome sagrado neste sistema  chamado de leo vermelho e a primeira H **  a guia bra nca. Concebe-se que estas duas letras sejam as representaes de dois princpios csmicos, dois rios de sangue escarlate que brotam dos seios da sereia para dentro do mar, duas torrentes distintas e incessantes de vida, luz e amor que procedem eternamente da prpria Vida. Nelas reside o poder de tocar e comungar, fazendo um novo do outro, sem nenhuma ruptura das fronteiras sutis das torrentes ou qualquer confuso de substncia. Em sua natureza so mutuamente complementares e opostas, e no enta nto nelas est fundada a totalidade da existncia. Todas as operaes alqumicas de acordo com as autoridades requerem dois instrumentos principais: "um recipiente circular, cristalino, precisamente proporcional  qualidade de seu contedo" ou cucrbita e " um forno teosfico selado cabalisticamente ou Athanor. *** O Athanor  atribudo ao Y e a cucrbita  uma atribuio da H.
* A letra Yod. (n .t.)
** A letra H. (N. T.)
*** Amphitheatrum, H. Khunrath. 
Agora apesar do ouro puro que se menciona ser uma substncia homognea, una e indivisvel, dinmica e prenhe de possibilidade infinita, duas substncias separadas so usadas em sua produo. Estas so denominadas serpente ou o sangue do leo vermelho e as lgrimas ou o glten da guia branca. A serpente  uma atribuio da V **** do Tetragrammaton e o glten  alocado  ltima H deste nome. Estas duas substncias so a p role, por assim dizer, do leo e da guia. Os instrumentos alqumicos acima mencionados devem ser considerados como os armazns ou geradores desses dois princpios divinos ou torrentes de rpido fluxo de sangue, fogo e fora, o Athanor sendo a fonte ou veculo da serpente, o glten estando alojado na cucrbita. 
A fabricao do ouro alqumico que  o rocio da imortalidade consiste de uma operao peculiar que apresenta vrias fases. Pelo estmulo do calor e do fogo espiritual para o Athanor deve haver uma transferncia, umas ascenso da serpente daquele instrumento para dentro da cucrbita, usada como uma retorta. O casamento alqumico ou a combinao das duas correntes de fora na retorta produz de imediato a decomposio qumica da serpente no mnstruo do glten, sendo este a parte do solve da frmula alqumica geral do solve et coagula. Junto  decomposio da serpente e sua morte surge a resplendente Fnix que, como um talism, deve ser carregada por meio de uma contnua invocao do princpio espiritual compatvel com a operao em andamento. A concluso da missa consiste ou no consumo dos elementos transubstanciados, que  a Amrita, ou no ungir e consagrao de um talism especial. 
Antes de prosseguir com a anlise dos aspectos desta operao, gostaria de apresentar ao leitor uma citao na qual essa missa  repetida com certos detalhes, empregando a usual nomenclatura da alquimia. "Eu sou uma deusa de beleza e linhagem famosas, nascida do nosso prprio mar que rodeia a terra toda e que est sempre inquieto. Dos meus seios verto leite e sangue, fervendo-os at que se transformem em prata e ouro.  objeto o mais excelente, do qual todas as coisas so g eradas, embora  primeira vista tu sejas veneno, adornado com o nome da guia alada . . . . Teus pais so o Sol e a Lua; em ti h gua e vinho, ouro tambm e prata sobre a Terra, que o homem mortal possa regozijar... Mas considera,  homem, que coisas Deus te concede por este meio. Tortura a guia at que ela pranteie e o leo esteja debilitado e sangre at morrer. O sangue deste leo incorporado s lgrimas da guia  o tesouro da terra." Isto, sem dvida,  tambm explicativo da figura repr oduzida por Franz Hartman. 
Segundo certas autoridades, estima-se em termos aproximativos que a operao no deve levar menos de uma hora da invocao preliminar, com o aprisionamento da fora nos elementos, at o ato de compartilhar a prpria comunho a partir do clice consagrado. s vezes, de fato, se requer um perodo muito mais longo, especialmente se houver a exigncia da carga do talism ser completa e perfeita. Deve-se ter grande cautela para evitar a perda imprudente dos elementos. Existe a possibilidade de efetivo vazamento ou um transbordamento da cucrbita, e a assimilao ou evaporao dos elementos corrompidos no interior desse instrumento constitui tambm um acidente bastante deplorvel. Nunca  demais enfatizar que se os elementos no forem consagrados corretamente; ou em primeiro lugar se a fora invocada no se impingir ou ficar inseguramente confinada dentro dos elementos, toda a operao poder ser anulada. E poder facilmente degenerar s profundezas mais inferiores, resu ltando na criao de um horror qliftico que passar a existir como um vampiro atuando sobre os no-naturalmente sensveis e aqueles inclinados para a histeria e a obsesso. Se o elixir for adequadamente destilado, servindo como o meio do esprito invocado, ento os cus sero franqueados, e os portais se voltaro para o teurgo, os tesouros da Terra sero colocados aos seus ps. "Se o descobrires, cala e o mantm sagrado. No confia em ningum exceto em Deus." 
O problema do vnculo para ligar a operao mgica ao resultado desejado deve ser considerado em todos seus numerosos aspectos. Se a operao for daquelas que realmente exige um talism exterior para a produo visvel de seu efeito, um selo apropriado dever ser construdo de metal, cera ou sobre pergaminho. Pode ser consagrado e ungido com o elixir que foi criado atravs dos canais da Obra hermtica. Esses selos e talisms descritos na Chave de Salomo e em < i>The Magus so para uma finalidade absolutamente adequada. Caso a operao proposta pelo teurgo seja pertinente s qualidades de Jpiter, um pantculo apropriado deve ser preparado antes da operao. Durante a confeco do elixir, deve-se assumir a mscara divina de Maat e recitar uma conjurao do anjo ou inteligncia necessrios. No encerramento da missa, uma quantidade minscula do rocio superior deve ser colocada sobre o sigillum ou talism de Jpiter, carregando-o assim de uma for a insupervel para a produo dos resultados desejados. Variaes deste procedimento provavelmente ocorrero com a prtica. 
No se cogita da questo de um vnculo numa cerimnia conduzida visando uma finalidade na qual o circulo e o tringulo, por assim dizer, ou o demnio e o exorcista, ocupam o mesmo plano; ou seja, quando o teurgo trabalha exclusivamente sobre sua prpria conscincia sem referncia  qualquer efeito exterior. A missa do Esprito Santo, num tal caso, tem automaticamente seu clmax pelo consumo dos elementos carregados, a fora invocada encarnando dentro do mago como fato lg ico, natural.  neste tipo de operao, acho, que a missa do Esprito Santo gera a maior quantidade de fora e atinge o mais alto nvel de eficincia. 
Mesmo para operaes ordinrias, a grande vantagem deste mtodo  que  possvel dispensar o cerimonial quase que completamente. O mago pode com absoluta facilidade executar o ritual do banimento no astral e as invocaes podem ser silenciosamente recitadas de modo que nenhuma magia de natureza cerimonial possa ser percebida pelo profano. No caso, contudo, de operaes em que o resultado desejado existe num outro plano ou exterior  conscincia do mago, os efeitos nem sempre parecem se seguir com a mesma infalibilidade e seqncia como acontece nas operaes subjetivas. O exame de registros privados conservados por magos que utilizaram esse engenho mgico tendem a mostrar que seu melhor emprego  para trabalhos dentro da conscincia do mago.  nestas matrias que a missa do Esprito Santo  o mais poderoso e eficaz. Para o desenvolvimento da vontade mgica, o aumento da imaginao e a invocao tanto de Adonai quanto dos deuses universais para que ha bitem o templo consagrado do Esprito Santo, dificilmente se pode conceber um mtodo melhor ou mais adequado. No implica em nenhum gasto de energia vital visto que qualquer energia assim utilizada na operao retorna ao fim ao mago ampliada e enriquecida com o nascimento da Fnix dourada, o smbolo da ressurreio e do renascimento. 
O poder supremo atuante nessa tcnica  o amor. Por mais banal que isto possa parecer, e por mais que esta palavra tenha se tornado vulgar,  preciso reiterar que o amor  o poder motivador, uma fora de amor mantida sempre sob controle pela vontade e controlada pela alma. O poder destrutivo da espada e tudo aquilo em que implica a espada, o carter dispersivo da adaga ou de qualquer outra das armas elementares, aqui no tem lugar. Este mtodo, portanto, se reco menda como sendo dos mais excelentes. Visto que participa efetivamente do amor, pertence ao estofo e essncia da prpria vida. 
Em operao essa missa  extraordinariamente simples. De fato, um mago observou que no  mais complicado do que andar de bicicleta, isto , uma vez certas preliminares e o treinamento tenham sido concludos. Mais do que qualquer outra coisa requer uma vontade peculiarmente potente e independente, sustentando, claro, prvia disciplina e uma mente que tenha sido treinada em concentrao por longos perodos de tempo. Uma das peculiaridades dessa tcnica  que a menos que se seja excepcionalmente cauteloso e alerta desde o incio  coisa fcil para o mago perder o controle de seus instrumentos alqumicos e assim arruinar a operao inteira. Alegria na mera execuo tcnica da missa com a excluso devido trabalho mgico constitui o grande e supremo perigo. Por outro lado, porque este elemento de prazer e alegria aqui realmente ingressa, esta tcnica supera em excelncia todas as demais. A mente tem que ser treinada na concentrao sob todas as circunstncias. Como uma preli minar  prtica mgica deste tipo, a tcnica da ioga se revela sumamente vantajosa. Pode-se at afirmar que para o verdadeiro sucesso em toda a magia  absolutamente essencial uma completa fundamentao na tcnica da ioga. 
Uma observao adicional no seria inoportuna. Superficialmente e  primeira vista pode parecer que entre esse tipo de operao mgica, descrito de maneira to hesitante, e o trabalho cerimonial costumeiro h um grande hiato.  verdade que a missa do Esprito Santo constitui um avano no funcionamento lento e embaraoso do cerimonial, isto embora este ltimo seja essencial no princpio do treino mgico. Este mtodo  consideravelmente mais direto e incisivo, e devido  classe p eculiar de energias que desencadeia sobre a natureza, seus efeitos so extremamente mais poderosos e de alcance bem maior do que os do cerimonial por si s. Entretanto, a despeito de subsistirem como duas categorias distintas de trabalho, podem com grande proveito ser combinadas e usadas uma em conjuno com a outra. 
As autoridades alqumicas, as quais avaliaram esse mtodo, tm como consenso geral que por mais que seja grandioso seus resultados no podem ser logrados sem a orao. Sem a orao sincera nada permanente ou divino poderia ser realizado. Por conseguinte, enquanto a operao da missa est em andamento e o fogo no Athanor se intensifica, uma invocao entusistica, seja astral ou audvel, deve ser pronunciada.  aconselhvel que seja da natureza de um curto mantra apropriad o  natureza e tipo do trabalho, de composio rtmica. A operao como um todo poderia ser precedida por uma invocao mais geral para legitimar o trabalho.  medida que o trabalho astral de criao progride, o mantra rtmico ajudar a formular e vivificar os moldes produzidos pela vontade e a imaginao, atraindo a fora espiritual desejada. E ento, quando a serpente  transferida do Athanor e a corrupo alqumica comea no glten da guia branca, a cucrbit a ser o receptculo de uma nova substncia, viva e dinmica, contendo a marca indelvel das invocaes que tero dotado sua plasticidade e potencialidade de mpeto avassalador numa dada direo. Conclui-se que se partilhando dessa substncia que  o mercrio filosfico, impregnado com uma inteligncia de energia espiritual dinmica capaz de produzir dentro dos limites de sua esfera a mudana desejada, a realizao plena e satisfatria coroar a aspirao do mago. 
Conduzida dentro de um crculo adequadamente consagrado, aps um perfeito banimento, seguida por uma poderosa conjurao da fora divina e o assumir da forma divina apropriada, a cerimnia pode se revelar detentora de poder incomparvel para franquear os Portais dos Cus. Utilizando-se apenas a taa e o basto como armas elementares, em associao com o mantra ou a invocao rtmica especializada,  raro que a missa falhe ou no produza efeito. Es ta unio de duas armas mgicas diferentes, bastante divorciadas como possam ter se afigurado num primeiro momento, aumenta a potncia de cada uma delas j que combinam numa operao nica os melhores aspectos e as maiores vantagens de ambas. 
CAPTULO XVII
Agora os mais importantes aspectos da magia foram abordados. Antes de encerrar este livro, entretanto, desejo apresentar alguns exemplos de vrios tipos de rituais e invocaes que esto includos numa cerimnia completa. Diversas espcies de rituais foram mencionados nas pginas anteriores e agora  necessrio tornar tais referncias mais explcitas. Uma operao cerimonial completa  composta de muitos ciclos menores, por assim dizer. Independentemente de todas as questes de preparo e consagrao das armas da arte, o crculo e o tringulo e os talisms, com relao ao mtodo que foi descrito, a cerimnia correta pode incluir at oito fases distintas, no mencionando em absoluto do fato de que possa ser necessrio que muitas delas sejam repetidas duas ou trs vezes para efeito de nfase. A cerimnia  aberta com um completo Ritual de Banimento, que j foi citado para tornar pura e limpa a esfera de trabalho. Segue-se usualmente uma invocao geral ou orao ao Senhor do Universo. Na seqncia se procede ao trabalho preciso. Deve haver uma invocao ao deus que governa a operao, a recitao de um apelo ao arcanjo ou anjo sucedida por uma poderosa conjurao do esprito ou inteligncia para sua apario visvel. Sua manifestao no tringulo  saudada por boas-vindas especiais ensejo no qual se queima incenso como uma oferenda e para lhe dar corpo. Segue-se ento a Licena para Partida e a oper ao  concluda por um completo banimento cerimonial. Propomos, assim, neste captulo final, dar vrios exemplos de cada um dos ciclos mais importantes do trabalho, reproduzindo aquelas invocaes que so consideradas exemplares pelas autoridades. 
A preparao de um templo ou aposento adequado a ser empregado como o cenrio das operaes mgicas  uma das mais importantes preliminares a serem atendidas pelo teurgo. O uso contnuo de um aposento especial no qual a preocupao principal foi com a prtica da meditao e coisas geralmente mgicas tende automaticamente a consagrar essa rea limitada  Grande Obra, expelindo todas as influncias indesejveis e perturbadoras. Uma simples forma de cerimnia consagrando um a cmara especial para um propsito mgico pode ser concebida muito facilmente incorporando-se o Ritual do Pentagrama com diversos aforismos dos Orculos Caldeus, como por exemplo no ritual que se segue.
"Que o mago encare o leste e segurando o basto de ltus pela parte negra, diga as seguintes palavras: 
HEKAS, HEKAS, ESTI BEBELOI!
"Ento que se realize o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama de maneira que um crculo seja formado abrangendo a rea da cmara inteira, depois do que o basto deve ser depositado sobre o altar. 
"Purifica os limites externos do crculo com gua, dizendo: ' Assim portanto primeiro o Sacerdote que governa os trabalhos do fogo tem que borrifar a gua do mar que alto ressoa.' 
"Purifica com fogo, dizendo: ' E quando depois de todos os fantasmas tu veres aquele santo fogo amorfo, aquele fogo que dardeja e lampeja atravs das profundezas ocultas do universo, escuta a voz do fogo. '
"Ento toma novamente o basto de ltus pela extremidade branca, e repete a adorao: 
" 'Santo s tu Senhor do Universo.
Santo s tu cuja natureza no formou. 
Santo s tu o Vasto e Poderoso,
Senhor da Luz e das Trevas.' "
Imediatamente aps os banimentos iniciais terem sido realizados, e logo antes do princpio da cerimnia, aconselha-se uma invocao do Altssimo. Tal como a vontade inferior aspira quilo que est acima, do mesmo modo se concebe que o mais alto aspirar  unio com aquilo que est abaixo. Para equilibrar a cerimnia uma invocao da Vontade Superior - seja esta concebida como o Augoeides ou o Senhor do Universo -  considerada parte indisp ensvel de qualquer operao. A orao que  apresentada abaixo aparece primeiramente em The Secret Symbols of the Rosicrucians (Os Smbolos Secretos dos Rosacruzes), de Franz Hartman e  uma das hinos mais eloqentes e exaltadores j escritos que se enquadra ao propsito mencionado acima.
"Eterna e Universal Fonte do Amor, Sabedoria e Felicidade; a Natureza  o livro no qual Teu caracter est inscrito e ningum  capaz de l-lo a no ser que tenha estado em Tua escola. Portanto, nossos olhos esto dirigidos para Ti, como os olhos dos servos esto dirigidos sobre as mos de seus senhores e senhoras, dos quais recebem suas ddivas.
" tu Senhor dos Reis, quem deixaria de louvar-Te incessantemente, e para sempre com todo seu corao? Pois tudo no universo procede de Ti, de Teu interior, pertence a Ti e  imperioso que novamente retorne a Ti. Tudo que existe reingressar em ltima instncia em Teu Amor ou Teu dio, Tua Luz ou Teu Fogo, e tudo, seja bom ou mau, deve servir  Tua glorificao.
"Tu somente  o Senhor pois Tua Vontade  a fonte de todos os poderes que existem no universo; nada pode escapar a Ti. s o Reio do Mundo, Tua residncia  no Cu e no santurio do corao dos virtuosos.
"Deus universal, Vida Una, Luz Una, Poder Uno, Tu Tudo em Tudo, alm da expresso e alm da concepo.  Natureza! Tu alguma coisa a partir de nenhuma coisa, tu smbolo da Sabedoria! Em Mim Mesmo eu sou nada, em Ti eu sou eu. Eu vivo em Ti eu feito de nada; vive Tu em mim, e tira-me da regio do eu para a Luz Eterna." 
Em A Magia Sagrada de Abramelin, o Mago Abrao, o Judeu cuidadosamente insistiu em no fornecer oraes ou invocaes, sugerindo que as melhores invocaes seria aquelas escritas por cada indivduo de maneira a atender a necessidades pessoais. Apresenta, todavia, nas pginas de seu livro uma orao que  adequada, tal como a orao rosacruz precedente, para a formao da abertura da cerimnia colimando o soerguimento da mente do mago e a atrao da insuflao divina para a bno do trabalho em pauta*.
* Embora ainda assim se trate da orao pessoal que Abrao empregou em sua consagrao. (N. T.) 
" Senhor Deus de Misericrdia; Deus, Paciente, Benignssimo e Liberal, que concedeis Vossa Graa de mil maneiras, e por mil geraes; que esqueceis as iniqidades, os pecados e as transgresses dos homens; em cuja Presena ningum  encontrado inocente; que visitais as transgresses dos pais para com os filhos e sobrinhos, at a terceira e quarta geraes; conheo minha misria e no sou digno de aparecer perante Tua Divina Majestade, nem mesmo de implorar e buscar Vossa Bondade e Merc para a mnima Graa. Mas,  Senhor dos Senhores, a Fonte de Vossa Bondade  tamanha, que por Si s chamou aos que esto confundidos por seus pecados e no se atrevem a se aproximar, e convidou-os a beber de Vossa Graa. Donde,  Senhor meu Deus, tende piedade de mim e afastai de mim toda iniqidade e malcia; limpai minha alma de toda impureza de pecado; renovai-me em meu Esprito, e confortai-o, de modo que possa se tornar forte e apto a compreender o Mistrio de Vossa Graa, e os Tesouros de Vos sa Divina Sabedoria. Santificai-me tambm com o leo de Vossa Santificao, com que santificastes todos os Vossos Profetas; e purificai-me com ele em tudo o que me  pertinente, de modo que possa me tornar digno da Conversao de Vossos Santos Anjos** e de Vossa Divina Sabedoria, e concedei-me o Poder que destes a Vossos Profetas sobre todos os Espritos Maus. Amm. Amm***." 
** O autor registra Holy Guardian Angels (Santos Anjos Guardies). Este tradutor omitiu Guardies por no constar no original transcrito. (N. T.) 
*** Tomei a liberdade de acrescentar Amm. Amm., por fidelidade ao original transcrito. (N. T.) 
Talvez um dos mais primorosos hinos conhecidos por este autor  um escrito por Aleister Crowley. Est presente numa pea mstica intitulada The Ship composta h muitos anos atrs e  isento de todas as incmodas implicaes metafsicas constantes em outras oraes, as quais tendem a melindrar sensibilidades filosficas. Como , inclusive, em forma potica****, o efeito  cumulativo, facilitando grandemente o processo de exaltao. 
****  preciso que o leitor compreenda que, como no caso de demais poesias aqui traduzidas, a rima  muitas vezes sacrificada em prol da justeza e ritmo do texto em portugus. (N. T.) 
"Tu que s eu, alm de tudo que sou,
Que no possui nenhuma natureza e nenhum nome,
Que s quando todos exceto Tu j se foram,
Tu, centro e segredo do Sol,
Tu, fonte oculta de todas as coisas conhecidas
E desconhecidas, Tu afastado, s,
Tu, o fogo verdadeiro dentro do junco
Procriando e criando, fonte e semente
De vida, amor, liberdade e luz,
Tu que transcende discurso e viso,
Tu eu invoco, meu dbil e fresco fogo
Acendendo  medida que meus intentos aspiram.
Tu eu invoco, Tu que s permanente,
Tu, centro e segredo do Sol,
E aquele mistrio santssimo
Do qual eu sou o veculo.
Aparece, sumamente terrvel e sumamente brando,
Como  lcito, em Tua criana. 
Pois do Pai e do Filho,
O Esprito Santo  a norma; 
Macho-fmea, quintessencial, uno,
Homem-sendo velado sob forma de mulher.
Glria e venerao no mais excelso,
Tu Pomba, humanidade que deifica,
Sendo esta raa mui realmente governada,
Do brilho do sol da primavera at a borrasca do inverno.
Que Tu sejas glorificado e venerado
Seiva do freixo do mundo, rvore de prodgios! 
Glria a Ti que procedes do Tmulo Dourado.
Glria a Ti que procedes do tero que Espera.
Glria a Ti que procedes da terra no arada! 
Glria a Ti que procedes da virgem que fez voto! 
Glria a Ti, Unidade verdadeira 
Da Trindade Eterna! 
Glria a Ti, Tu genitor e genitora
E eu de Eu sou o que Eu sou! 
Glria a Ti, Sol eterno, 
Tu Um em Trs, Tu Trs em Um! 
Que Tu sejas glorificado e venerado, 
Seiva do freixo do mundo, rvore de prodgios! "
Nos escritos do mui eminente platonista Thomas Taylor podem ser encontrados alguns exemplos salutares de hinos e invocaes adequados ao trabalho mgico. Alis, h uma volume traduzido por Taylor em 1787 do grego intitulado The Mystical Hymns of Orpheus (Os Hinos Msticos de Orfeu) no qual h invocaes dirigidas a quase cada um dos deuses principais; de sorte que para o aprendizde teurgia esse volume se destina a ser extremamente til em seu trabalho prtico, especialme nte em vista do fato de Taylor ser da opinio de que o contedo do livro era usado nos Mistrios de Elusis. Pertencente ao tipo de orao geral que deve preceder a uma cerimnia, transcrevemos aqui um notvel Hino ao Cu que para seu propsito  incomparvel. 
"Grande Cu, cuja poderosa estrutura no conhece repouso,
Pai de tudo de que o mundo surgiu; 
Escutai, pai generoso, origem e desfecho de tudo, 
Para sempre circundando esta esfera terrestre; 
Moradia dos deuses, cujo poder guardio cerca
O mundo eterno dentro de limites perenes; 
Cujo seio amplo e dobras envolventes 
Sustentam a necessidade terrvel da natureza.
Etrea, terrestre, cuja estrutura multivariada,
Cerlea e plena de formas, nenhum poder  capaz de domar.
Onividente, fonte de Saturno e do tempo,
Para sempre abenoada, divindade sublime,
Propcia sobre um novo brilho mstico, 
Coroai seus desejos com uma vida divina."
No mesmo volume h um Hino  Me dos Deuses que como uma invocao pode ser empregado exatamente da mesma maneira para preceder o trabalho cerimonial efetivo.  especialmente digno de ser citado. 
"Me dos Deuses, grande ama-seca de todos, aproxima-te
Divinamente honrada e considera minha orao. 
Entronizada num carro por lees tirado, 
Por lees destruidores de touros, cleres e fortes, 
Tu agitas o cetro da vara divina,
E o assento intermedirio do mundo, mui afamado,  Teu. 
Da a terra  Tua, e mortais necessitados dividem 
Seu alimento constante, a partir de Tua proteo. 
De Ti o mar e todos os rios fluem.
Achamos Teu nome o melhor e fonte de riqueza 
Aos homens mortais que se regozijam em ser bondosos; 
Pois a cada bem a ser dado Tua alma se delicia.
Vem, poder formidvel, propcio aos nossos ritos,
Aquela que tudo doma, abenoada, Salvadora frgia, vem, 
Grande rainha de Saturno, que se regozija no tambor 
Donzela celestial, antiga, mantenedora da vida,
Fria inspiradora, d ao Teu suplicante ajuda; 
Com aspecto jubiloso sobre o nosso incenso brilha
E satisfeita, aceita o sacrifcio divino." 
A orao apresentada a seguir  um extrato de uma cerimnia invocando o Santo Anjo Guardio levada a efeito pelo falecido Allan Bennett, um dos Adeptos da Golden Dawn antes de ter ingressado no sangha budista e ter se tornado bhikkhu Ananda Metteya.
"Que Tu sejas adorado, Senhor da minha Vida, pois Tu permitiste a mim adentrar at aqui o Santurio de Teu Inefvel Mistrio; e te dignaste a manifestar para mim algum pequeno fragmento da Glria de Teu Ser. Ouve-me, Anjo de Deus, o Vasto; ouve-me e admite minha orao! Concede que eu sempre sustente o Smbolo do Auto-sacrifcio; e concede a mim a compreenso de tudo que possa me aproximar de Ti! Ensina-me, Esprito estrelado, mais e mais de Teu Mistrio e Tua Maestria; permite qu e cada dia e cada hora me deixem mais perto, mais perto de Ti! Permite-me auxiliar-Te em Teu sofrimento de modo que possa algum dia tornar-me participante de Tua Glria, naquele dia quando o Filho do Homem for invocado ante o Senhor dos Espritos, e Seu Nome na presena da Ancio dos Dias! 
"E neste dia ensina-me esta nica coisa: como posso aprender de Ti os Mistrios da Alta Magia da Luz. Como posso eu ganhar dos Habitantes dos Elementos brilhantes o conhecimento e poder destes: e como eu posso empregar da melhor maneira esse conhecimento para ajudar meus semelhantes.
"E finalmente oro a Ti para que possa haver um lao de Dependncia entre ns; que eu possa sempre buscar, e buscando obter ajuda e conselho de Ti que s minha prpria individualidade. E diante de Ti eu prometo e juro que pelo apoio Daquele que senta no Trono Santo purificarei meu corao e mente de modo que um dia possa me tornar verdadeiramente unido a Ti, que s em Verdade meu Gnio Superior, meu Mestre, meu Guia, meu Senhor e Rei! "
Embora a forma das invocaes gnsticas tenha se tornado bastante conhecida no meio daqueles que estudam magia e misticismo, h uma invocao particularmente boa que desejo reproduzir aqui, extrada do manuscrito Bruce. Contm diversos nomes brbaros evocatrios e foi proferida por Jesus para a purificao de seus discpulos.
"Ouve-me,  meu Pai, Pai de toda Paternidade, Luz Infinita, torna este meus discpulos dignos de receber o Batismo do Fogo, perdoa seus pecados, purifica as iniqidades que eles cometeram consciente ou inconscientemente, aquelas que cometeram desde sua infncia at mesmo aos dias de hoje, suas palavras impensadas, seu discurso maligno, seus falsos testemunhos, seus furtos, suas mentiras, suas calnias enganosas, suas fornicaes, seus adultrios, sua cobia, sua avareza e todos os pecados que possam ter cometido, apaga-os, purifica-os deles e permita que ZOROKOTHORA venha em segredo e lhes traga a gua do Batismo do Fogo da Virgem do Tesouro. 
"Ouve-me,  meu Pai: eu invoco Teus Nomes Incorruptveis Ocultos nos Aeons para sempre, AZARAKAZA AAMATHKRATITATH IOIOIO ZAMEN ZAMEN ZAMEN IAOTH IAOTH IAOTH PHAOPH PHAOPH PHAOPH KHIOEPHOZPE KHENOBINYTH ZARLAI LAZARLAI LAIZAI, AMEN AMEN; ZAZIZAYA NEBEOYNISPH PHAMOY PHAMOY PHAMOY AMOYNAI AMOYNAI AMOYNAI AMEN AMEN AMEN ZAZAZAZI ETAZAZA ZOTHAZAZAZA. Ouve-me, meu Pai, Pai de todas as paternidades, Luz Infinita, eu invoco Teu s Nomes Incorruptveis que esto no Aeon de Luz para que ZOROKOTHORA me envie a gua do Batismo gneo procedente da Virgem de Luz para que eu possa batizar meus discpulos. Ouve-me novamente,  meu Pai, Pai de toda Paternidade, Luz Infinita, para que a Virgem de Luz possa vir, que ela possa batizar meus discpulos com Fogo, que ela possa perdoar seus pecados, purificar suas iniqidades, pois eu invoco Teu Nome Incorruptvel que  ZOTHOOZA THOITHAZAZZAOTH AMEN AMEN AMEN. Ouve-me tambm  Virgem d e Luz,  Juza da Verdade, perdoa os pecados de meus discpulos; e se,  meu Pai, Tu apagares suas iniqidades, possam eles ser inscritos herdeiros do Reino da Luz, e para este fim realiza um milagre sobre estes incensrios de suave perfume."
Pouca engenhosidade da parte do novio ser exigida para efetuar as necessrias alteraes destes rituais de modo a adapt-los s suas prprias finalidades. Um pronome aqui mais uma palavra ali e o resultado  um ritual pessoal. O mesmo se revela verdadeiro no que concerne aos rituais dos Livro dos Mortos, muitos deles sendo lricos e panegricos. No captulo CLXXXII  apresentada uma curta invocao na qual Thoth  representado em identificao com os mortos.
"Eu sou Thoth, o escriba perfeito cujas mos so puras. Eu sou o Senhor da pureza, o destruidor do mal, o escriba do correto e da verdade, e o que abomino  o pecado*."
* O leitor deve considerar o termo pecado aqui com certas reservas devido ao significado e conotao que essa palavra adquiriu na teologia judaico-crist.  aconselhvel prender-se ao sentido original do vocbulo latino peccatum, a saber: falta, erro, crime. (N. T.) 
"Contempla-me pois eu sou o junco de escrita do deus Neb-er-tcher, o senhor das leis, que concede a palavra da sabedoria e do entendimento, e cujo discurso exerce domnio sobre a terra dupla. Eu sou Thoth, o senhor do correto e da verdade, que faz o fraco conquistar a vitria e que vinga os infelizes e os oprimidos naquele que lhes causou dano.
"Eu dispersei as trevas! 
"Eu afastei a tempestade, e trouxe o vento a Un-Nefer, a brisa formosa do vento do norte, mesmo brotando do tero de sua me.
"Eu o fiz ingressar a morada oculta e ele vivificar a alma do Corao Tranqilo, Un-Nefer, o filho de Nuit, Hrus triunfante! "
Ocioso dizer que no emprego da invocao acima a forma do deus Thoth  magicamente assumida e o prprio ritual enumera algumas das qualidades e poderes do deus, a recitao do mesmo auxiliando na unio e mescla das substncias. O exemplar de ritual dado por E. A. Wallis Budge em The Gods of the Egyptians (Os Deuses dos Egpcios) usado como uma invocao de Osris, constitui um exemplo bem melhor. Foi necessrio fazer uma espcie de edio dele j que era demasiado lon go e disperso. 
"Salve, senhor Osris. Salve, senhor Osris. Salve, senhor Osris.
"Salve, salve, formoso moo, vem ao teu templo prontamente pois ns no vemos a ti. Salve, formoso moo, vem ao teu templo e te aproxima aps tua partida de ns. 
"Salve, tu que comandas ao longo da hora, que cresces exceto em sua estao. Tu s a imagem exaltada de teu pai Tenen, tu s a essncia oculta que provm de Atmu.  tu, Senhor,  tu Senhor, quo maior s tu que teu pai,  tu filho primognito do tero de tua me. Retorna a ns novamente com aquilo que a ti pertence e ns te abraaremos; no nos deixa,  rosto belo e grandemente amado, tu imagem de Tenen, tu, o viril, tu senhor do amor. Vem em paz e permita-nos ver,  nosso Senho r ... .
"Salve, Prncipe, que provm do tero ... da matria primeva. Salve, Senhor de multides de aspectos e formas criadas, crculo de ouro nos templos; senhor do tempo e doador de anos. Salve, senhor da vida por toda a eternidade; senhor de milhes e mirades, que brilha tanto no nascer quanto no pr do sol. Salve, tu senhor do terror, tu, o poderoso do tremor.
"Salve, senhor das multides de aspectos, tanto macho quanto fmea; tu s coroado com a Coroa Branca, tu Senhor da Coroa Urerer. Tu Beb santo de Her-hekennu, tu filho de Ra, que senta no Barco de Milhes de anos, tu Guia do Repouso! Vem para os teus stios ocultos.
"Salve, tu senhor que s auto-produzido. Salve, tu cujo corao  tranqilo, vem a tua cidade. Tu, amado dos deuses e deusas que mergulhaste a ti mesmo em Nu, vem ao teu templo; tu ests no Tuat, vem para tuas oferendas... .
"Salve, tu flor santa da Grande Casa. Salve, tu que trazes o cordame santo do barco de Sekti; tu Senhor do Barco de Hennu que renovas tua juventude no stio secreto, tu Alma perfeita... Salve, tu oculto, que s conhecido da humanidade.
"Salve! Salve! Tu efetivamente brilhas sobre aquele que est no Tuat e efetivamente mostras a ele o Disco, tu Senhor da Coroa Ateph. Salve,  poderoso do terror, tu que nasces em Tebas, que floresces para sempre. Salve, tu alma viva de Osris coroado com a lua. " 
Um outro ritual proveniente de fontes egpcias  o Hino a Amon-Ra, que reproduzimos aqui a partir do famoso Harris Magical Papyrus. 
" Amon oculto no centro de seu olho, esprito que brilha no olho sagrado, adorao para os Transformadores Santos, para aqueles que no so conhecidos! Brilhantes so suas formas veladas num fulgor de Luz.
"Mistrio dos Mistrios, Mistrio Ocultado, Salve Tu no meio dos cus. Tu, que s Verdade, geraste os deuses. Os signos da Verdade esto em teu misterioso santurio. Por ti se faz tua me Meron brilhar. Tu tornas manifestos raios que iluminam. Tu circundas a Terra com tua luz at retornares  montanha que est no Pas de Aker. Tu s adorado nas guas. A terra frtil te adora. Quando teu cortejo passa pela montanha oculta o animal selvagem se ergue em sua toca, os espritos do Orie nte te louvam, temem a luz de teu disco. Os espritos do Khenac te aclamam quando tua Luz brilha em seus rostos. Tu atravessas um outro cu que no  possvel ao teu inimigo atravessar. O fogo de teu calor ataca o monstro Ha-her. O peixe Teshtu guarda as guas ao redor de tua barca. Tu comandas a morada do monstro Oun-ti, que Nub-ti golpeia com sua espada.
"Este  o deus que se apoderou do cu e da terra em sua tempestade. Sua virtude  poderosa para destruir seu inimigo. Sua lana  o instrumento de morte para o monstro Oubn-ro. Agarrando-o subitamente ele o subjuga; ele se faz mestre dele e o fora a reingressar em sua morada; ento ele devora seus olhos e nisto est seu triunfo; o monstro  ento devorado por uma chama ardente; da cabea aos ps todos os seus membros queimam em seu calor. Tu trazes teus servos ao porto com um ve nto favorvel. Sob ti, os ventos encontram paz. Tua barca regozija, tuas sendas so ampliadas porque tu venceste os caminhos do autor do mal. 
"Velejai, estrelas errantes! Velejai, astros resplandecentes; vs que viajais com os ventos! Pois tu ests repousando no seio do cu, tua mo te abraa; quando tu chegas ao horizonte ocidental a terra abre os braos para receber-te. Tu que s venerado por todas as coisas existentes! "
As poucas ltimas linhas da invocao acima, pode-se notar, se acham num plano muito mais elevado de poesia do que o corpo principal da invocao. Trata-se de uma perorao extremamente boa. Estes rituais devem ser objeto de muito estudo e  luz de princpios da Cabala uma considervel quantidade de filosofia pode deles extrada e neles percebida. 
Um ritual que desde algum tempo se tornou geralmente conhecido como a "Invocao do No-nascido" parece a este autor um dos melhores por ele conhecido. O mais antigo registro que dele se descobriu se acha numa obra intitulada Fragment of a Graeco-Egyptian Work upon Magic (Fragmento de uma Obra Greco-egpcia sobre Magia), de Charles Wycliffe Goodwin, M. A., publicada em 1852 para a Cambridge Antiquarian Society. Reimpresso no sculo passado no final da dcada d e noventa por Budge em Egyptian Magic (Magia Egpcia), esse ritual tornou-se largamente conhecido entre os devotos da teurgia e foi cuidadosamente editado e elaborado por magos experientes. Reproduzimos abaixo a verso aperfeioada. 
"Tu eu invoco, o No-nascido.
"Tu que criaste a Terra e os Cus.
"Tu que criaste a Noite e o Dia.
"Tu que criaste as trevas e a Luz. 
"Tu s Osorronophris, que nenhum homem viu em tempo algum.
"Tu s Iabas. Tu s Iapos. Tu distinguiste entre o justo e o injusto. Tu produziste a fmea e o macho.
"Tu produziste a Semente e o Fruto. Tu formaste homens para se amarem entre si e se odiarem entre si.
"Eu sou Mosheh* teu Profeta** ao Qual tu confiaste teus Mistrios, as cerimnias de Israel. 
* Aqui o mago pode inserir seu prprio nome e lugar na hierarquia mgica. 
** Moiss. (N. T.) 
"Tu produziste o mido e o seco, e aquilo que nutre todas as coisas criadas. 
"Que tu me oua, pois eu sou o Anjo de Paphro Osorronophris; este  Teu Verdadeiro Nome, entregue aos Profetas de Israel. 
"Ouve-me: Ar: Thiao: Rheibet: Atheleberseth: A ; Blatha: Abeu: Ebeue: Phi: Thitasoe: Ib: Thiao. 
"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre a terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e cada Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim.
"Eu te invoco, o Deus Terrvel e Invisvel, que habitas o Stio Vazio do Esprito: Arogogorobrao: Sothou: Modorio: Phalarthao: Doo: Ap: O No-nascido. 
"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia, e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
"Ouve-me: Roubriao: Mariodam: Balbnabaoth: Assalonai: Aphnaio: I ; Thoteth: Abrasar: Aeoou: Ischure, Poderoso e No-nascido. 
"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
"Eu te invoco: Ma: Barraio: Ioel: Kotha: Athorebalo: Abraoth! 
"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
"Ouve-me! Aoth: Abaoth: Basum: Isak: Sabaoth: Isa ! 
"Este  o Senhor dos Deuses! Este  o Senhor do Universo! Este  Aquele que os Ventos temem! 
"Este  Aquele Que tendo feito a Voz por seu Mandamento  Senhor de todas as Coisas, Rei, Governante e Auxiliador.
"Ouve-me e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim.
"Ouve-me: Ieou: Pur ; Iou: Pur: Iaot: Iaeo: Ioou: Abrasar: Sabrium: Do: Uu: Adonaie: Ede: Edu: Angelos ton Theon: Anlala Lai: Gaia: Ape: Diarthana Thorun. 
"Eu sou Ele! O Esprito No-nascido! tendo viso nos Ps! Forte e o Fogo Imortal! 
"Eu sou Ele! A Verdade! 
"Eu sou 
Ele! Quem odeia que o mal seja lavrado no Mundo! 
"Eu sou Aquele que ilumina e troveja. Eu sou Aquele do Qual procede a Abundncia da Vida da Terra: Eu sou Aquele cuja boca sempre flameja: Eu sou Ele: O Gerador e o Manifestador diante da Luz. 
"Eu sou Ele: A Graa do Mundo! 
" 'O Corao com uma Serpente como Cinta '  o meu Nome!
"Vem e segue-me, e faz todos os Espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo Encantamento e Flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim. 
IAO: SABAO
" Tais so as palavras! " 
Talvez um tipo ainda melhor de invocao aos deuses  o que apresentaremos a seguir. H muitos teurgos que o preferem, como modalidade de ritual, ao precedente. A invocao de Thoth que citarei se baseia muito largamente no Livro dos Mortos, principalmente no captulo da Sada pelo Dia e uma seo contendo uma alocuo sacerdotal ao fara citada por Maspero. O ritual completo, entretanto, no mostra quaisquer sinais de colcha de retalhos, sendo perfeitamente coerente, consisten te e esttico. 
" Tu, Majestade da Divindade, Tahuti Coroado de Sabedoria, Senhor dos Portais do Universo, a Ti, a Ti eu invoco! 
" Tu cuja cabea  como uma bis, a Ti, a Ti eu invoco!
"Tu que seguras em Tua mo direita o basto mgico do Poder Duplo e que portas em tua mo esquerda a Rosa e a Cruz da Luz e da Vida, a Ti, a Ti eu invoco! 
"Tu cuja cabea  como Esmeralda, e cuja nmis como o azul do cu noturno, a Ti, a Ti eu invoco! 
"Tu cuja pele  de laranja flamejante como se ardesse numa fornalha: a Ti, a Ti eu invoco! 
"V, eu sou ontem, Hoje e o irmo do Amanh! Eu naso de novo e de novo. A mim pertence a fora invisvel da qual os deuses se originam, a qual d vida aos habitantes das torres de vigia do Universo.
"Eu sou o auriga no Oriente, Senhor do Passado e do Futuro, o qual v por sua prpria luz interior. Eu sou o Senhor da Ressurreio, que assoma do crepsculo e cujo nascimento procede da Casa da Morte.  vs dois falces divinos que sobre vossos pinculos mantm a vigilncia do Universo! Vs que acompanhais o esquife a sua Casa de Repouso, que pilotam o Barco de Ra sempre avanando s alturas do cu! Senhor do Santurio que fica no centro da Terra! 
"V! Ele est em mim e Eu Nele! Meu  o brilho com o qual Ptah flutua sobre seu firmamento! Eu viajo pelas alturas! Eu piso o firmamento de Nu! Eu ergo uma flama cintilante com o relmpago de meu olho, sempre investindo para a frente no esplendor do diariamente glorificado Ra, outorgando minha vida aos habitantes da Terra. Se eu digo Subi s montanhas as guas celestiais fluiro ante minha palavra, pois eu sou Ra encarnado; Kephra criado na carne! Eu sou o eidolon do meu Pai Tmu, Senhor da Cidade do Sol.
"O deus que comanda est em minha boca. O Deus da Sabedoria est em meu corao. Minha lngua  o santurio da Verdade; e um deus senta sobre meus lbios. Minha palavra  comprida todos os dias e o desejo de meu corao realiza a si mesmo como aquele de Ptah quando ele cria suas obras. Visto que eu sou Eterno tudo atua de acordo com meus desgnios, e tudo acata minhas palavras. 
Portanto que Tu venhas a Mim de Tua Morada no Silncio, Sabedoria Impronuncivel, Toda-Luz, Toda-Poder.
"Thoth, Hermes, Mercrio, Odin. Por qualquer nome que chame a Ti, Tu s ainda i-Nomeado e Sem Nome para a Eternidade. Que tu venhas, eu digo, e ajuda-me e guarda-me nesta obra da Arte. 
"Tu estrela do Oriente que realmente conduziste os Magos. Tu ests identicamente toda presente no Cu e no Inferno. Tu que vibras entre a Luz e as Trevas, ascendendo, descendo, mudando para sempre, e no entanto sempre a mesma. O Sol  Teu Pai! Tua Me, a Lua! O Vento Te gerou em seu seio: E a terra sempre nutriu a Divindade Imutvel de Tua Juventude. 
"Vem, eu digo, vem e faz todos os espritos se sujeitarem a mim, de maneira que todo esprito do Firmamento e do ter, sobre a Terra e sob a Terra, sobre terra seca e na gua, do Ar que rodopia e do Fogo impetuoso e todo encantamento e flagelo de Deus possam prestar obedincia a mim! " 
Poucos entre os aprendizesde magia da atualidade sabem que o grande neoplatnico Proclo comps vrios hinos e invocaes. A maior parte, infelizmente, se perdeu, apenas uns poucos tendo sido preservados e nos tornado acessveis. Thomas Taylor traduziu cinco desse hinos e os publicou em 1793 num apndice do seu livro intitulado Sallust on the Gods and the World. Todos os cinco so sumamente bons e ser proveitoso que o aprendizse familiarize com eles. A fim de dar uma idia do seu valor, reproduzimos aqui o Hino ao Sol. 
"Ouve Tit dourado! Rei do fogo mental,
Regente da luz; a Ti supremo pertence
A chave esplndida da fonte prolfica da vida; 
E das alturas Tu vertes correntes harmnicas 
Em rica abundncia nos mundos da matria.
Ouve! pois elevado nas alturas acima de plancies etreas,
E no brilhante orbe intermedirio do mundo Tu reinas
Enquanto todas as coisas por Teu soberano poder so preenchidas
Com zelo que estimula a mente, providencial.
Os fogos das estrelas circundam Teu fogo vigoroso,
E sempre numa dana infatigvel, incessante,
Sobre a terra de seios largos o rocio vvido se difunde.
Por Teu curso perptuo e reiterado
As horas e estaes em sucesso de desenrolam;
E elementos hostis cessam seus conflitos,
Logo que contemplam Teus raios tremendos, grande Rei;
De divindade inefvel e nascido secreto... 
 melhor dos deuses, dimon coroado de fogo, 
Imagem de todo o bem que a natureza produz,
E o condutor da alma ao domnio da luz - 
Ouve! e purifica-me das manchas da culpa;
Recebe a splica de minhas lgrimas,
E cura minhas feridas maculadas de pernicioso sangue coagulado;
Os castigos incorridos pelo pecado perdoa,
E mitiga o olho gil, sagaz
Da justia sagrada, sem limites em seu parecer.
Por Tua lei pura, dos males horrendos constante inimiga, 
Dirige meus passos, e despeja Tua luz sagrada
Em rica abundncia sobre minha alma anuviada; 
Dissipa as sombras sinistras e malignas
De escurido, prenhes de aflies envenenadas, 
E ao meu corpo fora adequada proporciona,
Com sade, cuja aparncia esplndidas ddivas concede.
D fama duradoura; e possa o zelo sagrado
Com o qual as musas de belos cabelos presenteiam, que outrora
Meus pios ancestrais preservaram, ser meu. 
Ajunta, se a Ti agrada, onigeneroso deus,
Riquezas duradouras, a recompensa do piedoso; 
Pois poder onipotente investe Teu trono,
Com fora imensa e regra universal.
E se o eixo giratrio dos destinos 
Ameaar das teias de estrelas a destruio medonha, 
Teus raios retumbantes com fora irresistvel sero enviados .
E vencero antes de precipitar-se a calamidade iminente. "
Desejo apresentar mais uma invocao desta mesma categoria antes de prosseguir fazendo citaes dos rituais usados em cerimnias de evocao. Fui obrigado, infelizmente, a omitir grande parte do ritual abaixo, por motivos de espao, e tal como apresentado aqui corresponde a aproximadamente  metade de sua extenso correta. Escrito por Crowley e publicado por ele em Oracles  baseado em certas frmulas mgicas e documentos que eram usados na Ordem Hermtica da Go lden Dawn. Sua excelncia e fervor dispensam meus comentrios. 
" Eu divino!  Senhor Vivo de Mim!
Flama de fulgor prprio, gerada do alm! 
Divindade imaculada! Clere lngua de fogo, 
Acesa a partir daquela incomensurvel luz, 
O ilimitado, o imutvel. Vem,
Meu deus, meu amante, esprito do meu corao,
Corao de minha alma, branca virgem da Aurora,
Minha Rainha de toda perfeio, vem 
De Tua morada alm dos Silncios
A mim, o prisioneiro, eu, o homem mortal,
Feito santurio neste barro: vem, eu digo, a mim,
Inicia minha alma excitada; aproxima-te
E deixa a glria de Tua Divindade brilhar
Mesmo para a Terra, Teu plinto ... .
Tu Anjo Majestoso de minha Vontade Superior,
Forma em meu esprito um fogo mais sutil 
De Deus, para que eu possa compreender mais 
A pureza sagrada de Tua divina 
Essncia!  Rainha,  Deusa da minha vida,
Luz no-gerada, fasca cintilante
Do Todo-Eu!  Santa, santa Esposa
De meu pensamento mais  divindade semelhante, vem! Eu digo
E Te manifesta ao Teu venerador... 
Meu Eu real! Vem,  deslumbrante
Envolvida na glria do Stio Sagrado
De onde chamei a Ti: Vem a mim
E permeia meu ser at que meu rosto 
Brilhe com Tua luz refletida, at que minhas sobrancelhas
Raiem com Teu smbolo estrelado, at que minha voz 
Alcance o Inefvel; vem, eu digo,
E faz-me uno Contigo; que todos os meus caminhos
Possam resplandecer com a santa influncia 
Que eu possa ser julgado digno no fim 
Para sacrificar perante o Santssimo... 
Ouve-me! 
Eca, zodocare, Iad, goho,
Torzodu odo Kikale qaa!
Zodacare od zodameranu!
Zodorje, lape zodiredo Ol
Noco Mada, das Iadapiel! 
I las! Hoatahe Iaida!
 coroada com a luz das estrelas! alada com esmeraldas
Mais larga que o Cu!  azul mais profundo
Do abismo das guas!  Tu flama
Que cintila atravs de todas as cavernas da noite, 
Lnguas saltando do incomensurvel
Subindo atravs dos resplandecentes precipcios imanifestos
Para o Inefvel!  Sol Dourado!
Glria vibrante do meu Eu superior! 
Eu ouvi Tua voz ressoando no Abismo: 
'Eu sou o nico Ser nas profundezas 
Da Escurido: deixa-me ascender e preparar-me
Para trilhar o caminho das Trevas: mesmo assim 
Posso atingir a luz. Pois do Abismo 
Vim antes de meu nascimento: destes sales sombrios 
E silncio de um sono primevo! E Ele, 
A Voz das Idades, respondeu-se e disse: 
V! Pois eu sou Aquele que formula 
Na Escurido! Filho da Terra! a luz com efeito brilha
Nas trevas, mas as trevas no entendem 
Raio algum dessa luz iniciadora! 
... No me deixa s, 
 Esprito Sagrado! Vem para confortar-me, 
Atrair-me e fazer-me manifesto,
Osris ao mundo choroso; que eu
Seja erguido sobre a Cruz do Sofrimento
E do sacrifcio, para atrair toda a espcie humana
E todo germe de matria que possua vida, 
Mesmo depois de mim, ao inefvel 
Reino de Luz!  santa, santa Rainha! 
Pemite que Tuas amplas asas me abriguem! 
Eu sou a Ressurreio e a Vida!
O Reconciliador da Luz e das Trevas,
Eu sou Aquele que resgata as coisas mortais, 
Eu sou a Fora na Matria manifesta. 
Eu sou a Divindade manifesta na carne.
Eu me posto acima, entre os Santos,
Eu sou todo purificado atravs do sofrimento.
Todo-perfeito no sacrifcio mstico,
E no conhecimento de minha Individualidade feito
Uno com os Senhores Eternos da Vida
O glorificado pelo julgamento  o meu Nome.
O Resgatador da Matria  meu Nome ... .
Eu vejo as Trevas se precipitarem como o raio se precipita!
Eu observo as Idades como uma agitao de torrentes
Passando por mim; e como uma veste eu me livro 
Das abas pegajosas do Tempo. Meu lugar est fixo 
No Abismo alm de todas as Estrelas e todos os Sis.
EU SOU a Ressurreio e a Vida. 
Santo s Tu, Senhor do Universo! 
Santo s Tu, Cuja Natureza no se formou!
Santo s Tu, o Vasto e Poderoso! 
 Senhor das Trevas e  Senhor da Luz! "
Num dos captulos anteriores foi feita alguma referncia s invocaes de Dee e ao poder destas. Os fatos que marcam estas invocaes ou chaves como foram chamadas, so, a grosso modo, os seguintes. Mais de uma centena de pginas preenchidas de letras foram obtidas por Dee e seu colega Kelly de uma maneira que ningum ainda em absoluto compreendeu. Dee teria, por exemplo, diante de si uma ou mais dessas tabelas, via de regra de 49" X 49", algumas cheias, algumas com le tras apenas sobre quadrados alternados, na superfcie de uma escrivaninha. Sir Edward Kelly sentaria junto ao que eles chamavam de Mesa Sagrada e fitaria uma bola de cristal ou cristal no qual, depois de algum tempo, veria um Anjo que apontaria com um basto para as letras de uma daquelas tabelas sucessivamente. A Dee, Kelly comunicaria que o Anjo apontava, por exemplo, a coluna 4, fileira 29 da tabela, aparentemente no mencionando a letra que Dee encontrava na tabela diant e de si e registrava. Quando Anjo terminava sua instruo, a mensagem era reescrita de trs para diante. Teria sido ditada totalmente errada pelo Anjo por ser considerada demasiado perigosa para ser comunicada de uma maneira direta, cada palavra sendo uma conjurao to poderosa que sua enunciao e meno diretas teriam evocado poderes e foras naquele momento indesejveis. 
Reescritas ao inverso, essas invocaes pareciam escritas numa linguagem que os dois magos chamavam de enoquiano. Longe de se tratar de um jargo sem significado, o enoquiano possui gramtica e sintaxe prprias, como pode ser percebido pela consulta de Casaubon que traduziu muitas das chaves. Muitos o julgam bem mais sonoro e expressivo que o prprio grego e o snscrito, as tradues para o ingls, embora em alguns trechos de difcil compreenso, contendo maravilhosas passagens detentoras de uma sustentada sublimidade e uma potncia lrica que muitos poetas e at a Bblia no superam. 
Por exemplo: "Podem as Asas do Vento compreender vossas vozes de Prodgio?  vs o Segundo do Primeiro, quem as chamas ardentes acomodaram nas profundezas de minhas Maxilas! Quem eu preparei como taas para um casamento ou como flores em sua beleza para a cmara da Justia. Vossos ps so mais vigorosos do que a pedra infrutfera: e vossas vozes mais fortes que os ventos mltiplos! Pois vs vos tornais uma construo tal como no  exceto na mente do Todo-Poderoso. "
Existem dezenove dessas Chaves; as duas primeiras evocam o elemento chamado Esprito, as dezesseis seguintes invocam os quatro elementos, cada uma com quatro subdivises. A dcima nona pode ser empregada para invocar qualquer um dos chamados Trinta Aethyrs pela mudana de uma ou duas palavras especiais. Cito abaixo mais uma dessas chaves em enoquiano seguida de uma traduo:.
" Ol Sonuf Vaoresaji, gohu IAD Balata, elanusaha caelazod; sobrazod ol Roray i ta nazodapesad, Giraa ta maelpereji, das hoel ho qaa notahoa zodimezod, od comemahe ta nobeloha zodien; soba tahil ginonupe perje aladi, das vaurebes obolehe giresam. Casarem ohorela caba Pire: das zodonurenusagi cab: erem Iadanahe. Pilae farezodem zodernurezoda adana gono Iadapiel das homo-tohe; soba ipame lu ipamis: das sobolo vepe zodomeda poamal, od bo gira sai ta piapo Piamoel od Vaoan. Zodacare, eca od zodameranu! odo cicale Qaa; zodorje, lape zodiredo Noco Mada, Hathahe IAIDA! "
"Eu reino sobre vs, diz o Deus da Justia, em poder exaltado acima do Firmamento da Ira, em cujas mos o Sol  como uma espada e a Lua como um fogo penetrante; quem mede vossas Vestes no meio de minhas Vestimentas e vos atou como as palmas de minhas mos; cujos assentos eu guarneci com o Fogo da Coleta e embelezei vossas vestes com admirao; para quem eu produzi uma lei para governar o Santssimo, e entreguei a vs uma Vara , com a Arca do Conhecimento. Ademais, vs ergu estes vossas vozes e jurastes obedincia e f quele que vive e triunfa, cujo princpio no , nem o fim pode ser; que brilha como flama no meio de vossos palcios e reina entre vs como o equilbrio da justia e da verdade.
"Movei, pois, e mostrai-vos! Abri os mistrios de vossa criao. Sede amistosos comigo pois eu sou servo do mesmo Deus que  o vosso, o verdadeiro Adorador do Altssimo."
Embora via de regra os exemplares de rituais apresentados por liphas Lvi em seus diversos escritos sejam de qualidade muito precria e no se prestam em absoluto ao seu emprego prtico, h uma notvel exceo em seu Dogma e Ritual de Alta Magia. Ele chama este ritual de Orao aos Silfos.
"Esprito de Luz, Esprito de Sabedoria, cujo alento concede e retira a forma de todas as coisas; Tu diante de quem a vida de todo ser  uma sombra que transforma e um vapor que desvanece; Tu que ascendes s nuvens e com efeito voas sobre as asas do vento; Tu que expiras e as imensidades ilimitadas so povoadas; Tu que aspiras e tudo que de Ti brotou a Ti retorna; movimento sem fim na estabilidade eterna, s Tu abenoado para sempre! 
"Ns Te louvamos, ns Te abenoamos no imprio fugaz da luz criada, das sombras, reflexes e imagens: e ns aspiramos incessantemente ao Teu esplendor imutvel e imperecvel. Possa o raio de Tua inteligncia e o calor de Teu amor descer sobre ns; que aquilo que  voltil ser fixo, a sombra se converter em corpo, o esprito do ar receber uma alma e o sonho ser pensamento. No mais seremos varridos ante a tempestade, mas teremos  rdea os corcis alados da manh e guiaremos o curso dos ventos da noite, de modo que possamos fugir para a Tua presena.  Esprito dos Espritos,  Alma eterna das Almas,  Imperecvel Alento da Vida,  Suspirar Criativo,  Boca que com efeito expira e retrai a vida de todos os seres no fluxo e refluxo de Teu eterno discurso, que  o oceano divino de movimento e de verdade! "
Todos os rituais seguintes tratam do ramo da magia que diz respeito  evocao dos espritos e exige poucos comentrios ou explicaes alm do que j foi fornecido nos captulos em que esse assunto  abordado. A forma da Segunda Conjurao de A Gocia, o melhor desta obra,  assim: 
"Eu te invoco, conjuro e ordeno, Tu esprito N., a aparecer e te mostrares visivelmente a mim diante deste crculo, sob aspecto atraente e agradvel, destitudo de qualquer deformidade ou tortuosidade, pelo nome e no nome IAH e VAU, que Ado ouviu e falou; e pelo nome de Deus AGLA, que Lot ouviu e foi salvo com sua famlia; e pelo nome IOTH que Jac ouviu do Anjo em luta com ele e foi liberto da mo de Esa, seu irmo; e pelo nome ANAPHAXETON, que Aaro ouviu e falou e foi feito sbio; e pelo nome ZABAOTH, que Moiss nomeou, e todos os rios foram transformados em sangue; e pelo nome ASHER EHYEH ORISTON, que Moiss nomeou e todos os rios produziram rs e estas entraram nas casas destruindo todas as coisas; e pelo nome ELION, que Moiss nomeou e houve grande chuva de granizo como jamais houvera desde o princpio do mundo; e pelo nome ADONAI, que Moiss nomeou e ali surgiram gafanhotos que se espalharam por toda a terra, e devoraram tudo que a granizo deixara; e pelo nome SCH EMA AMATHIA, que Josu invocou e o sol suspendeu seu curso; e pelo nome ALPHA e OMEGA, que Daniel nomeou e destruiu Bel e matou o drago; e no nome EMMANUEL, que as trs crianas, Shadrach, Meshach e Abednego, entoaram no meio da fornalha gnea, e foram libertados; e pelo nome HAGIOS; e pelo Selo de ADONAI; e por ISCHYROS, ATHANATOS, PARACLETOS; e por O THEOS, ICTROS, ATHANATOS e por estes trs nomes secretos AGLA ON TETRAGRAMMATON eu intimo e constranjo a ti. E por estes nomes, e por todos os outros no mes do Deus VIVO e VERDADEIRO, o SENHOR TODO-PODEROSO, e exorcizo e ordeno a ti,  esprito N., mesmo por Aquele que proferiu a Palavra e foi feito, e ao qual todas as criaturas obedecem; e pelos terrveis julgamentos de Deus; e pelo incerto Mar de Vidro que est diante da Majestade divina, vigorosa e poderosa; pelas quatro bestas perante o trono que tm olhos na frente e atrs; pelo fogo ao redor do trono; pelos santos anjos do Cu; e pela poderosa sabedoria de Deus, eu com p oder exorcizo a ti para que apareas aqui diante deste crculo a fim de satisfazer minha vontade em todas as coisas que a mim se afiguraro boas; pelo Selo de BASDATHEA BALDACHIA; e por este nome PRIMEUMATON, que Moiss nomeou, e a terra se abriu e com efeito tragou Kora, Dathan e Abiram. Por conseguinte, tu dars respostas fidedignas a todas as minhas demandas,  esprito N., e realizars todos os meus desejos na medida da capacidade de tua posio. Portanto, vem, visvel, pacfica e afavel mente, agora sem demora, a fim de manifestar aquilo que eu desejo, falando com voz clara e perfeita, inteligivelmente, e para meu entendimento."
Em The Magus, Barrett apresenta uma ligeira variao do ritual acima. Idntico  verso da Gocia at o trecho que menciona Kora, Dathan e Abiram, excetuando alguma alteraes secundrias, principalmente referentes a nomes, segue-se uma seo inteira que  exclusiva ao ritual de Barrett, merecendo a citao aqui devido  presena dos nomes brbaros.
"E no poder daquele nome PRIMEUMATON, comandando toda a hoste do cu, ns vos amaldioamos e vos despojamos de vossa funo, alegria e posio e com efeito vos prendemos nas profundezas do poo de fundo para que a permaneais at o dia terrvel do juzo final; e vos prendemos ao fogo eterno, e ao lago de fogo e enxofre, a menos que apareais incontinenti diante deste crculo para executar nossa vontade; por conseguinte, vinde por estes nomes ADONAI, ZABAOTH, ADONAI, AMIORAM, vind e, vinde, vinde, Adonai ordena; Sadai, o mais poderoso Rei dos Reis, cujo poder nenhuma criatura  capaz de resistir seja para vs sumamente medonho, a menos que obedeceis, e de imediato aparecei afavelmente diante deste crculo, que a chuva do infortnio e o fogo inextinguvel permaneam com vs; e portanto vinde em nome de Adonai, Zabaoth, Adonai, Amioram; vinde, vinde, vinde, por que retardais? Apressa-vos! Adonai, Sadai, o Rei dos Reis vos ordenam: El, Aty, Titcip, Azia, Hin, Hen, Miosel, Achadan, Va y, Vaah, Eye, Exe, A, El, El, El, A, Hau Hau, Vau, Vau, Vau." 
Dos mtodos de Honrio* extra a invocao que se segue, tendo-a condensado ligeiramente. Porquanto se trata de uma evocao do esprito Rei Amaimon, que figura como um dos hierarcas em A Gocia, e visto que sua comemorao tem teor cristo,  reproduzida abaixo para que uma comparao possa ser efetuada com o ritual precedente, de teor judaico. 
* Papa Honrio III, pontfice de 1216 a 1227. (N. T.) 
" tu Amaimon, Rei e Imperador das partes do norte, eu te chamo, invoco, exorcizo e conjuro pela virtude de poder do Criador, e pela virtude das virtudes, a me enviar logo e sem demora Madael, Laaval, Bamlahe, Belem e Ramath, com todos os outros espritos submetidos a ti, sob forma agradvel e humana! Em qualquer lugar que estejas agora, aproxima-te e rende aquela honra que deves ao verdadeiro Deus vivo que  teu Criador. Eu te exorcizo, te invoco e sobre ti imponho o mais elevad o mandamento pela onipotncia do Deus sempre vivo, e do Deus verdadeiro; pela virtude do Deus santo e o poder DELE que falou e todas as coisas foram feitas, e mesmo pelo Seu santo mandamento os cus e a Terra foram feitos, com tudo que neles est contido! Eu intimo a ti pelo Pai, pelo Filho e pelo Esprito Santo, mesmo pela Santa Trindade, pelo Deus ao qual no podes resistir, sob cujo imprio compelirei a ti: eu te conjuro por Deus-Pai, pelo Deus-Filho, pelo Deus-Esprito Santo, pela Me de Jesus Crist o, Santa Me e Perptua Virgem, por seu sagrado corao, por seu leite abenoado que o Filho do Pai sugava, por seu corpo e alma santssimos, por todas as partes e membros dessa Virgem, por todos os sofrimentos, aflies, trabalhos, agonias que ela suportou durante todo o curso da vida Dele, por todos os suspiros que ela deu, pelas santas lgrimas que ela verteu enquanto seu querido Filho chorava antes da ocasio de Sua dolorosa Paixo e sobre o madeiro da Cruz, por todas as coisas sagradas e santas que s o ofertadas e feitas, e tambm por todas as outras, tanto no cu como na Terra em honra de nosso Salvador Jesus Cristo, e de Maria Abenoada, Sua Me, por tudo que seja celestial. Conjuro-te pela Santa Trindade, pelo sinal da Cruz, pelo mais precioso sangue e gua que jorraram do flanco de Jesus, pelo suor que escorreu de todo Seu corpo, quando Ele disse no Jardim das Oliveiras: 'Pai, se for tua vontade, afasta de mim este Clice'; por Sua morte e paixo, por Seu sepultamento e gloriosa ressu rreio, por Sua ascenso, conjuro-te tambm pela coroa de espinhos que foi colocada sobre Sua cabea, pelo sangue que escorreu de Seus ps e mos, pelos pregos com os quais Ele foi pregado ao madeiro da Cruz, pelas lgrimas santas que Ele derramou, por tudo que Ele sofreu voluntariamente por grande amor a ns, por todos os membros de nosso Senhor Jesus Cristo.
"Eu te conjuro pelo julgamento dos vivos e dos mortos, pelas palavras do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, pelas Suas pregaes, por seus dizeres, por todos Seus milagres, pela criana em faixas, pela criana chorosa gerada pela me em seu tero mais puro e virginal, pela gloriosa intercesso da Virgem Me de nosso Senhor Jesus Cristo, e por tudo que  de Deus e da Me Santssima, tanto no cu como na Terra. Eu te conjuro,  tu grande Rei Amaimon, pelos Santos Anjos e Arcan jos, e por todas as ordens abenoadas de espritos, pelos santos patriarcas e profetas, e por todos os santos mrtires e confessores, por todas as virgens santas e vivas inocentes, e por todos os Santos de Deus." 
Muito similar a este ritual  o que se segue, transcrito de A Chave de Salomo, o Rei. Trata-se, entretanto, de uma invocao cabalstica, no contendo quaisquer elementos. O principal ponto a despertar interesse  que depois do promio, cada pargrafo  uma conjurao por e atravs do nome e poder de cada uma das Sephiroth da rvore da Vida. Este ritual  o primeiro ritual evocatrio da Chave, o segundo sendo muito semelhante realmente  segunda conjurao da G ocia. 
" vs Espritos, vs eu conjuro pelo Poder, Sabedoria e Virtude do Esprito de Deus, pelo incriado Conhecimento Divino, pela extensa Misericrdia de Deus, pela Fora de Deus, pela Grandeza de Deus, pela Unidade de Deus, e pelo Nome Santo EHEIEH, que  a raiz, tronco, fonte e origem de todos os outros nomes divinos, da extraindo todos eles sua vida e sua virtude as quais tendo Ado invocado, adquiriu ele o conhecimento de todas as coisas criadas. 
"Eu vos conjuro pelo nome indivisvel IOD, que marca e expressa a Simplicidade e a Unidade da Natureza Divina, que tendo Abel invocado mereceu escapar das mos de Caim, seu irmo. 
"Eu vos conjuro pelo nome TETRAGRAMMATON ELOHIM, que expressa e significa a Grandeza de uma Majestade to sublime, que tendo No o pronunciado, o salvou e protegeu a ele mesmo com toda sua casa das guas do Dilvio. 
"Eu vos conjuro pelo nome do Deus EL forte e prodigioso, que denota a Misericrdia e Bondade de Sua Majestade Divina, que tendo Abrao o invocado, foi julgado digno de vir da ur dos caldeus. 
"Eu vos conjuro pelo mais poderoso nome de ELOHIM GIBOR, que exibe a fora de Deus, de um Deus todo-poderoso, que pune os crimes dos perversos, que busca e castiga as iniqidades dos pais sobre os filhos at a terceira e quarta geraes; que tendo Isaque invocado, foi julgado digno de escapar da espada de Abrao, seu pai.
"Eu vos conjuro e vos exorcizo pelo nome mais santo de ELOAH VA-DAATH, que Jac invocou quando mergulhado em grande problema, e foi julgado digno de ostentar o nome de Israel, que significa Vencedor de Deus, e foi libertado da fria de Esa, seu irmo. 
"Eu vos conjuro pelo nome mais potente de EL ADONAI TSABAOTH, que  o Senhor dos Exrcitos, governando nos Cus, que Jos invocou, e foi julgado digno de escapar das mos de seus Irmos. 
"Eu vos conjuro pelo nome mais potente de ELOHIM TSABAOTH, que expressa piedade, misericrdia, esplendor e conhecimento de Deus, o qual foi invocado por Moiss, ele foi julgado digno de libertar o povo de Israel do Egito, e da servido ao Fara. 
"Eu vos conjuro pelo mais potente nome de SHADDAI, que significa fazer o bem a todos; e que Moiss invocou e tendo golpeado o Mar, este se dividiu em duas partes ao meio, do lado direito e do esquerdo. Eu vos conjuro pelo mais santo nome de EL CHAI, que  aquele do Deus Vivo, de cuja virtude a aliana conosco e a redeno para ns foram feitas; e que Moiss invocou e todas as guas retornaram ao seu estado prvio e envolveram os egpcios, de modo de nenhum deles escapou para leva r as notcias  terra de Mizraim. 
"Finalmente, eu vos conjuro todos, vs Espritos rebeldes, pelo mais Santo Nome de Deus ADONAI MELEKH, que Josu invocou e interrompeu o curso do Sol em sua presena atravs da virtude de Methraton, sua principal Imagem; e pelas tropas de Anjos que no cessam de chorar dia e noite, QADOSCH, QADOSCH, QADOSCH, ADONAI ELOHIM TSABAOTH, que  Santo, Santo, Santo, Senhor-Deus das Hostes, Cu e Terra esto repletos de Tua Glria; e pelos Dez Anjos que presidem s Dez Sephiroth, pelas q uais Deus comunica e estende Sua influncia sobre coisas inferiores, as quais so Kether, Chokmah, Binah, Gedulah,* Geburah, Tiphareth, Netsach, Hod, Yesod e Malkuth. 
* Ou Chesed. (N. T.) 
"Eu vos conjuro novamente,  Espritos por todos os Nomes de Deus e por todas Suas obras maravilhosas; pelos cus; pela Terra; pelo mar; por toda a profundidade do Abismo e por aquele firmamento que o prprio Esprito de Deus moveu; pelo sol e pelas estrelas; pelas guas e pelos mares e tudo neles contido; pelos ventos, os remoinhos e as tempestades; pelas virtudes de todas as ervas, plantas e pedras; por tudo que est nos cus, sobre a Terra e em todos os Abismos das Sombras. 
"Eu vos conjuro novamente e vos incito poderosamente,  Demnios, em qualquer parte que vs podeis estar, que sejais incapazes de permanecer no ar, fogo, gua e terra ou em qualquer parte do universo ou em qualquer stio agradvel que possa vos atrair, mas que vs venhais prontamente cumprir nosso desejo e todas as coisas que exigimos de vossa obedincia. 
"Eu vos conjuro novamente pelas duas Tbuas da Lei, pelos cinco livros de Moiss, pelas Sete Lmpadas Ardentes no Castial de Deus ante a face do Trono da Majestade de Deus, e pelos Santo dos Santos onde se permitiu a entrada apenas a KOHEN HA-GODUL, ou seja, o Alto Sacerdote. 
"Eu vos conjuro por Aquele que criou os cus e a Terra e que mediu esses cus no oco de Sua mo e encerrou a Tera com trs de Seus dedos, que est sentado sobre o Querubim e sobre o Serafim e junto ao Querubim, que  chamado de Kerub, que Deus constituiu e colocou para guardar a rvore da Vida, armado de uma espada flamejante, depois que o Homem tinha sido expulso do Paraso. 
"Eu vos conjuro novamente, Apstatas de Deus, por Ele que sozinho executou grandes maravilhas, pela Jerusalm celestial; e pelo Mais Santo Nome de Deus em Quatro Letras, e por Aquele que ilumina todas as coisas e brilha sobre todas as coisas pelo seu Nome Venervel e Inefvel, EHEIEH ASHER AHEIEH, que vinde imediatamente para realizar nosso desejo, qualquer que seja ele. 
"Eu vos conjuro e vos ordeno em absoluto,  Demnios, em qualquer parte do Universo que podeis estar, pela virtude de todos estes Nomes Santos: ADONAI, YAH, HOA, EL ELOHA, ELOHINU, ELOHIM, EHEIEH, MARON, KAPHU, ESCH, INNON, AVEN, AGLA, HAZOR, EMETH YIII ARARITHA, YOVA HAKABIR MESSIACH, IONAH MALKA, EREL KUZU, MATZPATZ, EL SHADDAI; e por todos os Nomes Santos de Deus que foram escritos com sangue no sinal de uma eterna aliana. 
"Eu vos conjuro novamente por estes outros nomes de Deus, Santssimos e desconhecidos, por virtude dos quais vs tremeis todos os dias: BARUC, BACURABON, PATACEL, ALCHEEGHEL AQUACHI, HOMORION, EHEIEH, ABBATON, CHEVON, CEBON, OYZROYMAS, CHAI, EHEIEH, ALBAMACHI, ORTAGU, NALE, ABELECH, YEZE; que vs venhais rapidamente e sem demora  nossa presena de toda regio e todo clima do mundo em que vs podeis estar, para executar tudo que ns ordenaremos no Grande Nome de Deus. "
A de Occulta Philosophia de Agrippa contm vrios rituais curtos para uso dirio, sendo cada um especfico para a evocao das entidades que se conformam aos dias. O ritual para domingo, por exemplo, : 
"Eu vos conjuro e vos confirmo, vs poderosos e santos anjos de Deus, no nome Adonai, Eye, Eye, Eya que Aquele que era e , e  para vir Eye, Abray; e no nome Saday, Cados, Cados, Cados, sentado nas alturas sobre o querubim; e pelo grande nome do prprio Deus, forte e poderoso que  exaltado acima de todos os cus; Eye, Saraye, que criou o mundo, os cus, a terra, o mar e tudo que neles existe no primeiro dia e os selou com seu santo nome Phaa; e pelo nome dos anjos que gov ernam no quarto cu, e servem diante do sumamente poderoso Salamia, um Anjo grandioso e honorvel; e pelo nome de sua estrela, que  Sol, e pelo seu signo, e pelo nome imenso do Deus Vivo e por todos os nomes j ditos, eu conjuro a ti, Miguel,  grande Anjo, que s o principal regente deste dia; e pelo nome Adonai, o Deus de Israel, eu te conjuro,  Miguel, para que trabalhes para mim e satisfaz todas minhas peties de acordo com minha vontade e desejo em minhas causas e negcios."
Quando durante a cerimnia de evocao h sinais aparentes de que a manifestao do esprito est ocorrendo, quando a fumaa do incenso rodopia na direo do tringulo e assume uma forma tangvel, uma orao ou boas vindas aos espritos deve ser recitada. A forma recomendada por Barrett : 
"BERALANENSIS, BALDACHIENSIS, PAUMACHIA e APOLOGIA SEDES, pelos mais poderosos reis e poderes, e os mais poderosos prncipes, gnios, Liachidae, ministros da sede tartrea, prncipe-chefe da Sede de Apologia, na nona regio, eu vos invoco e vos invocando, vos conjuro; e estando armado de poder proveniente da suprema Majestade, eu vos ordeno com rigor, por Aquele que falou e se fez e ao qual esto submetidas todas as criaturas; e por este nome inefvel, Tetragrammaton Jehova h, que sendo ouvido os elementos so derrubados, o ar  agitado, o mar retrocede, o fogo  extinguido, a terra treme, e toda a hoste dos seres celestiais, terrestres e infernais de fato tremem conjuntamente, e so transtornados e confundidos, por conseguinte, incontinenti, e sem demora, vinde de todas as partes do mundo, e dem respostas racionais a todas as coisas que indagarei; e vinde pacfica, visvel e afavelmente agora, sem demora, manifestando o que desejamos, sendo conjurados pelo nome do Deus viv o e verdadeiro, Helioren, e cumpra o que ordenamos, e persisti at o fim e em conformidade com nossas intenes, visvel e afavelmente a ns falando com voz clara, inteligvel e sem qualquer ambigidade."
No mesmo livro, Francis Barrett nos apresenta uma outra breve alocuo a ser recitada quando a manifestao da entidade necessria  concluda; isto  quando o esprito fica perfeitamente claro e visvel no tringulo. 
"Contemplai o pantculo de Salomo que eu trouxe a vossa presena; contemplai a pessoa do exorcista no meio do exorcismo, que  armado por Deus, sem medo, e bem provido, que com poder vos invoca e vos chama exorcizando; vinde, portanto, com velocidade, pela virtude destes nomes: Aye, Saraye, Aye Saraye: no retardai vossa vinda, pelos nomes eternos do Deus vivo e verdadeiro, Eloy, Archima, Rabur e pelo pantculo de Salomo aqui presente que poderosamente impera sobre v s; e por virtude dos espritos celestiais, vossos senhores; e pela pessoa do exorcista no meio do exorcismo; sendo conjurado apressai-vos e vinde e obedecei ao vosso mestre, que  chamado Octinomos. Preparai-vos para ser obedientes ao seu mestre em nome do Senhor, Bathat ou Vachat investindo sobre Abrae, Abeor vindo sobre Aberer."
Quando todas as questes do exorcista forem devidamente respondidas pelo esprito evocado, e todos os desejos do mago tiverem sido to satisfeitos que no haver mais necessidade de ret-lo no tringulo de manifestao, dever-se- dar a licena de partida do cenrio de evocao. O procedimento costumeiro consiste em recitar uma Licena de Partida e a forma de Licena indicada e A Chave de Salomo, o Rei  a seguinte: 
"Por virtude destes pantculos e porque vs fostes obedientes e acataram aos mandamentos do Criador, senti e inalai este odor agradvel e depois parti para vossas moradas e retiros; que haja paz entre ns e vs; estejai sempre prontos para vir quando fordes citados e convocados; e que possa a bno de Deus, na medida em que sois capazes de receb-la, estar sobre vs contanto que sejais obedientes e bem dispostos a vir a ns sem ritos solenes e observncias de nossa parte." 
APNDICE - LIVROS RECOMENDADOS PARA ESTUDO
The Candle of Vision, A. E. (Macmillan & Co., 1918)
Mysteries of Magic, liphas Lvi (Londres, 1897)
The Secret Doctrine, H. P. Blavatsky 
The Holy Kaballah, Arthur Edward Waite (Williams & Norgate, 1926)
Raja Yoga, Swami Vivekananda
Introduction to the Study of the Kaballah, W. W. Westcott
The Chaldaean Oracles, W. W. Westcott
Equinox, Aleister Crowley (edio privada, 1909 - 1914)
Magick, Master Therion (Lecram Press, Paris, 1929)
The Egyptian Book of the Dead
The Sacred Magic, S. L. MacGregor Mathers (Redway, 1889) 
The Key of Solomon the King (Redway, 1889)
The Ocean of Theosophy, Wm. Q. Judge
The Mysteries, Jmblico (Trad. Thomas Taylor)
The Gods of the Egyptians, E. A. W. Budge (Methuen, 1904)
Mystical Hymns of Orpheus (Trad. Thomas Taylor)
 

Fim do livro
205


A Arvore da Vida - Israel Regardie




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